Resumo

Este artigo tem por objetivo fazer um levantamento das informações disponíveis sobre a palavra xícara, com o intuito de conhecer sua origem e o caminho que o vocábulo percorreu até ser adotado, pelo português do Brasil, para designar o recipiente usado para servir, normalmente, bebidas quentes, como chá ou café. Para tanto, foram consultados dicionários de uso do português e do espanhol, além de dicionários etimológicos nas duas línguas e também em italiano, e textos sobre língua e cultura náuatle. Também foram consultados corpora do português e do espanhol disponíveis em rede e, como resultado, foi possível traçar o percurso e a difusão da palavra xícara. Porém muitas informações importantes ainda não foram encontradas, o que abre precedentes para novas pesquisas sobre o assunto. Apesar de não termos conseguido todos os dados almejados, concluímos que a  busca pela origem e pelo étimo da palavra é, sem dúvida, um exercício que aumenta o conhecimento não só das línguas, como também de aspectos culturais de diferentes povos que interagiram entre si.  

Introdução

Malkiel (1996: 155-163) aponta alguns fatores que levam à existência de tão poucos estudos etimológicos: predomínio de estudos sincrônicos, de um modo geral; a ausência de teoria bem embasada; a perda do prestígio desses estudos; o alto grau de subjetividade na área; a consciência da complexidade das inter-relações quando do aparecimento de um lexema; a necessidade de um olhar crítico a toda análise etimológica anterior; entre outros. Ademais, como deixa clara a leitura de Viaro (2013), as informações etimológicas das línguas em geral são importantes para os estudos diacrônicos, e mesmo os sincrônicos. Viaro (2014: 231), ainda, ressalta que a “pesquisa etimológica é particularmente útil na questão dos ‘falsos amigos’, nos quais se revelam mudanças semânticas importantes para o ensino de língua”. Ou seja, a etimologia pode ser de grande ajuda para esclarecer a existência dos diferentes significados de palavras com grafia ou pronúncia semelhantes e proporcionar uma melhor compreensão do léxico. Sentimo-nos, assim, motivados a iniciar nosso estudo.

Os brasileiros utilizam o vocábulo xícara que, apesar de ser de origem diversa das palavras correspondentes em outras línguas latinas como o espanhol taza ou o francês tasse, e até mesmo da palavra usada pelos portugueses, chávena, assemelha-se muito a outro vocábulo, o espanhol jícara, um tipo de vasilha pequena, de louça, ou uma cabaça, feita com o fruto da árvore Crescentia cujete (DRAE). O que motivou este trabalho é o desejo de compreender essas semelhanças e diferenças entre o espanhol e o português e como o vocábulo xícara veio a ser adotado pelo português do Brasil. Com essa finalidade, decidimos trabalhar com os pares de falsos cognatos português xícara e espanhol jícara, tendo-se como arcabouço teórico-metodológico Viaro (2104) e Durkin (2009).

A fim de conhecer melhor o caminho percorrido pelo vocábulo xícara do náuatle até o português do Brasil, organizamos o nosso texto da seguinte maneira: após esta breve introdução, discorremos sobre dois processos/fenômenos relacionados ao contato linguístico, os nahuatlismos, os americanismos e a castelhanização em geral. Em seguida, levantamos algumas questões relativas às palavras xícara e jícara, finalizando com uma sucinta conclusão.

1. Nauatlismos e castelhanização

Náuatle, também conhecido como asteca, foi uma das línguas usadas no Império Asteca e que ainda é falada no México, entre outros países, nos dias atuais. Estima-se que mais de um milhão de pessoas ainda falem náuatle, principalmente no México, e que haja 28 dialetos da língua (ETHNOLOGUE, 2016). A língua mexicana, como é chamada por seus nativos, é uma das primeiras tradições orais da Antiga América com registro escrito (PROEL, 2016). Embora muitos textos tenham sido queimados por sacerdotes católicos que os consideravam profanos, ainda hoje há documentos náuatles em bibliotecas de todo o México e de outros países, principalmente europeus. Isso se deve ao fato de que eles eram levados para a Europa e oferecidos como presente a reis e nobres por sua beleza e exotismo durante a Idade Média. Muitos textos escritos em náuatle foram transcritos no sistema de escrita europeu trazido pelos espanhóis no século XVI. Entre eles há poesia, prosa, textos políticos e administrativos e discursos para ocasiões importantes, como casamentos e funerais, de acordo com Hernández (2013).

