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  • Como o uso expressivo de ‘muito’ (Português Brasileiro) põe em xeque a sua análise unificada?

    Ana Paula Quadros Gomes

    Resumo

    “Muito”, um modificador de grau prototípico do Português Brasileiro (PB), modifica adjetivos, sintagmas verbais, substantivos (contáveis e massivos) e advérbios, desde que escalares. Em todos os domínios, “muito” é um amplificador de graus. Sua semântica é semelhante à proposta por Kennedy e McNally (2005) para o modificador de grau inglês “very” e pode, alternativamente, ser expressa como uma função diferencial. Não há seleção semântica por “muito” em escalas de qualidade (como as de adjetivos). No entanto, nas de quantidade, “muito” opera exclusivamente sobre escalas abertas. Dimensões aspectuais verbais são escalas de quantidade; os sintagmas nominais também as fornecem (volume, número). Para “muito” ser licenciado, a quantidade não pode ter um limite superior. Isto posto, uma análise unificada de “muito” é alcançada (Gomes, 2018; 2025). Apenas um caso, observado por Sanchez-Mendes (2022), resiste a se encaixar: o expressivo “muito”, presente em exemplos como “Foi muito golpe!”. Este artigo destrincha tais desafios à explicação unificada, discute a proposta de Sanchez-Mendes (2022) para o caso em questão e apresenta uma nova análise que concilia tais usos expressivos com uma semântica geral para “muito”. Propõe-se que o “muito” enfático promove uma comparação entre as alternativas de valor de verdade para a proposição e indica que a afirmativa é muito mais apropriada, com base em estados epistêmicos/de crença, do que a negativa. Os efeitos pragmáticos são de confirmação enfática. Assim, no fim das contas, mantêm-se que “muito” sempre contribui com uma comparação implícita de superioridade, nunca com uma escala fechada.

    Referências

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