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          <subject content-type="Tipo de Contribuio">Ensaio Teórico</subject>
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        <article-title>
          <bold id="bold-1">PISTAS MORFOLÓGICAS E SINTÁTICAS NA DELIMITAÇÃO DE ADJETIVOS EM RELAÇÕES PREDICATIVAS E DE ADJUNÇÃO NA AQUISIÇÃO DO PB</bold>
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            <surname>CORRÊA</surname>
            <given-names>Letícia M. Sicuro</given-names>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="17/05/2017" />
      <volume>7</volume>
      <issue>2</issue>
      <issue-title>PISTAS MORFOLÓGICAS E SINTÁTICAS NA DELIMITAÇÃO DE ADJETIVOS EM RELAÇÕES PREDICATIVAS E DE ADJUNÇÃO NA AQUISIÇÃO DO PB</issue-title>
      <fpage>43</fpage>
      <lpage>63</lpage>
      <page-range>43-63</page-range>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">
          <italic id="italic-070ed377e3425e2d8d74b752a6adcccd">Este artigo focaliza o modo como crianças, adquirindo o Português do Brasil, delimitam adjetivos em contraste com nomes. Relata-se um experimento de identificação de objetos inventados a partir de pseudopalavras, com vistas a verificar o peso relativo de informação morfológica de afixos derivacionais formadores de adjetivo e da posição estrutural deste (à direita ou à esquerda do nome) na distinção entre essas duas categorias lexicais. Os resultados são interpretados à luz de uma teoria da aquisição da linguagem que incorpora um modelo de língua nos termos do Programa Minimalista.</italic>
        </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-4610783b4a630db4bbdf9c66001ab44d">
          <italic id="italic-1">This paper focuses on the acquisition of nouns and adjectives by children acquiring Brazilian Portuguese. An experiment is reported, in which a word mapping task with invented objects and pseudo words was used. The working hypothesis is that children are sensitive to the position of nouns and adjectives and to the morphological information deriving from adjective forming derivational affixes. The results are interpreted in the light of a theory of language acquisition in which a minimalist conception of language is assumed.</italic>
        </p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-a522fad1601f20565b03960885d43b35">Aquisição da linguagem</italic>
        </kwd>
        <kwd content-type="">Bootstrapping<italic id="italic-fc76680e2a2456ea478c537dfddbc731"> sintático</italic></kwd>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-4b1ddbf605b8078d6d92856b93ac328b">Categorias lexicais</italic>
        </kwd>
        <kwd content-type="">Categorias funcionais</kwd>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-eb806d543c7a4353f936fa4f55734293">Afixos derivacionais</italic>
        </kwd>
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    <sec id="heading-af7252911cc077cea141bad5f7624c71">
      <title>
        <bold id="bold-f62ac6f1f2c5b583c7faf886813e63d1">Introdução</bold>
      </title>
      <p id="paragraph-3dbd9c01958a68c81076f8545bcd107a">Este estudo visa a investigar o tipo de informação proveniente da interface fônica (informação morfofonológica e relativa à ordem expressa no material fônico a que a criança tem acesso) e decorrente do <italic id="italic-efea4413b6560da5ca2c9660537b0e89">parsing</italic> da sentença, uma vez que enunciados são analisados pela criança em unidades sintagmáticas, na aquisição de adjetivos no Português do Brasil (PB). Mais especificamente, investigam-se questões relativas à ordenação linear do adjetivo em relação ao nome no DP e ao papel de elementos de classes fechadas, como itens funcionais e afixos, particularmente de afixos derivacionais formadores de adjetivos no processo de delimitação de categorias lexicais pela criança.</p>
