Semântica da enunciação, metassemântica e aquisição da escrita
Resumo
O presente artigo tem por objetivo apresentar a relação entre a leitura do autor acerca da teoria da linguagem benvenistiana e análises que faz no âmbito de uma perspectiva semiológico-enunciativa da aquisição da escrita. Para tanto, inicialmente, delineia-se uma leitura retrospectiva de duas frentes de investigação da significância nomeadas por Émile Benveniste de “semântica da enunciação” e de “metassemântica”. Em seguida, propõe-se uma leitura prospectiva dessas duas frentes com vistas à análise de fatos de escrita infantil. Na sequência, procede-se a uma demonstração empírica da proposta parcialmente desenhada na seção anterior. Os resultados permitem caracterizar metodologicamente a referida proposta de entendimento do vir a ser escrevente em termos de perspectiva teórica, objeto de estudo, abordagem metodológica e unidade de análise. Trata-se de uma perspectiva metassemântica, cujo objeto de estudo é a instauração, na língua, da criança enquanto escrevente e leitora e a instauração, na criança, da língua enquanto sistema de signos e discurso escrito que remodela semiologicamente esse sistema; e cuja abordagem metodológica é uma análise translinguística de recortes enunciativos enquanto formas complexas do discurso desdobradas em dois planos, um plano ligado ao processo de enunciação escrita (que inclui o diálogo criança-outro) e outro plano ligado ao enunciado escrito produto desse processo. Tal análise parte do quadro formal de realização da enunciação no discurso (ato, situação, instrumentos), mas vai além, visando à produção de um saber sobre o homem, mais especificamente uma nova explicação para a sua constituição como homo loquens scriptor.
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