Resumo

Este artigo apresenta uma proposta representacional para explicar a variabilidade em marcas fonológicas de plural no Português Brasileiro (PB) com ênfase na morfologia nominal. A proposta a ser apresentada argumenta que não há supressão, omissão ou cancelamento de marca fonológica de plural, mas sim o relacionamento entre marcas fonológicas de plural em contextos específicos, as quais se organizam dentro dos limites das possibilidades gramaticais do PB. A análise adota os Modelos Multirrepresentacionais. Buscou-se avaliar as seguintes questões: 1) POR QUE a marca de plural pode deixar de ocorrer?, 2) COMO a marca de plural pode deixar de ocorrer?, 3) QUANDO a marca de plural pode deixar de ocorrer?

Introdução

Este artigo apresenta uma proposta representacional para explicar a variabilidade em marcas fonológicas de plural no Português Brasileiro (PB). O fenômeno opcional de ausência de marca de plural no PB tem suscitado amplo debate na literatura devido a sua relação com a organização gramatical (SCHERRE, 1998; SCHERRE & NARO, 2003; DUARTE, 1996; GUY 1981 e GUY, 1989). Ou seja, o fenômeno está relacionado com aspectos semânticos, sintáticos, morfológicos e fonológicos. Assim, em um sintagma nominal a marca de plural pode ocorrer em todos os constituintes, ou seja, no artigo, no substantivo e no adjetivo ou a marca de plural é preservada somente no constituinte mais à esquerda do sintagma nominal1 “os meninos bonitos” e “os menino bonito”, ou “uns dias alegres” e “uns dia alegre”. Por outro lado, nos verbos a natureza singular ou plural da flexão de número é expressa pelo pronome pessoal ou pelo sujeito (simples ou composto). Por exemplo, os sintagmas verbais “nós ficamos” ou “Maria e José cantavam” apresentam indicação de plural no pronome ou no sujeito composto e também ocorre indicação fonológica de plural na flexão verbal. Entretanto, a marca fonológica de plural pode, opcionalmente, não ocorrer na flexão verbal, como em: “nós ficamo” ou “Maria e José cantava”.

Destacamos que este artigo pretende apresentar uma proposta representacional para explicar a variabilidade em marcas fonológicas de plural. Ou seja, avaliaremos uma categoria gramatical – de plural – que pode ou não ter correlato fonológico em uma língua particular que neste estudo de caso será o PB. A proposta que será apresentada, neste artigo, argumenta que não há supressão, omissão ou cancelamento de marca fonológica de plural. Ocorre, de fato, a relação entre marcas fonológicas de plural em contextos específicos as quais se organizam e reorganizam dentro dos limites das possibilidades gramaticais do PB. Em outras palavras, sugerimos que a Gramática do PB expressa a variabilidade em marcas fonológicas de plural através de mecanismos de auto- organização que são inerentes aos sistemas dinâmicos.

Neste artigo restringiremos a análise aos substantivos e adjetivos2. A análise adota a perspectiva teórica dos Modelos Multirrepresentacionais que incluem o Modelo de Redes (BYBEE 1985, 1995); a Fonologia de Uso (BYBEE, 2001, 2010) e a Teoria de Exemplares (JOHNSON, 1997; PIERREHUMBERT, 2001). Pretendemos avaliar as seguintes questões: 1) POR QUE a marca de plural pode deixar de ocorrer?, 2) COMO a marca de plural pode deixar de ocorrer?, 3) QUANDO a marca de plural pode deixar de ocorrer?

A resposta a estas questões está, aparentemente, em conflito com a proposta apresentada neste artigo que argumenta que não há supressão, omissão ou cancelamento de marca fonológica de plural. Entendemos que as questões formuladas acima pretendem, de fato, explicar a variabilidade em marcas fonológicas de plural no PB avaliando os princípios gramaticais que determinam as condições em que estas podem deixar de ocorrer. Portanto, não é o caso de uma marca de plural ser suprimida, omitida ou cancelada, mas ela pode ou não deixar ocorrer. Argumentamos que, se a marca fonológica de plural ocorre ou deixa de ocorrer, depende da organização gramatical que tem natureza dinâmica, com padrões emergentes que se auto-organizam constantemente (BECKNER et al. 2009; BYBEE, 2010; WANG, 2011).

Ênfase será dada ao debate relativo ao primeiro tópico, buscando explicar porque a marca fonológica de plural pode deixar de ocorrer. Destacamos que em modelos baseados no uso a organização gramatical tem base na experiência e, portanto, a motivação para os fenômenos gramaticais deve ter relação estrita com o uso linguístico. Espera-se que as reflexões apresentadas neste artigo possam contribuir para o debate atual sobre a natureza das representações mentais (BYBEE, 2010; PIERREHUMBERT, 2010; PORT, 2007; WANG, 2011).

