Resumo

Em 1576, na oficina de Antônio Gonçalves, em Lisboa, fora publicada a “Historia da prouincia Sãcta Cruz a que vulgarmete chamamos Brasil”, de Pero de Magalhães de Gândavo, o qual teria dedicado mais de dez anos de trabalho à sua elaboração. Durante o processo de escrita e reescrita, passou por diferentes versões, sendo três manuscritas anteriores à edição príncipe, as quais se encontram arquivadas em bibliotecas de três países diferentes. Cada versão manuscrita recebera uma dedicatória diferente, o que nos levou à investigação desse elemento pré-textual, a partir de Bakhtin (1997), Chartier (1998), Hue (2004), Pereira Filho (1965), entre outros, concebendo-o como um gênero discursivo, cuja função vai além de indicar uma homenagem ou pedido de proteção, mas também marcas autorais.

Introdução

A história de elaboração de uma obra é envolta de curiosidades (e, por que não, mistérios?) e informações nem sempre conhecidas pelos seus leitores. Ao referir-nos a obras antigas, a proporção se acentua. “[...] é complexa a história que um texto pode ter no processo de sua transmissão ao longo dos tempos” (CAMBRAIA, 2005: 63).

Em 1576, Pero de Magalhães de Gândavo, publicava, na oficina tipográfica de Antonio Gonçalves, em Lisboa, sua Historia da prouincia Sãcta Cruz a que vulgarmete chamamos Brasil1, considerada a primeira história sobre o Brasil em língua portuguesa, procurando propagar, pois, vários aspectos da terra então descoberta: habitantes, capitanias, frutas, animais, sistema de governo, entre outros.

Antes de sua publicação, o texto passa, num intervalo de aproximadamente dez anos de trabalho, por um processo de escrita e reescrita, conhecendo-se três versões manuscritas anteriores à edição príncipe (PEREIRA FILHO, 1965; HUE, 2004), oportunizando o conhecimento de parte do histórico de sua elaboração e parte de suas condições de produção, sendo, pois, um diferencial, haja vista não ser uma regra as obras antigas e raras oferecerem tal histórico, havendo, portanto, quatro versões da obra em questão: os manuscritos Tractado da prouinçia do Brasil (ms.1), Tractado da terra do Brasil (ms.2) e Historia da prouincia Sancta Cruz, a que vulgarmente chamamos Brasil (ms.3); e a edição príncipe Historia da prouincia Sãcta Cruz a que vulgarmete chamamos Brasil.

Estamos, portanto, diante de um dêsses casos raríssimos de documentação integralmente conservada, de molde a permitir a reconstituição do roteiro, exato e ao vivo, de um caso de gênese literária. Um mundo de fascinantes curiosidades, não só históricas, como literárias e estilísticas, inclusive lingüístico-filológicas, palpita no seio dêsses quatro textos. Além do que, representam êles quatro monumentos preciosos do patrimônio cultural e afetivo de todos os brasileiros, quatro retratos vivos e de corpo inteiro das fases de elaboração de uma obra que havia de ser o marco da nossa Historiografia (PEREIRA FILHO, 1965: 12).

Cada uma das versões manuscritas apresenta uma dedicatória diferente, o que nos levou a investigar esse elemento pré-textual à luz de alguns conceitos da Filologia e considerando a cena de enunciação. Inicialmente, discutimos a função da dedicatória na Idade Média; depois, apresentamos o corpus, em edição fac-símile e semidiplomática, seguido de considerações analíticas, de forma a tratar o gênero dedicatória como um indício de marca autoral.

1. Dedicatória na Idade Média: “moeda de troca”?

Ao estudarmos a tradição textual da “Historia”, um aspecto que nos instigou foi o fato de que as versões manuscritas foram dedicadas a personalidades diferentes (mantendo-se na edição príncipe o homenageado da terceira versão), sobre as quais apresentamos algumas informações.

A primeira versão manuscrita é dedicada à Dona Catarina de Áustria, que se casou com o rei João III em 1525, o qual reinou entre 1521 e 1557. Após a morte deste, assumiu D. Sebastião (de 1557 a 1578), neto de D. Catarina, a qual assumiu a regência do reino entre 1557 e 1562. Dom Henrique, segundo homenageado, no ms.2, foi o sucessor de Dom Sebastião, reinando entre 1578 e 1580. Dom Leonis Pereira, homenageado na terceira versão manuscrita e também na edição príncipe, não pertencia à família real. Fora governador de Malaca e lutara contra o sultão de Achém, sendo o principal herói da defesa do território.

