Resumo

Este artigo tem um duplo objetivo, um teórico e outro empírico. Teoricamente, o artigo revisita os conceitos de ideologias linguísticas e indexicalidade, entendidas como chaves teóricas utilizadas por estudos recentes sobre práticas comunicativas situadas que evitam tomar o “dado” linguístico em seu valor de face, isto é, que buscam problematizar o caráter interacional do “dado” e a feição ideológica, portanto interessada, das crenças sobre linguagem. Empiricamente, este estudo parte de duas interações, das quais fomos diferentemente participantes, para problematizar a importância de levar em consideração uma atenção às crenças sobre a linguagem – hegemônicas e alternativas – e à indexicalidade de eventos como as entrevistas na própria teorização sobre linguagem. Partindo das projeções de Fabian Severo e Dilma Rousseff sobre língua padrão, portunhol e diversidade linguística, nos eventos de que participamos, questionamos as lentes padronizadoras da diversidade linguística.