Resumo

Este artigo tem por objetivo analisar as vogais médias em contexto postônico não final na fala das regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e de Lisboa, para retratar, respectivamente, os processos de alteamento e cancelamento e esboçar uma interpretação teórica sobre o quadro vocálico postônico não final em português. 

Introdução

O sistema vocálico do Português é constituído por sete vogais – /i e s a c o u/– que só ocorrem plenamente em contexto tônico. Nas demais pautas acentuais, verifica-se uma gradativa redução de segmentos, a depender do maior ou menor grau de atonicidade da sílaba. Um dos principais processos de mudança que atingem o sistema fonológico do Português diz respeito à redução das vogais nos contextos átonos, fenômeno que, com o passar do tempo, provoca a perda gradual de oposição fonológica entre as vogais /i e s/ e /c o u/– a depender da posição em relação à sílaba tônica.

Trabalhos que focalizam o Português na perspectiva diacrônica demonstram que, desde o período medieval, as vogais médias sofreram alteamento na sílaba postônica final, o que acarretou a redução do sistema para três vogais /i a u/ nessa posição. Após sua implantação no Brasil, o Português seguiu diferentes caminhos. Na variedade europeia, ao longo dos séculos, o alteamento se implementou em todo o vocalismo átono, que foi receptivo ainda a um novo segmento, [i], resultante de posteriorização, enquanto o português brasileiro segue até os dias de hoje apresentando variação entre médias e altas nas posições pretônica e postônica medial. Dessa forma, comparar as duas variedades na sincronia atual pode contribuir para compreender os fenômenos variáveis ainda atestados nas vogais do Português do Brasil (doravante PB) que já foram estabilizados no Português Europeu (doravante PE).

Neste artigo, tem-se dois objetivos principais: (i) analisar, com base nos princípios teórico-metodológicos da Sociolinguística Variacionista, as vogais médias em contexto postônico medial nas falas culta e popular das regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e de Lisboa, de modo a retratar, em especial, os diferentes processos de mudança – respectivamente o alteamento e o cancelamento – que se observam hoje em cada variedade e (ii) esboçar uma interpretação teórica sobre o vocalismo postônico medial em português, tomando como base os resultados encontrados na mencionada análise e, ainda, informações advindas de investigação bibliográfica de cunho sincrônico e diacrônico sobre o vocalismo do PB e do PE.

Para tanto, no item 1, apresenta-se uma síntese de estudos sobre o vocalismo nas duas variedades, e, em particular, no âmbito das vogais médias no contexto em pauta. No item 2, indicam-se os procedimentos metodológicos que nortearam as análises (2.1) para, nos itens 2.2 e 2.3, expor seus principais resultados. No item 3, procede-se à discussão do que se propôs em (ii) e a seguir, tecem-se as considerações finais.

1. O vocalismo postônico medial em Português

A distinção entre o vocalismo átono brasileiro e o português tem sido alvo de discussão teórica, pois interessa compreender em que aspectos convergem e divergem as regras fonológicas que atuam nas duas variedades.

Em vista da menor energia articulatória, a produção das vogais átonas é enfraquecida e favorece o processo de alteamento – especialmente das vogais médias – e a gradual perda de oposição dos traços de abertura. No PE, simultaneamente ao alteamento, atua também um processo de centralização das vogais anteriores. No PB, o processo de alteamento atinge as sílabas postônicas não finais de forma diversa da que se verifica nas demais sílabas átonas. Nestas posições, os traços de abertura são neutralizados de forma semelhante em vogais anteriores e posteriores, enquanto nas átonas não finais existe assimetria na implementação do alteamento no âmbito dos fonemas /e/ e /o/.

1.1     A assimetria no Português do Brasil

Antes de recentes estudos sociolinguísticos sobre o vocalismo postônico não final no PB, pouquíssimos autores haviam se dedicado a interpretar fonologicamente esse contexto.

No contexto postônico não final, atuariam, segundo Câmara Jr. (1970), ratificado por Wetzels (1992), quatro segmentos – /i E a U/, o que implica dizer que, nesse contexto, a série anterior não teria sofrido a redução máxima verificada na série posterior. A interpretação do autor não foi desconsiderada até hoje, mas muito se tem discutido sobre as oposições verdadeiramente em atuação para os falantes brasileiros nessa posição. Deve-se atentar para o fato de que, para chegar a esse quadro, Câmara Jr. (1970) tomou por base a variedade culta carioca da década de 40, como informa o autor, concluindo, quanto ao contexto postônico não final, que o processo de alteamento não atinge a vogal /e/. Mas, em corpora da década de 70, uma geração após, já se verificam várias realizações como cér[i]bro, indíg[i]na e vésp[i]ra (De Paula, 2010), que estão presentes tanto na fala culta quanto na popular e não parecem causar estranhamento ou ser estigmatizadas.

Bisol (2003) discute o caráter assimétrico do quadro mattosiano, destacando que a língua evita assimetrias e busca a regularização, o que significa que o processo de alteamento tenderia a estender-se para a vogal /e/. Afirma, ainda, que a constituição fisiológica da cavidade bucal pode ser a explicação deste desequilíbrio, pelo fato de a distância entre os pontos de articulação de [o] e [u] ser menor do que a distância entre a articulação de [e] e [i] – o que é ratificado por Naro (1973). Para Bisol, a instabilidade verificada nas sílabas postônicas não finais só é possível porque representa uma flutuação entre o quadro de três vogais postônicas finais e o de cinco vogais pretônicas (descritos por Clements, 1991).

A assimetria do contexto postônico não final (considerada aqui o reflexo de uma instabilidade fonológica, de acordo com Bisol) pode ser observada em outros estágios do Português (cf. De Paula; Brandão, 2012b) e ainda vigora na fala culta carioca e em outros falares brasileiros. No entanto, como são pouco numerosos os trabalhos sobre o tema, ainda não é possível apreciar plenamente a assimetria desse contexto no PB.

Conta-se apenas com estudos que tratam das vogais postônicas no âmbito dos dialetos dos estados do Sul (Vieira, 1994, 2002, 2009), de Belo Horizonte (Ribeiro, 2007), de São José do Rio Preto (Ramos, 2009), da Paraíba (Magalhães; Silva, 2011), este último registrando a ocorrência, a par do alteamento, não apenas da manutenção das médias, mas também de um expressivo processo de abaixamento de [e] > [ε] e [o] > [c] na cidade de Sapé. Os autores concluem ser esse fato decorrente de um processo de assimilação progressiva (c[c]l[ε]ra, ab[c]b[c]ra), que embora pouco comum em português, estaria relacionado à excepcionalidade das proparoxítonas.

No Estado do Rio de Janeiro, conta-se com os estudos de De Paula (2009, 2010, 2014, 2015), De Paula; Brandão (2012a, 2012b) e Brandão; Santos (2009), que averiguaram a variação nesse contexto nas falas culta e popular e cujos principais resultados serão aqui comentados. O objetivo principal de seus trabalhos era verificar se a vogal /e/, que tem retido o processo de neutralização neste quadro, sustentando a assimetria apontada por Câmara Jr, se mantém na fala culta e/ou na fala popular fluminense, ou se os dados já indicam, nessa área geográfica, a mudança sugerida por Bisol para o quadro de três elementos /i a u/.