A partir de tal constatação, refletimos acerca dos motivos pelos quais o locutor pode ter decidido dedicar as versões da primeira fase (enquanto Tratado) a representantes da realeza, e as da segunda fase (enquanto História) a um então ex-governador, procurando ler especificamente a respeito deste elemento pré-textual tão importante ao panorama da obra, mas muitas vezes desconsiderado – a dedicatória.

Chartier (1998) aborda o fato de o autor da Idade Média estar entre a punição e a proteção. Punição devido às ações da Inquisição, as quais o forçavam, antes mesmo do reconhecimento do direito que tinha sobre sua obra, a ater-se à censura e interdição dos textos como primeira afirmação da sua identidade, o que corrobora a afirmação de que “a cultura escrita é inseparável dos gestos violentos que a reprimem” (p. 23). Em relação à proteção, destaca a função da dedicatória, a qual passa a ser utilizada como uma espécie de gesto de gentileza e respeito como estratégia para receber algo em troca. Determinado trecho da obra de Chartier (1998: 36-7) traz como ilustrações cenas de dedicatória do século XV, extraídas de manuscritos do referido século, nas quais seu autor entrega um manuscrito a quem se dedica a obra, nos casos ilustrados, uma duquesa e um rei, dos quais se espera proteção como forma de retribuir a oferta. Para Chartier (1998: 23), “as perseguições são como que o reverso das proteções, privilégios, recompensas ou pensões concedidas pelos poderes eclesiásticos e pelos príncipes. O espetáculo público do castigo inverte a cena da dedicatória”. É como se esta servisse como uma forma estratégica de fugir ao “castigo” de não receber permissão para a publicação de uma obra que não representasse os interesses da Inquisição, o que, de certa forma, funcionaria como proibição à sua leitura. Assim, ao se dedicar uma obra buscava-se, sobretudo, sua proteção.

Ao estabelecer a função autor, Chartier (1998: 39) coloca em questão a “condição” de autor, destacando que somente no século XVIII surgem autores que tentam viver de sua escrita. No século XVII, a cessão dos manuscritos aos livreiros-editores não proporciona uma renda suficiente2, então, ao escritor desta época restam duas possibilidades:

Uma é que ele seja provido de benefícios, cargos, postos, caso ele não pertença a uma linhagem aristocrática ou burguesa, dispondo de uma fortuna patrimonial. Ou ele é obrigado a entrar nas relações de patrocínio e recebe uma remuneração não imediata de seu trabalho como escritor, sob a forma de pensão, de recompensa ou de emprego.

A dedicatória passa a funcionar, dessa forma, como um rito que inicia as relações de clientela ou patrocínio, podendo ser representada, tratando-se de um impresso, pelo oferecimento de uma cópia manuscrita com bela grafia e ricamente ornamentada ou um exemplar do livro impresso, luxuosamente encadernado e impresso sobre pergaminho, e não em papel, como as edições eram preparadas. O autor da Idade Média, a partir da dedicatória, tenta se proteger de uma provável punição ou ser recompensado por seus méritos:

No século XVII, no Ocidente, se o autor é um culpado em potencial, ele se vê também como um pensionista virtual. Ele teme que se lhe impute uma responsabilidade política ou religiosa, que lhe valeria uma punição, mas espera também que seus méritos sejam recompensados por uma pensão (CHARTIER, 1998: 38)

o que nos leva a entender o funcionamento da dedicatória, na Idade Média, como “moeda de troca”.

Relacionando as afirmações de Chartier (1998) ao nosso objeto de investigação, é possível afirmar que as dedicatórias, nos quatro textos, tenham sido direcionadas aos seus homenageados não por mera gentileza, mas com a função de pedido de proteção, primeiramente ao poder real, e depois, a um “herói”, o que pode ser comprovado pelos seguintes versos de Camões (na edição príncipe) o qual pede, ao homenageado (Dom Leonis), pelo livro do amigo Gândavo: “E seja elle com vosco defendido, Como o foy de Malaca o fraco muro” (GÂNDAVO, 1576, f. 4r); e também pela seguinte afirmação de Gândavo (1576, f. 4v) na epístola a Dom Leonis: “Poronde com muita razam fauorecido desta confiança possa seguramente sair a luz com esta pequena empresa e diuulgala pela terra sem nenhum receo, tendo por defensor della a Vossa Merce”. Tal relação de interesse por proteção se reforça se considerarmos o fato de a segunda versão ser dedicada a alguém que ocupava o cargo de Inquisidor Geral. É como se Gândavo já estivesse adiantando um pedido de proteção disfarçado de gentileza.

