Resumo

Este artigo tem por objetivo considerar as características que identificam as mãos inábeis em manuscritos conforme ponto-de-vista de usuário de corpora histórico-diacrônicos. Independência das dimensões de inabilidade. Mãos inábeis na pluriortografia do século XVIII.

Introdução

A expressão mão inábil é uma ótima versão, em língua portuguesa, do francês scripteurs maladroits, que usa a metonímia da mão do redator pela escrita por ele produzida para assinalar as marcas reveladoras de que ele parou em fase inicial de aquisição de escrita alfabética. Embora usada por Blanche-Benveniste (1993), foi talvez MARQUILHAS (2000), desde seu formato de tese acadêmica em 1996, quem melhor tenha feito repercutir essa noção dentre investigadores debruçados sobre a documentação histórica em língua portuguesa. A partir de sua pesquisa sobre fatores externos à escrita que atuaram sobre “indivíduos pouco familiarizados com a língua escrita, por pressão das circunstâncias, fossem autores materiais de alguns dos textos arquivados” (MARQUILHAS, 2000: 234) por promotores da Inquisição em Portugal, no século XVII, a pesquisadora portuguesa empreende caracterização interna das suas produções gráficas. Elencando critérios para sistematizar propriedades de manuscritos como produtos gráficos de redatores inábeis em qualquer época e em qualquer lugar, a autora analisa, nos Cadernos do Promotor, as falhas (assim assumidas por comparação aos textos de pessoas hábeis) dos textos produzidos por pessoas inábeis sob a pressão de se defenderem de acusações do tribunal de Inquisição.

A inabilidade na escrita alfabética, portanto, não é, em si, questão histórica de língua, de oralidade, também não está relacionada à aquisição de língua falada ou, necessariamente, ao nível sócio-cultural do redator, refletindo usos mais ou menos vernáculos. De fato, as mãos inábeis dizem respeito a questões de escriptualidade, não de oralidade. Mesmo contando, dentre as marcas de inabilidade com a escrita fonética, o texto de um redator inábil não é reflexo direto desta ou daquela época, deste ou daquele lugar, mas, em grande parte de suas características, atemporais: Barbosa (1999) encontra marcas de inabilidade em redator do fim do século XVIII; Oliveira (2006) descreve essas marcas para atas escritas por africanos e afrodescendentes inábeis na Bahia do século XIX; e Santiago (2012) estuda as mesmas características em cartas pessoais de sertanejos baianos do século XX. Esses e outros trabalhos lidam com as mesmas marcas de crianças ou adultos que estejam ou tenham parado em fase inicial de escrita de diferentes lugares e de diferentes épocas. Não importa nem quando, nem onde, se português do século XVII ou um francês do século XVIII, as marcas caracterizadoras de mão inábeis são marcas de dificuldade de representação escrita. A escrita mais fonética é apenas um aspecto dessa dificuldade. De fato, como lembra Marquilhas (2000: 236) “os dados colhidos junto dos inábeis corroboram a ideia (...) de que acesso à escrita (...) não significa transposição gráfica da oralidade”. No entanto, a experiência com usuários de corpora histórico- diacrônicos tem mostrado que, por vezes, supõe-se relação entre essa escrita de redatores inábeis (que abriga, por vezes, variantes escritas mais transparentes de processos fonéticos) e uma maior abertura à oralidade mais vernácula em outros planos da língua, como o sintático e o morfológico. É a tentadora ilusão de se supor uma sintaxe mais próxima da fala (em relação a outros tipos de corpora linguísticos) por encontrar marcas de oralidade na escrita de um inábil.

Outra suposição errônea que parece circular entre usuários de corpora linguísticos diz respeito à identificação de um inábil ser, apenas e necessariamente, uma questão de se constatarem marcas físicas oriundas da dificuldade motora de execução caligráfica da mão pouco exercitada. Seriam marcas tais como traçado muito inseguro, módulo grande das letras e mais cinco características comumente elencadas. Apesar de estar claramente expresso em Marquilhas (2000: 238) que “É natural que a presença destas características não seja cumulativa nem equilibrada”, e de haver fac-símile de texto de inábil sem essas marcas em Marquilhas (2000: 341), encontram-se editados materiais sem marcas físico-caligráficas em corpora histórico-diacrônicos, mas com evidentes traços de inabilidade relativos à dificuldade de representação silábica, sem qualquer menção descritiva, em seus cabeçalhos ou em notas, ao perfil de seus redatores como mãos inábeis. Por outro lado, diante da, nos termos de Marquilhas (2000: 257) “Atestação de fenômenos de mudança fonética e fonológica”, há descrições e comentários em corpora disponibilizados que apontam para uma inabilidade de redatores que, na verdade, seriam redatores hábeis em nível elementar de letramento, ainda que em fronteira com inábeis.