Os resultados encontrados demonstram divergência no comportamento das duas vogais, confirmando-se aspectos assimétricos no dialeto fluminense. A diferença no comportamento de /e/ e /o/ é motivada, em especial, por um aspecto social, o nível de escolaridade.

Reforça tal divergência a comparação entre o corpus APERJ (Atlas Etnolinguístico dos Pescadores do Estado do Rio de Janeiro, representativo da fala de indivíduos com até quatro anos de escolaridade) e o corpus NURC-RJ (Norma Urbana Culta- RJ, representativo de falantes cariocas cultos) – únicos que apresentaram variação na realização de /e/ – e o que se observou no corpus PEUL (Programa de Estudos da Linguagem, representativo de cariocas com cinco a nove anos de escolaridade), em que foi categórico o alteamento da vogal. Sendo o primeiro representativo da fala popular e o segundo, da fala culta, foi fundamental contrastar a forma como o alteamento é implementado no contexto da vogal anterior em cada variedade e observar os fatores que o motivam ou não, justificando a assimetria encontrada na fala culta. Mas foi a escolaridade, entre todas as variáveis controladas, a única efetivamente selecionada na rodada APERJ x NURC. A aplicação da regra teve peso relativo de 0.737 entre os falantes com baixa escolaridade (APERJ) e de apenas 0.052 entre os de nível superior (NURC), conforme exposto na tabela a seguir.

Table 1.

Variável escolaridade – Corpora NURC e APERJ

Fator Oco % P. R.
Ensino Superior 19/87 21,8% 0.052
Até o Primário 229/245 93,5% 0.737
Signif.: 0.000 Input . 0.836
TABELA 1: Fator condicionador do alteamento da vogal média anterior postônica medial em corpora de fala culta e popular (NURC e APERJ). Fonte: DE PAULA (2010:102).

Entre os falantes não cultos, representantes de uma variedade em que pressões normativas têm menos força, a mudança de /e/ para /i/ parece estar em estágio mais avançado, implementando o alteamento simetricamente em ambas as vogais médias, o que comprova tendência à regularização do quadro em três segmentos fonológicos, /i a u/, e à eliminação da assimetria na fala fluminense.

Concluiu-se que o sistema vocálico átono mais simples, /i a u/, é o preferencial entre os falantes pouco escolarizados do Rio de Janeiro já nessa época, em contraposição à proposta mattosiana para o vocalismo postônico não final do PB, que é assimétrica. No trabalho, fica claro que a simplificação em três vogais tende a estender-se a todos os falantes do Estado, mas ainda não era uma realidade entre os falantes cultos antes da década de 70, aqueles que foram alvo da descrição de Câmara Jr. Entende-se, então, que a assimetria verificada entre os falantes do NURC representa uma instabilidade transitória e não natural, nos termos de Bisol (2010), motivada por um fator social, a escolaridade.

Os dados investigados referem-se às décadas de 1970 e 1980, época da recolha dos corpora NURC, APERJ e PEUL 80. Por isso, fez-se necessária a continuação da pesquisa, em dados de fala da década atual, início do século xxI, para que se pudesse verificar a persistência da assimetria ou a tendência à regularização em três fonemas a favor das vogais altas. Assim, os resultados encontrados para os corpora de fala fluminense na pesquisa realizada em 2010 foram rediscutidos com a ampliação dos corpora considerados. Na seção 3, serão comentadas as análises com base em dados eliciados do Projeto Concordância RJ e PEUL 2000, recolhidos no início dos anos 2000.

1.2     A aparente regularidade no Português Europeu

A investigação do vocalismo átono do PE demonstra que as vogais postônicas não finais não podem ser tratadas isoladamente das outras posições átonas, já que nessa variedade, atualmente, elas apresentam características similares. Sem fazer afirmações categóricas e simplistas sobre o vocalismo do PE contemporâneo – principalmente porque são raros os trabalhos que se propuseram a investigar a variação nas diferentes posições átonas – é possível atestar, com a observação de trabalhos descritivos sobre o tema, uma grande similaridade no tratamento dado às vogais átonas, principalmente nas duas posições postônicas. A sílaba postônica não final raramente recebe dos autores comentários diferenciados dos da postônica final. Mesmo quando citadas, não são apontadas características específicas dessa posição. Em alguns trabalhos, o quadro vocálico não final é atestado apenas com exemplos que congregam, no mesmo rol, proparoxítonas e paroxítonas.

No atual estágio do PE está estabilizado o alteamento dessas vogais em [i] e [u] (com raríssimos casos de manutenção das médias, o que se se concentra principalmente no contexto pretônico), ao lado de produtivo processo de apagamento.

É consensual, nas descrições do sistema fonológico do PE contemporâneo, que o vocalismo átono dessa variedade apresenta grande regularidade fonética nas posições não acentuadas, com realização geral de quatro segmentos átonos – [i, i, ܣ, u] – em qualquer posição, diferentemente do que ocorre no PB. Tal descrição está claramente exposta em Mateus; Andrade (2000), mas também pode ser encontrada em outros trabalhos que, eventualmente, especificam a sílaba postônica não final, focalizada nesta pesquisa.

O trabalho de Mateus; Andrade indica a redução total de /e/ no português europeu contemporâneo. Os autores preveem diferenças na concretização de /e/ nos dois continentes, ao mesmo tempo em que assinalam convergência na concretização de /o/:

Português Europeu - Português Brasileiro

[u] pérola [ps´rulܣ] - [u] pérola [ps´rul9]

[ö] cérebro [ss´ribru] - [e] cérebro [ss´rebru]

Além de Mateus; Andrade (2000), outros trabalhos, apresentam descrições fonéticas das vogais portuguesas. EMILIANO (2009) apresenta uma proposta de transcrição fonética para o português europeu standard, com base na pronúncia culta de Lisboa, apresentando quatro segmentos para os contextos átonos, [i, i, ܣ, u], sem diferenciá- los. Entretanto, os exemplos que ele oferece para as vogais na posição postônica não final – : tráfico ['trafiNu] (p. 196); : cárcere ['Narsiri], célere ['ssłiri], tráfego ['trafigu] (p. 198); : ábaco ['abnNu], álamo ['ałnmu] (p. 200); : monótono [mu'nctunu] (p. 201): : lúgubre ['lugubri] (p. 202) – demonstram que sua proposta também se estende a contexto específico.

Ploae-Hanganu (1981: 56) debruça-se brevemente sobre a sílaba postônica não final e prevê quatro vogais para essa posição, tanto no PE quanto no PB: “Em posição átona não final, mas depois de acento, o número das vogais torna-se mais pequeno tanto no Brasil como no português europeu. Elas são quatro: [i, e (G - para o português de Portugal), a, u]” (esses símbolos equivalem a [i, e (i), n , u]). A diferença indicada entre as duas variedades, mais uma vez, é a realização de [e] no Brasil e de [i] em Portugal.

