Resumo




Ancorado numa abordagem interdisciplinar, que coloca em diálogo a Filologia, a Análise de Discurso e as Ciências do Léxico, o presente texto objetiva num primeiro momento realizar um estudo semântico-lexical do item lexical corrupção, extraído de um manuscrito oitocentista produzido na Capitania de Mato Grosso e testado in loco no município de Cáceres, Mato Grosso. Num segundo momento, tratar-se-á os resultados obtidos a partir do estudo semântico lexical na sua umbilical relação com a historicidade. Para tanto, mobiliza teorias e métodos da lexicologia, lexicogra a e da análise do discurso de linha francesa, mais especi camente, a proposta por Michel Foucault e por Dominique Maingueneau. 




Uma Pequena Nota Prévia1 2 3

Embora sejam ciências da linguagem epistemologicamente distintas, a análise do discurso e as ciências do léxico têm muito em comum, sobretudo, quando o objeto a ser inquirido é o vocabulário, que circula em diferentes mídiuns4 e, especialmente, em se tratando do contexto acadêmico francês do final dos anos sessenta do século passado5. No entanto, muitos leitores poderiam achar um pouco estranho o diálogo entre a filologia e o discurso, proposto logo no título e também no decorrer deste artigo. Justificamos que a pertinência desse diálogo interdisciplinar, não obstante às diferenças epistemológicas e metodológicas dos campos em interação, justifica-se por pelo menos três razões:

a) Tanto a filologia quanto o discurso, constituídas desde a sua gênese a partir de diálogos interdisciplinares, elegem o texto como objeto de saber. É esse objeto, que a partir de rigorosos protocolos de análises de dados, é inquirido a dizer para além de seu conteúdo das suas condições de possibilidade históricas, ideológicas, culturais, morais e subjetivas;

b) Apesar de indagar os textos sobre as condições de possibilidade elencadas acima, nem a filologia e nem o discurso compreendem os textos como meros documentos que refletem especularmente uma realidade histórica, ou mesmo a manifestação de uma determinada visão de mundo, ou de um posicionamento moral, ou ainda a mais fiel expressão da língua ou do seu registro ortográfico de uma determinada época;

c) Se durante algum tempo, sobretudo nas universidades alemãs e francesas a filologia tratou de constituir os textos como obras, subtraindo deles qualquer possibilidade de pertencerem ao regime de corpus, atualmente, sobretudo na universidade brasileira, os textos, independentemente da cena genérica na qual se inscrevem, são submetidos ao regime de corpus. A análise do discurso, por sua vez, sempre tratou os textos a partir da sua inscrição em regime de corpus. ou seja, para análise do discurso não haveria de um lado um restrito conjunto de textos “sagrados”, os literários, por exemplo, que mereceriam por parte do especialista os mais eruditos comentários e de outra parte todo outro imenso conjunto de textos “profanos”, por exemplo, os das conversações ordinárias, que a partir de rigorosos métodos científicos, deveriam ser analisados.

Além das razões expostas anteriormente, acreditamos que esse diálogo entre discurso e filologia poderia trazer para esta última um interesse renovado. Nesse sentido, afirma Maingueneau (2013, p. 57-8):

“(...) Encontra-se, na filologia como na análise do discurso, a duplicidade de uma disciplina polimorfa que, ao mesmo tempo, (a) constrói um saber positivo e (b) constitui uma zona de interação forte entre vários espaços de saber (...);

A reflexão sobre a contextualidade que as correntes pragmáticas implicam favorece a comunicação com a filologia, entendida intuitivamente como empreendimento de contextualização de enunciados; o desenvolvimento de tecnologias digitais, com tudo o que elas propiciam tanto no que se refere às bases de dados como aos aplicativos, evoca as pesquisas desenvolvidas na filologia, naturalmente preocupada com o tratamento de grandes conjuntos de dados”.

Ao discutir sobre a emergência da Análise do discurso na França, Maingueneau (2015, p. 18) nos diz que “o número 13 de Langages [uma das certidões de nascimento da AD6 na França, publicada em 1969] utiliza o termo ‘análise do discurso’ (...). Este número foi organizado por Jean Dubois, para quem “desenvolver a análise do discurso é uma forma de ampliar os trabalhos de linguística para as relações entre língua e sociedade [e também] de renovar de alguma maneira os métodos da filologia”. (grifos nossos).