Convém destacar que de acordo com Moura (2000: 131-2), “este D. Leonis Pereira, conquanto ilustrado pelos seus feitos guerreiros, com certeza não regressava a Lisboa propriamente coberto de retumbâncias da glória militar”, de forma que:

Muito provavelmente teremos de ver na dedicatória de Gândavo e nos versos de Camões que a acompanham um gesto de utilização da pena em prol de alguém que em tempos tivera um comportamento valoroso no Oriente e que, em Lisboa, estivesse porventura a atravessar uma situação próxima do desfavor, ou pelo menos da indiferença real, de modo a pôr-lhe os feitos em relevo e a auferir algum estipêndio condigno da solidariedade assim manifestada.

Como D. Leonis era rico (MOURA, 2000), existe a hipótese de que financiara a edição príncipe da “Historia”, corroborando as afirmações de Chartier (2008), para quem a dedicatória poderia funcionar como um gesto para receber algo em troca, neste caso, o “estipêndio” e a proteção do defensor de Malaca. Dessa forma, a afirmação de que a função da dedicatória seria a de pedido de proteção funciona, na verdade, no sentido de “passar como” pedido de proteção, pois Gândavo teria encontrado na dedicatória a contrapartida da “negociação”. Nos ms.1 e ms.2, por sua vez, ela “passa como” uma obrigação de vassalo, como o próprio locutor enfatiza, no entanto, a partir dela estaria, indiretamente, tentando encontrar um financiador para sua publicação: “[...] e o pobre do Gândavo surge com ar pedinchão e seu quê de sabujo, a distribuir Tratados a todos, como diva de alegoria barata, cornucópia na mão e sendais duvidosos, jogando flores por todos os lados” (PEREIRA FILHO, 1965: 45), corroborando nossa proposta de ler na dedicatória bem mais que gentileza e proteção.

Na seção seguinte, apresentamos a análise do corpus junto à consideração da dedicatória enquanto um gênero discursivo e, especificamente, das dedicatórias em questão como indícios de marcas autorais.

2. Apontamentos acerca da dedicatória como gênero discursivo e marca autoral

Comumente concebida como um componente de obras literárias, trabalhos acadêmicos, entre outros, a dedicatória, conforme apresentada no material em estudo, faz-nos pensá-la, a partir de Cox (2014), como um “gênero discursivo independente” junto a cada uma das versões na qual se encontra. Considerando que o locutor a inclui nas quatro versões com traços similares, e que os manuscritos sejam apógrafos e anônimos, seu estudo pode fornecer pistas para a investigação de indícios da voz do locutor da edição príncipe nas versões manuscritas, nos auxiliando a responder: onde está Gândavo nos manuscritos?

A seguir, a citação dos nomes dos homenageados como apresentados nas quatro versões. Três delas trazem-nos já na folha de rosto; depois, nas quatro versões, de forma específica, junto à página reservada à dedicatória, na qual o locutor direciona um texto epistolar ao homenageado. Em relação às terceira e quarta versões, o nome do homenageado também é visível antes da apresentação de tercetos e soneto de Camões:

Figure 1.

a) a) primeira versão manuscrita: a.1) folha de rosto:

(GÂNDAVO, ms.1, f. 1r)

Figure 2.

a.2) página da dedicatória:

(GÂNDAVO, ms.1, f. 1v)

Figure 3.

b) segunda versão manuscrita: b.1) página da dedicatória:

(GÂNDAVO, ms.2, f. 1v)

Figure 4.

c) terceira versão manuscrita: c.1) página inicial dos tercetos de Camões:

(GÂNDAVO, ms.3, f. 1r)

Figure 5.

c.2) página do soneto de Camões

(GÂNDAVO, ms.3, f. 4r)

Figure 6.

c.3) folha de rosto:

(GÂNDAVO, ms.3, f. 5r)

Figure 7.

c.4) página da dedicatória:

(GÂNDAVO, ms.3, f. 5r)

Figure 8.

d) edição príncipe: d.1) folha de rosto:

(GÂNDAVO, 1576, f. 1r)

Figure 9.

d.2) página inicial dos tercetos de Camões:

(GÂNDAVO, 1576, f. 2r)

Figure 10.

d.3) página do soneto de Camões:

(GÂNDAVO, 1576, f. 4r)

Figure 11.

d.4) página da dedicatória:

GÂNDAVO, 1576, f. 4v)

Um gênero discursivo, segundo Bakhtin (1997: 279), se constrói a partir de três constituintes: estrutura composicional, conteúdo temático e estilo:

A utilização da língua efetua-se em forma de enunciados (orais e escritos), concretos e únicos, que emanam dos integrantes duma ou doutra esfera da atividade humana. O enunciado reflete as condições específicas e as finalidades de cada uma dessas esferas, não só por seu conteúdo (temático) e por seu estilo verbal, ou seja, pela seleção operada nos recursos da língua – recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais – , mas também, e sobretudo, por sua construção composicional.

