Resumo

Os sintagmas definidos denotam tipicamente entidades que são identificáveis univocamente no fundo conversacional compartilhado pelo falante e pelo ouvinte. No entanto, alguns sintagmas nominais definidos (e.g. ‘o hospital’ em ‘Maria teve que ir pro hospital e João também’) parecem violar a unicidade. Discutimos uma série de experimentos que procuram entender algumas das propriedades dessa classe de definidos. Consideramos, com mais cuidado, a hipótese de que essas interpretações de “definido fraco” surjam de construções implicitamente “incorporadas”, buscando fornecer um esquema da motivação para essa hipótese e suas possíveis consequências. Em nossos experimentos encontramos que, comparados aos definidos regulares, os definidos fracos não denotam univocamente e disparam, de imediato, leituras semanticamente incorporadas que competem efetivamente com as inferências que obtemos normalmente de uma sentença. A descoberta mais surpreendente dos nossos experimentos é talvez que os nomes que podem ocorrer como definidos fracos, também parecem reter algumas de suas propriedades “fracas” quando são expressos com indefinidos. Tentamos explicar isso dentro do quadro da incorporação.

Introdução

Sabe-se já há algum tempo que há pelo menos duas formas de definitude. Ebert (1971) discute o caso do fering, um dialeto do frísio no qual o artigo definido tem duas formas, que ela denomina de “artigo-a” e “artigo-d”:

Figure 1.

Os dois artigos são usados de maneiras diferentes. Muito resumidamente, o artigo-a é empregado quando o objeto é considerado já conhecido, como é o caso dos nomes próprios, genéricos ou sintagmas nominais descritivos, que denotam um único indivíduo; o artigo-d é de natureza dêitica e é usado, na maioria das vezes, no caso de discurso anafórico; ele pode ser aproximadamente caracterizado como um item que carrega “familiaridade discursiva”. Considere os exemplos (1) e (2):

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(1) Oki hee jister an hingst keeft. Di hingst leept üüb stuuven. (Artigo-d)

Ontem Oki comprou um cavalo. O cavalo está no cercado.

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(2) Hi skraft me a lachter hun. (Artigo-a)

Ele escreve com a mão esquerda. (Ebert, 1971)

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Claro que essa breve caracterização é imprecisa, mas esse trabalho e outros subsequentes sobre outros dialetos germânicos que contam com diferentes artigos definidos (e.g. Hartmann, 1982) mostraram que é possível identificar pelo menos duas classes de definidos.

Até meados de 1990, a maior parte dos trabalhos sobre a definitude teve como foco dados em que os diferentes papéis dos artigos não eram claramente distinguíveis, o trabalho de Löbner (1985) se aproxima desse território. No entanto, foi Poesio (1994) quem notou ocorrências de sintagmas nominais nos quais o contexto proporcionado pelo próprio NP servia para justificar o uso do artigo definido, como no exemplo:

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(3) John got these data from the student of a linguist. John recebeu esses dados do aluno de um linguista.

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Poesio apelidou essas ocorrências de interpretação “fraca”, daí a noção de definido “fraco”. Barker (2005) enfocou uma subclasse dos exemplos fracos de Poesio, propondo uma análise para casos como:

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(4) Look for the huge whale on the side of the building. Procure pela enorme baleia no lado do edifício.

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Assumimos que um edifício tem mais de um lado, mesmo assim o definido é aceitável nesse caso. A noção de definitude “fraca” é retomada de forma abrangente em Schwarz (2009). Carlson e Sussman (2005) e Carlson et alii (2006) argumentam que uma outra classe de definidos “fracos” deve ser reconhecida, que, como as outras já descritas, parece desafiar a unicidade. Considere o exemplo de the hospital (o hospital) em (2) e contraste com the arena (o estádio) no diálogo a seguir:

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(5) Sarah: Where did they take the hurricane victims? Otto: To the arena/to the hospital.

Sarah: Which one? Otto: I don’t know.

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Sarah: Para onde eles levaram as vítimas do furacão? Otto: Para o estádio/ para o hospital.

Sarah: Qual?

Otto: Eu não sei

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A resposta de Otto, I don’t hnow (“eu não sei”), não é feliz se ele disse the arena (“o estádio”); nesse caso, o uso que Otto faz do sintagma nominal definido sugere que ele está se referindo a um estádio em particular, que já está estabelecido como parte do conhecimento compartilhado dos interlocutores. No entanto, a mesma resposta, I don’t know (“eu não sei”), que parece uma resposta estranha após um definido típico como the arena (“o estádio”), é natural quando o antecedente é the hospital (“o hospital”). A intuição é que, embora tenha a forma de um sintagma nominal definido, the hospital (“o hospital”), não precisa denotar um referente unicamente identificável, embora, é claro, essa leitura referencial padrão também esteja disponível.

Há, porém, uma classe de tais definidos no inglês: read the newspaper (“ler o jornal”), check the calendar (“olhar o calendário”, literalmente), take the train (“pegar o trem”) e (be) at the beach (“estar na praia”). No entanto, essa classe não é a mesma do NP sem o artigo definido, embora os dois casos compartilhem um conjunto de propriedades. Por exemplo, em (6a), embora radio (“rádio”) permita uma interpretação fraca do sintagma nominal definido, isso não é necessariamente verdadeiro para os outros substantivos relacionados como record (“disco”) no exemplo (6b):

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(6) a. Benedict listened to the radio, and Tracy did too.

Benedict escutou o rádio e Tracy também.

b. Benedict listened to the record, and Tracy did too.

Benedict escutou o disco e Tracy também

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O exemplo (6a) permite uma interpretação fraca na qual Benedict e Tracy escutaram rádios diferentes, mas (6b) não. Embora pareça plausível que Tracy tenha escutado uma cópia diferente do mesmo disco (i.e., uma instanciação diferente do mesmo álbum), não é consistente com essa sentença que Tracy tenha escutado um disco com um conteúdo diferente; se Benedict está escutando a uma gravação de “Blood on the Tracks”, Tracy não pode estar escutando “Modern Times”.

Embora as interpretações do definido fraco em inglês sejam lexicalmente restritas, o substantivo não é o único responsável pela interpretação fraca. A modificação restritiva, como ocorre com o adjetivo em (7), tipicamente força uma interpretação regular do definido:

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(7) Benedict listened to the new radio and Tracy did too. Benedict escutou o rádio novo e Tracy também.

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Modificar radio (“rádio”) com new (“novo”) enfatiza uma propriedade de um referente, o que coloca esse rádio como distinto de outros possíveis rádios. Assim o sintagma modificado é compatível apenas com a interpretação típica do definido.

Definidos fracos são restritos também pela necessidade de co- ocorrer com, ou de ser “governado por”, certos outros itens lexicais – verbos e preposições. Por exemplo, look at the radio (“olhe para o rádio”) ou park near the hospital (“estacione perto do hospital”) não têm leituras fracas, independente do fato de que o substantivo (radio, hospital) em outras circunstâncias permita a leitura fraca.

