Discursos sobre ciência, tecnologia e deslocamento de pesquisadores: o político e o científico se (des)encontram
Resumo
As políticas governamentais brasileiras para ciência passaram em período recente pela transformação do Ministério da Ciência e Tecnologia em Ministério da Ciência, Tecnologia Inovações e Comunicação. Em meio a este percurso, a revogação da portaria 2227/2019 pela 204/2020 foi considerada uma conquista de entidades no trato à restrição de reunião de pesquisadores tal como aquela portaria preconizava. O objetivo deste texto é analisar este embate discursivo também veiculado nas manifestações contrárias da Academia Brasileira de Ciências e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência à 2227/2019 de modo que puseram a funcionar discursos que recuperam um efeito de sentido de “tecnologia” e “inovação” já postos a circular desde a criação da “empresa brasileira” para “desenvolvimento tecnológico”. O corpus é formado por textos destas portarias emitidas pelo governo federal no período de 2005 a 2020 que tratam do estabelecimento de prioridades no investimento em ciência e tecnologia, bem como de manchetes de jornais da mídia online. Os resultados apontaram para uma alienação às formações discursivas de investimento e sustentabilidade que excluem as Letras e as Humanidades de modo geral e destitui as Políticas Públicas de seu valor de garantidoras de defesa dos interesses públicos para bem-estar social da coletividade.
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