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        <article-title>PRESTÍGIO E ESTIGMATIZAÇÃO</article-title>
        <subtitle>DIALETO ITALIANO E LÍNGUA PORTUGUESA DA REGIÃO DE COLONIZAÇÃO ITALIANA DO NORDESTE DO RIO GRANDE DO SUL</subtitle>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="17/05/2017" />
      <volume>7</volume>
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      <issue-title>PRESTÍGIO E ESTIGMATIZAÇÃO: DIALETO ITALIANO E LÍNGUA PORTUGUESA DA REGIÃO DE COLONIZAÇÃO ITALIANA DO NORDESTE DO RIO GRANDE DO SUL</issue-title>
      <fpage>139</fpage>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">
          <italic id="italic-1">Este texto apresenta resultados parciais do projeto ESTIGMA, cujos objetivos são efetuar um estudo do binômio prestígio/estigmatização lingüística e desenvolver uma explicação do fenômeno para uma melhor compreensão da relação entre língua e cultura da Região de Colonização Italiana do Nordeste do Rio Grande do Sul. Os dados colhidos indicam uma superação do estigma no presente, com valorização e reconstrução do sentimento étnico.</italic>
        </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-5450bea7b1f98a752ff60f190772096d">
          <italic id="italic-a1c963656b763cd2d2d631b87785204d">This paper presents partial results of project ESTIGMA, which aims at developing a study of the binomial linguistic prestige and stigmatization, and seeks for an explanation of this phenomenon for better understanding the relationship between language and culture of the Italian Colonization Region in Northeastern Rio Grande do Sul. Data gathered point to an overcoming of the stigma with the renewal of the ethnic sense.</italic>
        </p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-43584206042e9e77e4b003c0afc2945b">Prestígio sociolingüístico</italic>
        </kwd>
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          <italic id="italic-1f181002341a059112890279e2486de8">Estigmatização sociolingüística</italic>
        </kwd>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-75bbd8e04bba5a3027541fcdc2854716">Etnicidade</italic>
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    <sec id="heading-8c72de4bd5e146e5951524921c20ae4c">
      <title>Introdução</title>
      <p id="paragraph-2ab5d2d3cf1ca6751dcd7d851875f4da">Lo <italic id="italic-ea0439fd69585f523be5024f687f1a25">Stigma</italic> è un marchio, una cicatrice o una ferita ancora dolorosamente aperta che testimonia l’avvenuta rottura dell’armonia dell’essere umano, nella quale corpo, mente e natura relazionale s’integrano nella quotidianità degli affetti, del lavoro e delle consuetudini sociali<xref id="xref-8c41b17f09502eda1e44fb3236cbd7ea" ref-type="fn" rid="footnote-19c85a7d57ca3ab148db593ea4edb3aa">1</xref> (TATARELLI, 2002).</p>
      <p id="paragraph-3d83f1ef92c7e0f45d6478df007ea93b">.</p>
      <p id="paragraph-aace70b076900f1ad4bea03d36dd6183">Uma língua muda no tempo e no espaço, com as instituições, com os usos e costumes, com as exigências e com os interesses dos indivíduos que a empregam.</p>
      <p id="paragraph-3">No seu percurso histórico, a linguagem da Região de Colonização Italiana do Nordeste do Rio Grande do Sul (RCI) passou pelas vicissitudes, mudanças e formas de vida dos homens que a falaram e ainda a falam. Ela constitui um universo lingüístico plural, rico e complexo, do qual muito se perdeu e ainda se perde no processo peculiar às línguas faladas que acompanham o caminho dos homens e a vida da sociedade, dinâmica e vária.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-69e14fe6deb823430ad8a3ddc491f47f">
      <title>1 O Projeto Estigma</title>
      <p id="paragraph-f3699ea099abc6fcc0ea0e4fb7dfee81">O Projeto Estigma, desenvolvido na Universidade de Caxias do Sul, encontra-se na fase final de seu estudo e teve como objetivos principais efetuar uma investigação do binômio prestígio e estigmatização sociolingüística na comunidade de fala de Caxias de Sul. Esse Projeto propôs efetuar uma análise e desenvolver uma explicação do fenômeno da estigmatização para melhor compreensão da relação existente entre linguagem e cultura da RCI. O fenômeno da estigmatização contempla a fala do grupo étnico minoritário ítalo-brasileiro, a qual, em competição com a língua portuguesa, encontra-se em processo de extinção.</p>
      <p id="paragraph-8fa8075193ac5de3ccf12d71eca25b1f">O estudo faz um confronto entre passado e presente da história lingüístico-dialetológica da RCI, estabelecendo relações entre elementos lingüísticos que confirmam a existência do estigma e/ou a superação do mesmo.</p>
      <p id="paragraph-51cd27f2464e65a5526319e97e6c39b4">Para a investigação desse fenômeno, procuramos identificar, através de entrevistas realizadas com informantes do município de Caxias do Sul, divididos em grupos por gênero, escolaridade e faixa etária, lembranças, impressões e sentimentos relacionados a fatos alusivos ao tempo passado e ao presente, manifestados através de marcas sociolingüísticas, tais como referências temporais, adjetivação e ativadores de pressuposição, manifestados nos relatos de caráter histórico e político do passado e aqueles que caracterizam os últimos trinta anos da história da RCI.</p>
      <p id="paragraph-3e92e4e97c9da30be4787dabce59578b">No desenvolvimento do Projeto, levamos em conta: (a) a fala dialetal italiana da RCI; (b) a variedade de fala do português regional; (c) a variedade do português padrão (aqui, representado na fala dos locutores do <italic id="italic-099db1bf842f258546e512e25d544897">Jornal Nacional</italic> da TV Globo). A escolha do município de Caxias do Sul deve-se ao fato de que é uma comunidade formada por indivíduos provenientes de todos os municípios da RCI, representativa, portanto, da fala dessa região. Além disso, muitos dos sujeitos desta pesquisa têm como lugar de nascimento a zona rural dos vários municípios que integram a região.</p>
      <p id="paragraph-5">A metodologia empregada na realização da pesquisa de caráter quantitativo foi a de Lambert e associados (1960), adaptada ao contexto da RCI, com aplicação da técnica dos pares ocultos, e, no caso da pesquisa qualitativa, a da entrevista semi-estruturada. Todas as entrevistas foram gravadas e estão disponíveis para consulta junto ao Projeto Estigma do Departamento de Letras da Universidade de Caxias do Sul. Procuramos, também, fazer uma comparação dos resultados obtidos na aplicação do instrumento quantitativo e do qualitativo, para maior confiabilidade das conclusões.</p>
      <p id="paragraph-7">No estudo dos indicadores sociais de estigmatização dos falantes de origem italiana da RCI – especificamente no que se refere ao estabelecimento da correlação entre passado/existência de estigma e presente/superação do estigma –, efetuamos a estatística léxica valendo-nos da ferramenta “Concordance” do programa WordSmith Tools, da Oxford University Press, disponível em: &lt;http://www.oup.co.uk&gt;, utilizada para investigar palavras e sintagmas em contexto, permitindo a verificação de colocações, coligações e preferências semânticas.</p>
      <p id="paragraph-2">O texto que ora apresentamos é resultante da análise qualitativa de parte da amostra compreendida no Projeto Estigma, a qual foi recortada aleatoriamente do total do material registrado. Dentro dos limites deste texto, não serão consideradas especificidades alusivas às variáveis de gênero, escolaridade, faixa etária e nível de instrução, nem os resultados estatísticos da análise quantitativa.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-00cc8a947bcfd16a1267da2aea682af6">
