Resumo

Neste trabalho, discutir-se-á a análise das preferências e atitudes linguísticas de ouvintes quanto à ocorrência de processos de palatalização das oclusivas dentais em estilo mais e menos formal de comunicação. Para isso, foi solicitado que três telejornalistas gravassem frases-veículo e um texto padrão nas situações de ocorrência e não ocorrência da palatalização. As gravações foram apresentadas a 105 juízes da cidade de João Pessoa, situada no nordeste brasileiro, que escutaram pares de palavras em situação de ocorrência e de não ocorrência da variação estudada e responderam qual das duas pronúncias preferiam para a fala de apresentadores de telejornal (estilo mais formal), para falantes nativos da comunidade local (estilo menos formal) e para a própria fala (estilo menos formal). Em seguida, escutaram frases pareadas e fizeram julgamento de sete atitudes linguísticas para as condições de ocorrência e não- ocorrência da variante linguística, utilizando uma escala de diferencial semântico. Observou- se que os ouvintes preferem e atribuem valores positivos à não ocorrência das características regionais, quanto ao processo de palatalização, em estilo mais formal, embora prefiram e atribuam valores positivos à ocorrência das características regionais no estilo menos formal. 

Introdução

A variabilidade linguística é uma das características inerentes ao discurso humano. Ela possibilita aos falantes e ouvintes de determinada língua a construção de significados e a conexão de suas falas a aspectos de estrutura social, como situações, circunstâncias, público e qualidades pessoais (Campbell-Kibler, 2009).

Uma variante frequente em diversas comunidades do país (Bisol, 1986; Hora, 1991; Battisti et al, 2007; Battisti; Dornelles Filho, 2012; Cristófaro Silva et al, 2012) é a palatalização, processo que envolve a mudança do ponto de articulação de um segmento fônico que passa a ser articulado ao nível da região do palato duro.

Nesse sentido, a palatalização das oclusivas dentais refere-se à realização articulatória dos fonemas /t/ e /d/ como africadas (/tF/ e / dy/). Por exemplo, podemos tomar a palavra ‘tinha’ que foneticamente pode ser representada por [’tia] e se o falante realizar o processo de palatalização será representada por [’tFia].

Ao longo de toda a interação, os indivíduos monitoram, implícita ou explicitamente, as características indexicais1 de seus interlocutores e podem usar essas informações para orientar seu próprio comportamento comunicativo subsequente. Em geral, as pessoas costumam se envolver em uma conversação, adaptando características de sua velocidade de fala, sotaque2 e estilo de comunicação ao interlocutor (Namy; Nygaard, 2002).

Nesses contextos, os ouvintes podem atribuir valores à fala das pessoas, de acordo com a sua procedência regional ou social, a pertença a um determinado estilo ou a relação com alguma comunidade de prática (Kretzschmar, 2010).

A percepção de uma variante, segundo Edwards (1999), é um filtro através do qual os dados sensoriais são avaliados e registrados, considerando a cultura e o ambiente onde vive o sujeito, acumulando um conjunto único de experiências.

Pesquisas mostram que os ouvintes podem julgar propriedades sociais de falantes desconhecidos com grande chance de precisão, independente da duração da amostra de fala apresentada, sugerindo que os ouvintes leigos têm categorias cognitivas para a variação dialetal (Sumby; Pollack, 1954; Williams et al., 1999; Clopper; Bradlow, 2009).

A atitude pode ser definida como uma disposição aprendida para pensar, sentir e agir de um modo particular diante de uma pessoa ou objeto, gerando uma resposta que pode ser positiva ou negativa (Thurstone, 1931; Alport, 1954; Garret, 2010).

De acordo com Oppenheim (1992), um dos pioneiros dos estudos de atitudes linguísticas na psicologia social, as atitudes raramente são o produto de uma conclusão pensada e refletida ou de uma análise cuidadosa baseada em evidências, mas são adquiridas e modificadas pela observação ou reação de atitudes de outras pessoas.

Ela é um constructo que incorpora aspectos cognitivos e comportamentais, uma abstração que não pode ser diretamente aprendida. É um comportamento interno da vida mental que se expressa direta ou indiretamente, através de processos muito mais evidentes como estereótipos, crenças, estado verbal ou reações, ideias e opiniões, recordações seletivas, raiva ou satisfação ou alguma outra emoção e em vários outros aspectos do comportamento (Oppenheim, 1992).

