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<journal-title>Revista da Abralin</journal-title>
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<publisher-name>Associação Brasileira de Linguística</publisher-name>
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      <article-id pub-id-type="doi">10.25189/RABRALIN.V19I3.1767</article-id>
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          <subject content-type="Relatório de Pesquisa">Tipo de contribuo</subject>
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        <article-title>Tradições discursivas no gênero editorial praticado no Brasil e na Argentina</article-title>
        <subtitle>A expressão do campo dêitico nos séculos XX e XXI</subtitle>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="17/12/2020" />
      <volume>19</volume>
      <issue>3</issue>
      <issue-title>Dossiês 2020</issue-title>
      <elocation-id>10.25189/RABRALIN.V19I3.1767</elocation-id>
      <history>
        <date date-type="accepted" iso-8601-date="17/12/2020" />
        <date date-type="received" iso-8601-date="16/11/2020" />
      </history>
      <abstract>
        <p id="_paragraph-5">Este artigo objetiva analisar os recursos dêiticos que evidenciam a expressão diacrônica do conjunto de imagens de si projetadas por editorialistas do Jornal do Brasil (JB) e do Clarín (CL) em textos publicados nos séculos XX e XXI, mais precisamente entre os anos de 1945 e 2014. Para dar conta desse objetivo, do ponto de vista teórico, debruçamo-nos sobre o conceito de tradições discursivas a partir dos trabalhos de Kabatek (2001) e outros pesquisadores, ampliando-o na direção de um diálogo com os estudos em Análise do Discurso. Do ponto de vista metodológico, voltamo-nos ao exame de recursos dêiticos pessoais, temporais, sociais e modais e sua realização como elementos linguístico-discursivos indiciadores da emergência das imagens de si nos 50 textos que compõem o <italic id="italic-1">corpus</italic>, segundo cada periódico selecionados, em termos de mudanças e permanências no recorte temporal estabelecido. Do ponto de vista analítico, constatamos, de modo amplo: (i) nos dados relativos à primeira geração de textos (1945 a 1979) do JB, predomínio de dêiticos na primeira pessoa, ou seja, no plural inclusivo (expressão do ponto de vista enunciativo), seguido de vestígios de mudança nesta categoria na segunda geração de textos (1980 a 2014); e (ii) nos dados relativos à primeira geração de textos (1945 a 1979) do CL, predomínio de dêiticos temporais de natureza adverbial (expressão de tempo presente que se reporta a um passado próximo e/ou a um passado distante), seguido de vestígios de vestígios de mudança nesta categoria na segunda geração de textos (1980 a 2014). </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-ae40eae8b1cdc1ec287d91184b58c6d8">This article aims to analyze the deictic resources that show the diachronic expression of the set of images of themselves projected by editorialists from Jornal do Brasil (JB) and Clarín (CL) in texts published in the 20th and 21st centuries, more precisely between the years 1945 and 2014. To achieve this objective, from a theoretical point of view, we focus on the concept of discursive traditions based on the work of Kabatek (2001) and other researchers, expanding it towards a dialogue with studies in Discourse Analysis. From a methodological point of view, we turn to the examination of personal, temporal, social and modal resources and their realization as linguistic-discursive elements that indicate the emergence of images of the self in the 50 texts that make up the corpus, according to each selected journal, in terms of changes and permanences in the established time frame. From an analytical point of view, we found, broadly: (i) in the data relating to the first generation of texts (1945 to 1979) by JB, predominance of deictics in the first person, that is, in the inclusive plural (expression of the point of view enunciative), followed by traces of change in this category in the second generation of texts (1980 to 2014); and (ii) in the data related to the first generation of texts (1945 to 1979) of the CL, predominance of temporal deictics of an adverbial nature (expression of present time that refers to a near past and / or a distant past), followed by traces of traces of change in this category in the second generation of texts (1980 to 2014).</p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">Tradições discursivas</kwd>
        <kwd content-type="">Editoriais</kwd>
        <kwd content-type="">Campo dêitico</kwd>
        <kwd content-type="">Séculos XX e XXI</kwd>
      </kwd-group>
    </article-meta>
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    <sec id="heading-2694e331080ca498e8785fa73f8649c6">
      <title>Introdução</title>
      <p id="paragraph-2">Tomando como pressuposto que “não se deve esquecer que tradições discursivas estão relacionadas ao linguístico, mas não são, de modo algum, puramente linguísticas” (KOCH, 1997, p. 79<xref id="xref-f2d6b7f8ca42105d70736c2285245319" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-21bcb5ecf9fe13aa4cca6648546c686b">[1]</xref>) e que áreas como a Análise do Discurso “não rejeitam, na atualidade, a perspectiva histórica para oferecer uma confirmação genética a suas respectivas hipóteses” (KABATEK, 2001a, p. 07<xref id="xref-2b4482db1105b210da4d86c3a6e4ab02" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-fa297a9bcd4d1ff72ba56783f51ccef2">[2]</xref>), neste artigo, parto dos estudos discursivos e filológicos para analisar os recursos dêiticos que evidenciam a expressão diacrônica do conjunto de imagens de si projetadas por editorialistas do Jornal do Brasil (JB) e do Clarín (CL) em textos publicados nos séculos XX e XXI. A execução desse objetivo orienta-se pela tese que postulo de o conceito de tradições discursivas (doravante TD) lança luz à investigação de fenômenos discursivos, a exemplo da expressa diacrônica de imagens de si.</p>
      <p id="paragraph-3">Em uma pesquisa qualitativa, analiso 50 exemplares de editoriais organizados em duas grandes gerações de 35 anos cada (de 1945 a 1979 e de 1980 a 2014) e coletados/editados, entre 2013 e 2014, quando estive na Universidade de Buenos Aires (doravante UBA) como pesquisador-bolsista em estágio doutoral realizado com financiamento do Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE/CAPES), experiência essa que me possibilitou o acesso aos arquivos públicos do Clarín preservados na Biblioteca Nacional Argentina, bem como o acesso às técnicas de manuseio e tratamento de material histórico para a realização de pesquisas científicas nos acervos do CL e do JB.</p>
      <p id="paragraph-4">Por sua natureza interdisciplinar, a pesquisa empreendida se mostra como uma possibilidade de ampliação dos estudos sobre tradições discursivas na medida em que se volta para a análise de questões textuais, genéricas e, sobretudo, discursivas, como vemos a seguir. Assim, de início, situo o conceito de tradições discursivas do qual parto para a análise que empreendo nos dados selecionados.</p>
      <p id="paragraph-bbeda7b6317a4235cd59ddade8716cc6" />
      <sec id="heading-d3ad96212661cbd33eb4ac9e440118f5">
        <title>1. Tradições discursivas do campo dêitico em editoriais do JB e do CL: notações conceituais</title>
        <p id="paragraph-e6a9b9aa79ac0561c47846806d598541">Johannes Kabatek dedicou-se ao estudo de tradições discursivas, redimensionando-o a partir da análise dos vestígios de mudança e de permanência pelos quais passam os índices linguístico-textuais ao longo de dado período histórico.</p>
        <p id="paragraph-16a7b4fd1873d60238c11c3684245803">Segundo Kabatek (2001a<xref id="xref-79920541e1a2ad9f5a265fecce21b98c" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-fa297a9bcd4d1ff72ba56783f51ccef2">[2]</xref>), as pesquisas em Análise do Discurso não devem descartar a perspectiva diacrônica para oferecer uma confirmação histórica a suas questões de pesquisa (e para oferecer uma interpretação histórica a seus objetos de pesquisa) com relação aos mecanismos e princípios que regem a comunicação verbal. Ao tomar as TD como modos de comunicação analisáveis “em categorias da pragmática universal e que servem para identificar os traços universais próprios de cada constelação discursiva no plano histórico” (KABATEK, 2001a<xref id="xref-d95383192becbce1af9e62591c29d5c7" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-fa297a9bcd4d1ff72ba56783f51ccef2">[2]</xref>, p. 08, tradução nossa<xref id="xref-c9e2e5d6ff7a2040257fcfae6f554510" ref-type="fn" rid="footnote-ce3033c7c94e0f90325ceeeab21dfefb">1</xref>), o teórico argumenta que as tradições discursivas são espécies de moldes históricos e normativos que se repetem com valor de signo, ou seja, que se apresentam segundo formas textuais, textos ou modos de dizer no curso histórico, no plano da significação. </p>
        <p id="paragraph-b6a125b29486b64c57f14f92b3d07a12">Ao investigar as tradições discursivas medievais em textos jurídicos castelhanos, Kabatek (2001b<xref id="xref-774ece53eee46441b8048deff581b525" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-476f3b0b580fb84313b73caa2897cd6d">[3]</xref>) estabelece uma relação entre transformação linguística e tradição que passa a ser observada nos estudos linguísticos de modo mais evidente no que se refere à busca da autenticidade da variação diacrônica, priorizando-se a análise comparada de textos de mesma natureza ao longo do tempo. </p>
        <p id="paragraph-a419164e688d08fd0ed570bab450dc7e">Neste sentido, a maior contribuição dada pelo autor à Teoria das Tradições Discursivas foi o fato de haver postulado que, além de estarem situadas em um nível histórico da linguagem distinto do nível em que estão situadas as línguas, as TD apresentam traços definidores ligados à significação, ou seja, apresentam valor de signo próprio, enfatizando que: (i) nem toda tradição é discursiva (as pinturas, por exemplo, são tradições, mas não do discurso) e que (ii) nem toda repetição linguística é uma TD. </p>