      <title>2 Princípios teóricos</title>
      <sec id="heading-1a67989b7a60e1f7ec2210c103c8fdb7">
        <title>2.1 O estigma</title>
        <p id="paragraph-8">Erving Goffman (1988), dentre outras questões, aborda a do estigma e a da identidade social e individual, em uma perspectiva sociológica. Em sua obra, <italic id="italic-bbd2e21cc81d34d7bf88612538511b60">estigma</italic> quer dizer marca. É uma marca que o indivíduo carrega e o torna inabilitado para a aceitação social plena. Assim, um indivíduo portador de estigma distingue-se dos outros pela marca que lhe é peculiar. As marcas podem ser corporais, visíveis aos olhos, prontamente percebidas por todas as pessoas por elas marcadas ou não-marcadas. Uma pessoa pode ser marcada desde o seu nascimento, ou pode tornar-se marcada no decorrer de sua vida, pelo atrofiamento de seu corpo ou parte dele, pela amputação de um membro ou pela deformidade física de qualquer um de seus órgãos; ou seja, pode ter origem genética ou pode ser provocado por outrem.</p>
        <p id="paragraph-10">O entendimento do estigma como marca ou cicatriz que a pessoa carrega propicia visibilidade para sua identificação na linguagem da RCI. No tempo compreendido entre a década de 1930 e a data do Centenário da Imigração Italiana no Rio Grande do Sul, o fenômeno da estigmatização gerou estereótipos lingüísticos cujo sentido vai além da comicidade. Falar em dialeto italiano ou em português com interferências dialetais italianas era suficiente para ser identificado de modo insultuoso como “colono burro”, ou “colono grosso”<xref id="xref-b3ec63127db05eb7597a56354b6f7899" ref-type="fn" rid="footnote-d5f20d1b588e9dd2398002b071070528">2</xref>; as marcas fonéticas do dialeto italiano caracterizadoras do português local, o sotaque, a linha melódica desse dialeto e sua transposição para a fala em português e muitos outros elementos<xref id="xref-e5ad805f48c39aa6e7b935286f620fb0" ref-type="fn" rid="footnote-fb28ab7edf8c7cb706d194313df3a302">3</xref> constituem vários estereótipos lingüísticos de efeito estigmatizador. Muito pouco se tem feito no que se refere à transposição de estruturas sintáticas do dialeto italiano para a variedade do português local. Dos estudos específicos realizados nesse nível, dois constituíram-se em dissertações de Mestrado (PAVIANI, 2004; FAGGION, 2006). Construções sintáticas em que as estruturas dialetais italianas são usadas na formação de seqüências com palavras da língua portuguesa são bastante numerosas e muitas se encontram ainda em uso na fala de todos os dias.<xref id="xref-69e9259c31d43a6554a999c5a4f58af6" ref-type="fn" rid="footnote-35cff89319b35477faa8ab376fecc3a2">4</xref></p>
        <p id="paragraph-6ac4939d25b35b88488ea9b3387d249d">Um exame dos textos produzidos pelos entrevistados aponta o uso de léxicos que são típicos indicadores sociais da existência de estigma, não só pelo significado dado pelo contexto como também o são pela sua significativa recorrência, como se pode constatar adiante.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-6c7c1870a7b38709a8dbcf4c973975c5">
        <title>2.2 Bilingüismo e cultura</title>
        <p id="paragraph-579e4783321cfd49a5ff67fb472f2a17">Partimos de uma definição de bilingüismo sobre a qual há consenso – uma situação de fala em que um indivíduo ou uma comunidade utilizem mais de uma língua –, sem ignorar questões como grau, função, alternância e interferência, e reconhecendo que há determinadas situações que propiciam o contato de línguas, como é o caso do colonialismo, minorias, movimentos migratórios e outros (Cf. TABOURET-KELLER, 1976; MACKEY, 1968; ROMAINE, 2006; APPEL; MUYSKEN, 1992; EDWARDS, 2004).</p>
        <p id="paragraph-9">Levamos em conta também, segundo Romaine (op. cit., p. 14), ao lado das habilidades lingüísticas básicas, a competência comunicativa, que se revela na interação, o que remete à questão da cultura na vida social, e sua intrínseca ligação com a linguagem.</p>
        <p id="paragraph-11">Para Titone (1993, p. 42), compreender o bilingüismo significa projetá-lo contra o fundo da situação sociocultural. O verdadeiro bilingüismo seria então, ao mesmo tempo, um biculturalismo (TITONE, op. cit., p. 45).</p>
        <p id="paragraph-629682b73cc92f388c4322986d3acf7a">Já Grosjean (2001 [1982], p. 157) afirma que pessoas que usam duas línguas podem ser, de fato, monoculturais, e pessoas que falam uma só língua podem ser biculturais. Grosjean (2001, p. 157) define cultura como “o modo de vida de um povo ou sociedade, incluindo suas regras de comportamento; seus sistemas econômico, social e político; suas crenças religiosas; suas leis; e assim por diante”<xref id="xref-8db60da9c98d9d4f1bcec9f1bf6a5111" ref-type="fn" rid="footnote-3d13de07b85519dbb0cd143cf6e4e09f">5</xref>. A cultura é adquirida e socialmente transmitida, em grande parte, pela linguagem. Diferentes culturas, diz o autor, entram em contato, assim como as línguas, e as pessoas se ajustam a uma outra cultura em maior ou menor grau (Cf. GROSJEAN, op. cit., p. 158-160), sendo a situação mais comum a da pessoa que combina traços de diferentes culturas (GROSJEAN, op. cit., p. 161).</p>
        <p id="paragraph-6c34392f85105904c22f56258c6b4cb2">Nessa perspectiva, a língua é vista como um conjunto de recursos simbólicos que entram na constituição do tecido social e na representação individual de palavras reais ou possíveis (DURANTI, 2003, p. 3). Os signos lingüísticos, como representações do mundo e conexões com o mundo, nunca são neutros (DURANTI, op. cit., p. 5): são constantemente usados para a construção de afinidades e diferenciações culturais.</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-1c4ab391a28da26ded2a8310405c73e4">
      <title>3 A história lingüística da Região de Colonização Italiana</title>
      <p id="paragraph-3095fd4521a981eae2eb4d5a760386d8">A história lingüística da Região de Colonização Italiana (RCI) teve seu início com a chegada dos imigrantes italianos, em 1875. As falas de várias províncias do norte da Itália constituíram, então, nesse espaço do solo brasileiro, o multilingüismo dialetal italiano. Não só a linguagem era italiana; o universo cultural aí instaurado foi essencialmente italiano e assim se preservou durante várias décadas da história regional. A palavra étnica servia à comunicação de forma natural, espontânea, comum a todos os indivíduos pertencentes ao grupo humano que aí se estabelecera. Não havia confronto com outros sistemas de fala, não se conheciam restrições lingüísticas nem sociais ditadas pela sociedade maior. Os imigrantes – vênetos, lombardos, trentinos e friulanos – e seus descendentes falavam livremente seus dialetos originários, num contexto tipicamente italiano por eles construído com a energia física e a força mental de quem veio para vencer a fome e a miséria sofridas na terra de origem. No solo brasileiro, passaram a trabalhar e a nomear seu novo mundo com sua velha e secular linguagem. Intrínseca à sua identidade étnica, os italianos mantiveram sua língua materna, inseparável de suas vidas tal como o ar que respiravam, durante um longo período das mais de treze décadas de história da RCI. A língua materna, no dizer de Hannah Arendt (1993), acompanha o indivíduo do primeiro ao último dia de sua vida.</p>
      <p id="paragraph-e632f5f3508ff7b60c42fdb52017641b">.</p>
      <p id="paragraph-6d5c91b895f0976057226c457d27a1a7">Come una specie di seconda pelle, che ci avvolge dal primo all’ultimo giorno, l’idioma materno non si può tradurre e non si può tradire. È la sola dimora che resta, malgrado la spaesatezza dell’uomo nel mondo: una idea rassicurante. (DI CESARE, 2003)<xref id="xref-293e5f34fdc9bf572fbe19429df92e4d" ref-type="fn" rid="footnote-54f60316b71556c26f68f32f5c236e49">6</xref></p>