Para Zamora Vicente (1996), haveria mais de 123 famílias de línguas no território controlado pelos espanhóis, existindo, entretanto, poucos casos de substrato morfológico e sintático e maior presença no terreno do léxico, o que não nos surpreende, pois “O vocabulário de uma língua, consideravelmente estruturado de forma mais solta do que sua fonêmica e sua gramática é, sem dúvida alguma, o domínio mais propício para empréstimo” (WEINREICH, 1970: 56, tradução nossa). O náuatle era apenas uma dessas muitas línguas indígenas faladas na região da antiga Mesoamérica, mas foi a que mais deixou marcas linguísticas no espanhol do México. Segundo León-Portilla (1981: 219), isso se deve ao fato de que o náuatle foi usado como língua franca nos últimos séculos do México pré-hispânico e se manteve como tal por mais um século durante o período colonial, além de ter sido o idioma do grupo dominante na região. Conforme o antropólogo mexicano, palavras originárias de outras línguas ameríndias ficaram mais restringidas à região onde a língua correspondente era falada, enquanto o náuatle influenciou, com seus vocábulos, outras línguas da América, o espanhol do México e o da Espanha.

LAPESA (1981) afirma que a maior contribuição vinda das línguas ameríndias está no léxico, reforçando a asserção já citada de WEINREICH (1970), uma vez que os espanhóis encontraram na América uma grande quantidade de elementos da natureza diferentes daqueles da Espanha, assim como os costumes indígenas. Os espanhóis adaptaram nomes náuatles, por exemplo, das coisas para as quais eles não tinham palavras correspondentes em seu idioma e levaram muitas delas para a Europa. Tais empréstimos são numerosos, em especial as que designam realidades mexicanas peculiares. Essas palavras se encontram principalmente dentro do reino vegetal para nomear frutas, flores e plantas, mas também no reino animal. Há ainda nomes indígenas para certos alimentos típicos e determinados objetos associados à cultura mexicana (LOPE BLANCH, 1969a). Nas palavras de Lapesa (1981: 537-539), “as relações históricas e linguísticas entre o espanhol e os idiomas aborígenes da América respondem às mais diversas modalidades que podem apresentar-se no contato entre as línguas ou, com terminologia mais velha, porém mais exata, nos conflitos de línguas e culturas” (Tradução nossa). Abordemos, então, o fenômeno do americanismo, intrínseco às manifestações e problemas de substrato, com influxo de uma língua eliminado sobre a língua eliminadora, como lembra o mesmo autor.

Americanismo é um termo controverso e alguns linguistas, inclusive, rejeitam o termo1. Bravo-Garcia (2015: 61) afirma que são “certos elementos léxicos e semânticos que revertem em uma designação peculiar de América e, de forma especial, aquelas palavras que têm sua origem em uma das línguas autóctones do continente” (Tradução nossa). Já Morínigo (1985, Prólogo (Tradução nossa)) apresenta quatro definições, seguidas de exemplos, sendo claro para nós que o termo em estudo se enquadra na primeira definição:

(i) Palavras indígenas incorporadas firmemente ao espanhol geral ou regional, tanto em sua forma etimológica adaptada como na fonologia e na morfologia (tabaco, butaca, cigarro);

(ii) As palavras criadas na América ou derivadas de outras espanholas, para designar elementos americanos (armadillo, churrasco, chapetón);

(iii) Palavras espanholas que têm na América acepções diferentes das palavras da Espanha (león, laurel, lagarto);

(iv) Os arcaísmos, marinheirismos e regionalismos espanhóis desconhecidos hoje na língua espanhola peninsular geral ou regional (garúa, durazno, carozo);

(v) Os latinismos, africanismos, etc que entraram para o léxico americano ou regional.

