Resumo

A realidade linguística românica já foi definida como um continuum de variedades dificilmente segmentáveis, com amplas áreas de transição e diferenças graduais que se fazem mais visíveis à medida que aumenta a distancia geográfica entre elas. Nessa situação, intervenções políticas, tais como o levantamento de fronteiras ou o estabelecimento de capitais com suas áreas de influência, constituem elementos fundamentais de diferenciação linguística. Abordaremos esses processos de elaboração de línguas (“linguificação”) e de “dialetalização” (Muljačič 1986) na Península Ibérica. Para tanto, faremos referência especificamente aos casos galego-português (ou galego e português), asturo-leonês (ou asturiano e leonês), aragonês, aranês e catalão (ou catalão e valenciano), comparando esses problemáticos processos de linguificação com o do castelhano-espanhol.