Para este teórico, os três constituintes “fundem-se indissoluvelmente no todo do enunciado, e todos eles são marcados pela especificidade de uma esfera de comunicação”, a qual elabora seus “tipos relativamente estáveis de enunciados” – os gêneros do discurso. Para sustentar nossa proposição de vermos na dedicatória um gênero discursivo independente, procuramos mostrar, por referências textuais, sua constituição, a qual se dá por traços específicos no conjunto dos quatro textos, cuja composição se caracteriza por referências breves e não breves aos homenageados. As primeiras, no formato de frases curtas, se encontram em páginas diferentes à da dedicatória e numa espécie de cabeçalho na seção específica. As não breves são representadas pelo texto ao homenageado na página da dedicatória.

A tabela, a seguir, representa as referências breves:

Table 1.

TABELA 1: Referências breves aos homenageados

folha de rosto página da dedicatória página inicial dos tercetos página do soneto
ms.1 [...] offerecido a muito Alta e Serenissima Sor̃a Dona Catherina Rainha de Portugal Snor̃a nossa. A Rainha nossa Sor̃a. O autor.
ms.2 Ao muy alto e Serenissimo Principe dom Anrrique Cardeal Jffante de Portugal
ms.3 [...] dirigida ao muito Íllustre Snõr Dom Lionis Pereira. Epístola ao Senhor Dom Lionís. Ao muito illustre Snõr Dom Lionis Pereira sobre o liuro q̃ lhe offerece Pero de Magalhaẽs. [...] [...] ao snõr Dom Lionis, açerca da victoria q̃ ouue contra ElRey do Achem ẽ Malaca.
e.p. [...] dirigida ao muito Ill snõr Dom Lionis Pra gouernador que foy di Malaca E das mais partes do Sul na India. AO MVITO ILLVSTRE SENHOR DOM LIONIS PEREIRA, Epistola de Pero de Magalhães. Ao muito illustre senhor Dom LIONIS PEREIRA sobre o liuro que lhe offerece Pero de Magalhães [...]. [...] ao senhor Dom Lionis, acerca da victoria que ouue contra elRey do Achem em Malaca.

Nas versões da fase “tratado” (ms.1 e ms.2), a relação de similaridade se dá a partir da relevância que o locutor pretende conferir aos atributos dos homenageados: “muito Alta e Serenissima” (ms.1) e “muy alto e Serenissimo” (ms.2); e ainda na necessidade de apontar o reino ao qual pertencem: “de Portugal” (ms.1) e “de portugal (ms.2).

Na fase “história” (ms.3 e e.p.), por sua vez, a relação entre as duas versões é marcada por:

a) lexia “illustre”: “Íllustre” e “illustre” (ms.3); “Ill”, “ILLVSTRE” e “illustre” (e.p.);

b) concepção do texto da dedicatória como uma epístola;

c) destaque aos atributos do homenageado: “muito Íllustre” e “muito illustre” (ms.3); “muito Ill”, “MVITO ILLVSTRE” e “muito illustre” (e.p.);

d) indicação de feito glorioso do homenageado: “açerca da victoria q̃ ouue contra ElRey do Achem ẽ Malaca” (ms.3) e “acerca da victoria que ouue contra elRey do Achem em Malaca” (e.p.);

e) indicação da dedicatória, na folha de rosto, a partir do verbo “dirigir”: “dirigida” (ms.3 e e.p.);

f) indicação da dedicatória, na página inicial dos tercetos, a partir do verbo “oferecer”: “offerece” (ms.3 e e.p.).

Na comparação entre as fases, destacamos a indicação da dedicatória, a partir do verbo “oferecer”: “offerecido” (1ª fase – ms.1) e “offerece” (2ª fase – ms.3 e e.p.); e também o fato de o locutor se incluir nos textos: “O autor” (1ª fase – ms.1) e “Pero de Magalhaẽs”/ “Pero de Magalhães” (2ª fase – ms.3 e e.p.).

Citando, finalmente, similaridades entre as quatro versões, temos: necessidade de ressaltar as qualidades dos homenageados; intensificação dos atributos destes a partir do advérbio “muito”; e indicação topográfica. As próximas figuras representam as referências não breves, tomando, pois, os textos constantes à seção da dedicatória de cada versão. Como método, apresentamos, à esquerda de cada tabela, o fac-símile do texto, e, à direita, nossa transcrição semidiplomática – com conservação da ortografia; desenvolvimento das abreviaturas; e indicação de mudança de linha com um traço vertical, e de página, com dois.