O nome dado a palavras ou locuções oriundas da língua indígena náuatle que foram, muitas vezes, adaptadas foneticamente ao espanhol é nauatlismo. O Diccionario de la lengua española (DRAE) define nauatlismo como: “1. m. Maneira de falar própria e privativa da língua náuatle; 2. m. Vocábulo ou elemento fonético do náuatle empregado em outra língua” (Tradução nossa). O termo é sinônimo de astequismo ou mexicanismo. Línguas europeias como o português e o espanhol sofreram forte influência das línguas indígenas das colônias americanas. Desde o século XV, época do início da colonização da América Latina, houve uma grande movimentação de desbravadores pelas terras do continente. Como citado anteriormente, com eles iam novos costumes, objetos e novas palavras, usadas pelos nativos para nomear sua realidade. A falta de correspondência para os novos vocábulos no espanhol provocou muitos empréstimos e, assim, a língua europeia sofreu um importante enriquecimento nesse período. A dificuldade de pronúncia das novas palavras por parte dos espanhóis levou a adaptações dos vocábulos ao castelhano, a castelhanização, que retomaremos na próxima seção, e assim foram sendo formados os nauatlismos.

Em seu estudo, Léon-Portillo (1981) cita diferentes tipos de nauatlismos que chegaram à Espanha. Divide essas palavras em grupos de acordo com a maneira como foram levadas e absorvidas, ou não, pela cultura espanhola. Um desses grupos e no qual se encontra o termo que, provavelmente, deu origem à palavra xícara do português é o grupo de “Nauatlismos que acompanharam o princípio da degustação do chocolate” (LEON-PORTILLA, 1981: 224, tradução nossa). Certamente, não faltam trabalhos sobre os nauatlismos, mas León- Portilla (1981) alerta para o fato de muitos deles carecerem de rigor científico. Ele detalha sete tipos de nauhatlismos, que entraram para o castelhano (p. 224),

1) No início da Conquista e que caíram em desuso;

2) Cujo uso foi restrito geograficamente;

3) Nos séculos XVI ou XVII, sofrendo mudanças em seus significados e restrições em sus acepções;

4) Acompanhando a inicial degustação do chocolate na Espanha;

5) Até os séculos XVI ou XVIII e, bem enraizados, florescem até hoje no castelhano da península;

6) Apenas conhecidos por pessoas cultas ou especialistas de certas áreas;

7) Mais recentemente, no século XX.

Não há dúvida de que a palavra jícara é um nahuatlismo do tipo 4, conforme a proposta acima. O percurso da palavra se encontra documentado antes de 15352, por Fernández de Oviedo, e por outros autores do século XVI, como veremos a seguir.

Encontram-se representados nos achados arqueológicos maias e do mundo mesoamericano, os mais variados tipos de vasilhas para se guardar a bebida espumosa feita de cacau que se tomava ao final da refeição (HERNÁNDEZ, 2013). Na Espanha, a palavra se restringiria a uma vasilha de louça, usada para se tomar chocolate, diferentemente da vasilha original indígena, feita de cabaça. Além do mais, Kiddle (1944 apud LEÓN-PORTILLA, 1981: 234) afirma que na província espanhola de Murcia a palavra significa uma das oito divisões da meia libra de chocolate, em Soria os isolantes de vidro encontrados no topo dos postes de telégrafo, indicando novas conotações em relação à original.

Anteriormente, o termo “castelhanização” foi usado por Lope Blanch (1969b) para definir a adaptação de palavras indígenas à língua espanhola. Alguns sons eram difíceis ou mesmo impronunciáveis para os espanhóis, como é o caso do som palatal surdo /tl/ que serve como sufixo em muitas palavras náuatles (tomatl > tomate, por exemplo). Por essa razão, algumas adaptações eram feitas nos vocábulos de origem indígena, tendo como base a fonética e a escrita do castelhano. Outro exemplo de adaptação feita pelo castelhano é a substituição do x pelo j, mudança que até hoje provoca dúvida na escrita do topônimo México e cuja provável explicação pode ser encontrada no Diccionario panhispánico de dudas (2005):

na Idade Média, a grafia x representava um som palatal fricativo surdo, cuja pronúncia era muito similar ao do sh inglês ou ao ch francês atuais. Assim, palavras como dixo (hoje dijo) ou traxo (hoje trajo) se pronunciavam [dísho] ou [trásho] (donde [sh] representa um som parecido ao que emitimos quando queremos impor silêncio). Este som arcaico se conserva no espanhol do México e de outras zonas da América em palavras de origem náuatle, como xola [shóla] ou mixiote [mishióte] (o que não acontece com xochimilco, pois o x soa como /s/), e na pronúncia arcaizante de certos sobrenomes que conservam sua forma gráfica antiga, como Ximénez ou Mexía.