Barbosa (1988) propôs-se a comparar as descrições para a pronúncia do português do final do século xIx realizadas por Viana (1892, 1973) com a pronúncia contemporânea (final do século xx). Ele explora amplamente as vogais pré-acentuadas e menos as pós-acentuadas. Para estas vogais, faz comentários sobre contextos adjacentes específicos, especialmente diante de determinadas consoantes, e nenhum comentário geral. O autor elenca novas variantes fonéticas, sem acusar mudanças no sistema. Ele assinala, para o século XX, variantes com graus de abertura mais fechados para a postônico diante de l e r (Aníbal, açúcar), além do a que é aberto, descrito por Viana no século xIx; aponta também uma variante mais fechada, que passou a concorrer com a aberta nos plurais das formas em -r (açúcares). Já as vogais médias abertas, indicadas por Viana nas sílabas finais travadas por r (éter, júnior), no século XIX permanecem nesse contexto, mas se estendem à sílaba postônica não final, a par das variantes [e, u] (éteres, júniores). Nas palavras do autor: “[e., o.], que se mantém na mesma posição, em sílaba final (éter, júnior), concorrem com [G, u] em sílaba não final (éteres, júniores), onde, generalizando-se rapidamente, tendem a suplantá-los” (Barbosa, 1988: 361). Assim, Barbosa registra as variantes altas, reconhecidas na literatura atual, [G, u] (equivalentes a [i, u]), que não são atestadas por Viana no final do século XIX, como se comenta a seguir.

Viana (1892), ao exemplificar um contexto tônico, cita as proparoxítonas célere, cérebro, Cérbero, as duas últimas transcritas foneticamente: “sérebro , sérbero (p. 71). Na descrição de Viana, [e, o] representam as vogais médias fechadas e o diacrítico em [o ] indica enfraquecimento ou redução (1892: 20). Ele também comenta a flexão singular > plural em cdávèr > cadáveres (p. 72) e abdómen > abdómenes (p. 73). Para a vogal posterior, há apenas um exemplo eventual como os anteriores, cómmo do , e nenhum comentário específico (p. 71).

Assim, além do que Barbosa registrou, a sílaba postônica não final não mereceu comentários específicos de Viana, mas o seu testemunho, através dessas transcrições, contribui para o registro de variantes não altas nessa posição, [e, o, o ]. Em outros contextos átonos, Viana defende realizações como [i] e [u] para as vogais e e o, o que demonstra que o autor atentou para um timbre perceptivelmente mais aberto nessa posição. Embora alguns dos exemplos sejam de sílabas postônicas não finais que derivaram de sílabas travadas por /R/ ou /N/ (cadáver, abdómen), outros sugerem que as médias, mesmo se não fossem a realização comum de /e/ e /o/ postônico não final em fins do século xVIII, pelo menos ainda variavam com as vogais altas a ponto de serem escolhidas para a descrição do autor.

As descrições de Viana e Barbosa sobre o século xIx demonstram que o vocalismo átono do PE, inclusive no contexto postônico não final, se regularizou nas vogais [i, a, u] muito recentemente.

Também é interessante que Viana (1892) descreva o grafema e como “a mais variável das vogaes” (p. 70) e lhe atribua treze valores diferentes (com graus de abertura desde abertos, é, até altos, i) enquanto o foi diferenciado em apenas seis valores (p. 78). Isto pode constituir um indício, embora vago, de que as vogais posteriores são mais suscetíveis a reduções e neutralizações do que as anteriores.

Descrever e compreender o vocalismo átono do Português Europeu envolve necessariamente discutir os processos de apagamento sofridos pelas vogais reduzidas, próprias das posições não acentuadas. A esse respeito, Mateus; Delgado-Martins (1982) iniciam a discussão sobre o tema destacando que tal processo não é regular e que sua descrição, até aquele momento, não havia sido satisfatoriamente realizada na literatura sobre o PE. Elas desenvolvem, então, um teste de percepção a fim de investigar a debilidade das vogais átonas [G] e [u] na cidade de Lisboa.

A metodologia de estudo aplicada pelas autoras demonstra que a percepção das vogais por falantes portugueses pode ser um fator fundamental para o entendimento do apagamento das átonas, complementarmente à observação de espectrogramas e registros gráficos, que frequentemente demonstram uma variação de difícil descrição. Elas afirmam que trabalhos anteriores já haviam atestado a tendência ao apagamento das átonas, principalmente nas sílabas finais. Em conformidade com isso, as autoras atestaram, em seu trabalho, que 11% das vogais do corpus, em sua maioria [G] e [u], não foram detectáveis na análise acústica ao mesmo tempo em que esses dois segmentos se mostram os menos intensos e menos longos entre as vogais orais.

As autoras acreditam ter levantado, com esses resultados, um indício em prol da hipótese de que as vogais [G] e [u] são próximas fonética e fonologicamente. Reforça essa ideia o fato de [G] e [u] confundirem-se entre si, mas manterem clara oposição distintiva com a vogal [n].

Embora seja consensual entre os autores a regularidade fonética do vocalismo átono do PE com quatro segmentos fonéticos (a par de algumas exceções em determinados contextos fonéticos), não existe uma amostra controlada específica que evidencie a realização das vogais médias postônicas não finais nessa variedade para que se possam constatar as descrições fonéticas encontradas na literatura. Não há unanimidade quanto à estrutura subjacente: a atual configuração das oposições fonológicas do PE tem sido alvo de diversas discussões teóricas, pois o valor fonológico de [i] é de difícil observação e definição. Observar tais aspectos fonológicos do PE será importante também para relacioná-los aos aspectos fonológicos do PB.

2. Análise do contexto postônico medial nas falas do Rio de Janeiro e de Lisboa (século XXI)

2.1 Procedimentos metodológicos

Os inquéritos referentes aos anos 2000 considerados nesta pesquisa fazem parte do Corpus do Projeto Estudo comparado dos padrões de concordância em variedades africanas, brasileiras e europeias do Português (doravante Corpus Concordância), disponível em www. concordancia.letras.ufrj.br. Os dados foram levantados com base na metodologia sociolinguística, sendo os informantes distribuídos por sexo, três faixas etárias (18 a 35; 36 a 55 e 56 a 75 anos), e três níveis de escolaridade (2º segmento do ensino fundamental, ensino médio e ensino superior completo). Na análise levaram-se em conta entrevistas do tipo DID (diálogo entre informante e documentador), realizadas entre 2008 e 2010 e relativas apenas às áreas metropolitanas do Rio de Janeiro e de Lisboa, num total de 72, 36 por variedade e 18 por localidade: respectivamente, a cidade do Rio de Janeiro – representada pelos bairros de Copacabana e Botafogo – e Nova Iguaçu; Cacém e Oeiras.

Apesar do número de inquéritos considerados, em consequência do pequeno número de proparoxítonas com /e/ e /o/ postônicas mediais encontradas nessas entrevistas, que têm duração média de 30 minutos, algumas células não estão preenchidas na análise variacionista.

