Resumo

Autores como Klima e Bellugi (1979), Ferreira-Brito (1995), Taub (2001), Wilcox (2004) e Xavier (2006) consideram que a iconicidade está significativamente presente nas línguas de sinais (LSs). Neste artigo, (re)discutimos e problematizamos as noções de arbitrariedade e de iconicidade nas LSs, especificamente na Libras. Para isso, fizemos uma revisão na literatura, a fim de verificar como esses conceitos vêm sendo abordados em LSs, e analisamos os sinais glosados no dicionário de Capovilla et al. (2017) com palavras iniciadas pela letra “A”, visando identificar as possíveis motivações que eles apresentam. De modo geral, assumimos que a arbitrariedade e a iconicidade não são noções opostas, nem sequer de mesma ordem; que os conceitos de arbitrariedade e de imotivação, por um lado, e de iconicidade e de motivação, por outro lado, não são sinônimos (KLIMA; BELLUGI, 1979; FRYDRYCH, 2012); e apontamos que os sinais da Libras são altamente motivados, apresentando, na maioria das vezes, mais de um tipo de motivação. A partir das análises, identificamos e categorizamos motivações de seis tipos, baseadas em: (1) classificadores, (2) gestualidade, (3) espacialidade, (4) empréstimo linguístico do português, (5) expressão não manual, e (6) movimento. A partir dessa categorização, observamos que um mesmo item lexical pode apresentar mais de um tipo de motivação e que nem todo tipo de motivação confere iconicidade ao signo linguístico. Concluímos o trabalho apresentando uma proposta de continuum de gradação que envolve desde sinais menos icônicos a sinais mais icônicos

Introdução1,2

A noção de arbitrariedade do signo linguístico é bastante discutida na literatura, mas apresenta entendimentos ligeiramente variados. Em definições iniciais, como Saussure (2016 [1916]), não haveria nenhuma relação de motivação naturalmente estabelecida entre o significante de um signo linguístico e o significado que ele veicula. Na época daquela pesquisa, as LSs não eram estudadas e reconhecidas enquanto línguas naturais. Apenas com o trabalho de Stokoe et al. (1965), que percebem unidades menores formadoras dos sinais da ASL (do inglês, American Sign Language), que as LSs passam a ser amplamente estudadas enquanto línguas naturais.

Diferentemente do que Saussure afirma sobre as línguas humanas, porém, os sinais das LSs mostram certa motivação entre o significante e o significado, mas isso não invalida o seu caráter arbitrário, como discutiremos ao longo deste artigo. Como aponta Xavier (2006, p. 6), “é bastante notório o fato de que o significante dos signos dessas línguas [de sinais] mantêm com o significado que veiculam uma certa relação de motivação”. Se tomarmos como exemplo os sinais em Libras referentes aos conceitos de “árvore”, de “casa” e de “tesoura” (Figuras 1, 2 e 3, respectivamente), veremos que a afirmação do autor é bastante pertinente, na medida em que observamos, no caso do primeiro sinal, a forma motivada pela imagem visual da raiz, do tronco e da copa de uma árvore (bem como do movimento dessa copa); no caso do segundo sinal, do telhado de uma casa; e no caso do terceiro sinal, das lâminas de uma tesoura, bem como do movimento relacionado à ação de cortar algo.

Figure 1.

FIGURA 1 – Sinal ÁRVORE

Fonte: Capovilla et al. (2017)

Figure 2.

FIGURA 2 – Sinal CASA

Fonte: Capovilla et al. (2017)

Figure 3.

FIGURA 3 – Sinal TESOURA

Fonte: Capovilla et al. (2017)

Apesar disso, nem todos os pesquisadores das LSs concordam com essa perspectiva. Por exemplo, Strobel e Fernandes (1998) e Quadros e Karnopp (2004) afirmam que os signos das LSs são essencialmente arbitrários, logo, sem nenhum tipo de motivação. Entretanto, há autores que consideram que a iconicidade esteja significativamente presente nessas línguas, como Klima e Bellugi (1979), Ferreira-Brito (1995), Taub (2001), Wilcox (2004), Xavier (2006), Frydrych (2012), entre outros, e que, ainda assim, essa iconicidade não se contraponha ao estatuto arbitrário dos sinais.

Pressupondo-se, então, que a arbitrariedade e a iconicidade são noções bastante relevantes à consideração do status linguístico das línguas naturais, neste artigo iniciaremos fazendo uma breve revisão da literatura, a fim de investigar o modo como os conceitos de arbitrariedade e de iconicidade vêm sendo discutidos em LSs, problematizando e (re)discutindo as noções de arbitrariedade, de iconicidade, de imotivação e de motivação, na Libras. Em seguida, apresentamos uma breve discussão sobre os classificadores (CLs) nas LSs e a sua relação estreita com a iconicidade na Libras.

De forma mais específica, neste trabalho buscamos discutir questões tais como: arbitrariedade e iconicidade seriam conceitos opostos? Arbitrário estaria para imotivado, assim como icônico estaria para motivado, ou seriam, apenas, conceitos relacionados? E uma vez que o uso de CLs é altamente produtivo em LSs, compondo, aliás, o léxico nativo dessas línguas, e que eles são altamente icônicos, teríamos argumentos para pensarmos que as LSs não são essencialmente arbitrárias? Qual seria, afinal, a relação que os CLs estabelecem com a iconicidade?

Diante desse contexto teórico em que se busca compreender as relações entre arbitrariedade e iconicidade nas LSs, o objetivo deste trabalho é o de investigar diferentes tipos de motivação em um corpus de sinais da Libras. No que diz respeito aos objetivos específicos, destacamos os seguintes: (a) refletir acerca da possibilidade de se pensar em uma classificação (ou em possíveis classificações) que contemple(m) diferentes graus de iconicidade dos sinais; (b) propor uma categorização para os diferentes tipos de motivação encontrados; e (c) propor o lugar dessas categorias em um continuum que vai de menos icônico a mais icônico.

Em consonância com os objetivos acima, algumas questões se fazem pertinentes: (i) quais tipos de motivação podemos encontrar nos sinais da Libras? (ii) algumas motivações seriam mais icônicas que outras? (iii) um mesmo sinal poderia apresentar mais de uma motivação (sendo essas motivações do mesmo tipo ou não)? Se sim, esse sinal seria mais icônico que um sinal com apenas uma motivação? e (iv) seria possível pensarmos em uma gradação de iconicidade, de modo que alguns sinais seriam mais ou menos icônicos que outros?

