A língua pela qual se fala e da qual se fala: uma análise de alguns sentidos de língua em postagens do Linkedin
Resumo
Ao longo dos séculos, as pessoas criaram conhecimentos acerca de diversos aspectos de suas vidas, desde sobrevivência e estilo de vida, até conhecimentos mais abstratos. A Língua, por sua vez, constitui não apenas o caráter de auxiliar na produção desses conhecimentos, mas passa também a ser objeto dessa produção. Nos tempos atuais, as redes sociais funcionam não apenas enquanto espaço digital de interação, mas também como espaço de produção de saberes e conhecimentos sobre a Língua, bem como espaço de perpetuação de determinados saberes em detrimento de outros. Este artigo analisou os sentidos de língua em publicações na rede social Linkedin de modo que pudéssemos observar como as pessoas desta rede produzem sentidos e significados sobre a língua em uma rede social voltada ao ambiente laboral. Pautamo-nos na Linguística Popular, segundo a qual todo conhecimento popular deve ser observado e integrado às análises linguísticas, não mais em caráter eliminatório, mas partindo de uma visão integracionista. Assim, foi possível identificar ainda um sentido de língua fortemente ligado à Gramática Normativa, visão esta que coloca em evidência a língua segundo as normas gramaticais e deixa de lado outras variantes. Além disso, um dos sentidos de língua observados foi o de língua enquanto aspecto importante para a acessibilidade no ambiente laboral.
Referências
ALBURY, Nathan John. How folk linguistic methods can support critical sociolinguistics. Lingua. Vol. 199, 2017, p. 36-49, ISSN 0024-3841. DOI: https://doi.org/10.1016/j.lingua.2017.07.008. Acesso em: 15 dez. 2020.
ALTMAN, Cristina. A pesquisa linguística do Brasil (1968-1988). 2a. ed. São Paulo: Humanitas/FFLC/USP, 2003.
BARONAS, Roberto Leiser. O amargo da língua de Bolsonaro: discurso e linguística popular. Grácio Editor: Portugal, 2021.
BARONAS, Roberto Leiser; COELHO, Jubileia Mendes de Matos; ALMEIDA, Terezinha Ferreira de. (org.). Estudos em Linguística Popular/Folk Linguistics no Mato Grosso: primeiras aproximações. Araraquara: Letraria, 2021.
BARONAS, Roberto Leiser; CONTI, Tamires Bonani. Notas sobre a possibilidade de um trabalho no carrefour epistemológico entre a linguística popular e os estudos do discurso. Fórum Linguístico, v. 16, n. 4, p. 4285-4294, 2019.
BARONAS, Roberto Leiser; COX, Maria Inês Pagliarini. Linguística popular/folk linguistics e linguística científica: Em vez do versus, propomos a integração. Fórum Linguístico, v. 16, n. 4, p. 4254-4256, 2019. DOI: https://doi.org/10.5007/1984-8412.2019v16n4p4254. Acesso em: 05 nov 2021.
BARONAS, Roberto Leiser; COX, Maria Inês Pagliarini. (org). Linguística popular/folk linguistics. Campinas: Pontes Editora, 2021.
BARONAS, Roberto Leiser; GONÇALVES, Marcelo Rocha Barros; SANTOS, Júlio Antonio Bonatti. (org.). Linguística popular: contribuições às ciências da linguagem. Araraquara: Letraria, 2021.
FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979.
FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso: aula inaugural no Collège de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970. Tradução de Laura Fraga de Almeida Sampaio. São Paulo: Edições Loyola, 2014.
GRADDOL, David. English Next. British Council, 2006
GONÇALVES, Marcelo Rocha Barros. On Mario de Andrade’s Folk Linguistics. Cadernos de Linguística, v. 2, n. 4, p. e490, 27 Aug. 2021. DOI: https://doi.org/10.25189/2675-4916.2021.V2.N4.ID490. Acesso em: 05 de nov 2021.
LIMA, Rocha. Gramática Normativa da Língua Portuguesa. 15ª edição, Rio de Janeiro, José Olympio, 1972.
LINKEDIN. Sobre o LinkedIn. [S.l.]. 2021a. Disponível em: <http://press.linkedin.com/about/Sobre-o-LinkedIn.php>. Acesso em: 06 nov. 2011.
LINKEDIN. Atualizações de postes e compartilhamentos. Seção: Ajuda. [S.l.]. 2021b. Disponível em: <http://press.linkedin.com/about/Sobre-o-LinkedIn.php>. Acesso em: 06 nov. 2011.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Oralidade e escrita. Signótica: Revista do Mestrado em Letras e Lingüística. Goiânia: UFGO, 9: 119-145, 1997.
MEMÓRIA GLOBO. [s.d]. Disponível em <http://memoriaglobo.globo.com/>. Acesso em: 07 nov. 2021.
NIEDZIELSKI, Nancy A.; PRESTON, Dennis R. Folk linguistics. Walter de Gruyter, 2003
PAVEAU, Marie-Anne. Les normes perceptives de la linguistique populaire. Langage et société, vol. 119, no. 1, 2007, pp. 93-109. Disponível em: <https://www.cairn.info/journal-langage-et-societe-2007-1-page-93.htm#:~:text=une%20approche%20des%20faits%20langagiers,un%20troisi%C3%A8me%20terme%20%3A%20la%20perception.>. DOI: https://doi.org/10.3917/ls.119.0093. Acesso em: 30 abr. 2021.
PAVEAU, Marie-Anne; DA SILVA ESTEVES, Phellipe Marcel. Não linguistas fazem linguística? Uma abordagem antieliminativa das ideias populares. Policromias -Revista de Estudos do Discurso, Imagem e Som, v. 3, n. 2, p. 21-45, 2018.
PENNYCOOK, Alastair. 'Critical moments in a TESOL praxicum' in Critical Pedagogies and Language Learning, Cambridge University Press, Cambridge, 2004, pp. 327-345.
PRESTON, DENNIS R. Content-oriented discourse analysis and folk linguistics. Language Sciences, 16(2), 1994, 285–331. DOI: https://doi.org/10.1016/0388-0001(94)90004-3. Acesso em: 06 nov 2021.
SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de linguística geral. São Paulo: Cultrix, 2012
TRABANT, Jürgen. Constitution du langage en objet du savoir et traditions linguistiques. In: Histoire Épistémologie Langage, tome 30, fascicule 1, 2008. Grammaire et mathématiques en Grèce et à Rome. p. 109-126. Disponível em: https://www.persee.fr/doc/hel_0750-8069_2008_num_30_1_3136. DOI: https://doi.org/10.3406/hel.2008.3136. Acesso em: 06 nov. 2021.