Figure 12.

FIGURA 1: Dedicatória do ms.1

1v. Naõ me pareçeo cousa fora de propo= | sito (muito alta e Serenissima S e n h ora) mas | antes diuida e neçessaria offereçer aV ossa A lteza | este summario da prouinçia do Brasil, | (cousa que ategora naõ imprendeo pessoa alguã) | assý por mostrar aobediençia e obrigaçaõ | de humil vassalo, como tambem por dar | nouas particullares destas partes aV ossa A lteza | onde por algũs anños me achei E colligi esta | breue informaçaõ na verdade e a maior || 2r. parte das cousas q ue aqui escreuo vi. e expre= | menteý. Pello q ue peço aV ossa A lteza me re= | çeba este pobre presente como fruita da | terra, E com tamaña merçe ficareý satis= | feito Rogando a nosso s e n h or lhe de prospe= | ros e largissimos anños deVida pera o. | seruir e nos fazer muitas merçes. | (GÂNDAVO, ms.1, f. 1v-2r).

Figure 13.

FIGURA 2: Dedicatória do ms.2

Figure 14.

FIGURA 2: Dedicatória do ms.2 (continuação)

Figure 15.

FIGURA 2: Dedicatória do ms.2 (continuação)

1v. Posto que os dias passados apresentei | outro sũmario da terra do brasil a elRei | nosso s e n h or, foi por comprir primeiro com | esta obrigação de vassallo que todos de= | uemos a nosso Rei: e por esta razão | me pareçeo cousa mui necessaria (muýto | Alto E serenissimo s e n h or) offereçer tambem | este a V ossa A lteza a quẽ se deuem Refirir os | louuores E acreçentamento das terras q ue | nestes Reinos floreçem: pois sempre dese= | iou tanto augmentallas e conseruar se= | us subditos E vassalos ẽ perpetua paz. || 2r. Como eu isto entenda, e conheça quam | aççeitos são os bõs seruiços a V ossa A lteza que | ao Reino se fazem imaginei comigo que | podia trazer destas partes com que desse | testemunho de minha pura tenção: e acheý | que não se podia dũ fraco homẽ esperar | maior seruiço (ainda que tal não pareça) | que lançar mão desta informaçaõ da | terra do Brasil (cousa q ue ategora não im= | preendeo pessoa algũa) pera q ue nestes | Reinos se deuulge sua fertillidade E | prouoque a muitas pessoas pobres que | se vaõ viuer a esta prouinçia, que nisso | consiste a felliçidade e augmento della. | E porque V ossa A lteza sabe quanto seruiço | de Deos e delRei nosso s e n h or seýa esta || 2v. denunçiação determineý collegilla com de= | liberaçaõ de a offereçer a V ossa A lteza a quẽ | humilmente peço ma Reçeba, E com tama= | nha merçe ficarei satisfeito Rogando a | nosso s e n h or lhe de prosperos e largissimos | annos de vida E deixe per= | maneçer seu Real estado | em perpetua felli= | çidade. amẽ | Humilde vassalo de V ossa A lteza Pero de Magalhães || (GÂNDAVO, ms.2, f. 1v-2v).

Figure 16.

FIGURA 3: Dedicatória do ms.3

Figure 17.

FIGURA 3: Dedicatória do ms.3 (continuação)

Figure 18.

FIGURA 3: Dedicatória do ms.3 (continuação)

6r. Nesti pequeno seruiço, muito illustre s e n h or, | qui offereço a vossa merci das premicias | de meu fraco entendimeto, poderá nalguã | maneira conhecer os desejos qui tenho de pagar cõ | minha possibilidadi alguã parte do muito que se de= | ue á inclita fama de vosso heroýco nomi. E isto | assi pelo merecimento do nobilissimo sangui e clara | progenie dondi traz sua origem, como pelos trophe=| os das grandes victorias e casos bem afortunados | qui lhe haõ sucedido nessas partes do orienti em qui | Deos o quis fauorecer com tam larga maõ, que naõ | cuido ser toda minha vida bastanti para satisfazer | á menor parti de seus louuores. E como todas || 6v. estas razoẽs me ponhaõ em tanta obrigação, e eu en= | tenda que outra nenhuã cousa devi ser mais aceita | a pessoas de altos animos qui a lição das escrituras, | per cujos meýos se alcançaõ os segredos de todas as | ciencias, e os homẽs vém a illustrar seus nomes, e | perpetualos na terra com fama immortal: determi= | neý escolher a vossa merci entre os mais s e n h ores da | terra, e dedicarlhi esta breui historia. A qual es=| pero qui folgui de ver com attençaõ, e Receberma | benignamenti debaixo de seu emparo, assi por | cousa noua e eu a escreuer como testemunha | de vista: como tambem por saber quam parti= | cular affeiçaõ vossa merci tem ás cousas do in= | genho, e qui por esta causa lhe naõ será me= | nos aceito, o exercicio das escrituras, qui o das | armas. Porondi com muita razão, fauorecido | desta confiança, posso seguramenti sair a luz cõ | esta pequena impresa, e diuulgala pela terra || 7r. sem nenhum receo, tendo por defensor della a. V ossa | M erci . Cuja illustrissima pessoa nosso senhor guardi | e acrecente sua vida e estado por longos e felices | annos. || (GÂNDAVO, ms.3, f. 6r-7r).