Para o desenvolvimento deste trabalho, analisamos os sinais glosados com palavras iniciadas pela letra “A” no Dicionário da Língua de Sinais do Brasil: A Libras em suas Mãos (CAPOVILLA et al., 2017), visando identificar as possíveis motivações que eles apresentam. A partir da observação desses sinais, encontramos seis tipos de motivação, que nos levaram a propor os seguintes grupos: Grupo 1 – Motivação por CL; Grupo 2 – Motivação por Gestualidade; Grupo 3 – Motivação por Espacialidade; Grupo 4 – Motivação por Empréstimo Linguístico do Português (ELP); Grupo 5 – Motivação por Expressão Não Manual (ENM); e Grupo 6 – Motivação por Movimento.

Mostraremos, neste trabalho, a partir da seleção dos seis grupos motivadores acima, que um item lexical pode apresentar mais de um tipo de motivação; no entanto, há outras questões que devem ser consideradas, como o número de articuladores envolvidos na produção desse item lexical e o número de sinais presentes em sua formação. Mostraremos, ainda, que nem todo tipo de motivação tem uma base icônica (em outras palavras, há signos linguísticos cujos significantes são, de fato, motivados, e que não icônicos). Esperamos deste modo contribuir para uma revisão sobre os conceitos de arbitrariedade, de iconicidade, de motivação e de imotivação, focando nosso estudo em um corpus significativo de 1375 sinais da Libras e trazendo uma análise da iconicidade na Libras, a partir de uma proposta inicial de gradação em um continuum.

1. Os conceitos de arbitrariedade e de iconicidade nas LSs

Em Saussure (2006 [1916]) conhecemos a natureza do signo linguístico: uma entidade psíquica de duas faces, uma imagem acústica (significante) e um conceito (significado). Tal conceito de signo linguístico também pode ser aplicado às LSs, pondo de lado a sua dimensão acústica e substituindo-a pela dimensão visual. Nessas línguas, o significante e o significado correspondem, respectivamente, à representação mental que os indivíduos têm da imagem visual do sinal e do(s) conceito(s) associado(s) a essa imagem mental, e não à articulação ou ao objeto concreto em si (LUCHI, 2013).

A definição saussuriana de signo linguístico introduz a noção da arbitrariedade do signo: “o laço que une o significante ao significado é arbitrário, ou então, visto que entendemos por signo o total resultante da associação de um significante com um significado, podemos dizer mais simplesmente: o signo linguístico é arbitrário” (SAUSSURE, 2006 [1916], p. 81). Na perspectiva do autor, pois, não há uma necessidade de causalidade entre o significante e o significado, o laço simplesmente existe. Em outras palavras, a relação estabelecida entre significante e significado é primordialmente convencional, e não natural. Desse modo, a noção de arbitrariedade não está ligada à ideia de que o significado depende da escolha do falante, mas, sim, como aponta o autor, de que ele é imotivado: não há nenhuma motivação e/ou nenhum laço natural entre significante e significado. O autor aponta, ainda, que o significante se opõe a outros significantes e que, da mesma forma, o significado se opõe a outros significados.

Conforme interpreta Bouquet (2000), a noção de arbitrariedade é empregada por Saussure para fazer referência a duas relações, as quais são bem distintas: (i) a relação interna ao signo linguístico, no caso, entre significante e significado; e (ii) a relação que, entre eles, une os termos do sistema de determinada língua. Nesse sentido, deparamo-nos com dois aspectos possíveis dessa noção de arbitrariedade (a interna e a sistêmica do signo), e, nas palavras de Bouquet (2000, p. 234), tanto num caso como no outro “arbitrário significa estritamente [...] contingente a uma língua – sendo que essa contingência [...] é uma necessidade”. A arbitrariedade, portanto, deve ser interpretada como algo inerente ao sistema, não sendo passível de ser justificada e/ou sustentada fora dele (FRYDRYCH, 2012).

De modo geral, a arbitrariedade e a iconicidade vêm sendo discutidas por pesquisadores nos estudos linguísticos envolvendo as LSs, e ambas as noções são relevantes para as discussões que retomam e que reforçam o status linguístico dessas línguas. Frydrych (2012), por exemplo, discute acerca do princípio da arbitrariedade do signo e, ao fazê-lo, analisa a noção de iconicidade. A autora apresenta algumas interpretações da ideia de iconicidade oriundas, principalmente, de estudos linguísticos envolvendo LSs e aponta que nesses estudos tem sido comum fazer uma divisão entre sinais icônicos e sinais arbitrários. De acordo com a autora, porém, “a iconicidade não pode ser colocada no mesmo patamar fundante que a arbitrariedade, visto não ser, como esta, um princípio organizacional da língua, mas uma de suas características formais” (FRYDRYCH, 2012, p. 285).

Klima e Bellugi (1979) já mostraram em um de seus experimentos realizados a partir de sinais icônicos da ASL com ouvintes não sinalizantes, que sinais icônicos não são, de fato, transparentes, no que tange à relação entre significante e significado. Os experimentos evidenciaram que na maioria dos casos os ouvintes que desconheciam a ASL não conseguiram depreender o significado desses sinais. Isso nos mostra que os sinais das línguas de sinais são, de certa forma, opacos, ou seja, não são relacionados diretamente aos seus significados. Além disso, ao compararmos sinais icônicos em línguas de sinais diferentes, por exemplo, o sinal referente ao conceito de árvore na Libras (Figura 1) e na Língua de Sinais Francesa (LSF) (CUXAC; SALLANDRE, 2007 p. 16), observamos recortes diferentes para representar visualmente uma árvore: enquanto o primeiro representa a imagem visual da raiz, do tronco e da copa de uma árvore (bem como do movimento dessa copa), o segundo representa apenas a imagem visual do tronco. Isso reforça a convencionalidade da iconicidade nas línguas de sinais.

Assim como aponta Frydrych (2012), compreendemos que a arbitrariedade e a iconicidade não são noções opostas, ou contrárias. Na verdade, ambas não seriam, de certa forma, da mesma ordem. Poderíamos considerar que todo sinal é arbitrário, mas que nem todo sinal é icônico. Em outras palavras, poderíamos considerar que todo sinal, seja ele icônico, seja ele não icônico, seja ele motivado, seja ele imotivado, seja ele mais transparente, seja ele mais opaco, segue o princípio da arbitrariedade do signo, princípio este que, de acordo com Saussure (2006 [1916]), coloca a língua ao abrigo de toda tentativa que intencione modificá-la. Dessa forma, estudos que mostrem que as LSs sejam fortemente icônicas e/ou motivadas não seriam um possível empecilho para o seu status linguístico. A iconicidade consiste, apenas, em uma característica presente e explorada de diferentes formas em determinadas línguas: no caso das LSs, por meio de representações visuais mentais, o que buscaremos demonstrar mais adiante neste artigo; no caso das línguas orais, por meio de representações auditivas, como em onomatopeias por exemplo (Cf. PERNISS et al., 2010, para exemplos em línguas orais). Dito de outro modo, trata-se de um aspecto formal que tem destaque nas LSs associado à possibilidade de estabelecimento de determinada relação entre significante e significado.