Este artigo tem a seguinte organização. Após esta Introdução serão discutidos os princípios gerais da formação de plural nominal no PB. Na seção seguinte os Modelos Multirrepresentacionais são apresentados, bem como a sua relevância para o debate em tela. A seção que seguirá avalia como esta perspectiva teórica pode contribuir para uma maior compreensão da variabilidade em marcas fonológicas de plural do PB, buscando explicar a natureza gramatical que motiva e implementa tal variabilidade. Finalmente, a conclusão aponta as contribuições pretendidas e indica caminhos futuros para investigação.

1.  Formação de Plural no Português Brasileiro

Esta seção apresenta as principais características da formação de plural nominal no PB por serem estes os dados primários da análise a ser apresentada neste artigo. A Tabela 1 ilustra os tipos de formação de plural nominal no PB e indica a variabilidade em marcas fonológicas de plural associada a cada tipo.

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TABELA 1 – Tipos de formação de plural nominal no português brasileiro

Tipo de Plural Singular Plural
(a) S plural ? “o menino” “o s menino s ” e “o s menino”
(b) metafonia “um r[o]sto” “un s r[ɔ]sto s ” e “un s r[o]sto”
(c) ão final: ÃO> ãos “um irmão” “un s irm ãos ” e “un s irmão”
(d) ão final: ÃO> ões, ães “um leão” “un s le ões ” e “un s leão”
(e) R em final de palavra “a flor” “a s flor es ” e “a s flor”
(f) S em final de palavra “o mês” “o s mes es ” > “o s mês”
(g) L em final de palavra “o sal” “o s sa is ” > “o s sal”
(h) ausência de morfema “o pires” “o s pires”>”o s pires”

Em (a,b,c) temos que a formação de plural se dá com o acréscimo do morfema |s| de plural: meninos, rostos e irmãos. O caso de (a) é o mais recorrente no PB e é assumido ser a marca regular de plural nominal. O caso em (b) requer que o plural receba o morfema |s| e há também alteração na qualidade vocálica da vogal média tônica que passa a ser aberta. O caso (c) tem a formação de plural com acréscimo de |s| e poderia ter sido agrupado com o caso (a). Contudo, optamos por separá-lo uma vez que o plural de substantivos terminados em -ão têm sido foco de debate constante na literatura. Isto porque alguns casos de plural terminados em -ão, como os ilustrados no item (d), apresentam formação de plural distinta: 1) ou pode ocorrer alteração no radical sendo que há supressão da vogal temática final e o acréscimo de |is| como em leão>leões ou 2) pode não ocorrer alteração no radical sendo que há supressão da vogal temática final e o acréscimo de |is| como em capitão>capitães. A formação de plural em (e,f) requer o acréscimo de |is| sendo que em ambos os casos ocorre a alteração segmental no segmento final do radical: em (e) o rótico que ocorre no fim dos nomes passa a se manifestar como um tepe e em (f) uma sibilante desvozeada passa a ocorrer como vozeada e alveolar3. No caso de (g) ocorre alteração no radical devido à supressão da consoante lateral – que pode ou não ser vocalizada - e acrescenta-se |is| ao substantivo. Finalmente, há o caso de (h) em que não há marca segmental expressa para o plural e não ocorre alteração no radical. Podemos, portanto, agrupar em três categorias a formação de plural no PB dependendo do tipo de sufixo e se há ou não alteração no radical nominal. Para efeito de separar as categorias destacamos em cinza a categoria que recebe o morfema |is| na Tabela 2:

Table 2.

TABELA 2 - Categorias de Formação de plural nominal no português brasileiro

Tipo de Plural Morfema Alteração no radical
(a) S plural |s| não
(b) metafonia |s| sim
(c) ão final: ÃO> ãos |s| não
(d) ão final: ÃO> ões, ães |is| sim
(e) R em final de palavra |is| sim
(f) S em final de palavra |is| sim
(g) L em final de palavra |is| sim
(h) ausência de morfema zero não

A Tabela 2 indica que na formação nominal de plural pode ocorrer a adição do morfema |s| como em (a-c), ou pode ocorrer a adição do morfema |is| como em (d-g). Finalmente, a marca segmental para indicar a formação de plural – como em (h) pode não ter manifestação sonora. Adicionalmente, pode não ocorrer alteração no radical nominal como em (a), (c) e (h), ou pode ocorrer alteração no radical como nos demais casos. Portanto, estão em jogo dois parâmetros: o tipo de material segmental a ser adicionado na formação do plural nominal e se há ou não alteração no radical nominal.