2.2 Resultados

2.2.1 A fala do Rio de Janeiro no Corpus Concordância

As entrevistas dos corpora Concordância Copacabana e Nova Iguaçu apresentaram 318 ocorrências de proparoxítonas com vogal média postônica não final, 63 com vogal /e/ e 255 com /o/. Deste total, foram desconsideradas 05 ocorrências de alteração da vogal média /o/: 04 casos de época, ['spINn] e 01 de árvore: ['a:VIrI]. Destaca-se que a vogal posterior /o/ é a mais frequente, tanto em número de diferentes lexemas quanto de ocorrências.

Sobre os resultados do corpus Concordância RJ, observa-se, primeiramente, que não houve distinção evidente entre os falantes da capital e os de Nova Iguaçu; nenhum dos grupos se destacou da média geral, como se verifica nas tabelas a seguir, o que permite tratar conjuntamente os dados de ambas as localidades.

Table 2.

TABELA 2: Índices da variação da vogal média anterior postônica medial por localidade ( Corpus Concordância RJ)

Alteam. Manut. Apag.
Copacabana 15/33 45,5% 15/33 45,5% 03/33 9%
Nova Iguaçu 14/30 46,7% 15/30 50% 01/30 3,3%
Total 29/63 46% 30/63 47,6% 04/63 6,4%
Corpus Concordância RJ – Vogal /e/

Os percentuais gerais dessas amostras, retomados na Tabela 3, demonstram um aparente equilíbrio entre a articulação média e a articulação alta na realização de /e/ e o predomínio absoluto de [u], já esperado, na realização de /o/.

Table 3.

TABELA 3: Índices da variação da vogal média posterior postônica medial por localidade (Corpus Concordância RJ)

Alteam. Manut. Apag..
Copacabana 113/120 94,2% 1/120 0,8% 6/120 5%
Nova Iguaçu 126/135 93,3% 3/135 2,2% 6/135 4,4%
Total 239/255 93,7% 4/255 1,6% 12/255 4,7%
Corpus Concordância RJ – Vogal /o/

Enquanto a média posterior se realizou majoritariamente como alta, em 93,7% dos dados, a média anterior [e] variou de forma perfeitamente equilibrada com a alta, mantendo-se em 29 ocorrências (46%) e reduzindo- se em 30 (47,6%). Os casos de [x] somados aos de apagamento (6,4%), demonstram a tendência um pouco maior da redução da vogal frente a sua manutenção.

Table 4.

TABELA 4: Índices da variação de vogais médias postônicas mediais ( Corpus Concordância RJ)

Alteam. Manut. Apag..
Vogal /e/ Ex. 29/63 46% [ pa'rn˜m Itu] 30/63 47,6% [ pe' ri˜metru] 04/63 6,4% [parale'pipu]
Vogal /o/ Ex. 239/255 93,7% ['i˜dulI] 04/255 1,6% ['No˜modu3] 12/255 4,7% [ ni'lcpIf]
Corpus Concordância RJ

Lembra-se, por outro lado, que esses números incluem a fala popular e a fala culta, a qual já demonstrou, nos trabalhos anteriores aqui mencionados, merecer ser analisada em separado. Por isso, procede-se agora a uma observação específica da variável escolaridade neste corpus.

Table 5.

TABELA 5: Índices da variação de vogais médias postônicas mediais: nível de escolaridade (Corpus Concordância RJ)

Fatores Alteam. Manut. Apag.
Vogal /e/ Fundamental 03/06 50% 0/06 0% 03/06 50%
Médio 05/15 33,3% 09/15 60% 01/15 6,7%
Superior 21/42 50% 21/42 50% 0/42 0%
Vogal /o/ Fundamental 73/78 93,6 0/78 0% 05/78 6,4
Médio 62/65 95,4% 01/65 1,5% 02/65 3,1%
Superior 104/112 92,9% 03/112 2,7% 05/112 4,5%
Variável Escolaridade – Corpus Concordância RJ

As ocorrências de vogais médias aumentam com o nível de escolaridade (0 > 9 > 21 casos de [e]; 0 > 1 > 3 casos de [o]), mas, percentualmente, os falantes que estudaram até o Ensino Médio altearam um pouco menos a vogal anterior /e/ do que aqueles com Ensino Superior, realizando a articulação média em 60% dos casos, fato que chama a atenção. O resultado diverge parcialmente do que era esperado com base no que foi encontrado em corpora fluminenses dos anos 70/80.

Como visto, quanto a /e/, o processo de alteamento demonstra ser um fenômeno em pleno estado de variação com a manutenção da vogal nos anos 2000.

2.2.2 A fala de Lisboa no Corpus Concordância

Os dados levantados em 36 entrevistas representativas do PE falado na Região Metropolitana de Lisboa totalizam 110 ocorrências de proparoxítonas com vogal média postônica não final. A quantidade de 110 dados não permite uma observação significativa das variáveis sociais, visto que não cobre equilibradamente todas as células investigadas, mas será suficiente para observar o comportamento regular dos falantes quanto à realização das vogais postônicas mediais nos corpora levantados. Totalizam 79 os vocábulos com e 31 com 1.

É fundamental observar a diferença entre os universos lexicais das variedades de fala brasileira e portuguesa, visto que, no Brasil, os vocábulos com compõem um conjunto de palavras muito maior em número de itens lexicais e total de ocorrências do que os vocábulos com . Já em Portugal, os itens proparoxítonos com estão muito mais representados no vocabulário ativo dos falantes lisboetas.

Conforme foi comentado, a falta de dados em muitas células sociais e a produtividade do alteamento de e nos corpora levantados em Portugal não permitem a realização de análises variacionistas sobre o fenômeno aqui focalizado. Sobre as variáveis sociais, destaca-se a dificuldade de observar a atuação de fatores na variação entre a vogal alta e o apagamento.

Não se observou nenhum tipo de condicionamento ligado à variável escolaridade, que é importante na variação encontrada no Brasil. Assim, a restrição do número de dados não permite fazer conjecturas muito específicas sobre a atuação da escolaridade ou de qualquer outro aspecto social.

A Tabela 6, abaixo, congrega os dados das duas localidades investigadas na Região Metropolitana de Lisboa nos anos 2000: Oeiras e Cacém. Como se verá, a seguir, o comportamento dos falantes inquiridos nos dois lugares não diverge entre si.

Observa-se também a regularidade da redução de e e a produtividade do seu cancelamento. Os percentuais de cancelamento são significantes nesse corpus, chegando a superar em produtividade a vogal :

Table 6.

TABELA 6: Índices da variação de e postônicos mediais (C orpus Concordância Lisboa)

Alta Média Cancelamento Total
Vogal Ex: 32 40,5% ['nu˜miru] 0 0% 47 59,5% ['nu˜mru] 79 100%
Vogal Ex: 16 51,6% ['iduluf] 0 0% 15 48,4% [si'mafru] 31 100%
Corpus Concordância Lisboa

Ao observar separadamente a região de Oeiras, percebe-se que o cancelamento de e de é o processo mais produtivo para os falantes dessa comunidade, os quais frequentemente também apagam fonemas a elas adjacentes nas sílabas postônicas das proparoxítonas (para mais discussões a respeito desse fenômeno no corpus em questão, cf. Gomes, 2012).

Table 7.