      <p id="paragraph-3f6392699c7c49c6ff3bf994e5c49fc0"> .</p>
      <p id="paragraph-ab15f5747d3f1663788d9c18e6d9747a">A contar da década de 1930, porém, a coibição à fala dialetal italiana alterou o cenário lingüístico das comunidades ítalo-brasileiras da RCI com perdas significativas dessa fala em favor da língua portuguesa. Atos políticos e fatos históricos<xref id="xref-c1796d0b4d624292b8827a43d38728f1" ref-type="fn" rid="footnote-01f72c66bf1617f05be586a2737a3fbd">7</xref> ditaram normas, instituíram uma nova ordem: foi proibida a fala em italiano, todos deveriam se expressar em português, sabendo ou não essa língua. Isso gerou humilhação, vergonha, tristeza, inibição e silêncio. Em muitas situações conflitantes, o silêncio foi a única solução que restou para o falante. Nesse contexto da RCI, a estigmatização sociolingüística, que se estendeu, em alguns casos, até os dias atuais, produziu efeitos ainda não suficientemente estudados<xref id="xref-ae5e2cdb15edfc35870aa050f0ad499c" ref-type="fn" rid="footnote-0b906d271331211d0a902fe2fce0a2c9">8</xref></p>
      <p id="paragraph-b229f7a8e22eb73b6a8e327b7abe8e79">O desprestígio, o preconceito e o estigma lingüístico têm caráter extralingüístico: o estigma é um fenômeno social. Mas, na vida real, muitas vezes, o social e o lingüístico se confundem. Pela fala, o indivíduo não só transmite determinadas mensagens; a fala é, por si mesma, reveladora, portadora de informações múltiplas; vale dizer, ela não é neutra.<xref id="xref-f80028432d0601ff7e301d50643ee938" ref-type="fn" rid="footnote-c3f26dd8ae0f478eb6ef35120672695b">9</xref> As características de fala de um indivíduo, dentre outras informações, podem indicar a qual categoria sociocultural ele pertence, qual é a sua origem étnica, qual é a sua profissão, qual é o seu nível de instrução. Ainda, como já apontado por diversos autores, entre eles Grosjean (2001), o indivíduo, além de se revelar através de sua fala, tem ele próprio atitudes positivas ou negativas em relação à língua ou à variedade lingüística que está usando, ou, no caso de ele ser bilíngüe, atitudes que podem ser diversas em relação a uma ou a outra língua. A uma determinada língua pode ser atribuído prestígio em detrimento de outra, que é ou se torna estigmatizada.</p>
      <p id="paragraph-ddf3e92d4fef20f08f3ea8466835f674">Considera-se que, do ponto de vista social, cada variedade lingüística correlaciona-se com valores simbólicos. Os falantes vêem refletidas em uma variedade lingüística determinadas características da comunidade social que a fala. Essas características são, muitas vezes, o resultado das atitudes que os utentes têm em relação à própria língua. Essas atitudes podem ser positivas ou negativas. Gaetano Berruto e Monica Berretta (1980) afirmam que, em decorrência de determinados mitos e valores, predominantes em uma determinada sociedade em uma dada época, uma variedade específica de uma determinada língua adquire prestígio e passa a ser percebida como portadora de uma cultura superior ou de costumes a serem imitados. De certa forma, esse fenômeno sociolingüístico caracteriza a RCI ao longo de sua história, com variações significativas peculiares aos vários períodos de sua evolução.</p>
      <p id="paragraph-33ace0af7be1f335552c50b8b82bd1de">Com as comemorações do Centenário da Imigração Italiana, em 1975, toma forma um movimento expressivo de retorno à origem étnica italiana, com reflexos visíveis até nos dias atuais. De uma intensa, viva e variada programação cultural emerge, forte e readaptada à realidade moderna, a etnicidade italiana que busca a própria linguagem, há tempo sufocada e negativamente marcada por vários fatores durante um longo período da história regional<italic id="italic-7c64e6948a2e3dc4dd8d8484394d2007">.</italic> Essa emergente italianidade surge como um sentimento identitário cujo referencial pode ser interpretado como uma construção mítica. Revela-se aqui algo semelhante ao que Conzen (1990) sustentou em seus estudos, bem resumido nas palavras de Santoro de Constantino (2002), ao dizer que</p>
      <p id="paragraph-50f7a366f2d690975cb7967cd6a106d7">. </p>
      <p id="paragraph-9409d9404f374c9434a4ad2c170b470a">l’identità étnica è una costruzione culturale che si sviluppa in un determinato período storico; che i gruppi etnici si trovano in uno stato di continua ricostruzione; che l´etnicità è sempre reinventata, al fine di far fronte a realtà che cambiano: che una identità è risultato del dialogo con la cultura predominante.<xref id="xref-b817b3c155c52f27b30180c8e24817c3" ref-type="fn" rid="footnote-c97ea531419067d68c2bedf793ad70db">10</xref></p>
    </sec>
    <sec id="heading-adaf3891ee4d518d8370e812c66634c7">
      <title>4 O bilingüismo na Região de Colonização Italiana</title>
      <p id="paragraph-704a270e372205bd517954e0b88f531e">Na RCI convivem variedades de duas línguas, a portuguesa e a italiana, certamente com interinfluências. A língua portuguesa falada na região tem características muito específicas, já analisadas em vários estudos.<xref id="xref-29a358de09e1abe1f89903bb04c3edd6" ref-type="fn" rid="footnote-53d784b2810060c0d6920cc6d3499342">11</xref> E existem registros de preconceito em relação à fala com marcas de influência do italiano, conforme já foi mencionado.</p>
      <p id="paragraph-5b55ae0b169d98aa2e3c1d34a57dedb7">Tal situação, no caso da RCI, pouco tem a ver com bilingüismo ativo, em seu estado atual. Muitos habitantes da região declaram que “entendem, mas não falam” dialeto italiano, configurando o chamado bilingüismo passivo ou receptivo (EDWARDS, 2004, p. 10). E talvez nem sejam bilíngües os indivíduos portadores das marcas de influência, mas, sim, monolíngües, só que sua primeira língua é um português já com marcas de sotaque (fato reportado por PAVIANI, 2001).</p>
      <p id="paragraph-e3b5d3ffc5d9db981f50929943164be8">O sotaque e o decalque introduzem na interação um elemento de desatenção, equivalente ao ruído, deixando em segundo plano o assunto. O sotaque e outras marcas constituem uma informação a mais, que concorre com a informação intencional da mensagem, relegando esta última a uma posição secundária, ou mesmo anulando-a. Inserem seu portador num estereótipo, revestem-no de preconceito e podem chegar a estigmatizá-lo, no sentido utilizado por Goffman (1988 [1963]), tornando-o consciente da estranheza de sua fala.</p>
      <p id="paragraph-a10d351b03c10c035d10d33170001f8a">Os estudos de caráter histórico e sociológico sobre imigração na RCI mencionam a manutenção de uma identidade italiana, sem dúvida facilitada pelo isolamento em relação às cidades de língua predominantemente portuguesa. Azevedo (1975), Manfroi (1975), Battistel e Costa (1982), Frosi e Mioranza (1975), Frosi (2000) estão entre os autores que mencionam as dificuldades de aculturação, os problemas de assimilação, a manutenção dos dialetos de origem, o bilingüismo, e o posterior prestígio da língua portuguesa. Frosi e Mioranza (1983) registram a coiné de predominância vêneta, que permitiu comunicação entre grupos procedentes de diferentes regiões da Itália, cada qual com seu dialeto específico. São elementos que apontam para a manutenção de uma cultura italiana, caracterizada pela presença marcante da religião (católica), pelo orgulho pelo trabalho, pelo apego irrestrito à noção de família como núcleo em torno do qual tudo se constitui e se constrói (sobre etnicidade, ver FROSI; FAGGION; DAL CORNO, 2005).</p>
