Resumo

Este texto traz uma análise qualitativa e quantitativa dos erros encontrados na transmissão do tratado ascético medieval “Libro dell’Abate Isaac di Siria”, a partir da edição crítica estabelecida por Vilaça (2012). O objetivo dessa análise é principalmente o de comparar os resultados obtidos com os apresentados por Cambraia e Laranjeira (2010) com base na tradição latina desse mesmo tratado, a fim de se estabelecer reflexões sobre o que há de universal e de particular no processo de transmissão dos textos. De uma forma geral, notaram-se mais identidades do que disparidades ao comparar os dados das duas tradições.

Introdução

Desde a sua origem como prática sistemática no Ocidente, entre os primeiros diretores da Biblioteca de Alexandria no Egito (séc. III a I a.C.), a crítica textual se fundamenta no fato (incontestável) de que os textos sofrem modificações na medida em que são reproduzidos. Sendo assim, os pesquisadores que se ocupam das investigações nesse campo do conhecimento, têm por objetivo restaurar textos, fixando-lhes a forma genuína. Entretanto, essa tarefa prática requer o julgamento das variantes, a qual depende intrinsecamente da compreensão dos padrões pelos quais os erros de transmissão, entendidos como desvios da vontade última do autor, se revelam. Em síntese, a tarefa prática do crítico textual e suas ponderações teóricas se prestam serviços mútuos: a prática induz à elaboração de generalizações que fomentam uma teoria geral sobre a transmissão dos textos, ao passo que tal teoria orienta as deduções em casos de dificuldades durante a prática (CAMBRAIA e LARANJEIRA, 2010: 7).

Nesse sentido, a pesquisa apresentada neste artigo tem por base dados empíricos oriundos do árduo processo de estabelecimento da forma genuína de um tratado ascético medieval em italiano, conhecido como Libro dell’Abate Isaac di Siria (doravante, LAIS), cuja análise quantitativa e qualitativa propiciou reflexões acerca da natureza dos erros e de seus padrões. Esse estudo foi espelhado em um trabalho produzido por Cambraia e Laranjeira em 2010 com base na tradição latina desse mesmo tratado. O objetivo desse espelhamento é justamente o de compor um quadro teórico fundamentado em corpus de mesmo caráter e extensão (teoricamente, apenas as línguas são diferentes) e analisado pelos mesmos critérios, ao promover reflexões acerca do universal x particular no processo de transmissão dos textos.

Para bem atingir o dito escopo, as informações encontram-se organizadas em quatro seções principais. Na primeira, há uma sucinta exposição sobre as diferentes tipologias de erros já preconizadas. A segunda seção contém informações sobre o LAIS e sua tradição, além de alguma notícia sobre o seu autor. A terceira seção traz a descrição do corpus tomado como referência nesta pesquisa. Na última seção, apresenta-se a descrição e análise dos dados com base na tipologia aristotélica quaternária.

1. Tipologias de erros

No curso da história da crítica textual, alguns pesquisadores se dedicaram especialmente ao estudo dos erros havidos no processo de transmissão dos textos com objetivo de classificá-los de acordo sua natureza. Em seu Manual de crítica textual, Blecua (1990: 19-30) menciona três tipologias de erros. A primeira fundamenta-se nas quatro categorias modificativas aristotélicas: por adição (lat. adiectio), por omissão (lat. detractatio), por alteração da ordem (lat. transmutatio) ou por substituição (lat. immutatio). A segunda classifica os erros como visuais, mnemônicos, psicológicos ou mecânicos. A terceira é uma revisão da segunda, proposta por Roncaglia (1975: 104), que os descreve como erros de leitura, de memorização, de ditado interior ou de execução manual. Como observou Cambraia (2005b: 78-79), esta última tipologia apresenta uma relação evidente com as etapas do processo de cópia, o qual, de acordo com Dain (1975: 41 apud CAMBRAIA, op. cit.), constitui-se de quatro operações fundamentais, a saber: leitura do modelo, retenção do texto, ditado interior e manejo da mão.

Também Blecua apresenta sua própria tipologia de erros no referido manual, a qual o autor exemplifica com testemunhos espanhóis do Libro de Buen Amor. Partindo da categorização aristotélica, Blecua propõe subcategorias que descrevem o erro (ex.: “alteração da ordem de fonemas”) ou esclarecem sua motivação (ex.: “substituição de uma palavra ou frase por outra da perícope imediata ou próxima”).

Visto que o propósito deste trabalho é oferecer subsídios para um futuro estudo comparativo dos erros observados tradição latino- românica da obra de Isaac, em consonância com Cambraia e Laranjeira (2010), o a análise retratada na quarta seção foi realizada com base nas quatro categorias modificativas aristotélicas.

2. Libro dell’Abate Isaac di Siria: autor e tradição

Libro dell’Abate Isaac di Siria (LAIS) é o título comumente atribuído à tradução italiana de um trecho da obra do monge conhecido como Isaac de Nínive ou Isaac, o Sírio. Membro da Igreja Siro-Oriental, o asceta nasceu em Bet Qatraye, no atual Qatar, no sétimo século da era cristã. De acordo com as duas fontes que relatam dados biográficos de Isaac1, este foi ordenado bispo de Nínive no mosteiro de Bet ’Abe (ao norte do atual Iraque) por Jorge, o Católico (possivelmente em 676 d.C., data indicada por Brock (1987: 242) e Miller (1984: LXVIII)). Cinco meses depois (ou quase isso), Isaac renunciou ao bispado e foi viver como anacoreta na montanha de Matut, na região de Bet Huzaye (atual província do Cuzistão, no Irã). Em seguida, mudou-se para o mosteiro de Rabban Shabur (também no atual Irã), onde aprofundou seus conhecimentos das Sagradas Escrituras e escreveu (ou ditou) seus textos. Possivelmente devido à intensa leitura, tornou-se cego. Morreu com idade avançada e foi sepultado no próprio mosteiro de Rabban Shabur. Com base em dados constantes dos textos de Isaac, Miller (1984: LXIII-LXIV) sugere que Isaac teria composto suas obras por volta de 688. Para Brock (1986: 8), Isaac de Nínive teria falecido em torno do ano 700.

Segundo Chialà (2002: 43), mesmo que escritos para monges, os textos de Isaac teriam sido lidos também por cristãos leigos. Entre as obras de cunho espiritual que circularam durante a Idade Média, a do monge catariano parece especialmente relevante considerando o grande número de traduções e cópias feitas em línguas pertencentes a diversas famílias durante esse período e nos séculos seguintes. Na família de línguas românicas, por exemplo, tal obra foi traduzida para o romance nascente italiano de base florentina possivelmente no século XIV e, para outras línguas desse grupo (francês, catalão, espanhol, português e romeno), nos séculos XV e XVI (cf. discussão em VILAÇA, 2012: XXII- XXVIII). Há ainda traduções da obra de Isaac (feitas em outro período) para as seguintes línguas: grego, latim, árabe, georgiano, sérvio, búlgaro, etíope/amárico, russo, alemão, inglês, holandês, japonês, malayalam e persa (cf. CHIALÀ, 2002: 325-369; VILAÇA, 2012: XXVIII-XXX).

