Resumo

Uma vez que os phrasal verbs são considerados pelos estudantes de língua estrangeira um desafio no processo de aprendizagem, considera-se neste estudo o fenômeno ‘construção verbo-partícula’ pelo viés da semântica cognitiva. O propósito é verificar suas peculiaridades no que tange às extensões metafóricas. A análise fundamenta-se nos estudos de LAKOFF (1987) e LAKOFF E JOHNSON (1980) e tem como foco as preposições espaciais up e down, apresentadas por esquemas imagéticos e que exercem um papel importante para a interpretação dos phrasal verbs.

Introdução

Considerando as propriedades linguísticas que os Phrasal Verbs1 apresentam, em especial as de ordem semântica e metafórica, bem como a consequente dificuldade no âmbito do ensino de LE, busca-se pela abordagem semântica cognitiva suporte para explicar a semântica dos PVs, mais precisamente de suas partículas. Dessa forma, o presente artigo limita-se à análise de LAKOFF (1987) e LAKOFF E JOHNSON (1980) no que diz respeito às partículas espaciais UP e DOWN. Neste sentido, busca-se, por meio de esquemas imagéticos, (i) analisar as propriedades metafóricas dos PVs e (ii) verificar como as metáforas ocorrem e/ou se caracterizam, além de (iii) verificar a correlação metáfora-experiência corporificada.

PVs, também conhecidos como verb-particle constructions, multimodal verbs ou ainda two-part verbs têm sido considerados problemáticos para os aprendizes de LE. Essa problematização se dá por envolver aspectos complexos, tanto sintáticos quanto semânticos. Seu significado sucede na construção de mais de uma palavra, verbo mais partícula(s). A partícula refere-se à uma preposição ou advérbio, já que tanto um quanto outro, além do verbo, podem contribuir com o significado de um PV.

Logo, para o desenvolvimento deste estudo e atingir os objetivos traçados, o presente artigo apresenta fundamentação teórica, visando sustentar as abordagens feitas e dividido em (2.1) ‘Semântica Cognitiva e os PVs’, (2.1.1) ‘Um parecer geral da semântica cognitiva’, (2.1.1.1) ‘Esquemas Imagéticos’ e (2.1.2) ‘A metaforicidade dos PVs’. A partir disso, considera-se a ‘Metodologia e Análise’ e por conseguinte a ‘Discussão sobre a análise e considerações finais’ e ‘Referências bibliográficas’.

1 Fundamentação teórica

A preocupação inicial deste estudo era encontrar uma teoria que desse conta dos aspectos que envolvem os PVs, para então compreender como o fenômeno ocorre. Sendo assim, verificou-se na Linguística Cognitiva o suporte necessário por uma perspectiva não modular e ressaltar princípios cognitivos da linguagem, reunindo abordagens que compartilham hipóteses centrais, além de detalhar suas particularidades no que tange à linguagem humana.

Para tratar, mais especificamente, da semântica e metaforicidade dos PVs, faz-se necessário uma visão linguística enciclopédica2. Assim, a LC, por meio da semântica cognitiva e sustentando-se nos estudo teóricos de LAKOFF (1987) e LAKOFF E JOHNSON (1980), passa a dar o suporte necessário às investigações do presente estudo.

Num primeiro momento, ou ainda, na sua origem, as preposições eram utilizadas para demonstrar noções espaciais entre entes físicos. Porém, percebe-se que elas transcendem estas entidades, uma vez que a experiência física e espacial esteja corporificada.

Assim, nota-se a relação dos PVs, mais precisamente das suas partículas, com esquemas imagéticos, que são representações conceptuais abstratas derivadas da nossa interação diária e do mundo que nos cerca (EVANS E GREEN, 2006, p. 176). LINDNER (1981), LAKOFF (1987), RUDZKA-OSTYN (2003) E TYLER E EVANS (2003) concordam que o significado de um PV vai do concreto ao abstrato e que a metáfora serve como um link entre eles.