    </sec>
    <sec id="heading-1da8d992f83cc73bb5d51f00c5a7cd0f">
      <title>5 O estigma nas produções dos bilíngües</title>
      <p id="paragraph-f9f898a9512358c62e9523f86519b869">Conforme os dados colhidos nas entrevistas, o estigma é fortemente relacionado à diferença que ficava perceptível quando os habitantes da zona rural, falantes dos dialetos italianos ou de um português com marcas dialetais, encontravam-se em situações em que suas características podiam ser contrastadas com as dos habitantes da zona urbana, falantes de português. Os resultados mostram que, nessa situação, o estigma é revelado de quatro formas, principalmente:</p>
      <list list-type="bullet" id="list-6fe930486bd7d96ca83abdbf60f418f9">
        <list-item>
          <p>a) por um sentimento de inferioridade pela percepção da diferença com relação à norma, ao “normal”, geralmente associado à fala;</p>
        </list-item>
        <list-item>
          <p>b) pela expressão da consciência da diferença/inferioridade localizada em aspectos da fala, de capacidade intelectual ou de instrução;</p>
        </list-item>
        <list-item>
          <p>c) pela referência a fatos histórico-político-sociais que agiram como motivação externa para o estabelecimento da condição de diferença/ inferioridade;</p>
        </list-item>
        <list-item>
          <p>d) pela referência a características adquiridas e/ou manifestadas como conseqüência do estigma.</p>
        </list-item>
      </list>
      <p id="paragraph-f403253273d582c2ffb50a5467ead46f">Os entrevistados empregam alguns recursos lingüísticos específicos para manifestar suas impressões e sentimentos com relação ao estigma sociolingüístico que existiu principalmente no passado. São substantivos usados repetidas vezes pelos sujeitos em seus relatos tais como <italic id="italic-4afacd882622fc965a83f964e104d2cf">vergonha</italic>, <italic id="italic-2">medo</italic>,<italic id="italic-3"> preconceito</italic>; adjetivos, como<italic id="italic-4"> atrapalhado</italic>,<italic id="italic-5"> errado</italic>,<italic id="italic-6"> proibido</italic>,<italic id="italic-7"> envergonhado</italic>; e verbos, como<italic id="italic-8"> ameaçar</italic>,<italic id="italic-9"> prender</italic>. São elementos lingüísticos<italic id="italic-10"> </italic>iguais ou semelhantes a esses os que mais chamam a atenção como registro da presença do estigma relacionado ao passado. Tomamos como exemplo o substantivo <italic id="italic-11">vergonha</italic>, que ocorreu 180 vezes nos relatos dos sujeitos da pesquisa.</p>
      <p id="paragraph-48976448f12d00f5a3588113b603c9bd">A associação do estigma sociolingüístico ao passado também pode ser percebida pelo emprego de marcadores temporais que enfatizam o que hoje, no dizer dos sujeitos, “não ocorre mais”, ativando a pressuposição de algo que, no passado, ocorria. Serve como exemplo o depoimento a seguir: “Eu confesso que uma vez eu sentia vergonha sim, sei lá, coisa de criança, né. (...) Hoje eu não, no meu caso, não sentiria vergonha” (S76).<xref id="xref-4530880dd1567620597c63c8fbe92ff0" ref-type="fn" rid="footnote-ec11245dd531498fa4a85bde72015ad4">12</xref></p>
      <p id="paragraph-d0c048910da815ef77b310c458697e54">Também se observa o emprego de alguns marcadores espaciais, que enfatizam a existência do estigma, principalmente, em situações de contraste, isto é, quando os portadores de sotaque ou falantes apenas de dialeto italiano se viam em situações em que deveriam interagir com os falantes de português. Era precisamente em tais situações que suas diferenças ficavam mais evidentes: eles eram os não-urbanos, não-cultos, não-instruídos, não-brasileiros. O depoimento a seguir serve como ilustração: “(...) quando se vinha pra cidade que tinha que falar em brasileiro, daí sim, a gente se sentia com vergonha (...) (S72). Verifica-se aqui a pressuposição de que, no meio rural em que viviam, a fala dialetal era comum, mas, fora desse ambiente, não se podia falar italiano porque isso seria vergonhoso. O mesmo é confirmado neste outro exemplo: “chegavam numa cidadezinha e iam lá e ficavam tudo envergonhado, ficavam tudo pra trás, assim, bem calados” (S65).</p>
      <p id="paragraph-23ceaa6d732d1b02e48af16f74ba9ae5">A cultura da RCI aparece marcada, diferente da outra, isto é, da brasileira. A fala, tanto a dialetal italiana quanto a variedade de português da RCI, constitui-se no elemento identificador da cultura do grupo étnico minoritário.</p>
      <p id="paragraph-7a52f037e3047721deb45f8b3a88d22b">Retomamos a seguir as quatro principais formas pelas quais o estigma se revela na pesquisa, apresentando, para ilustração, o testemunho dos respondentes.</p>
      <sec id="heading-1c5f3e034e27f302f6eb8d6e634bbcaa">
        <title>5.1 Estigma revelado por um sentimento de inferioridade pela percepção da diferença com relação à norma, ao “normal”</title>
        <p id="paragraph-a7615ed352568e485ee51962305ab3c5">Conforme foi assinalado acima, com freqüência, o português portador das marcas de influência dialetal italiana é associado a termos como <italic id="italic-354e20c13d68a87ed1295266a3aa88d3">vergonha</italic>,<italic id="italic-6bdaf4d7cc43f2ca0b30717f7cbac1ba"> envergonhado</italic>,<italic id="italic-ceeaeeb62dd01d78f742ff96dbd35aa4"> preconceito</italic>,<italic id="italic-0d1028b0cc367d38d4557bab15d8e204"> desvalorizar</italic>, reportando situações de<italic id="italic-a9bcb2e6723a2dc5a474454f04de2423"> </italic>constrangimento, que levavam ao sentimento de inferioridade. Não saber a língua majoritária era visto como ignorância, como atestam os exemplos</p>
        <p id="paragraph-7838e1c885fc79986a7221abef6c4a0a">a seguir.</p>
        <list list-type="bullet" id="list-e838b2f79bb0e962d6451b4228dc6085">
          <list-item>
            <p>“Tinha amigas que não gostavam do sotaque dos tios, dos avós. E eu presenciei. Elas tinham vergonha, não gostavam muito que eles falassem muito.” (S19)</p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p>“Porque eles se sentiam inferiorizados por ter esse dialeto, ou falar o português com esse sotaque mais de italiano. Por quê? Porque há a questão da inferioridade, de repente menos escolaridade, acho que é por aí.” (S21)</p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p>“Depois que eu vim morar na cidade é que eu tinha vergonha.” (S58)</p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p>“Aqui na cidade (...) eu me lembro, sim, que desvalorizavam a pessoa.” (S60)</p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p>“A gente ficava meio assim, a gente via que eles falavam bonito, (...) a gente ficava assim, não sabia responder corretamente, né?” (S67)</p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p>“Ah, tinha muitos que sentiam vergonha.” (S70)</p>
          </list-item>
        </list>
        <p id="paragraph-5aa359645ba6f85e2d765847fdae27aa">As marcas da fala dialetal italiana eram vistas como inferioridade. Percebe-se também que há uma relação entre marcas de fala dialetal italiana e contexto não-urbano. Manifesta-se aí, portanto, a oposição rural x urbano. Desde um simples constrangimento, provocado, por exemplo, pelo fato de sentir vergonha, até o se sentir completamente desvalorizado, percorre-se uma escala, numa gradação que leva ao estigma.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-75e88d113b578d311cca83e2d9e700f4">
        <title>5.2 Estigma revelado pela expressão da consciência da diferença ou inferioridade localizada especificamente em aspectos da fala, de capacidade intelectual ou de instrução</title>