A comprovação desse fato pode ser encontrada nos estudos que exploram a identificação explícita de locutores e sua pertença a determinados grupos sociais (Lass et al., 1976; Bennett; Montero-Diaz, 1982; Van Bezooijen; Gooskens, 1999; Purnell et al., 1999; Clopper; Pisoni, 2004; Evans; Iverson, 2004; Foulkes; Docherty, 2006).

As atitudes linguísticas têm um papel determinante nas modificações que o indivíduo faz na sua comunicação. À medida que o falante percebe as reações dos interlocutores quanto ao seu padrão de fala, pode fazer mudanças para atrelar aspectos mais positivos a sua comunicação.

Em termos metodológicos, existem técnicas diretas e indiretas para avaliação das atitudes linguísticas. As técnicas indiretas permitem um maior grau de introspecção e privacidade para o juiz, o que conduz à produção de uma resposta mais espontânea e autêntica.

Lambert et al (1960) introduziram uma metodologia de avaliação de atitude conhecida como matched guise, na qual o mesmo locutor produz enunciados com vários dialetos, controlando a variabilidade interfalantes. Os ouvintes são solicitados a classificar o dialeto do locutor a partir de escalas relacionadas a atitudes como inteligência, simpatia, competência, credibilidade, dentre outros.

Quando se utiliza o matched guise, o acesso à atitude do ouvinte é privativo, menos vulnerável à desejabilidade social. Esta técnica possui um grande número de estudos internacionais, em diferentes línguas e contextos, que demonstraram de forma detalhada o papel da variação e do estilo na formação de uma impressão no interlocutor. Além disso, o matched guise permite fazer a interrelação da sociolinguística com a psicologia social (Clopper; Pisoni, 2002; Garret, 2010).

No Brasil, ainda há um pequeno número de trabalhos onde essa técnica foi utilizada para avaliação das atitudes linguísticas. Entre eles, as pesquisas de Hora (1994) e Leite (2004). A presente pesquisa busca ampliar esse escopo de pesquisas com a referida temática e com a técnica matched guise, incluindo as questões estitlísticas e suas relações com as atitudes linguísticas.

Hora (1994) realizou um estudo que teve como objetivo investigar as atitudes de falantes naturais de João Pessoa frente à sua forma de falar e à de pessoas de outros estados. Ele utilizou técnicas diretas, onde os informantes eram convidados a falar sobre a sua fala em relação à de outros pessoenses, se gostaria de mudar sua forma de falar, dentre outras questões; perguntas escritas, em que eles eram questionados se achavam que falavam bem ou mal; e técnica indireta, uma variação do matched guise, em que eram apresentados quatro textos gravados pelo mesmo falante realizando dois tipos de concordância nominal (padrão x não padrão) e dois tipos de uso das oclusivas dentais /t/ e /d/ (palatalizadas e não palatalizadas).

Os resultados do estudo mostraram que os pessoenses têm consciência de que a forma como falam é semelhante à de outros membros de sua comunidade. Os informantes também reconheceram as diferenças regionais, na medida em que tomaram como referência marcante os sotaques de São Paulo e do Rio de Janeiro, avaliando-os positivamente. A maior parte dos informantes demonstrou lealdade linguística, uma vez que, embora não avaliassem sua maneira de falar como muito positiva, não queria mudá-la.

Quanto aos resultados com relação às questões indiretas, foi observado que os falantes têm consciência do aspecto gramatical da concordância nominal, valorizando sua realização de acordo com a norma culta. Observou também que houve rejeição à não ocorrência da palatalização das oclusivas dentais, o que, segundo os informantes, “era traço de um sotaque forte e feio”.

O trabalho de Leite (2004) também utilizou o matched guise como técnica de pesquisa e investigou as atitudes linguísticas diante da pronúncia do /c / retroflexo em informantes oriundos da cidade de São José do Rio Preto que estudavam na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

A análise dos dados indicou que todos os informantes perceberam o estigma relacionado à produção do /c / retroflexo e manifestaram o desejo de alterar essa pronúncia típica de sua região de origem.