2 Semântica Cognitiva e os PVs

2.1 Um parecer geral da semântica cognitiva

Neste capítulo a semântica será vista pela abordagem semântica cognitiva, uma ramificação da Linguística Cognitiva (LC), que assume a linguagem como uma faculdade mental e que as habilidades linguísticas são sustentadas por formas especiais de conhecimento (SAEED, 2003, p. 342). Considerando FERRARI (2011, p. 13), a expressão ‘linguística cognitiva’ circulava no meio linguístico desde 1960, porém foi por volta de 1980 que o termo passou a vigorar. Inicialmente, o termo ‘LC’ foi adotado por George Lakoff, Ronald Langacker, Leonard Talmy, Charles Fillmore e Gilles Fauconnier, um grupo de estudiosos que buscavam uma teoria que sustentasse as relações entre sintaxe e semântica, ao mesmo tempo que considerasse as relações entre forma e significado e se afastasse da perspectiva modular proposta pelo gerativismo.

Consequentemente, surge a semântica cognitiva em reação à visão objetivista de mundo, uma vez que linguistas cognitivos viam o significado linguístico como uma manifestação da estrutura conceptual que, de modo geral, são muito diferentes da visão tradicional. Os sistemas conceptuais são organizados por categorias3 das quais nossos pensamentos as envolvem; funcionam na base da projeção, dominando conceitos mais abstratos a partir de noções mais concretas. Essa nova visão, oposta à tradicional/objetivista, fundamenta-se na experiência corporificada, a qual considera aspectos imaginativos da razão como a metáfora, a metonímia e imagens mentais.

Alguns princípios caracterizam a abordagem semântica cognitiva, entre eles: (i) a estrutura conceptual é corporificada, ou seja, a natureza da organização conceptual emerge da experiência corpórea, (ii) a estrutura semântica é uma estrutura conceptual, uma vez que a estrutura semântica4 é comparada a conceitos, (iii) a representação do significado é enciclopédica, pois unidades linguísticas são vistas como pontos de acesso do conhecimento em relação a um determinado conceito e (iv) a construção do significado é conceptual, sendo que esta comparação é possível em virtude do processo dinâmico no qual os itens lexicais são o ponto de partida para a construção de um nível conceitual (LAKOFF, 1987; EVANS E GREEN, 2006).

O conhecimento em si é organizado em estruturas armazenadas na memória de longo prazo, nomeado por FILLMORE (1982) e LAKOFF (1987) modelos cognitivos idealizados, ou MCIs. É da organização que provém as estruturas das categorias, bem como os efeitos prototípicos. Cada MCI refere-se a uma estrutura complexa no qual envolve (i) estrutura proposicional (frames de Fillmore), (ii) estruturas de imagem esquemática (gramática cognitiva de Langacker), (iii) mapas metafóricos e (iv) mapas metonímicos (descritos por Lakoff e Johnson) (LAKOFF, 1987, p.68). Dessa forma, “o conhecimento é possível, pelo menos parcialmente, por causa das categorias da mente que se ajustam às categorias do mundo” (p. 297).

Sendo assim, passo a explorar um pouco sobre as estruturas de esquemas imagéticos (ou estruturas de imagem esquemática), bem como a metaforicidade dos PVs, já que estes parecem explicar os fenômenos que circundam os PVs.

2.1.1   Esquemas imagéticos

Esquemas imagéticos são vistos como representações conceptuais relativamente abstratas que surgem diretamente de nossa interação diária e do mundo que nos cerca (EVANS E GREEN, 2006, p. 176). Por sua vez, não é abordado como uma estrutura inata do conhecimento, pois deriva da experiência sensorial perceptual (audição, tato, visão, movimento) e é pré-conceitual na sua origem, ou seja, são os primeiros conceitos a emergirem na mente humana, ancorado na experiência corpórea do homem no espaço físico. O que os faz ‘conceptuais’ e não puramente ‘perceptuais’ é pelo fato de prover conceitos conscientemente acessíveis. Considerando LAKOFF (1987, p. 454), um esquema pode ser visto como um protótipo generativo, que gera, aproxima e se enquadra a princípios gerais, definindo o grau dos membros constituintes. Esquemas de imagens consistem de padrões que se dão por instâncias repetidas da experiência corporificada. De modo geral, representam padrões esquemáticos que refletem domínios, como é o caso do CONTÊINER e TRAJETÓRIA, entre outros. Refletir domínios quer dizer sustentar projeções entre domínios conceptuais, característicos do uso metafórico e metonímico.

Pensando na aplicabilidade dos PVs, vale salientar a análise de BRUGMAN (1981, apud LAKOFF, 1987, p.454) a qual apresenta níveis de estruturas prototípicas para algumas preposições, desenvolvendo um estudo específico para a preposição over; que por sua vez envolve (i) a estrutura radial das categorias de esquemas, onde cada esquema é visto como membro de determinada categoria e (ii) a estrutura generativa da categoria de cenas e imagens, definida por esquemas individuais.