        <p id="paragraph-2ef08e7a795ad7164475c5f42666aa23">Este pensamento de Kabatek (2001b<xref id="xref-33ca15dbcfe049f406b12a4cf8858ef6" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-476f3b0b580fb84313b73caa2897cd6d">[3]</xref>) destaca que a repetição de uma forma textual, de um texto e/ou de um modo de dizer só pode ser tomada como uma TD a partir do momento em que se estabelece no curso histórico de modo recorrente e com valor de signo (ou seja, com sua expressão para além do plano do significante), o que significa dizer que as combinações linguísticas que realizamos diariamente na construção de frases/períodos não necessariamente são TD. </p>
        <p id="paragraph-7">Partindo do reconhecimento de que as TD estão circunscritas, de início, ao nível histórico proposto por Coseriu (1980<xref id="xref-bca444324296a2e3d143c672224eaf3f" ref-type="bibr" rid="book-ref-a7f500faf738d66001a6009a3fe74de3">[4]</xref>), Kabatek (2001<xref id="xref-4b623f71e705d626f4c755ad552924ce" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-fa297a9bcd4d1ff72ba56783f51ccef2">[2]</xref>, p. 99, tradução nossa<xref id="xref-53d75ff449e17789bed35b65652adbe4" ref-type="fn" rid="footnote-0ce4f1fe1fbce4d015e85e197e737dfe">2</xref>) confirma que a historicidade das tradições discursivas de fato é distinta da historicidade das línguas na medida em que: </p>
        <disp-quote id="block-quote-5dfe0cf7814a488f24b3b2e108fcc68e">
          <p id="paragraph-c17001095e9a2714c463311a0c9b91b1">A historicidade das línguas corresponderia às línguas históricas como o francês, o alemão e o espanhol com suas variedades diatópicas, diastráticas e diafásicas; ao passo em que a historicidade discursiva seria, por exemplo, a da história dos gêneros textuais, dos atos de fala, dos gêneros literários e retóricos e dos estilos. Falar seria, pois, uma atividade universal que se realizaria através de um duplo filtro tradicional: a intenção do ato comunicativo teria que passar em cada momento pela ordem linguística que encadeia os signos de uma língua segundo suas regras sintáticas e pela ordem textual que atualiza certas tradições discursivas. </p>
        </disp-quote>
        <p id="paragraph-11">Das palavras de Kabatek (2001<xref id="xref-93449a862c5a3a1dbbba1da0ede55705" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-fa297a9bcd4d1ff72ba56783f51ccef2">[2]</xref>), depreende-se que as imagens de si de editorialistas, quando estudadas sob a prisma da diacronia, estão relacionadas à “historicidade discursiva”, ou seja, à historicidade “dos gêneros”, “dos estilos”, dos modos de dizer. </p>
        <p id="paragraph-12">Em termos composicionais, uma TD pode se configurar com base em qualquer elemento significável, seja de forma ou de conteúdo. Este elemento está envolvido em um processo de evocação que estabelece um laço de união entre atualização e tradição de dado elemento no discurso. Trata-se de uma relação que se estabelece semioticamente, entre pelo menos dois enunciados “seja enquanto ato de enunciação em si, seja enquanto elementos referenciais”, em função da forma textual ou dos elementos linguístico-discursivos empregados (KABATEK, 2006, p. 09<xref id="xref-a0fb1a55afd4798f0d0017fb99c52472" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-ad59afce95ca15f50fc4ef3017ddc97b">[5]</xref>). </p>
        <p id="paragraph-13">Destaque-se que a relação entre as tradições se dá em função de um conteúdo, de uma língua e/ou de uma forma com base em duas situações (ou mais) que evocam textos relacionáveis. A estas situações dá-se o nome de constelação de entornos (KABATEK, 2006<xref id="xref-88ea1299807a07f477c1ba7960049c21" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-ad59afce95ca15f50fc4ef3017ddc97b">[5]</xref>), o que, a nosso ver, corresponde ao conjunto de fatores contextuais e/ou circunstanciais (tempo, espaço, dentre outros) em relação aos quais se concretizam os atos de linguagem executados pelos indivíduos. </p>
        <p id="paragraph-14">Neste tocante, na concepção de Kabatek (2006<xref id="xref-5d9cfc28ac3488c4b4c191c4307f0e41" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-ad59afce95ca15f50fc4ef3017ddc97b">[5]</xref>), no plano da enunciação, sempre há uma ação historicamente determinada em duas direções: produz-se um texto segundo a tradição histórica de uma língua (uma gramática e um léxico) e segundo uma TD. Por este pressuposto confirma-se a hipótese de que a historicidade de uma tradição no discurso reside de fato na repetição de algo (uma forma textual, um texto ou um modo de dizer), com valor significável, em termos de continuidade ou de ruptura. Assim, Kabatek (2007, p. 07<xref id="xref-e4216082139aecd8dcdd86037951e6c7" ref-type="bibr" rid="book-ref-eee43e10d839dc9f4f49ee81eee1cd8c">[6]</xref>) conceitua TD como: </p>
        <disp-quote id="block-quote-c27dc778b6f3270fdd832d57efa59563">
          <p id="paragraph-80d66630678485153238f6924564be25">A <bold id="bold-1">repetição </bold>de um <bold id="bold-2">texto </bold>ou de uma <bold id="bold-3">forma textual </bold>ou <bold id="bold-4">de uma maneira particular de escrever </bold>ou falar <bold id="bold-5">que adquire valor de signo próprio </bold>(portanto é significável). Pode-se formar em relação a qualquer finalidade de expressão ou qualquer elemento de conteúdo, cuja repetição estabelece uma <bold id="bold-6">relação de união entre atualização e tradição</bold>; qualquer relação que se pode estabelecer semioticamente entre dois elementos de tradição (<bold id="bold-7">atos de enunciação </bold>ou elementos referenciais) <bold id="bold-8">que evocam uma determinada forma textual ou determinados elementos linguísticos empregados </bold>(grifos meus). </p>
        </disp-quote>
        <p id="paragraph-18">O conceito proposto por Kabatek (2007<xref id="xref-7cb96202aaafbe0188382c57405c4521" ref-type="bibr" rid="book-ref-eee43e10d839dc9f4f49ee81eee1cd8c">[6]</xref>) me parece crucial para a compreensão da face diacrônica das imagens de si e de suas evidências linguístico-discursivas, na medida em que trata das TD como uma repetição, no plano da significação, em três dimensões basilares: o texto, a forma textual e a maneira particular de escrever ou falar. Por “forma textual”, compreendem-se as estruturas textuais recorrentes que se constituem como TD no curso de dado recorte temporal (uma forma verbal, por exemplo); por “texto”, compreendem-se segmentos textuais (porções de textos) mais complexas que estruturas (a exemplo da abertura de uma carta) consideradas TD; por “maneira particular de escrever ou falar” (dimensão que me interessa particularmente), compreendem-se os modos de dizer, a exemplo das formas de interação em dados gêneros. </p>
        <p id="paragraph-19">Para Kabatek (2007<xref id="xref-0fab55d7a0bf3d21a555b77f0863b057" ref-type="bibr" rid="book-ref-eee43e10d839dc9f4f49ee81eee1cd8c">[6]</xref>), assim como as formas textuais, os textos e os modos de dizer, os gêneros são também tradicionais e podem ser conceituados como TD. Esta afirmação, feita à luz dos postulados de Maingueneau (2008<xref id="xref-bee3c4018c4b275e9fb700b0f4c94922" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-0ed4a21255c90ed6e6f13890da639573">[7]</xref>), pode ser assim compreendida: a construção das imagens de si (ethos) e de fenômenos discursivos em diacronia relacionados ao estilo está, de certo modo, condicionada à inscrição destes fenômenos em uma cena genérica. </p>
        <p id="paragraph-20">O valor de “signo próprio” a que se refere o autor está relacionado ao fato de uma repetição só poder ser tomada como TD quando significa, ou seja, quando constrói significado para além do significante, para além da forma linguística. Se, então, uma TD é uma repetição “com valor de signo próprio”, é no curso do tempo que o elemento repetido estabelece uma relação de união entre “atualização e tradição” no plano da mudança ou da inovação. </p>
        <p id="paragraph-21">Ao conceber ethos como a imagem de si que o enunciador faz revelar no ato enunciativo através da instauração de uma voz social, ou seja, como um fenômeno discursivo que deixa marcas de sua existência na cadeia enunciativa, toma-se a noção de TD proposta por Kabatek (2007<xref id="xref-b01d0b44c310bd025e9896942b45ca15" ref-type="bibr" rid="book-ref-eee43e10d839dc9f4f49ee81eee1cd8c">[6]</xref>) como um requisito conceitual que estabelece um diálogo epistemológico com a Análise do Discurso. </p>
        <p id="paragraph-22">O conceito proposto por Kabatek (2007<xref id="xref-bc56b0bc4e913afbc380b8703f673091" ref-type="bibr" rid="book-ref-eee43e10d839dc9f4f49ee81eee1cd8c">[6]</xref>) iluminou e segue iluminando desdobramentos dos estudos sobre TD. É graças aos trabalhos dos representantes da Filologia Românica alemã que os estudos sobre o fenômeno tradicional no discurso expandiram-se de modo surpreendente para outros domínios da Linguística nos últimos tempos, a exemplo de sua inserção na Análise de Gêneros.</p>
        <p id="paragraph-23">Assim como a postura epistemológica que assumo nesta pesquisa, outros pesquisadores assumiram para si a tarefa de relacionar seus trabalhos sobre TD às “diferentes heranças das distintas escolas”, como é o caso de Zavam (2009<xref id="xref-a477894bfe74d68f690cad88aafa7c59" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-510bb493741551406e16114025301a0d">[8]</xref>), na tese de doutorado em que delineia uma metodologia para a análise de gêneros do âmbito jornalístico, considerando os processos de modificação pelos quais passa um gênero, no que se refere aos traços de mudança e de permanência que apresentam em suas dimensões textual e contextual.</p>
        <p id="paragraph-24">Acredito que a repetição destes modos de dizer, na constituição do ethos, revela certos índices linguístico-discursivos que sinalizam para tradições discursivas que, em conjunto, ao longo dos séculos XX e XXI, expressam o modo cultural e social de ser dos povos latinos cuja identidade se constrói em perspectiva híbrida (mesclas culturais) e intercultural (contato entre culturas heterogêneas), em constante mudança, entre a tradição e a atualização. </p>