Com relação ao tipo de sufixo de formação de plural nominal alguns trabalhos sugeriram que os morfemas |s| e |is| são manifestações de um único marcador morfológico de plural. Portanto, |s| e |is| poderiam ser considerados alomorfes de formação de plural nominal cuja distribuição seria previsível pelo tipo de raiz nominal. Poderíamos também sugerir, adicionalmente, um alomorfe zero, sem manifestação segmental, para os casos de (h) (CAMARA JR., 1970).

Com relação às possíveis alterações segmentais na raiz nominal estas podem ser atribuídas aos ajustes de boa formação fonológica (BISOL, 1996; CRISTÓFARO-SILVA, 1999). Esta solução pode implicar na postulação de representações com alto grau de abstração. Seria o caso, por exemplo, de sugerir raízes nominais como |leon+e| para leão (CAMARA JR., 1970, CALLOU & LEITE, 1990). Os ajustes para adequar a representação |leon+e| à forma fonética correspondente a leão decorreriam do processamento fonológico. Considerando-se a complexidade da formação de plural nominal no PB este artigo pretende oferecer uma análise global sobre este tema, a qual é baseada nos Modelos Multirrepresentacionais.4 Este artigo pretende considerar as seguintes questões no âmbito fonológico:

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  • 1) POR QUE a marca de plural pode deixar de ocorrer?
  • 2) COMO a marca de plural pode deixar de ocorrer?
  • 3) QUANDO a marca de plural pode deixar de ocorrer?
  • .

    A linha de investigação a ser defendida é que os correlatos fonológicos de marca de plural em português se organizam e se reorganizam em contextos específicos dentro das possibilidades gramaticais do PB. Argumentamos que os vários componentes gramaticais são articulados em redes alinhavadas que implementam a dinamicidade das línguas naturais, criando estruturas estáveis e gerenciando a variabilidade (BYBEE, 1985, 1995, 2001; PIERREHUMBERT, 2010; WANG, 2011). A próxima seção apresenta os Modelos Multirrepresentacionais para subsidiar a análise a ser apresentada posteriormente.

    2. Modelos Multirrepresentacionais

    Este artigo tem como perspectiva teórica o Modelo de Redes (BYBEE, 1985, 1995), a Fonologia de Uso (BYBEE, 2001, 2010) e a Teoria de Exemplares (JOHNSON, 1997; PIERREHUMBERT, 2001). Faremos referência ao conjunto destes modelos como Modelos Multirrepresentacionais, os quais sugerem que a organização gramatical opera em redes interconectadas que refletem o uso real da língua. Estas abordagens sugerem que as línguas consistem em sistemas adaptativos complexos que envolvem a interação entre unidades e módulos gramaticais que geram complexidade estrutural e interacional em vários níveis (GONG & COUPÉ, 2011: 370). Em consonância com esta proposta teórica a organização gramatical é compreendida como tendo natureza dinâmica, com padrões emergentes que se auto-organizam constantemente (BECKNER et al., 2009). Consequentemente, as descrições linguísticas refletem um retrato estático do momento da investigação.

    Os Modelos Multirrepresentacionais sugerem que o armazenamento linguístico de itens lexicais opere em vários níveis representacionais que são interconectados e cuja auto- organização é dinâmica e estreitamente relacionada com o uso. As associações das redes operam em relação com níveis fonéticos e semânticos que interagem entre si. O armazenamento linguístico incorpora informações redundantes como, por exemplo, detalhes fonéticos finos, bem como índices de frequência lexical que são relacionados ao uso linguístico. Portanto, itens lexicais podem se conectar em várias redes de associações distintas que se auto-organizam de maneira diferenciada, embora interconectadas entre si. Nesta perspectiva o léxico é o locus da organização gramatical. Argumenta-se que a organização lexical é articulada em vários níveis de abstração como, por exemplo, padrões fonotáticos, morfológicos, semânticos.

    A discussão sobre a organização de marcas fonológicas de plural do PB contribui, portanto, com o debate sobre a natureza do conhecimento gramatical em geral e, mais especificamente, com os seguintes pontos teóricos propostos pelos Modelos Multirrepresentacionais:

  • O conhecimento linguístico é baseado em uso (experiência) e é gerenciado probabilisticamente em vários alinhavos em redes.
  • Representações linguísticas contêm informações redundantes que contribuem para o processo de categorização e organização das representações mentais.
  • Processos dinâmicos gerenciam as línguas naturais criando estrutura e variabilidade.
  • Para ilustrarmos a multirrepresentacionalidade dos modelos teóricos que adotamos apresentamos a seguir um diagrama da organização de alguns verbos do PB. Tal diagrama pretende ilustrar um esquema de organização em vários níveis gramaticais. Para tal fim o esquema faz uso de notações clássicas da descrição linguística como consoantes, vogais ou categorias morfológicas. Entretanto, nos modelos multirrepresentacionais vogais e consoantes são compreendidas como rotinas motoras com correlatos físicos (acústicos) que têm representação cognitiva (Gramática). Portanto, a Gramática tem natureza dinâmica por ter relação direta com a motricidade. Desta maneira, qualquer tentativa representacional, como da rede ilustrada na Figura 1, terá dificuldade em captar a dinamicidade e a complexidade das representações cognitivas. Embora a Figura 1 tenha representação estática, ela ilustra a interconectividade entre as várias dimensões gramaticais que operam dinamicamente entre si. Considere a Figura 1:

    Figure 1.