      <p id="paragraph-d6fdd59758fec87683bc2e4e7a09e7fa">De maneira geral, estudos em aquisição da linguagem vinculados à teoria linguística têm sido conduzidos de modo independente daqueles voltados para os procedimentos de aquisição. No primeiro caso, a formulação do problema da aquisição da linguagem não abarca <italic id="italic-55fa1f27d2e87f3c51703ce9eb6f0551">o modo</italic> <italic id="italic-2">como </italic>a criança identifica as propriedades da língua presentes no fluxo da<italic id="italic-3"> </italic>fala à sua volta; no segundo, nota-se, em muitos casos, a ausência de um modelo teórico de língua que explicite o que deve ser adquirido pela criança e o que pode ser atribuído a um programa biológico. A pesquisa psicolinguística em aquisição da linguagem, buscando caracterizar o tipo de informação que poderia alavancar o processo de aquisição, mostra-se compatível com a ideia de que toda informação gramaticalmente relevante tem de ser legível nas interfaces do sistema da língua com sistemas de desempenho, como proposto no Programa Minimalista.</p>
      <p id="paragraph-d1874ef00accad0da74cc6bd4341f635">A perspectiva teórica assumida neste trabalho é a de se considerar, de forma integrada, uma teoria linguística que contemple o problema da aquisição da linguagem – particularmente a teoria de Princípios e Parâmetros, nos termos do Programa Minimalista (CHOMSKY, 1995; 1999; e obras posteriores) – e uma abordagem psicolinguística que considere, como meios de desencadear a aquisição de uma língua, a análise do material lingüístico pela criança na aquisição de significado lexical – teorias do <italic id="italic-6de87427b1c453cb94160c01f1d2aa2f">bootstrapping</italic> (MORGAN; DEMUTH, 1996; CHRISTOPHE; DUPOUX, 1996; CHRISTOPHE et al., 1997; PINKER, 1987, 1989; GLEITMAN, 1990), como proposto em Corrêa (2006).</p>
      <p id="paragraph-ec9f8ea0648daf6b1e3bc80f5217736d">Considera-se que a criança identifica padrões regulares na interface fônica e os representa como informação gramaticalmente relevante, o que desencadeia as operações do sistema computacional lingüístico universal. Este funcionaria como um procedimento de <italic id="italic-28b7a54c59b100a2967b7cc262fb4771">parsing</italic> e de aquisição da língua, permitindo à criança montar estruturas sintáticas correspondentes a sintagmas e com eles estabelecer referência a objetos e eventos (CORRÊA, 2007, no prelo). Essa habilidade de lidar com uma análise sintática inicial poderia desencadear a aquisição de informação sintática e semântica pertinente à classe dos adjetivos, incorporando a idéia de <italic id="italic-b6379c4aa69f7251ce704d8a7a2c406f">bootstrapping</italic> sintático (GLEITMAN, 1990). Investiga-se, assim, o papel da ordem estrutural aliado ao do afixo derivacional como desencadeadores do processo de identificação de nomes e adjetivos.</p>
      <p id="paragraph-153ba9c79b2010f50b96c8830e70d43a">Uma das tarefas que se apresentam à criança na aquisição de sua língua materna é a de descobrir de que maneira propriedades ou atributos são apresentados lexicalmente na língua – se por elementos de uma categoria lexical (como a dos adjetivos), como na maior parte das línguas conhecidas, se por meio de morfemas de posse livres ou presos, como em Haússa (língua afro-asiática falada na Nigéria), ou no Chinês (cf. ROSA, 2000). Além disso, no que concerne à sintaxe da língua, a criança deverá fixar o valor de parâmetros de ordem que determinam a posição do adjetivo no DP.</p>
      <p id="paragraph-3192de2a1491f1c4414ac65bbe49ec06">A hipótese de trabalho que orienta esta pesquisa é a de que a criança, em torno de seu segundo ano de vida, faz uso de informação sintática e morfológica na delimitação da categoria adjetivo e na fixação da ordem canônica deste no DP<xref id="xref-9285e125214bd608c680ec5a80117f9f" ref-type="fn" rid="footnote-e4108b6dffcf9d42cb7be5bed9883b76">1</xref>. Pressupõe-se uma capacidade suficiente de processamento por parte da criança, para acessar todos os elementos lingüísticos envolvidos numa relação sintática de que façam parte os adjetivos.</p>
      <p id="paragraph-4ed31d253d76b4b1c9b10aeccea97f49">Estudos em aquisição da linguagem vêm investigando o modo como categorias lexicais são delimitadas. Waxman (2006) relata uma série de estudos nos quais a delimitação de nomes e adjetivos foi explorada. Resultados obtidos em experimentos conduzidos em inglês sugerem que a presença do determinante aliada à informação morfológica de um sufixo derivacional formador de adjetivos contribui para a distinção entre nomes e adjetivos em posição de predicativo por crianças na faixa de 13 meses de idade. Esses resultados são compatíveis com a hipótese de que a identificação de elementos de classes lexicais pode ser facilitada por um procedimento de <italic id="italic-fbc209ecf078f37d112b0ad185841e5d">parsing</italic> que leve em conta elementos funcionais e marcas morfológicas expressas por elementos de classes fechadas (como no caso dos afixos derivacionais). O uso de informação proveniente da identificação de elementos pertencentes à classe dos determinantes na delimitação de elementos de categorias lexicais é compatível com a representação de núcleos funcionais para o processamento do material lingüístico pela criança, antes de serem desenvolvidas habilidades pertinentes à produção da linguagem.</p>