TABELA 7: Índices da variação de e postônicos mediais (Corpus Concordância Oeiras)

Alta Média Cancelamento
Vogal 16/39 0/39 23/39
41% 0% 59%
Ex. [i'pctis] ['3e˜nu]
Vogal 08/17 0/17 09/17
47% 0% 53%
Ex. ['sVurn] [psi'Nclgu]
Corpus Concordância – Oeiras

Os dados desses informantes demonstram que a variação ocorre de forma muito parecida entre as vogais /e/ e /o/, as quais apresentam percentuais muito semelhantes de alteamento e apagamento, nas faixas de 40% e 50%, respectivamente.

Na amostra levantada em Cacém, o comportamento das vogais estudadas não é muito diferente do que o observado em Oeiras.

Table 8.

TABELA 8: Índices da variação de e postônicos mediais no corpus Concordância Cacém

Alta Média Cabcelamento
Vogal Exemplo 16/40 40% [pm'r ˜mitruC] 0/40 0% 24/40 60% [Ci˜n'ti˜mtuC]
Vogal Exemplo 08/14 57,1% [bm'ritunuC] 0/14 0% 06/14 42,9% ['pcspruC]
Corpus Concordância Cacém

No âmbito de , o número de ocorrências de cada variante (16 oco de [i] e 24 de ø2) é praticamente idêntico ao encontrado em Oeiras (16 oco de [i] e 23 de ø). No âmbito de , os índices também são muito semelhantes em Cacém (08 oco de [i]/ 06 oco de ø) e Oeiras (08 oco de [i]/ 09 oco de ø). No referente à posterior, percentualmente, os falantes de Cacém realizaram a vogal alta em mais 10% dos casos.

Obviamente, os resultados aqui apresentados não podem ser generalizados para o PE como um todo, visto o pequeno número de dados levantados, mas são representativos nos corpora investigados. Considera-se também que, se, por um lado, as amostras não permitem constatar a atuação de variáveis sociais na concretização ou apagamento dessas vogais, por outro, demonstram a regularidade da redução desses fonemas na fala das localidades investigadas.

2.2.3 Considerações sobre as amostras

Os percentuais das amostras do Corpus Concordância levantadas no Rio de Janeiro confirmam o que os trabalhos realizados anteriormente mostraram: que quanto maior o nível de escolaridade, mais o falante fluminense detém o processo de alteamento no âmbito da vogal /e/. Ou seja, especialmente os indivíduos cultos são os responsáveis pela permanência da vogal média anterior.

De qualquer forma, chama atenção, nos dados dos anos 2000, a persistência de /e/, cujo comportamento permanece consideravelmente diferenciado do de /o/ e da tendência geral de alteamento de médias átonas. Assim, paralelamente ao componente estatístico, é fundamental considerar mais atentamente as diferenças no comportamento dos falantes com mais escolaridade (níveis Médio e Superior), que parecem ser os responsáveis por tornar mais lenta a mudança. Além de a escolaridade atuar de uma forma geral na comunidade de fala fluminense, observa- se um condicionamento lexical e idiossincrático no comportamento de alguns falantes dos anos 2000 que, na realização da vogal média anterior postônica não final, se destacam do comportamento geral do seu grupo social. É o que se discute detalhadamente em De Paula (2015).

Na observação de dados lisboetas, evidencia-se que as vogais e não só permanecem categoricamente produzidas como altas como têm sofrido um franco processo de enfraquecimento e queda no contexto postônico medial. O apagamento nas amostras do PE apresenta percentuais de realização muito semelhantes no âmbito de ambas as vogais. Isso demonstra uma aparente simetria no comportamento de e nos corpora selecionados e está de acordo com o que prevê a literatura sobre o tema. Entretanto, como se discutirá na próxima seção, a constituição fonológica das vogais átonas do PE é de difícil definição e passa por muitas discussões teóricas.

Assim, embora a competição entre os processos de alteamento e cancelamento não seja o foco deste trabalho, os resultados encontrados nas amostras do PE – mesmo que ela seja muito reduzida em número de dados e restrita em representatividade social – demonstram características fundamentais do vocalismo átono dessa variedade, especialmente na sílaba postônica não final.

Tais propriedades da fala portuguesa na Região Metropolitana de Lisboa ajudam não só a refletir sobre a constituição fonológica do vocalismo átono do PE como a interpretar algumas características do vocalismo do PB no contexto átono estudado.

3. Discussão teórica

3.1 Sobre o Português Europeu

Entres os autores que se propõem refletir sobre o vocalismo do PE, não existe consenso quanto aos elementos que constituem o inventário subjacente das vogais átonas, especialmente no que tange à interpretação do fone [i] e seu estatuto fonológico. Esse segmento é o que mais recentemente passou a integrar o vocalismo do PE e, da mesma forma que não é possível determinar com exatidão cronológica o seu surgimento, a natureza das suas oposições tem sido observada com atenção porque tais oposições são complexas e nem sempre são atestadas com pares opositivos. Dessa forma, ainda não é consensual a compreensão de como esse fone integra o quadro de vogais átonas: se é um alofone contextual de /e, ε/ nas sílabas átonas, como defendem alguns, ou, segundo outra proposta, se já apresenta o status de fonema específico dessas posições.

O trabalho de Mateus; Andrade (2000) descreve o vocalismo átono do PE contemporâneo com base na Geometria de Traços e na Fonologia Lexical. Para os autores, a qualidade das vogais do PE depende plenamente do acento da palavra – influência que, segundo eles, ocorre com menor intensidade no PB (p. 19) – explicando que a atribuição de traços ocorre em níveis diferentes do léxico. Os processos de neutralização próprios dos contextos átonos não estariam presentes na representação subjacente, em que o acento ainda não teria sido atribuído e alguns traços seriam especificados apenas na realização fonética. Pelo menos alguns dos segmentos próprios das sílabas átonas não estariam na estrutura profunda, definindo oposições no sistema fonológico. Os sons [i] e [ܣ], seriam, nessa perspectiva, apenas alofones contextuais.

Em outras palavras, eles defendem a hipótese de que exista apenas um sistema de vogais fonológicas no PE, aquele observado na sílaba tônica, que varia foneticamente, a depender do acento da sílaba. Diferentemente, as descrições fonológicas do PB, geralmente baseadas em Câmara Jr. (1970), costumam propor, teoricamente, a existência de quadros vocálicos fonológicos distintos em cada posição átona, como resultado de processos de neutralização das vogais tônicas.

Para descreverem em traços as vogais do PE, Mateus; Andrade (2000) primeiramente defendem a existência de uma vogal não especificada em PE, no caso /i/. A proposta é baseada na evidência de que “(...) in all languages there is at least one segment, usually a vowel, that behaves asymmetrically with respect to the other members of the system. This vowel is often subject to neutralization, epenthesis and deletion” (2000: 31). Assim, em sua descrição, /i/ é a vogal não marcada na representação lexical: a partir dela as demais vogais se opõem. Seus traços mínimos estão representados no quadro abaixo, que não inclui [i, ܣ], segmentos próprios da realização fonética, segundo a interpretação desses autores:

Figure 1.