    FIGURA 1 - Esquema de organização parcial de verbos no PB (CANTONI, 2010)

    O esquema apresentado na Figura 1 ilustra vários níveis de generalizações para a organização lexical de parte da morfologia verbal do português brasileiro. Destacamos que a palavra é o locus da representação e na Figura 1 é apresentada com a sílaba tônica em negrito. Nos modelos multirrepresentacionais a palavra é compreendida como uma nuvem de exemplares que é multiespecificada gramaticalmente e reflete todas as experiências de uso linguístico do léxico do indivíduo. Uma nuvem de exemplares tem representação cognitiva e expressa generalizações em vários níveis.

    O esquema da Figura 1 destaca como generalização a terminação –mos que indica marca morfológica de número para a 1ª pessoa de plural do Imperfeito do Indicativo a qual é associada aos quatro verbos apresentados. A terminação –va, que co-ocorre com o sufixo -mos , expressa o marcador de modo temporal do Imperfeito do Indicativo e caracteriza outro nível específico de generalização. As generalizações de que -mos se refere ao marcador de número deste tempo verbal e que -va se refere ao marcador de modo permitem a aplicação destes sufixos para qualquer verbo da língua, inclusive neologismos. Ou seja, ao adotarmos um verbo como escanear generalizaremos que a 1ª pessoa de plural do Imperfeito do Indicativo deste verbo será: escaneávamos.

    Generalizações semânticas são indicadas na linha em negrito na Figura 1, associando as diversas formas de um mesmo verbo. Destaca-se que um verbo como decorar pode ter pelo menos dois esquemas de generalizações semânticas. Um para o verbo decorar com o sentido de ‘memorizar’ e o outro para o verbo decorar no sentido de ‘criar-se ambiente com características específicas’. Esta dupla organização semântica poderia, mas não foi indicada no esquema da Figura 1, devido à simplificação para a apresentação do esquema. A Figura 1 ilustra ainda generalizações fonotáticas de sílabas CV e CVC que são alinhadas com segmentos específicos. Assim, generalizações entre segmentos e sílabas são abstraídas e aplicáveis a situações novas para a criação de outros itens lexicais. As generalizações permitem aplicações inovadoras e têm também o papel de sedimentar esquemas específicos que são gerenciados por efeitos probabilísticos.

    O Modelo de Rede, proposto por BYBEE (1985, 1995), desenvolveu-se nos anos seguintes a sua proposição com expansões diversas apresentadas em outras obras. Em BYBEE (2001), a autora apresenta uma contribuição importante com ênfase na fonologia e argumenta por dois pontos centrais: i) a incorporação de detalhe fonético nas representações mentais; ii) efeitos de frequência são motores ao desenvolvimento de mudanças sonoras. Avanços adicionais surgem em 2010, quando a autora sugere que a linguagem opera como um sistema adaptativo complexo de caráter dinâmico e com auto- organização. A proposta de PIERREHUMBERT (2001, 2003) avança em 2010, quando a autora sugere que o léxico é o locus de criatividade das línguas e incorpora a dinâmica social na modelagem da organização lexical. A proposta de análise apresentada neste artigo tem caráter inovador ao buscar explicar o fenômeno de variabilidade em marcas fonológicas de plural nominal do PB através de esquemas representacionais de conexões de redes como sugerido pelos Modelos Multirrepresentacionais.

    3. Organização em rede: a formação de plural no português brasileiro

    Esta seção apresenta uma proposta de organização em rede da formação de plural no PB e avalia a variabilidade em marcas morfológicas de plural nominal. A análise a ser apresentada pretende ser uma contribuição para o desenvolvimento dos Modelos Multirrepresentacionais discutidos na seção anterior.

    Nosso argumento central é que a possibilidade gramatical de se expressar a pluralidade sem qualquer marca fonológica é que permite a ausência de material segmental para expressar a noção de plural no PB. Considere os dados em (1):

    Figure 2.

