Resumo

Muito, no Português Brasileiro (PB), é um quantificador massivo: *muito livro-S(PL), muita água. Contudo, ele se combina com o singular nu (SNu): muito livro. Pires de Oliveira & Rothstein (2011) argumentam que o muito SNu gera leituras massivas; uma evidência de que o SNu é mass, já que nomes contáveis geram apenas leituras cardinais. Beviláqua (2015) verificou experimentalmente se muito SNu tem uma leitura massiva. Os resultados não falsearam a predição de Pires de Oliveira & Rothstein (2011), mas os dados não são conclusivos, pois não exclui a possibilidade de que “grinding” esteja licenciando essa leitura. Nós trazemos argumentos teóricos contra essa possiblidade de “grinding”, para, depois, explorar a semântico do muito SNu. Além do mais, Rothstein & Pires de Oliveira (in press) propõem que a leitura contável do SNu é resultado de “measure” (não “contagem”). Neste artigo, exploramos algumas das consequências disso, em especial um melhor entendimento de massa.