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        <article-title>DISTINÇÕES ENTRE MOVIMENTOS A E A-BARRA NA COMPUTAÇÃO <italic id="italic-1">ON-LINE</italic>: QU E PASSIVA</article-title>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="22/05/2017" />
      <volume>7</volume>
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      <issue-title>DISTINÇÕES ENTRE MOVIMENTOS A E A-BARRA NA COMPUTAÇÃO ON-LINE: QU E PASSIVA</issue-title>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">
          <italic id="italic-66a1c950def740333dfdcf64f03eaf94">Levando-se em consideração evidências psicolingüísticas de reativação de constituintes, supostamente movidos, nas posições originais, reitera-se a necessidade de que distinções entre movimentos sejam incorporadas em modelos de processamento on-line. Adicionalmente, dadas sinalizações de que o tempo de reativação difere em função do tipo de movimento: A ou A-barra, apresentam-se possibilidades de implementação formal desse tipo de distinção.</italic>
        </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-7e3a7d3d627da407d731df8927bf375f">
          <italic id="italic-f7c070d227a4d55399f4df9f4ef8369a">Psycholinguistic evidence of an antecedent reactivation during the on-line processing of a sentence highlights the need of a distinction between movement types to be incorporated in on-line processing models. This article focuses specifically on the distinction between A and A-bar movement, considering differences on reactivation time obtained when these movements are contrasted, and offers alternatives for incoporating such distinction in on-line processing models.</italic>
        </p>
      </abstract>
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        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-0f2d68df9adfa110331dc237e6853c10">Movimento-A</italic>
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          <italic id="italic-78dfdc3c90bdc7f0eae03c7a5a85431d">Movimento A-barra</italic>
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          <italic id="italic-131b0eff83ad98dff82127d425f8e4cf">Passivas</italic>
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          <italic id="italic-ba61a43999f9fe51e2023996fe2b8c49">Processamento on-line</italic>
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    <sec id="heading-4f3d5fe6b9ccfd748f5c278cfdcbae87">
      <title>Introdução<xref id="xref-b9a09790c7edf3428000a43cd35220ea" ref-type="fn" rid="footnote-0e2e76946d17807ef93776016a1459c2">1</xref></title>
      <p id="paragraph-2bacc379a778d6b0746a4e4832153606">A possibilidade de unificação entre <italic id="italic-499d2c9706f5a9c0117a189b6816b64b">processador lingüístico</italic> e <italic id="italic-2">gramática</italic> tem sido considerada no âmbito dos estudos em Psicolingüística e Lingüística Gerativista desde a década de 60. Em um primeiro momento, houve uma aproximação bastante efetiva entre esses dois campos, materializada na proposta denominada <italic id="italic-790f8c9aa908fce8b5cc8b3d0e6a9b1e">Teoria da Complexidade</italic> <italic id="italic-52d6eec31c27b7f34f99961e84958ae7">Derivacional </italic>(MILLER; CHOMSKY, 1963;<xref id="xref-d92a768c5ce55f8b6f5a5c20a0d484b6" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-a3d266c0fdb1aa428e8dfe209d01b489">[1]</xref> MILLER; MCKEAN,<italic id="italic-3"> </italic>1964)<xref id="xref-b638c8db37e0b6a9f6e24439431acf91" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-c3484274cd4c3db92d935131520b8d96">[2]</xref>, que, no entanto, ao não se mostrar empiricamente sustentável (FODOR; BEVER; GARRETT, 1974)<xref id="xref-7be55c8c2e62d3378707c1aa0af3b135" ref-type="bibr" rid="book-ref-4e3389b97a0f58d32ca19f77f41bb45b">[3]</xref>, promoveu um distanciamento entre os campos. Mais recentemente, a reaproximação tem sido contemplada (Cf. CORRÊA, 2005; submetido)<xref id="xref-2e59b4f700cccbd2ec08ff20bd30609b" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-1566455fb616dc15e6d21b1603366caf">[4]</xref> à luz dos pressupostos do Programa Minimalista (CHOMSKY, 1995, 1999, 2005)<xref id="xref-98dc9018532bb79bafa25d9df8ee0eb8" ref-type="bibr" rid="book-ref-dbd33e2e38041a1f5cd9d4d610a7af32 journal-article-ref-1c4f132df9eb44d62e6692a3343a3757">[5,6]</xref>.</p>
      <p id="paragraph-1975f6d21281c3eabe18567cc376ef0b">As propostas de Phillips (1996)<xref id="xref-8e32ca924a304c15205deb41b1ea5139" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-ba84484bdbb338cd37446ab44f65154d">[7]</xref> e Fong (2005)<xref id="xref-d1e0b74ff00be23fc601ff199b9d9b97" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-4deba83515581d75fec7be1f972b90a7">[8]</xref> debruçam-se sobre os mecanismos adotados no Minimalismo, constituindo sugestões de implementação de uma derivação minimalista em modelos de processamento lingüístico. Ambos caracterizam-se por propor uma distinção, em relação à derivação minimalista, no que concerne à direcionalidade da computação. O procedimento <italic id="italic-75339f9f80c253edde90e2c98b4e078a">bottom-up</italic>, característico da abordagem gerativista, não se mostra adequado para modelar os processos conduzidos da esquerda para a direita, de modo incremental, na produção ou na compreensão de um enunciado lingüístico.</p>
