Espaços de subjetivação discursiva: o funcionamento da autoria em textos autobiográficos da Psicologia Analítica
Resumo
Este artigo propõe uma análise do funcionamento discursivo das instâncias de enunciação em textos autobiográficos, situando-se no quadro conceitual da Análise do discurso (MAINGUENEAU, 2016a). O objetivo é investigar o modo como os eventos enunciativos do corpus instituem um regime de subjetivação no qual se inscrevem imagens de autor. Dialogo com os conceitos da Análise do discurso francesa, a fim de estudar como a cenografia discursiva legitima a enunciação, constituindo um problema do ponto de vista da autoralidade. O estudo mobiliza as noções de funcionamento de autoria e cenografia, a fim de reafirmar a tese de que o enunciador cria as condições da própria enunciação. Trabalho com um corpus composto de textos autobiográficos de Carl Gustav Jung (1875-1961) – fundador da Psicologia Analítica –, considerando os enunciados como a materialidade de um posicionamento específico, de um discurso constituinte. A análise apresentada demonstra que, no texto autobiográfico Livro Vermelho, a cenografia subscreve a subjetividade autoral e legitima a fala individual como campo de estudos validado por uma “Obra”.
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