Defendemos ainda que os conceitos de arbitrariedade e de imotivação, bem como os conceitos de iconicidade e de motivação, não são sinônimos, mas sim (e apenas) conceitos relacionados: a motivação está relacionada à existência de um porquê (uma explicação, um motivo) para a forma de determinado significante; a imotivação, ao contrário, está relacionada à ausência desse porquê.

2. Classificadores nas LSs

Cuxac e Sallandre (2007) estão entre os autores que dão um importante tratamento à iconicidade nas LSs. Apresentando dados da LSF, eles dividem a iconicidade em três tipos: (i) estruturas altamente icônicas – estruturas que envolvem uma intenção ilustrativa, no sentido de o sinalizador buscar representar iconicamente o referente no mundo; (ii) iconicidade degenerativa de sinais congelados – estruturas que não envolvem intenção ilustrativa; e (iii) iconicidade diagramática – estruturas que ocorrem na construção de uma referência de espaço. Para os autores, os dois primeiros tipos de iconicidade apresentados – (i) e (ii) – são chamados de Classificadores (CLs) na literatura das LSs de modo geral (e.g. EMMOREY, 2003, entre outros) e correspondem a sinais altamente icônicos passíveis de serem desmembrados em morfemas composicionais e que envolvem diferentes partes do corpo multilinearmente (ou simultaneamente).

Encontramos em Supalla (1978; 1982; 1986) uma classificação acerca dos CLs que permite uma descrição mais detalhada desses elementos. Visando comparar os CLs da ASL com os das línguas orais, o autor fez a descrição daqueles a partir da seguinte classificação: (i) especificadores de forma e tamanho (SASSes – do inglês, Size and Shape Specifiers); (ii) semânticos; (iii) corporais; (iv) de partes do corpo; e (v) instrumentais (Figura 4).

Figure 4.

FIGURA 4 – Tipos de CLs na ASL propostos por Supalla

Fonte: Supalla (1982; 1986)

Desde então, como aponta Rodero-Takahira (2015), a definição do que vem a ser um CL nas LSs ainda tem sido bastante discutida. E, de modo geral, uma questão recorrente nas pesquisas envolvendo LSs é se eles correspondem, ou não, aos CLs das línguas orais. Segundo a autora, os sinalizantes nativos da Libras compartilham a visão de que CLs são, apenas, elementos que servem para “descrever, detalhar, dar características para um objeto, animal ou pessoa” (RODERO-TAKAHIRA, 2015, p. 54); já no meio acadêmico, a autora aponta a existência de, pelo menos, quatro caminhos seguidos pelos pesquisadores, envolvendo esses elementos: o primeiro é feito por autores que o consideram como sendo gestos, como Cogill-Koez (2000); o segundo é trilhado por pesquisadores que veem esses elementos como sendo uma mistura de componentes linguísticos e gestuais, como Liddell (2003), não analisando-os como CLs, mas como sinais depictivos; o terceiro é percorrido por estudiosos que tratam os CLs como sendo morfemas, como Supalla (1978; 1982; 1986); o quarto é realizado por pesquisadores que discutem se eles poderiam ser definidores de classe de palavras, como Meir (2012) e Zwitserlood (2012). Neste trabalho, apoiamo-nos na perspectiva de CLs proposta por Supalla.

Rodero-Takahira (2015, p. 54) afirma que “o uso dos CLs é muito mais sistemático, no sentido que o CL é um elemento linguístico, e como tal respeita os processos de formação de palavras e a sintaxe dessa língua”. Conforme Brentari e Padden (2001) – para a ASL – e Quadros e Karnopp (2004) – para a Libras –, morfologicamente, os CLs fazem parte do núcleo lexical das LSs, sendo responsáveis tanto pela formação da maioria dos sinais já existentes quanto pela criação de novos sinais. Se considerarmos as definições de CLs nas LSs apresentadas acima, e se considerarmos a modalidade dessas línguas, perceberemos que o seu uso pode apresentar um caráter que se aproxima do imagético.

Com base em nossas observações empíricas, a classificação de Supalla (1978; 1982; 1986) nos parece adequada para a descrição e para a análise dos dados com algum tipo de motivação envolvendo a produção de CLs. No entanto, considerando a natureza dos dados aqui analisados, percebemos a necessidade de reconsiderarmos, bem como de revermos, a classificação apresentada pelo autor para um dos tipos de CLs, a saber, os CLs de partes do corpo, detalhando-a em algumas subcategorias.

Uma vez que encontramos diferentes formas de se fazer referência a partes do corpo, seja do corpo do próprio sinalizador, seja de outro referente do tipo [+ animado], propomos uma divisão dos CLs de partes do corpo em três subgrupos que abarcam os dados encontrados em nossa pesquisa: o primeiro formado por sinais em que a parte do corpo usada pelo sinalizador coincide, exatamente, com a parte do corpo do indivíduo envolvida na noção expressa pelo CL, ao qual atribuímos a forma PC (C) – “Parte do Corpo (Corpo)”, como por exemplo o sinal ACENAR (Figura 5); o segundo formado por sinais em que a parte do corpo usada pelo sinalizador representa o local do corpo do referente envolvido (direta, indireta ou metaforicamente) na(s) noção(ões) expressa(s) pelo CL, ao qual atribuímos a forma PC (L) – “Parte do Corpo (Localização)”, como por exemplo o sinal AMAR (1), AMAR-SE (1) (Figura 6); e o terceiro formado por sinais em que a(s) mão(s) do sinalizador é(são) usada(s) para fazer referência à parte(s) do corpo do referente, ao qual atribuímos a forma PC (R) – “Parte do Corpo (Referência)”, como por exemplo o sinal ABAIXAR O RABO (com o rabo entre as pernas) (Figura 7), sendo este último, o tipo chamado por Supalla (1982; 1986) de CL de parte do corpo.

Figure 5.

FIGURA 5 – Sinal ACENAR

Fonte: Capovilla et al. (2017, p. 79)

Figure 6.

FIGURA 6 – Sinal AMAR (1), AMAR-SE (1)

Fonte: Capovilla et al. (2017, p. 177)

Figure 7.

FIGURA 7 – Sinal ABAIXAR O RABO (com o rabo entre as pernas)

Fonte: Capovilla et al. (2017, p. 51)

3. Aspectos metodológicos

Ao observarmos os sinais que compõem a letra “A” do Dicionário da Língua de Sinais do Brasil: A Libras em suas Mãos, abreviado como Dic Brasil (CAPOVILLA et al., 2017), no que tange às possíveis motivações que eles apresentam, categorizamos tais sinais em seis grupos motivadores: Grupo 1 – Motivação por CL; Grupo 2 – Motivação por Gestualidade; Grupo 3 – Motivação por Espacialidade; Grupo 4 – Motivação por ELP; Grupo 5 – Motivação por ENM; e Grupo 6 – Motivação por Movimento. Os grupos motivadores que propusemos para o presente trabalho também tomaram como base Barros (2018), Capovilla et al. (2012), Caselli et al. (2016), Cates et al. (2013), Cuxac e Sallandre (2007), Kimmelman et al. (2018) e Meir et al. (2006), que discutem, direta ou indiretamente, diferentes tipos de motivação nas LSs.

