Resumo

Este artigo objetiva analisar os recursos dêiticos que evidenciam a expressão diacrônica do conjunto de imagens de si projetadas por editorialistas do Jornal do Brasil (JB) e do Clarín (CL) em textos publicados nos séculos XX e XXI, mais precisamente entre os anos de 1945 e 2014. Para dar conta desse objetivo, do ponto de vista teórico, debruçamo-nos sobre o conceito de tradições discursivas a partir dos trabalhos de Kabatek (2001) e outros pesquisadores, ampliando-o na direção de um diálogo com os estudos em Análise do Discurso. Do ponto de vista metodológico, voltamo-nos ao exame de recursos dêiticos pessoais, temporais, sociais e modais e sua realização como elementos linguístico-discursivos indiciadores da emergência das imagens de si nos 50 textos que compõem o corpus, segundo cada periódico selecionados, em termos de mudanças e permanências no recorte temporal estabelecido. Do ponto de vista analítico, constatamos, de modo amplo: (i) nos dados relativos à primeira geração de textos (1945 a 1979) do JB, predomínio de dêiticos na primeira pessoa, ou seja, no plural inclusivo (expressão do ponto de vista enunciativo), seguido de vestígios de mudança nesta categoria na segunda geração de textos (1980 a 2014); e (ii) nos dados relativos à primeira geração de textos (1945 a 1979) do CL, predomínio de dêiticos temporais de natureza adverbial (expressão de tempo presente que se reporta a um passado próximo e/ou a um passado distante), seguido de vestígios de vestígios de mudança nesta categoria na segunda geração de textos (1980 a 2014).