        <p id="paragraph-25">Todo este processo se dá no plano da significação: os índices que sinalizam para as TD se repetem com valor de signo ao longo dos séculos; as imagens de si que os enunciadores deixam revelar no discurso jornalístico se constroem com valor de signo de uma geração a outra de textos. Em síntese, a expressão das imagens de si nos editoriais do JB e do CL se dá essencialmente no plano da significação, na integração entre forma e sentido. </p>
        <p id="paragraph-26">Percorrendo o campo da significação, analisamos os 50 editoriais que compõem nosso <italic id="italic-6e6211be8ac58c27ae8f22d202a3b100">corpus</italic>. O percurso operacional traçado como rota norteadora para a compilação e para a análise dos dados, assim como todo o marco teórico desta pesquisa, foi constituído em perspectiva interdisciplinar, a fim de oferecer condições para que nosso objeto de análise fosse analisado em sua face discursiva, como vemos a seguir.</p>
        <p id="paragraph-9f69176fcdb6cdd242091df0b369c7da" />
      </sec>
      <sec id="heading-325638e58a099fa141cfbd29d36b67c2">
        <title>2. Tradições discursivas no gênero editorial praticado no Brasil e na Argentina: a expressão do campo dêitico nos séculos XX e XXI</title>
        <p id="paragraph-81d260c1e7ec474ff8bb2d5be18e018c">Os elementos dêiticos estão no plano da enunciação para revelar “as coordenadas do falante no âmbito dos espaços físicos textuais” (CAVALCANTE, 2000, p. 03<xref id="xref-5d2c0eb8d11551624108716df174fa99" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-4a8f44fbda4b1b2963ff2376e3389c40">[9]</xref>). Sobre estes elementos, Maingueneau (2008<xref id="xref-e3f83487813b8c841b96b847a8b69730" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-0ed4a21255c90ed6e6f13890da639573">[7]</xref>) destaca que as imagens de si se expressam nas cenografias em termos de cronografia, topografia e participantes, em função dos dêiticos expressos na cena de enunciação. </p>
        <p id="paragraph-8b733a8f15b6508d5724ae43cadffdb2">A análise das diversas imagens de si nos dois jornais revelou recorrências de elementos dêiticos que se repetem com valor de signo próprio, ou seja, para indicar o ponto de vista enunciativo (dêiticos pessoais), as coordenadas cronográficas e topográficas (dêiticos temporais e espaciais), bem como as circunstâncias, os papéis sociais dos enunciadores e a referência metalinguística a porções do discurso (dêiticos modais, sociais e discursivo-textuais, respectivamente). </p>
        <p id="paragraph-e22f0792579ea8a9fa9f0cc45708c339">A seguir, analisamos textos do Jornal do Brasil (JB) e do Clarín (CL), nessa ordem.</p>
        <p id="paragraph-d736f2e790787458db05f176bc16164c" />
      </sec>
      <sec id="heading-e6ee96d9e47c10c7a0e2a5d632c148fc">
        <title>3. Os editoriais do Jornal do Brasil (JB)</title>
        <p id="paragraph-9b2a4b9293bb32332690e5833e9dda34">Nos textos do JB, observa-se a recorrência de dêiticos de primeira pessoa (pronomes e verbos, principalmente), marcando o plural inclusivo (BENVENISTE, 1995<xref id="xref-2773d4a44830a298b73514b121793688" ref-type="bibr" rid="book-ref-d30d67b8832dc95918a157966ce83105">[10]</xref>) nos exemplares cuja enunciação se dá segundo um ponto de vista enunciativo em que o “nós” representa um “eu + tu (vós)”, na projeção de uma pessoa amplificada, de um eu dilatado. Esta forma tradicional de dizer configura-se como uma estratégia de captação dos coenunciadores, pelo enunciador, com o objetivo de que venham a aderir ao posicionamento crítico defendido pelo periódico nos editoriais. </p>
        <p id="paragraph-0146bb79f932271a9b8b99ed77e2d762">Nos dados, verifica-se a ocorrência do dêitico “nós” como plural inclusivo em toda a primeira geração de textos do JB, mais especificamente em 11 (onze) dos 13 (treze) editoriais analisados. Exemplos desta ocorrência nas décadas de 40, 50, 60 e 70 do século XX são expostos a seguir: </p>
        <p id="paragraph-aff0d751a3ee3c196c06e53133767e2e" />
        <p id="paragraph-2e5edc209777211c757820f820e0ba63">
          <italic id="italic-2b8cb312770e9c96aefb771240be4fc6">(JB 02/1946) Hoje transcorre a data mais <bold id="bold-36b946de26fe15505fad2b3ca557982f">| </bold>importante de <bold id="bold-386b69c89ea0f60a5062df8f1d0b8b20"><underline id="underline-1">NOSSA</underline> </bold>historia. <bold id="bold-cb11b062979180679b9d685ad55ec956">| </bold>Em 7 de setembro de 1822, <bold id="bold-19b900523e227fa643899ee56dd4e08b">| </bold>uma nação americana entrou <bold id="bold-d87c4337a8cb912fa56cbe82a81f8ecd">| </bold>para o concerto das nações li- <bold id="bold-862b89ab7863adf5dcf5fb4bc6e5a670">| </bold>vres. O Brasil adquiriu sua po- <bold id="bold-6278b22aa8f8e205755eb2b996022317">| </bold>sição no mundo, iniciando a <bold id="bold-745fb78976d9137689231910187b92a3">| </bold>marcha na estrada da civili- <bold id="bold-9">| </bold>zação. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-d159f38f9238f852ba4bb9562ef686d8">
          <italic id="italic-2" />
        </p>
        <p id="paragraph-4ff99bbfee04d380bb2abb89892c10b5">
          <italic id="italic-3">(JB 06/1958) O ministro Macedo Soares se tem <bold id="bold-10">| </bold>mostrado incansável na execução dêste plano, que foi <bold id="bold-11">| </bold>sempre o objetivo da <bold id="bold-12"><underline id="underline-2">NOSSA</underline> </bold>política externa, quando <bold id="bold-13">| </bold>se trata de proteger a confiança que deve reinar sem- <bold id="bold-14">| </bold>pre entre povos, fadados dentro de algum tempo a <bold id="bold-15">| </bold>formar um conjunto de interêsses comuns. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-8">
          <italic id="italic-4" />
        </p>
        <p id="paragraph-9">
          <italic id="italic-5">(JB 09/1967) Guevara com seu temperamento militante <bold id="bold-16">| </bold>de revolucionário autêntico passou a afastar-se <bold id="bold-17">| </bold>cada vez mais das tendências aburguesantes do <bold id="bold-18">| </bold>médio comunismo soviético dos <bold id="bold-19"><underline id="underline-3">NOSSOS</underline> </bold>dias. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-10">
          <italic id="italic-6" />
        </p>
        <p id="paragraph-384d9fc3428412bd7359878913de657f">
          <italic id="italic-7">(JB 13/1979) Ainda sob os ecos da feliz conclusão dos <bold id="bold-20">| </bold>acordos de Itaipu, passo importante na pacificação <bold id="bold-21">| </bold>da fronteira Sul da diplomacia brasileira, a visita <bold id="bold-22">| </bold>do Presidente Figueiredo a Caracas – sua primei- <bold id="bold-23">| </bold>ra viagem ao exterior como Chefe de Estado – <bold id="bold-24">| </bold>aprofunda uma outra linha fundamental dos <bold id="bold-25"><underline id="underline-4">NOSSOS</underline> | </bold>contatos externos </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-ec06bd4cba8c16f3ae9969eb99857510">
          <italic id="italic-8" />
        </p>
        <p id="paragraph-be6a6b2b25eadaca4401d1abe571e1b7">Somente nos editoriais de 1949 e 1976, que debatem a posição assumida pelo Brasil no contexto da Segunda Guerra Mundial e o marasmo da política brasileira na década de 1970, há a ocorrência de terceira pessoa como ponto de vista enunciativo. Devemos destacar que, nesta geração, registra-se a ocorrência de “Este Jornal” (<italic id="italic-9">JB 04/1952</italic>) com valor dêitico, pelo qual o enunciador fala em nome dos que fazem o JB e revela um ponto de vista institucional marcado pelo uso desta expressão. </p>
        <p id="paragraph-6dd388744a1dca349e03d13cc6666de8">Do mesmo modo que com os dêiticos pessoais, registramos a ocorrência de dêiticos temporais, pelos quais se instaura a cronografia na cena enunciativa. Estes dêiticos circunscrevem a enunciação em um tempo presente (uma tendência no discurso jornalístico, mais especificamente nos editoriais), que se reporta a um passado próximo e/ou a um passado distante, tomando-os como elemento de reflexão sobre o passado histórico e cultural do povo portenho como uma tradição. A dêixis temporal traça as coordenadas da enunciação e a consequente instauração do enunciador no tempo discursivo. Dos 13 exemplares analisados, somente o de 1955 não apresenta dêiticos temporais de natureza adverbial, estando a cargo dos tempos verbais o estabelecimento das coordenadas temporais, como vemos nestes trechos: </p>
        <p id="paragraph-15" />
        <p id="paragraph-16">
          <italic id="italic-10">(JB 01/1945) <bold id="bold-26"><underline id="underline-5">AGORA</underline> </bold>quando estamos no li- <bold id="bold-27">| </bold>miar de um novo ano, que todos <bold id="bold-28">| </bold>esperamos e desejamos seja o do <bold id="bold-29">| </bold>triunfo e da paz, não poderia ser <bold id="bold-30">| </bold>mais oportuna a palavra do Mi- <bold id="bold-31">| </bold>nistro do Exterior do Brasil, avi- <bold id="bold-32">| </bold>ventando na memoria dos povos <bold id="bold-33">| </bold>estrangeiros as linhas gerais e <bold id="bold-34">| </bold>definitivas da nossa política in- <bold id="bold-35">| </bold>ternacional. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-17">
          <italic id="italic-11" />
        </p>
        <p id="paragraph-c0d021fb8b245c33af9dde6a2e8ce22b">
          <italic id="italic-12">(JB 04/1952) Mais uma etapa vence o Jornal do Brasil ao completar, <bold id="bold-36">| <underline id="underline-6">HOJE</underline></bold>, 62 anos de existencia. Fazendo retrospecto de sua <bold id="bold-37">| </bold>caminhada, é-nos grato salientar que, tendo adotado, <bold id="bold-38">| </bold>desde a sua fundação, patriótica orientação, <bold id="bold-39"><underline id="underline-7">ATÉ HOJE</underline> </bold>tem <bold id="bold-40">| </bold>demonstrado absoluta fidelidade os princípios que inspira- <bold id="bold-41">| </bold>ram sua ação orientadora da opinião pública. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-3b107f3b08258a6245808c5ba905af3a">
