‘Simplesmente’ nada simples: leituras possíveis de ‘simplesmente’ no português brasileiro
Resumo
Este trabalho tem por objetivo investigar, sob a ótica da semântica formal, o uso do item ‘simplesmente’ no português brasileiro, buscando uma análise unificada para suas interpretações. Nosso estudo revela que o termo pode funcionar como um exclusivo canônico — intercambiável por itens como ‘só’ e ‘apenas’ —, mas também assume leituras de exclusivo fraco, conforme a tipologia proposta por Warstadt (2020) para o item inglês ‘just’, com o qual ‘simplesmente’ guarda semelhanças. Entre essas leituras fracas, destacam-se as interpretações não-explanatória (algo inexplicável), não-contrastiva (uso como intensificador) e não-elaborativa (ideia indiscutível). Em nossa análise, associamos tais usos à noção de Questões em Potencial (do inglês Potential Questions): ao empregar ‘simplesmente’, o falante sinaliza que não possui respostas para perguntas que podem advir no discurso, utilizando o termo como estratégia discursiva para gerenciar o fluxo discursivo. Ademais, a posição sintática de ‘simplesmente’ influencia diretamente suas possíveis interpretações, havendo uma correlação entre escopo e leitura, que reforça a importância do contexto sintático na análise semântica do exclusivo. Além de propormos uma abordagem para ‘simplesmente’, o presente trabalho faz contribuições para a área da análise formal da conversação.
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