Diante dessas suposições, e de algumas outras confusões, trataremos aqui de retomar as marcas de inabilidade a partir da experiência como usuários de corpora histórico-diacrônicos para demonstrar como se opera a independência de certas dimensões de inabilidade nesses corpora. Nesse sentido, e a partir de documentação manuscrita levantada no âmbito do Projeto para a História do Português Brasileiro (PHPB), procuramos discernir a sobreposição de uma dessas dimensões à realidade ortográfica em determinada fase histórica.

1. Dimensões de inabilidade em escrita alfabética.

Marquilhas (2000) consolida (1) as sete características físico- caligráficas apontadas para as mãos inábeis, completando-as com outras, e distribui (2) as características da dificuldade dos inábeis em representar, na escrita alfabética, a segmentação fonológica tanto em termos silábicos, quanto em nível de unidades infrassilábicas de consoantes e vogais. Observemos, primeiro, de modo esquemático, os termos expressos em Marquilhas (2000: 138-166).

(1) Características físico-caligráficas:

– Traçado muito inseguro

– Incapacidade de alinhar perfeitamente as letras num regramento ideal

– Tendência para conferir às mesmas letras uma aparência desenquadrada

– Uso de módulo grande

– Recurso a letras do alfabeto maiúsculo, mesmo em interior de palavra

– Ausência quase total de abreviaturas e elementos de ligações

– rigidez e falta de leveza ao conjunto

– Irregularidade da empaginação

– Letras monolíticas

(2) Dificuldade de representar a segmentação fonológica

2.1) No plano silábico

– Hipersegmentação

– Grafia para sílabas com consoante líquida

2.2) No plano infrassilábico

– Escrita fonética sensível à variação/mudança no vocalismo

– Escrita fonética sensível à variação/mudança no consonantismo.

Definidos e exemplificados em Marquilhas (2000), os aspectos acima sumarizados podem, de acordo com dados em outros corpora linguísticos, como em Barbosa (1999), Oliveira (2003) e Santiago (2012), que muito bem os exemplifica, ser considerados planos de inabilidades em gradiência às vezes em um só nível isolado, às vezes em conjunto. Em função disso, os usuários de corpora podem, quando não estão diante de um grau máximo em nível de caligrafia, não distinguir a tênue separação entre uma mão inábil e uma mão hábil em nível elementar de letramento. Do ponto de vista da identificação de inabilidade e de habilidade elementar para usuários de corpora linguísticos, é tarefa nossa redistribuir as características sumarizadas e acrescentar outros aspectos observados durante a organização dos corpora do Projeto para a História do Português Brasileiro (PHPB).

Os planos de inabilidade físico-caligráficos e de representação fonológica podem ser rearrumados de modo mais operacional para o reconhecimento de mãos inábeis em corpora disponibilizados à pesquisa linguístico-histórica sem fac-símile, o que é mais comum. Deixemos por último os níveis percebidos com fac-símile, e comecemos, por ordem de percepção em edição mecanográfica, pelo restante, retomando e

adicionando coisas ditas por nós e por outros.

(1) Na dimensão da escriptualidade, os grafismos, epifenômeno da oralidade em grau de representação ainda mais desvinculado do que se pronuncia. É a escriptualidade tradada no sentido simples de convencionismos mais desvinculados da oralidade.

Na prática, para os usuários de corpora, isso se traduz em observar insegurança (ou em grau maior o quase desconhecimento do redator) em (a) assumir sistematicamente grafismos (convencionalismos motivados por tradições culturais e não pelo esforço intrínseco da escrita em escolher caracteres gráficos para representar a segmentação de vogais e consoantes) ou (b) grafar sílaba complexa com /r/ ou /l/. Estão aqui reunidos (a) e (b), de naturezas diferentes, por praticidade para o usuário, e por oposição aos símbolos gráficos pronunciados na escrita mais fonética, já essa, outra dimensão na caracterização das mãos inábeis vista a seguir.

Os grafismos reúnem desde grafação, ou não, de dígrafos ( ~~, ~), latinismos (~ ou ~), de diacríticos variando com letras na representação de uma mesma qualidade sonora (a nasalidade indicada por ~~ <~>). A dificuldade de grafação de líquidas (/r/ ou /l/) em coda ou em ataque ramificado produz dados de inabilidade claros para quem tem um texto de uma mão inábil a sua frente. Ela desfaz a grafação CCV ou CVC com inclusão gráfica de vogal, ou com a inversão de posição de ou . Por exemplo, a sílaba CCV de é desfeita em ou escrita . A percepção do grau de inabilidade é mais objetiva por essas marcas em caracteres gráficos sempre que o inábil, nessa dimensão, não o é nos planos supragráfico e paleográfico reunidos.