          <italic id="italic-13" />
        </p>
        <p id="paragraph-8bd75920f0d0272233df8aa3cdf347da">
          <italic id="italic-14">(JB 08/1964) Muito se fala e muito se procura fazer <bold id="bold-42"><underline id="underline-8">HOJE | EM DIA</underline> </bold>no Brasil acêrca da “imagem nacional”, <bold id="bold-43">| </bold>isto é, da imagem que o Brasil projeta de si mesmo no exterior. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-58b58188859d8c19fdcb3e11770e9205">
          <italic id="italic-15" />
        </p>
        <p id="paragraph-fde55a2a843ddd762d73d7aa654917a8">
          <italic id="italic-16">(JB 11/1973) A notícia das agências fala de um comboio <bold id="bold-44">| </bold>ferroviário que saiu <bold id="bold-45"><underline id="underline-9">NA SEXTA-FEIRA PASSADA</underline> </bold>de <bold id="bold-46">| </bold>Antofagasta, no Chile, com um carregamento de <bold id="bold-47">| </bold>60 toneladas de cobre da mina de Mantos Blan- <bold id="bold-48">| </bold>cos, com destino a São Paulo. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-0c5d00bab9c920e06b8ac824cd5c3549">
          <italic id="italic-17" />
        </p>
        <p id="paragraph-9fcaf523ca5e911c556aec8091fff8f6">Por sua vez, os dêiticos espaciais cumprem, nos editoriais analisados, a função de situar a enunciação em termos de topografia, em coordenadas espaciais do geral para o particular (do contexto latino-americano para o contexto brasileiro), ou o contrário, como em alguns casos. A tradição se instaura na retratação de temas no contexto Brasil-América Latina. Dos 13 editoriais analisados, 11 apresentam dêiticos espaciais de natureza adverbial (somente nos exemplares de 1949 e 1952 não há registro destes elementos dêiticos, depreendendo-se as coordenadas topográficas por informação do cotexto e do contexto). Destaque para esses fragmentos:</p>
        <p id="paragraph-db7be8074a6e68453fcf0c6c3c9dadb1" />
        <p id="paragraph-d6e824e2776c144cb0fece7fdfb537c6">
          <italic id="italic-18">(JB 05/1955) Disse o Ministro do Interior da Argentina que existe <bold id="bold-49">| </bold>liberdade de impressa <underline id="underline-10"><bold id="bold-50">NO SEU PAÍS</bold></underline>. O que tem havido <bold id="bold-51">| </bold>é má interpretação, <underline id="underline-11"><bold id="bold-52">NO EXTERIOR</bold></underline>, em certas providencias <bold id="bold-53">| </bold>contra jornais, como “La Prensa”. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-27">
          <italic id="italic-19" />
        </p>
        <p id="paragraph-5174360e2cada4d9349917a5f59dadb2">
          <italic id="italic-20">(JB 07/1961) Destacamos, de propósito, antes de <bold id="bold-54">| </bold>mais, que o Senhor Lincoln Gordon falou, <bold id="bold-55">| </bold>ontem, aos norte-americanos <bold id="bold-56"><underline id="underline-12">AQUI</underline> </bold>radica- <bold id="bold-57">| </bold>dos. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-29">
          <italic id="italic-21" />
        </p>
        <p id="paragraph-30">
          <italic id="italic-22">(JB 10/1970) Por isso mesmo não é de estranhar que, <bold id="bold-58">| </bold>encerrando ontem, <bold id="bold-59"><underline id="underline-13">EM BRASÍLIA</underline></bold>, o Encontro Na- <bold id="bold-60">| </bold>cional de Defesa do Patrimônio tenha aprovado <bold id="bold-61">| </bold>mais de 20 propostas para a defesa, preserva- <bold id="bold-62">| </bold>ção e aprimoramento dêsse tesouro que reluz, <bold id="bold-63">| <underline id="underline-14">AQUI E ALI</underline></bold>, em tôda extensão dos oito e meio <bold id="bold-64">| </bold>milhões de quilômetros quadrados do Brasil. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-31">
          <italic id="italic-23" />
        </p>
        <p id="paragraph-32">Registra-se também a ocorrência de outros dêiticos nos editoriais analisados da primeira geração de textos do JB. Observam-se: (i) presença de dêiticos sociais nos anos de 1945, 1961 e 1964; (ii) raros casos de dêiticos modais (presença do modal “assim” somente nos exemplares de 1945 e 1970); (iii) total ausência de dêiticos discursivo-textuais nos 13 exemplares. Destaca-se a ocorrência de certo modo significativa dos dêiticos sociais, pelos quais os enunciadores representam a si e aos coenunciadores com quem interagem em termos de papéis sociais assumidos e pretendidos (FONSECA, 1996<xref id="xref-94441feefe0682c31dc4e7c5b18e3956" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-1458c1ceafb83dc71a7af8eb532079c7">[11]</xref>). Os dêiticos sociais exprimem respeito do enunciador pelo coenunciador, representado como autoridade, como vemos nestes exemplos: </p>
        <p id="paragraph-33" />
        <p id="paragraph-34">
          <italic id="italic-24">(JB 01/1945) Isso acaba de dar incisiva <bold id="bold-65">| </bold>resposta a entrevista do Minis- <bold id="bold-66">| </bold>tro do Exterior, <bold id="bold-67"><underline id="underline-15">SENHOR</underline> </bold>Leão Veloso, <bold id="bold-68">| </bold>que, depois de passar em rápida <bold id="bold-69">| </bold>revista as características per- <bold id="bold-70">| </bold>manentes da nossa orientação <bold id="bold-71">| </bold>internacional, responde assim á <bold id="bold-72">| </bold>pergunta do jornalista sobre o <bold id="bold-73">| </bold>lugar previsto para o Brasil na <bold id="bold-74">| </bold>Conferencia da Paz. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-35">
          <italic id="italic-25" />
        </p>
        <p id="paragraph-36">
          <italic id="italic-26">(JB 07/1961) Ontem, perante seus concidadãos que <bold id="bold-75">| </bold>trabalham no Brasil, o Embaixador norte- <bold id="bold-76">| </bold>americano, <bold id="bold-77"><underline id="underline-16">SENHOR</underline> </bold>Lincoln Gordon, fêz um <bold id="bold-78">| </bold>discurso que pode representar, na área bra- <bold id="bold-79">| </bold>sileira, um ponto de partida tão simbólico <bold id="bold-80">| </bold>quanto o discurso de posse do Presidente <bold id="bold-81">| </bold>Kennedy na área norte-americana e inte- <bold id="bold-82">| </bold>rnacional. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-37">
          <italic id="italic-27" />
        </p>
        <p id="paragraph-38">
          <italic id="italic-28">(JB 08/1964) O movimento militar que resultou na <bold id="bold-83">| </bold>queda do <bold id="bold-84"><underline id="underline-17">SENHOR</underline> </bold>João Goulart pode ser explicado nas <bold id="bold-85">| </bold>suas intenções mas só será aceito na medida das <bold id="bold-86">| </bold>suas realizações. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-39">
          <italic id="italic-29" />
        </p>
        <p id="paragraph-40">Na sequência, é possível observar vestígios de mudança no modo como os editoriais do JB constroem o ponto de vista enunciativo nos exemplares da segunda geração de textos, notadamente a partir do século XXI. Em síntese, no século XX, na primeira geração, há predominância do plural inclusivo; já na segunda geração, há um princípio de mudança, já que, nos textos de 1982, 1988 e 1991 (03, ao total), a enunciação se dá em terceira pessoa, enquanto que, nos textos de 1985, 1994, 1997 e 2000 (04, ao total), há ocorrência de dêiticos de primeira pessoa, evidenciando o plural inclusivo (BENVENISTE, 1995<xref id="xref-2a58d62b7aa1892166f8f573d7754088" ref-type="bibr" rid="book-ref-d30d67b8832dc95918a157966ce83105">[10]</xref>). Nos exemplares do século XXI, mais especificamente nos anos de 2003, 2006, 2009, 2013 e 2014, a enunciação se concretiza também em terceira pessoa, como evidenciado nos trechos a seguir: </p>
        <p id="paragraph-41">
          <italic id="italic-30" />
        </p>
        <p id="paragraph-42">
          <italic id="italic-31">(JB 21/2003) Ao se aproximar dos últi- <bold id="bold-87">| </bold>mos dias, <bold id="bold-88"><underline id="underline-18">O ANO DE 2003</underline> </bold>| ressaltou<bold id="bold-89"> </bold>alguns traços <bold id="bold-90">| </bold>como garantia para ser <bold id="bold-91">| </bold>lembrado a título de referência <bold id="bold-92">| </bold>futura. Antes de tudo, pela apro- <bold id="bold-93">| </bold>vação das reformas tributárias e <bold id="bold-94">| </bold>da previdência, mediante <bold id="bold-95">| </bold>emendas constitucionais que <bold id="bold-96">| </bold>não conseguiram reunir apoio su- <bold id="bold-97">| </bold>ficiente para vencer a inércia <bold id="bold-98">| </bold>histórica. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-43">
          <italic id="italic-32" />
        </p>
        <p id="paragraph-44">
          <italic id="italic-33">(JB 22/2006) <bold id="bold-99"><underline id="underline-19">A CADA DIA</underline> </bold>vai se |<underline id="underline-20"><bold id="bold-100"> </bold></underline>ampliando a já extensa | galeria de exemplos que fa- | zem da política brasileira um | mundo do faz-de-conta<underline id="underline-21">.</underline> A úl- <bold id="bold-101">| </bold>tima fantasia acrescentada à <bold id="bold-102">| </bold>expressão utilizada pelo mi- <bold id="bold-103">| </bold>nistro Marco Aurélio Mello, ao <bold id="bold-104">| </bold>assumir a presidência do Tri- <bold id="bold-105">| </bold>bunal Superior Eleitoral <bold id="bold-106">| </bold>(TSE), é a relação de cerca de <bold id="bold-107">| </bold>2.900 nomes de políticos im- <bold id="bold-108">| </bold>pedidos de disputar as elei- <bold id="bold-109">| </bold>ções. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-45">
          <italic id="italic-34" />
        </p>
        <p id="paragraph-46">