A obra de Isaac de Nínive foi escrita originalmente em siríaco, língua semítica do ramo aramaico. Não há consenso acerca da dimensão, da organização e da identificação dos textos do asceta. Entretanto, em estudos mais recentes, CHIALÀ (2002: 66) considera que, em siríaco, são conhecidos (mesmo que parcialmente editados e traduzidos): três compilações de capítulos, dois fragmentos de uma quinta compilação, algumas orações e outros escritos de autoria duvidosa. De acordo com Cambraia (2009: 17), a Primeira Compilação compreende 82 capítulos; a Segunda Compilação é composta por 41 capítulos (dos quais o 16º e o 17º correspondem respectivamente ao 54º e ao 55º da Primeira Compilação2); a Terceira Compilação compõe-se de 17 capítulos (dos quais o 14º e o 15º correspondem respectivamente ao 22º e ao 40º da Primeira, e o 17º corresponde ao 25º da Segunda); a Quinta Compilação apresenta somente dois fragmentos próprios. Logo, conjuntamente, a obra de Isaac é representada por, no mínimo, 137 capítulos distintos. Das obras atribuídas ao bispo de Nínive, a Primeira Compilação, considerada como seguramente genuína (cf. BROCK, 1987: 43; 1999-2000: 476), foi a mais difundida pelo mundo.

Graças às intervenções de tradutores e copistas, que normalmente se baseavam em mais de um modelo e julgavam os textos (acrescentando, subtraindo, substituindo ou alterando a ordem de itens) com o intuito de “corrigir” o que consideravam erro ou “facilitar” a interpretação de certas passagens, o processo de transmissão da obra do anacoreta foi altamente intrincado3. De acordo com MILLER (1984: LXXVII), os textos de Isaac teriam sido transmitidos a partir do siríaco por meio de duas famílias: a oriental e a ocidental. O cód. Mardin 464, copiado em 1235 e proveniente de Mardin (uma região de Urmian, no atual Iraque), pertenceria o ramo oriental. Os códs. Sinai Syr. 24, Vat. Syr. 125 e Vat. Syr. 124 pertenceriam ao ramo ocidental5.

Cerca de um século após a morte de Isaac, entre o fim do século VIII e o início do século IX, parte de seus escritos (68 dos 82 capítulos da Primeira Compilação) teriam sido traduzidos para o grego por dois monges — Patrikios e Abramios — do mosteiro de Mar Sabbas, na Palestina, a partir de algum manuscrito do ramo siríaco ocidental (MILLER, 1984: XCIV-LXXXV). Entre os séculos X e XIII, uma parte do texto em grego (26 dos 68 capítulos) teria sido traduzida para o latim (CHIALÀ, 2002: 356). A partir latim, houve numerosas traduções para línguas românicas durante a Idade Média6.

A tradução do latim para o vulgar italiano, segundo o Monsenhor Borghini (citado por BUONAVENTURI, 1720: vi), teria sido feita na época de Dante ou em torno do período em que este viveu. O conteúdo da versão italiana do texto teria sido aumentado em um capítulo em relação à tradução latina. Trata-se do capítulo LI (p. 98-101 da edição crítica preparada por VILAÇA, 2012), que, na edição princeps italiana do LAIS (VENEZA, 1500), encontra-se desdobrado em dois capítulos, quais sejam: cap. LI – De gli esempli de la scriptura sacra: gli quali c’inducuno ad penitentia; cap. LII – Doctrina utile e generale per monachi et religiosi.

Dentre as tradições românicas da obra de Isaac, a italiana é a que possui o maior número de testemunhos (manuscritos e impressos) conhecidos, fato evidencia sua grande difusão na Itália. Os manuscritos italianos mais antigos de que se tem notícia são datáveis da primeira metade do séc. XIV. Entretanto, a origem da maioria deles é desconhecida; sabe-se apenas que pertenceram a mosteiros, igrejas, religiosos, nobres e eruditos antes de passarem a compor o acervo das bibliotecas onde se encontram atualmente.

A tradição direta do LAIS, amplamente investigada por Cynthia Vilaça (2004, 2006, 2007, 2008, 2012, 2014), encontra-se distribuída em 31 testemunhos: 25 manuscritos7 e 6 impressos. Na Tabela 1 a seguir, os testemunhos manuscritos são identificados e agrupados por século e pela cidade onde atualmente se encontram. A identificação obedece à seguinte sequência: nome da biblioteca, cota, datação (correspondente a mais específica entre as propostas discutidas em Vilaça (2012: XXXIX- LXVI); se inferida, essa informação aparece em entre colchetes). Na coluna da direita, reporta-se a sigla atribuída por Vilaça (2012: XI) aos testemunhos utilizados no longo processo de colação e no estema. Observe-se que os manuscritos desprovidos de sigla não foram incluídos na colação feita por Vilaça (2012) ou só foram encontrados após a conclusão de seu trabalho.

Table 1.

TABELA 1: Testemunhos manuscritos do Libro dell’Abate Isaac di Siria

SECOLO XIV SIGLA
F IRENZE :
1) Biblioteca Riccardiana di Firenze, Ricc. 1384, ff. 1r-21v [1326-1338] A
2) Biblioteca Riccardiana di Firenze, Ricc. 1489, ff. 10r-155v [1341-1360] B
3) Biblioteca Medicea Laurenziana, Acq. e doni 239 [primeira metade do séc. XIV] (não examinado) -
4) Biblioteca Nazionale Centrale di Firenze, Palat. 47, 1r-38r [séc. XIV] C
5) Biblioteca Riccardiana di Firenze, Ricc. 1713, ff. 1r-123r [séc. XIV] D
SECOLO XV
F IRENZE :
8) Biblioteca Riccardiana di Firenze, Ricc. 1345, ff. 1r-58r, ano 1406 G
9) Biblioteca Riccardiana di Firenze, Ricc. 2623, ff. 7v-201v, ano 1445 H
10) Biblioteca Riccardiana di Firenze, Ricc. 1352, ff. 3ra-46va [séc. XV] I
11) Biblioteca Riccardiana di Firenze, Ricc. 1495, ff. 1r-128v [início do séc. XV] J
12) Biblioteca Riccardiana di Firenze, Ricc. 1488, ff. 9v-14r [fragmento], [séc. XV] K
13) Biblioteca Riccardiana di Firenze, Ricc. 1460, ff. 39v-50v [paráfrase de fragmento], [séc. XV] -
14) Biblioteca Nazionale Centrale di Firenze, Palat. 99; ff. 18r-19r, 9v-10r, 65v-67v [fragmento], [fim do séc. XV] L
15) Biblioteca Nazionale Centrale di Firenze, Fondo Nazionale II, IX 135, ff. 12r-97v [séc. XV] M
16) Biblioteca Medicea Laurenziana, Plut. 27.15, ff. 29v-79v [segunda metade do séc. XV] N
S IENA :
18) Biblioteca Comunale degli Intronati, I.II.11, ff. 1r-155r, [primeira metade do séc. XV] (não examinado) -
O XFORD :
19) Bodleian Library, Canon. 271, ff. 136-167, ano 1464 (não examinado) -
20) Bodleian Library, Canon. 163, ff. 1-136, [séc. XV] (não examinado) -
VENEZIA:
21) Biblioteca Nazionale Marciana, It., I.43 (Collocazione: 5234), ff. 1r-226v [séc. XV] O
22) Biblioteca Nazionale Marciana, It., I.63 (Collocazione: 4898), ff. 1ra- 31va [séc. XV] Q
V ICENZA :
23) Biblioteca Civica Bertoliana, 215, ff. 1r-97v (= 144) [metade do séc. XV] R
P ADOVA :
24) Biblioteca Civica, A9, ff. 68r-74v [fragmento], [primeira metade ou primeiro vintênio do séc. XV] S
SECOLO XVI
FILADELFIA:
25) University of Pennsylvania Library, 241, ff. 99r-136r (= Ital. 2), ano 1590 (não examinado) -