      <p id="paragraph-9ce83e13a657d59f9e2f028e69ecc329">No que se refere à sensibilidade de crianças a afixos derivacionais como fator relevante à distinção de categorias lexicais, Waxman &amp; Booth (2001) obtiveram resultados consistentes com a idéia de que a apresentação de objetos por nomeação (<italic id="italic-d1e76e48296a5e425264fed3abb89f89">This is a blicket</italic>) ou por meio de uma construção com adjetivo contendo marca morfofonológica característica do inglês (<italic id="italic-d592e9720a312bb776a5c2f7c3bbf0a1">This one is blickish</italic>) guia a atenção da criança para a identificação de categoria (nome) ou de propriedade (adjetivo).</p>
      <p id="paragraph-c7166926b689ee73e09600b614c32c4f">Em um primeiro experimento conduzido em PB com crianças de 18 a 22 meses, constatou-se que a presença de um afixo derivacional formador de adjetivos denominais (-oso/-ento), por um lado, e a presença do determinante, por outro, auxiliam a criança na distinção entre adjetivos e nomes novos, apresentados por pseudopalavras (TEIXEIRA; CORRÊA, 2006).</p>
      <p id="paragraph-439ebe74e18e8fb4adee29e958a870a9">O presente trabalho dá continuidade a esse último e busca investigar a sensibilidade de crianças com idade média de 20 meses à informação de natureza morfológica aliada à informação sintática concernente à posição do adjetivo em relação ao nome, em situação de adjunção. Assume-se que a adjunção de adjetivos no DP pode contribuir para a interpretação da referência específica, chamando a atenção da criança para uma propriedade do elemento referido.</p>
      <p id="paragraph-cfba482ef095571960e1a941cb157f7b">.</p>
      <p id="paragraph-cc7ee3a83919715a2a4cf7e5f63efe3b">
        <bold id="bold-be87cf13a668bd6f5507d816a67903f3">1</bold>
        <bold id="bold-ba74646af5f2f2fc6c8c653aae36431a">Experimento – Sensibilidade à posição estrutural do adjetivo adjunto e a afixos derivacionais</bold>
      </p>
      <p id="paragraph-3">Este experimento teve como objetivos:</p>
      <list list-type="bullet" id="list-41c9c061558b8e8b1df4e63c0db132bd">
        <list-item>
          <p>(a) verificar se crianças de 18-22 meses adquirindo o PB são sensíveis à ordem canônica NP + Adjetivo no DP, ao inferir a classe e o significado de palavras novas a partir de pseudopalavras;</p>
        </list-item>
      </list>
      <list list-type="bullet" id="list-7c8b1e0c20d3b769088be48f2baf7092">
        <list-item>
          <p>(b) aferir o peso relativo da informação concernente à ordem nome/ adjetivo e adjetivo/nome diante da informação proveniente de afixos derivacionais (por sua especificidade no que diz respeito à distinção de categorias lexicais).</p>
        </list-item>
      </list>
      <p id="paragraph-9">Manipularam-se as seguintes variáveis:</p>
      <list list-type="bullet" id="list-6aeaed665f2903d23f6759c1ecfd34d4">
        <list-item>
          <p>a) posição estrutural (à direita/à esquerda do nome);</p>
        </list-item>
      </list>
      <list list-type="bullet" id="list-60f22759d853cba33337b61bdcfa7585">
        <list-item>
          <p>b) presença de afixo derivacional (presença ou ausência).</p>
        </list-item>
      </list>
      <p id="paragraph-15">Como variável dependente, tomou-se o número de escolhas referentes ao novo objeto inventado com a propriedade-alvo. Por exemplo: com bolinhas roxas, ou triângulos verdes, ou quadrados laranja, ou cruzes vermelhas. (Ver imagem ilustrativa dos objetos manufaturados a seguir).</p>
      <sec id="heading-fbccd094b2db060003e7afe92ebe6362">
        <title>1.1 Condições experimentais</title>