          <italic id="italic-35">(JB 23/2009) O<underline id="underline-22"> resultado do Exame Nacional do Ensino | Médio</underline> (ENEM), disponível <underline id="underline-23"><bold id="bold-110">DESDE ONTEM</bold></underline> na página do Ministério | da Educação na internet, evidencia o grau de degradação a que | chegou a educação pública no país. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-47">
          <italic id="italic-36" />
        </p>
        <p id="paragraph-48">
          <italic id="italic-37">(JB 24/2012) <bold id="bold-111"><underline id="underline-24">DIA 15 DE NOVEMBRO</underline> </bold>- data da Proclamação da República - <bold id="bold-112">| </bold>coincidiu com a data em que o Supremo Tribunal Federal | expediu as ordens para execução das prisões<bold id="bold-113"> </bold>dos <bold id="bold-114">| </bold>condenados no caso do mensalão.</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-49">
          <italic id="italic-38" />
        </p>
        <p id="paragraph-50">
          <italic id="italic-39">(JB 25/2013) O jornal espanhol El País publicou reportagem <underline id="underline-25"><bold id="bold-115">NESTE DIA | 1º</bold></underline>, intitulada “O polêmico ‘jeitinho’ brasileiro”, na qual | analisa o comportamento da população e conclui que o | artifício, que de tempos pra cá tem sido denegrido, nada | mais é do que “arranjar uma saída para uma situação sem | saída”. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-51">
          <italic id="italic-40" />
        </p>
        <p id="paragraph-52">Ao total, no período de 1980 a 2014, 04 exemplares apresentam o ponto de vista enunciado em primeira pessoa, marcando o plural inclusivo, e 08 textos apresentam o ponto de vista enunciativo em terceira pessoa, evidenciando vestígios de mudança, da primeira para a segunda geração, neste modo de dizer. Por outro lado, podemos afirmar que os dados apresentam traços de permanência no que diz respeito à expressão da cronografia por dêiticos temporais de natureza adverbial. </p>
        <p id="paragraph-53">Dos 12 exemplares analisados na segunda geração, somente três não apresentam elementos dêiticos temporais de natureza adverbial, cabendo aos tempos verbais (expressos pelas desinências) o estabelecimento das coordenadas cronográficas nas cenografias variadas. Os trechos a seguir, de exemplares das décadas de 1980, 1990, 2000 e 2010 ilustram a ocorrência dos referidos elementos dêiticos temporais: </p>
        <p id="paragraph-54">
          <italic id="italic-41" />
        </p>
        <p id="paragraph-55">
          <italic id="italic-42">(JB 16/1988) Voltou o presidente Sarney da Argentina, onde <bold id="bold-116">| </bold>foi consolidar e projetar para o futuro as <bold id="bold-117">| </bold>iniciativas <bold id="bold-118"><underline id="underline-26">ATÉ AGORA</underline> </bold>tomadas no sentido da forma- <bold id="bold-119">| </bold>ção de um mercado comum regional. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-56">
          <italic id="italic-43" />
        </p>
        <p id="paragraph-57">
          <italic id="italic-44">(JB 17/1991) O papa João Paulo II inicia <underline id="underline-27"><bold id="bold-120">HOJE</bold></underline>, por Natal, sua <bold id="bold-121">| </bold>segunda visita pastoral ao Brasil, com dez <bold id="bold-122">| </bold>dias de duração. Sua presença não poderia ser <bold id="bold-123">| </bold>mais oportuna, num momento em que o país <bold id="bold-124">| </bold>parece viver sua grande crise de fé. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-58">
          <italic id="italic-45" />
        </p>
        <p id="paragraph-59">
          <italic id="italic-46">(JB 20/2000) O que tem sentido <bold id="bold-125"><underline id="underline-28">HOJE</underline> </bold>é que <bold id="bold-126">| <underline id="underline-29">AGORA</underline> </bold>estamos todos juntos, queremos todos o <bold id="bold-127">| </bold>respeito aos índios, a demarcação de suas ter- <bold id="bold-128">| </bold>ras, a defesa de sua cultura.</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-60">
          <italic id="italic-47" />
        </p>
        <p id="paragraph-61">
          <italic id="italic-48">(JB 25/2014) O jornal espanhol El País publicou reportagem <underline id="underline-30"><bold id="bold-129">NESTE DIA | 1º</bold></underline>, intitulada “O polêmico ‘jeitinho’ brasileiro”, na qual | analisa o comportamento da população e conclui que o | artifício, que de tempos pra cá tem sido denegrido, nada | mais é do que “arranjar uma saída para uma situação sem | saída” e, portanto, tem ares de inteligência, além de uma | “criatividade ancestral”. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-62">
          <italic id="italic-49" />
        </p>
        <p id="paragraph-63">Os dados da segunda geração também apresentam traços de permanência no que diz respeito à expressão da topografia por elementos dêiticos. Neste bloco de textos, assim como nos exemplares da primeira geração, a tendência é a marcação das coordenadas textuais por índices de natureza adverbial (dos 12 editoriais, 10 registram a ocorrência de advérbios e/ou locuções adverbiais de lugar; nos demais, depreende-se a topografia por informação cotextuais e/ou contextuais). Nos fragmentos expostos a seguir, é possível observar a ocorrência destes elementos dêiticos: </p>
        <p id="paragraph-64" />
        <p id="paragraph-65">
          <italic id="italic-50">(JB 14/1982) Decorre, principalmente, do fato de <bold id="bold-130">| </bold>que do dia para a noite está criado um <bold id="bold-131">| </bold>precedente alarmante para a convivência <bold id="bold-132">| </bold>dos povos <underline id="underline-31"><bold id="bold-133">DESTE CONTINENTE</bold></underline>. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-66">
          <italic id="italic-51" />
        </p>
        <p id="paragraph-67">
          <italic id="italic-52">(JB 19/1967) É irreparável o dano, <bold id="bold-134"><underline id="underline-32">NO PAÍS E NO EXTERIOR</underline>, | </bold>enquanto o episódio for lembrado – e por muito <bold id="bold-135">| </bold>tempo será lembrado – exatamente pela completa <bold id="bold-136">| </bold>inexistência de qualquer motivo para cinco ho- <bold id="bold-137">| </bold>mens, quatro dos quais recém-chegados à maiori- <bold id="bold-138">| </bold>dade, praticarem um ato gratuito ao preço de uma <bold id="bold-139">| </bold>vida humana. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-68">
          <italic id="italic-53" />
        </p>
        <p id="paragraph-69">
          <italic id="italic-54">(JB 21/2003) A esquerda chegou ao gover- <bold id="bold-140">| </bold>no <bold id="bold-141"><underline id="underline-33">NO BRASIL</underline> </bold>por via eleitoral. <bold id="bold-142">| </bold>Não gerou transtorno político <bold id="bold-143">| </bold>nem inquietação econômica <bold id="bold-144">| </bold>nem atritos sociais. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-70">
          <italic id="italic-55" />
        </p>
        <p id="paragraph-71">
          <italic id="italic-56">(JB 24/2013) Na ocasião, o império perdia a força <bold id="bold-145"><underline id="underline-34">NO BRASIL</underline> </bold>tanto com a ala conservadora quanto com a <bold id="bold-146">| </bold>progressista. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-72" />
        <p id="paragraph-73">Assim como na primeira geração, há poucas ocorrências de dêiticos sociais (editorial de 1985: “no discurso pronunciado ao <bold id="bold-147">| </bold>assumir o cargo, o <bold id="bold-148"><underline id="underline-35"><italic id="italic-57">SENHOR</italic></underline> </bold>Marco Maciel resumiu o seu <bold id="bold-149">| </bold>pensamento em uma frase digna de registro”), dêiticos modais (editorial de 2000: “<underline id="underline-36"><italic id="italic-58"><bold id="bold-150">ASSIM</bold></italic></underline>, do 4 de outubro de <bold id="bold-151">| </bold>1582 passou-se não para o <bold id="bold-152">| </bold>dia 5, mas para o dia 15 de outubro”) e dêiticos discursivo-textuais (editorial de 2006: “Defendem-se <bold id="bold-153">| <underline id="underline-37"><italic id="italic-59">AQUI</italic></underline> </bold>não mudanças super- <bold id="bold-154">| </bold>ficiais, aprovadas sobre o ca- <bold id="bold-155">| </bold>lor das crises políticas”). </p>
        <p id="paragraph-74" />
      </sec>
      <sec id="heading-044d64ff061391b0146bc355308964f6">
        <title>4. Os editoriais do Clarín (CL)</title>
        <p id="paragraph-1470ce2488e8aa181d0645ddfda3ce2f">Por sua vez, os textos do CL apresentam recorrência de dêiticos de primeira pessoa (pronomes e verbos, notadamente), evidenciando o plural inclusivo como ponto de vista enunciativo, assim como nos textos do JB. Esta tradicional forma de dizer configura-se também no periódico argentino como uma estratégia de captação dos coenunciadores, pelo enunciador, no plano da argumentação, como se observa em sua recorrência ao longo dos séculos XX e XXI. </p>
        <p id="paragraph-158ce71101fc78c08b6e5873c8a4795b">Na primeira geração de textos do CL, no período de 1946 a 1979, 11 (onze) exemplares apresentam o ponto de vista enunciativo expresso pela primeira pessoa, isto é, pelo “nós” com valor inclusivo. Somente o exemplar de 1976 apresenta a terceira pessoa como ponto de vista enunciativo. Os exemplos abaixo, organizados por décadas, ilustram a ocorrência de dêiticos (pronomes e verbos) na primeira pessoa do plural: </p>
        <p id="paragraph-c3cc3dae11225633b9cdba31eb4c60ae">
          <italic id="italic-364ab5eb6989417e69cb79c7f6f394f0" />
        </p>
        <p id="paragraph-507f6d3a66a3f5c3e108aff78924dff1">
          <italic id="italic-ba2d684d6fb920e73b8dcf51699c5be4">(CL 01/1946) En lugar de una solución así, <bold id="bold-10e888cfeaee297b5481c4d7499d1850">| </bold>genuinamente argentina, con varios e fecun- <bold id="bold-58f06a691784d82486dc466c8b964143">| </bold>dos antecedentes en <bold id="bold-48c0b4eb1d8527c60dd80eec75b559ba"><underline id="underline-a4addd4e47e6e76adcf71c2dd9ef8fd5">NUESTRA</underline> </bold>historia, se pre- <bold id="bold-d9dacbf04729671ac9ca1a62c9b788b2">| </bold>firió un expediente crudamente partidario, <bold id="bold-fc926a8bd803e3ed2cd5be2b1038d48c">| </bold>en reminiscencias de “frente popular”. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-ceec6845c4f205eabb84e9ecc4d785da">