    Os exemplos em (1) ilustram a palavra moças que termina com a sibilante que corresponde à marca de plural a qual é seguida de um adjetivo que começa com uma consoante sibilante: [s,z,ʃ,ʒ]. Observamos na coluna à direita que a sibilante final do substantivo moças, correspondente à marca fonológica de plural, não ocorre quando as palavras são pronunciadas em sequência. Em abordagens multirrepresentacionais que incorporam a redundância ao conhecimento gramatical, podemos sugerir que os substantivos moças e moça podem ambos ter associados a eles a noção de plural devido ao uso da língua em exemplos como os ilustrados em (1). Portanto, sugerimos que é a possibilidade gramatical de se expressar a pluralidade sem qualquer marca fonológica que permite a ausência de material segmental para expressar a noção de plural no PB.

    Além da possibilidade de a marca fonológica de plural deixar de ocorrer em juntura de palavras, como ilustrado em (1), o PB permite que a marca fonológica de plural deixe de ocorrer em itens léxicos isolados. Considere a Figura 2:

    Figure 3.

    FIGURA 2 - Formação nominal de plural com Ø em PB

    O diagrama apresentado na Figura 2 mostra que há substantivos que não recebem marca fonológica de plural. Nestes casos a marca fonológica de plural será zero, o que no diagrama está indicado por Ø. Portanto, é possível ao PB expressar gramaticalmente a noção de pluralidade sem qualquer marca fonológica. Quanto à marca fonológica de singular, esta é sistematicamente Ø no PB.

    Os exemplos apresentados na Figura 2 são ilustrativos e refletem uma dada categoria. Na Figura 2, temos substantivos que terminam em uma sibilante tanto no singular quanto no plural e podem ser da categoria de oxítonas (xis) ou de paroxítonas (lápis). Há também a possibilidade de uma categoria não ter singular, como é o caso de núpcias5.

    Pode-se argumentar que os exemplos vinculados às categorias da Figura 2 terminam em sibilantes e esta característica é que permite a marca fonológica de plural não ter manifestação fonética. Contudo, há itens léxicos terminados em sibilantes que podem receber marca fonológica de plural: luz > luzes ou freguês > fregueses6. Portanto, este argumento não procede e reiteramos nossa sugestão de que a possibilidade gramatical de se expressar a pluralidade sem qualquer marca fonológica é que permite a ausência de material segmental para expressar a noção de plural no PB.

    Considere a Figura 3 que apresenta a categoria de itens léxicos, cujo plural é formado pelo acréscimo do sufixo |s|.

    Figure 4.

    FIGURA 3 - Formação nominal de plural com |s| em PB

    O sufixo |s| pode se manifestar como fricativa alveolar ou alveopalatal desvozeada dependendo da variedade do PB e no diagrama é indicada como “s”: bolo [bolos] ou [boloʃ]. Em juntura de palavras o sufixo |s| pode ainda se manifestar como uma fricativa alveolar vozeada bolos amargos > bolo[z]amargos ou como uma fricativa alveopalatal vozeada bolos grandes > bolo[ʒ]grandes. Independente da manifestação fonética em questão a categoria de itens léxicos ilustrada na Figura 3 requer o acréscimo do sufixo |s| o qual pode não se manifestar fonologicamente.

    A maioria dos itens léxicos do português apresenta a formação de plural com o sufixo |s| mantendo a raiz nominal sem alterações, como é o caso das categorias associadas aos itens léxicos bolo>bolos, mão>mãos, degrau>degraus, ilustradas na Figura 3. Contudo, estes itens léxicos se comportam de maneira diferenciada entre si. Por um lado, itens léxicos associados à categoria de bolo apresentam como marca de plural tanto bolos como bolo. No caso do substantivo bolos a marca fonológica de plural se manifesta como [s] ou [ʃ], e no caso do substantivo bolo a marca fonológica de plural não contém material fonológico a ela associada. O contexto específico em que o plural bolo ocorre é aquele em que este substantivo é seguido de um item léxico iniciado por sibilante: bolo[ʃ]eiroso, mas ocorre também em outros contextos como, por exemplo, os bolo. Reiteramos nosso argumento de que é a possibilidade gramatical de se expressar a pluralidade sem qualquer marca fonológica que permite a ausência de material segmental para expressar a noção de plural no PB.

    No caso de itens léxicos associados à categoria de mão temos, tipicamente, o plural como mãos ou mão. HUBACK (2007) analisa em detalhes a formação de plural de nomes terminados em –ão adotando Modelos Multirrepresentacionais. Remetemos o leitor a este trabalho para a avaliação de efeitos de frequência lexical. A autora observa que os monossílabos tônicos terminados em –ão tendem a preservar o plural, como por exemplo: mão>mãos ou pão>pães. Adicionalmente, a alta frequência de uso de uma palavra contribui para preservar o plural como é o caso de irmão > irmãos. Entretanto, há alguns itens léxicos da categoria de mão>mãos que podem apresentar mais uma representação de plural, como por exemplo cidadão>cidadãos>cidadões.7 Avaliaremos estes casos nas próximas páginas.

