Nomeando coisas em Mundurukú: um perfil da estrutura conceitual dos classificadores
Resumen
O presente artigo apresenta a estrutura conceitual dos classificadores da língua Mundurukú (Tupí), ressaltando os traços de forma, consistência e/ou material que são relevantes para que a classificação se aplique aos nomes. O principal objetivo deste texto é descrever os traços semânticos preservados nos significados classificatórios após o processo de dessemantização que nomes inalienáveis sofrem para que os classificadores sejam formados. Para alcançá-lo, conduzimos um teste de criação de nomes com três falantes de Mundurukú. Esse teste consistiu em nomear objetos na língua a partir de imagens reunidas no Google Imagens e mostradas aos colaboradores digitalmente. Em alguns casos, mais de uma imagem e até GIFs dos objetos em questão foram acrescentados. As imagens escolhidas deviam evidenciar a forma e a consistência dos objetos, tornando-os, dessa forma, fortes candidatos a serem nomeados com a escolha de um classificador. Entre os objetos selecionados, alguns já eram conhecidos e utilizados (ex., lâmpada, refrigerante, pílulas, carregador de celular) e outros eram menos utilizados no dia-a-dia, ou até desconhecidos (ex., spray nasal, pincel de maquiagem, conduíte, asa delta, cloche). A intenção era verificar se os objetos seriam nomeados com classificadores e quais os classificadores seriam escolhidos. Além da descrição da estrutura conceitual de cada um dos classificadores, o teste permitiu observar e confirmar, de um modo geral, que a classificação, na língua, é uma estratégia produtiva e sistemática, capaz de agrupar os nomes do Mundurukú em quatro classes: classificados por forma, consistência, forma e consistência e forma e material.
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