Os seis impressos do LAIS foram publicados em: Veneza, 1500; Florença, 1720; Milão, 1839 (baseado na edição de 1720); Roma, 1845 (baseado em quatro testemunhos: um manuscrito de 1454, os impressos de 1500 e 1720, e o impresso latino de 1506); Milão/Nápolis, 1954 (apenas dois capítulos: um deles, transcrito do manuscrito senês Chigiano 2458; o outro, dos impressos de 1720 e 1845); Torino, 1957 (baseado no impresso de 1845). Em 1984, Gallo & Bettiolo publicaram uma tradução de parte do LAIS, feita a partir do texto siríaco8.

No prefácio do impresso de 1720, o editor Tommaso Buonaventuri (1720: viii) afirma que as lacunas e transposições de palavras presentes no manuscrito Ricc. 1345 da Biblioteca Riccardiana di Firenze (identificado com a sigla G) sugerem que este tenha tido origem em outra tradução para o vulgar italiano. Todavia, o processo de colação que conduziu ao estema elaborado por Vilaça (2012: CXXXI), cuja reprodução é aqui notada como Figura 1, revelou que a tradição italiana remonta a uma única e mesma tradução, da qual proviriam todos os testemunhos manuscritos supérstites consultados.

Figure 1.

FIGURA 1

Fonte: VILAÇA, 2012: CXXXI.

3. Corpus

A fim de que os resultados desta pesquisa possam colaborar com um futuro estudo comparativo sobre tipologia de erros a partir da tradição latino-românica da obra de Isaac de Nínive, o corpus analisado neste trabalho equivale ao trecho do texto em latim utilizado por Cambraia e Laranjeira (2010). O fragmento corresponde ao primeiro capítulo da obra na tradição original em siríaco, o qual aparece subdividido em até dez partes em alguns testemunhos latinos consultados pelos autores mencionados, e em sete partes nos testemunhos italianos selecionados para a edição crítica do LAIS (daqui em diante, EC), apresentada por Vilaça (2012) em sua tese de doutorado.

O excerto da EC analisado nesta pesquisa encontra-se disponível na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFMG (). Contudo, para que o leitor deste trabalho conheça minimamente os elementos que configuram a dita edição sem precisar recorrer ao arquivo da tese, nesta seção, se fará uma síntese dos critérios adotados pela pesquisadora para a escolha dos testemunhos utilizados no processo de estabelecimento do texto crítico e para a eleição do texto-base.

Considerando o estema apresentado na seção anterior, todos os testemunhos colacionados, com exceção de C (descrito em relação à B), são importantes para o processo de reconstrução do arquétipo (ω) da tradução italiana do texto de Isaac. No entanto, Vilaça não pôde trabalhar com todos eles, devido a impedimentos circunstancias, particularmente: tempo para a conclusão do doutorado e impossibilidade de acesso a todos os testemunhos durante o inteiro período de pesquisa. Sendo assim, foram selecionados apenas quatro testemunhos para a realização do mencionado processo: os manuscritos A, B e G, e a edição princeps (P), publicada em Veneza no ano 1500. A escolha do manuscrito A é justificada sobretudo pela sua antiguidade: de acordo com Gramigni (2004: 15), esse testemunho teria sido copiado entre 1326 e 1338, a mais pretérita das datações para os manuscritos citados na Tabela 1. O testemunho B, que também figura entre os mais antigos, foi selecionado pela sua importância como texto-base da tradição impressa do LAIS a partir de 1720. Já o manuscrito G foi eleito por ocupar a posição mais alta no estema. Finalmente, o impresso P foi escolhido por ser a edição princeps do LAIS e por sua antiguidade em relação às demais edições desse texto, tendo sido publicada em um período muito próximo ao da cópia de muitos dos testemunhos manuscritos (cf. Tabela 1).

Aeleiçãodotexto-base levou emcontacaracterísticasdostestemunhos A, B, G e P em relação a quatro critérios, quais sejam: (i) posição no estema, (ii) datação (antiguidade), (iii) qualidade do testemunho e (iv) integralidade do texto. Com relação ao primeiro critério, G mostrou-se em vantagem por ser o mais próximo do arquétipo. Quanto à datação, o exame das características codicológicas, paleográficas e linguísticas dos testemunhos A e B, os quais são desprovidos de datação explícita, revelou que A é o mais antigo dos quatro. Relativamente ao terceiro critério, o testemunho A é o mais indicado, por apresentar menos erros do que os demais e por ser o único em que não foram encontrados indícios de contaminação. O quarto critério acabou não influenciando a escolha do texto-base, pois apenas A não contém o texto integral, mas por ter tido fólios mutilados e não por erro de omissão. Portanto, a primazia de A em relação à antiguidade e à qualidade fez com Vilaça o elegesse como texto-base da EC.

Apesar de o texto crítico ter passado por regularização da grafia e das formas e funções dos sinais de pontuação conforme o sistema atual (baseado em critérios sintáticos), as normas de edição adotadas por Vilaça foram muito conservadoras. Do ponto de vista gráfico e fonológico, foram preferidas as variantes do melhor testemunho (o codex optimus, eleito como texto-base) para não incorrer em intervenções arbitrárias de modernização. A variante do texto-base foi escolhida em doze dos quinze padrões de relação verificados entre as variantes dos testemunhos A, B, G e P. Nas situações em que o texto de A mostrou- se ilegível ou em que o códice que o contém teve fólios mutilados (EC: 72.12-77.18)9, B foi eleito como texto-base, por ser mais antigo do que G e P e por ter apresentado maior semelhança em relação ao manuscrito A.