Além disso, observou um número maior de realização do /r/ alveolar em estudantes no final do curso do que no início, o que se justifica pelo interesse desses falantes em suavizar o seu sotaque, distanciando-se da variante estigmatizada.

Em relação ao estilo de comunicação, considera-se que este faça parte da nossa competência social e represente a capacidade de identificar e entender marcadores indexicais, assim como a forma como eles se combinam para caracterizar diferentes tipos de estilo.

As pessoas reconhecem os estilos em qualquer interação social por mecanismos contrastivos, de modo consciente ou não. Este reconhecimento acontece quando diferentes marcadores são comparados em situações distintas, em que se consegue delinear que estamos diante de um estilo específico.

Destacamos três diferentes abordagens de estudo da relação entre o estilo e a variação linguística: a de Labov (1972, 2006, 2008), a de Bell (1984) e a de Eckert (2002).

Labov (1972, 2008) defende que o estilo está relacionado com a atenção que é dispensada à fala, com o automonitoramento do falante, de modo que o discurso pode variar da informalidade à formalidade. A fala casual seria aquela encontrada em ambientes mais descontraídos, onde o falante não se monitora e não é monitorado. Já as situações de fala “cuidada”, aconteceriam quando o contexto exige um mínimo de controle por parte do falante, quando ele também se sente monitorado pelo interlocutor.

Desse modo, não existe somente uma dicotomia entre o estilo formal e o informal, entre a fala casual e a cuidada, mas uma escala com diversas possibilidades intermediárias, com um maior ou menor grau de formalidade.

A perspectiva de Bell (1984) inclui a teoria da acomodação no escopo das pesquisas sobre estilo, mostrando a relação entre uso da língua e estilo, associando-o a escolha do falante, em consequência à atitude do destinatário. Este autor desenvolveu seus estudos, considerando que a audiência era o principal fator determinante da mudança estilística. Para ele, o estilo é a resposta dada pelo falante a sua audiência, é uma acomodação do falante ao seu destinatário. Além disso, os falantes podem usar o estilo como iniciativa para redefinir a situação das relações, principalmente quando há divergência com o destinatário ou na comunicação em massa.

Penelope Eckert (2002), diferente dos modelos anteriores, desenvolveu uma abordagem em que a variação é vista como um recurso para a construção do significado social da linguagem, pois as pessoas combinam uma série de recursos existentes para a construção de novos significados, o que varia de acordo com o falante, com o interlocutor e com o contexto. Nesta concepção, o estilo pode ser visto como um ajustamento situacional do falante no uso de variáveis individuais, a forma como o falante combina variáveis para criar modos distintos de falar.

Neste estudo, adota-se a perspectiva laboviana, que defende que o estilo está relacionado com a atenção que é dispensada à fala, com o automonitoramento do falante, de modo que o discurso pode variar da informalidade à formalidade.

De acordo com Labov (1972; 2006), o prestígio de uma variante linguística estaria relacionado ao seu uso mais recorrente em grupos desprestigiados socialmente. Embora não exista uma relação direta de causa e efeito entre uso da variante no estilo informal e sua estigmatização, nesta pesquisa, parte-se da hipótese de que há uma tendência à utilização da variante de prestígio em contexto mais formal de comunicação.

Diante do exposto, o objetivo deste estudo é analisar as preferências e atitudes linguísticas de ouvintes quanto à ocorrência do processo de palatalização das oclusivas dentais em estilo formal e informal de comunicação.

1. Métodos

Este é um estudo explicativo, experimental, analítico e transversal, avaliado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da instituição de origem, sob o protocolo de nº 17103.

Inicialmente, para a realização deste estudo, foram selecionados os vocábulos contendo os fonemas /t/ e /d/ diante da vogal /i/, possibilitando a ocorrência da palatalização das dentais, em oposição à realização desses fonemas como oclusivas dentais. Para tanto, foram selecionados vocábulos de uso comum na língua e que pudessem ser utilizados na criação de um texto, especificamente criado para esta coleta.