As restrições lexicais e a sensibilidade de co-ocorrência do sintagma definido fraco levantam a possibilidade de eles serem expressões idiomáticas, em que um conjunto fechado de palavras e de sintagmas levam a um significado mais rico do que os seus componentes literais podem sugerir. Embora consideremos as “expressões idiomáticas” como uma parte de uma classe contínua de colocações (Nunberg et alii, 1994; veja também Goldberg 1995), os definidos fracos não compartilham todas as características dessas expressões. Como as expressões idiomáticas, a identidade particular do substantivo é essencial para acessar o sentido enriquecido. No entanto, diferentemente das expressões idiomáticas, o sentido regular do substantivo contribui para o todo: há algum hospital envolvido em (5) e algum rádio em (6), enquanto que numa expressão idiomática como let the cat out of the bag (literalmente, “deixar o gato escapar do saco”; “deixar escapar um segredo”), não há nem gatos nem sacos envolvidos. Além disso, diferentemente das expressões idiomáticas, palavras sinônimas no contexto dos sintagmas definidos fracos frequentemente podem ser substituídos, preservando a interpretação enriquecida e a não unicidade, como no exemplo (8), onde as expressões took the bus (“tomou o ônibus”), rode the bus (“andou de ônibus”) e caught the bus (“pegou o ônibus”) permitem, todas, interpretações fracas. Ao contrário, isso não é tipicamente verdadeiro das expressões idiomáticas, como (9) ilustra. A interpretação idiomática de bit the bullet (literalmente, “morder a bala”) não ocorre com os verbos relacionados nibbled (“mordiscou”) e chewed (“mastigou”):

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(8) Jed took/rode/caught the bus.

Jed tomou/andou/pegou o ônibus.

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(9) Roxy bit/nibbled/chewed the bullet.

Roxy mordeu/mordiscou/mastigou a bala.

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Isso não ocorre apenas para expressões idiomáticas opacas como as já mencionadas, mas se estende também àquelas em que há algum grau de composicionalidade, como take the lead (“toma as rédeas”) ou make a face (“faz careta”) (no inglês americano; no inglês britânico pull a face). O sentido de drop the matter (“deixa cair o assunto”; “pare de falar sobre isso”) não sobrevive em release the matter (“solte o assunto”) nem em drop the thing (“deixe cair a coisa”).

Embora a referência fraca seja incompatível com a modificação restritiva, os definidos fracos aceitam, no entanto, certos tipos de modificadores, diferentemente da maioria das expressões idiomáticas (Aguilar-Guevera & Schulpen, 2012). Essa classe de definidos tem uma outra característica ainda. Em línguas com a marcação de singular/plural, geralmente apenas uma das formas, comumente, mas nem sempre, a singular, permite tal interpretação. As formas plurais são possíveis, como em go to the movies (“ir para o cinema”), do the dishes (“lavar os pratos”3) ou be from the sticks (i.e. ser originário um lugar remoto, rural). Eles não são encontrados (normalmente) na posição de sujeito, nem mesmo de sentenças passivas.

Talvez o diagnóstico semântico mais saliente, além da referência não unívoca, seja o seu “enriquecimento semântico”. Em geral, há uma certa quantidade “extra” de sentido associada às leituras fracas, em contraste com as leituras definidas regulares. Considere os exemplos em (10):

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(10)

a. Going to the store is going to a store and more…(shopping) Ir no mercado é ir para um mercado e mais… (e fazer compras)

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b. Being in the hospital is being in a hospital, and more… (healing)

Estar no hospital é estar num hospital e mais … (e estar em tratamento)

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c. Looking at the calendar is looking at a calendar, and more…

Olhar no calendário é olhar num calendário e mais... (e obter informação)

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O tipo de enriquecimento semântico depende da colocação, mas nos casos acima se trata de algo como “usar o objeto para seus propósitos usuais”, normalmente implicando um grau de habitualidade da ação.

Carlson e Sussmann (2005) e Carlson (2006) notaram que todas as características acima, com exceção da distinção singular/plural, são também propriedades de uma classe de singulares nus no inglês (Stvan, 1999). Uma tal classe de sintagmas nominais definidos, com o mesmo conjunto de tipos de interpretações e restrições, pode ser identificada em outras línguas além do inglês, incluindo as línguas românicas e célticas, e, para além delas, é possível que também possa ser identificada nas línguas em que não há artigo definido (e.g. Lee, 2012).

No que segue, vamos primeiramente esboçar uma hipótese sobre como esses definidos fracos devem ser explicados na sintaxe e na semântica e, então, vamos apresentar e discutir uma série de experimentos que são, na maioria dos casos, baseados nessa análise para ver aonde ela nos leva. Não vamos lidar com o espectro inteiro de exemplos para os quais Poesio chama atenção. Schwarz (2009) apresenta uma análise que daria conta do espectro todo, mas ele tem problemas para incluir a nossa classe nessa análise mais geral. Acreditamos que isso ocorra porque os “definidos fracos” que estamos examinando exigem uma análise especial que apresentamos na próxima seção. Em seguida, apresentamos alguns resultados experimentais, e então concluiremos com nossa visão sobre para onde isso nos leva.

1 A análise via “incorporação”

No momento, não há consenso sobre qual análise linguística dê conta da presença do artigo definido nas construções definidas fracas que examinamos aqui. Uma abordagem está sendo explorada atualmente a partir de um número de perspectivas diferentes (e.g. para essa abordagem, ver Schwarz, 2012). Nossa estratégia neste artigo não é argumentar que qualquer dessas propostas está incorreta (e a nossa, correta), mas ao invés disso injetar na discussão mais dados derivados de experimentos, que podem auxiliar na definição sobre qual é a melhor análise da construção (ou, por outra, se de fato há essa construção). Para isso, esboçamos o rationale para adotar uma análise que nos parece fazer sentido como uma maneira de dar conta dos tipos de dados que nós já encontramos, mas, mais importante, para servir como guia nas nossas investigações empíricas.

Começamos perguntando: se o artigo definido num definido fraco não contribui com algo como unicidade ou familiaridade (uma ideia que vamos deixar assim por enquanto), o que ele está fazendo ali? Nossa solução imediata seria tratar o artigo definido como um marcador sintático no caso desses definidos fracos, sem uma contribuição semântica. Ele é inserido para satisfazer alguma condição sintática, desprovido de conteúdo semântico. Vergnaud e Zubizarreta (1992) e Longobardi (1994) são alguns precursores para esse tipo de abordagem. Essa visão pode também ser embasada pelo fato de que os definidos fracos frequentemente alternam lexicalmente com construções com “singular nu” no inglês e as duas construções parecem significar quase exatamente a mesma coisa. Por exemplo, to be in jail (“estar na prisão”) sem o artigo significa quase o mesmo que to be in the slammer (um termo coloquial para prisão), que tem o artigo definido; nenhum dos dois sintagmas exige referência única e ambos podem ser usados exclusivamente para descrever o tempo em que alguém está cumprindo pena, não simplesmente os visitantes ou aqueles que trabalham na prisão. Além disso, se o usual é um definido fraco ou um singular nu varia dependendo do dialeto. No inglês americano, to be in the hospital tem o mesmo significado que a expressão em inglês britânico, to be in hospital. E para muitos falantes, a leitura fraca de on the television/radio/stage tem o mesmo significado que on television/radio/stage. Essas observações são consistentes com a hipótese que o artigo definido em nada contribui para o significado.

