Resumo

No início da década de 1980, Carlos Franchi, temporariamente afastado de suas funções de Diretor do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas e contando com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, realizou um estágio de Pós-Doutorado na Universidade da Califórnia – Berkeley.


Viu-se então imerso em um ambiente de grande efervescência intelectual em que se discutiam noções e teorias linguísticas praticamente desconhecidas da universidade brasileira que, em geral, ainda vivia o debate entre o estruturalismo europeu e o gerativismo e, em seus centros mais avançados, se empenhava em compreender ou aplicar ao português as sucessivas versões da gramática chomskiana.


Durante esse estágio, Carlos Franchi escreveu longos relatórios em que descreveu de maneira circunstanciada e crítica, como lhe era próprio, a experiência intelectual que estava vivendo.


O texto que segue é a transcrição de um desses relatórios que, lido na época por um pequeno número de pessoas próximas, se perdeu em seguida em algum processo administrativo da Unicamp. Resgatado recentemente, por uma iniciativa do Centro de Documentação Cultural “Alexandre Eulálio” (CEDAE), soa hoje mais atual do que nunca. Não só pelo que informa, de maneira inédita, sobre a biografia intelectual de um dos principais representantes da linguística brasileira do século XX, mas também pela presença que as ideias de Berkeley têm hoje em várias orientações da linguistica brasileira.


Carlos Franchi faleceu em 2001. Foi fundador e (na década de 1970) Diretor do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp. Foi presidente da Associação Brasileira de Linguística no biênio 1977-1979.


A Revista da Abralin agradece a Sra. Eglê Pontes Franchi, esposa do professor, por ter disponibilizado a única cópia hoje existente deste “Relatório de Berkeley”; agradece a Professora Dra. Raquel Salek Fiad e a Ms. Flávia Carneiro Leão, respectivamente Coordenadora e Supervisora do CEDAE, pelas gestões que resultaram na recuperação do manuscrito do trabalho ora publicado e pela cuidadosa revisão que fizeram do texto. Nas páginas que seguem, a numeração de fundo preto é a das páginas do original. Nessa numeração a página de número 31 nunca existiu.