O som medieval descrito anteriormente evoluiu a partir do século XVI ATÉ SE CONVERTER NO SOM velar fricativo surdo /j/, que na escrita moderna é representado com as letras j o g (antes de e, i). No entanto, a grafia arcaica com x se conserva hoje em vários topônimos americanos, como México, Oaxaca, Texas, com seus respectivos derivados mexicano, oaxaqueño, texano, etc., e em variantes americanas de alguns nomes próprios de pessoa, como Ximena, ou sobrenomes como os citados anteriormente. Não se deve esquecer que a pronúncia correta destas palavras é com o som /j/ ([méjiko], [oajáka], [téjas], [jiména]), e não com o som /ks/ ([méksiko], [oaksáka], [téksas], [ksiména]). Também há resquícios deste x arcaico em alguns topônimos espanhóis que hoje se pronunciam correntemente com o som [k + s], como Almorox, Borox, Guadix y Sax. Seus respectivos gentilícios (almorojano, borojeño, guadijeño y sajeño) demonstram que, em sua origem, o x que contêm se pronunciava /j/ (Tradução nossa).

O texto acima explica, com clareza, a transformação de xicalli > jícara, que retomaremos na próxima seção. Mais abaixo, também aplicaremos os conceitos de americanismo, nahuatlismo e castelhanização ao vocábulo português xícara, centro de nosso estudo.

2. Espanhol jícara

León-Portilla (1981: 224) atribui à apropriação do chocolate pelos espanhóis a chegada de determinados nauatlismos à Espanha. Juntamente com o elemento chocolate, foram levados a palavra chocolate (chocolatl), já adaptada ao castelhano em solo mexicano, assim como outros objetos e seus respectivos nomes castelhanizados, que faziam parte do que ele denomina como a “cultura do chocolate”, como el cacao, el metate (pedra usada para moer o cacau), el molinillo (objeto usado para aerar o chocolate) e, finalmente, la jícara, recipiente feito, inicialmente, do fruto da cabaceira (“jícaro”) e que era usado para a degustação da bebida. Este último vocábulo teria originado a palavra xícara, usada, correntemente, no português do Brasil.

Já castelhanizado, o termo jícara foi levado da América para a Espanha pelos espanhóis para denominar o recipiente no qual os astecas tomavam chocolate e é usado até hoje na língua espanhola. Para o DRAE (p. 1320), jícara vem do náuatle xicalli, copo feito da casca do fruto da cabaceira ou ‘güira’. O dicionário traz ainda duas acepções da palavra, a primeira é “vasilha pequena, geralmente de louça, usada para tomar chocolate” e a segunda é “vasilha pequena de madeira, geralmente, feita da casca do fruto da cabaceira e usada como a de louça de mesmo nome na Espanha” (tradução nossa). Menéndez Pidal (1994: 29), também assevera que jícara é um americanismo.

A cabaceira é uma árvore também conhecida como “jícaro” ou “güira”, cujo fruto é uma espécie de cabaça e dele os mexicanos fazem, ainda hoje, a jícara usada, desde o período pré-hispânico, para tomar uma bebida feita à base de cacau que deu origem ao chocolate. A planta da jícara é conhecida no Brasil como árvore de cuia, cuité ou cabaceira e as primeiras jícaras feitas em louça pelos espanhóis não possuíam asa como o objeto que hoje se conhece no Brasil como xícara, tendo as xícaras com asa aparecidos somente no século XVIII.