        <p id="paragraph-81f432e889fb4e8081ffaad1488e061a">A - Adjetivo à direita do Nome (Det + N + Adj) / Com Afixo <italic id="italic-85cdc0f96a524a20b4eabbc9ff2230ee">Familiarização</italic>: Este é um<italic id="italic-a6e5a13fa211a40ada6bf7261df1054e"> dabo miposo</italic>. Este aqui também é um<italic id="italic-a3b0c570da31e23ec3eb462dc0869bc8"> dabo miposo</italic>. Este outro aqui é um<italic id="italic-4"> dabo miposo </italic>também. </p>
        <p id="paragraph-4de773700d3c6405e8ccb3d4936f6fc6"><italic id="italic-5">Contraste</italic>: Ih! Este não é um<italic id="italic-6"> dabo miposo</italic>. Este aqui também não é um<italic id="italic-7"> dabo miposo</italic>. Este outro aqui também não é um<italic id="italic-8"> dabo miposo</italic>.</p>
        <p id="paragraph-4"><italic id="italic-9">Teste</italic>: Pega o (que é)<italic id="italic-10"> miposo </italic>pra mim.</p>
        <p id="paragraph-db2f1f1ecd5b8462609e394743b145f9">.</p>
        <p id="paragraph-a0e554fcdc9c0a4d27e0fc6113a3e57d">B - Adjetivo à direita do Nome (Det + N + Adj) / Sem Afixo <italic id="italic-05e4a6a8f4e6157acd365bd1915b0b6b">Familiarização</italic>: Este é um<italic id="italic-06520484e6641b314e4921fd60525eb1"> dabo mipe</italic>. Este aqui também é um<italic id="italic-3474373d1d27859e843f1684127c5254"> dabo mipe</italic>.<italic id="italic-67c6910b9226d539e4c732e416d3061b"> </italic>Este outro aqui é um <italic id="italic-99483a1c0c6abbccb8bb22438a597017">dabo mipe</italic> também.</p>
        <p id="paragraph-7e2e3fbe39fd1f9bb7b4b00ceddbb060"><italic id="italic-a826b18ae6f9a4df0eef4829d66142d8">Contraste</italic>: Ih! Este não é um<italic id="italic-7bfc9828523cc0fa7fd55ae7b00de6d8"> dabo mipe</italic>. Este aqui também não é um<italic id="italic-ee726612a4f7eb61659683e3fed4e797"> dabo mipe</italic>. Este outro aqui também não é um<italic id="italic-6362c1b63ac828965a815af392946d95"> dabo mipe</italic>.<italic id="italic-0933a4df005fa44bc007c31d39604560"> Teste</italic>: Pega o (que é)<italic id="italic-fb3d403fc65a5e9e7f74334c4c09c8f6"> mipe </italic>pra mim.</p>
        <p id="heading-113e3d0d800de9196789e759f40ac387">.</p>
        <p id="paragraph-13f5f1cf33fa3fab93e28069ef481d92">C - Adjetivo à esquerda do Nome (Det + Adj + Nome) / Com Afixo <italic id="italic-1267e2fdb77920e0219240c305081153">Familiarização</italic>: Este é um<italic id="italic-893513174ad8e85938b87ff27d23cd4a"> miposo dabo</italic>. Este aqui também é um<italic id="italic-0ea5f3a0dda641fd88cf96cdd7ac79b5"> miposo dabo</italic>. Este outro é um<italic id="italic-8f3110eba3d6d6b178d8e1fb2a489ee2"> miposo dabo </italic>também.</p>
        <p id="paragraph-6dc1f0c2c67045dd1742b480edfa8f5d"><italic id="italic-55679951ef7e5b0eb89d672ddb651a5e">Contraste</italic>: Ih! Este não é um<italic id="italic-b195a407adcc33df7f07c4e29b52b374"> miposo dabo</italic>. Este aqui também não é um<italic id="italic-ace27fb3bb1b287300c4b78dc6ef9ba4"> miposo dabo</italic>. Este outro também não é um<italic id="italic-e326c8dd778546902eccadc17317f7f7"> miposo dabo</italic>.<italic id="italic-98b898b142c93d7a8bd9e4e769604167"> Teste</italic>: Pega o (que é)<italic id="italic-c15a0458d3fe17f69d74eb24c320f92e"> miposo </italic>pra mim.</p>
        <p id="paragraph-df8be765f646e0fb2dceefc73ce963c2">.</p>
        <p id="paragraph-fc89e62aaf66fc4a8b0508372c2ae882">D - Adjetivo à esquerda do Nome (Det + Adj + Nome) / Sem Afixo <italic id="italic-761fcc2bf2fd36c7474ee1acfb5cd1d4">Familiarização</italic>: Este é um<italic id="italic-c344f7df53c1d94b97e75a39922be4e6"> mipe dabo</italic>. Este aqui também é um<italic id="italic-7a06b6f9040ab97aa4e9c7adf6fac900"> mipe dabo</italic>.<italic id="italic-ef12bdc5d14f83d3e5975208a9a02bf9"> </italic>Este outro é um <italic id="italic-50007c87d137d3231d0f5a7490a24bdc">mipe dabo</italic> também.</p>
        <p id="paragraph-c77f0c5e1be83f8010741cc7636d7567"><italic id="italic-312a5d4a5acf050f6ba1d58c97b7c071">Contraste</italic>: Ih! Este não é um<italic id="italic-652352e6e14f287b070f6c757c63cc57"> mipe dabo</italic>. Este aqui também não é um<italic id="italic-6874145c3a98c3924409dd6ac246aed4"> mipe dabo</italic>. Este outro também não é um<italic id="italic-9756c06f84f8815b039907b39c9fbb30"> mipe dabo</italic>.<italic id="italic-f4c6fcf20897afd82b3478db470b0224"> Teste</italic>: Pega o (que é)<italic id="italic-11"> mipe </italic>pra mim.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-e28c74fc9518ebb118bcf2922e08ace4">
        <title>1.2 Método</title>
        <list list-type="bullet" id="list-67d13a2862072b2b6d7ac8a12b1ae43b">
