Resumo

Neste artigo, estudamos a semântica lexical da libras nos distanciando daquilo que Slobin (2015 [2008]) denominou como a tirania das glosas na linguística das línguas de sinais. Nosso objetivo é duplo: argumentar sobre os equívocos e prejuízos de continuarmos associando sinais com palavras em nossas pesquisas sobre a libras; e demonstrar o refinamento de análise possibilitado pela reflexão sobre a semântica lexical da libras em seus próprios termos. Partindo de um item lexical de estimulo, eliciamos frases em libras de surdos proficientes e pedimos que listassem possíveis sinônimos do sinal nesses contextos. O contraste semântico entre os sinais nos permitiu identificar diferentes redes paradigmáticas associadas ao item lexical estudado, demonstrando que a utilização da libras como metalinguagem possibilita compreender a semântica dos sinais para além do simplismo e dos vieses semânticos de glosas do português.