Desse modo, faz-se notável que este é o caminho, ou pelo menos um dos caminhos, para explicar o fenômeno ‘phrasal verbs’, podendo refletir sobre suas propriedades gerais e identificar preceitos relacionados. Além disso, por meio da teoria abordada, pode-se averiguar a relação existente entre esquemas imagéticos e metaforicidade; esquemas imagéticos e modelos metafóricos são necessários para representar o significado das expressões - os sentidos de cada expressão forma uma categoria estruturada radialmente, com um membro central e conexões definidas por transformações de esquemas imagéticos e metáforas (LINDER, 1981, HAWKINS, 1984, BRUGMAN, 1981, apud LAKOFF, 1987, p. 460).

2.1.2. A metaforicidade dos PVs

Por meio da LC é possível identificar significados prototípicos e verificar como os significados adicionais são extensões metafóricas do sentido básico; pesquisas como as de LAKOFF E JOHNSON (1980) foram pioneiras ao considerar a metáfora no discurso do dia-a-dia. A aplicabilidade dessa abordagem em relação ao estudo das preposições vale também para TYLER E EVANS (2003).

Para compreender o que vem a ser a metaforicidade dos PVs faz- se necessário destacar alguns conceitos, como é o caso da ‘metáfora estrutural’, onde um conceito é estruturado metaforicamente em termos de um outro. Entretanto, há um outro tipo de conceito metafórico que organiza todo um sistema de conceitos no que diz respeito a outros, conhecido por ‘metáfora orientacional’. Este último fornece as orientações espaciais a um conceito e fundamenta-se na experiência física e cultural, podendo variar de uma cultura à outra (LAKOFF E JOHNSON, 1980, p. 14).

Sendo assim, toma-se como exemplo MORE IS UP / LESS IS DOWN: ‘The number of books printed each year keeps going up’ e ‘The amount of artistic activity in this state has gone down in the past year’. Com base na experiência física, se adicionarmos mais de uma substância ou objeto físico a um contêiner ou pilha, o nível cresce – por meia desta experiência, já corporificada5, que é torna possível compreender o significados dos PVs dos exemplos dados.

Além do que já foi reportado acima, a relação metáfora-coerência cultural merece ser salientada neste estudo. Tendo como exemplo UP-DOWN, consideremos alguns valores culturais da sociedade, embutidos na cultura de um povo, que são coerentes à metáfora (p. 22):

“Mais é melhor” é coerente com ‘MORE IS UP’ e ‘GOOD IS UP’, porém “menos é melhor” não é coerente;

“Maior é melhor” é coerente com ‘MORE IS UP’ e ‘GOOD IS UP’, porém “menor é melhor” não é coerente;

“O futuro será melhor” é coerente com ‘THE FUTURE IS UP’ e ‘GOOD IS UP’, porém “o futuro será pior” não é;

“Haverá mais no futuro” é coerente com ‘MORE IS UP’ e ‘THE FUTURE IS UP’;

“Teu status deveria ser mais alto no futuro” é coerente com ‘HIGH STATUS IS UP’ e ‘THE FUTURE IS UP’.

As metáforas, de acordo com LAKOFF E JOHNSON (1980, p. 46), estruturam em parte nossos conceitos diários e esta estrutura é refletida em nossa linguagem literal. Expressões da língua inglesa são literais ou idiomáticas, enquadrando-se às metáforas e parte da fala cotidiana das pessoas. Alguns exemplos:

- TEORIAS (e ARGUMENTOS) SÃO CONSTRUÇÕES:

We need some more facts or the argument will fall apart”.

- IDEIAS SÃO ALIMENTOS: “Having children eats up a loto f a family’s income”.

Com relação à vida e à morte IDEIAS SÃO ORGANISMOS, tanto PESSOAS quanto PLANTAS.

- IDEIAS SÃO PESSOAS: “His ideas will live on forever”.

- IDEIAS SÃO PLANTAS: “Mathematics has many branches”.