Desse modo, os vocábulos foram inseridos em uma frase-veículo do tipo “digo _______ baixinho” (exemplo: digo FELICIDADE baixinho), gerando amostras de fala em contextos fonético-fonológicos semelhantes, e em um texto elaborado especificamente para esta pesquisa, possibilitando a gravação dos vocábulos inseridos em um contexto de narrativa, considerando-se os critérios sintáticos e pragmáticos.

Considerando-se que um dos objetivos deste estudo é analisar as atitudes linguísticas dos ouvintes em relação a determinadas variantes linguísticas, optou-se por uma técnica indireta, o matched guise (Lambert, 1967), por permitir um maior grau de privacidade ao juiz (ouvinte), uma resposta mais espontânea e autêntica, e um julgamento independente do domínio dos aspectos formais e metalinguísticos relacionados à variante linguística estudada (Garret, 2010).

O matched guise preconiza a gravação do enunciado pelo mesmo locutor, utilizando vários dialetos, o que possibilita o controle da variabilidade interfalantes (Lambert, 1967). Na sequência, os ouvintes são solicitados a emitir julgamentos de atitudes relacionados às variantes utilizadas pelo locutor, utilizando-se uma escala de diferencial semântico.

Nesta pesquisa, todos os princípios descritos pela técnica matched guise foram seguidos e serão descritos nesta seção. Ressalta-se que, ao invés de um locutor, foram utilizados três falantes, mantendo, no entanto, o princípio da técnica, ao parear-se as duas produções do mesmo locutor (com diferentes dialetos) para o julgamento dos ouvintes.

Três locutoras com experiência de utilização da voz em comunicação midiática (rádio e televisão), nascidas e criadas em João Pessoa, uma capital do nordeste brasileiro, gravaram as frases-veículo e o texto nas situações de ocorrência (SO) e não ocorrência (SNO) de palatalização das oclusivas dentais. Ao final de cada gravação, era verificado se cada palavra-alvo na frase-veículo ou no texto correspondia ao padrão solicitado à locutora, ou seja, ocorrência ou não ocorrência da palatalização das dentais. Os sintagmas que não correspondiam eram regravados.

No Quadro 1, observam-se as palavras utilizadas pelas locutoras, com os respectivos padrões de ocorrência e não ocorrência de palatalização das dentais. Considerando o número de falantes (três locutoras), obtiveram-se três padrões de ocorrência de palatalização das oclusivas dentais e três padrões de não ocorrência para cada um dos vocábulos, perfazendo um total de 72 estímulos.

Table 1.

QUADRO 1: Variáveis linguísticas e sua ocorrência na avaliação da preferência de fala

VARIÁVEIS Palavras selecionadas Número de ocorrências de palavras Situação de ocorrência Situação de não ocorrência
Dias 03 [‘dyjas] [‘djas]
Felicidade 03 [felisi’dadyi] [felisi’dadi]
Cidade 03 [si’dadyi] [si’dadi]
Tinha 03 [’tFĩa] [’tĩa]
Dívidas 03 [‘dyividas] [‘dividas]
Palatalização das dentais Tradicional 03 [tradyisio’naw] [tradisio’naw]
Diálogo 03 [dyi’alogu] [di’alogu]
Time 03 [‘tFimi] [‘timi]
Leite 03 [lejtFi] [lejti]
Tive 03 [‘tFivi] [‘tivi]
Antes 03 [‘ãtFis] [‘ãtis]
Partiu 03 [pah’tFiw] [pah’tiw]

Durante a gravação, foi controlado o aspecto prosódico, principalmente, no que diz respeito à curva entonacional e taxa de elocução, visto que o objetivo era apenas a análise dos aspectos segmentais da variação. Desse modo, procurou-se evitar que, ao caracterizar a fala na SNO ou na SO da palatalização das oclusivas dentais, as locutoras realizassem diferenças significantes no aspecto prosódico e, por consequência, o julgamento dos ouvintes fosse guiado por essas pistas.

Para dar continuidade à pesquisa, os trechos de fala foram editados no software Sound Forge, versão 10.0. As palavras-alvo foram recortadas, preservando-se todos os fonemas, pareando-se em um mesmo arquivo de áudio de acordo com a locutora e com a situação de ocorrência e não ocorrência de palatalização das dentais. O pareamento foi realizado em uma sequência aleatória, de modo que as SO e SNO alternassem aleatoriamente entre a primeira e a segunda posição, quando apresentadas aos ouvintes. Além disso, foram inseridos cinco pares de palavras sem variação dialetal, tanto em SO quanto em SNO da palatalização, denominados distratores, cujo objetivo era verificar se os ouvintes estavam atentos ao julgamento ou respondendo de forma automática. A inclusão de distratores também é preconizada na descrição da matched guise.