Uma grande objeção a esse diálogo, no entanto, é a maneira mesmo como a filologia e a análise do discurso concebem a história. Se para a primeira a história é vista como uma continuidade de fatos que de alguma maneira se manifestam nos textos. Para a segunda a história é o resultado de uma renhida luta entre os diferentes grupos que constituem a sociedade, materializando-se nos discursos. Tem-se então nessas duas disciplinas apreensões bastante distintas da história. Como resolver esse problema epistemológico diante de um texto a ser interpretado? Cremos que há duas saídas para este imbróglio teórico-metodológico: uma fraca e uma forte.

A saída fraca seria mobilizar todo o protocolo analítico da filologia para dar conta da superfície do texto, ou seja, fazer a edição fac-similar e semi-diplomática do texto; a descrição paleográfica e codicológica e, por último, tecer breves comentários sobre as funções adjetivas e transcendentes do texto. Nessa visada, apesar da tessitura de comentários sobre as funções adjetivas e transcendentes do texto, a relação entre o texto e as condições históricas que o possibilitaram seria destinada à análise do discurso. A esta última caberia mostrar os distintos interdiscursos que sustentam o texto.

A saída forte é dar mais consistência histórica às funções adjetivas e transcendentes do texto, seguindo, por exemplo, os rastros deixados por Michel Foucault, talvez o maior filólogo entre os discursivistas franceses7, sobretudo a partir das discussões que este autor empreende em seu livro8 Eu, Pierre Rivière, que degolei minha mãe, minha irmã e meu irmão: um caso de parricídio do século XIX, publicado em 1981. Este livro, um dossiê, produzido a várias mãos e organizado por Michel Foucault, busca compreender as relações entre a psiquiatria e a justiça penal. Essa obra coletiva toma como objeto de reflexão o manuscrito do caso rivière, publicado nos Annales d’hygiène publique et de medicine légale de 1836. Diferentemente dos dossiês publicados nos Annales da época, o caso rivière apresenta certo número de elementos extraordinários, pois em um mesmo documento estão diferentes conjuntos de textos manuscritos: três relatórios médicos; um conjunto de peças judiciais e um memorial de autoria do próprio Pierre rivière. Sobre o dossiê nos diz Foucault (1981, p. 12):

“Todos falam ou parecem falar da mesma coisa: pelo menos é ao acontecimento de 03 de junho que se referem todos os discursos. Mas todos eles, e em sua heterogeneidade, não formam nem uma obra e nem um texto, mas uma luta singular, um confronto, uma relação de poder, uma batalha de discursos e através de discursos. E ainda dizer uma batalha não é dizer o bastante; vários combates desenrolaram-se ao mesmo tempo e entrecruzando-se: os médicos tinham a sua batalha (...); os magistrados tinham a sua batalha a respeito das perícias médicas” [e o próprio rivière tinha a sua batalha contra os médicos e os magistrados] “com seu relato preparado de antemão e para dar lugar a seu crime; suas explicações orais para fazer crer na sua loucura; seu texto escrito para fazer dissipar essa mentira, dar explicações e chamar a morte...”

Com a análise desses diferentes tipos de documentos em confronto, Foucault evidencia que é possível descrever e interpretar de algum modo o plano dessas lutas diversas, restituindo esses confrontos e essas batalhas, reencontrando o jogo desses discursos, como armas, como instrumentos de ataque e de defesa em relações de poder e saber. Em suma, Foucault nos ensina que é possível observar e descrever um conjunto de regularidades discursivas mesmo na heterogeneidade dos discursos. Assim, nesse estudo filológico-discursivo a função adjetiva, pela qual “[...] deduz, do texto aquilo que não está nele: a determinação de autoria, a biografia do autor, a datação do texto, a sua posição na produção literária do autor e da época, bem como a sua avaliação estética (valorização)”; e a função transcendente, pela qual “[…] o texto deixa de ser um fim em si mesmo da tarefa filológica, para se transformar num instrumento que permite ao filólogo reconstituir a vida espiritual de um povo ou de uma comunidade em determinada época.” (SPINA, 1977, p. 77).

passariam a ter um papel menos especular na análise. Trata-se de compreender as relações de saber e poder que efetivamente engendram os textos.