O aparato crítico, objeto primário da análise que será relatada a seguir, foi apresentado paralelamente ao texto, com transcrição da variante adotada no texto crítico, seguida pelas variantes não adotadas em transcrição paleográfica. Nessa subseção da EC, foram registradas as variantes morfológicas, sintáticas, lexicais e textuais, além dos diversos casos de ilegibilidade por desgaste do suporte ou da matéria aparente. Em contrapartida, não foram registrados(as): (a) as variantes de natureza gráfica ou fônica (incluídos os casos de elisão); (b) os caracteres riscados ou corrigidos pelos responsáveis pela reprodução dos testemunhos, exceto quando pertinentes para o julgamento de variantes; (c) as divergências decorrentes de desenvolvimento de abreviatura por sinal polissêmico; (d) os erros óbvios; (e) as aparentes omissões da forma verbal è (3ª pessoa do singular do presente do indicativo do verbo essere), quando precedida por vocábulo terminado em ou quando seguida por vocábulo iniciado em ; e (f) as diferenças entre as aparentes omissões do artigo definido masculino plural nas formas de’, ne’, co’, que’ (diante de substantivo masculino plural) e suas correspondentes degli/ delli, negli/nelli, cogli/coi/colli, quegli/quelli, respectivamente.

4. Descrição e análise dos dados

Os sete primeiros capítulos da edição crítica do LAIS compõem-se de 4.211 palavras, o que corresponde a cerca de 10% do texto integral. Nesse excerto, foram encontrados 449 lugares-críticos e 935 variantes. Nos lemas do aparato crítico em que havia mais de um tipo de divergência, cada uma delas foi considerada um lugar-crítico diferente. Assim, em (1) Meglio te d’essere > G: Molto te meglio essere /P: E miglior esser (EC: 7.20), por exemplo, computou-se a presença de cinco lugares-críticos: (i) adição do advérbio molto, (ii) omissão da preposição d’ e (iii) alteração de ordem das palavras (Meglio te > te meglio) em G; (iv) substituição de Meglio [...] d’ por E miglior e (v) omissão do pronome te em P. É importante salientar que, nesse conjunto de lugares-críticos, não foram contados os erros óbvios, as divergências relativas à ilegibilidade em um dos quatro testemunhos colacionados, nem as diferenças estritamente gráficas ou fônicas, uma vez que o principal propósito desta pesquisa é avaliar o impacto de cada tipo de erro sobre o sentido do texto.

Considerando-se as quatro categorias modificativas aristotélicas, Cambraia e Laranjeira (2010) constataram, em relação à tradição latina do texto de Isaac, que o tipo de erro menos frequente é a adição, seguida pela alteração de ordem, pela omissão e pela substituição, respectivamente. No caso da tradição italiana, representada pela edição crítica do LAIS (VILAÇA, 2012), verificou-se uma inversão entre os dois tipos de erros menos frequentes: das 486 variantes com erro, 26 (5,3%) correspondem à alteração de ordem, 62 (12,8%) à adição, 87 (17,9%) à omissão e 311 (64,0%) à substituição.

Embora a avaliação do impacto de cada tipo de erro sobre o sentido do texto seja uma tarefa bastante complicada e pouco objetiva, estima- se (em conformidade com CAMBRAIA e LARANJEIRA, 2010) que a alteração de ordem, erro menos frequente encontrado na tradição italiana do texto de Isaac, afete menos o sentido do texto em relação aos demais tipos de modificações. Sendo assim, é pertinente afirmar que os tipos de modificação endógena mais frequentes encontrados na transmissão do LAIS são os que mais interferem no sentido do texto.

Nas subseções seguintes, serão apresentados e analisados exemplos de lugares-críticos relativos aos quatro tipos de erro, com o objetivo de se identificarem padrões de modificação comuns no processo de transmissão do LAIS.

4.1 Alteração de ordem

No trecho tomado como referência, a alteração de ordem dos constituintes foi identificada em 23 lugares-críticos, os quais contêm 26 variantes com esse tipo de erro. De acordo com a natureza desses constituintes, Cambraia e Laranjeira (2010: 26-27) notaram dez padrões frequentes na tradição latina. Já na tradição italiana, há certa diversidade de combinações, nove das quais aparecem apenas uma vez, as catorze restantes (cerca de 60% do total de lugares-críticos com alteração de ordem) se distribuem nos três seguintes padrões também identificados na tradição latina:

i) nome + adjunto adnominal > adjunto adnominal + nome (8 ocorrências), ex.: (2) cuor suo > G: suo quore (EC: 2.25);

ii) adjunto adnominal + nome > nome + adjunto adnominal (4 ocorrências), ex.: (3) nudo grano > P: grano nudo (EC: 1.13);

iii) adjunto adverbial + verbo > verbo + adjunto adverbial (2 ocorrências), ex.: (4) alquanto andrà > P: andara alquanto (EC: 10.22).

Esse tipo de erro foi encontrado nos testemunhos B, G e P praticamente em mesma quantidade: 9 ocorrências em B e em G, 8 em

P. Isso pode significar que, nos testemunhos colacionados para a edição crítica do LAIS, os erros por alteração de ordem não estão relacionados às condições de reprodução de cada um deles, isto é, ao(s) modelo(s) utilizado(s), a dificuldades específicas dos copistas ou do editor (no caso de P), etc.

Cambraia e Laranjeira (2010: 28) comentam casos de coordenação em que a alteração de ordem pode ser derivada do processo de ditado interior (a última palavra lida é a primeira a ser escrita). No trecho da edição crítica do LAIS analisado, apenas este lugar-crítico se enquadraria nessa explicação: (5) Et kiunque udrà o vedrà > B: Et chiumque uedra oudira (EC: 2.22).

Na maioria dos lugares-críticos analisados, a alteração de ordem causa apenas efeitos conotativos. Há, entretanto, três casos abrem espaço para ambiguidades ou mudança de sentido. Ei-los:

(6) [...] acciò ke tu non sia abandonato in tutto il tuo corso. (EC: 3.14-15).

B: adcio chetunonsii in tuttoltuo corso abandonato

(7) Molti hanno operate virtudi et rilevati li morti, et poi essi k’hanno vivificati gli altri sono caduti [...] (EC: 4.14-15).

G: Moltj anno adoperatj vertudj et rileuatj glimortj/et poj chessi anno uiuificatj altruj sono chaduti

(8) [...] la mente puote ricevere comprendimento, il quale dalla consideratione ha ad essere intellecto. (EC: 7.19-20).

P: la mente puo riceuere comprendimento: il quale dalla consideratione del intellecto ha ad essere.

Em (6), a alteração de ordem permite duas interpretações distintas: a de que o adjetivo abandonato se refira ao pronome tu (“a fim de que que tu não sejas/estejas abandonado em todo o teu caminho”) e a de que esteja ligado ao substantivo corso (“a fim de que tu não estejas em todo o teu caminho abandonado”).

No exemplo (7), a mudança na ordem do che (k’/ch’) altera o sentido do texto: no texto crítico, trata-se de um pronome relativo que reforça a identidade entre o pronome pessoal essi e o sujeito representado pelo pronome indefinido molti (“muitos agiram virtuosamente e ergueram os mortos, e em seguida esses que vivificaram os outros caíram [...]”); em G, o che compõe a conjunção causal poiché (“uma vez que”) ou a conjunção temporal poi che (“depois que”) (“muitos agiram virtuosamente e ergueram os mortos, e uma vez que/depois que esses vivificaram os outros caíram [...]”).