O Dic Brasil “constitui obra de referência de importância crucial para a comunidade surda brasileira, que é de mais de 10 milhões de habitantes” (CAPOVILLA et al., 2017, p. 21). Ele é o resultado de um extenso programa de pesquisas em lexicografia da Libras e cognição de surdos que se iniciou em 1989, no Laboratório de Neuropsicolinguística Cognitiva Experimental do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). De acordo com os autores do dicionário, o programa de pesquisa em lexicografia em questão tomou como base o trabalho de Webster (1828), o qual foi condensado no trabalho de Winchester (2003), e vai ao encontro da posição de Urdang (1963), que considera a lexicografia uma disciplina independente, autônoma, pragmática, objetiva, aplicada e útil. Em sua versão atual, o Dic Brasil é dividido em três volumes: no primeiro, encontramos os sinais glosados no dicionário com palavras iniciadas pelas letras de “A a D” (4.609 sinais); no segundo, de “E a O” (4.618 sinais); e, no terceiro, de “P a Z” (3.877 sinais), o que totaliza 13.104 sinais.

Para este trabalho, analisamos os 1.375 sinais glosados com palavras iniciadas pela letra “A” do Dic Brasil, no que diz respeito às possíveis motivações que eles apresentam. Acreditamos que esses 1.375 sinais representam um número significativo, o que nos permitiu organizar um corpus bem estruturado, além de se mostrarem quantitativamente próximos dos corpora de outras pesquisas com propósitos semelhantes aos nossos (CATES et al., 2013 – 767 sinais da ASL; CASELLI et al., 2016 – 993 sinais da ASL; KIMMELMAN et al., 2018 – 1.542 sinais, selecionados a partir de 19 LSs). Além disso, as entradas iniciadas pela letra “A” são a segunda categoria do Dic Brasil com maior número de sinais, representando mais de 10% do total de sinais documentados no dicionário. Vale destacar que o fato de os sinais serem organizados na ordem alfabética das glosas associadas a esses sinais não deve afetar o tipo de resultados encontrados, tendo em vista que os nomes que os sinais recebem no dicionário e que serviram de critério para a sua ordenação não tem relação direta com os diferentes aspectos formativos dos sinais documentados.

Dentre os 1.375 sinais documentados, registramos um total de 1.249 sinais com, pelo menos, algum tipo de motivação, o que representa 90,84% do total de sinais que compõem tal letra. As entradas lexicais presentes em Capovilla et al. (2017) muitas vezes não envolvem a produção realizada por um único sinal, mas sim uma formação com duas ou mais partes, que consideramos como diferentes sinais envolvidos na composicionalidade do item lexical, como ocorre em compostos, em expressões idiomáticas e em formações aparentemente mais frasais.

Em relação ao número de sinais presentes na formação de cada uma das entradas lexicais dos sinais registrados, identificamos, de modo geral, sinais formados por: (i) um sinal (923 sinais); (ii) dois sinais (288 sinais); (iii) três sinais (34 sinais); e (iv) quatro sinais (4 sinais).

A fim de registrarmos e de interpretarmos os sinais agrupados na letra “A” do Dic Brasil, em relação às possíveis motivações por eles apresentadas, organizamos um quadro com nove colunas, contendo informações desses sinais trazidas no dicionário (seis primeiras colunas), bem como análises desses sinais feitas por nós (três últimas colunas)3.

O Quadro abaixo traz alguns dos dados que foram registrados e interpretados neste trabalho, a título de exemplificação.

Figure 8.

QUADRO 1 – Exemplos de dados registrados e interpretados neste trabalho

Fonte: Medeiros (2019).

Nas seis primeiras colunas do quadro, são registradas informações trazidas no Dic Brasil, como pode ser visto no quadro acima: na primeira coluna, anotamos os sinais, conforme eles aparecem documentados no dicionário; na segunda, especificamos a página na qual os sinais se encontram; na terceira, registramos se os sinais são considerados CLs pelos autores do dicionário; na quarta, registramos se os sinais em questão são considerados icônicos pelos autores do dicionário; na quinta, anotamos se a ilustração gráfica da forma dos sinais apresenta algum tipo de ENM; e na sexta coluna, anotamos se a descrição detalhada e sistemática da forma dos sinais apresenta algum tipo de ENM. Nas três últimas colunas do quadro são registradas algumas análises realizadas por nós, a partir dos sinais que foram selecionados e, posteriormente, registrados (conforme exemplificado no Quadro 1 acima): na sétima coluna, registramos os tipos de CLs presentes na realização dos sinais; na oitava, descrevemos, brevemente, as motivações existentes na produção dos sinais; e na nona, finalmente, registramos os tipos de motivação presentes em cada um dos sinais analisados.

Tomemos como exemplo o sinal ANOREXIA (2), apresentado no Quadro 1 acima: nas seis primeiras colunas do quadro, mostramos (1ª) a forma como o sinal aparece documentado no dicionário e que (2ª) ele está localizado na página 211 do Dic Brasil, (3ª) não é apontado nem como um sinal CL, nem como (4ª) um sinal icônico, e que (5ª) sua ilustração gráfica e (6ª) a descrição de sua realização trazem uma ENM nas segunda, terceira e quarta partes do item lexical. Na sétima coluna do quadro, iniciamos nossa análise do sinal em questão, dividindo-o em quatro partes diferentes (ou seja, a entrada lexical ANOREXIA (2) é produzida a partir de 4 sinais, o que nos sugere, aliás, uma realização de algo mais frasal) e apontando os tipos de CLs encontrados (ou a não ocorrência disso) em cada uma dessas partes: na primeira, temos um CL PC (L) – produzido pela mão direita; nas segunda e terceira partes não há a realização de CLs; na quarta temos um mesmo CL SASS (E) produzido pela mão esquerda e pela mão direita. Na oitava coluna, detalhamos um pouco mais a respeito da realização desses CLs e indicamos as ENMs motivadas nas partes que formam o sinal: na primeira, em relação aos CLs, a mão direita produz um CL PC (L) (Grupo 1), e em relação às ENMs, indicamos uma ENM (boca aberta) que se refere a uma expressão complementar (Grupo 5) e a algo mais gestual (Grupo 2); na segunda parte, indicamos uma ENM complementar (bochechas sugadas) (Grupo 5); na terceira parte do sinal, indicamos uma ENM complementar (expressão facial negativa) (Grupo 5); e, na quarta, mostramos a presença de um mesmo CL SASS (E) realizado pela mão esquerda (Grupo 1) e pela mão direita (Grupo 1), bem como uma ENM complementar (bochechas sugadas) (Grupo 5). Na nona coluna, registramos as motivações presentes em cada um dos sinais analisados. Além dos tipos de motivação (tipos 1 a 6), são registrados também, por exemplo, em que parte da realização do sinal (no caso de itens lexicais formados a partir de mais de um sinal) e em quais articuladores (manuais – mão direita e/ou esquerda – ou não manuais) tais motivações aparecem, e se a ocorrência desses tipos em um mesmo item lexical se dá simultaneamente ou sequencialmente. Vale ressaltar que consideramos, neste trabalho, como o número total de motivações presentes nas entradas lexicais analisadas o somatório dos tipos de motivação que aparecem nos diferentes sinais que compõem o item lexical. Considerando, ainda, o exemplo detalhado neste parágrafo, o sinal ANOREXIA (2) apresenta 8 motivações distribuídas em suas quatro partes, como pode ser visto na nona coluna do quadro4.