Corominas (1954: 1054) também cita, como no DRAE, que a provável origem da palavra jícara é o náuatle šikálli. O lexicólogo explica que a palavra significa ‘vasilha de cabaça, vasilha de umbigo’, e que é um composto de šiktli ´umbigo’ e kalli ’receptáculo’. Temos também acesso à datação das primeiras documentações do vocábulo que são do século XVI: “xícalo, Fz. de Oviedo, pouco depois de 1535; xícara, 1540, Fr. Marcos de Niza.”

Ademais, há, assim como no DRAE (2001: 1320), a referência de que a jícara era uma vasilha feita, primitivamente, do fruto do cabaceiro e que era usada para tomar o chocolate, para lavar as mãos e depositar alimentos. Do castellano a palavra passou para outros idiomas como o italiano chìcchera [séc. XVII: Zaccaria] e o catalão xicra”. Em Corominas, encontramos também alguma informação sobre a mudança, isto é, a castelhanização, de xikalli para jícara. Segundo o lexicógrafo, “A mudança do acento se explica pela explosão gutural que afetava a primeira sílaba do vocábulo e que os espanhóis podem ter entendido como um acento; comp. Mexíco > Méjico, šicamatl > jícama, y petla-kalli > petaca.” (COROMINAS, 1954: 1054). Porém, não há nenhuma informação sobre a transformação do x em j, nem tampouco sobre a mudança da letra ll transformada em -r na sílaba final da palavra. Quanto à datação da palavra jícara, o Corpus Diacrónico del Español (CORDE) informa que na Espanha é o ano de 1665 e no México, 1576.

O Nuevo tesoro lexicográfico de la lengua española (NTLLE) apresenta apenas seis ocorrências de xícara, a primeira datada de 1705 e a última de 1803. A primeira ocorrência é do Dicicionario nuevo de las lenguas española e francesa, de Francisco Sobrino, sendo definida como “taça de talavera3 para tomar chocolate” (p. 374, v. 1). As demais ocorrências, até se chegar à última, são todas do próprio DRAE, que definem a palavra assim: “vaso de loza en forma de um cubilete pequeño, en que se toma el chocolate”. Entretanto, a edição de 1739 é a única que informa que “Es voz Americana, que vale coco, ò vaso, de que se hace dél.” A partir da edição de 1780, a informação deixa de existir.

Ao consultarmos o NTLLE, encontramos 32 verbetes encabeçados por jícara. Abaixo, indicamos em que obra o termo se encontra, a datação da obra, a definição dada e eventualmente a etimologia do lema:

Table 1.