    Ainda em relação à Figura 3, temos a categoria dos itens léxicos associados a ovo>ɔvos que requerem o sufixo |s| e a abertura da vogal média tônica. TOMAZ (2006: 82) mostra que nesta categoria os itens léxicos de alta frequência se conformam à abertura da vogal e à adição do sufixo como é o caso de ovo>ɔvos. Por outro lado, itens lexicais de baixa frequência, por exemplo, miolos apresentam variação tendo uma vogal aberta (58,33%) ou uma vogal fechada (41,67%). Ou seja, itens lexicais desta categoria podem ter comportamento análogo à categoria bolo>bolos: simplesmente adicione o sufixo |s|. Ou seja, a organização de itens léxicos associados com a categoria de ovos tem relação com os itens léxicos associados com a categoria de bolos (cf. TOMAZ, 2006).

    A Figura 3 ilustra também o caso da categoria de itens léxicos associados a degrau>degraus que requer simplesmente a adição do o sufixo |s|. Entretanto, HUBACK (2007) mostra que esta categoria apresenta alternativas para o plural, por exemplo degrais. Retomaremos estes casos nas próximas páginas e argumentaremos que a formação de plural, que é inovadora, decorre de efeitos de frequência lexical.

    Finalmente, a Figura 3 apresenta a categoria de itens léxicos associados a pôster>pôsters. Estes casos ocorrem em variedades do português que apresentam uma fricativa para os róticos em final de palavra: pôster > [posteh] e o plural será [postehs]8. Os itens léxicos associados a esta categoria podem também ser associados à categoria que recebe o sufixo |is| que será tratada em seguida. Considere a Figura 4 que apresenta a categoria de itens léxicos, cujo plural é formado pelo acréscimo do sufixo |is|:

    Figure 5.

    FIGURA 4 - Formação nominal de plural com |is| em PB

    A Figura 4 ilustra as duas categorias cujos nomes recebem o sufixo |is| para a formação de plural sem sofrerem alteração na raiz nominal. Como mencionado anteriormente, os itens léxicos associados com a categoria pôster podem estar associados à formação de plural com o sufixo |s| - pôster> [postehs] - ou podem estar associados com a formação de plural com o sufixo |is| - pôsteres> [posteɾis]. Ou seja, os nomes associados com esta categoria são vinculados a duas redes distintas de formação de plural: com o sufixo |s| ou com o sufixo |is|.

    No caso dos itens léxicos associados à categoria mês>meses, estes recebem o sufixo |is| sem alteração na raiz nominal. Como discutido em CRISTÓFARO et al. (2008), os nomes nesta categoria - ou seja, mês > [mezis] - apresentam no plural a reorganização segmental decorrente de redução de gestos articulatórios: mês > [me:s] – quando uma vogal alongada ocorre. Concluindo, podemos observar que em nomes que apresentam o sufixo |is| sem alteração na raiz nominal há reorganização segmental no plural correspondente. Considere a Figura 5:

    Figure 6.

    FIGURA 5 - Formação nominal de plural com |is| em PB

    A Figura 5 ilustra a categoria de formação de plural de itens léxicos terminados em glide posterior (lateral vocalizada), por exemplo, [saw] sal, que recebe o sufixo |is| para a formação de plural e sofre alteração no radical pela supressão do ditongo [w]: [saw] > [sais]. Esta categoria é bastante produtiva em português. Há, entretanto, outro grupo de palavras em português que termina em glide posterior, mas que é associado com a categoria de nomes que recebe o sufixo |s|: degrau > degraus (cf. Figura 3). Esta categoria é pouco produtiva no PB e tem sido observada para tais nomes a formação de plural análoga à categoria ilustrada na Figura 5. HUBACK (2007) atestou nomes no plural como degrais e pneis. Isto quer dizer que substantivos terminados em glide posterior podem estar associados tanto aos nomes da categoria degrau da Figura 3 quanto aos nomes da categoria sais da Figura 5 para formação de plural. Adicionalmente, há a possibilidade de não se expressar a marca fonológica de plural: os sal ou os degrau. Considere a seguir a Figura 6 que ilustra casos em que a formação de plural envolve duas categorias de nomes terminados em -ão:

    Figure 7.