Destacamos que foram registrados no quadro completo em Medeiros (2019) somente os sinais que apresentaram algum tipo de motivação5. Entretanto, em alguns poucos casos, identificamos sinais que, a partir de nossa análise, nem apresentavam algum tipo de CL, nem apresentavam algum tipo de motivação icônica, mas que, no dicionário, no verbete, em negrito e entre parênteses, e/ou na descrição detalhada e sistemática da forma do sinal, respectivamente, os autores Capovilla et al. (2017) apresentavam como sendo um CL e/ou um sinal que apresenta iconicidade. Optamos por registrar esses sinais no quadro para considerar a visão e, por sua vez, a anotação feita pelos autores. No entanto, tais sinais não foram considerados em nossa análise, uma vez que não conseguimos associá-los a algum grupo motivador.

3.1 Motivação nos dados da Libras

Com base na observação empírica dos 1.375 dados observados na letra “A” do Dic Brasil e na discussão acerca da iconicidade e dos CLs apresentada nos capítulos anteriores, propusemos seis grupos motivadores, os quais trazem motivações de diferentes naturezas, conforme descreveremos nas subseções a seguir. Esses grupos foram pensados, visando a uma classificação detalhada para a análise inicial dos dados presentes no quadro que construímos e que está disponível, integralmente, em Medeiros (2019).

3.1.1 Grupo 1 – Motivação por Classificadores

O grupo motivador 1 é composto por sinais que apresentam motivação a partir do uso de CLs. Vale ressaltar a possibilidade de um mesmo sinal apresentar mais de um tipo de motivação por CL: (i) seja pela presença de CLs de tipos diferentes (Figura 8 – sinal ADICIONAR (4)) – por exemplo, um CL instrumental e um CL PC (C): a mão do sinalizador que manipula o instrumento usado para “adicionar” algo representa, iconicamente, a própria mão do indivíduo manipulando um instrumento; (ii) seja pela presença de diferentes subtipos de CLs que fazem parte de uma mesma categoria (Figura 9 – sinal ABAIXAR AS ORELHAS (gíria)) – por exemplo, um CL PC (L) e um CL PC (R): os locais onde o sinal é realizado representam as localizações em que se encontram as partes do corpo referidas no sinal e as mãos usadas pelo sinalizador fazem referência a partes do corpo do referente, no caso, às duas orelhas do animal; (iii) seja, ainda, pela combinação de CLs de tipos e subtipos diferentes (Figura 10 – sinal ABANAR­-SE (4)) – por exemplo, um CL instrumental, um CL PC (C) e um CL PC (L): a mão do sinalizador que manipula o objeto representa, iconicamente, a própria mão do indivíduo durante a manipulação do instrumento e o local onde o sinal é realizado representa a parte do corpo do sinalizador que está sendo abanada.

Figure 9.

FIGURA 8 – Sinal ADICIONAR (4)

Fonte: Capovilla et al . (2017, p. 102)

Figure 10.

FIGURA 9 – Sinal ABAIXAR AS ORELHAS (gíria)

Fonte: Capovilla et al . (2017, p. 50)

Figure 11.

FIGURA 10 – Sinal ABANAR-SE (4)

Fonte: Capovilla et al . (2017, p. 53)

3.1.2 Grupo 2 – Motivação por Gestualidade

O grupo motivador 2 é composto por sinais que apresentam motivação a partir da produção de algo convencionalmente considerado gestual pela comunidade brasileira de modo geral, isto é, tanto por pessoas ouvintes (conhecedoras e/ou falantes ou, ainda, desconhecedoras da Libras) quanto por pessoas com surdez (falantes ou não dessa língua). A Figura 11 (sinal ABASTADO (2)) e a Figura 12 (sinal APLAUDIR (1) (sinal usado para ouvintes), APLAUSO (1)) exemplificam esse tipo de motivação: na primeira, o sinal articulado por ambas as mãos é comumente realizado pela comunidade brasileira para fazer referência a “dinheiro”; na segunda, o sinal coincide com a ação de aplaudir, usada por pessoas ouvintes e por pessoas com deficiência auditiva, mas, também, reconhecida e/ou usada por pessoas surdas.

Figure 12.

FIGURA 11– Sinal ABASTADO (2)

Fonte: Capovilla et al . (2017, p. 54)

Figure 13.

FIGURA 12 – Sinal APLAUDIR (1) (sinal usado para ouvintes), APLAUSO (1)

Fonte: Capovilla et al . (2017, p. 236)

3.1.3 Grupo 3 – Motivação por Espacialidade

O grupo motivador 3 é composto por sinais que apresentam motivação a partir de questões espaciais envolvidas em sua realização6. Encontramos, pois, nos dados analisados: (i) sinais cujo espaço de sinalização é motivado; (ii) sinais cuja direção do movimento é espacialmente motivada; e (iii) sinais com concordância direcional e/ou com concordância locativa, nos quais a direcionalidade ou o espaço de localização são motivados.

Em relação a (i), sinais cujo espaço de sinalização é motivado, destacamos sinais nos quais o espaço de sinalização estabelece uma relação de motivação com a(s) noção(ões) por eles expressa(s), na medida em que são produzidos em locais do espaço significativos. A Figura 13 (sinal ACENDER A LUZ) a seguir exemplifica um sinal desse tipo: o sinal é realizado acima da cabeça, motivado pelo local onde, de modo geral, uma lâmpada se encontra.

Figure 14.

