Resumo

O texto aborda o lugar atribuído às línguas africanas nos discursos coloniais e modernistas brasileiros. Para tanto, articula-se sócio-história e políticas linguísticas, com vistas a se averiguar os significados e papeis atribuídos a essas línguas em contextos políticos e sociais específicos. Assume-se que no contexto colonial tais significados envolveram tanto representações gramaticais e jesuíticas, como o uso “simplificado” da língua portuguesa pelos africanos escravizados. No contexto modernista, os significados atribuídos às línguas africanas estiveram a reboque de uma dada representação bipolarizada de português brasileiro, em que as africanidades linguísticas estiveram associadas às ideias de popular, regionalismo e oralidade. Além disso, o texto discorre sobre o complicado conceito de mestiçagem aplicado às línguas africanas. Por fim, defende-se a importância de uma análise sócio-histórica e política das línguas e heranças africanas no Brasil de forma a se evidenciar as relações de poder envolvidas, como a relação entre língua e raça.