Submissão de artigos para dossiês temáticos
Prezadas/os,
Informamos a todas/os/es que a Revista da Abralin está com submissões abertas para cinco dossiês:
- Dossiê: Retomada e Fortalecimento Linguístico: conceitos, abordagens e experiências
- Dossiê: Linguagens entre Humanos e Máquinas: Letramentos Críticos, Inteligência Artificial Generativa e Multilinguismo
- Dossiê: Análises do Discurso e IAG: novas materialidades, jogos de poder e emancipação social
- Dossiê: Análises do Discurso e IAG: novas materialidades, jogos de poder e emancipação social
- Dossiê: Gestos didáticos na leitura e na escrita: contribuições para a motivação e a aprendizagem
As submissões podem ser feitas até 21 de outubro. Convidamos todas/os/es a submeterem seus trabalhos. A seleção dos artigos a serem publicados não leva em consideração a titulação de quem os assina. Os textos selecionados são avaliados por especialistas que, a partir da avaliação do mérito da pesquisa, decidem pela publicação ou não do manuscrito. Todo esse processo é público, de acordo com as diretrizes da polícia de ciência aberta, adotadas pela Revista da Abralin.
https://revista.abralin.org/index.php/abralin/about/submissions
Dossiê: Retomada e Fortalecimento Linguístico: conceitos, abordagens e experiências
Organizado pelos professores doutores Maria Luisa Freitas (UFPE), Luiz Amaral (UMass-Amherst) e Evandro Bonfim (UFSCar), o dossiê temático intitulado “Retomada e Fortalecimento Linguístico: conceitos, abordagens e experiências” tem por intuito reunir contribuições que descrevam ações e iniciativas de proteção, promoção e retomada linguística, possibilitando a troca e o compartilhamento de experiências no campo da revitalização linguística de línguas indígenas e de outras línguas minorizadas realizadas especialmente nos contextos do Sul Global. Nesse sentido, o volume tem por objetivo dar visibilidade às iniciativas de retomada e fortalecimento linguístico, protagonizadas por povos tradicionais no Brasil e em outras partes do mundo, assim como reunir contribuições teóricas e metodológicas da Linguística, Antropologia, Educação e áreas afins, voltadas à preservação da diversidade linguística e aos estudos de línguas ameaçadas. Os trabalhos submetidos ao dossiê podem compreender temáticas que estejam relacionadas aos seguintes eixos: (i) relatos de experiências em retomada e revitalização linguística; (ii) métodos e práticas de transmissão linguística; (iii) práticas educativas e produção de materiais didáticos em contextos escolar e digital; (iv) ferramentas computacionais para documentação e revitalização linguística; (v) planejamento de corpus para revitalização e retomada linguística; (vi) estratégias de avaliação da vitalidade linguística, (vii) estudos museológicos e de repatriação de artefatos e de dados linguísticos; (viii) estudos em ontologia da linguagem; (ix) relações entre autonomia, bem-viver e políticas linguísticas; (x) articulações entre memória, história e linguagem.
Dossiê: Linguagens entre Humanos e Máquinas: Letramentos Críticos, Inteligência Artificial Generativa e Multilinguismo
Organizado por Prof. Dr. Kleber Aparecido da Silva (UnB) e Prof. Dr. Leketi Makalela (Wits University).