Uma segunda alternativa, perseguida por Aguilar-Guevara e outros (Aguilar-Guevara e Zwarts, 2010), que conta com algum suporte experimental, é considerar que o sintagma nominal definido fraco é um NP genérico, denotando uma espécie e não um indivíduo. Essa alternativa trata o artigo definido como dando sua contribuição semântica usual (ou pelo menos aquela que ele faz no caso do definido genérico), que não resulta em qualquer unicidade dos objetos individuais, pois a referência é genérica. Essa abordagem tem o mérito de predizer a forma correta do artigo usado nos definidos fracos nas línguas em que há uma bifurcação na forma do artigo definido – usam aquela que o genérico usa. Esse é o caso no fering, em que o artigo-a (que nós tomamos como a forma “fraca” – note que esse paradigma faz menos distinções do que o artigo-d) é também aquela usada para os genéricos.

Uma terceira alternativa é entender que os definidos fracos são partes de estruturas “incorporadas”, ao menos em termos de sua composição semântica, embora claramente esse não seja o caso em termos de sintaxe/ morfologia. Mathieu (2006) propõe essa análise para certas construções no francês que são abertamente não incorporadas do ponto de vista gramatical. Incorporação, em línguas em que há diferença entre sintaxe/ morfologia, é um processo através do qual duas palavras em uma relação gramatical sintagmática são fundidas para formar uma unidade que tem o estatuto de uma palavra (Baker, 1986, 1998; Mithun,1984; veja também Massam, 2001). Os estudos mais detalhados se detiveram sobre verbos formando unidades incorporadas com seus objetos e outros argumentos (“incorporação nominal”), mas preposições podem também formar unidades com seus objetos. Em estruturas incorporadas nenhum artigo aparece; somente a forma nominal do objeto é expressa. A semântica da incorporação nominal está bastante bem descrita (Dayal, 1999, 2011; Farkas & de Swart, 2004; Chung e Ladusaw, 2004; van Geenhoven, 1998). Há um consenso geral de que estruturas incorporadas têm interpretação com escopo estreito e geralmente são indefinidas e neutras para número (não sendo nem singular nem plural). Há também algum precedente para atribuir a semântica de incorporação a estruturas que não criam palavras, como na “pseudo-incorporação” (Massam, 2001; Dayal, 2011), ou a formas que parecem semelhantes a definidos fracos (Mathieu, 2006). Ao ligarmos os nossos definidos fracos a estruturas incorporadas, não estamos tomando o artigo definido como parte das próprias estruturas incorporadas. Como veremos abaixo, antes, consideramos que o papel do artigo definido é contribuir com o seu sentido “fraco” costumeiro, mas em um lugar onde a derivação está “fora” da estrutura. Então, quando nós ligamos algo como take the bus (“pegar o ônibus”) a uma estrutura implicitamente incorporada (bus-take “ônibus-pegar”), nós só estamos interessados nas contribuições da combinação dos próprios itens lexicais mais a contribuição da estrutura incorporada.

Uma proposta de incorporação que liga construções de definidos fracos a estruturas incorporadas sugere uma explicação para as propriedades que parecem características dos definidos fracos. Muitos gramáticos enfatizaram a “habitualidade” implícita da ação expressa por uma forma incorporada (i.e., é algo de um tipo que usualmente se faz no curso normal das coisas); muitos também notaram que as inúmeras formas incorporadas levam ao que nós vamos relatar como enriquecimento semântico ou interpretação enriquecida. O termo “enriquecimento” semântico como nós o usamos é inspirado no uso que Levinson (2000) faz do termo “enriquecimento pragmático” para descrever fenômenos semelhantes. Uma interpretação enriquecida semanticamente é vista como uma propriedade de construção, no sentido de Goldberg (1995), e, para os nossos propósitos, ajuda a caracterizar as diferenças entre os significados convencionais do definido fraco versus o definido regular.

Considere o seguinte exemplo. “Matar rena” em Chukchee (Dunn, 1999) significa o que se espera, mas a forma fusionada, incorporada, grosseiramente equivalente a “rema-matar”, significa que se está matando rena como parte de preparar a comida, que é o propósito mais comum para matar rena naquela cultura. Tal enriquecimento semântico é um lugar comum dessas estruturas, não apenas em Chuckchee, mas na maior parte das línguas com esse tipo de estrutura. Embora o inglês obviamente não tenha incorporação no sentido da forma morfológica, acreditamos que todas as características semânticas atribuídas às formas incorporadas são também atribuíveis aos definidos fracos. Em outros termos, é razoável pensar que os definidos fracos (e o singular nu correspondente) são interpretados como se eles se formassem de estruturas incorporadas. Isso significa que seus itens lexicais chaves parecem ser constituintes de um significado calculado. Sirva de exemplo, take the train (“pegar o trem”) na sua leitura fraca tem train+take (trem+tomar) como uma parte do seu significado, que é interpretado como se interpreta uma forma incorporada.

Uma análise via incorporação também proporciona uma explicação em potencial para o motivo por que o artigo definido não parece dar a sua contribuição costumeira nessas construções. Em particular, a composição semântica não corresponde à composição sintática de superfície. Se representamos o significado do artigo definido como DEF e os itens lexicais como suas contrapartes imediatas, um definido regular (e.g. read the book “ler o livro”) teria, numa primeira aproximação, uma sintaxe representada grosseiramente da seguinte forma:

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[VP read [NP [ART the] [N book]]]

[VP ler [NP [ART o] [N livro]]]

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e a interpretação como se segue:

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read’(DEF (book’)).

ler’ (DEF (livro’)).

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Em contraste, um definido fraco, como aquele que ocorre na leitura fraca de read the newspaper (“ler o jornal”), teria uma sintaxe semelhante,

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[VP read [NP [ART the] [N newspaper]]]

[VP ler [NP [ART o ] [N jornal]]]

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mas uma estrutura composicional diferente:

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DEF (read’(newspaper’))

DEF (ler’ (jornal’))

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Essa estrutura composicional parece, para dizer o mínimo, não usual (uma questão que retomamos abaixo), mas acreditamos que ela tem várias propriedades promissoras que capturam características salientes dos definidos fracos. Primeiro, o sintagma nominal não é mais semanticamente definido; ao invés disso, o substantivo newspaper (“jornal”) se combina diretamente com o verbo, como em estruturas incorporadas em línguas em que a combinação de N e V é aberta na sintaxe/morfologia. Como mencionamos anteriormente, a semântica característica do objeto é de um indefinido fraco de escopo estreito. E, acreditamos, essa é a descrição apropriada para as condições de verdade dos definidos fracos em inglês.

Segundo, como o V (ou o P, em casos como (be) in the hospital (“estar no hospital”)) e o N formam um constituinte por eles mesmos sem intervenção de outro material, a dependência formal entre eles é explicitada mais transparentemente do que numa teoria em que há inclusão de material extra. Em inglês, em particular, ela expressa a exigência de que os dois itens devem estar adjacentes.