    FIGURA 6 - Formação nominal de plural de nomes terminados em - ão em PB

    Além da categoria de plural de nomes terminados em –ão que foi apresentada na Figura 3 - mão > mãos –, há outras duas categorias de formação de plural de nomes terminados em -ão: 1) nomes cujo plural termina em –ões e que engloba a maioria dos casos de formação de plural de nomes cujo singular termina em –ão e 2) nomes cujo plural termina em –ães. De alguma maneira podemos dizer que os nomes terminados em –ão têm formação de plural idiossincrática. Isto quer dizer que não há como prever qual é o plural, se apenas se conhecer o singular. É curioso observar que as generalizações que ocorrem quando os falantes têm dúvidas quanto ao plural previsto, vão em direção à categoria de plural terminado em -ões por ser esta a categoria com maior índice de frequência de nomes relacionados a ela. A categoria tipicamente denominada regular, que adiciona |s| ao nome - mão > mãos – não apenas não acolhe comumente nomes no plural de outras categorias - por exemplo, leãos ou liçãos – mas oferece itens léxicos que migram para a categoria de –ões: cidadões. HUBACK (2007) argumenta que itens léxicos migram para a categoria de –ões devido à alta frequência de tipo e da consequente produtividade desta categoria. Como mencionamos anteriormente, o plural de nomes terminados em –ão pode se associar com nomes de categorias distintas. Considere a seguir a Figura 7 que ilustra casos em que a formação de plural é idiossincrática:

    Figure 8.

    FIGURA 7 - Formação nominal de plural idiossincrática em PB

    Os casos de formação de plural idiossincráticos são poucos. Nestes casos não há generalização possível para se formar uma categoria. De fato, a categoria que rotulamos “idiossincrático” agrupa vários casos particulares. Ou seja, nesta categoria não há qualquer previsibilidade fonológica que relacione nomes no singular e no plural. Considere duas palavras que terminam com a sílaba [pus] no singular: corpus e campus. O plural, nestes casos, são respectivamente corpora e campi. Não há associação sincrônica possível entre estes nomes. Assim, eles são considerados idiossincráticos sendo que cada um deles opera de maneira individual. Obviamente, há associação semântica entre os nomes que são categorizados como idiossincráticos quanto à relação fonológica singular-plural que há entre eles. Os Modelos Multirrepresentacionais sugerem que as associações semânticas são possíveis entre itens lexicais que sejam relacionados, mas sem familiaridade fonológica. Por exemplo: bom-ótimo, ruim- péssimo ou pobre-paupérrimo em que há relação semântica, mas não fonológica. Este seria também o caso entre corpus-corpora ou campus-campi.

    Concluiremos esta seção com a apresentação de um diagrama completo que agrupa as diversas categorias de formação nominal de plural no PB que foram discutidas nas páginas precedentes. Para efeito de clareza do diagrama, apresentamos apenas exemplos no plural. Lembramos que estes nomes, de fato, se encontram associados com o substantivo ou adjetivo singular correspondente, como foi apresentado em cada diagrama particular para as categorias específicas das figuras anteriores. Destacamos o fato de que a categoria de plural nominal interconecta em rede as várias categorias de formação de plural apresentadas na Figura 8.

    Figure 9.

    FIGURA 8 - Formação nominal de plural em PB

    Considerando-se a organização em rede da formação de plural nominal no PB, que foi proposta neste artigo, vamos retomar as perguntas formuladas inicialmente:

    .

    1) POR QUE a marca de plural pode deixar de ocorrer?

    Porque a Gramática do PB contém a possibilidade gramatical de se expressar a noção de plural sem qualquer marca fonológica. Ou seja, a marca fonológica de plural pode deixar de ocorrer. Tal possibilidade é expressa pela supressão da marca de plural em sequências de itens léxicos (moças chatas > moça[ʃ]atas (cf. (1)) e pela ausência de marca fonológica de plural como xis, lápis (cf. Figura 2). Vale destacar que a observação de que a marca de plural pode deixar de ocorrer é registrada na literatura há muito tempo.

    2) COMO a marca de plural pode deixar de ocorrer?

    Sugerimos que a supressão da marca fonológica de plural deve se dar de acordo com a organização do conhecimento gramatical da língua. Portanto, para que seja preservada a noção de pluralidade, indica-se no constituinte mais à esquerda do sintagma nominal esta propriedade que é então compreendida como semanticamente aplicável ao sintagma nominal como um todo: Os menino bonito e alegre; Ques passarinho bonito!

    3) QUANDO a marca de plural pode deixar de ocorrer?

    As ações sócio-culturais que regulam o uso do conhecimento gramatical são de domínio da Sociolinguística e o PB tem contado com trabalhos de excelência neste sentido.

    Destacamos que a ausência de marca fonológica de plural no PB não se aplica estritamente à classe nominal. Há vários mecanismos de ausência de marca fonológica de plural operando também na morfologia verbal. Por exemplo, nós vamos>nós vamo ou eles cantaram>eles cantaru. Sugerimos que a possibilidade gramatical de se expressar a noção de plural sem qualquer marca fonológica no PB é que permite a ausência de material segmental para expressar a noção de plural seja em domínios da morfologia nominal ou verbal. Considere a Figura 9:

    Figure 10.