QUADRO 1: O lema jícara no NTLLE

Data Obra; Autor Definição Etimologia Verbetes afins
1787 Diccionario castellano [...]; Terreros y Pando “vaso, que comunmente sirve para tomar chocolate; Fr. tasse á prendre du chocolat; Lat. Scyphus ad cocolátum. It. Tazza” Ø Ø
1817, 1822, 1832, 1837 DRAE “vaso de losa em forma de um cubilete pequeño, em que se toma el chocolate. Scyphus fictilis chocolatae potioni sumendae aptus” Ø jicarica
1843 DRAE “vasija pequeña de loza, que sirve para vários usos, y principalmente para tomar chocolate. Scyphus fictilis chocolatae potioni sumendae aptus” Ø jicarica, jicarón
1846 Nuevo diccionario de la lengua castellana; Salvá Idem anterior + “p. Méj. Escudilla hecha del fondo del guaje, pintada y barnizada según el gusto chinesco.” Ø Idem anterior
1852 DRAE Idem anterior Ø Idem anterior
1895 Diccionario enciclopédico de la lengua castellana; Zerolo Idem anterior + “Cub. Vasija pequeña de calabaza.” “Del ár. [... ], cicaya copa.” jicarazo, jicarita, jicarón
1901 Nuevo diccionario enciclopédico ilustrado de la lengua castellana; Toro y Gómez Idem anterior Ø jicarazo, jicarón
1914 Gran diccionario de la lengua española; Pagès Idem DRAE (1849) “Del mejic. xicalli, güira” Ø
1917 Diccionario de la Lengua Española; Alemany y Bolufer “Pequeña vasija de loza, en que generalmente se toma el chocolate; Méj. Escudilla pintada según el gusto chinesco; Hond. y Guatem., calabaza, 2ª acep.; Amér. Pequeña vasija de calabaza.” “Del mejic. xicalli, vaso hecho del fruto de la güira” jicarazo, jicarón
1918 Diccionario general y técnico hispano- americano; Rodríguez Navas y Carrasco “Tacita; Vaso de loza en forma de cubilete pequeño, en que se toma el chocolate; Amer. En Cuba, vasija pequeña, hecha de una calabaza; En Méjico, pintada y barnizada según el gusto chinesco, Los mejicanos llaman xica’lli a una especie de pequeño vaso; los árabes usaban las dos voces, puchero y [...], copa.” Ø jicarazo, jicarilla, jicarón
1925 DRAE “Amér. Vasija pequeña de madera, ordinariamente hecha de la corteza del fruto de la güira, y usada como la de loza del mismo nombre en España; Vasija pequeña, generalmente de loza, que suele emplearse para tomar chocolate.” “Del mejic. xicalli, vaso hecho de la corteza del fruto de la güira” jicarazo, jícaro, jicarón
1927 Diccionario manual e ilustrado de la lengua española; RAE “Vasija pequeña que suele emplearse para tomar chocolate; Amér. Vasija pequeña hecha de la corteza del fruto de la güira; Guat. Fruto del jícaro; Méj. Arquilla en que se llevan frutas, panecillos, etc.” Ø Idem anterior
1936, 1939, 1947 DRAE Idem DRAE (1925) Idem DRAE (1925) jicarazo, jícaro, jicaró[n]
1950 Diccionario manual e ilustrado de la lengua española; RAE “Vasija pequeña que suele emplearse para tomar chocolate; Amér. Central y Méj. Vasija pequeña, hecha de la corteza del fruto de la güira; Guat. Fruto del jícaro; Méj. Arquilla en que se llevan frutas, panecillos, etc.” Ø jicarazo, jícaro, jicarón
1956 DRAE Idem DRAE (1925) Idem DRAE (1925) Idem anterior
1970 DRAE Idem anterior Idem anterior Idem anterior
1984 DRAE Idem anterior Idem anterior Idem anterior
1984 Diccionario manual e ilustrado de la lengua española; RAE Idem DRAE (1925) + And. y Extr. Onza de chocolate; Amér. Fruto del jícaro; Méj. Arquilla en que se llevan fruta, panecillos, etcétera. Ø jicarada, jicarazo, jicarazo, jicarón
1989 Diccionario manual e ilustrado de la lengua española; RAE Idem anterior Ø Idem anterior
1992 DRAE Idem DRAE (1925) + Amér. Central y Méj. Fruto del jícaro. “Del nahua xicalli, vaso hecho de la corteza del fruto de la güira.” jicarazo, jicarón, jícaro

Como se pôde perceber, não há grandes diferenças entre os dicionários cotejados, nem quanto à definição de jícara e nem quanto a sua etimologia. Com exceção do dicionário de Zerolo, o único que afirma que jícara adviria do árabe cicaya, “taça”. Encontramos outro autor que também afirma que o termo seria de origem árabe, EGUILAZ Y YANGUAS (1886,. 432): “De [...] xáccara, “olla, jarra, puchero, marmita llena de vianda”. Mas Corominas (1954, v. 2) alerta: “o argumento decisivo contra o árabe está na abundante documentação americana do s. VXI e a especial fixação da palavra no México e na América Central” (Tradução nossa). Assim, a hipótese de origem árabe do termo fica enfraquecida em relação à origem nahuatle.

3. Português xícara

Logo no início de seu esclarecedor artigo, Venâncio (2013) afirma que o contato dos portugueses com a língua vizinha era tão generalizado que se pode pensar que “o aproveitamento de recursos lexicais castelhanos pelo português pôde tornar-se um fenómeno estrutural” (p. 146), ainda alertando para a quase ausência de estudos sobre a história do léxico português e a precariedade das datações lexicais. Apesar de todos esses desafios ainda a encarar, não há dúvida de que há uma sistemática anterioridade das formas castelhanas. Então, xícara teria chegado ao português, como tantos outros empréstimos, pela via do espanhol. Esse autor define castelhanismo da seguinte maneira:

Um vocábulo português é um castelhanismo a) quando a forma em causa é de reconhecida fabricagem castelhana, mesmo se derivada de outro idioma (grifo nosso); b) quando ela está em clara circulação castelhana antes da primeira atestação portuguesa, c) quando as primeiras atestações portuguesas surgem em “ambiente” castelhanizante (autor bilíngue, tradução do castelhano, texto com significativas marcas do castelhano), e adicionalmente d) quando a distribuição posterior da forma castelhana manifesta uma nitidamente superior concentração de ocorrências (VENÂNCIO, 2013: 151).