QUADRO 1: Traços distintivos das vogais do Português Europeu

Fonte: Mateus; Andrade (2000: 33).

No quadro, estão preenchidos apenas os traços mínimos, não redundantes (as vogais arredondadas [+round], por exemplo, no sistema do PE, serão sempre posteriores [+back] e por isso este traço foi deixado em branco).

Eles demonstram que o vocalismo átono apresenta dois graus de abertura, com três vogais altas – [i, i, u] – e uma vogal média – [n] (p. 20). Em suma, a interpretação é de que os segmentos [s, e] tônicos (“selo”: [‘sslu]; “selo”: [‘selu]) correspondem foneticamente a [i] nas posições átonas, muitas vezes apagado na fala coloquial (“selar”: [si’lar] ~ [slar]), e [c, o] (“forço”: [‘fcrsu]; “forço: [‘forsu]) correspondem a [u] (“forçar”: [fur’sar]). Eles assim exemplificam o inventário dessas vogais (2000:33):

Figure 2.

Em estudo anterior, Mateus (1982), realizou uma descrição fonética e a discussão da estrutura subjacente, com base no modelo fonológico gerativo. A autora apresenta primeiramente os fones que podem figurar em sílaba tônica – [i, e, s, n, a, c, o, u] – entre os quais não está incluído [G], único segmento específico de contextos átonos. A partir desse inventário, a autora estabelece a distinção entre vogais acentuadas e não acentuadas, propondo uma regra geral de neutralização para os subsistemas [c, o, u] e [i, e, s], que se reduzem a [u] e [G], respectivamente.

A alternância acentuada > não acentuada, segundo Mateus (1990), está relacionada à derivação, pois é nesse processo que o acento é atribuído à palavra, o que está detalhado em Mateus (1982). Ela trata então de regras gerais de derivação das vogais átonas (1990: 325), defendendo que os segmentos que resultam de aplicação de uma regra estão na superfície fonética e não na estrutura subjacente. Ou seja, as regras se aplicam aos segmentos subjacentes, ou formas de base – neste caso, às vogais do sistema fonológico – e resultam em segmentos fonéticos – neste caso, as vogais das sílabas não acentuadas.

No geral, o vocalismo átono sofre regras de elevação (p. 328) que tornam as vogais subjacentes [+altas], no caso de [e] e [u], e [-baixa], no caso de [m]. Mateus as resume, assim, na regra (26), que também prevê a posteriorização das médias anteriores.

Figure 3.

Regra de elevação das vogais átonas (26)

Fonte: Mateus (1990: 329).

Na matriz à esquerda, em que o acento ainda não foi atribuído, o símbolo V congrega os traços distintivos comuns a todas as vogais, [+silábico], [-consonantal], [+soante], enquanto a representa a não especificação dos traços [recuado] e [arredondado] e abrange, assim, todas as vogais que sofrem redução nas sílabas átonas. A esse respeito, observe-se que ela não inclui as vogais que já são altas na estrutura subjacente, [i, u].

Em conformidade com o que foi dito no início desta seção, as regras propostas por Mateus (1990) são gerais para todas as posições átonas, mas, em determinadas situações excepcionais, podem não ser aplicadas. É o que, segundo a autora, acontece principalmente com as vogais pretônicas, que “nem sempre recebem a aplicação das regras gerais, e por vezes mantêm-se sem alteração, iguais às formas subjacentes (p. e. [fswdal])” (1990: 330). A partir delas, Mateus lista e descreve todos os contextos em que as regras não se aplicam (1990: 330-331), em defesa das “regularidades das excepções” (1990: 330).

A respeito das distinções entre o PB e o PE, Mateus resume a discussão defendendo a existência de níveis subjacentes comuns a todas as variedades da língua e diferentes blocos de regras, que as diferenciam no nível superficial.

Veloso (2005; 2007; 2010; 2012; 2013) discute as propostas de Mateus (1990) e Mateus; Andrade (2000), argumentando a favor de que [i] pertence ao inventário fonológico do PE. O autor não refuta completamente as propostas anteriores, mas apresenta contextos não previstos nessas descrições, defendendo que [i] é um elemento que integra o sistema do português, ao mesmo tempo em que é um alofone contextual em alguns casos.

Veloso (2005) concorda com Mateus; Andrade ao afirmar que são inquestionáveis os pares de palavras que, partilhando a mesma raiz, apresentam um fonema em posição tônica que, em posição átona, se realiza foneticamente de formas diversas. São casos exemplificados pelo autor como: c/ε/go > c[i]gueira; m/e/do > m[i]droso, que demonstram que os fonemas /e/ e /ε/ são realizados foneticamente [e] e [ε], quando tônicos, e [i], quando átonos. Somam-se a esses casos as formas verbais em que as vogais anteriores também variam quanto ao acento e à realização fonética: am/e/mos, am/e/is / am[i], am[i]s.

Entretanto, o autor chama a atenção para vários casos nos quais essa comparação morfofonológica é impossível e, assim, não permitem associar [i] aos fonemas /e/ e /ε/. São as formas clíticas átonas, como que, de, te, se, lhe, e os nomes com tema em [i] átono, nom[i]. Ele admite a possibilidade de [i] ser associado a /e/ e /ε/ também nesses contextos, com a realização alta e centralizada das vogais anteriores em sílaba átona, à semelhança de tantos outros casos. Entretanto, para Veloso, essa conjectura não tem o respaldo de palavras morfologicamente aparentadas que permitam a comparação citada acima e a confirmação da hipótese de [i] ser apenas um alofone contextual átono.

Veloso (2005) propõe, então, a existência de um /i/ fonológico que corresponderia ao [i] encontrado nos casos das formas clíticas e dos nomes em [i]. Para ele, “a aceitação desse item do inventário fonológico teórico do PEC3 forneceria uma maior adequação explicativa às descrições fonológicas do português no tocante à representação lexical das palavras em apreço” (p. 628).

Veloso (2007) diferencia os vocábulos em que [i] é epentético ou resultante de redução vocálica em contextos átonos, nos quais não haveria uma referência subjacente /i/, de outros casos em que ele é a realização de um /i/ subjacente: os já citados clíticos átonos e nomes em [i]. Para estabelecer essa distinção, o autor compara esses casos com os da vogal /u/, lembrando que o [u] átono algumas vezes é a realização fonética de /o/ e /c/ em sílabas inacentuadas, mas outras vezes equivale à realização de um /u/ subjacente, por exemplo, na derivação f/u/ro > f[u]rinho.

O autor elenca outros argumentos para defender que o segmento pertenceria à estrutura subjacente. Em primeiro lugar, ele é exigido pela estrutura da sílaba, às custas de sua boa formação fonotática, como no caso dos monossílabos: de [di], por exemplo. Em segundo lugar, esse fone estabelece distinção lexical, como nos pares parte ['parti] x parto ['partu] e de [di] x da [da]. Além disso, ele pode exercer uma função gramatical: na distinção de gênero de alguns nomes, como infante [ĩ'fn˜ti] x infanta [ĩ'fn˜tn]; ou, como um morfema único, correspondendo a uma vogal temática (ou marcador de gênero ou classe, a depender da interpretação), nos exemplos já citados de substantivos e adjetivos terminados em [i]: quente ['Ne˜ti]. Nestes contextos, [e, s] não aparecem, apenas o schwa.