          <list-item>
            <p>Participantes: 16 crianças, com idade média de 20 meses (sete do sexo feminino; 9 do sexo masculino), de uma creche-escola de Juiz de Fora participaram do experimento. Todas elas foram testadas individualmente, com a presença da professora ou ajudante de confiança. Cada criança foi apresentada a quatro condições experimentais quatro vezes, de modo que, ao fim do experimento, cada uma realizou 16 testes. A ordem de apresentação das condições por criança foi aleatorizada. As escolhas das crianças foram anotadas para análise posterior.</p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p>Material: Para a realização das tarefas, utilizaram-se 32 objetos manufaturados (ver imagem ilustrativa a seguir), selecionados de modo a formar quatro grupos diferentes de nove objetos cada (para se ter um exemplo, ver Quadro 1 adiante). Em cada condição experimental, durante a fase de familiarização, as crianças viram três objetos inventados iguais na forma, com cores diferentes e com a mesma propriedade (e.g. bolinhas roxas ou triângulos verdes ou quadrados laranja). Na etapa do contraste, cada criança viu: dois objetos conhecidos da criança (e.g. banana e bola ou lua e flor); um objeto inventado <italic id="italic-1069b2b62a942ab740aa7d6f02c43696">semelhante</italic> ao da familiarização, <italic id="italic-d5aa7ba5695b7c9be18eebece158467e">sem</italic> a propriedade-alvo e um objeto inventado <italic id="italic-c92e2e85e56d07433e98a260cdc05b39">diferente</italic> ao da familiarização, <italic id="italic-4f91a2bc82fd3019036c42130b11d8e0">com </italic>a propriedade-alvo. Na fase teste, foi apresentado um par de objetos<italic id="italic-e95dc36130132096ec7c24fb07269aed"> </italic>inventados: um igual ao da familiarização, de outra cor e com uma nova propriedade (e.g. cruzes vermelhas) e um igual ao do contraste, de outra cor e com a propriedade-alvo (e.g. bolinhas roxas).</p>
          </list-item>
        </list>
        <fig id="figure-panel-5c65ee6a1fd61218f9a54b28df5f13c1">
          <label>Figure 1</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-d4133bad1dc28bf3233a3d31d233fb0a" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-07bb1e2837a1f94760e9cb8eec07f079" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-01_19-21-00.png" />
        </fig>
        <table-wrap id="table-figure-ccd6b1e377d27828459872eee44bef93">
          <label>Table 1</label>
          <caption>
            <title>QUADRO 1 - Conjunto de objetos.</title>
            <p id="paragraph-2e0ef72cc8629e16bc32de0e34738cb7" />
          </caption>
          <table id="table-faacb877940540839d88ad3d9bbb3b18">
            <tbody>
              <tr id="table-row-019f289ff48eff3213fd55f8eaeb9d33">
                <td id="table-cell-11043c1ebea501163322ef77d628cc2b">Familiarização</td>
                <td id="table-cell-3df61149907a8f9da502a699b51f020c">Contraste</td>
                <td id="table-cell-694078b4a6a55c7b337e2c7d042200e6">Teste</td>
              </tr>
              <tr id="table-row-c69d10d0d752cf07154025054ff9dbc8">
                <td id="table-cell-b1eae39ac0591d9da87eb28827b5a5b1">Três objetos inventados de cores diferentes, com a mesma forma e com a mesma propriedade (ex. com bolinhas roxas)</td>
                <td id="table-cell-7080882f8ebabfef197d9fcb60a2223f"><italic id="italic-03cc56dbadf8becea1d3ceecd06786f7">Distratores</italic> a) dois objetos conhecidos sem a propriedade-alvo (lua/flor ou banana/bola); b) um objeto inventado <italic id="italic-68d1141486056a8cb2227448cd9ae25e">semelhante </italic>ao apresentado na Familiarização, sem a propriedade-alvo; c) um objeto invenado <italic id="italic-29e55df79b551415abcde05fce458fe8">diferente</italic> ao apresentado na Familiarização, com a propriedade-alvo.</td>
                <td id="table-cell-c655422b34197e8bbfee5e76d596df06">Objeto inventado igual ao da Familiarização, de outra cor, com outra propriedade (ex. cruzes vermelhas) X Objeto inventado igual ao do Contraste, de outra cor, com a propriedade-alvo (ex. com bolinhas roxas)</td>
              </tr>
              <tr id="table-row-bea821922f4a8a17269630028219c902">
                <td id="table-cell-97131418fda799262f4ba00fa96c3bd5" />