A detalhada definição acima será aplicada no nosso objeto de estudo:

xícara será entendido por nós como um castelhanismo.

Venâncio (2013: 173) cita alguns fatores que favoreceram os empréstimos do castelhano para o português: “o longo e íntimo contacto dos portugueses com a escrita de Castela, o bilinguismo da corte portuguesa, a duradoura presença em Portugal de agentes culturais castelhanos (no ensino, na espiritualidade, na música vocal, nos divertimentos), o elevado número de estudantes portugueses em universidades do reino vizinho, enfim, o secular fascínio pela sociabilidade descomplexada e mundana de Castela”.

Hoje em dia, usa-se predominantemente em todo o Brasil o vocábulo xícara quando queremos nos referir ao recipiente usado para servir bebidas quentes, como café ou chá, que apresenta uma asa para se segurar. Outros termos são usados para se referir a objetos semelhantes, como a palavra caneca ou caneco, que costuma ser maior do que a xícara. Conforme Houaiss (2009), datado de 1706, português xícara < espanhol jícara “xícara” < náuatle xicálli “espécie de vasilha”, opinião que não difere de Cunha (1986). O VPM não o encontrou em seu corpus. BUENO (1974, p. 4312) acrescenta a seguinte informação:

No Brasil, xícara é o termo vulgar e indica sempre taça pequena, ao passo que chávena é literário e tem o significado de taça grande para chá, café com leite. Em Portugal é justamente ao contrário, chávena é vulgar e pequena, xícara é literário e grande.4

O autor cita ainda que se pode considerar que o termo é um arcaísmo no português do Brasil5. Já Houaiss (2009: 2896) traz duas acepções para a palavra. A primeira é “pequeno recipiente usado especialmente para bebidas quentes, com asa para facilitar a manipulação” e a segunda mostra que, xícara significa também “a quantidade de bebida que comporta”. Estas duas acepções são encontradas também em Ferreira (1986: 1798). Houaiss (2009: 2896) apresenta ainda duas grafias para a palavra, em diferentes períodos: 1706 chicara, 1858 xícara. Os dicionários apresentam apenas duas derivações para a palavra xícara, o diminutivo xicrinha e a palavra xicarada. Houaiss (2009: 2896) informa que xicarada designa o conteúdo da xícara, assim como o próprio vocábulo xícara que, como citado acima, também significa, por metonímia, a medida que cabe nesse recipiente. A palavra não está documentada em Bluteau (1712-1728), Pinto (1832) e tampouco em Silva (1813). Também não foi encontrada em Machado (2015), o que era de se esperar, pois seu corpus data de 1488 a 1499, período anterior à presença de jícara no espanhol.

Assim como no espanhol, poucos autores afirmam a origem asiática do termo. Coelho (s/d) é um deles: “Xícara: Taça, vaso para tomar chá, café, chocolate, etc (T. asiático)” (grifo nosso). Já Silva (1951, v. 11: 865) afirma que xícara vem do italiano chicchera. A proposta não é impossível, mas o contato com o espanhol era muito mais intenso do que com o italiano, o que nos leva a descartar a hipótese de um empréstimo do italiano. O Dizionario etimológico online (PIANIGIANI, 1907) assevera que italiano chícchera < espanhol jícara, sendo palavra mexicana, apesar de outros afirmarem ser palavra árabe. Tommaseo (1879) apenas cita o termo em espanhol e em “mexicano”, sem indicar o étimo ou a origem da palavra. Palazzi (1946), Migliorini (1953: 104), Prati (1951: 267) e Battisti; Alessio, 1968: 897) garantem que chiccera < espanhol xícara. O segundo autor listado ainda afirma que a origem é do espanhol do século XVI, e o último autor data o termo em espanhol como do século XVII. Outra questão nos estimula: por que o uso de xícara no português do Brasil e o de chávena em Portugal? Houaiss (2009) data chávena de 1649 e afirma que adviria do malaio chavan, chinês cha-kvan. O termo inexiste no VPM e Cunha (1986) indica que se trata de um sinônimo de xícara e que encontrou a forma xavena em 1704.