FIGURA 13 – Sinal ACENDER A LUZ

Fonte: Capovilla et al . (2017, p. 79)

Em relação a (ii), sinais cuja direção do movimento é espacialmente motivada, apontamos sinais nos quais a direção do movimento estabelece uma relação de motivação com a(s) ideia(s) por eles expressa(s). São sinais que são produzidos com o movimento direcionado a um local do espaço de sinalização significativo, considerando a(s) noção(ões) neles presente(s), como no sinal exemplificado na Figura 14 abaixo (sinal À ESQUERDA): certamente, o sinal não deveria ser feito para cima, para a direita ou para baixo, por exemplo, já que ele se refere, no caso, à esquerda.

Figure 15.

FIGURA 14 – Sinal À ESQUERDA

Fonte: Capovilla et al . (2017, p. 45)

Em relação a (iii), sinais com concordância direcional e/ou com concordância locativa, por fim, destacamos sinais cuja direção do movimento é gramaticalmente motivada. Citamos, como exemplo: (iii.i) os verbos com concordância7 (ou verbos direcionais); e (iii.ii) os verbos espaciais8, representados aqui nas Figuras 15 (sinal AJUDAR (1), AJUDA (1)) e 16 (sinal ABASTECER): na primeira, o sinal parte de um local no espaço próximo ao sinalizador e é realizado em direção ao interlocutor – beneficiário(a) da ajuda, o(a) que será ajudado(a); na segunda, o sinal parte de um local no espaço de sinalização à frente do sinalizador e é realizado em sua direção, trazendo a ideia de que o sinalizador manipulará algo que será trazido para si.

Figure 16.

FIGURA 15 – Sinal AJUDAR (1), AJUDA (1)

Fonte: Capovilla et al . (2017, p. 138)

Figure 17.

FIGURA 16 – Sinal ABASTECER

Fonte: Capovilla et al . (2017, p. 55)

3.1.4 Grupo 4 – Motivação por Empréstimo Linguístico do Português (ELP)

O grupo motivador 4 é composto por sinais que apresentam motivação a partir do ELP. Em outras palavras, são sinais cuja produção envolve elementos originários da língua portuguesa. Podemos destacar dois tipos de empréstimo linguístico na Libras, a partir do uso de elementos do português: (i) a datilologia/soletração manual e (ii) a inicialização, conforme Ferreira-Brito (1995).

No que diz respeito a (i) datilologia/soletração manual, encontramos, basicamente, três tipos de dados: (i.i) sinais com datilologia/soletração manual total da palavra em português (Figura 17 – sinal ALHO (1)); (i.ii) sinais com datilologia/soletração manual parcial da palavra em português, utilizando uma mão (Figura 18 – sinal ADVÉRBIO (3)) ou duas mãos (Figura 19 – sinal ADVÉRBIO (2)); e (i.iii) sinais com datilologia/soletração manual “livre” (Figura 20 – sinal ALFABETIZAÇÃO (educação infantil)), isto é, nos quais a datilologia não necessariamente corresponde ao nome do sinal registrado em português no dicionário e/ou não faz referência a uma palavra específica da língua portuguesa.

Figure 18.

FIGURA 17 – Sinal ALHO (1)

Fonte: Capovilla et al . (2017, p. 157)

Figure 19.

FIGURA 18 – Sinal ADVÉRBIO (3)

Fonte: Capovilla et al . (2017, p. 110)

Figure 20.

FIGURA 19 – Sinal ADVÉRBIO (2)

Fonte: Capovilla et al . (2017, p. 110)

Figure 21.

FIGURA 20 – Sinal ALFABETIZAÇÃO (educação infantil)

Fonte: Capovilla et al . (2017, p. 150)

No que diz respeito a (ii), inicialização, encontramos dois tipos de dados: (ii.i) sinais com inicialização em “A”, ou seja, realizados com a configuração de mão (CM) em “A”, remetendo a palavras do português convencionalmente associadas aos sinais (Figura 21 – sinal ADÃO (personagem bíblico); e (ii.ii) sinais inicializados com outras letras, remetendo a palavras da língua portuguesa que se iniciam com a mesma letra correspondente à CM do sinal (Figura 22 – sinal AO SUL (orientação geográfica)). Por exemplo, em AO SUL a CM refere-se à letra “S” do alfabeto manual, remetendo, portanto, à letra “S” de “sul”.

Figure 22.

FIGURA 21 – Sinal ADÃO (personagem bíblico)

Fonte: Capovilla et al . (2017, p. 98)

Figure 23.

FIGURA 22 – Sinal AO SUL (orientação geográfica)

Fonte: Capovilla et al . (2017, p. 223)

3.1.5 Grupo 5 – Motivação por Expressões Não-Manuais (ENMs)

O grupo motivador 5 é composto por sinais que apresentam motivação pelo uso de ENMs. Nas LSs, de modo geral, as ENMs prestam-se, basicamente à marcação de construções sintáticas, as quais não foram consideradas por nós neste trabalho, por se tratarem de expressões puramente gramaticais, com finalidades puramente sintáticas, e à diferenciação de itens lexicais (QUADROS; KARNOPP, 2004; QUADROS; PIZZIO; REZENDE, 2008). Observamos nos nossos dados pelo menos três tipos de ENMs motivadas, a saber: (i) ENMs complementares; (ii) ENMs lexicais; e (iii) ENMs gramaticais.

No que tange a (i), ENMs complementares, encontramos nos dados do nosso corpus sinais cujas ENMs que os acompanham complementam o(s) sentido(s) por eles expresso(s), como pode ser visto na Figura 23 (sinal ABANAR-SE (2)): a expressão facial de desconforto, devido ao calor, complementa o(s) sentido(s) atribuídos a ideia de “abanar”.

Figure 24.

FIGURA 23 – Sinal ABANAR-SE (2)

Fonte: Capovilla et al . (2017, p. 52)

Em relação a (ii), ENMs lexicais, encontramos nos dados analisados sinais não manuais cuja realização lexical se dá a partir do uso, exclusivamente, de articuladores não manuais, os quais contribuem, significativamente, para a formação e para a significação do sinal. Citamos como exemplos o sinal da Figura 24 (sinal A FIM DE (3)), no qual temos a representação de uma pessoa paquerando, piscando um dos olhos e realizando um movimento da cabeça levemente para frente, com expressão de felicidade.

Figure 25.

FIGURA 24 – Sinal A FIM DE (3)

Fonte: Capovilla et al . (2017, p. 46)

Por fim, no que diz respeito a (iii), ENMs gramaticais, encontramos, basicamente, três tipos de motivação: (iii.i) bochecha(s) inflada(s) ou sugadas; (iii.ii) movimento do queixo para a esquerda e para a direita; e (iii.iii) movimento da língua para cima e para baixo. Em todos esses casos, tais ENMs estabelecem algum tipo de relação com a(s) noção(ões) expressa pelos sinais por elas acompanhados: no primeiro caso, na Figura 25 (sinal ABARROTAR), de fazer referência a coisas volumosas, grandes, cheias (inflar das bochechas)9; no segundo, na Figura 26 (sinal AGRAMATICAL (2)), o movimento do queixo para a esquerda e para a direita se refere a coisas difíceis, imperfeitas, irregulares e está relacionado à imperfeição de uma frase considerada agramatical; no terceiro, na Figura 27 (sinal ALASTRAR-SE), o movimento da língua para cima e para baixo se relaciona à ideia de espalhar, de proliferar . Os três subtipos de ENMs encontrados são exemplificados a seguir.