Para a validação das palavras que seriam utilizadas para julgamento pelos ouvintes, os arquivos de áudio foram apresentados para quatro linguístas com experiência no estudo dialetal. Inicialmente, eles escutaram cada par de palavras, devendo marcar se identificavam ou não diferença de pronúncia e qual das pronúncias correspondiam à situação de ocorrência e de não ocorrência de palatalização das dentais. Para posterior apresentação aos ouvintes, consideraram-se apenas os pares de palavras em que pelo menos três dos linguístas perceberam diferenças entre as duas formas de pronúncia.

Assumindo que um dos objetivos do estudo é analisar as atitudes dos ouvintes em relação aos estilos mais e menos formais de fala, optou-se por considerar, enquanto estilo mais formal, a situação de comunicação midiática do apresentador de telejornal e, quanto ao estilo menos formal, a fala utilizada pelos falantes da comunidade local em uma conversa com os amigos. Utilizou-se, como critério, a noção de estilo como o grau de atenção prestada à fala durante a comunicação (Labov, 1972; 2008), variando em um contínuo de maior (mais formal) à menor (menos formal) atenção dispensada, o que correspondia, respectivamente, à fala durante a apresentação de um telejornal e à fala em um grupo de amigos. O grupo de juízes foi composto por 105 ouvintes, pessoenses, estudantes universitários de diferentes cursos da instituição de origem, entre o 1º e 6º período, com faixa etária entre 18 e 38 anos de idade, sendo 24 do sexo masculino e 81 do sexo feminino, que não possuíam queixas auditivas que impedissem a escuta do material audiogravado.

Durante cada sessão de coleta, os juízes foram orientados quanto aos objetivos da pesquisa e sobre sua participação, solicitando a leitura do termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE). Caso concordassem em participar, deveriam assinar o TCLE e preencher uma ficha de identificação.

Em seguida, os pares de palavras foram apresentados ao grupo de ouvintes, utilizando-se notebook e caixas de som, em uma intensidade referida como confortável e suficiente pelos ouvintes, sendo repetidas duas vezes. Solicitou-se que após a escuta de cada par, os juízes identificassem a pronúncia preferida para um apresentador de telejornal (estilo mais formal) e para um falante da comunidade local em uma situação coloquial de comunicação com amigos (estilo menos formal).

Posteriormente, os juízes escutaram as frases emitidas pelas locutoras nas SO e SNO da palatalização, apresentadas, neste momento, de forma não pareada. Após a escuta de cada frase, eles realizaram o julgamento de atributos relacionados à fala, incluindo a confiabilidade, clareza, competência, credibilidade, cultura e agradabilidade transmitidas pela fala das locutoras, a partir da Escala de Avaliação de Atitudes Relacionadas à Fala – criada pelos pesquisadores –, marcando suas respostas em uma escala de diferencial semântico de sete pontos, com os adjetivos positivos colocados à direita e os negativos à esquerda (Al-Hindawe, 1996).

Em síntese, as palavras extraídas das frases-veículo foram utilizadas para analisar a preferência de fala, enquanto as frases retiradas do texto, contendo as mesmas palavras utilizadas no teste anterior, foram usadas para julgamento das atitudes linguísticas.

Para fins de análise, os valores entre 1 e 3 na escala de avaliação das atitudes eram considerados negativos, o valor 4, considerado neutro/ indiferente, e os valores de 5 a 7, negativos.

Para a análise dos dados referentes à preferência entre a SO e a SNO da palatalização das dentais foram realizados testes para proporções, verificando se havia diferenças entre as respostas dos ouvintes. Foi utilizado o teste de associação exato de Fisher para verificar se existia associação entre as variantes linguísticas preferidas para os estilos mais e menos formais de fala e o julgamento de atitudes atribuídos às situações de ocorrência e não ocorrência da palatalização.