A partir dos exemplos fornecidos, verifica-se que muitos PVs são usados metaforicamente, tanto por parte do verbo quanto por parte da partícula. RUDZKA-OSTYN (2003, p.3) afirma que saber o significado do verbo e o significado espacial da partícula torna a interpretação de um PV mais fácil, mas não o suficiente. Entretanto, mesmo os significados mais abstratos apresentam uma relação como significado espacial original.

No inglês, o significado literal de advérbios e preposições referem- se às noções espaciais. Apesar de poucas línguas conterem PVs, algumas metáforas ocorrem em quase todas as línguas como por exemplo a noção de ‘alto e baixo’, a qual apresenta uma metáfora conceptual6 de quantidade ou poder/status. LAKOFF E JOHNSON (1980) argumentam que muitas das metáforas conceptuais se dão por experiências humanas básicas – experiências corporificadas, interações com o meio físico e cultural. A propósito, KÖVECSES (2005, p. 14 apud KOVÁCS, p.144) destaca que na visão cognitivista a metáfora é uma propriedade indispensável do pensamento e conceptualização humana, ou seja, a língua é metafórica e expressa alto nível de abstrações baseando-se no concreto e entidades físicas. Sendo assim, nosso sistema conceptual é metaforicamente estruturado e definido (LAKOFF, 1980; LAKOFF E JOHNSON, 1987; KÖVECSES, 2005).

3 Metodologia e análise

Com o propósito de averiguar as extensões metafóricas que envolvem os PVs, suas propriedades metafóricas e como as metáforas ocorrem e/ ou se caracterizam, busca-se analisar alguns PVs através de esquemas imagéticos. Neste sentido, este estudo apresenta algumas construções contendo as partículas de sentido espacial UP e DOWN.

Por conseguinte, busca-se averiguar as propriedades metafóricas dos PVs. Up e down, num sentido literal, descrevem movimentos em relação à uma posição mais elevada, já no sentido metafórico, por exemplo, refere- se ao crescimento/aumento de tamanhos, números ou força.

Logo, tendo em vista a importância dos estudos de LAKOFF E JOHNSON (1980) quanto a análise das partículas envolvidas, faz-se necessário examiná-las para só após discutirmos sobre o fenômeno.

3.1 Análise de Lakoff e Johnson: Metáforas orientacionais

Para os autores, orientações espaciais emergem do fato do corpo humano existir num meio físico. A partir disso, as metáforas orientacionais fornecem um conceito à orientação espacial. Neste sentido, faz-se alusão a como os conceitos metafóricos emergem da experiência física e cultural.

Abaixo são demonstradas as metáforas conceptuais sugeridas pelos autores na obra Metaphors We Live By (p. 15-17), bem como sua base empírica - seja ela física ou social. Além disso, há a explanação de exemplos relacionados às metáforas, os quais apresentam PVs7.

FELIZ É UP; TRISTE É DOWN – ‘This chocolate cheers me up

Base física: Postura de desânimo acompanha tristeza e depressão, postura ereta acompanha estado emocional positivo.

CONSCIENTE É UP; INCONSCIENTE É DOWN – ‘Wake up

Base física: Humanos e a maioria dos outros mamíferos dormem deitados e ao acordarem levantam-se.

SAÚDE E VIDA SÃO UP; DOENÇA E MORTE SÃO DOWN – ‘He came down with the flu’

Base física: Doenças sérias nos forçam a deitar-se fisicamente. Quando você está morto, você está fisicamente pra baixo.

TER CONTROLE OU FORÇA É UP; ESTAR SUJEITO AO CONTROLE OR FORÇA É DOWN – ‘The illness is not going to keep him down

Base física: O tamanho físico tipicamente correlaciona com força física e o vencedor num luta está geralmente no topo.

MAIS É UP; MENOS É DOWN – ‘Buldings are going up all over the city’

Base física: Adicionar mais de uma substância ou objetos físicos a um contêiner ou pilha, o nível se eleva.

EVENTOS FUTUROS PREVISÍVEIS SÃO UP - ‘What’s coming up this week?

Base física: Normalmente olhamos na direção em que nos movemos (à frente, para o futuro). Quando um objeto aborda uma pessoa (ou vice- versa) o objeto parece ser maior. Desde que a superfície seja percebida como fixa, o topo do objeto parece mover-se acima do campo de visão da pessoa.

ALTO STATUS É UP; BAIXO STATUS É DOWN – ‘He’s putting up the price again

Base física e social: Status é correlacionado com poder (social) e poder (físico) é UP.