(2) Na dimensão da aquisição do nível fonológico a escrita, sua tradução, em termos práticos, na estagnação do redator na fase de escrita fonética da aquisição da escrita: representação gráfica de sons vocálicos e consonantais busca formas de imitar a pronúncia e tende a se afastar das convenções gráficas.

Neste trabalho, as grafias que indicam essa aproximação do som representado são chamadas aqui de índices grafo-fonéticos. Na última seção trataremos da importante ressalva, do importante cuidado para que os usuários de corpora não confundam essa dimensão de inabilidade e uma característica da ortografia até os fins dos setecentos: a pluriortografia.

(3) Na dimensão do epifenômeno, a pontuação, no tocante à dificuldade em usar sinais gráficos dentro das práticas mais ricas dos impressos. Elenco reduzido de sinais (quase unicamente ponto e vírgula) e sem variedade ao marcar funções sintático-discursivas como, por exemplo, indicar intercalações.

Uma gradiência interessante entre inábeis e hábeis elementares, significativamente a partir do século XIX, aplica-se na inversão de orações circunstanciais. Do praticamente zero de uso no inábil e aumentando em progressão tanto em uso, quanto em sua marcação visual por vírgula, a inversão cresce no hábil elementar e continua a crescer conforme sobe o grau de letramento dos redatores.

(4) Na dimensão lexical, a repetição de vocábulos em sequência na mesma sentença ou em sentenças subsequentes. Sinal objetivo ligado em direto à oralidade, esse nível está finamente esmiuçado em SANTIAGO (2012). Afora as funções coesivo-discursivas, a repetição de uma mesma palavra três ou quatro vezes deve refletir um pouco da busca de uma riqueza lexical não aprendida no contato com textos modelares da cultura escrita de sua época. Isso difere da repetição com termos lado a lado, claramente o famigerado lapso ao copiar manuscritos em mais de uma via. É um traço, muito frequentemente, cumulativo às dificuldades da dimensão (1).

(5) Na dimensão lexical, a dificuldade de riqueza na variação e precisão no léxico. Controle quantitativo a ser feito com aplicativos usados nos estudos lexicais para identificação de vocabulários básicos e específicos em textos de inábeis a partir da comparação com léxico de corpora com textos modelares e multitemáticos em cada fase histórica. Como por exemplo, verificar a gradiência de riqueza vocabular de diferente redatores desde inábeis, passando a hábeis elementares, medianos, cultos e eruditos por comparação ao vocabulário de jornais da mesma época. Um trabalho em aberto.

(6) a reproduzir aspectos sintáticos complexos em imitação a estruturas não vernáculas encontradas na leitura (ou memória da audição de leitura) de intercalações e ordenações de sentenças de tradições discursivas não vernáculas, de ambiência religiosa, jurídica, cartorial, etc.

(7) a reproduzir tendências e modelos discursivos em fórmulas, estratégias discursivas ou evocações no texto, conforme tradições discursivas mais frequentemente lidas (ou ouvidas) por mãos hábeis.

Por fim, nas dimensões supragráfica e paleográfica, os mais perceptíveis, mas somente com fac-símiles inseridos nos corpora:

(8) à habilidade motora, ao treinamento literalmente da mão que escreve (níveis supragráfico e paleográfico) que são as de imediata e indubitável percepção que quem acessa os corpora hoje disponibilizados com fac-símile. Importante esse tratamento para corpora com manuscritos: mesmo com edições mecanográficas e conservadoras, sem o empenho de sempre inserir o fac-símile o usuário não tem como perceber de imediato o alto grau de inabilidade do redator do documento à sua frente. É a dimensão que se materializa em: ausência de cursus, módulo grande, ausência de regramento, traçado inseguro e letras com aparência desenquadrada, ausência de regramento ideal, dentre outros. Um bom exemplo desses traços físico-caligráficos é a imagem de um inábil do sertão baiano no século XX publicada em Santiago (2012, p.77):

Figure 1.

FIGURA 1: Carta com marcas de inabilidades físico-caligráficas – séc. XX.

(9) àsegmentaçãográfica emtermos não apenas da hipersegmentação, as também à hipossegmentação.