Ao procurarmos os termos xícara/xicara/chícara/chicara no Corpus do português (DAVIES; FERREIRA, 2016), encontramos um total de 314 ocorrências iniciadas por x e apenas quatro por ch. Apenas uma delas é datada do século XVIII e as demais são do século XIX: “As mortificaçoens com que a Madre Elena estragou o estomago, lho reduziras a tanta debillidade, que todas as menhaãs lhe era precizo huma chicara de choculate” (Rellaçaõ da Vida e Morte da Serva - Maria do Ceu - 1721).

Torna-se relevante comentar sobre palavra sinônima a xícara, a chávena. Cunha (1986) afirma que chávena e xícara são sinônimos, havendo como primeira atestação a forma xavena, em 1704. Chávena < malaio chavan < chinês cha-kvan seria o percurso do termo, também para Machado (1987) e Nascentes (1955). Machado (1987) afirma ter encontrado atestação no século XVII, na História trágico-marítima. A busca por chávena/chavena no Corpus do português (DAVIES; FERREIRA, 2016) nos leva a apenas 78 ocorrências, todas do século XIX (xávena/xavena não foram encontradas). Silva (1951) e Bueno (1974) asseveram que se trata de um sinônimo de xícara e o segundo argumenta que “pelos documentos antigos o Brasil é que está certo: Lucena escreve que chávena era o mesmo que escudela6 de barro” (p. 694, v. 2). Não encontramos, entretanto, nenhum autor que explique a preferência do uso de xícara no Brasil e de chávena em Portugal. Mostra-se, aqui, a necessidade de se entender, também o percurso de chávena, o que deve ficar para estudos posteriores.

Considerações finais

Como alerta Messner (2006), é comum, na linguística, nunca se chegar a um resultado definitivo, assim como refazer análises já feitas por antecessores. Contudo, o objetivo inicial deste estudo foi alcançado - fazer um levantamento das informações existentes sobre o percurso da palavra xícara, do náuatle até o português do Brasil. Muitas perguntas ainda ficam sem respostas precisas: em que momento a palavra começou a ser usada no português com o sentido que se tem hoje, como chegou ao Brasil e em que data, ou ainda em que momento foi dada a preferência pela palavra chávena em detrimento de xícara, em Portugal, ou se os dois vocábulos teriam sempre coexistido. Assim, estas questões deixam um espaço aberto para novas pesquisas que precisam ser feitas sobre o assunto.

É possível, porém, afirmar que a palavra se origina da língua náuatle e a semelhança entre o espanhol jícara e o português xícara não é mera coincidência. Refutou-se as hipóteses de que xícara se originaria do árabe ou do italiano. Foi possível também entender um pouco mais sobre como muitas palavras eram levadas para a Europa e emprestadas para outras línguas, assim como conhecer aspectos históricos e culturais de povos que interagiram entre si.

É preciso aceitar que fazer um levantamento sobre a etimologia de uma palavra e o caminho feito por ela pode não levar exatamente ao que se espera. No entanto, é inevitável reconhecer que o próprio exercício de busca da palavra promove um enriquecimento linguístico e cultural muito grande. Ao buscar informações sobre a palavra, tem-se uma visão mais abrangente de seu significado, não enquanto designação ou sinônimo de algo, mas de tudo o que um vocábulo pode portar e guardar sobre as características de um povo, ou de povos, seus costumes, tradições e história, o que vem a ressaltar mais uma vez o caráter sócio- histórico e cultural dos estudos etimológicos. Dessa maneira, os estudos etimológicos, não somente beneficiam o estudo de uma língua, mas também, e principalmente, modifica e amplia a visão da importância das palavras na construção da nossa realidade.

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Recebido em 10/10/2016 e aceito em 06/12/2016.