1. Um Pouco de Análise

o léxico é um nível linguístico que armazena as experiências humanas social, histórica e cultural e considerado um patrimônio de uma dada comunidade linguística ao longo de sua história, constituindo- se um tesouro cultural (BIDErMAN, 1998). Nessa perspectiva, este texto objetiva num primeiro momento realizar um estudo semântico- lexical do item lexical corrupção extraído de um manuscrito oitocentista produzido na Capitania de Mato Grosso e testado in loco no município de Cáceres, Mato Grosso, conjugando sentidos registrados na abonação constante no manuscrito, em dicionários de língua portuguesa e nos contextos dos registros orais da pesquisa de campo.

O cotejo lexicográfico mencionado refere-se às obras lexicográficas pertencentes às várias fases da língua portuguesa, compreendendo desde o século XVIII (século em que foi datado o manuscrito Memoria) até o século XXI (fase deste estudo), a saber: Vocabulario Portuguez e Latino (1712 - 1728), de raphael Bluteau; Diccionario da Lingua Portugueza (1813, 1. ed.), de Antonio de Moraes Silva; Grande e novíssimo Dicionário da Língua Portuguesa (1957, 3. ed.), de Laudelino Freire; Novo Dicionário da Língua Portuguesa (1975, 1. ed.), de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira; Dicionário Houaiss eletrônico da língua portuguesa (2009), de Antônio Houaiss. Acreditamos que um estudo dessa natureza seja relevante tanto para a reconstrução histórica da formação da língua portuguesa que se expandiu para as regiões sudeste, sul e centro-oeste do Brasil, pelos caminhos das águas do rio Tietê, antigo Anhembi, dentre outras vias fluviais e terrestres, e por extensão para reflexão em torno da história da formação da língua portuguesa no Brasil; quanto para a investigação do item no mundo contemporâneo no e pelo discurso.

Dessa forma, aliando teorias e métodos da lexicologia, lexicografia e da análise do discurso de linha francesa, mais especificamente, as propostas por Michel Foucault e por Dominique Maingueneau, procuramos neste texto realizar um estudo do item lexical corrupção.

Apresentaremos a seguir os corpora em estudo; análise semântico- lexical a partir da abonação do item lexical registrada no manuscrito, caracterizando, assim, o léxico do período oitocentista, o item lexical no contexto de fala do cacerense, e a representação canônica e acepção do item presente em obras lexicográficas; análise discursiva; considerações finais e referências.

2. Breve Apresentação dos Corpora

O item lexical corrupção9 em estudo pertence ao léxico do manuscrito intitulado Memoria sobre o plano de guerra offensiva e deffensiva da Capitania de Matto Grosso (Memoria) trata-se de um documento datado de 31 de janeiro de 1800, engendrado no Forte Coimbra, Capitania de Mato Grosso, pelo Tenente-Coronel Engenheiro ricardo Franco de Almeida Serra, a pedido do então Governador e Capitão-general da Capitania de Mato Grosso, Caetano Pinto de Miranda Montenegro, ou seja, com finalidades determinadas pela Coroa Portuguesa. o códice onde se encontra esse manuscrito em estudo pertence ao Arquivo Público do Estado de São Paulo (APESP), em São Paulo. Para a realização deste estudo, utiliza-se as edições fac-similar e semidiplomática elaboradas por Andrade, Santiago-Almeida, Baronas (2012).

O assunto do documento consiste em um relato descritivo dos aspectos geográficos, auríferos, demográficos e bélicos da Capitania de Mato Grosso e do país limítrofe, Espanha, vislumbrando, por meio de cartografias e um plano de guerra, os pontos positivos e as deficiências de cada um deles cujo intuito era o de respaldar as estratégias militares para defesa e/ou ataque em um eventual embate entre essas Coroas Ibéricas. o possível embate previsto pela Coroa Portuguesa e a preocupação em controlar e defender o território de fronteira oeste da colônia Brasil, bem como o projeto político de expansão em ascensão no século XVIII gerou, então, a elaboração do documento.

O autor do documento é ricardo Franco de Almeida Serra. Nasceu em Portugal, em 1748, e após seus primeiros estudos, entrou na carreira militar, onde se tornou engenheiro. Em 1780, ricardo Franco e os demais membros da comissão demarcadora portuguesa, formada por exigência do Tratado de Santo Ildelfonso (1777), chegaram ao Brasil Colônia por meio do porto de Belém do Pará. Após isso, ricardo Franco chegou em Vila Bela da Santíssima Trindade em 28 de fevereiro de 1782, e, por ordem do governador da Capitania de Mato Grosso, fez um estudo hidrográfico da região guaporeana. Em seguida, realizou uma expedição de Vila Bela até Nova Coimbra, navegando o rio Paraguai, para conhecer e explorá-lo.