Importante não se deixar confundir essa dificuldade com a prática essa normal em redatores coloniais hábeis pela percepção de que sua aplicação não co-opera com o alinhamento do final de linha, que deixa a mancha gráfica com o efeito de um texto justificado. A percepção dessa marca de inabilidade também exige a presença de fac-símile junto a edições mecanográficas: é a irregularidade do tamanho do espaço em branco deixado na hipersegmentação que melhor denuncia a inabilidade, e não o fato em si de haver espaço. Somente pela observação da imagem do original o usuário de corpora pode discernir entre os espaços sistemáticos e comuns, por exemplo, da escrita colonial de qualquer redator e os espaços deixados pela dificuldade motora de a mão inábil, desacostumada, em escrever.

Em vários documentos estudados, percebe-se a possibilidade de marcas em um nível de inabilidade se manifestarem com mais dados do que em outro. É provável que seja esse o caráter não equilibrado a que Marquilhas (2000: 238) se referia quando afirmava “É natural que a presença destas características não seja cumulativa nem equilibrada” em relação às dimensões de inabilidades. O interessante é que o quão mais numerosos são os dados de um nível em relação a outro, mais forte fica a impressão de o redator ser inábil em vários níveis, e não apenas na dimensão inflacionada. Também é interessante o fato de um redator pode ser hábil em um nível, em uma dimensão, ao mesmo tempo em que é marcadamente inábil em outro. O cruzamento desses planos pode permitir a oposição entre subgrupos de inábeis, desde um hipotético grau máximo de inabilidade até um grau mínimo.

2. O tratamento de marcas de inabilidade em sincronias passadas: independência entre dimensões.

Como dito na seção anterior, as chamadas mãos inábeis apresentam marcas de inabilidade em diferentes planos da escrita em cooperação e, em cada plano, podem estar em diferentes graus. Não há um elenco fixo de características que, por si só, defina uma mão inábil, mas o peso do grau máximo de características de um desses planos, ou o peso da reunião de características pertencentes a planos distintos. Um manuscrito pode ser considerado como o de uma mão inábil em um nível e ser um bom exemplo de habilidade em outro. Examinemos, nesta seção, exemplos desse descompasso em manuscritos.

O afrodescendente ex-escravo na Bahia oitocentista, Feliciano Primo Ferreira, é o autor do documento a cuja imagem acessamos no fragmento de documento editado em Oliveira (2003: 671 - linhas 1- 4):

Figure 2.

FIGURA 2: Texto de inábil sem marcas físico-caligráficas – séc. XIX.

A observação do fac-símile, mesmo nesse trecho mínimo, revela não se tratar, nos níveis supragráfico e paleográfico (8), de uma mão inábil. Não há insegurança no traçado, nem módulo grande, Hipersegmentação ou falta de regramento. Uma simples comparação com o aspecto geral de escrituração no fragmento abaixo – de carta guardada na Seção de Manuscritos da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro: Gaveta no 99 V- VASCONCELOS, J. Vasconcelos, José de Frias e. Correspondência avulsa. – de um redator hábil do século XVIII confirma isso.

Figure 3.

FIGURA 3: Carta de mão hábil – séc. XVIII.

Qualquer sugestão de inabilidade no texto do afrodescendente só pode ser pensada no nível gráfico. Consideremos trechos do documento editado em Oliveira (2003).

“do mez de feverero | Estando O nosso Irmaõ Provedor emais | Mezario em acto de meza Extraord- | inariaemeza compelta” (linhas 1- 4)

“Em Vertude do Artigo 10 Paragarfo” (linha 8)

“os Irmãos | Que Estiverem de entra para esta Devoçaõ (linhas 8-9)

“Em puder da Comiçaõ (linha 11)

“ficando sempre | sugetas aos meçaes” (linhas 22-23...) “pella quanptia que athe | antão havia” (linhas 30-31) “para serem Suliçitados (linhas 40-41)”

(OLIVEIRA: 2003, p. 367-368, grifos nossos)

Dentre os itens vocabulares destacados, apenas o plano (1) pode realmente ser destacado como portadores de um traço indubitável de inabilidade: a inversão de e em sílaba complexa garfo> por e pelta> por . Todos os outros até poderiam criar dúvida de serem marcas fonéticas na escrita de qualquer mão hábil em grau elementar, fosse de um português, afrodescendente, brasileiro, ou luso. Se por um lado, dados como os da monotongação (rero> por e getas> por ) e o abaixamento/alteamento (ertude> por e<Sulicitados> por ) são comuns em alguns dentre os textos de portugueses e brasileiros não tão categoricamente inábeis no século XVIII na documentação editada por BARBOSA (1999), o apagamento de em fim de sílaba (tra> por ) coletado no texto desse afrodescendente, tão comum hoje na fala brasileira, não é facilmente encontrada na documentação colonial e imperial brasileiras. Num inábil, sobe a oportunidade de dados mais raros de escrita fonética. Não seria a simples presença dessas marcas na escrita de Feliciano Primo Ferreira que o define uma mão inábil e o outro, hábil elementar, mas sim o qualitativo de marcas mais raras e a maior concentração de variantes escritas que sugiram variantes fonéticas mais gerais da fala.