                <td id="table-cell-520db007de05942de5d28585fa43c809"><italic id="italic-30c5c807358e209fbdf498ff89f215d4">Alvo</italic> Objeto inventado com a propriedade-alvo (com bolinas roxas)</td>
                <td id="table-cell-87b165364685e2dfcfbc50fa9619cd0b" />
              </tr>
            </tbody>
          </table>
        </table-wrap>
        <list list-type="bullet" id="list-ab6624f736a2382b664b2d7094cdc5bb">
          <list-item>
            <p>Previsões: Esperava-se um efeito principal da presença de afixo, com <italic id="italic-15d235f2f1f891ab8c49dbb0c57de208">mais </italic>respostas concernentes à propriedade dos objetos, caso a criança<italic id="italic-d6e5ba8baa788014717a44e78761da57"> </italic>reconhecesse os afixos derivacionais; esperava-se, ainda, um possível efeito principal da posição estrutural, com <italic id="italic-27a280a85d4993ff5cbc31c538152bbf">mais</italic> respostas relativas à propriedade dos objetos, se a criança identificasse a primeira pseudopalavra apresentada como Nome, e a segunda, como Adjetivo, mapeando o objeto ou a propriedade do objeto.</p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p>Procedimento: Foi usado o paradigma da seleção de brinquedos em situação de aprendizagem de palavras novas/conceitos novos, segundo o qual a criança teve como tarefa mostrar à pesquisadora o que foi pedido, a partir de objetos manufaturados. Os brinquedos foram inventados a fim de evitar qualquer interferência decorrente de conhecimento prévio da criança, quando do mapeamento entre a pseudopalavra e o objeto inventado ou entre a pseudopalavra e a propriedade do objeto inventado.</p>
          </list-item>
        </list>
        <p id="paragraph-3e17cdf8ec8c1d6137d2125febc27135">Após chegar à creche-escola, a experimentadora iniciou a familiarização com a tarefa de manipulação de brinquedos, a partir de objetos conhecidos, apresentando-os aos pares e nomeando-os: carrinho barulhento/silencioso. O objetivo desse “aquecimento” foi o de familiarizar a criança com a execução da tarefa. Em seguida, teve início a apresentação dos objetos inventados. O procedimento incluiu três fases distintas: familiarização, contraste e teste (para mais informações a respeito das condições experimentais, ver quadros de 1 a 4 da seção referente a Anexos).</p>
      </sec>
      <sec id="heading-8642db438e6c6185639ef06d2aaf5aa8">
        <title>1.3 Resultados e discussão</title>
        <p id="paragraph-b52c01f515448112721149e37380e3cf">O gráfico a seguir indica as percentagens relativas ao <italic id="italic-21fef98dacd6975696aafc5e231bcdcd">número de escolhas</italic> referentes aos objetos inventados que apresentavam a <italic id="italic-2aa0e992e50a0114578335cb887ac22f">propriedade-alvo</italic> por condição experimental.</p>
        <fig id="figure-panel-baf67a330eb6e55d0c750a1de372a68e">
          <label>Figure 2</label>
          <caption>
            <title>GRÁFICO 1 - Distribuição de respostas-alvo em função da posição estrutural e presença de afixos.</title>
            <p id="paragraph-8803eaa8f5f58d8f0c47d39390b6d44a" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-055be113fe000fc39238d4dbb6449c15" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-01_19-31-49.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-283f89c7bd2782a9eaafaaac6ae09144">Os dados foram analisados por meio de uma análise da variância (<italic id="italic-2b6b572a480c8425bd70c7ad6d75b517">two-way </italic>ANOVA), com medidas repetidas. Os resultados indicam um efeito<italic id="italic-95b8d8c7392a196623e321d3df0add53"> </italic>principal quanto à ordem nome/adjetivo, com mais respostas concernentes à propriedade-alvo dos objetos, nas condições experimentais em que o adjetivo aparece à direita do nome, do que naquelas em que ele aparece à esquerda do nome: F(1, 15) = 36.15, p&lt; .00001.</p>
        <p id="paragraph-192479ac5809c1794f988ec160fa0a01">No que tange à presença/ausência de afixos, os resultados também apontam um efeito principal da presença de afixo, com mais respostas relativas à propriedade dos objetos nas condições com afixos derivacionais: F(1,15) = 10.38, p&lt; .01. Houve interação significativa das variáveis: F(1,15) = 24.77, p&lt; .001.</p>