          <italic id="italic-6c779e161e68d4d06449cf81e1d208c8" />
        </p>
        <p id="paragraph-d7c1e22e034a29f4ce49b3752d4db9d3">
          <italic id="italic-0b49c904428876396455b8d242893f7a">(CL 05/1958) En la actualidad, las estadísticas <bold id="bold-cd5a82cf7803fd6575d30a21321f8931">| <underline id="underline-0af99e08be5932948d33b692c1c28f67">NOS ASIGNAN</underline> </bold>unas 120.000 hectáreas de sauces y ála- <bold id="bold-862e8ccdb76d547927b3eda5805a94c1">| </bold>mos, una cifra no muy alta de eucaliptos y apenas <bold id="bold-532ed960bc17c8da01414d16f41fe212">| </bold>7.000 hectáreas de pinos y araucárias.</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-f7eca0f33d8f5781de51ea9a54ce124a">
          <italic id="italic-86a95e25115b1cffa9bed4df0d86c7eb" />
        </p>
        <p id="paragraph-47d7b706c4fe798980f2eb6dccccfd50">
          <italic id="italic-7e80d3964acb8fe57fb79de57bf3f05d">(CL 06/1961) Ya <bold id="bold-735898cd4eac8a557490216495ffe557">| <underline id="underline-bf8f4df78c23b10b98a1ece5ecf9f93c">OBSERVAMOS</underline> </bold>oportunamente, las cir- <bold id="bold-a374261678280a90e4aabbb80d4abb46">| </bold>cunstancias excepcionales en que ella <bold id="bold-189dd61977708f7507dbc5aef6627fb4">| </bold>tendrá lugar, pero a la vez el acendra- <bold id="bold-8f3916a7e524822d96566e79df24deda">| </bold>miento del espíritu de la unidad conti- <bold id="bold-ea53cf0ff193c07629b9aef1a4824dea">| </bold>nental con que los pueblos de esta par- <bold id="bold-1ce018db83531013017d989b9ef3291d">| </bold>te del mundo se disponen a encarar <bold id="bold-e24d65e05eec8eaf027f9af24a3bd914">| </bold>sus presentes y eventuales dificulta- <bold id="bold-800cff86970f4ebc80fabc87c40c973b">| </bold>des. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-933452cb391e2bca32f1c4193b83b6cd">
          <italic id="italic-1b40f64cc8f6900ebe84d43f19732ff4">(CL 10/1973) Resulta así impres- <bold id="bold-a8de73be078a01fa9e522db07e9501bd">| </bold>cindible una nueva estructuración <bold id="bold-73e4c672ebb34d6fff2ae3b6bf879b7d">| </bold>del sistema, fundado sobre sólidas <bold id="bold-6708d2cddfeb277eb686e4c819dfcc75">| </bold>bases que no lesionen las soberanías <bold id="bold-0728e18b5ca9ff666bcb45a00375e631">| </bold>nacionales y la perspectiva de que <bold id="bold-8f40720d9ce90b2dd111c4a41cf49d87">| <underline id="underline-ad6ec0fa21d7d27e595d50a18fc2de28">NUESTROS</underline> </bold>países alcancen al desa- <bold id="bold-938520726dfe14f48824cce3b59caf65">| </bold>rrollo independiente. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-8b86a0831879e0b4316d60d4c8b5d528">
          <italic id="italic-90862627750f029ece4489708a8887a0" />
        </p>
        <p id="paragraph-fae6980ca4bdb5e8a008cc25bb551b7e">A análise dos índices linguístico-discursivos pelos quais as diversas cenografias do CL se instauram na cena de enunciação revelou recorrências também dos dêiticos temporais e espaciais no plano da cronografia e da topografia, respectivamente. </p>
        <p id="paragraph-d46ce231ea513a93a02c6ac3bc41e4e0">Neste tocante, todos os 12 exemplares da primeira geração de textos do periódico argentino apresentam elementos dêiticos temporais de natureza adverbial que, ao lado dos tempos verbais expressos pelas desinências, marcam o presente, com recorrente referência ao passado, como tempo da tradição editorialística. Os exemplos que destacamos a seguir ilustram esta projeção temporal: </p>
        <p id="paragraph-4aa5beef14d87f9433db34f2ec49a456" />
        <p id="paragraph-114e79396e3ee60179e05772bf4af620">
          <italic id="italic-4e47e6b6dfe0f8937202d436d609c8da">(CL 01/1946) <underline id="underline-35f8c3a3fe0ca27d171971178a608c53"><bold id="bold-8c8804582d7dbb8bdb140c9c7520c211">HOY</bold></underline>, ante el hecho <bold id="bold-75614e44fe8907d8c976436829601f21">| </bold>consumado, no cabe sino reconocer paladi- <bold id="bold-aca98433bbda6875d00bc333f015dec8">| </bold>namente la legitimidad del triunfo del [...] en consecuencia. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-5dea87f83fcaefd6e2c5577e723745d4">
          <italic id="italic-d253d04eafcfe30b1371b0797189c934" />
        </p>
        <p id="paragraph-1aa41527224b85b015a976ba93420c36">
          <italic id="italic-1ddf9624a20f7c8a7435824bd540b799">(CL 03/1953) Con expresivo fervor patriótico la República celebró <bold id="bold-22b0a90f923e60a85d21c2762c6e6cf2">| <underline id="underline-ea04e6c03c99e1b49351102435192399">AYER</underline> </bold>el Día de la Bandera. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-28d45481e65bf9fb3f738ba57fff3790">
          <italic id="italic-e934732786a332b5f3b9455ccb0ad90b" />
        </p>
        <p id="paragraph-e782711d30125852317667364516f5be">
          <italic id="italic-52847c67d259be498eeb528741f05f54">(CL 08/1967) Como lo señalamos <underline id="underline-9cbba467e722f812d8bced06c6659425"><bold id="bold-29401f4fdc0e740473f8eea317121258">DÍAS PASADOS</bold></underline>, resulta <bold id="bold-7698f820cd33532f0976828619ae82d3">| </bold>urgente una nueva definición argentina <bold id="bold-dbd418aa80cc23d6fdfc680d1ec2a8bb">| </bold>en el campo de la política continental. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-96789b7ebf427bbdf3de05b6e3f14c8e">
          <italic id="italic-57a733f159de2af223736899994ebad2" />
        </p>
        <p id="paragraph-a2c36b63bbb1e70992348e0986aea9ba">
          <italic id="italic-32f63d05a495909a2236079f91325e4e">(CL 09/1970) Los pueblos latinoamericanos abrumados <bold id="bold-3a750aeee02a80dc38dffdce2403707c">| </bold>por el subdesarrollo y sedientos de jus- <bold id="bold-1defd429756f34eae46b8d097eb30a6b">| </bold>ticia y liberación enfrentan <bold id="bold-780e8dcf719a9285c748e8c324b7accd"><underline id="underline-df1fa6bd6397af6bbdd61c5b1f21808c">HOY</underline> </bold>no solo la <bold id="bold-a691eddc1cb8bcf152a77ff07b769261">| </bold>resistencia de quienes medran con el estanca- <bold id="bold-2be4e0de6fa41df77ee62ed099a35e37">| </bold>miento. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-48b3e6a90a9f0f65a646c2f4a4008911" />
        <p id="paragraph-6e77a9125077a7a8d1a43744d0a00da8">Do mesmo modo, 10 exemplares da primeira geração do CL apresentam elementos dêiticos de natureza adverbial no estabelecimento da topografia nas diversas cenografias analisadas. Em geral, parte-se do geral para o particular (do contexto latino-americano para o contexto argentino), ou o contrário, em alguns casos. Somente os textos de 1946 e 1979, o primeiro e o último desta geração, não apresentam dêiticos temporais de natureza adverbial, cabendo às informações do contexto e do contexto o estabelecimento das coordenadas espaciais. Abaixo, destacam-se exemplos das décadas de 40, 50, 60 e 70 do século XX, em que a topografia se expressa por meio de elementos do campo dêitico espacial: </p>
        <p id="paragraph-389044d4247f856dcffb7f3ed2bf3443" />
        <p id="paragraph-6ad7c8d806d031e1538d3aca104d3cb9">
          <italic id="italic-96fece998cd334c8fbc228b3af2b6d4f">(CL 02/1949) La comunidad argentina ha visto fielmente <bold id="bold-348f0219432a5d2ec53a1f0991070f14">| </bold>reflejada su concepción de <bold id="bold-a53689c23a3af918fdfbe3c238b4f1d3">| </bold>la vida, de la existencia y del destino a que aspira con <bold id="bold-dedbe045a7d01d4ff6b7baa8429a991f">| </bold>plena conciencia, en el enjundioso discurso <bold id="bold-337d4d314df831058ada9745a3c981a6">| </bold>pronunciado por el presidente de la Repú- <bold id="bold-39827ed4f864aeec45dad0f6b27063c7">| </bold>blica en la sesión de clausura del Primer <bold id="bold-4be0135bfb4e6029f1ddc866aa71a2b1">| </bold>Congreso Nacional de Filosofía reunido <bold id="bold-fde2abd0c7a35c8ba1b489b59003d5ef"><underline id="underline-c4e5074778a90efa298759e019bf68ec">EN | MENDOZA</underline>.</bold></italic>
        </p>
        <p id="paragraph-0c1b57a007ae135ad39b4508b16e6a3e">
          <italic id="italic-08f0207f6c49b316fe43f190376fe94a" />
        </p>
        <p id="paragraph-208cdab50650a7b099e6ff8e15a97e8f">
          <italic id="italic-4c74a3e6999e2de14b092ff4e93d0e38">(CL 04/1955) Un tango ruso. Eso tocaban en <bold id="bold-ec58b61d9a733d279382ea82353fb477">| </bold>una “boite” de un puerto del <bold id="bold-7b6c2d069f955b1fc0998bb46964b7a0">| </bold>Mar Negro el día en que pararon en <bold id="bold-9e08ef94de6cb885fc3b7b564c7d53c5">| </bold>ella algunos marinos argentinos, <bold id="bold-4efc5cfa2104e914fc1682518e8e894b">| </bold>según ha referido recientemente <bold id="bold-e9adc7db0e08eb220935f07e7f166114">| </bold>el médico de una de nuestras na- <bold id="bold-0563cabd8025aa739048048c25ede0fa">| </bold>ves mercantes, que en un periódico <bold id="bold-e37f90c5ad2543ce723279924fd50be7">| </bold>italiano que se publica <underline id="underline-36b6a475d6ffdfc7d209547ee015367c"><bold id="bold-4ab457ff61b95d0f1b7faf73be2ea312">EN BUENOS | AIRES</bold></underline>. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-44f022fa77f284143806ecb23c0fed6f">
          <italic id="italic-dfeb2532c0d7240b804326bc0ec129e8" />
        </p>
        <p id="paragraph-63fdc1c93eadebbf0f6f22c668d1745a">