A carta mandada de Pernambuco a Lisboa pelo português José Aires, em 1798, editada em Barbosa (1999: 390), é um excelente exemplo disso. Sua letra cursiva, se comparada à do afrodescendente Feliciano Primo Ferreira em fins dos oitocentos, estaria mais próxima da escrita menos assentada, mais livre de alguns modelos caligráficos seguidos nos setecentos. Ao atentarmos para as escolhas gráficas, observamos que esse mercador português deixa transparecer tanto uma série de índices grafo-fonéticos comuns a todos os redatores setecentistas, quanto outra reveladora de marcas regionais.

Ligeiro que eu tanho caregado Capitam Joze Luis Pereira (linha 5)

emais [[mais]] 3 Caxas deaSucar (linha 6)

que eu tanho caregado naCorveta Conceicão Capitam Belxior (linha 7)

os em panhos muntos eu não poco hir neste navios que ain (linha 9)

tanho fazenda porvender i manteiga pois nam estou para ca (linhas 10-11)

não axo Soquerem fiado iso não mefaz comta (linha 14) que tanho de mefiar denenhu caxoro desta tera u que quere | m eLograr agente (linhas 16-17) – (BNL - mss. 224/262). (Grifos nossos)

Se no texto do afrodescendente o é dado de centralização de /e/, dentre todos os índices grafo-fonéticos grifados, nesse redator português esse repetido processo fonético pode distinguir-se como índices de regionalismo nos dados (= ) e (=), alguns dentre outros do mesmo redator em outros documentos. Como se trata de uma carta entre mercadores, seu conteúdo é bem próximo do dia a dia dos portos coloniais. Sua escrita não está modelada por fórmulas da administração pública ou privada, como era o caso das actas dos ex-escravos. Também o espírito mais livre de relatos, nada cerimoniosos, proporciona tom mais agressivo em relação a quem pedia fiado para levar vantagem na compra das mercadorias encalhadas. O xingamento de “cachorro” para os compradores chega a ser retificado em outra via da carta, o que não diminui o modo mais cotidiano de tratar assuntos e a escrita. Esse Português apresenta mão segura no traço, regramento, módulo de letra pequeno, conteúdo do dia a dia, muitas marcas fonéticas, etc. No entanto, não inverte a posição de e de em sílaba complexa. Tamanha a incidência de marcas fonéticas, que permitem registrar no século XVIII a variante centralizada de /e/: por tenho (linhas 7,10,11 e 16); por (linha 9), marca dialetal do norte de Portugal. O redator José Aires era nomeado mão pouco hábil em BARBOSA (1999) apenas para indicar seu ponto intermediário na gradiência, um ponto qualquer entre inábeis e eruditos. Sabia-se que havia graus de habilidade a serem identificados e nomeados. Contrastando com as marcas de estagnação em fase inicial de aquisição de escrita (inversão de e em sílabas complexas) ainda presente no ex-escravo com caligrafia mais segura que o mercador português, podemos supor o afrodescendente inábil em um plano, hábil em outro e o português furioso com os compradores “cachorros” redator elementar no conhecimento da pluriortografia num plano e pouco hábil no plano paleográfico, no critério de embelezamento das letras vigente no século XVIII.

No plano da sintaxe, no caso do afrodescendente, as sentenças sob fórmulas espelhadas em atas e termos da máquina burocrática nada teriam a ver com uma sintaxe vernácula associada por uma escrita mais fonética, mas, noutro sentido, espelham conhecimento de modelos de escritura por porte do ex-escravo. O grau de inabilidade, em seu texto, concretiza-se apenas na inversão gráfica de e , fato longe de sua fala. Como com qualquer redator inábil de qualquer origem ou época, as líquidas /r/ e /l/ são pronunciadas normalmente na sílaba complexa, mas invertidas na escrita. A organização sintática das sentenças no texto, no caso do mercador português, revela uma escrita simplificadora das fórmulas iniciais do corpo do texto (presentes apenas na fixação da localização, datação e destinatário no protocolo), uma total ausência de estruturas formulaicas no corpo do texto, e a presença de fórmulas bem gerias de despedida apenas escatocolo da carta. Nesse sentido, uma estruturação menos modelada e mais próxima de uma escrita corrente.