Assim, no período de 1780 a 1809 na Colônia Brasil, ricardo Franco prestou contribuições no campo da topografia, hidrografia e engenharia, cumprindo a missão de explorar e possibilitar melhores condições de ataque e defesa das fronteiras norte e, principalmente, centro-oeste da Colônia Brasil.

A constituição do corpus oral, por sua vez, ocorreu por meio de pesquisa de campo realizada no município de Cáceres-MT, sendo essa premeditada e executada a partir do aporte teórico-metodológico da Geolinguística, como saber/fazer que se origina da Dialetologia, constitui-se no estudo da variação diatópica e utiliza-se da pesquisa de campo, in loco, em uma rede de pontos em um determinado espaço, para descrição da realidade linguística.

Dessa forma, a pesquisa compreendeu dezesseis entrevistas realizadas mediante questionário linguístico de cunho semântico- lexical previamente estabelecido e elaborado a partir dos pressupostos metodológicos apresentados pelo Comitê Nacional do Projeto ALiB em Atlas Linguístico do Brasil. Questionários (CoMITÊ NACIoNAL Do ProJETo ALIB, 2001). E mais, para obtermos uma representatividade equitativa entre os informantes da comunidade cacerense, eles foram divididos em oito do sexo masculino e oito do feminino, entre duas faixas etárias distintas e quatro níveis de escolaridade distintos; naturalidade, nascidos no local e, de preferência, pais pertencentes à mesma comunidade linguística.

3. Análise Semântico Lexical

Tomemos como ponto de partida a ilustração contextual da definição do item lexical corrupção, empregado como happax, por meio de sua abonação no manuscrito Memoria (consta o item lexical em estudo destacado, recto ou verso do fólio e indicação da linha em que se encontra o item lexical, e a referência):

A Provincia de Moxos, he por nimiamente/ calida, e humida, sugeita a febres intermitentes, e podres, e á molestia chamada corrupçaõ, do=/ enças que os Espanhoes de Santa Cruz, Cocha=/ bamba, e Chuquisaca, raras vezes padecem e/ naõ sabem curar, e naquellas Missoens fa=/ zem sobre elles mortaes estragos. Estes homens/ costumados ás sadias, e ainda nevadas Serras/ dos Andes, tem o maior horror ás perigosas mo=/ lestias da Provincia de Moxos, que sepulta/ muitos delles. os Portuguezes pelo contr=/ rario, naõ só estaõ costumados a estas enfermida=/ des que annualmente sofrem em Matto Grosso;/ mas as sabem curar, e com as mesmas sexoes/ quando naõ saõ grandes trabalhaõ; o que he/ já huma vantagem decedida a favor dos Portuguezes. (39v-2 a 1810, ANDRADE, SANTIAGO-ALMEIDA, BARONAS, 2012, p.193, grifo nosso).

Observa-se que o termo corrupção é mobilizado no manuscrito para caracterizar um tipo de patologia que causa febres fortes e oscilantes, e muito temida pelos espanhóis por não saberem tratá-la, diferentemente dos portugueses que já estavam acostumados com esse tipo de doença cuja frequência, segundo consta no manuscrito, ocorria anualmente em Mato Grosso.

Considerando que no século XVIII muitas patologias ainda não tinham sido nomeadas, por hipótese, infere-se que o uso do item corrupção está relacionado ao valor semântico etimológico como ‘ação ou efeito de corromper algo’, ou seja, o rompimento fisiológico do indivíduo.

A partir dessa conjuntura, buscamos indagar por meio da pesquisa de campo se os informantes cacerenses conhecem, usam o item lexical corrupção e, nos casos em que o informante disse conhecer o item lexical, investigamos qual é a acepção conhecida por eles, ou seja, se corresponde ou não com a acepção buscada, no caso específico aqui, tipo de doença.

Para tanto, os quadros abaixo mostram o contexto de uso do item lexical corrupção pelos dezesseis informantes entrevistados, sendo o Quadro 1 correspondente aos informantes da faixa etária um e o Quadro 2 da faixa etária dois. Para o recorte de análise foram transcritas de forma grafemática11 as respostas de cada entrevistado, sobretudo as respostas que diziam respeito ao reconhecimento do item lexical e acepção buscada ou não.

*.

