A Linguística Popular e a Historiografia Linguística

Marcelo Rocha Barros Gonçalves

Resumo

Este ensaio está inserido na área de investigação dos chamados “estudos ecolinguísticos” (SWIGGERS, 2013, p.47), ou seja, estudos “que dizem respeito ao entrelace entre concepções de usuários e concepções de linguistas”. Destarte, pretendemos avaliar os enunciados (e por que não tipos de discursos?) que foram proferidos sobre a Linguística Popular no ambiente acadêmico – como se constituíram textualmente ao longo do tempo e em diferentes geografias - ao mesmo tempo em que refletimos sobre a sua constituição enquanto um fato linguístico, sobretudo se nos debruçarmos sobre as manifestações de não especialistas em matéria de língua e linguagem. Nossos objetos primários (os textos sobre a Linguística Popular) são analisados mediante sua inserção num circuito mais amplo da Linguística, considerando sua posição nos estudos atuais em face do próprio horizonte de retrospecção (AUROUX, 1992) que nos remete, por exemplo, ao texto de Leonard Bloomfield, de 1944, quando se referiu aos dados secundários e terciários de linguagem. Por último, especialmente pensando em publicações mais recentes neste campo de estudos, pretendemos verificar ou indicar tendências e horizontes de pesquisa neste campo de estudos no Brasil

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