    FIGURA 9 - Formação parcial de plural nominal e verbal em PB

    A Figura 9 ilustra um diagrama parcial de organização da formação de plural no PB englobando nomes e verbos. Destacamos no diagrama a relação entre o sufixo nominal e verbal |s| que caracteriza a formação de plural e, em ambos os casos, pode não ter manifestação fonológica: as casa ou nós vamo. Vimos neste artigo que o material fônico do sufixo |s| pode não ter manifestação fonológica na morfologia nominal. Propomos, que toda e qualquer marca fonológica de plural possa deixar de ocorrer no PB em decorrência da possibilidade gramatical de se expressar a noção de plural sem qualquer marca fonológica nesta língua. Ou seja, é gramaticalmente possível a ausência de material segmental para expressar a noção de plural no PB. Admitimos, adicionalmente, que sufixos que tenham correlato morfológico |s| podem não ter manifestação fonológica em outras classes que não envolvam a categoria de plural. Por exemplo, a variabilidade em conjugações verbais como tu vais > tu vai. A explicação para tal fato decorre de a Gramática do PB permitir sufixos com conteúdo |s| não terem realização sonora. Encerramos aqui a discussão sobre verbos e esperamos ter lançado ao debate a perspectiva multirrepresentacional que busca explicar o conhecimento gramatical como um mecanismo de redes interconectadas que interagem em vários níveis de generalização e que gerenciam de maneira dinâmica a sistematicidade e a variabilidade inerente às línguas naturais. A citação de WANG (2011: 22) que segue expressa esta posição:

    .

    Language is not a compact system, like the chess game that Saussure envisioned, though this view has dominated structuralist and generativist thinking over the past century. Rather, Wittgenstein’s metaphor of an ancient city is much more illuminating of how languages are diffuse and heterogeneous. Each language is invariably a mixture consisting of numerous diverse pieces that have been brought together by combinations of horizontal and vertical transmission across time and space, for socio-cultural reasons having to do with its speakers, rather than with the language itself. As languages are learned, natively by the child, and as foreign languages by adults, the learner adapts to the heterogeneity by seeking generalizations among the diverse pieces. The systems learned are indeed complex.

    Conclusão

    Este artigo apresentou uma proposta representacional para explicar a variabilidade em marcas fonológicas de plural no Português Brasileiro. Para tal, apresentou-se inicialmente uma análise global para a formação nominal de plural no PB sugerindo a categorização em classes específicas. A análise foi restrita ao aspecto fonológico da variabilidade da marca de plural para os nomes, abordando o fenômeno na perspectiva teórica dos Modelos Multirrepresentacionais, que incluem o Modelo de Redes (BYBEE, 1985, 1995); a Fonologia de Uso (BYBEE, 2001, 2010) e a Teoria de Exemplares (JOHNSON, 1997; PIERREHUMBERT, 2001).

    Três questões foram centrais à investigação, sendo estas apresentadas a seguir, bem como os resultados obtidos. 1) POR QUE a marca de plural pode deixar de ocorrer? Porque a Gramática do PB permite a possibilidade gramatical de se expressar a noção de pluralidade sem qualquer marca fonológica. A marca fonológica de plural pode deixar de ocorrer em sequências de itens léxicos (moças chatas > moça[ʃ]atas; cf. (1) e a marca fonológica de plural não é gramaticalmente presente para alguns nomes (xis, lápis, cf. Figura 2); 2) COMO a marca de plural pode deixar de ocorrer? Sugerimos que a supressão da marca fonológica de plural deve se dar de acordo com a organização do conhecimento gramatical da língua. Portanto, para que seja preservada a noção de pluralidade, indica-se no constituinte mais à esquerda do sintagma nominal esta propriedade que é então compreendida como semanticamente aplicável ao sintagma nominal como um todo: Os menino bonito e alegre; Ques passarinho bonito! 3) QUANDO a marca de plural pode deixar de ocorrer? As ações sócio-culturais que regulam o uso do conhecimento gramatical são de domínio da Sociolinguística e o PB tem contado com trabalhos de excelência neste sentido.

    Além dos resultados obtidos para a variabilidade em marcas fonológicas de plural em nomes do PB, este artigo aponta percursos possíveis para se investigar a supressão de marcas fonológicas de plural na morfologia verbal (nós vamos > nós vamo), bem como outros aspectos relacionados com a dinamicidade da organização gramatical do PB (tu vais > tu vai). Em consonância com a proposta teórica assumida, entendemos que a organização gramatical tem natureza dinâmica, com padrões emergentes que se auto-organizam constantemente (BECKNER et al., 2009; BYBEE, 2010; WANG, 2011).

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