GOOD IS UP; BAD IS DOWN – ‘Things are looking up’

Base física para bem-estar pessoal: Felicidade, saúde, vida e controle – coisas que caracterizam o que é bom para uma pessoa – são todas UP.

VIRTUDE É UP; DEPRAVAÇÃO É DOWN – ‘Be warm, or your relationship will break down

Base física e social: BOM É UP para uma pessoa, juntamente com a metáfora SOCIEDADE É UMA PESSOA – logo, ser virtuoso é agir de acordo com os padrões da sociedade/pessoas que mantém o bem estar. VIRTUDE É UP porque ações virtuosas correlacionam com o bem estar social do ponto de vista da sociedade/pessoas. Desde que metáforas com base social são culturais, é o ponto de vista da sociedade/ pessoas que são considerados.

4 Discussão sobre a análise e considerações finais

A partir da análise de LAKOFF E JOHNSON (idem) averiguou- se que os conceitos acima envolvem uma metáfora, ou mais, numa configuração espacial, apresentando coerência orientacional no que tange outras metáforas. A coerência é proveniente dos valores culturais embutidos na sociedade. Além disso, verifica-se que as metáforas baseiam-se na experiência física e cultural que atribuem às suas extensões e facilitam a compreensão de conceitos; mesmo porque uma metáfora, considerada principal, pode prover outras e estender seu significado, diversificando ou não de uma cultura para outra.

Por conseguinte, verifica-se que há um real envolvimento de esquemas imagéticos em relação aos PVs evidenciando que a experiência é corporificada e promovendo a interpretação dos mesmos por meio de projeções metafóricas que partem de um domínio ESPACIAL (concreto) para um mais abstrato. Por exemplo: MAIS É UP/MENONS É DOWN conta com a projeção de um domínio fonte, VERTICALIDADE, a um domínio alvo, QUANTIDADE. Neste sentido, de acordo com LAKOFF (1987, p.276), um domínio fonte só funciona como uma metáfora se puder ser compreendido independentemente dela; neste caso, VERTICALIDADE refere-se à estrutura esquemática de CIMA-BAIXO (UP-DOWN) vinculada a noção de gravidade. Além disso, faz-se possível compreender QUANTIDADE por meio da VERTICALIDADE devido à correlação entre ambos, motivada pelo funcionamento físico. Entretanto, vale salientar que apesar de haver diversas correlações estruturais consequentes da experiência corpórea, não são todas que motivam metáforas8.

Nas palavras de LAKOFF (1980, p. 275), “esquemas imagéticos fornecem evidências importantes para conceitos abstratos que emergem de instâncias da experiência corpórea e projeções metafóricas de um domínio concreto para um abstrato”.

Todavia, a língua em si é metafórica e expressa alto nível de abstração, baseando no concreto e entidades físicas, ou seja, na experiência corporificada, o que possibilita interpretar os PVs a partir da semântica envolvida.

Referências

FERRARI, Lilian. Introdução à Linguística Cognitiva. São Paulo: Editora Contexto, 2011.

KOVÁCS, Éva. The Traditional Vs. Cognitive Approach to English Phrasal Verbs. [200-] Disponível em: < http://www.uni-miskolc.hu/~philos/2011_tom_XVI_1/141.pdf>. Acesso em: 16 de janeiro, 2014.

KÖVECSES, Zoltán. A metafora. Gyakorlati bevezetés a kognitiv metaforaelméletbe. Budapest: Typotex, 2005, 14; 32-45.

LAKOFF, George. Women, Fire, and Dangerous Things. Chicago: The University of Chicago Press, 1987 [1990].

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LINDNER, Susan. A lexico-semantic analysis of verb-particle constructions with UP and OUT. 260p. Tese de Doutorado. Universidade da Califórnia, San Diego, 1981.

RUDZKA-OSTYN, Brygida. Word power: Phrasal Verbs and Compounds. The Hague: Mouton de Gruyter, 2003, 2.

SAEED, John. Semantics. 2.ed. Oxford:Blackwell, 2003.

TYLER, Andrea; EVANS, Vyvyan. The Semantics of English Prepositions: Spatial scenes, meaning and cognition. Cambridge: Cambridge University Press, 2003.

VYVYAN, Evans; GREEN, Melanie. Cognitive Linguistics: an introduction. Edinburgh: Edinburgh University Press Ltd, 2006.