QUADRO 1: Contexto de uso do item lexical corrupção pelos informantes - faixa etária 1

Informantes Respostas
F1-H-EP ? Corrupção, nunca ouvi fala não.
F1-M-EP Tipo uma pessoa querendo ah tipo comprar uma pessoa uma coisa que eles não podem fazer e fazem... roubar, comprar as pessoa pra ter o que eles tem, hoje em dia eles compram, roubam.
F1-H-EF Corrupção é mais é política, essas coisas, o pessoal fala na televisão.
F1-M-EF Nas eleições quando bate de porta em porta já começa a corrupção.
F1-H-EM Sentido político, na maioria das vezes. Uso normalmente quando uma pessoa é líder de uma coisa e ela não está fazendo corretamente, ela é corrupta né.
F1-M-EM A corrupção na política, nos dias atuais.
F1-H-ES Assim de falar muito assim eu não uso, só em conversas quando tem assunto de política. Corrupção no caso pra é... uma coisa não legal, contra a lei, a jurisdição.
F1-M-ES Uso no sentido de mais de política, de você deixar ser corrompido.

Table 2.

QUADRO 2: Contexto de uso do item lexical corrupção pelos informantes - faixa etária 2

Informantes Respostas
F2-H-EP Lá no congresso está cheio disso aí.
F2-M-EP Não uso, mas já ouvi só.
F2-H-EF Isso é mais na política né.
F2-M-EF Corrupção... é esses que vive roubando né, vereador que entra pra ganhar e depois não faz nada.
F2-H-EM Eu acho que corrupção é da família de pegar, fazer coisa ilícita, pegar coisas que não é dele, é um crime meio institucionalizado, que as pessoas pegam aproveitando do cargo, da condição que ela tem, ela usa aquilo ali, é um crime, não é correto.
F2-M-EM Vejo muito na televisão. Mais é pros governantes, né, os políticos.
F2-H-ES Uso muito... muito... demais em sala de aula. No sentido de roubo, passar o outro pra trás, levar vantagem... corrupção... pegar dinheiro de outros, de bem público, dinheiro público.
F2-M-ES Antigamente eu não tinha conhecimento de corrupção, porque eu venho de uma família rural e no rural esses termos não se via, e agora parece que está no auge a corrupção virou hoje. Hoje eu uso, mas não uso tanto como ouço muito. E compreendo no sentido de alguém que trapaceia, alguém que rouba, que faz esquemas, políticos principalmente.

Em relação ao reconhecimento da forma, apenas o informante da faixa etária 1, homem, ensino primário incompleto, respondeu não conhecer o item lexical corrupção. E a informante da faixa etária 2, mulher, ensino primário incompleto, não soube responder o sentido do item. os demais catorze informantes responderam conhecer o item, e com acepção diferente da apresentada no manuscrito Memoria. Essa realidade aponta para um caso de desuso da acepção “doença” presente no corpus escrito. o que mantém em uso nas falas dos informantes cacerenses é a forma lexical corrupção e o sentido de corromper, porém não mais o estado fisiológico e sim o moral.

Pela análise do contexto de uso dos entrevistados, torna-se observável que para definir o item corrupção os informantes relacionam-no aos que consideram praticantes da corrupção e/ou lugar social que praticam, a saber, políticos, governantes, vereador, congresso, eleições, conforme ilustram os seguintes excertos do contexto de uso dos informantes: “Nas eleições quando bate de porta em porta já começa a corrupção”; “Assim de falar muito assim eu não uso, só em conversas quando tem assunto de política”; “Lá no congresso está cheio disso aí”; “Corrupção... é esses que vive roubando né, vereador que entra pra ganhar e depois não faz nada”; “Vejo muito na televisão. Mais é pros governantes, né, os políticos”; “alguém que trapaceia, alguém que rouba, que faz esquemas, políticos principalmente”.

O processo de inovação lexical, por sua vez, se dá por meio do recurso linguístico metonímia, um dos mecanismos responsáveis pelas diferentes reinterpretações que os informantes atribuem ao item, o que envolve a especificação de um significado em termos de outro que está presente no contexto, e implica uma transferência semântica por contiguidade. No caso aqui analisado, trata-se da troca da prática/ ato pelo praticante ou lugar social que pratica a ação de corromper algo. De acordo com Biderman (1978, p. 154), “são, sobretudo, os usos metafóricos e metonímicos que contribuem grandemente para a oscilação e imprecisão de qualquer microssistema léxico”.