Figure 19.

FIGURA 4: Dedicatória da edição príncipe

4v. NESTE pequeno seruiço | (muito illustre senhor) que offere= | ço a V ossa M erce das premicias de meu fra= | co entendimento, poderá nalgũa | maneira conhecer os desejos que | tenho de pagar com minha possibi= | lidade algũa parte do muito que se | deue á inclita fama de vosso heroy= | co nome. E isto assi pelo mereci= | mẽto do nobilissimo sangue e cla= | ra progenie donde traz sua origem, | como pelos tropheos das grandes | victorias, e casos bem afortunados que lhe hão succedido nessas par= | tes do Oriente em que Deos o quis fauorecer com tam larga mão, | que nam cuido ser toda minha vida bastante pera satisfazer á menor | parte de seus louuores. E como todas estas razões me ponham em | tanta obrigaçam, e eu entenda que outra nenhũa cousa deue ser | mais aceita a pessoas de altos animos que a liçam das escrituras, per | cujos meyos se alcançam os segredos de todas as sciencias, e os ho= | mẽs vém a illustrar seus nomes e perpetualos na terra com fama im= | mortal, determiney escolher a V ossa M erce entre os mais senhores da ter= | ra, e dedicarlhe esta breue historia. A qual espero que folgue de | ver cõ attençam e receberma benignamente debaixo de seu empa= | ro: assi por cousa noua, e eu a escreuer como testemunha de vi= | sta: como por saber quam particular affeiçam V ossa M erce tem ás cousas | do ingenho, e que por esta causa lhe nam sera menos aceito o exer= | cicio das escrituras, que o das armas. Poronde com muita razam | fauorecido desta confiança possa seguramente sair a luz com esta pe= | quena empresa e diuulgala pela terra sem nenhum receo, ten= | do por defensor della a V ossa M erce . Cuja muito illustre pes= | soa nosso Senhor guarde e acrecẽte sua | vida e estado por longos e | felicis annos. || (GÂNDAVO, 1576, f. 4v).

As referências não breves, conforme pudemos observar, não apenas se mantêm no processo de elaboração da obra, como também se tornam mais amplas, como ocorre com a obra como um todo, representando, pois, uma marca autoral.

A primeira observação que fazemos é em relação ao locutor tomar o gesto do oferecimento da obra como uma “obrigação”:

a) “Naõ me pareçeo cousa fora de proposito [...] mas antes diuida e neçessaria offereçer a Vossa Alteza este summario da prouinçia do Brasil, [...] por mostrar aobediençia e obrigaçaõ de humil vassalo, [...]” (GÂNDAVO, ms.1, f. 1v, grifo nosso);

b) “Posto que os dias passados apresentei outro sũmario da terra do brasil a elRei nosso senhor, foi por comprir primeiro com esta obrigação de vassallo que todos deuemos a nosso Rei: e por esta razão me pareçeo cousa mui necessaria [...] offereçer tambem este a Vossa Alteza (GÂNDAVO, ms.2. f. 1v, grifo nosso);

c) “E como todas estas razoẽs me ponhaõ em tanta obrigação [...] determineý escolher a vossa merci entre os mais senhores da terra, e dedicarlhi esta breui historia” (GÂNDAVO, ms.3, f. 6v, grifo nosso);

d) “E como todas estas razões me ponham em tanta obrigaçam, [...] determiney escolher a Vossa Merce entre os mais senhores da terra, e dedicarlhe esta breue historia” (GÂNDAVO, 1576, f. 4v, grifo nosso).

É como se a “obrigação” em dedicar a obra fosse o preço a se pagar pelo que se supunha receber em troca: apoio, financiamento, proteção, entre outros.