Finalmente, embora a definitude não esteja associada ao NP, ela está associada à combinação V-N (ou P-N). Nesse caso, ela expressa algo como um tipo “familiar” de atividade, um tipo de atividade em que a circulação cultural está estabelecida independentemente e está codificada dessa forma na gramática – presume-se que já seja conhecida. A noção de “familiaridade” é uma característica comumente notada na incorporação em muitas línguas. É claro que isso não significa que qualquer atividade que é familiar para um dado indivíduo ou mesmo para um amplo grupo de indivíduos irá necessariamente ser expressa dessa forma; ao invés disso, a língua guarda tais atividades familiares dessa forma e é só parcialmente previsível quais formas serão selecionadas. Concebemos essas estruturas como um exemplo de algo que corresponde à criação de um nome – nesse caso o “nomear” de atividades familiares. Essa aproximação fornece o início de uma abordagem para entender por que o artigo definido pode aparecer em certos casos ((be) in the slammer “estar na prisão”), mas não em outros ((be) in jail), como os nomes próprios. Essa abordagem, como outras, também prediz que é o artigo “fraco”, associado aos nomes, que será a forma escolhida em casos como os do fering. De novo, uma predição correta.

No entanto, é extremamente plausível que alguém se mostre cético com relação a essa análise já que ela exige que o artigo definido entre em combinação não somente com significados nominais, mas também com (pelo menos) os significados de PP e VP. Considere, por exemplo, qual seria uma análise de go to the hospital (“ir para o hospital”) no sentido fraco. O DEF teria escopo sobre a forma incorporada P-N, grosseiramente DEF(PP [para’-hospital’]). No entanto, a interpretação desse todo ainda precisaria ser do mesmo tipo semântico de um PP direcional regular, mesmo que ele agora seja um PP que carrega um enriquecimento associado à situação de receber tratamento de saúde. A razão para tanto é que o verbo de movimento direcionado pode variar e o enriquecimento se manter – pode-se viajar para o hospital, andar, mancar, arrastar-se, ir de bicicleta, ir de skate etc., todos com interpretação fraca. É, até o momento, um desafio em aberto fornecer uma análise detalhada do significado de um artigo capaz de combinar com nominais, PP’s e VP’s e manter um único sentido. No entanto, a noção singular de “familiaridade” (cultural) parece ser um caminho promissor. Também, de certa forma, a análise via incorporação que estamos assumindo torna muito difícil distingui-la da análise via espécie discutida acima. Isso ocorre porque o significado de uma forma nominal nua incorporada é “genérico” no sentido de que ele não tem capacidade para referência individual. Logo, a questão para nós é primariamente sobre o papel composicional do artigo definido e não primariamente sobre interpretações genéricas.

Finalmente, como uma nota de rodapé que retomaremos brevemente, há dois modos plausíveis de descrever a hipótese da “incorporação”. Uma é que o artigo definido pode ter escopo sobre a combinação V-N (ou P-N). Alternativamente, pode-se imaginar que é um artigo que pode fazer isso – o que incluiria a possibilidade de artigos indefinidos terem um papel semelhante.

2 Experimentos

Apresentamos agora uma série de experimentos, a maioria dos quais foram descritos com mais detalhes em Klein (2011) e em Klein et alii (2013). Para os nossos propósitos, iremos apresentar somente o “esqueleto” do design, a análise estatística e os materiais.

2.1 Experimento 1

Esse é um experimento “básico” para atestarmos se os definidos fracos são experimentalmente distintos dos definidos regulares. O Experimento 1 examina se os definidos fracos carregam as mesmas restrições de unicidade que os NPs definidos regulares. Se sim, esperamos que, numa situação em que há um referente em particular, que corresponde à descrição que foi previamente introduzida no discurso, os ouvintes devem interpretar o NP definido como se referindo aquele objeto; se, por outro lado, definidos fracos não referem unicamente, então os ouvintes devem ser propensos a interpretar o NP definido fraco como referindo a outro objeto que corresponde à descrição, mas que não foi introduzido previamente. Criamos situações em que podemos inferir as interpretações dos participantes pedindo para eles construírem cenários movendo as figuras magnéticas num quadro de metal.

Dezoito membros da comunidade da Universidade de Rochester foram pagos para participar desse experimento. Todos os participantes tinham visão normal ou corrigida para normal e eram falantes nativos do inglês americano. Os participantes escutaram cenários contendo uma primeira e uma segunda menção de um definido fraco e de um sintagma nominal definido regular, como em:

(11) Rudy is a very literary guy. Today he wrote in his diary. Then, Rudy read the newspaper/book.

This afternoon, Patty read the newspaper/book too.

Rudy é um cara muito literário. Hoje ele escreveu em seu diário.

Então, Rudy leu o jornal/livro.

Essa tarde, Patty leu o jornal/livro também.

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Doze substantivos com leituras de definido fraco (e.g. newspaper (“jornal”)) e com referentes facilmente identificáveis foram selecionados a partir de exemplos da literatura. Para cada substantivo definido fraco, um nome semelhante sem a interpretação definida fraca (e.g. book (“livro”)) foi escolhido como seu par definido regular; doze cenários como aqueles em (11) foram criados de tal forma que o substantivo em questão poderia ser ou um substantivo definido fraco ou um definido regular.

Os cenários foram gravados previamente por um falante masculino, que não sabia sobre o experimento e que foi instruído a manter uma prosódia natural e não contrastiva. A primeira parte de cada cenário referia a um objeto distrator no campo visual (e.g. diary (“diário”) em (11)); a segunda parte referia ao nome que estava em análise, usando um sintagma definido nominal; o terceiro repetia o sintagma nominal definido em análise. Os participantes foram instruídos a construir o cenário narrado enquanto ele se desenvolvia, utilizando imagens magnéticas num quadro metálico. Seguindo o trabalho de Brown-Schmidt & Tanenhaus (2006, 2008), que mostrou que os ouvintes assumem que áreas com limites visuais são domínios referenciais distintos, criamos dois domínios implícitos com os quadros magnéticos pintando cada metade de uma cor diferente. Cada domínio referencial continha imãs com imagens de uma pessoa (um masculino de um lado, e um feminino de outro), uma ocorrência não idêntica de um objeto distrator e uma ocorrência não idêntica do substantivo crítico. Por exemplo, cada personagem poderia ter um jornal ou livro diferentes. Sem essa restrição de domínio, a tarefa favoreceria enormemente a interpretação regular do definido: quase qualquer sintagma nominal que pode ser interpretado como um definido fraco pode também ser interpretado como um definido regular e os resultados pilotos sugeriram que os participantes tinham uma forte tendência para selecionar e manipular um objeto que eles já tinham movido previamente. A Figura 1 mostra uma versão esquemática da instalação dos ímãs e do quadro metálico.

Figure 2.