Além disso, verifica-se a reutilização do item lexical corrupção, o que denominamos como manutenção lexical, a partir da ressignificação do item para atender a expressão da realidade imediata do usuário da língua, de acordo com as modificações e inovações da sociedade, funcionando o léxico como o “pulmão das línguas”, conforme afirma kriger (2010, p. 170) e ilustra os excertos do contexto de fala dos informantes: “Tipo uma pessoa querendo ah tipo comprar uma pessoa uma coisa que eles não podem fazer e fazem... roubar”; “Corrupção no caso pra é... uma coisa não legal, contra a lei, a jurisdição”; “Corrupção... é esses que vive roubando né”; “Eu acho que corrupção é da família de pegar, fazer coisa ilícita, pegar coisas que não é dele, é um crime meio institucionalizado, que as pessoas pegam aproveitando do cargo, da condição que ela tem, ela usa aquilo ali, é um crime, não é correto”; “No sentido de roubo, passar o outro pra trás, levar vantagem... corrupção... pegar dinheiro de outros, de bem público, dinheiro público”.

De acordo com o contexto de fala dos informantes da pesquisa, também é possível inferir a relação sinonímica entre corrupção e política: “Corrupção é mais é política, essas coisas, o pessoal fala na televisão”; “Sentido político, na maioria das vezes”; “A corrupção na política, nos dias atuais”; “Uso no sentido de mais de política”; “Isso é mais na política né”.

O caráter polissêmico da língua ilustrado acima caracteriza o enriquecimento do léxico, e “longe de ser um defeito da língua, a polissemia é uma condição essencial da sua eficiência” Ullmann (1964- 1973, p. 347). Eficiência essa mobilizada, no caso do léxico, conforme as experiências dos falantes e segundo o momento histórico vivido pela sociedade.

Sobre essa questão Biderman (1978) afirma que

Embora o Léxico seja patrimônio da comunidade lingüística, na prática, são os usuários da língua - os falantes - aqueles que criam e conservam o vocabulário dessa língua. Ao atribuírem conotações particulares aos lexemas, nos usos do discurso, os indivíduos podem agir sobre a estrutura do Léxico, alterando as áreas de significação das palavras. É por isso que podemos afirmar que o indivíduo gera a Semântica da sua língua (...). (BIDErMAN, 1978, p. 139).

Os dicionários de língua, por sua vez, são instrumentos importantes para as pesquisas que envolvem o estudo do léxico, pois registram “a norma lexical corrente na sociedade” (1998, p. 19) e serve como instrumento de fixação e de legitimação do dizer das coletividades linguísticas. Alves (2007, p. 85) pondera que “apesar das arbitrariedades manifestadas pelos dicionários, eles simbolizam o parâmetro, o meio pelo qual decidimos se um item léxico pertence ou não ao acervo lexical de uma língua”. Nesse sentido, segue abaixo o Quadro 3 com o registro do item corrupção e o conceito lexicalizado nas obras lexicográficas estudadas. A ordem dos dicionários segue o critério cronológico.

Table 3.

QUADRO 3: registro e acepção(ões) do item lexical corrupção em obras lexicográficas

Obras lexicográficas Acepções
Bluteau (1712-1728) CorrUPC, AM. Suspençaõ do concurso conservativo, & introducçaõ de qualidades alterantes, & destructivas. Corruptio, onis.
Morais e Silva (1813) CorrUPÇÃo. o estado da coisa corrupta, ou corrompida. §. Alteração do que é recto, e bom, em mão, e depravado. §. Prevaricação.
Freire (1957) CORRUÇÃO, ou CORRUPÇÃO, s. f. Lat. corruptio; corruptionem. Ação ou efeito de corromper. || 3. Suborno, sedução. CORRUÇÃO, s. f. Espécie de diarréia freqüente entre os negros; maculo.
Ferreira (1975) Corrupção. S. f. Corrução. Corrução. [Var. de corrupção < lat. corruptione] 1. Ato ou efeito de corromper; 2. Devassidão, depravação, perversão; 3. Suborno, peita.
Houaiss (2009) corrupção Datação: 1344 □ substantivo feminino 1 deterioração, decomposição física de algo; putrefação. 2 modificação, adulteração das características originais de algo. 3 Derivação: sentido figurado. depravação de hábitos, costumes etc.; devassidão. 4 ato ou efeito de subornar uma ou mais pessoas em causa própria ou alheia, ger. com oferecimento de dinheiro; suborno. 5 uso de meios ilegais para apropriar-se de informações privilegiadas, em benefício próprio Etimologia: lat. corruptìo,ónis ‘corrupção, deterioração’ Sinônimos/Variantes: corrompimento, corrução; ver tb. sinonímia de declínio, indecência e suborno

O item encontra-se registrado em todas as obras lexicográficas estudadas. observa-se que apenas a obra de Freire registra a acepção em estudo, ‘tipo de patologia’, conforme encontrada no manuscrito Memoria e a de Houaiss que faz remissão ao sentido de corrompimento do corpo, a saber: “deterioração, decomposição física de algo”.