Finalmente, no caso (8), a inversão a ordem gera a necessidade da adição da preposição del, a qual introduz intellecto como complemento de consideratione (“a mente pode receber a compreensão, a qual pela deferência do intelecto deve ser”); ao passo que, no texto crítico, intellecto se liga a comprendimento (“a mente pode receber a compreensão, a qual pela deferência deve ser entendida”).

4.2 Adição

Encontraram-se, no excerto do LAIS analisado, 57 lugares-críticos contendo 62 variantes com adição. Conforme se verá nesta seção, os erros de adição quase sempre parecem ser de natureza voluntária, isto é, o responsável pela reprodução do texto acrescenta elementos ao modelo com algum objetivo.

Assim como notaram Cambraia e Laranjeira (2010: 21-22) em relação à tradição latina da obra de Isaac, em sua maioria, as formas adicionadas correspondem a palavras que promovem um aumento no grau de coesão textual. No caso do LAIS, as preposições são as mais frequentes (13 ocorrências): as formas in e di e suas variantes acompanhadas por artigo determinado aparecem cinco vezes cada; ad foi encontrada duas vezes; e per, apenas uma. As conjunções e os pronomes também são muito frequentes (10 ocorrências de cada grupo): quanto às conjunções, há oito ocorrências de e/et (a mais repetidamente adicionada no quadro geral), uma de ma e outra de anche; com relação aos pronomes, che aparece duas vezes, sua, t’, tu, quale, egli, ne, se e altra uma vez cada. Ainda entre os mais adicionados, estão os artigos (8 ocorrências): foram encontradas seis adições de artigos definidos e duas de indefinidos. Essas quatro categorias (preposições, conjunções, pronomes e artigos) juntas correspondem a 66,1% (41/62) das adições.

Dos 19 demais casos de adição, três parecem ter o objetivo de desfazer possíveis ambiguidades ou, simplesmente, aumentar a inteligibilidade do texto. Em (9) [...] imperò ke∙lla beneditione partorisce beneditione e∙lla maladitione, maladitione (EC: 5.1-2), B e G inserem a forma verbal elíptica partorisce entre as duas ocorrências do substantivo maladitione. O mesmo acontece em (10) [...] acciò ke coloro ke vogliono vedere le cose sottili né ancora non possono per l’aspreçça della via [...] (EC: 6.30-31), caso em que G acrescenta o verbo vedere, subentendido no texto da EC, após a forma modal possono. Já em (11) [...] et temi la corructione della favella dell’anima, la quale per força ha usato di muoversi (EC: 7.17-18), P parece adicionar o sintagma nela mente depois da forma verbal muoversi no intuito de completar uma lacuna; não se descarta, porém, a possibilidade de esse sintagma estar presente em um testemunho latino consultado pelo editor.

Ainda entre os casos de adição não categorizados como preposições, conjunções, pronomes ou artigos, merecem destaque dois lugares- críticos em que os copistas, supostamente, teriam tido a intenção de veicular lições divergentes entre testemunhos que consultaram durante o processo cópia, visto que não se trata de palavras incomuns que precisassem ser acompanhadas por um sinônimo. As palavras adicionadas e as formas genuínas encontram-se contíguas e, curiosamente, nos dois casos, a forma genuína aparece como segundo item. Em (12) Il fuoco non s’accende nelle legne humide [...] (EC: 7.33), G acrescenta o adjetivo uerde antes de humide; em (13) [...] la dolceçça delle cose celestiali. (EC: 8.4), B adiciona o adjetivo spirituali antes de celestiali. Há um terceiro caso de adição de adjetivo digno de nota, neste, entretanto, a forma acrescentada e a genuína encontram-se separadas pela conjunção aditiva et: (14) et diventano alterate le cogitationi sue [...] (EC: 10.1) figura em B como et diuentano alienatj et alterate lecogitationi sue. Nesse caso, a semelhança formal entre alienatj e alterate sugere que o copista tenha apresentado leituras alternativas por causa da dificuldade de decifrar a forma escrita no modelo. Cambraia e Laranjeira (2010: 24) apresentam alguns exemplos dessa natureza relativamente à tradição latina do texto de Isaac.

Erros de adição foram encontrados nos quatro testemunhos em quantidades díspares: há 3 ocorrências em A (4,9%); 12 em P (19,4%); 17 em G (27,4%); 26 em B (41,9%); e 4 compartilhadas por B e G (6,4%). Esse resultado pode ser mais um argumento a corroborar a hipótese aventada por Vilaça (2012: CXXXI) de que B, G e P sejam contaminados por testemunhos da tradição latina. Além disso, vale comentar que as adições encontradas em A são de elementos coesivos (uma conjunção e duas preposições) e não alteram significativamente o sentido do texto, fato que ajuda a justificar a sua eleição como texto-base da edição crítica do LAIS.

4.3 Omissão

No fragmento da EC do LAIS considerado, foram encontrados 84 lugares-críticos em que há 87 variantes com omissão de constituintes. Em consonância com o resultado da análise dos erros da tradição latina feita por Cambraia e Laranjeira (2010), as formas mais omitidas correspondem às mais adicionadas. Na tradição italiana, elas pertencem às quatro seguintes categorias: pronomes (21 ocorrências), conjunções (15 ocorrências), preposições e artigos (9 ocorrências cada grupo). Essas quatro categorias juntas representam 62,8% (54/86) das omissões.

Os pronomes mais omitidos são o si/s’ (6 ocorrências), separado ou aglutinado a formas verbais, o tu (3 ocorrências) e o te (2 ocorrências); os demais (egli, questi, ti, ne, vi, tua, lo, suo, elli, sua) aparecem apenas uma vez cada. A conjunção mais frequentemente omitida é e/et (11 ocorrências), seguida por ke (2 ocorrências), ma e pur (1 ocorrência cada). A preposição di/d’ é a mais omitida (5 ocorrências), sucedida por in (2 ocorrências), co’ e a (1 ocorrência cada). Quanto aos artigos, as nove ocorrências encontradas correspondem a formas masculinas e femininas dos definidos (l’, la, i, li). Como se pode observar, as formas listadas são graficamente reduzidas. De acordo com Blecua (1990: 22) é muito comum que palavras com essa característica sejam omitidas no processo de reprodução do texto. Eis outras formas com reduzida expressão gráfica que foram omitidas no corpus: è (4 ocorrências), (2 ocorrências), oh (2 ocorrências).

