Do manuscrito colonial ao arquivo digital filologia, tecnologia e memória da Língua Geral Amazônica
Resumo
Este artigo analisa a relação entre memória, língua e tecnologia na preservação da Língua Geral Amazônica (LGA), a partir da edição semidiplomática do códice Grámatica da lingua geral do Brazil, com hum diccionario dos vocábulos mais uzuaes, produzido entre 1750 e 1758 e preservado na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra. O estudo está baseado numa pesquisa doutoral em Filologia e articula análises paleográficas, codicológicas e computacionais para investigar a materialidade, a autoria e as funções sociais do manuscrito. A metodologia combinou leitura in loco, medições grafoscópicas e edição semidiplomática, com o objetivo de reconstruir o processo histórico de produção e circulação do documento. Os resultados revelam a coexistência de duas mãos distintas, uma delas associadas ao missionário Bettendorff, além de confirmarem a dupla função do códice como instrumento pedagógico e testemunho político. O trabalho demonstra que, apesar do apagamento imposto pelo Diretório Pombalino, a LGA sobreviveu no nheengatu, língua ainda falada em comunidades do Alto Rio Negro. Ao propor uma “filologia implicada”, a pesquisa trata a edição crítica e a digitalização do códice como gestos de devolução simbólica e de democratização do acesso à memória linguística. Assim, a tecnologia, aliada à Filologia, é compreendida como meio de resistência e de reconstrução histórica, devolvendo às comunidades amazônicas a voz inscrita em seus próprios arquivos coloniais.
Referências
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