          <italic id="italic-77d616f791022dda5206c336a0bb2eea">(CL 07/1964) Rindamos tributo a aquellas ge- <bold id="bold-5ce971fae523b2a9f87567688a9ce2d5">| </bold>neraciones arriesgadas, compuestas <bold id="bold-a728b842b9032e7d3f376339015b4173">| </bold>por hombres temblados en el servi- <bold id="bold-f20454eaf1d2f842ecab4888b80b4624">| </bold>cio de armas – milicos y paisanos <bold id="bold-1687739d475df73cb4f83b20bacffba8">| </bold>improvisados en la acción de guerra <bold id="bold-b6d27f55a15994ae7ade66d4bb9ef6d8">| </bold>contra el desierto y el salvaje –, y <bold id="bold-6bc500aa69321306f5892d698ade1ea4">| </bold>hombres y mujeres llegados de todas <bold id="bold-04b838df46b855fe4bfb321e4440566b">| </bold>partes del mundo sin más bagaje que <bold id="bold-753223575158fb01d31d6feec6a0a28b">| </bold>su ánimo de trabajar y afincarse con <bold id="bold-2aad523b3b4d317d28f7bbe727ceb9b4">| </bold>su hogar <underline id="underline-031bfc44b7f420c4ea9e953c39bca3c2"><bold id="bold-c4bb26e7a719485c3cf1660e662cdad7">EN NUESTRO SUELO</bold></underline>. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-2833820da09a11769f0840b8839fb2c7">
          <italic id="italic-6f5759cfe1e3e1c34d442a00e2096b5d" />
        </p>
        <p id="paragraph-a73dd5e1025c09b221567a2a13f272a5">
          <italic id="italic-3d26fa0aea7b97b31c2f691064c83405">(CL 11/1976) El año de 1975 pasará a la histo- <bold id="bold-f8cf054d9935534651ce13062e93f92f">| </bold>ria económica de la mayoría <bold id="bold-c00c53f3cccf001ce7c2ed2a824e6a70">| </bold>de los países subdesarrollados co- <bold id="bold-f1c31380d33cec3db4a55555cc2715c2">| </bold>mo uno de los períodos más nefas- <bold id="bold-a286f8c065eb2693ac65d2f03309872f">| </bold>tos. <bold id="bold-b116c1a4b5d8baa35eca0a0bdfccf0b6"><underline id="underline-8041495d5a9a8dd4f3475ecec37a5a5e">EN AMÉRICA LATINA</underline></bold>, Brasil y Mé- <bold id="bold-9670bfb375d3a19709532221dcb83fc6">| </bold>xico debieron desacelerar sus <bold id="bold-35f120201aa16e541d451dfb35f5574d">| </bold>ritmos de crecimiento, mientras <bold id="bold-8958aa65617bb3d4d8f32d2dfffed20f">| </bold>que otros, como la Argentina, Chile, <bold id="bold-529e6dc6438d5614ebc9bb3e2ad7334e">| </bold>Perú y Colombia, vieron descender <bold id="bold-fe7052c1fc86f383def78b768a5e88e9">| </bold>sus productos por debajo del <bold id="bold-ad846324fcd4477c3be5351145922f3e">| </bold>nivel del año anterior. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-6808ccdb0acf0fad0d2ca8f55fd93c5d" />
        <p id="paragraph-330ca78df71e34dd352d3284d0ed0da6">Ainda com relação à primeira geração de textos do CL, destaque-se que as ocorrências de dêiticos modais, sociais e discursivo-textuais são mais recorrentes que no JB. Nesta geração de textos, registram-se: (i) 04 ocorrências do dêitico modal “así”, com valor circunstancial, nos exemplares de 1946, 1949, 1964 e 1970; (ii) 02 ocorrências de dêiticos discursivo-textuais, “aquí” e “desde esas columnas”, com valor metalinguístico, nos exemplares de 1961 e 1979; e (iii) 01 ocorrência do dêitico social “señor”, expressando respeito do enunciador pelo coenunciador, no exemplar de 1961. </p>
        <p id="paragraph-110e1ec3d28cbcd7be9f16ac64c33c40">Já com relação aos textos da segunda geração no CL, que compreende o período de 1980 a 2014, observam-se traços de permanência na expressão do ponto de vista enunciativo. No período mencionado, registram-se 11 ocorrências de editoriais em primeira pessoa, com ocorrência do plural inclusivo. Somente dois exemplares, exatamente dos anos de 2013 e 2014, apresentam-se em 3ª pessoa. Exemplos dos dois casos são expostos a seguir: os de 1985 e 1991, referentes às ocorrências de primeira pessoa do plural, e os de 2013 e 2014. referentes às ocorrências de terceira pessoa: </p>
        <p id="paragraph-81ed875e7e19265ff0bfd3987099ed93" />
        <p id="paragraph-b0a28ef78668ae891377752164e90225">
          <italic id="italic-7a2ad486ffa2fd6e2ab3a9005d845ee5">(CL 14/1985) Este retoque a la ideología <bold id="bold-1de3fce3a597c9e85a6271633e0b0046">| </bold>sirve para mostrar que ningún <bold id="bold-10825fa10d661ff50260e3c17f95f578">| </bold>país del mundo moderno, ni si- <bold id="bold-76b0c7b4ba2076b58e917d62f3ef552e">| </bold>quiera la segunda superpotencia <bold id="bold-1bbfbd787711eff031ddcc3b41b6769b">| </bold>a pesar de inmensa concen- <bold id="bold-1c87322aba5041eeae743b020fe6ac75">| </bold>tración de poder y recursos que <bold id="bold-41bb90a252f40cdbc6494c6a7afeba93">| </bold>abarca, puede desdeñar en <bold id="bold-973242e44ef4bbac25cfd6d076c905d9"><underline id="underline-0f180268150629113848221f0b596d3b">NUES- | TROS</underline> </bold>días la modernización.</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-0bbc8def0932074d0ff9e7a3e89284a3">
          <italic id="italic-ae492337f5e55a58d96feb3b775b5ca3" />
        </p>
        <p id="paragraph-7ab0ae693f963c07f25f1dcbbf319056">
          <italic id="italic-b967c59e377315b9a5e36ce41530670b">(CL 16/1991) La relativamente breve histo- | ria de cuanto ocurrió con el edi- | ficio de Esmeralda y Corrientes | revela a las claras que es pro- | ducto de un Estado y de una po- | blación sin recursos económicos | suficientes para intentar salvar | de la destrucción algo que, por | ser parte del patrimonio común, | <bold id="bold-2578cb48de5dc6ffda50c6ef31a8b7ca"><underline id="underline-f01a5e681f21e7cde165355a045b3fa0">NOS PERTENECE</underline> </bold>a todos y, por lo | tanto, no debería poder ser moti- | vo de compra o venta.</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-2b2cadf3fcf5e62f84dd136c577d04a0">
          <italic id="italic-079e3893ea0167d48a3c7e90d9f27cc0" />
        </p>
        <p id="paragraph-e0bca75d9d958eb8addde0bdfceea90e">
          <italic id="italic-cc080215677170327cf6a023cf1f8d0b">(CL 24/2013) En un país en el que en broma o en serio casi | todos piensan que todo puede pasar, <underline id="underline-f0361b4d8149e5181f2f0bc2d4feac48"><bold id="bold-d803518a7032418cb9074f7d295d4052">ESTALLÓ LA | SORPRESA</bold></underline><underline id="underline-361012da39b8a4c932ed6e26f74d3cef">. <bold id="bold-9c865d8d33fdde6b19fba8feea3bb7d7">UN SHOCK DE EMOCIÓN Y ENTUSIASMO</bold></underline><bold id="bold-cee8c245b2d7c8f8c487578f0841bfdd"> </bold>| en la gente, <bold id="bold-6dd55c23322f61f32ab57b92f3253add"><underline id="underline-5297ff4d27566d6d70c0016633df5897">QUE MEZCLÓ AL HASTA AYER CARDENAL | BERGOGLIO</underline> </bold>con Messi y Máxima y otro que | encadenó fastidio y desconcierto en el Gobierno. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-4c2d5870352addecd491bb15df29f3c2">
          <italic id="italic-2146b085889e60ac4bd3d730ed137c53" />
        </p>
        <p id="paragraph-39caf7bf6c4792aad9096cce47fc5e22">
          <italic id="italic-ef78a8a27f314204abce1ab734df658e">(CL 25/2014) En los últimos 26 años <underline id="underline-2226fffdeec4ae5ba4ce1ad916304695"><bold id="bold-09257bcada788d4d1332d62e214245ba">HUBO TRES | GRAVES CRISIS CON LA LUZ</bold></underline>. || En 1988 El Chocón dejó de funcionar por el bajo caudal del río Limay. | En febrero de 1999 se rompió la central Azopardo de Edesur y la actual | se atribuye a la extendida ola de calor. || La diferencia es que en los casos anteriores los presidentes | dieron la cara. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-978085f9211ccdcc70b14da120231a5b" />
        <p id="paragraph-b19b25c5ac4fb0f063e78869fb2a7fef">Os editoriais da segunda geração do CL sinalizam para traços de permanência na expressão da cronografia e da topografia, nas cenografias, por elementos dêiticos de natureza adverbial. Dos 13 (treze) exemplares analisados, somente 01 (ano de 2009), não apresenta expressões adverbiais temporais, sendo as coordenadas de tempo recuperadas pelas desinências verbais. Do mesmo, somente 02 exemplares (1994 e 2006) não apresentam expressões adverbiais espaciais, cabendo às desinências verbais a função de expressar as coordenadas topográficas. Os exemplos a seguir ilustram a ocorrência dos elementos dêiticos temporais e espaciais, respectivamente, em textos dos séculos XX e XXI: </p>
        <p id="paragraph-b99cda57c9cbce8cb09d0b1bdd98c261" />
        <p id="paragraph-9f3d6e0a72f45afad7f5ccbdaca941df">
          <italic id="italic-4d7d44e3991f683a31846a02300a330a">(CL 13/1982) La foto que este diario publicó <bold id="bold-794ddac9dc690e2603636b50b76835ce"><underline id="underline-ea568ed0bae0a08ac52e5be5ce927829">AYER</underline> </bold>en su <bold id="bold-b91a6b5669083fd0ecbfcef2a72d2774">| </bold>primera plana [...] tiene tal vez <bold id="bold-fb08137382c87379bd28509b9302c316">| </bold>más elocuencia que muchas de las palabras <bold id="bold-948dac08ad6f60b4da6e80b0f078a853">| </bold>que hasta ahora hayan podido escribirse. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-c2dddffd5cbe6d47839edfcaa85e9a76">
          <italic id="italic-6a8df4d364ed17c1e3a150a41e3a9d7f" />
        </p>
        <p id="paragraph-0a45f2dff943119f070470504e0ebc01">
          <italic id="italic-1a772f2defd3bf2dbcf6368f0cbc3a8b">(CL 18/1997) Es cierto que <bold id="bold-f1a4ab4eb4c23c43cb7c44b14538a990"><underline id="underline-7a91eb2b2350c9e8f1e683f7f47974c3">HOY</underline> </bold>los extranjeros residentes en la <bold id="bold-9c056e056d5bce55eea8bdf50a6b217e">| </bold>Argentina son apenas el 0,5% de la población. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-4ee7930a237af1f6cba3fadaeece7222">
          <italic id="italic-c39aa75e12d74a9d37341637f7a6d2d2" />
        </p>
        <p id="paragraph-c3e50d8141f323d8cc4b58cab295483f">
          <italic id="italic-18552d0f9a1acfed41707794ef0fd706">(CL 23/2012) Cuesta encontrar en la historia argentina una <bold id="bold-f472d13ad2c069fb08583e5b9d10d04c">| </bold>movilización popular como la de <underline id="underline-e1f67e5e34fd2a43dde275860d5715ea"><bold id="bold-e2e6ced0d7055017ff1557415811df72">AYER</bold></underline>. Además <bold id="bold-4889abb7936c112040c2f14e8ec0c743">| </bold>de una multitud nunca vista, varias cosas más <bold id="bold-dc2cbf9f1f63635875b1f32f60c1c71e">| </bold>la hacen única. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-b64164156177aae216aacb89295729e9">
          <italic id="italic-22c7afcfa9b1644a05229847400dc4a5" />
        </p>
        <p id="paragraph-2857c2461ee5f4030f80346025f744ba">