        <p id="paragraph-f40ac3fb31f9664ac617aab451d5b524">Os resultados sugerem que a criança leva em conta tanto a <italic id="italic-55cc85b6574633e2bcc05945942dfa17">ordem</italic> quanto a <italic id="italic-e34f66c1c82cc4f058007c4787a56ae6">presença do afixo derivacional</italic>, na distinção entre nome e adjetivo. Nas condições experimentais em que as pseudopalavras foram apresentadas sem afixo, a ordem foi tomada como fator preponderante para o mapeamento entre a primeira pseudopalavra e a categoria (pseudopalavra = nome) e entre a segunda pseudopalavra e a propriedade (pseudopalavra = adjetivo), considerando que DETERMINATE + NOME + ADJETIVO é o parâmetro de ordem em português. Na presença do afixo derivacional, a informação morfofonológica é prevalente para o estabelecimento pela criança da correspondência entre a pseudopalavra com afixo e a propriedade (= adjetivo), principalmente nas condições experimentais em que o adjetivo aparece à esquerda do nome, ou seja, na posição não-canônica (DETERMINATE + ADJETIVO + NOME).</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-785dbe8b81aaa556a4aae3b241c21a44">
      <title>2 Considerações finais</title>
      <p id="paragraph-ba4959e155998e7ed59b7c33d88eee16">No âmbito da teoria de aquisição da linguagem aqui tomada como referência, o estabelecimento da ordem canônica de uma dada língua decorre de operações correspondentes à fixação de parâmetros na aquisição da linguagem que se estabelecem desde muito cedo. As evidências experimentais aqui apresentadas sugerem que crianças em torno do segundo ano de vida são sensíveis, no processamento da fala adulta, à informação distribucional e morfofonológica relativa a elementos de classes fechadas, tais como categorias funcionais e afixos (no caso deste estudo, os derivacionais), atribuindo o valor dos traços categoriais [+N,-V], [+N,+V] a elementos de categorias lexicais (nomes e adjetivos), quando do mapeamento de enunciados lingüísticos a objetos e a propriedades, respectivamente. As crianças, ao adquirirem sua língua materna, percebem na fala a sua volta determinados “padrões recorrentes” de natureza sintática (como o fato de que algumas palavras tendem a ser precedidas, com freqüência, por outras de classes fechadas: por ex., Det + Nome) e de natureza morfológica (como a presença dos afixos derivacionais, que distinguem categorias lexicais), levando em conta tais informações para a delimitação de adjetivos, distinguindo-os de nomes. A adjunção de adjetivos no DP contribui, assim, para a interpretação da referência específica, chamando a atenção da criança para uma propriedade do elemento referido.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-4188559d4724928ca077a6ce81e09d26">
      <title>Anexos</title>
      <fig id="figure-panel-4ba31a5dc1f9c0f8629a1b68a5caa77e">
        <label>Figure 3</label>
        <caption>
          <title>QUADRO 1 – Condições experimentais (Instância 1 - pseudo-nome = dabo; pseudo-adjetivos = miposo/mipe)</title>
          <p id="paragraph-3158f820f1c375b9eb3d3a25d2ba8f47" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-b1d8258c8012f7748eda1ce64eb0bfe6" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-01_21-15-02.png" />
      </fig>
      <fig id="figure-panel-280b3fd50f2b656c723f027a8751e4f5">
        <label>Figure 4</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-bbeee13e773ae03023556df166ab425f" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-75cca95debde4d86a8113d61090e7da7" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-01_21-15-29.png" />
      </fig>
      <fig id="figure-panel-30468df6862f7ee463964205d80c306a">
        <label>Figure 5</label>
        <caption>
          <title>QUADRO 2 – Condições experimentais (Instância 2 – pseudo-nome = mabo; pseudo-adjetivos = tobento/tobe)</title>
          <p id="paragraph-ff9f0a8351c3579ad9cc945bc48453ba" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-4bcf55a66bd4cf2b4f7f0e1295723b07" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-01_21-15-50.png" />
      </fig>
      <fig id="figure-panel-c8b3019ed530b1f8d063bd2ce8ad3e11">
        <label>Figure 6</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-35401bc4059a84fd3e829db0028c8fa8" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-1a0b5201e60ee9a01438fdeb336354a5" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-01_21-16-15.png" />
      </fig>
      <fig id="figure-panel-58e1c8817f756a43c87e125c042e8465">
        <label>Figure 7</label>
        <caption>