Podemos dizer que, salvo erro, todos os redatores que apresentavam inabilidade no nível do controle motor do uso do instrumento de escrita, no nível dito paleográfico, eram também inábeis no plano da escrita fonética e da dificuldade de grafar dígrafos e sílaba complexa com e , mas nem todos os inábeis nesses dois últimos planos eram inábeis no plano motor.

A bem da ilustração mais paramétrica de uma mão inábil por grau de qualidade e quantidade de dados nas dimensões (1) e (2), vale observar a carta, em 1798, de um pai para um filho em Portugal, do norte, para Lisboa, em 1798. Ao examinarmos o fac-símile, até podemos notar o traçado inseguro no enlace na primeira letra da primeira palavra do texto, no do pronome . Mas não se pode dizer que esse caso isolado seja elemento definidor de enquadramento no nível de inabilidade paleográfica. Como um todo, o texto é equilibrado, tem regramento, módulo das letras estáveis, etc. A sua identificação como inábil vem do grau de incidência do conluio entre as dimensões (1) e (2). Experimenta-se isso já na primeira linha. Observe-se o fac-símile do documento guardado na Biblioteca Nacional de Lisboa – Seção de Manuscritos: caixa 224/manuscrito n. 2:

Figure 4.

FIGURA 4: Carta de inábil português – séc. XVIII

Numa transcrição diplomático-interpretativa das primeiras linhas, notamos que a presença de marcas fonéticas com significado na dimensão espacial e da dificuldade de grafação de sílabas complexas é não apenas frequente, mas conjunta numa mesma palavra. Apesar de uma harmonia geral do texto na distribuição das margens esquerda e direita, do regramento, do módulo das letras, dentre outros aspectos da escritura no suporte, a junção daqueles elementos gráficos torna difícil a decifração de seu conteúdo para usuários de corpora histórico-linguísticos.

Meu filho doCorasao Com sumo gosto resevi atua aCompan / hada Com as duas Letars cada hua de 200 mil reis as Coais / muito berbe bou Coberar e te fiCo muito obirgado pelo teu Cui / dado deos tehade pagar qanto me fazes [...]

Nesse fragmento, há exemplo de índice grafo-fonético que reflete o significado espacial de uma variante diatópica. Sendo o redator do norte de Portugal, não por acaso a oscilação gráfica entre e para casos onde não há oscilação entre /b/ e /v/ denotam a variante até hoje encontrada em Portugal: a variante /ß/, som que se pronuncia como se fosse fazer a bilabial oclusiva /b/, mas sem oclusão articulatória total e com traço [+contínuo], aproximando-se de um /v/. Para o som /ß/, muito frequentemente pessoas semi-alfabetizadas costumam oscilar na escrita entre e , como por exemplo em <trabalho> / <travalho> e / <baca> nas regiões em que esse betacismo permanece até hoje. É exatamente o mesmo caso conferido no fragmento nos vocábulos , e . Em e , com índice grafo-fonético de /ß/, vemos troca por da grafia em “recebi” e a troca por da grafia em “vou”. Dificuldade maior de leitura ao aliar-se a essa insegurança em grafar o betacismo à insegurança ao representar a sílaba complexa (CCV) com em ataque ramificado solucionada de forma diferente pelo redator inábil: inversão de em (por “breve”) e inclusão de letra vogal, aqui no caso , para desfazer a sílaba complexa em (por “cobrar”). Tudo junto e somado à abreviatura do vocábulo “muito, escrita” aumenta o grau de dificuldade de leitura não só do trecho , mas dos dados que vão se somando ao , logo a seguir, e à emblemática , um pouco antes. O usuário de corpora que não decodifica rapidamente “muito em breve vou cobrar”, talvez demore a entender as “letras” cobradas como notas promissórias, vales de 400 mil réis ao todo. Sentido monetário de “letra” ainda vivo hoje em expressões como “letras de câmbio”. Esse documento é exemplo, para nós, prototípico de mão inábil em um dado nível de inabilidade na escrita, mas não em nível supragráfico e motor.

O que supomos é ser esse conluio entre (2) a maior incidência de marcas gráficas de processos fonéticos e (1) a presença da marca de inversão de e um ponto que por si só classifica uma mão como inábil, uma mão que deixa prova material da estagnação do redator em fase inicial de alfabetização, independentemente de haver habilidade em outros planos. Um documento sem inversão de e (ou outra solução para desfazer sílaba complexa), mas cheio de marcas grafo- fonéticas, pode não ser de um inábil e sim de um redator pouco hábil, elementar. A recíproca nunca é verdadeira, pois um documento com inversão de e sempre apresenta, também, vários casos de escrita fonética. Um inábil que acrescenta a seu rol de marcas de inabilidade de (1) e (2) um elemento de qualquer outro nível (sintático, pontuação, etc.) seria um inábil em grau acima. Se o nível acrescentado a (1) e (2) for o das marcas motoras de traçado, a dimensão (8), em nível supragráfico e paleográfico, o inábil seria um inábil em grau maior. Marcas de inabilidade no nível motor são, aparentemente, por si só, identificadoras de uma mão inábil porque elas nunca estão sozinhas, nunca estão sem (1) e (2).