Assim como nas referências breves, são enfatizadas as qualidades dos homenageados, o que já era de se esperar haja vista as especificidades do gênero em questão, concentrando-se nesse aspecto o conteúdo temático esperado. Entre as tais qualidades, enfatizamos:

a) Dona Catherina: “muito alta e Serenissima Sñora”;

b) Dom Anrique: “muýto Alto e serenissimo snõr”, “a quẽ se deuem Refirir os louuores E acreçentamento das terras q̃ nestes Reinos floreçem: pois sempre deseiou tanto augmentallas e conseruar seus subditos E vassalos ẽ perpetua paz”;

a) Dom Lionis/ms.3: “muito illustre sñor”, “inclita fama”, “heroýco nomi”, “nobilissimo sangui e clara progenie”, “tropheos das grandes victorias e casos bem afortunados”, “Deos o quis fauorecer com tam larga maõ”, “naõ cuido ser toda minha vida bastanti para satisfazer á menor parti de seus louuores”, “pessoa de alto animo”, “defensor”, “illustrissima pessoa”;

b) Dom Lionis/e.p.: “muito illustre senhor”, “inclita fama”, “heroýco nome”, “nobilissimo sangue e clara progenie”, “tropheos das grandes victorias, e casos bem afortunados”, “Deos o quis fauorecer com tam larga mão”, “nam cuido ser toda minha vida bastante para satisfazer á menor parte de seus louuores”, “pessoa de alto animo”, “defensor”, “muito illustre pessoa”.

Além das referências aos homenageados, mostramos, a seguir, que o locutor também faz referências a si e à sua obra.

Ao se referir a si, pelos adjetivos e expressões utilizadas, o locutor tenta se colocar numa situação de inferioridade em relação aos seus homenageados:

a) ms.1: humil vassalo;

b) ms.2: vassalo, fraco homẽ, humilmente peço, Humilde vassalo;

c) ms.3: fraco entendimento, debaixo de seu emparo;

d) e.p.: fraco entendimento; debaixo de seu emparo.

E ao se referir à obra e ao seu trabalho, a tentativa de parecer humilde se repete:

a) ms.1: breue informaçaõ, pobre presente, fruita da terra;

b) ms.2: informaçaõ, denunçiaçaõ;

c) ms.3: pequeno seruiço, breui historia, pequena impresa;

d) e.p.: pequeno seruiço, breue historia, pequena empresa.

Entendemos que apesar de o conteúdo temático esperado para o gênero dedicatória venha a ser o conjunto das referências (breves e não breves) à pessoa a quem se dedica a obra, ao inserir as referências supracitadas a si e à obra, o locutor o faz para dar mais ênfase ainda às qualidades de seus homenageados, colocando-os na qualidade de imortais, e ele, na de mero humilde mortal. Na redação da edição príncipe, há a seguinte referência à fama imortal que se pode alcançar pelas escrituras:

E como todas estas razões me ponham em tanta obrigaçam, e eu entenda que outra nenhũa cousa deue ser mais aceita a pessoas de altos animos que a liçam das escrituras, per cujos meyos se alcançam os segredos de todas as sciencias, e os homẽs vém a illustrar seus nomes e perpetualos na terra com fama immortal, determiney escolher a Vossa Merce entre os mais senhores da terra, e dedicarlhe esta breue historia (GÂNDAVO, 1576, f. 4v).

Podemos notar que embora Gândavo acredite nisso para si, destaca e busca despertar no homenageado tal interesse, haja vista seu interesse próprio na publicação e proteção de sua obra. Assim, a partir da dedicatória, “vende” a fama imortal em troca do apoio à publicação.

Com o objetivo de reunirmos mais indícios que exemplifiquem, por referências textuais, a constituição do gênero em questão, consultamos a dedicatória constante à obra Regras qve ensinam a maneira de escrever e orthographia da língua Portuguesa, com hum Dialogo que a diante se segue em defensam da mesma língua3 (GÂNDAVO, 1574).

Figure 20.

FIGURA 5: Dedicatória da obra “Regras”

A elRey nosso | senhor.| POR SER A PRESEN= | te obra (muito alto e | serenissimo Rey senhor | nosso) em defensão da | lingua Portuguesa, e | V ossa A lteza ter tanta razão de a honrar e en= | grandecer muito, pella professar e ser | senhor da mesma nação, cobrey ani= | mo pera a dedicar a V ossa A lteza a quem hu= | milmente peço ma receba debaixo | de seu emparo, pera que seguramen= | te sem temor dos mal dizentes possa | sair a luz, illustrandoa com o nome | de V ossa A ltez a. Cuja real pessoa nosso Se= | nhor guarde e deixe reinar per | longos annos em muita | felicidade. | Prologo