Nosso design de manipulação com restrição de domínio se mostrou muito forte; no experimento piloto, descobrimos que os participantes relutavam em atravessar os domínios movendo um objeto do lado amarelo para o lado azul do quadro. Por isso, incluímos alguns distratores que exigiam mover os objetos através dos domínios. Os participantes foram instruídos a usar os ímãs para encenar as narrativas enquanto eles as escutavam. Eles realizaram três ensaios práticos no começo do experimento e, se eles não tivessem perguntas depois disso, o experimento se iniciava imediatamente. As sessões foram gravadas em vídeo, assim as ações dos sujeitos poderiam ser codificadas e analisadas mais tarde.

2.1.1 Resultados

Em 73 por cento das tentativas com os sintagmas nominais fracos, os participantes selecionaram a ocorrência nova como o referente final, o que corresponde à interpretação não única do sintagma definido. Em contraste, os participantes selecionaram a ocorrência nova em apenas 34 por cento das vezes com o sintagma nominal definido regular. Os resultados são estatisticamente significativos, e confirmam a diferença prevista entre sintagmas definidos regulares e fracos. Ao escolher uma ocorrência nova dos sintagmas nominais definidos fracos, os participantes indicaram que eles não interpretaram o definido fraco como exigindo um referente único. Parecia que os participantes preferiam replicar o evento-tipo (e.g. ler jornal, com qualquer jornal que estivesse presente no domínio do personagem) ao invés de selecionar uma única ocorrência para usar através da encenação da narrativa (e.g. consistentemente manipulando um imã em particular dentre os dois ímãs de jornal disponíveis).

Foi uma surpresa, no entanto, que os participantes selecionaram ocorrências novas com tanta frequência como eles o fizeram com o sintagma nominal definido regular. A explicação mais provável para a proporção relativamente alta de ocorrências novas selecionadas para os definidos regulares é que a restrição implícita de domínio que criamos ao usar os fundos coloridos foi extremamente efetiva; ela desencorajou nossos participantes de cruzar os domínios a despeito dos nossos esforços para encorajá-los a fazer isso com os nossos distratores. Nos comentários após o experimento, muitos participantes relataram que eles se sentiram hesitantes em cruzar os domínios, mesmo nas ocorrências em que os distratores não permitiam outra alternativa. No geral, então, nossos resultados são consistentes com a hipótese de que os definidos fracos não exigem uma referência única.

2.2 Experimento 2

O Experimento 2 examinou as propriedades referenciais dos definidos fracos usando uma tarefa que não depende da restrição de domínio. Numa série de julgamentos de verificação de cenas, solicitamos aos participantes que avaliassem a naturalidade de uma descrição de uma imagem que contém ou duas pessoas envolvidas num mesmo evento com o mesmo objeto (por exemplo, dois personagens andando num mesmo ônibus) ou duas pessoas envolvidas em diferentes eventos com objetos distintos (por exemplo, dois personagens andando em dois ônibus diferentes); chamadas de cenas de uma e duas ocorrências (no original, tokens, N.T.), respectivamente. Se os sintagmas definidos nominais fracos não denotam univocamente, as cenas de duas ocorrências devem ser avaliadas como mais naturais, quando comparadas a uma descrição contendo um definido regular. Cenas de uma ocorrência foram incluídas para excluir a possibilidade dos efeitos se deverem simplesmente à plausibilidade ou familiaridade dos eventos (andar de ônibus versus andar de bicicleta) e como eles eram descritos. Também comparamos as avaliações de descrições contendo indefinidos (singulares), correspondentes às descrições que contêm definidos regulas e fracos (singulares), numa primeira tentativa para distinguir qual o papel que os artigos definido e indefinido podem ter em construções que permitem leituras definidas fracas.

Trinta e três membros da comunidade da Universidade de Rochester foram pagos para participar desse experimento. Todos eram falantes nativos do inglês americano com visão normal ou corrigida para normal.

O Experimento 2 usou um design 2x2x2, cruzando o número de ocorrências descritas na cena (uma ou duas) com o tipo de artigo (definido ou indefinido) e com o tipo de nome (regular ou fraco). Vamos chamar de “indefinido fraco” a condição em que um nome fraco é expresso com um artigo indefinido. As descrições foram construídas usando como sujeito um sintagma nominal com conjunção, como em (5) abaixo:

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(12) Dean and Anne rode a/the bike/bus.

Dean e Anne pegaram uma/a bicicleta/ônibus.

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As descrições foram pareadas com ilustrações que mostravam ou uma ou duas ocorrências do nome em análise (por exemplo, bike “bicicleta” ou bus “ônibus”). Um exemplo de cada tipo aparece nos painéis à esquerda e à direta da Figura 2.

Figure 3.

Nas condições com uma ocorrência, esperávamos que todas as combinações de nome/artigo fossem avaliadas naturalmente; é perfeitamente feliz usar a bike (“uma bicicleta”), the bike (“a bicicleta”), a bus (“um ônibus”) ou the bus (“o ônibus”) para descrever uma cena em que há uma única bicicleta, ou somente um ônibus. É nas condições com duas ocorrências que antecipamos que as diferenças devem surgir. Especificamente, predizemos que os participantes vão avaliar as cenas de duas-ocorrências como correspondências ruins para as descrições definidas. Por exemplo, Dean and Anne rode the bike (“Dean e Anne pegaram a bicicleta”) não é uma descrição ideal para um desenho mostrando Dean e Anne andando cada um em uma bicicleta, já que em tal cena, o sintagma nominal definido não refere de maneira unívoca. No entanto, se definidos fracos, por hipótese, não denotam univocamente e parecem ser neutros para número, as sentenças com definidos fracos deveriam corresponder preferencialmente às cenas com duas-ocorrências sendo, portanto, avaliadas positivamente, já que a falta de referente único não deve fazer diferença.

Para os sintagmas definidos regulares, os indefinidos servem para checar a força da manipulação. Esperamos que, para os nomes que permitem somente a interpretação do definido regular, os indefinidos devem ser avaliados como melhores do que os definidos para as cenas com duas-ocorrências, enquanto que nenhuma diferença é esperada entre os indefinidos e os definidos para nomes que permitem a referência fraca. Os distratores foram construídos para criar pares sentença/ cena para as quais há ou uma correspondência semântica clara ou uma discordância clara.

As cenas e as sentenças foram apresentadas simultaneamente no monitor de um computador. Os participantes foram instruídos a avaliar a adequação das descrições escritas para cada imagem numa escala de sete pontos, com o sete sendo o mais apropriado. Os participantes participaram de três práticas de teste durante as quais poderiam fazer perguntas e tirar dúvidas com o experimentador antes de começar o experimento propriamente dito.

Como esperado, quando somente uma ocorrência do nome em análise estava no desenho, todas as descrições foram avaliadas como altamente apropriadas (com médias de 6 ou acima). Para as imagens de duas-ocorrências, as avaliações dependeram tanto do tipo do nome (fraco ou regular), quanto do tipo do artigo (definido ou indefinido). Encontramos uma interação significativa de três fatores, o número de ocorrências, o tipo do artigo e o tipo do nome (ß=-0.46, SE=0.15, p<0.01). Essa interação em forma de tríade surge porque os efeitos do tipo do artigo e do tipo do nome só aparecem nas imagens com duas- ocorrências.