Figure 26.

FIGURA 25 – Sinal ABARROTAR

Fonte: Capovilla et al . (2017, p. 54)

Figure 27.

FIGURA 26 – Sinal AGRAMATICAL (2)

Fonte: Capovilla et al . (2017, p. 130)

Figure 28.

FIGURA 27 – Sinal ALASTRAR-SE

Fonte: Capovilla et al . (2017, p. 141)

3.1.6 Grupo 6 – Motivação por Movimento

O grupo motivador 6 é composto por sinais que apresentam motivação a partir do seu movimento, em outras palavras, são sinais cujo(s) movimento(s) que os acompanha(m) apresenta(m) certa relação de motivação com o(s) conceito(s) que eles evocam. Encontramos dois tipos de movimentos motivados: (i) simuladores e (ii) indicativos.

O primeiro tipo de movimento, simulador, são aqueles que simulam movimentos de determinada entidade e/ou de determinada ação, como pode ser visto na Figura 28 (sinal ABACATE (2)), duplamente motivado no que tange ao movimento: em primeiro lugar, o movimento da mão direita do sinalizador em direção à palma de sua mão esquerda faz referência ao movimento do instrumento usado para pegar o abacate (como uma colher, por exemplo); em segundo lugar, o movimento da mesma mão em direção à boca faz referência à ideia de levar o abacate à boca para comê-lo.

Figure 29.

FIGURA 28 – Sinal ABACATE (2)

Fonte: Capovilla et al . (2017, p. 48)

O segundo tipo de movimento, indicativos, é aquele que indica alguma ideia mais geral, como um movimento alternado, indicando comparação (como pode ser visto na Figura 29 – sinal ASSEMBLEIA (1)) ou gradação; e um movimento circular, indicando agrupamento.

Figure 30.

FIGURA 29 – Sinal ASSEMBLEIA (1)

Fonte: Capovilla et al . (2017, p. 288)

No sinal acima, o movimento alternado traz uma ideia de comparação, de análise, apresentando, segundo Capovilla et al. (2017), relação de motivação com o(s) sentido(s) evocado(s) pelo sinal pelo fato de uma “assembleia” ser um local onde se reúnem pessoas e onde propostas e ideias são comparadas e analisadas (conforme descrito no fim do verbete do dicionário).

4. O que os dados indicam? Análise dos dados e proposta de um continuum de iconicidade

Encontramos 1.249 sinais motivados em nosso corpus (90,84% do total de sinais glosados na letra “A” do Dic Brasil), que foram considerados na nossa análise. Destes, apenas 146 (11,69%) apresentam somente uma motivação. Os outros 1.103 sinais (88,31%) apresentam pelo menos mais de uma motivação: 832 sinais (66,62%) apresentam entre duas e seis motivações; 222 sinais (17,77%) apresentam entre sete e onze motivações; 42 sinais (3,36%) apresentam entre doze e dezesseis motivações; e 7 sinais (0,56%) apresentam entre dezessete e vinte e quatro motivações.10

Esses números nos indicam como os sinais da Libras são significativamente motivados (90,84%), apresentando, na maioria das vezes (88,31%), mais de uma motivação. Especificamente, no que tange aos seis tipos de motivação presentes nos dados analisados – isto é, (1) motivação por CLs, (2) motivação por gestualidade, (3) motivação por espacialidade, (4) motivação por ELP, (5) motivação por ENM e (6) motivação por movimento), observamos a possibilidade de os sinais apresentarem mais de um tipo de motivação em sua realização: 330 sinais (26,42%) apresentaram apenas um tipo; 463 sinais (37,07%) apresentaram dois tipos; 276 sinais (22,10%) apresentaram três tipos; 157 sinais (12,57%) apresentaram quatro tipos; 22 sinais (1,76%) apresentaram cinco tipos; e 1 sinal (0,08%) apresentou os seis tipos de motivação.

O tipo de motivação mais recorrente nos sinais motivados analisados foi o primeiro, motivação por CL (1.023 sinais – 81,90% dos dados). Percebemos, aliás, que sempre que um sinal apresenta algum tipo de CL, ele se configura como um sinal motivado, sendo essa motivação, em todos os casos, icônica. Os dados acerca desse tipo de motivação nos mostraram o quão produtivos e motivados são os CLs na Libras, bem como o modo como eles apresentam um caráter consideravelmente imagético, conforme apontado na seção 2 deste artigo.

O segundo tipo de motivação mais recorrente foi a motivação por movimento (656 sinais – 52,52%). Observamos, pois, que o movimento se configura como sendo mais uma oportunidade de motivação a ser aproveitada pelo sinalizador, no espaço multidimensional. Na sequência, o terceiro, o quarto e o quinto tipos de motivação mais recorrentes nos sinais motivados foram, respectivamente, motivação por ENMs (346 sinais – 27,70%), motivação por gestualidade (340 sinais – 27,22%) e motivação por espacialidade (262 sinais – 20,98%). Os dados referentes a esses três tipos de motivação nos mostram, respectivamente, que os sinais da Libras podem ser enriquecidos pela incorporação de informações não manuais que dispensam, muitas vezes, a necessidade de acréscimo de outros sinais; que, de fato, a gestualidade parece ser capaz de interagir com o sistema gramatical da Libras, conferindo, na maioria dos casos, iconicidade aos seus signos linguísticos; e que os efeitos da modalidade gesto-visual da Libras implicam a exploração do espaço de forma motivada. O tipo de motivação menos recorrente foi a motivação por ELP (186 sinais – 14,89%). Tal motivação, em nossos dados, nunca conferiu iconicidade aos sinais. Sobre esse tipo de motivação, notamos que há certa preferência pela inicialização (61,62%) em relação à datilologia/soletração manual (38,38%).

Propusemo-nos neste trabalho a refletir acerca da possibilidade de se analisar a iconicidade na Libras, a partir de algum tipo de gradação. Talvez, a proposta mais simples de gradação da iconicidade na Libras seria uma proposta que considerasse o número de motivações apresentadas pelos sinais. Dessa forma, num continuum de iconicidade, que fosse de pouco a altamente icônico, os sinais poderiam ser analisados como sendo menos ou mais icônicos. Entretanto, conforme apresentado acima, o fato de os itens lexicais serem ora formados por um, ora formado por dois, ora formados por três, ora formado por quatro sinais, juntamente ao fato de, em alguns casos, eles serem articulados por uma mão, e de, em outros, eles serem articulados por duas mãos, certamente, inviabilizaria tal proposta.