        <p id="paragraph-6df7834aae0b3584026061d0daa339fa">São recorrentes depoimentos que fazem referência a um modo errado de falar, expressos como <italic id="italic-71f48e65de0a9e0717a4041e119e55fd">(falar) atrapalhado, errado, misturado, não</italic> <italic id="italic-4fc9393d9acffbf062ef7f5ed78c0ff6">corretamente, feio; não saber falar</italic>. Além disso, o estigma manifesta-se em<italic id="italic-9e3df887653fc7907c8e0d3ff3b2fdb3"> </italic>adjetivos como <italic id="italic-a98416202229dc4e28565ea153dc8ef8">ignorante, grosso, burro, colono, colono burro, colono grosso,</italic> <italic id="italic-3876fe61b1cd26ad0d3f7d4913037f0a">atrasado</italic>. Essas características, além de poderem ser também identificadas<italic id="italic-43340641135acc9cb1d0a16c0833b625"> </italic>em alguns dos exemplos dados anteriormente, evidenciam-se nos depoimentos que seguem.</p>
        <list list-type="bullet" id="list-13a892d4b83da04d76e13807b19adca6">
          <list-item>
            <p> “Acho que uma das questões básicas é que eles não queriam que a gente passasse pela mesma situação que eles passaram, digamos, de falar errado, de misturar as duas, mais por isso. Acho que era uma preocupação maior da minha mãe, que era quem falava, digamos assim, menos a língua culta, ela misturava bastante.” (S01)</p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p>“A minha sogra, por exemplo, ela comentou, ‘Bah, a tua mãe, ela fala bastante errado e tu não corrige.’ Eu nunca tinha me dado conta, diretamente que ela falava tão errado, porque era uma coisa tão natural, não é nem se dar conta, é não liga, eu acho.” (S14)“</p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p>“...Aí a gente percebia que os meninos que tinham um pouco de sotaque ficavam com vergonha, quando eles escorregavam e diziam alguma coisa como <italic id="italic-0623aa5e4233f2fdb93fa20547ed2202">caroça</italic>. Então houve uma fase em que essa interferência da língua italiana no português das pessoas da minha idade realmente era motivo de troça, de chacota.” (S16)</p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p>“Quando (...) falavam com aquele sotaque de italiano, muitos colegas riam, quando eu era criança... isso eu lembro que existia e ainda hoje a gente verifica isso, alguns adultos rindo de pessoas que falam ‘caregado’.”(S20)</p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p>“Eu lembro, sim, tem muitos assim que têm mania de falar dos italianos, dos gringos da colônia, as pessoas comentam assim ‘ah, aquele lá é grosso, não sabe falar’. ” (S69)</p>
          </list-item>
        </list>
        <p id="paragraph-b8c12be4042999f06d528f45ce9c4d8d">Os exemplos dados mostram-nos também que o diferente, o outro, suscita riso. Podemos dizer que, na verdade, não é a língua que é ridicularizada, mas a condição social de quem a fala. É o colono (Cf. FROSI, 1996, p. 162) que sofre o estigma, sua fala é apenas um dos elementos que o identificam. Verifica-se, além disso, que a noção de falar errado ou falar misturado acompanha freqüentemente o fenômeno da estigmatização à questão da interdição à fala em língua estrangeira, característica da Campanha da Nacionalização do Ensino e do período da Segunda Guerra Mundial, como se verá no item a seguir.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-bc62b67c193858fb0c4b3b1e4bf1fd45">
        <title>5.3 Estigma revelado pela referência a fatos histórico-político-sociais que agiram como motivação externa para o estabelecimento da condição de diferença e/ou inferioridade</title>
        <p id="paragraph-eedaa47db04a3396c8817008ebeab801">No passado, a língua majoritária era admirada e seu uso era incentivado. Para isso concorreu não só o desejo de integração, mas também a propaganda intensa da Campanha de Nacionalização do Ensino, desenvolvida nos anos 1930.</p>
        <p id="paragraph-3f76dfa7ff9b307e29c060ea49f724b4">Pesavento (1980, p. 191-192) expõe a campanha que houve nas áreas coloniais, para afirmar o nacionalismo, com medidas para integrar os colonos à identidade brasileira: criação de escolas na zona colonial, nacionalização de estabelecimentos particulares, ênfase ao ensino obrigatório de Português, de História e Geografia do Brasil e de Educação Cívica. “A língua estrangeira foi proibida nas escolas, serviços públicos, militares e até nas inscrições de tumbas e lápides” (PESAVENTO, op. cit., p. 192).<xref id="xref-aef74712000ac0fab72bc64814146edd" ref-type="fn" rid="footnote-291e945efbd69791725d32e905a15adb">13</xref></p>
        <p id="paragraph-63a210afe0234a884a9713f6db1d580f">Em termos de quantidades, houve ganho nessa nacionalização: havia dezessete Grupos Escolares na RCI em 1937 e noventa em 1950 (Cf. PAGANI, 2005, p. 50). Mas houve sem dúvida perda cultural, pois, ao que tudo indica, não se preconizou a convivência de culturas, mas a substituição de uma pela outra (Cf. FROSI; FAGGION; DAL CORNO, 2006).</p>
        <p id="paragraph-b3e0fe67e813d5da95ee2352b9330977">Não era diferente a situação nas colônias de origem alemã. Campos (2006, p. 104) assinala que a centralização do ensino pelo Estado chegou à fiscalização das práticas escolares. A campanha de nacionalização de Nereu Ramos (em Santa Catarina), por exemplo, revelou um esforço de intervir na prática cotidiana do professor com os alunos (CAMPOS, op. cit., p. 105).</p>
        <p id="paragraph-d7d155639b7a10ce52762c78b0415305">Havia um propósito nacionalista que era básico na ideologia do Estado Novo, como aponta Sganzerla (2001, p. 39-40), um nacionalismo “que visava à eliminação das <italic id="italic-77141a040c122267ece3a2f7ba4b9fef">particularidades regionais</italic> e ao progresso do <italic id="italic-0e33780f48f37a830afd39eebbb8ee70">industrialismo</italic>, apoiado em um mercado nacional” (SGANZERLA,<italic id="italic-b80c806442168bee9c600b65e0a8b5bd"> </italic>op. cit., p. 40, grifos da autora), o que parecia constituir uma base para, nas palavras de Sganzerla (op. cit., p. 41), “uma nação homogênea, com uma única língua e uma única cultura”. Não havia lugar para a diversidade.</p>
        <p id="paragraph-3edf57f9c7d33f75dbea57ac8361253e">Payer (2001, p. 252) ressalta que essa prática de nacionalização ensejou condições para a interdição oficial das línguas de imigrantes. A autora assinala ainda que “a censura da língua constitui um modo particular de interdição da memória” (PAYER, op. cit., p. 253), e observa que as línguas estrangeiras, expulsas da escola, persistiram nas instâncias orais. Não poucos traços dessas línguas estão presentes na oralidade até hoje, muitos deles interpretados como erro, como podemos observar também nos depoimentos que ilustram o item 5.2 acima (Cf. PAVIANI, 2001, entre outros).</p>
        <p id="paragraph-600acddf9f2fed9f7cb35ef5e4035703">A interdição às falas italianas, ocorrida durante a Segunda Guerra Mundial, ainda hoje persiste como lembrança nefasta na comunidade ítalo-brasileira (a esse respeito, é interessante consultar os depoimentos presentes nos estudos de FROSI, 1996, 2005; BEMQUERER COSTA, 1997; FROSI; FAGGION; DAL CORNO, 2005, 2006; DAL CORNO, 2005; PIAZZA, 1983).</p>
        <p id="paragraph-c0448ff3ade702b2d7b15f39c4647784">Há constantes menções nos depoimentos colhidos na pesquisa, revelados em palavras como <italic id="italic-cd0b6e3504010264d3e60c72332b385d">medo, ameaçar, cadeia, preso, prender, proibição,</italic> <italic id="italic-d3bee24e01db1040420b0f14d88694ab">proibido</italic>. Alguns exemplos são:</p>
        <list list-type="bullet" id="list-b2a5afcb7bcf18e1d56c42889c6ca65d">