3. A dimensão inábil escrita fonética e a pluriortografia dos setecentos

A dimensão de inabilidade escrita fonética é a mesma em qualquer época, no sentido que é ligada ao processo de aquisição da escrita, mas é diferentemente percebida nos corpora histórico-diacrônicos por conta de sua interação com as diferentes convenções de época a época. No século XX, de convenção ortográfica homogeneizante, com uma grafia para cada palavra, qualquer dado grafo-fonético é denunciante de algum grau de escrita fonética. No século XIX, quando se valorizam sobremaneira as grafias latinizantes e se retira a possibilidade de haver escrita fonética na ortografia, os dados grafo-fonéticos são marcas de inabilidade, mas de forma não tão contundente como no século XX. Por conta das práticas de escrituração do século XVIII, que vão decaindo ao longo do XIX, ainda se encontram manuscritos de redatores em grau mediano de letramento em certa quantidade de dados grafo-fonéticos na primeira metade do século. Se apresentar poucas latinizações passa a ser sinal de nível elementar de letramento gráfico, no plano escriptológico, a crescente presença de certos tipos de índices grafo-fonéticos constituem gradiência desde inabilidade até o nível elementar de habilidade. No século XVIII de modo mais contundente, mas também daí para trás, as marcas grafo-fonéticos faziam parte, em relação pendular, de algumas ortografias publicadas. A escrita fonética como dado de inabilidade se escamoteia e se mistura com dados grafo-fonéticos presentes no padrão escrito, inclusive no padrão praticado nos impressos. Basta comparar a brusca queda da variação gráfica, por exemplo, de índices grafo- fonéticos de alteamentos vocálicos entre os verbetes de Bluteau (1712) e os do dicionário Moraes Silva (1813), disponíveis em página do IEL/ USP, para se confirmar isso. É tamanha a variação no padrão gráfico no século XVIII, que se constata, nas palavras de Lobato (1824: lxvii) na introdução de sua gramática, o choque de opiniões sobre as formas- padrão de escrita:

Advertindo porém que em matérias de ortografia se me apartar das regras, que alguns seguem, ninguém repute isto por erro por serem nesta matéria tantas opiniões quanto os Escritores. Com justa razão julguei que devia seguir a Ortografia, que vejo usada pela Corte, reservando para o tratado desta, que brevemente darei ao público o dizer o que sinto nesta matéria.

Se um gramático precisa advertir seu leitor que poderá haver estranhamento em relação a algumas práticas ortográficas assumidas em sua gramática causados por ele seguir a ortografia que julga ser usada na Corte e não outras opiniões (leia-se propostas de ortógrafos), imagine-se a variedade de práticas ortográficas à disposição dos redatores comuns. Por tudo isso, não é incomum haver confusão entre a escrita mais fonética de uma mão inábil (ou de redatores elementares) com os dados escritos mais fonéticos de redatores experientes e até profissionais por conta de a própria ortografia abonar dados mais fonéticos. É o caso do desconhecimento de normatizações setecentistas que incluem, conforme demonstra Gonçalves (1992), uma escrituração pendular: ora em grafação mais fonética, ora em grafação cheia de convencionalismos ortográficos. Talvez por isso chegue-se a supor “pouco rigor ortográfico” como algo generalizado no Brasil-colônia, conforme dito em:

Outra característica desses manuscritos é a variabilidade de algumas palavras. Um exemplo pontual: encontra-se o artigo “uma” grafado, entre outras maneiras, como “ua”, “huma”, “uma”, e isto, por vezes, na mesma fonte. Ponto este que revela o pouco rigor ortográfico, típico dos dois primeiros séculos de Colônia [...]. (SAMARA,1999: 19)

Diante desse quadro, é importante chamar a atenção a vários aspectos dessa pluriortografia durante o século XVIII para distingui-los das características de inabilidade na escrita alfabética. Se olharmos para mãos habilíssimas e conhecedoras de normas padrão para a grafia no fim do século XVIII, como é o caso do manuscrito enviado do Rio de Janeiro para a rainha, Dona Maria, em Lisboa, escrito por professores régios que reclamam das razões para a falência das aulas públicas na cidade – guardado no Arquivo Histórico Ultramarino de Lisboa/Portugal: AHU – Doc. Avulsa – Rio caixa nº 153/29 e editado em Barbosa (1999: 283- 290) –, constatamos como eram diversas as propostas dos ortógrafos setecentistas.