No que diz respeito ao valor semântico da acepção atribuída pela maioria dos informantes cacerenses, referente ao ‘ato de corromper algo considerado moral, legal’, encontra-se registrado em todas as obras.

Observa-se ainda o registro de corrupção e corrução nas obras de Freire, Ferreira, século XX, e na de Houaiss, século XXI, como variantes sinônimas.

4. Análise Discursiva do Item Lexical

Para entender o funcionamento discursivo do item lexical corrupção é preciso considerar a memória do dizer, o que fala antes, independentemente em outro lugar, que sustenta as diferentes discursivizações da textualização desse item. ou seja, descrever/ interpretar as relações interdiscursivas de saber e poder, implicadas no uso desse item em texto. Assim,

“quando ‘isso fala’, há obrigatoriamente relação de forças, geradora de tensões e ambiguidades de sentido, e eventualmente desvios de conduta, tensões e ambiguidades totalmente ignoradas no plano do intradiscurso, no qual atuam apenas as regras da língua, de uma maneira que não tolera contradição, e separa com nitidez o que é correto e o que não é, aliás tanto do ponto de vista do que se deve dizer quanto do que se deve fazer, estando ambos automaticamente ajustados um ao outro (MACHEREY, 2007).

No caso do manuscrito oitocentista, corrupção se inscreve no campo da medicina como uma doença, uma moléstia causadora de febre: “A Provincia de Moxos, he por nimiamente/ calida, e humida, sugeita a febres intermitentes, e podres, e á molestia chamada corrupçaõ, do=/ enças que os Espanhoes de Santa Cruz, Cocha=/ bamba, e Chuquisaca, raras vezes padecem e/ naõ sabem curar, e naquellas Missoens fa=/ zem sobre elles mortaes estragos”. Esse sentido de doença, moléstia no contexto do manuscrito oitocentista apaga para esse termo os outros sentidos possíveis, visto que se apresenta intradiscursivamente como o único possível. É como se esse uso não fosse o resultado de um renhido embate com outros usos. Em outros termos, intradiscursivamente corrupção se manifesta buscando apagar os embates interdiscursivos que o sustentam. É preciso levar em consideração também o enunciador do texto. É esse enunciador que além de definir o termo corrupção como doença, moléstia vai mostrar que os espanhóis por não saberem curar esse tipo de enfermidade, isto é, por não deterem esse tipo de saber, estão mais sujeitos às suas letais consequências. Saber curar a moléstia corrupção é possibilidade mesmo de sobrevivência naquela região. Ademais, para esse enunciador, as condições climáticas da Província de Moxos - calida, e húmida - são as grandes responsáveis por essa doença. No seu imaginário eurocêntrico, as regiões tropicais são os lugares em que esse tipo de doença se manifesta.

Já o uso atual dos falantes cacerenses, independentemente da faixa etária e do sexo dos informantes, nos mostra que o termo em questão migra do campo do saber médico para o campo da política e da moral. Há aqui um fenômeno discursivo de deslizamento de sentido: “Eu acho que corrupção é da família de pegar, fazer coisa ilícita, pegar coisas que não é dele, é um crime meio institucionalizado, que as pessoas pegam aproveitando do cargo, da condição que ela tem, ela usa aquilo ali, é um crime, não é correto”. ou seja, corrupção é deslocado de um campo discursivo para outro. Todavia, nesse deslocamento, enquanto no manuscrito o termo mantém com a sua memória discursiva uma relação virtuosa, sobretudo, no tocante ao saber curar essa doença, no uso atual, há uma “desvalorização” dessa palavra, isto é, uma relação não-virtuosa com a memória discursiva. Essa relação se dá com base em traços negativos de sentido: “Tipo uma pessoa querendo ah tipo comprar uma pessoa uma coisa que eles não podem fazer e fazem... roubar, comprar as pessoa pra ter o que eles tem, hoje em dia eles compram, roubam”. Se no caso do manuscrito, o enunciador mostra que saber tratar a doença é positivo, inclusive é a possibilidade mesmo de sobrevivência, no caso dos usos atuais, por conta dos sentidos negativos, o enunciador se distancia ao máximo desse saber: “Corrupção... é esses que vive roubando né, vereador que entra pra ganhar e depois não faz nada”. Neste último caso, trata-se de um saber que o enunciador quer total distância, um não-identificação. Mas de onde vêm esses sentidos negativos que instam o enunciador a ficar distante? Para Moirand e Porquier (2008, p. 150):