          <title>QUADRO 3 – Condições experimentais (Instância 3 – pseudo-nome = puco; pseudo-adjetivos = miposo/mipe)</title>
          <p id="paragraph-c2abfb47fe540222a5a07572815b53ac" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-3b363836281e037951edf0026c07c591" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-01_21-16-54_2.png" />
      </fig>
      <fig id="figure-panel-1572372e0328389795a2791b75be3252">
        <label>Figure 8</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-7e572fb1877f17da5f8c22f041c4fe06" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-7fb955cd4c59ac34aa5a8b79a87e2eb9" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-01_21-19-59.png" />
      </fig>
      <fig id="figure-panel-9d13649f3540450a8655bd142f04a49a">
        <label>Figure 9</label>
        <caption>
          <title>QUADRO 4 – Condições experimentais (Instância 4 – pseudo-nome = bida; pseudo-adjetivos = tobento/tobe)</title>
          <p id="paragraph-103147d20ae9deafc1563a0124c8941b" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-a53a50942e5e2b1f4b6ed84ea00b0da5" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-01_21-20-15_2.png" />
      </fig>
      <fig id="figure-panel-098dacbb45cefd86571e406fbaf1eabb">
        <label>Figure 10</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-de43d066bd5f4f59dd2b3605189d2426" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-9dbc0df261c326f046482923bdc6a126" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-01_21-20-41.png" />
      </fig>
    </sec>
  </body>
  <back>
    <fn-group>
      <fn id="footnote-e4108b6dffcf9d42cb7be5bed9883b76">
        <label>1</label>
        <p id="paragraph-dd02fbfe08e418375dfc9187a81c29fa">O sintagma nominal é concebido, de acordo com as versões mais recentes da teoria linguística, como que “encaixado” em uma estrutura complexa, o DP, à luz de Abney (1987). A categoria D(eterminante) é entendida como uma categoria funcional do léxico, constituída de um conjunto de traços predominantemente formais (cf. CHOMSKY, 1999).<bold id="bold-847921c3097abeae5952e1944462d767"/></p>
      </fn>
    </fn-group>
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      <ref id="thesis-ref-1bae29325307e65869bf51ee1330f911">
        <element-citation publication-type="thesis">
          <publisher-loc>Cambridge/Mass</publisher-loc>
          <publisher-name>MIT</publisher-name>
          <year>1987</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>ABNEY</surname>
              <given-names>S</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <article-title>
            <italic id="italic-761df3a820e3986aef35d93be165d57b">The English noun phrase in its sentencial aspects</italic>
          </article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="book-ref-a773fde219147fcd48b0e4b493928a11">
        <element-citation publication-type="book">
          <publisher-loc>Cambridge/MA</publisher-loc>
          <publisher-name>MIT Press</publisher-name>
          <year>1995</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>CHOMSKY</surname>
              <given-names>N</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>
            <italic id="italic-cba9c18a753afb93d9a530712e81202b">The Minimalist Program</italic>
          </source>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="journal-article-ref-a824c5eb9788b9dbc530e87c67337d1a">
        <element-citation publication-type="journal">
          <year>1999</year>
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            <name>
              <surname>CHOMSKY</surname>
              <given-names>N</given-names>
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          </person-group>
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          <article-title>Derivation by Phase</article-title>
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          <lpage>412</lpage>
          <volume>13</volume>
          <year>1996</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>CHRISTOPHE</surname>
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            <name>
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          <article-title>Bootstrapping lexical acquisition: the role of prosodic structure</article-title>
        </element-citation>
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