Conduzimos, então, análises usando somente testes com dois dados desenhados. Como antecipado, os nomes regulares receberam avaliação de naturalidade mais baixa do que os definidos fracos; os sintagmas nominais com definidos fracos (por exemplo, rode the bus “pegou o ônibus”) receberam as avaliações mais altas de aceitabilidade (valor médio = 4.82). Os indefinidos fracos (por exemplo, rode a bus “pegou um ônibus”) foram avaliados muito pouco abaixo dos definidos fracos (valor médio = 4.71) e ainda mais abaixo ficaram os indefinidos regulares (por exemplo, rode a bike “pegou uma bicicleta”) (valor médio = 4.24); já os definidos regulares (por exemplo, rode the bike “pegou a bicicleta”) foram os menos aceitáveis (valor médio = 3.67). No geral, nossos resultados indicam que os nomes que permitem a referência fraca são geralmente mais aceitáveis com imagens de duas-ocorrências do que nomes que não permitem tal interpretação e que essa diferença é maior entre os sintagmas nominais definidos do que entre os indefinidos. Os definidos regulares são significativamente menos aceitos com essas cenas do que os indefinidos regulares; no entanto, isso não é verdade para os nomes fracos, em que os definidos são numericamente, mas não estatisticamente, melhores do que os indefinidos para descrever cenas com duas-ocorrências.

Nossos resultados dão mais suporte para a hipótese de que os definidos fracos não denotam univocamente do modo como os definidos regulares o fazem. Mas os resultados para os indefinidos fornecem uma imagem mais complexa. Os indefinidos fracos foram avaliados como um pouco mais aceitáveis, com dois referentes, do que os indefinidos regulares e receberam valores similares àqueles dos definidos fracos. Quando o nome pode receber uma leitura fraca, não parece importar muito (para essa tarefa) se o sintagma nominal é definido ou indefinido. Lembre-se de que uma nova predição da análise via incorporação é que mesmo quando pareados com um artigo definido, nomes que permitem uma interpretação definida fraca devem ser preferencialmente interpretados como evocando um evento de tipo convencional e não um indivíduo. Isto é, na sentença Jerome and Sandy rode a bus (“Jerome e Sandy pegaram o ônibus”), a atividade de andar de ônibus, e não qualquer entidade ônibus específica, está sendo evocada (se há de fato “indefinidos fracos” juntamente com “definidos fracos”), praticamente da mesma forma que os NPs definidos fracos correspondentes (por exemplo, the bus “o ônibus”) parecem não denotar univocamente. Exploramos ainda mais a relação entre definidos fracos e indefinidos fracos no Experimento 3.

2.3 Experimento 3

Os resultados dos Experimentos 1 e 2 dão suporte para a hipótese de que os NPs definidos fracos não denotam univocamente objetos dados. Isso é consistente com a abordagem de referência à espécie, que também explica o enriquecimento. Os resultados não respondem diretamente a questão sobre quais interpretações os intérpretes atribuem aos NPs definidos fracos. Uma hipótese, que é consistente com os Experimentos 1 e 2, é que as construções com definido fraco (não o próprio NP definido) descrevem um evento ou uma atividade típicos, o que bloqueia a possibilidade de ter como uma parte constituinte um referente discursivo individual (senão ele não seria um tipo (type) com a generalidade apropriada). Como resultado, as construções com o definido fraco veiculam informação associada com a atividade. Quando dizemos que essa pessoa está fisicamente no hospital (in the hospital), parece que veiculamos não apenas que ela está fisicamente no hospital, mas também que ela está recebendo tratamento médico. De fato, os definidos fracos mais coloquiais (como the slammer “a prisão” em (13)) mostram enriquecimento tão saliente que se torna difícil cancelar ou passar por cima da interpretação enriquecida, como demonstrado no contraste entre (13a) e (13b). Em (13a), que é completamente feliz, a segunda sentença é consistente com a interpretação enriquecida (isto é, ser condenado). Em contraste, (13b), em que a segunda sentença favorece fortemente a leitura regular do definido, é marcadamente estranha:

(13)

a. The plumber was in the slammer, because he didn’t pay his taxes.

O encanador foi para a prisão porque ele não pagou seus impostos.

b. The plumber was in the slammer, because a pipe burst in cellblock 4.

O encanador foi para a prisão, porque o cano estourou no bloco 4.

.

O Experimento 3 testa explicitamente a hipótese do enriquecimento para, baseado nessa observação, examinar se as associações convencionais de um evento, tal como ir para o hospital para receber tratamento médico, irão cancelar as propriedades específicas normalmente associadas com os agentes, tal como o carteiro entregar a correspondência.

Com respeito às construções com o definido fraco, parece haver duas categorias principais de enriquecimento: algumas parecem veicular que a atividade é uma atividade comumente exercida (por exemplo, play the piano (“tocar (o) piano”), read the newspaper (“ler o jornal”), walk the dog (“passear com o cachorro”)), enquanto outras, particularmente aquelas denotando destinos, (e.g. (go) to the store (“ir no mercado”), (be) at the store (“estar no mercado”), (go) to the hospital (“ir pro hospital”), (be) in the hospital (“estar no hospital”), etc.) expressam enriquecimentos relacionados ao serviço típico recebido naquele lugar. Escolhemos restringir nossos esforços a este último conjunto de definidos fracos por razões práticas: cenários em que as pessoas visitam um destino por razões não convencionais são mais plausíveis do que cenários similares para definidos normalmente associados às atividades exercidas. Por exemplo, um carteiro indo a uma loja para entregar a correspondência ao invés de ir para fazer compras não é estranho da mesma forma que é estranho uma pessoa pegar o lixo para mostrar para os vizinhos (e não para jogar fora). Para os nossos itens, escolhemos agentes fortemente associados com suas atividades prototípicas (por exemplo, carteiro, taxista, o cara da pizza, etc.), como em (14):

(14) The FedEx driver had to go to the farm/hospital.

O motorista do FedEx teve que ir para a fazenda/para o hospital.

.

Em (14), quando o destino é um definido regular (the farm “a fazenda”), inferimos que o motorista do FedEx está fazendo uma entrega na fazenda (fazer entregas é uma atividade típica de um motorista do FedEx). Mas se, como é a nossa hipótese, os definidos fracos servem para introduzir significados semanticamente enriquecidos relacionados a eventos convencionais associados com o nome, quando o destino do motorista é um sintagma nominal definido fraco (como the hospital (“o hospital”)), os intérpretes devem inferir que o motorista do FedEx precisava de tratamento médico e não estava fazendo uma entrega no hospital. Dessa forma, os definidos fracos influenciam o que os ouvintes entendem que essas sentenças representam: as assunções dos ouvintes baseadas no agente devem ser bloqueadas pelos sentidos enriquecidos dos definidos fracos, que podem, por sua vez, afetar a representação mental de um evento descrito.