Sabe-se que as palavras são feitas para circular e que seu sentido ‘se mexe’ ao sabor de suas viagens no tempo e no espaço, através das comunidades linguageiras dos falantes que as usam, contribuindo assim para a vida da linguagem e para a evolução da língua. Isso não impede que possamos nos interrogar sobre a ética linguageira daqueles que as empregam quando ocupam uma posição social dominante e estão assim dotados de uma fala de autoridade: Não terão eles nenhuma ‘responsabilidade’ nos atos de denominação e nas reiterações que são levados a fazer das palavras alheias, em especial na e através da mídia? os autores franceses nos chamam a atenção para uma importante questão que é a da responsabilidade pela produção e circulação de enunciados éticos, especialmente, por parte da mídia. A fala de um dos sujeitos da pesquisa atesta a pertinência dessa discussão: “Corrupção é mais é política, essas coisas, o pessoal fala na televisão” (grifos nossos). Não estamos querendo afirmar que a mídia é a única responsável pela cristalização do sentido negativo do termo em questão. Estamos na verdade ancorados em Moirand e Porquier chamando a atenção para a questão ética na linguagem. Não se trata de propor uma espécie de alfândega linguística que autorizaria a circulação de certos usos e desautorizaria outros, mas de pensar como tratar a moral como algo que é da ordem da constituição dos discursos12.

Considerações Finais

Considerando que este trabalho teve como proposta realizar uma investigação semântico-lexical e discursivo-filológica acerca do item lexical corrupção extraído do manuscrito oitocentista Memoria e testado in loco no município de Cáceres, Mato Grosso, a pesquisa permitiu-nos chegar a alguns breves resultados, a saber:

1. corrupção é um item lexical comum no vocabulário dos informantes cacerenses, de uma maneira geral, assim como nas obras lexicográficas de língua portuguesa pesquisadas;

2. acredita-se que tanto o valor semântico de corrompimento do corpo, ‘tipo de patologia’ expresso no manuscrito Memoria e na obra de Freire (1975) quanto o que sugere o ‘corrompimento das leis, moralidade’ registrado nas obras lexicográficas estudadas conviveram no português oitocentista no Brasil;

3. o contexto de uso dos informantes cacerenses sugere o desuso da acepção investigada, e manutenção da forma do item e acepção de “ato de corromper”, ilustrando uma transferência do valor semântico do rompimento da ordem do biológico para o das leis, da moralidade;

4. os informantes recorrem a itens lexicais já conhecidos, de uso comum na língua, e lhes atribuem certos traços semânticos específicos da sua memória social, histórica, cultural e linguística que possam expressar o que entendem por corrupção. Por hipótese, os traços semânticos deixam entrever a influência da mídia - jornal impresso, TV, internet - e, sobretudo, a campanha eleitoral vivenciada pelos cacerenses e demais população brasileira no momento em que foi realizada a pesquisa de campo do trabalho de doutoramento, a saber, junho, julho e agosto de 2014;

5. tanto no manuscrito quanto nos usos atuais, os sentidos textualizados de corrupção, quer seja com valor eufórico no primeiro caso, com o qual o enunciador se identifica e, com valor disfórico no segundo, com o qual os enunciadores não se identificam de forma alguma, são o produto de uma renhida luta entre diferentes metadiscursos sociais.

Em suma, os dados da pesquisa sugerem que o item lexical corrupção, do manuscrito oitocentista ao contexto de uso dos informantes cacerenses no século XXI, é um caso de manutenção do item lexical todavia com significado de “corromper” diferente do registrado no documento. A expansão semântica em torno de um mesmo item evidencia a força de mão dupla que há no processo de significação de um elemento conforme destacado por Biderman (1978, p. 139): “o universo semântico se estrutura em torno de dois pólos opostos: o indivíduo e a sociedade. Dessa tensão em movimento se origina o Léxico”.

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recebido em 21/09/2015 e aceito em 18/12/2015.