São especialmente dignos de nota os casos de salto-bordão identificados no excerto analisado. Esse tipo de erro, motivado pela presença de uma mesma palavra ou sequência em trechos próximos no testemunho que serve de modelo, aparece três vezes no testemunho G e duas vezes no B. Em (15) acciò ke tu gusti nell’anima tua sapore dilectoso per la dolce consideratione, la quale soperchia tutti gli sensi, et sentalo l’anima tua, perseverando in esso. (EC: 6.1-2), G omite a sequência sapore...tua em função das duas ocorrências próximas de anima tua no modelo. O mesmo acontece em (16) [...] versare lagrime come fiume, sì che molte volte per l’abondantia delle lagrime si lavino le guance tue [...] (EC: 6.12-13), caso em que G omite a sequência come fiume...lagrime provavelmente por causa da repetição da palavra lagrime nesse trecho. Já em (17) [...] traesse al timore di Dio tutti gl’uomini, et k’eglino venissero alle cose spirituali per le temporali. Et imperciò tutti gl’uomini fa’ iguali [...] (EC: 8.16-18), a omissão do trecho et k’eglino...uomini se deveria à proximidade entre as duas ocorrências da sequência tutti gl’uomini. Em (18) Or ti exercita in queste cose et beato se’, oh huomo, se die et nocte studierai in queste cose ke∙tti sono decte [...] (EC: 9.25- 26), é em B que se acha o salto do trecho et beato...cose, o qual teria sido motivado pela dupla ocorrência de queste cose nessa perícope. Situação semelhante aparecem em (19) [...] quando elli dicea: “La nostra conversatione è in cielo.” Et anke quando esso dicea: “Vivo io [...] (EC: 10.17), caso em que B omite a sequência “La nostra...dicea”, possivelmente graças à repetição da forma verbal dicea nessa passagem. Vale salientar, ademais, que omissões também podem ser propiciadas pela similaridade gráfica entre sílabas contíguas ou próximas, o que pode ser exemplificado por (20) [...] quando li sensi sono tracti dalla mente incontanente (EC: 3.23), situação em que G teria omitido a palavra incontanente por causa da semelhança gráfica entre as duas últimas sílabas dessa palavra e as da palavra mente que a precede.

Ao contrário do que se viu em relação aos casos de adição, os de omissão seriam fruto de processos involuntários havidos durante o processo de reprodução do texto. Talvez por esse motivo, eles estejam presentes nos quatro testemunhos colacionados — A (5 ocorrências), B (21 ocorrências), G (45 ocorrências) e P (9 ocorrências) — e por vezes ocorrem de forma coincidente em dois deles — BG (3 ocorrências), BP e GP (duas ocorrências cada). Embora as omissões aqui descritas não pareçam ter sido intencionais, o grande número de ocorrências em B e G seria um argumento para justificar o distanciamento desses testemunhos do arquétipo do LAIS.

4.4 Substituição

Assim como na tradição do texto de Isaac de Nínive em latim, os erros por substituição são os mais frequentes no trecho do LAIS que serviu de corpus para esta pesquisa: trata-se de 285 lugares-críticos contendo 311 variantes com substituição. Esse tipo de erro apresenta padrões bastante diversificados, cuja complexidade merece ser discutida à parte, em outro trabalho. Entretanto, para se ter uma ideia da situação verificada, a maioria dos erros encontrados foram distribuídos em três categorias principais, a saber: (i) substituição em nível morfológico, (ii) substituição por sinônimo e (iii) substituição por item formalmente semelhante. Reunidas, essas categorias representam 84,2% (262/311) dos erros por substituição.

Dessas três categorias, a substituição em nível morfológico é a que possui maior número de variantes (116/311 ocorrências – 37,3%). Foram enquadrados nessa categoria os casos de substituição que envolviam: presença ou ausência de artigo ou preposição em uma variante (ex.: in > B: nel, ai > G: a, la > B: all, al > G: Jl /P: ad); formas historicamente relacionadas (ex.: presente subjuntivo singular do verbo essere: sie > B: sii /G: sia – cf. VILAÇA, 2012, p. CLII); flexão — de gênero (ex.: animo tuo > B: anima tua), de número (ex.: saranno > B: sara, le sollecitudini > B: la sollicitudine), de modo (ex.: muove [indicativo] > B: muova [subjuntivo]), de tempo (ex.: ha aquistata [“passado próximo”] > A: acquista [presente]) e de pessoa (ex.: aveano [3ª p. pl. imperfeito indicativo] > BG: auemo [1ª p. pl. presente indicativo]) —; derivação (ex.: saviamente [advérbio] > B: sauio [adjetivo], somitade [substantivo] > B: sommo [adjetivo] etc.

Como observaram Cambraia e Laranjeira (2010: 32), alguns casos dessa categoria, como o da presença ou ausência de artigo ou preposição em uma variante, podem se sobrepor a ocorrências de adição ou de omissão, uma vez que a substituição de um morfema-zero por um morfema com realização formal parece uma adição e o contrário, uma omissão. Em (21) in oratione > B: neloratione (EC: 9.29), há adição do artigo feminino singular l’, o qual aparece aglutinado à preposição in. Algo semelhante acontece em (22) sarai salito la via > B: sarai salito allavia (EC: 2.7), onde o copista de B adiciona a preposição a ao artigo feminino singular la. Por analogia, pode-se dizer que, em (23) ai poveri > GP: a poveri (EC: 2.10), G e P omitiram o artigo masculino plural i, e em (24) traesse al timore > G: traesse iltimore /P: trahesse ad timor (EC: 8.16), houve omissão da preposição a em G e do artigo il em P.

A substituição por sinonímia foi a segunda mais frequente no excerto tomado como referência (75/311 ocorrências – 24,1%). Erros dessa categoria são indiscutivelmente voluntários, pois presumem que o responsável pela reprodução do texto tenha entendido a lição presente no modelo. A substituição por sinônimo é bastante complexa e o corpus aqui adotado oferece dados interessantes que serão explorados em uma próxima pesquisa. Por ora, é possível distinguir dois padrões gerais dentro dessa categoria, quais sejam: (i) casos em que houve manutenção do número de itens originais (68 ocorrências) e (ii) casos de mudança no número de itens originais (7 ocorrências).

Na grande maioria das situações em que o número de itens é mantido, observa-se que não houve alteração da classe, como em (25) [conjunção] imperciò > G: percio/P: Jmperho (EC: 1.7) e (26) [substantivo] mammille > B: poppe (EC: 1.10). Somente em três casos a classe é alterada: (27) [verbo substantivado > substantivo] allo legare > G: allo leghame (EC: 1.7); (28) [adjetivo > verbo] tranquilla > G: tranquillare (EC: 8.7), (29) [substantivo > verbo] guadagno > G: ghuadangniare (EC: 9.16). Além disso, os casos envolvendo números foram classificados como substituição por sinonímia com mudança de representação, como em (30) IV > B: 4/G: IIIIº/P: IIII (EC: 4.26).

Quando houve alteração no número de itens originais, notaram-se dois padrões, cada qual representado por três ocorrências: (i) item único > dois itens, como em (31) ki > P: Collui che (EC: 1.22); (ii) dois itens > item único, como em (32) gli altri > G: altrui (EC: 4.14). No caso que foge a esses padrões, há substituição de três itens por dois: (33) pur de’ doni > G: per guidardonj (EC: 2.22).