          <list-item>
            <p>“Era proibido falar italiano (...) então faziam o que podiam para falar o português.” (S17)</p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p>“No passado, por causa da guerra, eles não podiam falar o italiano.” (S19)</p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p>“Houve uma época que não podia mais falar italiano, porque era preso. E ela [minha mãe] disse que uma vez enfrentou os policiais da época dizendo que ela continuaria a falar italiano (...) e era um motivo de briga, porque não podia falar, e as pessoas não sabiam falar outra língua.” (S21)</p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p>“Eles foram proibidos de falar os dialetos da língua italiana (...) então isso aí foi uma coisa que tolheu muito eles, isso aí marcou mesmo.” (S25)</p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p>“Foi em 42 a 45. Daí eu aprendi [português], tive que aprender na marra. Era proibido, dava cadeia. É tempo de Getúlio Vargas...” (S61)</p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p>“Eu me lembro que meu pai falava que antigamente os italianos eram presos porque eles não falavam o português, e o italiano era proibido. Então muita gente foi presa na época da Segunda Guerra Mundial. Meu pai falava isso.” (S62)</p>
          </list-item>
        </list>
        <p id="paragraph-95140bc5b555805b9a82a7586cfb2bab">Embora a Campanha de Nacionalização do Ensino raramente seja nomeada, nos depoimentos, seus efeitos são lembrados:</p>
        <list list-type="bullet" id="list-edc24ac0a0010d28135196b2216724c3">
          <list-item>
            <p>“A proibição de falar dialeto dentro da sala de aula, qualquer situação, quando alguém falasse alguma coisa, era repreendido pela professora ou até xingado, ou podia até levar castigo.” (S24)</p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p>“Mas a gente era proibido [de falar italiano] no meu tempo de colégio.” (S68)</p>
          </list-item>
        </list>
        <p id="paragraph-6ffcb3ce200e3a573c4d2ed72d1f2e22">Com muita freqüência a memória guarda só os aspectos aterrorizantes, o medo e seus efeitos dolorosos. Sem ter fatos a que remeter, a razão não interfere no processo, que se perde no traumático, no inexplicado:</p>
        <list list-type="bullet" id="list-a0e214c1941ccae069793f78d131d9c0">
          <list-item>
            <p>“Quando proibiram de falar o italiano ou o alemão, e tinha que ser só o brasileiro, eu era um gurizote lá de uns quatorze anos, por aí, eu me lembro, pegasse alguém falando alemão ou italiano aqui no Brasil, eles prendiam, levavam pra cadeia, ameaçavam... mas comigo nunca aconteceu.” (S64)</p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p>“No meu tempo de criança quem falava italiano ia pra cadeia. Meu pai chegou a ir pra cadeia porque um amigo nosso entrou e ele disse <italic id="italic-83e6d1395865afda4badd6176294394a">bon giorno</italic> e o pai respondeu <italic id="italic-2a0a929ac16b7863adbf1d2811c06e62">bon giorno</italic>, e ele foi lá depois na delegacia e colocou o pai na cadeia. Foi de propósito para colocar o pai na cadeia. Eles não sabiam como colocar os católicos na cadeia, então eles botaram isso ali. A gente nem podia, os colonos nem vinham na cidade de medo de nem falar direito (...) sem português, falavam italiano e iam presos.” (S68)</p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p>“Isso até meu marido contou, na época de Getúlio Vargas. Um tio meu e um outro senhor, lá onde eu morava, foram presos. Eles foram pra Farroupilha comprar semente mas não sabiam dizer, e disseram em italiano. Ah, mas foram presos os dois, passaram uma noite lá.” (S70)</p>
          </list-item>
        </list>
      </sec>
      <sec id="heading-14b4db6e2f2dc296b48eb6fe49366b61">
        <title>5.4 Referência a características adquiridas e/ou manifestadas como conseqüência do estigma</title>
        <p id="paragraph-f523aba8b82d6a84baadbc43939809ab">Reitera-se o fenômeno da estigmatização, que restringe a liberdade e a expressão da pessoa, afrontando um dos direitos fundamentais do homem, que é o de falar sua língua materna, constrangendo a própria identidade e criando barreiras e sérios entraves ao desenvolvimento da auto-estima. E, o que é pior, mergulhando a pessoa na incompreensão, bloqueando-a, ensinando-a a não confiar nos amigos, reduzindo-a, num caso extremo, ao mutismo. Palavras como <italic id="italic-22a302dbc820aefc1574aac978f125db">silêncio, calado, mudo</italic> são constantes nos depoimentos colhidos. É o que nos mostra o seguinte exemplo:</p>
        <list list-type="bullet" id="list-9a4d5b048b8d20d761747ff05ee3860c">
          <list-item>
            <p>“Teve um governo que ele ameaçava de prender as pessoas que falassem o italiano. Eu me lembro de um senhor, que hoje já é falecido, mas ele não falava na rua, ele chorava e não falava. Porque ele tinha tanto medo, sabe, de ser preso, porque o governo ameaçava de prender mesmo. E ele tinha pavor, ele não falava, não comprava, não entrava numa bodega, no mercado, porque ele precisava pedir, e ele não sabia pronunciar nada em português, e então ele virava mudo na rua. Era horrível.” (S60)</p>
          </list-item>
        </list>
        <p id="paragraph-24e1ef68dc87433b05b993896c23726e">Os exemplos anteriormente enumerados mostram diferentes manifestações do estigma sociolingüístico presente nos relatos e na memória dos sujeitos entrevistados.</p>
        <p id="paragraph-7f66d8b064bd74cdc60351ba03aa7110">As zonas rurais foram as mais duramente atingidas por esse clima. Nas zonas urbanas, como se pode depreender, houve mecanismos que, de certa forma, favoreceram a aprendizagem da língua portuguesa.</p>
        <p id="paragraph-c918466246030c8b38aa1d3736e23931">Para algumas pessoas das zonas rurais, o contato com a nova cultura foi traumático e humilhante, aviltante até. Desprovidas do uso de seu instrumento de compreensão do mundo – sua língua –, os colonos não conheciam o passado da nova terra, nem compartilhavam as mesmas regras de conduta na vida social, nem conheciam o imaginário da cultura brasileira. E, por sua vez, esta tendia, cada vez mais, ao urbano. Era dupla a exclusão que sofriam: a das marcas da diferença lingüística, denunciadoras de diferenças culturais, e a das marcas identitárias de sua condição social – eram <italic id="italic-7db410ecc55daed4d32d17a9ef76799f">colonos</italic>.</p>
        <p id="paragraph-de6c5e47ef0bdedd911de0194d6f4762">Circunstâncias históricas do Brasil no pós-guerra faziam a comunidade da RCI ir aos poucos assumindo um perfil diferente, crescentemente urbano, cada vez mais industrializado e com acesso à educação. Isso atingiu antes a área urbana, e só aos poucos os ecos desse percurso chegavam à zona rural. Essa comunidade ítalo-brasileira – cindida – negava, muitas vezes, suas raízes mais humildes, que passaram a ser identificadas com as da zona rural – mais pobre, mais distante, mais isolada, com menos acesso à educação e, principalmente, com menos acesso aos bens de consumo que garantiam prestígio aos que tinham (recentes) condições de adquiri-los. A área urbana, enriquecida, assumia outros valores. E outra maneira de falar, confirmando-se o que poderíamos chamar de cisão interna do próprio grupo étnico italiano.</p>
        <p id="paragraph-83d2a1e0018a6144215d1217ec8c4ed4">De fato, até os dias de hoje existe a memória do estigma com referência à fala portadora de marcas italianas. (ver FROSI; MIORANZA, 1983; FROSI, 1987a; FROSI, 1987b; DAL CORNO; SANTINI, 1998; DAL CORNO, 2005; FROSI; FAGGION; DAL CORNO, 2005 e 2006). Tal estigma ocasionou não só situações de desconforto e desagrado, mas também, muitas vezes, entraves profissionais e isenções sociais aos que podiam ser identificados como colonos.</p>