O nível de significância adotado foi o de 5% para todas as análises, utilizando o software R.

2. Resultados

A partir dos dados coletados, observou-se que os ouvintes preferem a SO da palatalização das oclusivas dentais no estilo mais formal (p<0,001) e a SNO no estilo menos formal (P<0,001) (TABELA 1). Ressalta-se que, no momento da coleta, além da possibilidade de marcar a preferência entre as duas formas de pronúncia (com ocorrência e não ocorrência da palatalização), existia a opção “indiferente”, caso o ouvinte julgasse não haver nenhum tipo de preferência entre as formas de falar. No entanto, a classe “indiferente” foi retirada do teste estatístico entre as proporções devido a sua baixa frequência, não prejudicando o resultado final.

Figure 1.

TABELA 1: Preferência dos ouvintes quanto à ocorrência e não ocorrência de palatalização das oclusivas dentais nos estilos forma e informal

Os juízes consideraram positiva a ocorrência da palatalização das oclusivas dentais no estilo mais formal em todas as atitudes linguísticas estudadas. Houve associação entre a preferência pela SO da palatalização no estilo mais formal e os atributos de confiabilidade (p<0,001), clareza (p<0,001), competência (p<0,001), credibilidade (p<0,001), agradabilidade (p<0,001) e cultura (p<0,001) (TABELA 2).

Table 2.

TABELA 2: Associação entre preferência quanto à ocorrência ou não ocorrência de palatalização das oclusivas dentais no estilo mais formal e as atitudes linguísticas.

Atitude Positiva Negativa Indiferente Total valor de P
Confiabilidade
SNO 381 15 42 438
SO 835 106 149 1090 0,0000*
Indiferente 259 1 18 278
Clareza
SNO 399 15 24 438
SO 912 83 95 1090 0,0000*
Indiferente Competência 271 6 1 278
SNO 394 13 31 438
SO 836 118 136 1090 0,0000*
Indiferente Credibilidade 223 7 48 278
SNO 368 24 46 438
SO 809 139 142 1090 0,0000*
Indiferente Agradabilidade 229 8 41 278
SNO 363 36 39 438
SO 669 248 173 1090 0,0000*
Indiferente Cultura 213 32 33 278
SNO 322 55 61 438
SO 681 256 153 1090 0,0000*
Indiferente 207 38 33 278
*Valores significativos p<0,05 – Teste exato de Fisher Legenda: SNO = situação de não ocorrência; SO= situação de ocorrência

Houve associação entre a não ocorrência de palatalização das dentais e as atitudes linguísticas de confiabilidade (p=0,038), clareza (p=0,003), competência (p=0,009), agradabilidade (p<0,001) e cultura (p=0,006) (TABELA 3). De modo geral, os ouvintes foram indiferentes, em termos de atribuição de valores, à ocorrência da palatalização das dentais no estilo menos formal.

Table 3.

TABELA 3: Associação entre preferência quanto à ocorrência ou não ocorrência de palatalização das dentais no estilo menos formal e as atitudes linguísticas

Atitude Positiva Negativa Indiferente Total valor de P
Confiabilidade
SNO 988 81 158 1227
SO 487 41 51 579 0,0381*
Indiferente Clareza 1475 122 209 1806
SNO 1094 68 65 1227
SO 488 36 55 579 0,0033*
Indiferente Competência 1582 104 120 1806
SNO 996 78 153 1227
SO 457 60 62 579 0,0099*
Indiferente Agradabilidade 1453 138 215 1806
SNO 863 183 181 1227
SO 382 133 64 579 0,0000*
Indiferente Cultura 1245 316 245 1806
SNO 841 212 174 1227
SO 369 137 73 579 0,0062*
Indiferente 1210 349 247 1806
*Valores significativos p<0,05 – Teste exato de Fisher Legenda: SNO = situação de não ocorrência; SO= situação de ocorrência

3. Discussões

Constatou-se que os ouvintes preferem a ocorrência de palatalização das oclusivas dentais no estilo mais formal e a não palatalização no estilo menos formal. Desse modo, a escolha quanto à variante linguística estudada parece ter uma relação direta com o estilo, variando entre uma fala mais formal e uma fala menos formal.