Outra proposta de gradação da iconicidade na Libras seria a de considerar o número de tipos de motivação envolvidos na realização do sinal. Semelhantemente, num continuum de iconicidade que fosse de pouco a altamente icônico, os sinais poderiam ser analisados como sendo menos ou mais icônicos. Contudo, as oscilações em relação à atribuição de iconicidade aos sinais na Libras por parte dos tipos de motivações por nós analisados certamente trariam diferentes implicações, inviabilizando, também, esse tipo de proposta, uma vez que nem todo tipo de motivação confere iconicidade ao sinal (por exemplo, o tipo de motivação presente no Grupo 4 – Motivação por ELP).

Acreditamos que a proposta menos problemática (mas, com certeza, nem isenta de problemas, nem simples de ser aplicada), seja uma proposta que considere a natureza dos tipos e dos subtipos de motivação apresentados neste trabalho, no que diz respeito à atribuição de iconicidade aos signos linguísticos na Libras, ou seja, à relação que cada um dos seis grupos motivadores estabelece com a iconicidade. Nesse sentido, Medeiros (2019) apresenta as seguintes asserções: Asserção 1: a motivação por CL é sempre icônica (devido ao caráter imagético desses elementos); Asserção 2: a motivação por gestualidade nem sempre é icônica – 2.1: quando atrelada à parte manual dos sinais, nem sempre é icônica, e 2.2: quando associada a ENMs, pelo menos aparentemente, é icônica; Asserção 3: a motivação por espacialidade nem sempre é icônica – 3.1: quando relacionada ao espaço de sinalização e à direção do movimento, é sempre icônica, e 3.2: quando atrelada à concordância direcional e/ou locativa, nem sempre é icônica; Asserção 4: a motivação por ELP nunca é icônica; Asserção 5: a motivação por ENM nem sempre é icônica – 5.1: quando relacionada à complementação de sinais, pelo menos aparentemente, é icônica, 5.2: quando relacionada à articulação não manual dos sinais (ou seja, à produção não manual de um sinal), é sempre icônica, e 5.3: quando atrelada a aspectos gramaticais, nem sempre é icônica; Asserção 6: a motivação por movimento nos parece ser sempre icônica – 6.1: quando se trata de movimentos simuladores, é sempre icônica, e 6.2: quando se trata de movimentos indicativos, pelo menos aparentemente, é icônica11.

Figure 31.

FIGURA 30 – Continuum de iconicidade na Libras

Fonte: Medeiros (2019)

Destacam-se, na extrema direita desse continuum, os CLs, pelo fato de eles sempre conferirem iconicidade aos sinais e de o fazerem de um modo consideravelmente imagético. Atrás dos CLs, temos as motivações que sempre conferem iconicidade aos sinais, conforme as asserções apresentadas acima, ainda que de uma forma menos imagética. Caminhando um pouco mais à esquerda do continuum, estão as motivações que aparentemente atribuem o status de icônico aos signos. E, então, na extrema esquerda, ficam as motivações que nem sempre conferem iconicidade aos sinais. Vale ressaltar que a motivação por ELP não está presente no continuum, uma vez que elas nunca atribuem iconicidade aos signos linguísticos na Libras.

5. Considerações Finais

No início do presente artigo, trouxemos uma série de questões relacionadas à arbitrariedade, à iconicidade, à imotivação e à motivação, na Libras. Em nossa fundamentação teórica, indo ao encontro da visão de Frydrych (2012), assumimos e defendemos que a arbitrariedade e a iconicidade não são noções opostas, nem sequer de mesma ordem. Argumentamos que não há uma correspondência direta e biunívoca entre os conceitos de arbitrariedade e de imotivação e assim consideramos que todos os signos linguísticos motivados, incluindo os sinais da Libras aqui analisados, são igualmente convencionais e arbitrários.

Ainda assim, investigamos nesta pesquisa uma questão ainda inexplorada: se os conceitos de iconicidade e de motivação são indissociáveis ou não. Nesse aspecto, nossa pesquisa demonstrou que iconicidade e motivação não devem ser vistas como equivalentes. Embora tais conceitos estejam relacionados, uma vez que há motivações que atribuem o status de icônico aos signos linguísticos, há motivações não icônicas (por exemplo, aquelas por ELP). Portanto, todos os sinais icônicos são motivados, mas nem todos os sinais motivados são icônicos. E todos os sinais, independentemente de serem motivados ou não, de serem icônicos ou não, são arbitrários porque são convencionalmente estabelecidos pela comunidade de fala e não apresentam uma relação natural entre significante e significado.

Em relação à possibilidade de se pensar numa gradação de iconicidade, expomos o fato de os sinais da Libras serem fortemente motivados, apresentando, aliás, na maioria das vezes, mais de uma motivação, de diferentes tipos. No entanto, há oscilações no que diz respeito à atribuição de iconicidade a essas motivações, na medida em que elas: ora são sempre icônicas, ora aparentemente icônicas, ora nem sempre icônicas, ora nunca icônicas. Além disso, analisamos itens lexicais formados não apenas por um, mas, também, por dois, três e até quatro sinais, percebemos uma considerável variação, em relação ao número e ao tipo de articuladores envolvidos na execução dos sinais, e observamos formações de sinais em Libras, dicionarizados, que apresentam uma estrutura muito semelhante à estrutura de uma frase. Ainda assim, acreditamos que uma proposta, talvez menos problemática, seja aquela que considere a natureza dos tipos e dos subtipos de motivação considerados neste trabalho. Dessa forma, em um continuum de iconicidade, abrangendo desde motivações nem sempre icônicas a motivações sempre icônicas, os sinais icônicos da Libras poderiam ser analisados como sendo menos ou mais icônicos, um em relação ao outro.

Observamos que 90,84% dos sinais analisados nesta pesquisa apresentam algum tipo de motivação, o que tornaria incoerente a afirmação de que os sinais da Libras, em sua maioria, não possuem algum tipo de motivação, o que não implica, conforme argumentado na fundamentação teórica deste artigo, que, por isso, as LSs deixem de ser línguas arbitrárias.

Finalmente, evidenciamos o quão produtivos e imagéticos são os CLs nas LSs. Especificamente, no que tange à presente pesquisa, verificamos que esses elementos, além de serem os mais recorrentes nos sinais com algum tipo de motivação na Libras (81,90%), sempre conferem iconicidade aos signos linguísticos por eles formados. Esses apontamentos, portanto, ratificam a hipótese de os CLs fazerem parte do núcleo lexical da Libras, sendo responsáveis pela formação da maioria dos sinais dessa língua, tanto dos já existentes quanto dos sinais novos que vêm sendo criados.

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