          <italic id="italic-437f774ea3de94592d9acedf7c5b294e">(CL 15/1988) En las últimas décadas se re- <bold id="bold-64c89ce8cf162cf137355aadedcda07f">| </bold>gistró <bold id="bold-184e98bc2bf5ef528d0388c587b6a2cb"><underline id="underline-0606226c12d5c136fe464b643f1e09d5">EN LA MAYORÍA DE LOS | PAÍSES LATINOAMERICANOS</underline> </bold>un pro- <bold id="bold-78608636f735129e298dff2e2a210901">| </bold>ceso de rápida urbanización que <bold id="bold-40faefdf5606c2648c2297bf04f84f74">| </bold>devino en la creación de grandes <bold id="bold-e8b1b56596148c6a618306713cb265fa">| </bold>asentamientos con diferentes <bold id="bold-df95691d857ecfc244d5e73ec770ae5b">| </bold>grados de precariedad. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-9a13d941f7411134bfbe8bcc970598f7">
          <italic id="italic-f6bd3a20d8ef7be69fa380bc08471e76" />
        </p>
        <p id="paragraph-080e9a2e5135008249341d2db99153b1">
          <italic id="italic-f0905082a70330b0f68cc685959febd6">(CL 18/1997) El Día del Inmigrante, celebrado desde hace muchos años <bold id="bold-76cd87ba5859a718b5049ee2304106dd"><underline id="underline-7d02c210c61d51d58327ba68497725c4">EN NUESTRO PAÍS</underline> | </bold>cada 4 de setiembre, evoca el surgimiento de una nación moderna que, <bold id="bold-8738f8a6c9c400410472ff1385d37dd1">| </bold>desde el vamos (sic), fue el resultado de una confluencia de procesos <bold id="bold-c23079b6ad4565d0a3da189008c70e72">| </bold>migratorios de distintas procedencias y contextos históricos y culturales. </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-fef612ec666c822ef24cf6eb81b0ed0d">
          <italic id="italic-e2cd6f8a1c6b95b9d6dd3db0fc80da3a" />
        </p>
        <p id="paragraph-62718ee2b8dd2fa2fb9eb27715516969">Por fim, se comparada ao primeiro bloco de textos, a segunda geração apresenta menos ocorrências de dêiticos modais (a expressão circunstancial “así” aparece em três editoriais, nos anos de 1988, 2006 e 2014) e nenhuma ocorrência de dêiticos sociais e discursivos-textuais. Assim como no JB, a totalidade de ocorrências dos referidos elementos é bem menor se comparada à dos dêiticos de pessoa, de tempo e de espaço.</p>
        <p id="paragraph-b50cb4c9ec35c4998ae18a407bc039b2" />
      </sec>
      <sec id="heading-e4edb0965cb73fdfbf6a010f69cad20d">
        <title>5. Considerações finais</title>
        <p id="paragraph-88965ffae0fa8b9bde5dc71885969418">Para finalizar o debate dos dados expostos, destaco que, pela relação que estabelecem entre si em diferentes momentos da história dos textos, como indícios que se repetem no plano da diacronia, estes índices linguístico-discursivos sinalizam para a formação de tradições do dizer, como vemos no seguinte quadro-síntese:</p>
        <table-wrap id="table-figure-81a46c3c9dba4b116286416a3760b82c">
          <label>Table 1</label>
          <caption>
            <title>Tradição e atualização do campo dêitico do JB e do CL</title>
            <p id="paragraph-423268768714e0df51d30fdf9cfc4059">Fonte: elaborado pelo autor.</p>
          </caption>
          <table id="table-e04d719e1c93fc6acf3d3255ebf8d859">
            <tbody>
              <tr id="table-row-b2331eea3595cc32bc01bca46e2764fb">
                <td id="table-cell-41de530d801d825b174b3844c1c5b5b8" />
                <td id="table-cell-344bf76011eaa6dcf4b13768bb39ed64">
                  <bold id="bold-baeec96c492cf50a649c250b4d49da63">1ª GERAÇÃO (1945 a 1979)</bold>
                </td>
                <td id="table-cell-39aa163c81b39c134f3f91deeeae1c91">
                  <bold id="bold-713cb7948ae49f9c689ea31ab7ddbb86">2ª GERAÇÃO (1980 a 2014)</bold>
                </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-c82a5fc14c10b28365d182c556cd8608">
                <td id="table-cell-408365597d6bf7d877c3b7fab66798d1">
                  <bold id="bold-7695074489eec29ccf9a97cca69dec32">JB</bold>
                </td>
                <td id="table-cell-63114f60bba47d06770a37c8e3e9dbd2"><bold id="bold-a99ef1b94f1ff16422fcf5a7a2405393">Dêixis   pessoal:</bold> predomínio de dêiticos na primeira pessoa, ou seja, no plural   inclusivo (expressão do ponto de vista enunciativo); 

<bold id="bold-d3ea3093c19ee435f350196a8bd5f221">Dêixis   temporal:</bold> predomínio de dêiticos temporais de natureza adverbial (expressão de   tempo presente que se reporta a um passado próximo e/ou a um passado   distante); 

<bold id="bold-3370fcd1d39df7467f40f15fb902050a">Dêixis   espacial:</bold> predomínio de dêiticos espaciais de natureza adverbial   (contextualização da enunciação no eixo Brasil-América Latina); 

<bold id="bold-0a1546bfd80c62098f4ac58147d0efe4">Dêixis   social, modal e discursivo-textual: </bold>poucas ocorrências </td>
                <td id="table-cell-aff2eb00b47c5dfb63058afb4563c22a"><bold id="bold-3577d73427d85f0d318f639fef1b8168">Dêixis   pessoal: </bold>predomínio de dêiticos na terceira pessoa (expressão do ponto de vista   enunciativo), evidenciando vestígios de mudança nesta categoria; 

<bold id="bold-032e86f2338e72dee3486a5431b52b7d">Dêixis   temporal:</bold> predomínio de dêiticos temporais de natureza adverbial (expressão de   tempo presente que se reporta a um passado próximo e/ou a um passado   distante), evidenciando traços de permanência; 

<bold id="bold-b4374a8acb483b67481e64df7daf4535">Dêixis   espacial:</bold> predomínio de dêiticos espaciais de natureza adverbial   (contextualização da enunciação no eixo Brasil-América Latina), evidenciando   traços de permanência nesta categoria; 

<bold id="bold-c91e4975b25ce2fd39ada1437cdc1385">Dêixis   social, modal e discursivo-textual:</bold> poucas ocorrências. </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-b52996bb3667d43d4f80bb3bc49de7db">
                <td id="table-cell-af3d2dc8eb766c3f7b88cbc45b9e8525">
                  <bold id="bold-d8e7df7f20588a3a46d66cab12778e43">CL</bold>
                </td>
                <td id="table-cell-0404f8a71793cc34432679490ba9d0f2"><bold id="bold-ca29d18358c25c0cdf60f3d1264d0ca4">Dêixis   pessoal:</bold> predomínio de dêiticos na primeira pessoa, ou seja, no plural   inclusivo (expressão do ponto de vista enunciativo); 

<bold id="bold-77dc63844f695cebaf2935a57942fb9e">Dêixis   temporal:</bold> predomínio de dêiticos temporais de natureza adverbial (expressão de   tempo presente que se reporta a um passado próximo e/ou a um passado   distante); 

<bold id="bold-56a74922b9978644d33fdb7335e6c28c">Dêixis   espacial:</bold> predomínio de dêiticos espaciais de natureza adverbial   (contextualização da enunciação no eixo Argentina-América Latina); 

<bold id="bold-84efae02fd9c422dd775db4757d7ae1f">Dêixis   social, modal e discursivo-textual:</bold> poucas ocorrências. </td>
                <td id="table-cell-af9fd7abd89db30062ba9f6f63494c9e"><bold id="bold-c35887a13024aa6ae5c6529623a37aad">Dêixis   pessoal:</bold> predomínio de dêiticos na primeira pessoa, ou seja, no plural   inclusivo (expressão do ponto de vista enunciativo), evidenciando traços de   permanência nesta categoria; 

<bold id="bold-77039e8b0de27b136031561758800b07">Dêixis   temporal: </bold>predomínio de dêiticos temporais de natureza adverbial (expressão de tempo   presente que se reporta a um passado próximo e/ou a um passado distante),   evidenciando traços de permanência; 

<bold id="bold-7d4d7af118d74498548dd71cf29ecdca">Dêixis   espacial:</bold> predomínio de dêiticos espaciais de natureza adverbial   (contextualização da enunciação no eixo Argentina-América Latina),   evidenciando traços de permanência nesta categoria; 

<bold id="bold-b21eb397b4dbb1fcf793e8f9d43fa711">Dêixis   social, modal e discursivo-textual:</bold> poucas ocorrências. </td>
              </tr>
            </tbody>
          </table>
        </table-wrap>
        <p id="paragraph-7f896b57e7c1b21998e26560cae93488">A análise exposta em síntese no quadro acima disposto permite confirmar que o discurso é, de fato, “um espaço de regularidades enunciativas” (MAINGUENEAU, 2008, p. 15<xref id="xref-927616e06015fddadf6ba111e03c39e1" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-0ed4a21255c90ed6e6f13890da639573">[7]</xref>) observáveis em termos de sua expressão no plano diacrônico e que o diálogo estabelecido, nesta pesquisa, entre Filologia e Análise do Discurso se mostra promissor para empreendimentos investigativos em que história, língua e cultura se encontram em função da análise de objetos de estudo diacrônicos. Trata-se, a meu ver, de uma interface promissora para os estudos enunciativos contemporâneos que se interessam, cada vez mais, pela análise de fenômenos relacionados à história da língua, em perspectiva micro, e à história dos textos, dos gêneros e dos discursos, em perspectiva macro.</p>
      </sec>
    </sec>
  </body>
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    <fn-group>
      <fn id="footnote-ce3033c7c94e0f90325ceeeab21dfefb">
        <label>1</label>
        <p id="paragraph-59e62af959c3312fcbce0f94c37d1ba5">No original: “modos de comunicación, que se miden en categorías de pragmática universal y que sirven para identificar los rasgos universales propios de cada constelación discursiva en el plan histórico”.  </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-0ce4f1fe1fbce4d015e85e197e737dfe">
        <label>2</label>
        <p id="paragraph-938be2724e8f2581a20178b7c1bbb634">No original: “la historicidad de las lenguas correspondería a las lenguas históricas como francés, alemán o español con sus variedades diatópicas, diastráticas y diafásicas; mientras que la historicidad discursiva sería, por ejemplo, la de la historia de los géneros textuales, los actos de habla, los géneros literarios y retóricos y los estilos. Hablar sería, pues, una actividad universal que se realizaría a través de un doble filtro tradicional: la intención del acto comunicativo tendría que pasar en cada momento por el orden lingüístico que encadena los signos de una lengua según sus reglas sintácticas y por el orden textual que actualiza ciertas tradiciones discursivas”.    </p>
      </fn>
    </fn-group>
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          <chapter-title>¿Cómo investigar las tradiciones discursivas medievales? </chapter-title>
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