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  • Os efeitos de sentido na relação multiespécies: uma análise do discurso jornalístico sobre “ataque de tubarão”

    Ricardo Melo,
    Evandra Grigoletto

    Resumo

    Este trabalho analisa o discurso jornalístico sobre o animal-tubarão, a partir da reportagem Praia do Medo (2014), publicada na revista National Geographic Brasil. Partindo da Análise de Discurso materialista (AD), com base em Michel Pêcheux (2014; 2019), e da teoria marxista do jornalismo (Genro Filho, 2012), situamos o funcionamento ideológico e o discurso como noções centrais para compreender a relação humano-animal. Mobilizamos, também, os Estudos Animais e os Estudos Multiespécies, os quais fornecem perspectivas que descentralizam a figura humana, a fim de olhar para a alteridade não humana. A partir desse quadro, formulamos a seguinte questão que norteia nossas análises: como o animal-tubarão é designado e agenciado pelo discurso jornalístico? As análises apontaram que o animal-tubarão é designado ora como um ser "monstrificado" a partir dos léxicos "perigo" e "ferozes predadores", via aderência e incorporação ao discurso do senso comum, ora como espécie pelos termos tubarão-tigre e tubarão-cabeça-chata, via incorporação da taxionomia do discurso científico. Em relação ao agenciamento, observamos que o discurso jornalístico atribui os seguintes verbos: atacar, morder, investigar e investir, ações atreladas ao modo de relação entre o animal, o humano e o ambiente; ao passo que atribui-se o verbo confundir-se como fator de explicação para os "ataques”. A partir, então, desses modos de funcionamento da designação e do agenciamento, concluímos que, sob o lugar discursivo de jornalista, o discurso jornalístico sobre os "ataques de tubarão" adere e incorpora tanto os saberes científicos quanto o senso comum, porém apresenta pontos de contra-identificação com o segundo a partir do primeiro, revelando, assim: 1) uma sobreposição designativa; e 2) uma primazia do discurso científico no agenciamento animal.

    Referências

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