        <p id="paragraph-87bf23b2039821dcc66be648c0d226b4">A alternância de códigos, a utilização da competência comunicativa, a espontaneidade na interação, tudo isso foi violentamente sufocado na memória cultural da comunidade, ou associado ao erro, à ignorância, à vergonha, à incompreensão.</p>
        <p id="paragraph-a2d7fca42165bd9a5848fbc609137e1b">Ao que tudo indica, o dialeto italiano da RCI, mesmo após a Segunda Guerra Mundial, foi claramente desencorajado pelas escolas, ou deliberadamente ignorado. Talvez até proibido. As escolas parecem ter incorrido na falácia decorrente da impressão popular de que duas línguas “atrapalham”.</p>
        <p id="paragraph-5fd9de09b6088eb26f5a19078a15c5a8"> Paviani (2001, p. 629) pondera sobre decisões pedagógicas equivocadas, que expõem os alunos a situações embaraçosas. O ensino da pronúncia não contribui para o desenvolvimento de habilidades comunicativas. Ficam esquecidos os outros usos da língua, tais como os do plano do discurso.</p>
        <p id="paragraph-2bdcbf88d6ca121d77e37d61d29ee5f3">O bilingüismo só se desenvolveu no circuito familiar e na vizinhança imediata. Nem a escola e nem a política oficial encorajaram a formação de uma comunidade bilíngüe mais forte.</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-83b51d51eaad4736bbaa4d31ff5833fa">
      <title>6 A superação do estigma</title>
      <p id="paragraph-56cc3eedbdf4ca65c53de1598281ecfc">Apesar do estigma que sempre marcou a história de vida passada do ítalo-brasileiro da RCI, os dados da pesquisa nos dão motivos para otimismo.</p>
      <p id="paragraph-67eaf975087fb64e6f3d6b4b0c628998">Ao lado da memória do estigma e da lembrança viva do preconceito, ao lado dos vestígios de medo, dor, isolamento e incompreensão, há depoimentos mostrando a alegria da vida em família, o entusiasmo do reencontro, o sentimento de identidade ítalo-brasileira, a herança da força e do trabalho, traços culturais ainda muito fortes na RCI. Embora esteja viva a memória do estigma, há também indícios de superação desse estigma no tempo presente. Afinal, a fala italiana sempre esteve associada à vida em família (Cf. FROSI; FAGGION; DAL CORNO, 2006, p. 104; GUBERT, 1995, p. 184). A instituição tradicional da família sempre ocupou um lugar privilegiado na cultura do ítalo-brasileiro.</p>
      <p id="paragraph-2b42704228d197f4180533c6f393844b">A palavra <italic id="italic-cf5d2744f47ecc15c33311146d3f5cd8">vergonha</italic> deixa de ser mencionada, e começam a surgir empregos da palavra <italic id="italic-cd0548a66478d6180d4ec0293b89bca1">orgulho</italic> associada à língua e aos costumes:</p>
      <list list-type="bullet" id="list-bec120171e0bd6e290737c118baf0f51">
        <list-item>
          <p>“Quando eu me reúno com as minhas primas, e justamente porque a gente lembra e fala daquela época (...) aí a gente conta essas histórias, e conta em italiano” (S16)</p>
        </list-item>
        <list-item>
          <p>“Até hoje, quando eles vão pra lá e a gente vai junto, todo mundo fala dialeto.” (S18)</p>
        </list-item>
        <list-item>
          <p>“Conforme a pessoa eu nunca deixei de falar, quando eu vou na colônia eu ainda gosto de falar italiano.” (S59)</p>
        </list-item>
        <list-item>
          <p>“Eu gosto de falar italiano com os meus filhos, ainda eu gosto...” (S60)</p>
        </list-item>
        <list-item>
          <p>“Eu gosto de falar com as minhas amigas, pessoas mais idosas, eu gosto de falar. Elas falam comigo, eu gosto dessa língua italiana.” (S60)</p>
        </list-item>
        <list-item>
          <p>“Recentemente eu estive na Itália e foi interessante de vê-los se admirarem de como a gente ainda cultiva o dialeto aqui.” (S26)</p>
        </list-item>
        <list-item>
          <p>“Essa utilização do dialeto italiano (...) assumo isso, assim, uma italianidade tardia.” (S26)</p>
        </list-item>
        <list-item>
          <p>“Eu tenho orgulho de falar italiano.” (S68)</p>
        </list-item>
        <list-item>
          <p>“Alguma coisa a gente tenta o italiano, eles [os filhos] perguntam, eles querem aprender.” (S70)</p>
        </list-item>
      </list>
      <p id="paragraph-c1480ceabee6113be2250e7f8990313b">A pessoa do colono assume uma nova dimensão social, integrada, participante:</p>
      <list list-type="bullet" id="list-09a58c2d4b6517443e7e2a09c543b87b">
        <list-item>
          <p>“Hoje tu não acharias uma pessoa, um colono [atrasado]. Hoje eles têm Internet, seu carro, seu caminhão, telefone. Eu creio que hoje não exista [preconceito]”. (S60)</p>
        </list-item>
        <list-item>
          <p>“[Antigamente eles ficavam] bem calados, não falavam. Hoje não. Hoje é diferente.” (S66)</p>
        </list-item>
        <list-item>
          <p>“Eu acho bacana quando vêm assim, falando em italiano, falando em dialeto, eu acho bonito...” (S68)</p>
        </list-item>
      </list>
      <p id="paragraph-22">Também ocorre uma espécie de assunção velada da memória do estigma. Um dos sujeitos admite a sua existência justamente ao se definir contrário a ele:</p>
      <list list-type="bullet" id="list-832217931e81cb9fefd6ad732814db3c">
        <list-item>
          <p>“Quando os meus primos que vêm da colônia vêm aqui falar comigo, eu não acho feio, eu acho que é o jeito deles. [...] chama uma pessoa de Gilmar, chamam ela de ‘Zilmar’, eles trocam o nome, [...] eles falam assim, eles nem percebem [...] E eu fico olhando: como é bonito a humildade, ser humilde, ser simples, eu acho lindo isso aí. Não, não corrijo nada, eu fico na minha. “ (S67)</p>
        </list-item>
      </list>
      <p id="paragraph-67f8f9fa67767c8ae9d1d38c4285f91e">Esse esforço de vencer o estigma, de verbalizá-lo e de ver com simpatia o diferente pode até ser uma etapa, e positiva, de um processo de transição.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-77865a1c2f0b81f446cf4e161f6d43e7">
      <title>Considerações finais</title>
      <p id="paragraph-e45b24afca424547b8c56e932cfa158f">Houve e há razões históricas e sociais para a prevalência da língua portuguesa. Os elementos culturais itálicos, no entanto, eram muito fortes, e alguns permaneceram. Com eles permaneceu, de certa forma, a língua que os veiculava e que deixou marcas na língua majoritária. Isso deu ensejo até mesmo a movimentos de valorização das origens, como os ocorridos por ocasião do Centenário de Imigração Italiana, em 1975, e eventos posteriores.</p>
      <p id="paragraph-04e2ff3fa21c52e85e9e2b98024e09d2">Persistem os valores culturais: a família, as brincadeiras, o encontro e, certamente, a mesa posta. Persiste a língua em que eram cultivados, embora falada por menos pessoas. O melhor, no entanto, é verificar que, ao menos da parte de alguns, há testemunho de uma mudança de atitude em relação ao dialeto italiano e à fala com sotaque. Cria-se uma visão menos preconceituosa e mais centrada em valores humanos. Ou estaremos verbalizando uma esperança?</p>
    </sec>
  </body>
  <back>
    <fn-group>
      <fn id="footnote-19c85a7d57ca3ab148db593ea4edb3aa">
        <label>1</label>