Considerando que, nesta pesquisa, o estilo mais formal apresentado aos ouvintes no questionário correspondia à fala de um “apresentador de telejornal”, por ser uma situação em que, reconhecidamente e de modo geral, o falante necessita prestar um alto grau de atenção à sua fala, pode-se inferir, como uma das possibilidades de análise, que a escolha pela palatalização das dentais para o falante neste tipo de situação pode estar relacionado ao estereótipo que o ouvinte tem quanto à fala nesse contexto, permeado pela sua exposição constante ao padrão de telejornais veiculados em nível nacional, em que predomina a ocorrência da palatalização das dentais.

Por sua vez, quando o ouvinte põe em evidência sua preferência pela SNO de palatalização das oclusivas dentais para um falante da sua comunidade em situações menos formal, pode demonstrar que tal variante apresenta valores diferentes em função do estilo de comunicação a que o falante é exposto.

Tais achados reforçam a noção de prestígio encoberto, postulado por Labov (1972), que corresponde à intenção do falante de manter sua identidade linguística relacionada ao seu grupo social. Esta noção explicaria a discrepância entre a preferência do ouvinte quanto à ocorrência de palatalização das dentais em um estilo mais formal e a não palatalização na fala menos formal, considerando, aqui, que esta última possibilidade corresponde à pronúncia característica dos falantes da região estudada.

Mollica (2000) destaca que, muitas vezes, a variante estigmatizada por uma determinada comunidade possui o papel de garantir a identidade do falante em um dado grupo social, determinando sua individualidade em relação a outros grupos.

De modo geral, os ouvintes identificam e atribuem valores a uma variante linguística baseados na sua experiência prévia com essa variante, em um determinado contexto de fala, seja ele mais formal ou menos formal (Clopper; Pisoni, 2002), comparando-a com um determinado padrão esperado para um estilo ou categoria social. Dessa forma, quando os ouvintes foram solicitados a manifestar suas preferências quanto às variantes linguísticas para um estilo específico, isto fez com que eles evocassem as características de fala esperadas para esse estilo. Especificamente, nesta pesquisa, o estilo mais formal referia-se à fala de um apresentador de telejornal, o que faz com que o ouvinte evoque as características de fala mais recorrentes e disseminadas na mídia.

Do ponto de vista do ouvinte, quando se trata de estilo, deve-se considerar o que é esperado para cada tipo de pessoa ou categoria (comunidade de fala). Em geral, a fala se acomoda a esta expectativa nos diferentes contextos de comunicação.

Desse modo, a resposta dos ouvintes na presente pesquisa pode ser justificada além da noção de preconceito linguístico, mas subsidiada pelo conceito de estereótipo linguístico, quando consideramos a variação como uma prática estilística e a relacionamos às expectativas quanto ao padrão de fala no “estilo mais formal” de apresentadores de telejornal. O uso da palatalização das oclusivas dentais, mesmo em apresentadores de jornais locais, em que a palatalização não é um processo recorrente, tornou-se uma das marcas da construção do estilo de comunicação oral dos repórteres e apresentadores, carregando um significado capaz de categorizar o grupo e o estilo, não se atendo aqui aos fatores sociais, econômicos e regionais que motivaram essas escolhas historicamente.

Um estudo realizado por Silva (2012), cujo objetivo era verificar a ocorrência das variáveis palatalização das dentais, harmonização vocálica e palatalização do /S/ em coda medial na fala de jornalistas durante a apresentação de telejornais, observou a ocorrência de palatalização das dentais em 85,04% das possibilidades. Dessa forma, mesmo no telejornal transmitido em uma emissora local, há uma tendência ao uso mais frequente da variante africada, o que pode contribuir para o estereótipo linguístico citado.

As expectativas dos ouvintes quanto a determinados grupos e estilo formam uma lente através da qual os atributos de uma pessoa são interpretados e avaliados. Embora os interlocutores possam ir além do padrão cognitivo do estereótipo para uma impressão mais individualizada, com base em características únicas do indivíduo, a percepção estereotipada é muito mais comum nas relações cotidianas. Baseados apenas na linguagem e no dialeto do falante, os ouvintes fazem julgamento social, regional e de estilo (Fiske; Neuberg, 1990; Rusher; Hammer, 2006).