O terceiro lugar na ordem das categorias de substituição é referente a itens formalmente semelhantes (71/311 ocorrências – 22,8%). Esse é um tipo de substituição de natureza involuntária, resultado da dificuldade do responsável pela reprodução do texto em relação à leitura do modelo. Por se relacionar diretamente às circunstâncias de reprodução (habilidade de leitura do copista/editor/tipógrafo, características paleográficas e grau de conservação modelo), a distribuição de erros dessa natureza é bastante díspar entre os testemunhos colacionados: há 37 (52,1%) ocorrências exclusivas em G, cuja distância em relação ao arquétipo (pela quantidade e qualidade dos erros, não pelo estema) já foi apontada; 12 (16,9%) em P; 9 (12,7%) em A; e 7 em B (9,8%). O esperado seria encontrar A na última posição, isto é, com menor número de erros, e é isso que se verifica ao se considerar as ocorrências compartilhadas: BG (1 ocorrência), BP (3 ocorrências) e GP (2 ocorrências). Vale salientar, entretanto, que, nesta categoria de substituição, as lições presentes em mais de um testemunho apresentam diferenças gráficas e/ou fônicas entre si e não foram consideradas significativas para o estabelecimento de relações genealógicas entre esses testemunhos.

Grande parte das substituições por itens formalmente semelhantes relaciona-se a preposições (20/71 – 28,16%) ou pronomes (9/71 – 12,7%). Eis alguns exemplos: del > P: dal, di > B: da, dalla > G: della, quella > G: questa, essa > B: ella, tua > A: tu, ti > G: ci etc. Os demais casos podem ser divididos em dois grupos principais: (i) formas que o contexto revela serem erros, como nos exemplos (34) e (35), e (ii) formas permitidas pelo contexto, caso dos exemplos (36) e (37) a seguir.

(34) Il fuoco non s’accende nelle legne humide, né ’l calore divino non arde nel cuore di colui ke ama riposo et otiositade. (EC: 7.33-8.1) [“O fogo não se acende nas lenhas úmidas, nem o calor divino arde no coração daquele que ama descanso e ociosidade.”].

G: Jlfuoco nonsi acende nelle lengnie uerdeumide / Nelcolore diuino nonarde nelquore dicoluj cheama riposo etotiositade [“...cor...”].

(35) Abbie in odio il troppo favellare, acciò ke tu conservi le tue cogitationi sança turbamento. (EC: 3.7-8) [“Odeia o falar demasiado, a fim de que tu conserves os teus pensamentos sem perturbação.”].

G: Abbj innodio iltroppo fauellare accio chetu non seruj letue cogitationj sança turbamento [“...não serve...”].

(36) Ama la povertade con patientia, acciò ke l’animo tuo s’unisca et cessisi dallo spargimento. (EC: 3.6-7) [“Ama a pobreza com paciência, a fim de que o teu propósito se unifique e se abstenha da dispersão”].

P: Ama la pouertade con patientia: accio chelanimo tuo finisca et cessisi dalo spargimento. [“...consuma/complete/ conclua...”].

(37) [...] e più ke convertire molta gente al cognoscimento superno et all’onore di Dio. (EC: 4.6-7) [“...e mais do que converter muitas pessoas ao conhecimento superior e à honra de Deus.”].

A: [...] e piu ke conuertire molta gente al cognoscimento superno et allamore didio [“...amor...”].

Observe-se que, em todos esses casos, o sentido do texto é corrompido. Em (34), a substituição de a por o em calore gera uma palavra que, embora exista em italiano, não cabe no contexto. O mesmo acontece em (35), onde o copista de G substitui c por n em conservi. Contrariamente, a substituição de s (que deveria ser do tipo longo no modelo) por f, fato comum em textos medievais (cf. SILVA NETO, 1956: 28), em s’unisca promove o registro de uma palavra que se encaixa no contexto apresentado em (36). Da mesma forma, no exemplo (37), a troca de am por on na palavra onore produz uma palavra que se enquadra no contexto.

Os erros por substituição não incluídos nas três categorias identificadas (em nível morfológico, por sinônimo e por item formalmente semelhante) equivalem a 15,8% (49/311) das variantes. Muitos deles correspondem à troca de preposição: delle > G: nelle, al > B: in, per > BP: com, etc. Outros dizem respeito a substituição lexical não sinonímica, como: ordine > G: dono, ami > P: ha, etc. Alguns incluem uma reestruturação sintática, por exemplo: t’è uopo d’avere > P: conuienti havere, Meglio te d’essere > P: E miglior esser. Além desses, há um caso do que Blecua (1990, p. 26-27) identifica como “substituição de uma palavra ou frase por outra da perícope imediata ou próxima”: em (38) [...] le quali cose sopravengono al’anima ond’ella ne diventa obscurata. (EC: 9.6), B substitui o pronome ella por lanima, item registrado pouco antes do referido pronome.

Em suma, os erros por substituição podem ser resultantes de processos involuntários (casos de substituição por itens formalmente semelhantes) ou voluntários (situações de substituição por sinônimo ou de natureza morfológica). Este é um dos motivos pelos quais foram identificados tanto erros conjuntivos quanto separativos no trecho analisado. O testemunho com maior número de erros por substituição no geral é G: são 112 separativos e 14 conjuntivos (6 compartilhados com B; 6 exclusivamente com P; 1 com A e P; e 1 com G e P). Em segundo lugar, está o testemunho B, com 95 erros separativos e 18 conjuntivos (6 compartilhados apenas com G; 10 unicamente com P; 1 com A e P; e 1 com G e P). O testemunho P ocupa o terceiro lugar, apresentando 61 erros separativos e 21 conjuntivos (2 compartilhados somente com A; 10 apenas com B; 6 exclusivamente com G; 1 com A e B; 1 com A e G; e 1 com B e G). Como previsto, o testemunho A, tomado como texto-base da EC, contém o menor número de erros: há 16 separativos e 4 conjuntivos (2 partilhados apenas com P; 1 com B e P; e 1 com G e P).

Observe-se que, considerando G, B e P, o número de erros separativos é inversamente proporcional ao de conjuntivos. Esses dados tornam possível a seguinte interpretação: G é o testemunho que mais se distancia do arquétipo por um número volumoso de inovações exclusivas; entretanto, P também parece ser um testemunho que se afasta consideravelmente do arquétipo, graças ao grande número de erros conjuntivos, prováveis frutos de contaminação com testemunhos latinos diversos (alguns deles, consultados também pelos copistas de B e G). Além disso, é interessante notar que os erros separativos por substituição presentes em A são de natureza morfológica (7 ocorrências) ou provenientes de leituras equivocadas do modelo (substituição por item formalmente semelhante – 9 ocorrências); ao passo que os conjuntivos são todos referentes ao nível morfológico. A partir desses dados, seria possível afirmar que: (i) o testemunho A contém um texto cujo sentido menos se desvia do apresentado no arquétipo da tradução italiana da obra de Isaac, visto que substituições no nível morfológico não interferem na raiz das palavras; (ii) o copista de A parece ter respeitado consideravelmente o modelo e, na maioria das vezes em que deste se afasta, é por dificuldade de decodificar palavras ou caracteres neste presentes.

