Resumo

A análise que apresentamos aqui pretende polemizar a posição assumida nos discursos (governamentais, de divulgação científica, entre outros) que produzem a sigla C&T (Ciência & Tecnologia), materializando nela a predominância do sentido tecnológico nessa produção, que passa, assim, à protagonista da cena científica contemporânea. A esse efeito de sentido de ciência estamos contrapondo um outro que se produz nas Ciências Humanas, Letras e Artes em geral, e particularmente nas Ciências da Linguagem, que vamos materializar na sigla C&C (Ciência & Cultura). Nessa sigla excluímos o termo “tecnologia”, substituindo-o pelo termo “cultura”, não para propormos um sentido de ciência que prescinde de tecnologia, mas para enfatizar o lugar do sujeito em contexto na produção científica, que é preponderante na nossa área. Procuraremos mostrar que a tecnologia, embora presente, tem o estatuto de ponto de sustentação, e não de fim, para a produção da Ciência da Linguagem.