Veloso situa esses casos na categoria s-schwa (stable schwa) proposta por Oostendorp (1998, apud Veloso, 2007), que – diferentemente do [i] epentético (epenthetic schwa ou e-schwa) e do [i] resultado de redução vocálica (vowel reduction-schwa ou r-schwa) – pertence à estrutura subjacente. O s-schwa é atestado por Oostendorp em outras línguas, como o francês, e admitido por Veloso no inventário fonológico do PE.

Veloso baseia-se na Fonologia dos Elementos para explicar o estabelecimento de novas vogais centrais no inventário fonológico do PE. Segundo essa proposta, as vogais /i, a, u/, os conhecidos vértices do triângulo vocálico, são os fonemas vocálicos prototípicos e universais, presentes em todas as línguas. Eles equivalem, teoricamente, a três propriedades vocálicas fundamentais: a anterioridade/palatalidade: {I}; a sonoridade/abertura: {A}; e a labialidade: {U}. As vogais puras, combinadas, dão origem a todas as outras, denominadas vogais complexas.

As vogais /i, n/, segundo Veloso, como resultado da redução sofrida pelas vogais em contexto átono, equivaleriam à perda gradual ou total dos elementos {I, A, U}. O segmento /i/ resulta da perda total de abertura, palatalidade e labialidade, sendo por isso um elemento não marcado, ou vogal vazia, como já defenderam outros investigadores (2012:239).

Discutir o estatuto fonológico das vogais átonas do PE contemporâneo é fundamental para compreender o atual estágio do processo de mudança no quadro de vogais átonas do PB, conforme se comentará na seção seguinte.

3.2 Sobre o Português do Brasil

A pesquisa de Veloso (2005 e outros), sobre o estatuto de [i] no PE, contribui amplamente para o estudo do vocalismo postônico não final no PB. Principalmente devido à existência de poucos trabalhos empíricos e teóricos sobre as vogais do PE atual, esta pesquisa não pode tirar conclusões sobre os fonemas subjacentes dessa variedade. Se [i] chegar a ser comprovado como um elemento de valor fonológico, haverá evidência suficiente de que os sistemas fonológicos do PE e do PB estão apartados. Mesmo sem essa confirmação, entretanto, com base em pesquisa bibliográfica, sincrônica e diacrônica, e na análise de dados do PE das últimas décadas, é possível admitir, com alguma segurança, que as duas variedades são distintas, pelo menos, no nível superficial, no âmbito das sílabas átonas.

Em Portugal, são indiscutíveis (i) a implementação do alteamento, tanto de /e/ quanto de /o/; (ii) a simultânea posteriorização de /e/; e (iii) a produtividade do apagamento vocálico. Em suma, a língua apresenta grande regularidade na redução das vogais médias e é sensível a um novo processo de mudança, a posteriorização de /e/, que admite uma variante única dessa variedade, o [i]. Já no Brasil, persiste o processo de implementação do alteamento das vogais médias átonas /e/ e /o/, mas ele continua em variação com a manutenção da abertura média dessas vogais, como já ocorria no português quinhentista, embora com configurações diferentes.

A discussão que segue em aberto diz respeito ao caráter fonológico da variação entre médias e altas postônicas mediais no Brasil e à interpretação da assimetria na implementação do processo de mudança estudado.

Como já foi dito, Câmara Jr. (1970) defende que, na sílaba postônica não final, existe neutralização entre as vogais posteriores /O/ e /u/, mas não entre as anteriores /E/ e /i/. Segundo ele, uma pronúncia como núm[i]ro é rechaçada pelos falantes brasileiros.

As dúvidas a respeito da interpretação do vocalismo postônico não final sugerida por Câmara Jr advêm, de um lado, (i) da ausência de pares mínimos que comprovem as oposições fonológicas nessa posição, ao contrário do que ocorre nas demais sílabas átonas; e, de outro, (ii) da excepcionalidade de processos de neutralização assimétricos nas línguas. Esses dois aspectos relacionam-se com características das sílabas postônicas não finais que foram amplamente investigadas por De Paula (2015). Primeiramente, a baixa produtividade do padrão acentual proparoxítono no português é a causa da inexistência de pares mínimos nessa posição. Em segundo lugar, o valor social atribuído às vogais médias nessa sílaba é, provavelmente, uma consequência da estreita relação entre as palavras proparoxítonas e a escrita, o que tem sido uma força de resistência à mudança, especialmente para /e/.

Os resultados das pesquisas de De Paula; Brandão levaram à compreensão de que a assimetria constatada por Câmara Jr. não passa de uma característica da variedade de fala culta carioca, que foi o foco do seu trabalho. Assim, não se pode negar a existência da assimetria, mas tudo indica que ela ocorra na implementação das variantes altas entre os falantes fluminenses, mas não no sistema. De qualquer forma, é necessário admitir que a diferença de comportamento das vogais anteriores e posteriores postônicas não finais no PB está presente em todos os resultados estatísticos encontrados.

Bisol (2003), já mencionada, também se apoia na Teoria Autossegmental e na Geometria de Traços e, com base em Clements (1991), propõe que o vocalismo do português constitui um modelo estruturado em camadas organizadas hierarquicamente, cada uma representando um traço de abertura ([aberto 1], [aberto 2], [aberto 3]. Ele será positivo ou negativo de acordo com a natureza da vogal (alta, média fechada, média aberta e baixa). A anulação de uma ou mais camadas acarretará neutralização entre essas classes de vogais.

Segundo Clements, as línguas românicas apresentam um registro de 3 vogais, um registro de 5 e um registro de 7, sendo os dois primeiros resultantes da anulação dos traços [aberto 3] e/ou [aberto 2], expostos a seguir.

Figure 4.

QUADRO 2: O vocalismo românico (Clements, 1991)

Fonte: BISOL (2003: 276).

Aqui, da mesma forma, toma-se como base a proposta simétrica de Bisol para a interpretação das oposições/neutralizações das vogais átonas nesse contexto. Para ela, o que explica a instabilidade das sílabas postônicas não finais é uma flutuação entre o quadro de três e o de cinco vogais descritos por Clements que, no Brasil, estão em atuação na sílaba postônica final e na pretônica, respectivamente. Entretanto, com base nos resultados da fala fluminense das últimas décadas, em comparação com os de outras regiões do país, considera-se que a discussão sobre o fenômeno no âmbito do PB atual é uma questão principalmente de ponto de vista fonético – e não fonológico, como afirma a autora.

De fato, os resultados dos trabalhos sociolinguísticos que focalizaram a fala da Região Sul do Brasil e também a fala culta do Estado do Rio de Janeiro indicam uma produtiva resistência das vogais médias anteriores entre esses falantes (e também das posteriores, nos falares do Sul), à semelhança do contexto pretônico. Pesquisa no Estado da Paraíba (Magalhães; Silva, 2011) também registra a possibilidade de abaixamento das médias por harmonização vocálica. Por outro lado, vários aspectos demonstram que a presença dessas vogais entre tais falantes é um caso de variação fonética, à semelhança do contexto átono final, e não de oposição, como ocorre no contexto pretônico, o que se discute a seguir.