Conclusões

A classificação dos erros anotados no aparato dos sete primeiros capítulos da edição crítica do LAIS conduziu a um resultado semelhante ao observado por Cambraia e Laranjeira (2010) em relação à tradição latina do texto de Isaac de Nínive. Tomando como referência as quatro categorias modificativas aristotélicas, os autores identificaram a adição como o tipo de erro menos frequente (13,3%), seguida pela alteração de ordem (13,6%), pela omissão (19,6%) e pela substituição (53,5%). Em contrapartida, na tradição italiana, notou-se uma inversão entre os dois tipos de erros menos frequentes: das 486 variantes com erro, 26 (5,3%) correspondem à alteração de ordem, 62 (12,8%) à adição, 87 (17,9%) à omissão e 311 (64,0%) à substituição. Supõe-se que o maior número de ocorrências de erros por alteração de ordem dos constituintes na tradição latina se deva à liberdade de colocação própria do latim, língua em que as funções sintáticas são morfologicamente marcadas. Ainda assim, é preciso ressaltar que a diferença de frequência de erros por alteração de ordem e por adição é pouco significativa na tradição latina (apenas 0,3%).

Este estudo também permitiu constatar que há maior diversidade de padrões de alteração de ordem na tradição latina do que na italiana. De acordo com a natureza dos constituintes, Cambraia e Laranjeira (2010: 26- 27) identificaram dez padrões, ao passo que, na análise dos erros desse tipo presentes na tradição italiana, apenas três padrões (também presentes na tradição latina) foram considerados especialmente frequentes: (i) nome + adjunto adnominal > adjunto adnominal + nome; (ii) adjunto adnominal + nome > nome + adjunto adnominal; e (iii) adjunto adverbial + verbo > verbo + adjunto adverbial. Frutos de processos involuntários, os erros por alteração de ordem foram encontrados em todos os testemunhos italianos utilizados no estabelecimento da EC do LAIS, exceto no texto- base, em quantidade semelhante. Esse dado pode indicar que tal tipo de erro não está relacionado às condições de reprodução dos testemunhos. Ademais, a ausência de alteração de ordem em A revela apenas a decisão de Vilaça de adotar a variante do texto-base em lugares-críticos com esse tipo de erro, o qual pouco interferia no sentido do texto.

Com relação aos erros por adição e por omissão, observou-se um resultado idêntico ao revelado por Cambraia e Laranjeira (2010: 21-22): as formas mais adicionadas correspondem às mais omitidas. Em sua maioria, tais formas equivalem a palavras que promovem um aumento no grau de coesão textual. No caso do LAIS, os itens mais adicionados foram as preposições, as conjunções, os pronomes e artigos. Outra coincidência intrigante foi a das adições que parecem ter sido motivadas pelo interesse em veicular lições divergentes entre testemunhos consultados durante o processo de reprodução do texto: em ambas as pesquisas (esta e a de CAMBRAIA e LARANJEIRA, 2010), as palavras adicionadas e as formas genuínas encontram-se contíguas e a forma genuína aparece como segundo item.

Os erros de adição, quase sempre de natureza voluntária, foram localizados nos quatro testemunhos italianos (A, B, G e P) em quantidades diferentes: há apenas três ocorrências em A (correspondentes a elementos coesivos que não alteram substancialmente o sentido do texto), as demais 59 se referem a B, G e P. Esse resultado corrobora o pressuposto de contaminação nos três últimos testemunhos (cf. Figura 1).

Contrariamente ao observado em relação aos casos de adição, os de omissão seriam fruto de processos involuntários. Esse tipo de erro foi identificado nos quatro testemunhos colacionados na EC e certas vezes aparecem em dois deles, o que não implica (no caso da tradição do LAIS) em relação genealógica. Entretanto, apesar de aparentemente não intencionais, o grande número de omissões em B e em G reforçam o distanciamento destes da primeira tradução do texto de Isaac para o vulgar italiano.

Os erros por substituição na tradição do LAIS são os mais frequentes, assim como na tradição latina desse texto, e possuem os padrões mais complexos, os quais serão detalhados em outra pesquisa. Por ora, percebeu-se haver três categorias principais: (i) substituição em nível morfológico, a mais frequente (37,3% das variantes); (ii) substituição por sinônimo (24,1%); e (iii) substituição por item formalmente semelhante (22,8%). As duas primeiras categorias compõem-se de erros decorrentes de ações voluntárias, a terceira, de processos involuntários. Possivelmente por isso, foram encontrados tanto erros conjuntivos quanto separativos no trecho da EC analisado. O testemunho que apresenta o maior número de erros por substituição é G, seguido por B, P e A. Dado o inegável impacto que as substituições têm sobre o sentido do texto, pode-se afirmar que o testemunho G é o pior dos quatro testemunhos, embora tenha relação direta com o arquétipo no estema representado na Figura 1. Ademais, vale salientar que os erros por substituição presentes em A são de natureza morfológica (que pouco alteram o sentido do texto) ou provenientes de leituras equivocadas do modelo (substituição por item formalmente semelhante). Esse dado ratifica a sua escolha como texto- base da EC.

Posteriormente, os dados aqui apresentados deverão ser comparados com resultados de análises de outras tradições românicas do texto de Isaac. Quando isso acontecer, será possível distinguir padrões universais de transmissão dos particulares de cada língua românica, como se verificou relativamente aos erros por alteração de ordem, mais frequentes na tradição latina do que na italiana. Por fim, espera-se que as reflexões expostas neste trabalho contribuam para a compreensão dos padrões pelos quais os erros na transmissão dos textos se manifestam.

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_____. Estudo de variantes textuais em versões italianas do “Livro de Isaac”. Anais da VI Semana de Eventos da Faculdade de Letras. Belo Horizonte: FALE/UFMG, 2007. p.1-12. (CD-ROM).

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BUONAVENTURI, T. (Ed.). Collazione dell’Abate Isaac, e Lettere del Beato Don Giovanni dalle Celle, Monaco Vallombrosano, e d’Altri. Firenze: Gaetano Tartini e Santi Franchi, 1720.

DE LUCA, Don Giuseppe (Ed.). Prosatori minori del Trecento. v. 12, tomo 1. Milano, Napoli: Riccardo Ricciardi Editore, 1954. p. 587-591.

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SILVESTRINI, G. (Ed.). Del Dispregio del Mondo: Collazione dell’Abate Isaac e Lettere del Beato Gio. dalle Celle e di altri. Milano, 1839.

SORIO, B. (Ed.). Collazione dell’Abate Isaac Recata alla Sua Vera Lezione con l’Aiuto e l’Autorità del Testo Latino Stampato a Venezia nel MDVI, col ms. Zanotti del MCCCCLIV e la Stampa di Venezia del MD e in Questa Biblioteca Messa a Stampa per Cura del P. Bartolomeo Sorio. Roma: Tipografia dei classici sacri, 1845.

Recebido em 10/10/2016 e aceito em 06/12/2016