        <p id="paragraph-f82e80ffa59b1f99f8efc622b077cff6">1 TATARELLI, Roberto. Presidente del Congresso Stigma e del Progetto Stigma. Disponível em: &lt;http://www.psychomedia.it/pm-cong/2002/stigma.htm&gt;. Acesso em: 6 de mar. 2008. “O Estigma é uma marca, uma cicatriz ou uma ferida ainda dolorosamente aberta que testemunha a ocorrência da ruptura da harmonia do ser humano, na qual corpo, mente e natureza relacional se integram na quotidianidade dos afetos, do trabalho e práticas sociais costumeiras.” [Tradução das Autoras].<bold id="bold-019ded2f9e667bd69e70d8528cef474b"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-d5f20d1b588e9dd2398002b071070528">
        <label>2</label>
        <p id="paragraph-5cc735ee1158fb6f3da0462f66f54992">2 Em relação ao uso do termo “colono” com sentido pejorativo e ofensivo já foi feito menção na nota 14 do texto “Interrelazioni fra il dialetto veneto e la lingua portoghese-brasiliana” (FROSI, 1987, p. 234).<bold id="bold-65a0c92d622ab250a2517831671251b2"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-fb28ab7edf8c7cb706d194313df3a302">
        <label>3</label>
        <p id="paragraph-15ea4ce15e26bc57e6075b51f89afa5a">3 Algumas dessas realizações fonéticas foram contempladas com estudos, muitos outros ainda não.<bold id="bold-d06975554febc2209c674da44454bd04"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-35cff89319b35477faa8ab376fecc3a2">
        <label>4</label>
        <p id="paragraph-202170d74b1475fbdfdca2208d404cd5">4 Servem como exemplos construções iguais ou semelhantes a estas: <italic id="italic-9e1fdb668c84e5f52c1b8663cebe8b1d">Não fiz hora</italic> <italic id="italic-99890701a3350736d6b36c644535bd26">de pegar o ônibus</italic>.<italic id="italic-dfb23697208d8cf5d41c4932d8318bc5"> Eu sentia eu que elas falava</italic>.<italic id="italic-50511869c0eb79b4ca831ca00f143f1e"> Me vem p’ra cima a raiva</italic>.<italic id="italic-c9cc0c56efee177539701f464d919bb1"> Me veio p’ra cima os sete minuto. Não fui capaz de achar fora o espelho</italic>.<italic id="italic-01952002ee2d123dfe6b8b71cccd9dcc"> Ela veio fora grande e gorda que nem sua mãe</italic>.<italic id="italic-d08f582669bd8d32c8bdb0155d556451"> Me fiz p’ra cima as mangas</italic>.<italic id="italic-4545bfa8ac15e4944f675e561f6ce476"> Ele foi lá embaixo da tia </italic>etc... (Cf. FROSI; MIORANZA, 1979, p. 100-102; FROSI, op. cit., p. 229; FROSI, 2000, p. 91).<bold id="bold-b0ab7a24d3c0822b60a65119fb134863"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-3d13de07b85519dbb0cd143cf6e4e09f">
        <label>5</label>
        <p id="paragraph-a90e0cd9931953db3a53d65d78da5eea">5 Tradução das autoras.<bold id="bold-369668e6da6c7416ea97f5627db7c153"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-54f60316b71556c26f68f32f5c236e49">
        <label>6</label>
        <p id="paragraph-13559b8f05e3b97e36b7a7e4fa21868f">6 “Como uma espécie de segunda pele, que nos envolve do primeiro ao último dia, o idioma materno não pode ser traduzido e nem pode ser traído. É a única morada que resta, não obstante a desambientação do homem no mundo: uma idéia reconfortante.” (Tradução das autoras a partir de texto disponível em: http://www.ecologiasociale.org/pg/dum_lingua_esule.html. Acesso em: 6 mar. 2008).<bold id="bold-25d4251748094fae52d0a223fcaa555e"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-01f72c66bf1617f05be586a2737a3fbd">
        <label>7</label>
        <p id="paragraph-d868abc79ae9f5e8a9adb3ab3d6c6dfd">7 Como estudo pioneiro, específico sobre os fatos políticos e históricos que tiveram conseqüências e efeitos marcantes na RCI, lembramos <bold id="bold-a87abcc4f3aa8b84c29fd235742a0a8a">“</bold>O Imigrante na política Rio-Grandense” (PESAVENTO, 1980, p. 156-182). De caráter mais amplo, recentemente publicada, é a obra <italic id="italic-4b017aca15e762e001f1c54765362ec9">A política da língua na era Vargas.</italic> (CAMPOS, 2006).<bold id="bold-2"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-0b906d271331211d0a902fe2fce0a2c9">
        <label>8</label>
        <p id="paragraph-d2acfca44c58168477d40655690f49d1">8 Como um exemplo de estudo específico sobre a questão, ver Dal Corno e Santini (1998). Outros estudos serão referenciados ao longo do texto.<bold id="bold-9d56b4bc06482cf519fe9e186bff0e9c"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-c3f26dd8ae0f478eb6ef35120672695b">
        <label>9</label>
        <p id="paragraph-ee6aaa3cc9255d4ee4a85f327e1c0fdf">9 De acordo, por exemplo, com Duranti (2003, p. 5).<bold id="bold-b050c011d5deb452b168250a7aa63102"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-c97ea531419067d68c2bedf793ad70db">
        <label>10</label>
        <p id="paragraph-8636e2f6e41421880563079483ce255f"><bold id="bold-98b6aacba7aba7d4124ca1651ab6eaf3">10 </bold>“[...] a identidade étnica é uma construção cultural que se desenvolve em um<bold id="bold-198e5fe03af668a249bcd86a668c810d"> </bold>determinado período histórico; que os grupos étnicos se encontram em um estado de contínua reconstrução; que a etnicidade é sempre reinventada, a fim de fazer frente a realidades que mudam; que uma identidade é resultado do diálogo com a cultura predominante.” (Tradução das autoras). Disponível em: &lt;http://www.alef-fvg.it/emigrazione/approfondimenti/santoro.pdf&gt;. Acesso em: 10 mar. 2007.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-53d784b2810060c0d6920cc6d3499342">
        <label>11</label>
        <p id="paragraph-3898f81fc472325c0dc652f84f0ca3df"><bold id="bold-d97cfe71f9730c3ec35d68019a3932d5">11 </bold>Ver, por exemplo, Frosi; Mioranza (1975, 1979, 1983); Dal Corno; Santini<bold id="bold-41b76dd9e1853e072d43a59882d46540"> </bold>(1998); Frosi (1987, 1996, 2001, 2005); Dal Corno (2005); Frosi; Faggion; Dal Corno (2005); Paviani (2001); Paviani (2004); Faggion (2006); Santos (2006); Roveda (1998); e muitos outros.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-ec11245dd531498fa4a85bde72015ad4">
        <label>12</label>
        <p id="paragraph-d88fa6ecc57269d8997311b956613ed8"><bold id="bold-3421733518788e488966b83859d1ba91">12 </bold>Nos exemplos de depoimentos dados daqui em diante, o <bold id="bold-425aa52fa823bc53f5752b577e883e3d">S</bold> corresponde a <italic id="italic-a78ac51c3c8cebc659ca06e606457f3a">sujeito</italic> <italic id="italic-a4260d02351ba61bfed9b2bca674ff5d">da pesquisa </italic>e o número substitui o nome do entrevistado.<bold id="bold-3"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-291e945efbd69791725d32e905a15adb">
        <label>13</label>
        <p id="paragraph-36529bd172f58a17b18076350ba89b57"><bold id="bold-760ee8e21603de1a07cee1ac4ebcb02f">13 </bold>No Estado de Santa Catarina, essa mesma questão é inserida na obra Santa Catarina: sua história. (Cf. PIAZZA, 1983, p. 648-649).<bold id="bold-b0225dcd2e2f419d249169a4ffdb4a84"/></p>
      </fn>
    </fn-group>
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      <ref id="chapter-ref-86300148ca5f4e6ab81b85908807061e">
        <element-citation publication-type="chapter">
          <publisher-loc>London</publisher-loc>
          <publisher-name>ARNOLD</publisher-name>
          <year>1992 [1987]</year>
          <person-group person-group-type="author">
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              <surname>APPEL</surname>
              <given-names>René</given-names>
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              <surname>MUYSKEN</surname>
              <given-names>Pieter</given-names>
            </name>
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              <named-content content-type="name">___________</named-content>
            </collab>
          </person-group>
          <source>Language contact and bilingualism</source>
          <chapter-title>Language use in the bilingual comunity</chapter-title>
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