2.3.1 Experimento 3a

Dezoito membros da Universidade de Rochester foram pagos para participar desse experimento. Todos eram falantes nativos do inglês americano. O Experimento 3a comparou definidos fracos a definidos regulares numa tarefa com estilo de entrevista, na qual se pediam aos participantes as interpretações de sentenças como em (14). Nossos itens experimentais foram construídos por pares aleatórios da forma nome/ sujeito de uma lista de agentes que exercem atividades prototípicas bem conhecidas, com um objetivo de destino aleatório, retirado de uma lista de lugares que funcionam como definidos fracos. Um pareamento entre o destino e o definido regular foi escolhido para ser a base da comparação para os definidos fracos.

Os participantes sentavam-se num computador no laboratório e um assistente de pesquisa, que servia como o “entrevistador”, estava sentado num outro computador. O participante e o entrevistador podiam ver e conversar um com o outro, mas não podiam ver a tela um do outro.

Os participantes foram instruídos a ler as sentenças apresentadas na tela do computador e visualizar a cena que a sentença descrevia. O entrevistador perguntava então ao participante uma pergunta sim/ não para estabelecer se o participante tinha imaginado uma cena em que o agente da sentença está engajado no seu papel prototípico. O entrevistador gravava cada resposta sim/não que acabava de ser dada. Ele então pedia ao participante para descrever a cena que este tinha imaginado. Um exemplo do teste aparece em (15):

.

(15) Texto na Tela: The Fed Ex driver had to go to the farm/ hospital.

O motorista do Fed Ex teve que ir à fazenda/ao hospital. RA: O motorista do Fed Ex estava fazendo uma entrega na cena que você imaginou?

[O sujeito responde sim ou não]

RA: Descreva a cena que você imaginou.

[O participante responde descrevendo a cena com suas próprias palavras]

.

Esse método permitiu acessar se o uso de um definido fraco como o destino resultaria em uma leitura enriquecida que “cancelaria” as inferências sobre as atividades prototípicas do agente. Isto é, poderíamos examinar se os pacotes a serem entregues ou ter tratamento médico emergiam como a inferência mais forte.

2.3.1.1 Resultados

Os participantes foram mais propensos a responder “não” (indicando que eles não imaginaram o agente engajado em sua atividade prototípica) quando eles leram sentenças com os definidos fracos do que quando eles leram sentenças com os definidos regulares (71% respostas “não” vs. 40% respostas “não”).

Nossos resultados demonstram que após ler uma sentença contendo um destino com definido fraco, os participantes eram mais propensos a dizer que o agente não estava engajado no seu papel convencional ou na atividade prototípica na cena que eles imaginaram, e após ler uma sentença contendo um definido regular, eles eram mais propensos a dizer que o agente estava desempenhando seu papel convencional. Esse padrão é consistente com a hipótese de que os definidos fracos evocam uma atividade canônica de tipo (type) e que esse enriquecimento frequentemente cancela inferências ligadas ao evento que são transmitidas pelo agente da sentença.

As descrições dadas pelos participantes forneceram mais evidência de que o enriquecimento dirige a diferença de respostas “sim” e “não” entre os definidos fracos e os definidos regulares. Por exemplo, nossas anotações das respostas indicam que quando os participantes respondiam “não” para a pergunta direta em (15), eles quase sempre davam descrições em que alguma motivação típica da atividade de ir para o hospital era mencionada (por exemplo, “o motorista ficou doente”, “o motorista se machucou”); essas respostas foram as mais comuns com os nomes de destino com definido fraco. As respostas “sim” nos nossos dados eram quase sempre associadas com descrições nas quais associações típicas com o agente eram mencionadas (for exemplo, “o motorista tinha que fazer uma entrega”, “o motorista estava entregando um pacote”); tais respostas eram mais propensas a ocorrer quando o nome do destino não permitia uma interpretação fraca, tal como the farm (“a fazenda”).

2.3.2 Experimento 3b

Lembre-se de que a teoria da incorporação prediz que deve haver sintagmas nominais indefinidos fracos. Se esse é o caso, então nomes que podem ter interpretação definida fraca também se prestam, mais provavelmente, para serem interpretados de uma maneira enriquecida quando pareados com o artigo indefinido. O Experimento 3b examina as interpretações dos indefinidos fracos usando o mesmo método que foi usado no Experimento 3a.

Dezesseis membros da comunidade da Universidade de Rochester foram pagos para participar desse experimento. Todos eram falantes nativos do inglês americano. O Experimento 3b usou o mesmo design e materiais do Experimento 3a, com a exceção de que o artigo definido em cada item foi substituído pelo artigo indefinido.

Vemos um padrão similar de resultados no Experimento 3b com relação ao que vimos no Experimento 3a; no geral, participantes deram mais respostas “não” com os indefinidos fracos do que com os indefinidos regulares (71.1% e 49% de respostas “não”, respectivamente). Esses resultados são relevantes, mas marginalmente significativos (p<0.06). No entanto, quando combinamos os resultados dos Experimentos 3a e 3b e os analisamos da mesma maneira, com o tipo do artigo (ou definido ou indefinido) como um efeito adicional fixo, não encontramos uma interação significativa entre o tipo nominal do sintagma e o tipo do artigo.

Então, quando os participantes liam uma sentença com um “indefinido fraco” (isto é, um artigo indefinido mais um nome que pode resultar numa leitura fraca com o definido), eles eram mais propensos a dizer que o agente não estava desempenhando seu papel canônico na cena imaginada. Isso é consistente com a ideia de que esses nomes fracos devem ser preferencialmente interpretados como veiculando um sentido enriquecido, mesmo quando pareadas com um artigo indefinido. As descrições dadas pelos participantes também dão suporte para essa ideia, já que elas mostram o mesmo padrão do Experimento 3a: quando o participante responde com “não” para a pergunta direta, ele ou ela quase sempre inclui informações, na sua descrição, relacionadas à atividade associada como o nome do destino, como no Experimento 3a. Também fizemos um experimento de follow-up para responder a algumas críticas potenciais a esse experimento. Ele mostrou os mesmos resultados.

2.4 Experimento 4

A abordagem da incorporação permite predizer que os nomes que aparecem nos sintagmas definidos fracos têm também leituras indefinidas fracas nos mesmos contextos sentenciais, e os dados do Experimento 3b, e em menor medida os do Experimento 2, dão suporte a essa hipótese. A leitura típica de um sintagma nominal definido veicula uma propriedade envolvendo algum indivíduo univocamente identificado e, portanto, difere claramente da leitura típica de um sintagma nominal indefinido. A leitura fraca dos definidos, no entanto, é muito semelhante em termos de condições de verdade à de um indefinido regular. Qual é então, se é que há alguma, a contribuição do artigo definido para o significado do definido fraco?

Apontamos anteriormente que se a construção fraca é algo próximo da semântica de um indefinido regular, começa a parecer que o artigo definido não está contribuindo em nada, ou (talvez) ao invés disso, está contribuindo com o valor de um indefinido ao NP. No entanto, a hipótese da incorporação sugere que os artigos definidos e indefinidos dão suas contribuições normais se assumimos que a estrutura composicional é ARTIGO (V(N)). Isto é, o efeito semântico do artigo depende do conteúdo da interpretação incorporada, incluindo material contextualmente relevante e não apenas a interpretação do nome.