A presença cada vez mais significativa da inteligência artificial (IA) generativa na educação vem modificando as formas como usamos as línguas, produzimos textos e construímos e negociamos conhecimentos. Essas mudanças colocam questões que ultrapassam a simples incorporação de novas tecnologias aos contextos educacionais. Interessa compreender quais línguas encontram espaço nos sistemas de IA, que conhecimentos são reconhecidos e legitimados por essas tecnologias e em que medida desigualdades linguísticas e epistêmicas historicamente constituídas podem ser reproduzidas ou contestadas. Essas questões tornam-se particularmente relevantes quando tecnologias desenvolvidas, em grande medida, a partir de perspectivas monolíngues e de referenciais do Norte Global passam a integrar contextos educacionais marcadamente multilíngues. Este dossiê propõe discutir essas transformações em diálogo com o multilinguismo, os letramentos críticos, a translinguagem e a diversidade linguística. Serão bem-vindos trabalhos que investiguem as relações estabelecidas por sujeitos multilíngues com a IA generativa em escolas, universidades, comunidades e outros espaços de uso da linguagem. O multilinguismo é compreendido não como um obstáculo ao desenvolvimento tecnológico, mas como ponto de partida para interrogar concepções naturalizadas de língua, conhecimento, autoria, aprendizagem e interação entre humanos e máquinas. O dossiê acolherá estudos teóricos, empíricos e baseados em práticas, particularmente aqueles vinculados à Linguística Aplicada Crítica, à translinguagem, às epistemologias Ubuntu e outras epistemologias do Sul, bem como a perspectivas decoloniais. Entre as questões de interesse estão as desigualdades linguísticas e algorítmicas; práticas multilíngues e translíngues mediadas por IA; línguas minoritárias e com poucos recursos digitais; agência docente e discente; autoria e avaliação; educação linguística; políticas linguísticas; ética, acesso e justiça digital. Ao colocar a diversidade linguística no centro do debate sobre IA generativa, o dossiê pretende ampliar uma discussão ainda fortemente marcada por perspectivas monolíngues, abrindo espaço especialmente para pesquisas produzidas no Sul Global e em outros contextos multilíngues.
Dossiê: Políticas linguísticas para estudantes migrantes e refugiados em escolas do Brasil e de outros países
Organizado pelos Profs. Drs.: Leandro Rodrigues Alves Diniz (Universidade Federal de Minas Gerais / Universidade de Hamburgo – programa CAPES/Humboldt), Sílvia Melo-Pfeifer (Universidade de Hamburgo), Anthippi Potolia (Université Paris 8).
Os recentes movimentos migratórios internacionais, incluindo os de crise, têm fortalecido a diversidade linguística e cultural nas escolas de diversos países. Em meados de 2024, a população de migrantes internacionais era estimada em 304 milhões de pessoas, aproximadamente 3,7% da população mundial. Especificamente, no final de 2024, os menores de 18 anos representavam cerca de 41% da população de refugiados(1). Nesse contexto, crianças e adolescentes migrantes e refugiados frequentemente enfrentam desafios como o acesso limitado ao ensino da(s) língua(s) oficial(is) do país de acolhimento, a marginalização sociocultural e a desigualdade de oportunidades educacionais. Políticas linguísticas que garantam o acesso à(s) língua(s) de instrução, ao mesmo tempo em que valorizem o repertório linguístico dos alunos e promovam a educação do entorno (Maher, 2007)(2), são, portanto, essenciais para uma educação equitativa. Este dossiê objetiva discutir dimensões das políticas linguísticas para estudantes migrantes e refugiados nas escolas, considerando a heterogeneidade dos contextos educacionais no Brasil (incluindo regiões fronteiriças, grandes centros urbanos e municípios menores) e em outros países, do Sul e do Norte Globais. São bem-vindas contribuições teóricas, empíricas e comparativas que abordem temas relacionados às políticas linguísticas de jure e/ou de facto (Shohamy, 2006)(3) para discentes migrantes e refugiados nas escolas, tais como: Fundamentos teóricos para o trabalho com estudantes migrantes e refugiados; Práticas pedagógicas; Ideologias linguísticas; Perfis, experiências e trajetórias escolares de estudantes migrantes e refugiados; Formação inicial e continuada de docentes; Perspectivas e experiências das comunidades do entorno desses estudantes.
(1) MCAULIFFE, M.; CERIANI CERNADAS, P. (Orgs.). World Migration Report 2026. International Organization for Migration, Geneva.
(2) MAHER, T. M. A educação do entorno para a interculturalidade e o plurilingüismo. In: KLEIMAN, A. B.; CAVALCANTI, M. C. (Orgs.) Linguística Aplicada – suas faces e interfaces. Campinas: Mercado de Letras, 2007. p. 255-270.
(3) SHOHAMY, E. Language policy: hidden agendas and new approaches Londres: Routledge, 2006.
Dossiê: Análises do Discurso e IAG: novas materialidades, jogos de poder e emancipação social
Organizado pela Profa. Dra. Jane Quintiliano Guimarães Silva (PUCMinas), Prof. Dr. Johannes Angermuller (Open University – UK) e Prof. Dr. Márcio Rogério de Oliveira Cano (UFLA-MG).