Constatamos, junto às referências breves e não breves dessa, algumas semelhanças com as dedicatórias anteriormente estudadas, as quais contribuem não apenas para sustentar a constituição do gênero, mas apoiar a regularidade enunciativa:

a) relevância às qualidades e importância do homenageado: “muito alto e sereníssimo Rey senhor nosso”, “Vossa Alteza ter tanta razão”, “real pessoa”;

b) indicação topográfica: “ser senhor da mesma nação” – [Portuguesa]

c) lexia “illustre”: “illustrandoa com o nome de Vossa Alteza”;

d) emprego do advérbio “muito” para intensificar a qualidade do rei;

e) apesar de não empregar o termo “epístola” junto às referências não breves, é possível entender que o locutor concebe o texto como uma carta ao rei;

f) pedido de proteção: “ma receba debaixo de seu emparo, pera que seguramente sem temor dos mal dizentes possa sair a luz, illustrandoa com o nome de Vossa Alteza”;

g) referência a si em situação de inferioridade em relação ao homenageado, tentando parecer humilde: “a quem humilmente peço ma receba debaixo de seu emparo”;

h) referência à relevância da obra: “POR SER A PRESENte obra [...] em defensão da lingua Portuguesa, e Vossa Alteza ter tanta razão de a honrar e engrandecer muito”.

Os indícios apontados nos mostram similaridades às dedicatórias da “História”, havendo, portanto, uma relação de regularidade enunciativa entre os cinco textos. Assim, ao mobilizarmos este exemplo da primeira obra de Gândavo (1574), reunimos traços que confirmam a função da dedicatória como indício de marca autoral.

Considerações finais

Ainda sobre este elemento, importa um esclarecimento. Na segunda versão (GÂNDAVO, ms.2, f. 1v), temos: “Posto que os dias passados apresentei outro sũmario da terra do brasil a elRei nosso senhor, foi por comprir primeiro com esta obrigação de vassallo que todos deuemos a nosso Rei [...]”, no entanto, o texto anterior fora dedicado à D. Catarina e trazia no título o termo “tratado”, e não “sumário”. Assim, alguns estudiosos desta obra passaram a cogitar a possibilidade de haver uma versão entre as duas supracitadas. Pereira Filho (1965, p. 44-8), com quem concordamos, descarta tal possibilidade elencando as seguintes razões: pelo nexo que as versões representam entre si, o tal sumário só poderia estar antes do ms.1 ou entre este e o ms.2. A primeira opção é descartada haja vista o ms.1 deixar indícios de que o assunto está sendo tratado pela primeira vez e também pelo fato de, se o ms.1 já fosse uma segunda versão, Gândavo teria feito alguma referência, como o fez no ms.2. Também descarta a possibilidade de haver outra versão entre os ms.1 e ms.2, pois não há, na tradição textual, nenhum indício ou alusão de outra versão, sendo que tudo o que há se enquadra em alguma das versões conhecidas, além do fato de haver um lapso de tempo muito curto entre estas. A duvidosa expressão do autor é o que restou, dessa forma, como parâmetro de análise para Pereira Filho (1965, p. 47), o qual cita Gândavo, a partir de exemplos das duas redações do Tratado, para mostrar que este usava o termo “sumário” de forma genérica, como um vocábulo para aludir às referidas redações. Sobre o fato de se referir à “Terra do Brasil”, e não “Província do Brasil”, o estudioso justifica como uma escolha lexical, a qual foi introduzida no próprio título do ms.2.

Pode ter “apresentado” ao rei o texto ora “dedicado” à Dona Catarina, cumprindo com a obrigação de vassalo, já que à sua época, todo o bem comum era antes proclamado como serviço prestado ao rei. Assim, estaria “avisando” a Dom Henrique (o homenageado em questão) que o rei estava ciente do “assunto”. Quanto ao emprego dos termos “tratado” e “terra”, o primeiro pode ter sido empregado por fazer referência aos clássicos, já que era muito usado nos tempos da boa latinidade; o segundo, por sua vez, pelo fato de, na reescrita, o locutor entender que província fizesse referência a algo menor do que “terra”, lexia denotadora de algo mais amplo.

Considerando a hipótese de os manuscritos da “Historia” serem considerados anônimos e apógrafos, e encontrarmos pela análise da dedicatória marcas do discurso do locutor da edição príncipe, vemos nela bem mais que gentileza e proteção, mas um indício de autoria, conceito este que, para Foucault (2001, p. 26), vem a ser um “princípio de agrupamento do discurso, como unidade e origem de suas significações, como foco de sua coerência”, o que contribui, substancialmente, aos estudos filológicos. Pelo estudo, entendemos ser possível, a partir da regularidade enunciativa, nas dedicatórias, ver o Gândavo da edição príncipe nos manunscritos.

Referências

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Recebido em 10/10/2016 e aceito em 06/12/2016