Pesquisas nos campos da sociolinguística e da psicologia social mostraram que os estereótipos acerca do grupo a que pertence um falante tem influência sobre a forma como as variantes linguísticas são percebidas. A percepção é muito mais do que um mero processamento fonético do sinal de voz, mas outras informações são usadas pelos ouvintes, incluindo informações sociais e os estereótipos sobre uma variedade linguística (Niedzielski, 1999; Kralic et al, 2008).

Em síntese, o ouvinte pode ter realizado a escolha pela ocorrência da palatalização das dentais na fala no estilo mais formal, porque ele considera que a não ocorrência pode ser estigmatizadas para um estilo de fala mais formal, como é o caso da apresentação de um telejornal; ou, simplesmente, porque eles têm expectativas para esse estilo de fala.

No teste de associação entre a preferência do padrão de fala e o julgamento de atitudes para os estilos estudados, observou-se que os ouvintes consideraram positiva a ocorrência da palatalização no estilo mais formal em todas as atitudes linguísticas estudadas. Por outro lado, de modo geral, foram indiferentes em termos de atribuição de valores (atitudes linguísticas) à ocorrência ou não da palatalização das dentais no estilo menos formal.

Analisando-se os dados de atitudes dos ouvintes frente à palatalização das dentais, confrontando-se com as preferências que tiveram com relação a esse processo, pode-se observar mais uma vez uma provável questão de prestígio encoberto, uma vez que os ouvintes, embora prefiram a não palatalização no estilo informal, não atribuem valores positivos a essa manifestação no referido estilo.

Julgamentos de caráter valorativo a respeito da pronúncia dos sons da fala são comuns e fazem parte da vida cotidiana das pessoas, sempre vindo à tona nos ambientes e situações mais variados e inusitados. Ocorrem porque o uso da língua implica variação e, consequentemente, permite certas escolhas que, por sua vez, decorrem de condicionamentos culturais, dialetais, sociais, psicológicos, políticos, pragmáticos, que influenciam a concepção e opção estéticas.

A aprendizagem da atitude acontece ao longo da vida, por observação e reflexão do comportamento dos outros e das consequências desse comportamento. A experiência pessoal e o ambiente social (incluindo a mídia) são fontes primárias dessa aprendizagem, que acontece pela inserção em um processo de tornar-se membro de uma família, de um grupo e da sociedade, reagindo ao mundo social de modo consistente e característico, em vez de um modo transitório e casual(Garret, 2010).

Os estereótipos referentes ao grupo a que pertence um falante tem influência sobre a forma como as variantes linguísticas são percebidas. A percepção é mais do que um mero processamento fonético do sinal de voz, mas outras informações são usadas pelos ouvintes, incluindo informações sociais e os estereótipos sobre uma variedade linguística (Beebe, 1981; Thakerar; Giles, 1981; Niedzielski, 1999; Kraljic et al, 2008).

De acordo com Garret (2010), analisar as preferências e o julgamento de atitudes relacionado às variantes linguísticas ajuda a compreender a forma como os ouvintes se portam diante de determinada variação, influenciando as escolhas linguísticas dos falantes para cada estilo, mais ou menos formal.

A associação de valores positivos à ocorrência de palatalização das dentais no estilo mais formal e a indiferença, em termos de atitudes, quanto a não palatalização no estilo menos formal, pode evidenciar o estilo como uma restrição, que favorece ou não a escolha de uma, dentre diferentes variantes possíveis ao falante (Hora; Wetzels, 2011).

Conclusões

Os ouvintes da comunidade local preferem e atribuem valores positivos à ocorrência da palatalização das dentais no estilo mais formal, ao passo que preferem a não ocorrência dessa variante no estilo menos formal, sendo indiferentes, em termos de atitudes, à palatalização das dentais no contexto informal. Dessa forma, entende-se que o estilo influencia decisivamente nas atitudes linguísticas quanto ao processo de palatalização das dentais na comunidade estudada. Além disso, o fato de atribuírem valores positivos à utilização da variante estudada em um determinado estilo, pode dar suporte a compreensão do sistema de valores do falante desta comunidade quanto à palatalização das dentais.

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Recebido em 15/01/2015 e Aceito em 23/05/2015.