Nos últimos anos, as várias tendências das Análises do Discurso (ADs) vêm buscando seu espaço de atuação e contribuição para pensar a inteligência artificial generativa, na forma de pesquisas, eventos, publicações e grupos de pesquisa, acenando sua inserção nesse debate. Espaços de novas questões, outras escutas que se abrem para interrogar sobre: o lugar e alcance das ADs nessa empreitada; revisão de seus dispositivos teórico-analíticos para compreender as novas materialidades e discursividades do digital; as formas de subjetivação com e na emergência dessa nova tecnologia da linguagem; o espaço da memória discursiva em relação ao da memória técnica (fomentada por volumosos bancos de dados) e suas implicações; a história e a historicidade dos discursos atualizados sob a injunção de tal tecnologia; as práticas e os efeitos da IAG na educação, entre outros questionamentos sobre a relação sujeito, IAG e linguagem. Considerando esse contexto, esse dossiê propõe uma interlocução entre pesquisas que possibilitem aprofundar o debate epistemológico e consolidar dispositivos teórico-analíticos capazes de sustentar uma inserção crítica nesse universo, num movimento que, problematizando, compreendendo, criticando e divulgando resultados de estudos, ampliem-se contribuições para deixar à mostra a opacidade que envolve os discursos da e sobre a IAG e suas práticas. Tal dossiê remete à necessidade de aprofundar uma compreensão das novas materialidades do/no digital, forjadas pela IAG, que vêm promovendo deslocamentos nas relações dos sujeitos com a linguagem e mexendo em noções como a de autoria, leitor, leitura, texto, escrita, memória, entre outras que se implicam em processos de produção e circulação de sentidos e discursos. Outra questão que se faz necessário marcar diz respeito ao próprio surgimento das diversas tendências nas ADs, historicamente, comprometidas com as questões de ideologia, de denúncia e de compreensão da sociedade por meio de suas relações de poder, de lutas e de transformações. Busca-se, portanto, receber artigos de estudos teóricos e empíricos que tragam contribuições nesse escopo, tanto para a ciência quanto para a sociedade em geral.
Dossiê: Gestos didáticos na leitura e na escrita: contribuições para a motivação e a aprendizagem
Organizado pela Profa. Dra. Rosângela Oliveira Cruz Pimenta (Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE, Brasil), Dra. Ana Camacho (Universidade do Porto, Portugal) e Dra. Aline Alves-Wold (Universidade de Stavanger, Noruega).
A aprendizagem da leitura e da escrita constitui um dos mais importantes desafios educacionais contemporâneos, uma vez que essas competências são fundamentais para a participação social e o sucesso acadêmico. Nesse contexto, cresce o interesse pelas ações docentes que estimulam a participação dos alunos em práticas de linguagem escrita e criam oportunidades de aprendizagem em diferentes contextos educacionais. Este dossiê propõe discutir o papel dos gestos didáticos na motivação e na aprendizagem da leitura e da escrita. Para esta publicação, os gestos didáticos são entendidos como formas de mediação docente utilizadas no ensino da leitura e da escrita, e que contribuem para o engajamento dos alunos e para seus processos de aprendizagem (Aeby-daghé, S.; Dolz, J.,2008; Nascimento, 2011; Messias e Dolz, 2015). Além de contribuir para o avanço das discussões sobre o ensino da leitura e da escrita, o dossiê pretende promover o diálogo entre diferentes perspectivas e contextos de investigação e ampliar a compreensão do papel dos gestos didáticos na promoção da aprendizagem e de experiências mais motivadoras de leitura e escrita em contextos educacionais. Buscamos submissões que discutam os gestos didáticos em situações de ensino da leitura e da escrita, incluindo estudos sobre mediação pedagógica, práticas docentes, regulação das aprendizagens, formação de professores, estratégias pedagógicas e processos motivacionais relacionados à linguagem escrita. Serão bem-vindas investigações desenvolvidas em diferentes níveis de ensino, incluindo pesquisas de sala de aula, intervenções, pesquisa-ação e estudos derivados de dissertações e teses, concluídas ou em andamento. Também serão bem-vindas revisões de literatura e estudos de natureza conceitual que contribuam para o aprofundamento teórico e/ou metodológico do campo.