Resumo

A oralidade e seus elementos têm um caráter fundamental nas conquistas políticas ao redor do mundo, em toda a história da humanidade. À luz de uma análise na interface entre Semiótica Social (KRESS, 2010), Análise da Conversa (MARCUSCHI, 2007) e Nova Retórica (PERELMAN; OLBRECHTS-TYTECA, 2005), objetivamos discutir como os recursos semióticos atrelados à oralidade, especificamente os elementos cinésicos, se constituem essenciais para a argumentação e seus propósitos no debate político, com o intuito de persuadir um público-alvo. Para atender ao propósito, desenvolvemos esse exercício analítico em um corpus de um debate do segundo turno das eleições brasileiras para a Presidência da República no ano de 2014, televisionado pela Rede Globo. Quanto aos procedimentos metodológicos, analisamos o material e selecionamos excertos em que verificamos como os presidenciáveis se utilizaram desses recursos semióticos da oralidade como estratégia persuasiva. Os resultados apontam que elementos cinésicos, como movimentos corporais, expressões faciais, gestos, olhares e risos desempenham importantes funções argumentativas, como o descrédito do oponente e a convicção dos pontos de vista defendidos, em busca do voto do eleitor.