Resumo

Os movimentos migratórios de grandes proporções, que ocorreram no passado e continuam ocorrendo no presente, tornam o Brasil um país multilíngue com demanda para o investimento em instrução formal em Português como Língua Estrangeira. Neste cenário, importa considerar questões relacionadas à formulação de políticas educacionais, à formação de profissionais aptos para o ensino de Português como Língua Estrangeira, à elaboração e aplicação de exames de proficiência linguística e à facilitação de acesso de estrangeiros à instrução formal em língua portuguesa. No presente artigo, abordamos questões relacionadas ao ensino de Português como Língua Estrangeira e aspectos da avaliação da Parte Oral do exame de proficiência em língua portuguesa aplicado no contexto brasileiro, o Celpe-Bras. Também descrevemos algumas das dificuldades relativas à percepção e à produção de sons do Português Brasileiro por falantes de outras línguas maternas. Nosso objetivo é apontar as contribuições que uma perspectiva foneticamente embasada, que considera o vínculo direto que se estabelece entre a percepção das distinções entre sons e a formação de categorias novas em L2, pode trazer para o desenvolvimento e a avaliação da proficiência oral em Português como Língua Estrangeira diante do impacto que um forte sotaque estrangeiro pode causar na inteligibilidade, na compreensibilidade e na avaliação atitudinal do falante. Em relação à avaliação da proficiência oral, defendemos a necessidade de formulação de critérios foneticamente embasados que balizem os avaliadores a considerar o que é uma pronúncia com características que prejudicam a interação.