Figure 5.

FIGURA 5: Manuscrito oficial ortografia fonética – séc. XVIII.

De encaminhamento mais fonético, a prática ortográfica desses professores nesse documento concentra dados que aparecem ora nuns, ora noutros documentos coevos. Um usuário de corpus linguístico, incipiente no trato com edições conservadoras, pode confundir uma carta como esta, com esse padrão ortográfico, com a de alguém afastado do “padrão” da época. Basta encontrar uma carta assim com autores desconhecidos que dificilmente suporia ser possível ter professores escrevendo assim para a rainha. Veja-se que, por exemplo, não acolhe dígrafo latinizante , que passa a , em , , e é usado para todo som /s/, como em e (=“cessar”). Não usam inicial latinos (em ) e trocam o a representação da fricativa palatal por sistematicamente. Com esses dados, um desavisado suporia, aqui, um texto de um inábil ou hábil elementar.

Somente o cruzamento entre práticas ortográficas de cada fase histórica e o mapeamento da prática de grafação nos documentos dos corpora usados pode demonstrar que um texto com marcas fonéticas e/ ou grafismos convencionados pode ser de um redator inábil ou hábil em gradiência de conhecimento que vão desde um grau mínimo elementar, até um grau máximo de erudição escrita. Tudo isso a depender da tipologia e concentração de uso das padronizações gráficas de seu tempo. Essa é tarefa da Linguística de Corpus. Ao usuário, vale o cuidado de não aplicar correlações diretas, sem a relativização nos setecentos.

Diferentemente do século XVIII, um inábil do século XIX teria na presença de escrita fonética uma proximidade apenas de um redator elementar, nunca de um mediano, culto ou erudito na normatização gráfica oitocentista, pois, se era possível encontrar escrita fonética em manuscritos e impressos até de homens de elevada erudição escrita no século XVIII, essa presença é exígua em cultos e eruditos no século XIX, em especial da 2ª metade. Nessa fase, a deflação de grafismos latinizantes e dígrafos junto à dificuldade de grafar e em sílabas complexas é o que vai identificar uma mão inábil nos oitocentos. Em relação ao século XX, quando a ortografia brasileira vai deixando de lado os princípios latinizadores e assume o carácter homogeneizante de prever uma única forma de escrever cada palavra (com raras exceções, uma palavra, uma forma de ser escrita), o mapeamento da gradiência de habilidades e inabilidades de conhecimento das convenções do padrão gráfico se estabelece mais direta: partindo dos níveis elementares de habilidade e passando às mãos inábeis, aumenta a incidência das marcas grafo-fonéticas e aumenta a proporção de erros de um dado redator em relação ao grafismo preconizado no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa e dicionários. Uma mão inábil seguiria essas gradiências de afastamento das referências oficiais da codificação do padrão escrito oficial e contaria com a presença e sistematicidade da inversão de e em sílabas complexas, ou seja, a marca atemporal em nível de escriptualidade (1). Uma mão inábil extrema acrescentaria a esse conluio a inabilidade em nível paleográfico, ao nível motor da escritura. Gradiências e cruzamento com a História Social da Escrita.

Conclusão

Após retomar o trabalho clássico de Marquilhas (2000) com as chamadas mãos inábeis em língua portuguesa, incluir alguns aspectos e reordenar todos sob uma perspectiva operacional para que usuários de corpora histórico-diacrônicos identifiquem e explorem as gradiências de marcas de inabilidade ali encontradas, esse artigo examinou dois casos documentais com traços de inabilidade para demonstrar e aprofundar questões sobre a complementariedade e intercessão de elementos de três dimensões de inabilidade consideradas na primeira parte do artigo. Um afrodescendente na Bahia oitocentista e um português setecentista são os informantes aos nossos pesquisadores de como se podem confundir aspectos de inabilidade com práticas ortográficas ou pluriortográficas em sincronias passadas. Com suas ajudas, com seus testemunhos de seu tempo e de como a língua escrita estava incluída em suas atividades, poderemos levar leitores-usuários atuais desses informantes à melhor compreensão do que escreveram e também do grau de inabilidade (ou de pouca habilidade) na escrita alfabética que os dispuseram gradientes dentro de uma escala postulada de letramento. Um controle extralinguístico para distribuir e escalonar redatores-informantes do passado, e fazer usuários de corpora da pesquisa histórica refletirem.

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Recebido em 10/10/2016 e aceito em 06/12/2016.