Como já notado, concorda-se em geral que a definitude tem o efeito semântico de fazer referência ou a entidades já velhas no discurso ou únicas ou familiares (Heim, 1982; Kadmon, 1999; Roberts, 2003) e que os indefinidos introduzem entidades novas ou “não familiares”. Assim, nessa abordagem não é the train (“o trem”) que é familiar (ou não familiar), mas ao invés disso a ação de pegar-trem que é tomada como já conhecida. Nessa visão, a distinção entre take the train (“pegar o trem”) e take a train (“pegar um trem”) deveria então se reduzir a algo sutil: se a instanciação de pegar-trem é implicada como sendo uma instanciação “familiar” (algo que se faz regularmente) ou uma instanciação “não familiar” (isto é, pegar-trem está fora do domínio dos hábitos familiares de alguém). O Experimento 4 foi concebido para fornecer um teste preliminar para essa hipótese, verificando se poderíamos fazer emergir uma diferença de familiaridade entre os definidos fracos e indefinidos com nomes que podem hospedar leituras fracas no definido.

Vinte e quadro falantes adultos do inglês, sem conhecimento técnico, participaram voluntariamente desse estudo pago através da Amazon Mechanical Turk. Criamos cenários nos quais duas localizações diferentes foram estabelecidas por um “falante” ficcional, sendo uma das localizações usual ou de casa, e sendo a outra uma localização visitada menos frequentemente. Na sentença final de cada cenário, esse personagem, com suporte numa narrativa baseada em um texto, proferia ou um definido fraco ou a sua contraparte indefinida, como no exemplo a seguir:

Kent lives in coastal North Carolina with his parents. One of his favorite pastimes is collecting seashells, and he picks them up whenever he has the chance. Twice a year, the family travels to coastal Florida to visit his grandparents.

Kent mora na Costa da Carolina do Norte com seus pais. Um de seus passatempos favoritos é colecionar conchas e ele sempre as pega quando tem oportunidade. Duas vezes por ano, a família viaja para a costa da Florida para visitar seus avós.

.

Kent wrote an email to his friend, saying: “I went to the beach last weekend.”

Kent escreveu uma mensagem para seu amigo, dizendo: “Fui para a praia no final de semana passado.”

.

Where do you think he was? [Listed along a scale from the less to the more familiar location]

Onde você acha que ele estava? [Assinale na escala as localizações do menos para o mais familiar]

.

1. Definitely in Florida

Definitivamente na Flórida

2. Probably in Florida

Provavelmente na Flórida

3. Maybe in Florida

Talvez na Flórida

4. Probably in North Carolina

Provavelmente na Carolina do Norte

5. Definitely in North Carolina

Definitivamente na Carolina do Norte

.

If instead he had written, “I went to a beach last weekend.” Would he be:

Se ele tivesse escrito: “Eu fui para uma praia na semana passada.” Seria:

.

1. More likely to be in Florida

Mais provavelmente na Flórida.

2. Less likely to be in Florida

Menos provavelmente na Flórida.

.

Para tornar o teste concreto, assumimos que, numa localização familiar, a atividade seria mais comum. Aos participantes foi solicitado que eles dessem a sua interpretação da fala de Kent usando uma escala de 5 pontos, e de modo análogo para os demais casos. Apresentamos então uma versão da sentença com o determinante alterado e indagamos se a sentença alterada veiculava que o falante tinha mais ou menos probabilidade de estar na localização secundária. Essa questão “alterada” final, que forçava duas alternativas, permitia testar as intuições do falante sobre a distinção em significado veiculada pelo artigo definido versus o indefinido usado em uma construção fraca.

2.4.1 Resultados

Encontramos uma diferença significativa para a primeira pergunta dependendo de se o proferimento inicial continha uma construção com um definido fraco ou sua contraparte indefinida: a avaliação média para os definidos fracos iniciais foi 3.7, enquanto que a avaliação média para os indefinidos fracos iniciais foi 3.1, indicando que o definido fraco foi avaliado como denotando a atividade numa localização mais familiar ou primária. Entre as respostas para a segunda pergunta “alterada” também encontramos uma diferença significativa entre aqueles cenários em que a alteração era de um indefinido fraco para um definido fraco. No primeiro caso, os participantes escolheram “1” (a resposta correspondente a ser mais provável estar em sua localização menos usual) 85% das vezes, enquanto que no último, os participantes escolheram “1” somente 35% das vezes. Em outras palavras, uma mudança do indefinido para o definido foi interpretada como indicando que o protagonista estava mais provavelmente numa localização familiar, enquanto que a mudança de um definido para um indefinido foi interpretada como indicando que o protagonista estava mais provavelmente numa localização menos familiar.

Definidos fracos e indefinidos fracos diferem em familiaridade. Tomados juntos, esses dados sugerem que os participantes intuem que o uso do artigo definido em um sintagma nominal definido fraco veicula um elemento de expectativa ou familiaridade, enquanto que o uso de um artigo indefinido com o mesmo nome veicula falta de familiaridade ou tipicidade que pertence ao contexto maior da ocorrência do que ao próprio tipo de atividade. Isso indica que pelo menos alguns aspectos do significado tipicamente veiculado pelo artigo definido se mantêm nos sintagmas nominais definidos fracos e que, embora tanto o definido fraco quanto o indefinido fraco veiculem significados enriquecidos semelhantes centrados em eventos ou atividades convencionais, eles evocam interpretações sutilmente diferentes relacionadas à semântica convencional do artigo definido e indefinido.

Conclusão

Os resultados experimentais indicam que os dados quantitativos de testes comportamentais permitem distinguir claramente as duas classes de interpretações. Disso tudo, lembre-se que praticamente qualquer NP interpretado fracamente pode também ter uma leitura regular perfeitamente legítima e plausível: ao usar definidos fracos não temos nunca certeza de que os sujeitos selecionaram necessariamente essa leitura. No entanto, parece que em muitas, possivelmente a maioria, das ocasiões, eles fizeram isso. Os resultados apresentados apontam para a visão da “incorporação”, porque a análise realça o tipo de evento, mas não cancelam outras análises que atribuem a definitude ao NP e que também permitem leituras de um evento tipo convencional. O resultado que parece mais contundente é a possibilidade de que haja indefinidos fracos, além dos definidos fracos. Obviamente, muito mais trabalho precisa ser feito para determinar o que exatamente está acontecendo com os indefinidos. A hipótese mais forte é que há efetivamente indefinidos “incorporados” além dos definidos fracos “incorporados”, mas isso não nos explica de imediato por que os resultados no Experimento 3 são atenuados em confronto com os definidos. Poderia ser que os indefinidos fracos e os indefinidos regulares têm condições de verdade tão parecidas que é difícil separá-los e, portanto, eles interferem um no outro em tarefas de julgamento de uma maneira que os definidos não interferem, sendo mais facilmente distinguíveis intuitivamente em suas interpretações. Ou, poderia ser que a estrutura do definido fraco interfira com os indefinidos fracos na formulação de julgamentos e esse é um efeito de epifenômeno. Nosso Experimento 4 sugere que esse não é o caso, mas claramente mais trabalho e mais dados, de todos os tipos, são bem vindos na tentativa de alcançar mais clareza.

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