Em primeiro lugar, mesmo entre os falantes citados, que mantêm produtivamente a articulação média, existem consideráveis percentuais de alteamento dessas vogais, o que comprova que a opção pela vogal alta é uma alternativa que também faz parte da sua gramática. Paralela a essa evidência, a conjugação de diversos resultados para a fala fluminense, inclusive os que se apresentaram neste artigo, especialmente para os falantes que tiveram pouco contato com a escola (no máximo o 2º segmento do Ensino Fundamental), confirma que o sistema de três fonemas /i a u/ postônicos não finais é uma realidade na fala popular do Rio de Janeiro, desde a década de 1980 até os dias atuais.

Além de tudo, o olhar atento sobre os aspectos da variação existente nesse Estado, detalhadamente expostos em De Paula (2015), demonstra que cada vez se torna mais difícil determinar os condicionamentos linguísticos e sociais para a troca de [e] por [i] nesse contexto, o que, ao que parece, resulta de um processo de mudança que se encontra em fase final de implementação.

Nesse sentido, a atuação da escolaridade (condicionamento social) aqui demonstrada, que é a variável mais expressiva nesse fenômeno, tornou-se menos clara na observação dos anos 2000: os falantes com Ensino Médio não se diferenciaram daqueles com Ensino Superior, ao mesmo tempo em que a implementação das vogais altas se ampliou na variedade culta. Por outro lado, quando observados de forma pontual, os dados demonstraram que, diversas vezes, características individuais do falante escolarizado na realização das vogais se sobrepõem ao comportamento do grupo social de que faz parte. Paralelamente, os fatores fonéticos só se mostraram relevantes para o alteamento das vogais médias (condicionamento linguístico) quando foram motivados pela frequência superabundante de determinados itens lexicais. Confirmou-se que o fenômeno estudado limita-se a um universo lexical muito restrito, que não permite a legítima atuação de variáveis fonéticas e morfológicas, como se observa nas sílabas pretônicas, por exemplo.

Soma-se a isso a constatação em De Paula de que a variação entre médias e altas observada no âmbito de /e/ está relacionada ao nível individual. Ou seja, mesmo em um grupo que privilegia a variante inovadora – a vogal alta –, existem poucos indivíduos que se afastam do comportamento geral, optando sempre, ou quase sempre, pela variante conservadora – a vogal média. É o caso de alguns pescadores do corpus APERJ e de alguns falantes com nível médio de instrução que integram a fala popular do corpus Concordância-RJ. Igualmente, já se encontram nos anos 2000 indivíduos com um comportamento extremamente inovador, mesmo que pertençam a um grupo responsável por restringir a implementação da mudança. É o caso de alguns falantes cultos.

Os dados gerais dos anos 2000, aqui apresentados, indicam que as duas variantes estão em equilíbrio entre os falantes de nível médio e superior de instrução, mas o comportamento idiossincrático de vários deles indica que, na fala de muitos, a mudança para [i] se evidencia, mesmo na fala culta, ao mesmo tempo em que, na fala de outros, se verifica a resistência da variante conservadora [e] (cf. De Paula, 2015).

Sobre as diferenças entre as vogais médias anteriores e posteriores, lembra-se que, na opinião de Bisol, a língua evita qualquer tipo de assimetria e, nesse caso, tende a regularizar-se em três elementos /i a u/. Segundo ela, no contexto postônico não final, tais diferenças só se devem a características da cavidade oral, aqui já indicadas.

A explicação de Bisol, que também coincide com o que diz Naro, pode ser conjugada com os resultados da pesquisa realizada no Estado do Rio de Janeiro. Os dados demonstram que a opção pela vogal média, principalmente [e], apresenta algum tipo de consciência, possivelmente motivada pela memória ortográfica das proparoxítonas. Isso porque os falantes que mais produzem [e] são os que têm mais tempo de escolaridade. Além disso, o controle de situações de fala monitorada realizado por De Paula (2015) demonstrou que, quanto maior a atenção dedicada ao seu discurso, mais o falante opta pela vogal média [e].

Mollica; Braga (2004) constatam a relação entre grau de percepção de uma variante e seu valor social: segundo elas, quanto menos percebida é uma variante, menor é a sua estigmatização. Os condicionamentos comentados quase não foram observados no âmbito das vogais posteriores. A série posterior apresentou realização alta quase categoricamente em todos os corpora sociolinguísticos investigados neste trabalho. A mudança nesse caso demonstrou estar plenamente implementada, pois não foi sensível a nenhum condicionamento social ou linguístico considerado. Apenas na década de 1970 observou-se um resquício das vogais médias posteriores, na faixa de 10% dos dados realizados pelos falantes cultos cariocas. Nos anos 2000, até mesmo eles reduziram categoricamente a vogal posterior.

Todos esses resultados indicam que, teoricamente, a vogal /e/ teria uma articulação mais perceptível e consciente para os falantes fluminenses. Esses indícios, conjugados aos comentários de Bisol e de Naro sobre as diferenças articulatórias entre as vogais anteriores e posteriores, talvez possam ser confirmados também para todos os falantes brasileiros, mas devem ser comprovados com mais pesquisas sobre o tema nas diversas regiões do país.

Embora as diferenças entre /e/ e /o/ reflitam a assimetria defendida por Câmara Jr., deve-se considerar, mais uma vez, que o contraste no comportamento das duas vogais ocorre apenas no plano fonético. De Paula já constatou situações de extrema atenção ao discurso nas quais os falantes fluminenses recuperaram a variante média [o] em percentuais semelhantes aos encontrados para a fala culta na realização [e].

Por tudo isso, apesar da atuação da escolaridade, do monitoramento do discurso e de alguns comportamentos idiossincráticos que redundam na variação entre as médias e altas anteriores e posteriores, nos corpora observados, pode-se atestar que não há assimetria no sistema, pois as oposições entre esses graus de abertura estão neutralizadas na variedade brasileira.

Considerações finais

Conclui-se, com base nos resultados da investigação sociolinguística realizada, que o alteamento das vogais médias átonas se encontra implementado na posição postônica não final tanto no PE quanto no PB. O processo acarretou a mudança para o quadro de três vogais /i a u/, que já era produtivo no contexto postônico final antes da implantação do Português no Brasil. Em Portugal, isso se comprova plenamente, pois o processo já estava generalizado, tanto na posição aqui focalizada, como nos demais contextos átonos, desde o século XVIII, em que também já se registrava a posteriorização de /e/, segundo Marquilhas (2003). Essa variedade, ao que parece, segue em evolução, haja vista os produtivos índices de apagamento que ocorreram na amostra aqui considerada. No Brasil, atesta-se a persistência de variantes conservadoras no nível fonético, especialmente no âmbito da vogal anterior, que, embora seja mais resistente ao alteamento, se encontra em plena variação com a alta em diversas regiões e variedades de fala brasileiras.

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