      <p id="paragraph-7fb0926338e521d82d8637849b9ea001">Corrêa (2005; submetido)<xref id="xref-1367ec7696a7b8a06c8cfee8d13708e5" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-1566455fb616dc15e6d21b1603366caf">[4]</xref> e Corrêa; Augusto (2006; no prelo)<xref id="xref-b9df8956f97935e5aef0d54de3ccc4b9" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-c912b2fb9480fbf9a265cb2461eb3411 journal-article-ref-65f39bbee3c583058cf84b06ee86c88b">[9,10]</xref> apontam, contudo, que conjuntamente com a questão da direcionalidade da derivação, deve-se levar em conta um outro aspecto ao se considerar a derivação minimalista na computação <italic id="italic-48fbf1b83f987f1e308f08ba440458d8">on-line</italic>: o custo computacional mensurável relacionado a movimento sintático. Tomando como base resultados da pesquisa psicolingüística, uma distinção entre movimentos relativos à fixação de parâmetros de ordem de cada língua e aqueles motivados por demandas de ordem discursiva é proposta, sendo que os movimentos do primeiro tipo, acionados para a derivação de sentenças básicas declarativas afirmativas ativas, não parecem acarretar custo computacional mensurável, enquanto os movimentos envolvidos para a geração de interrogativas e relativas, construções de foco e de topicalização, assim como passivas, acarretam maior demanda de processamento (FODOR; BEVER; GARRETT, 1974;<xref id="xref-252189283139268aa13379537bc6a4b8" ref-type="bibr" rid="book-ref-4e3389b97a0f58d32ca19f77f41bb45b">[3]</xref> WANNER; MARATSOS, 1978;<xref id="xref-b48d7793fe59ad2967c26034436d464f" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-29a4867228d1bd07ecd6a40f4e402e6b">[11]</xref> ZURIF et al., 1993;<xref id="xref-9f73dfb860b4c0d55d9169345a576dc0" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-a40adde7b08963d069a70f47d0d03216">[12]</xref> FELSER; CLAHSEN; MÜNTE, 1997;<xref id="xref-1ccd17b245ea23207f1ee942a6091ff3" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-39233f180e8e7e7f9cb58486f8cc1b96">[13]</xref> FIEBACH; SCHLESEWSKY; FRIEDERICI, 2002)<xref id="xref-b53b1d5aed93a39028be3e4fbdb9b5ac" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-7dcb5089ce56d280495781080767abc2">[14]</xref>.</p>
      <p id="paragraph-3">Este artigo tem como objetivo discutir uma questão adicional que requer atenção no que diz respeito à distinção entre movimentos a ser contemplada por um modelo desse tipo em que se considera a computação sintática conduzida na formulação e no <italic id="italic-d38dedf8bf96c8da23ec7a9485d57617">parsing</italic> de enunciados lingüísticos. Trata-se da distinção entre movimento A e A-barra. O primeiro diz respeito ao movimento de constituintes para posições argumentais, como o sujeito de uma estrutura passiva; o segundo remete ao movimento para posições não-argumentais, como, por exemplo, o movimento-Qu em interrogativas ou relativas. A Psicolingüística tem obtido evidências da associação entre as posições inicial e final envolvidas no deslocamento de constituintes a partir de experimentos em que se averigua a reativação do elemento, supostamente movido, na posição original. Diferenças sinalizadas, no entanto, em relação ao tempo de reativação do elemento deslocado para posição argumental e não-argumental demandam uma análise mais refinada dessas distinções.</p>
      <p id="paragraph-5">Na próxima seção, discuto os tipos de movimento sintático contemplados e apresento a sugestão de implementação adotada em Corrêa; Augusto (2006; no prelo)<xref id="xref-ccfa2ec6ce002e71bcfe2a37f8aed284" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-c912b2fb9480fbf9a265cb2461eb3411 journal-article-ref-65f39bbee3c583058cf84b06ee86c88b">[9,10]</xref> para a distinção entre movimentos de natureza paramétrica relativos à ordenação básica da língua e aqueles de motivação discursiva. A seguir, apresento resultados experimentais que sugerem que a reativação de elementos movidos para posições argumentais apresentam um atraso/<italic id="italic-209c80658be05b0fd25f228f4574e2a4">delay</italic>, quando comparados com a reativação de elementos-Qu, movidos para posições não-argumentais. As implicações dessas descobertas em relação ao tipo de representação a ser assumida no que diz respeito a essas construções são aí problematizadas. Na Seção 4, argumento a favor da idéia de que modelos procedimentais que assumem uma derivação minimalista, altamente compromissada com a idéia de movimento sintático, são capazes de acolher essa distinção. Para tanto, apresento o modelo de Fong (2005)<xref id="xref-4b05e1121d2570299d7e740cd5d5dbb0" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-4deba83515581d75fec7be1f972b90a7">[8]</xref> e proponho algumas reformulações, assim como sugiro que o modelo de Corrêa; Augusto (2006, no prelo)<xref id="xref-2657d41933dc15103e2fc3f044096f65" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-c912b2fb9480fbf9a265cb2461eb3411 journal-article-ref-65f39bbee3c583058cf84b06ee86c88b">[9,10]</xref> se mostra também compatível com esses direcionamentos. Por fim, saliento que as distinções de comportamento relativas a movimento-A e A-barra podem já ser previstas a partir de considerações acerca de posições temáticas e interpretação de papéis temáticos avançadas a partir de Chomsky (1995, 1998, 1999)<xref id="xref-ca61b6bdfe4a5e7e384ed534d8b4fcc7" ref-type="bibr" rid="book-ref-dbd33e2e38041a1f5cd9d4d610a7af32 journal-article-ref-1c4f132df9eb44d62e6692a3343a3757">[5,6]</xref>. O artigo é concluído com uma síntese, enfatizando que as aproximações entre teoria lingüística minimalista e psicolingüística se mostram cada vez mais profícuas.</p>
      <p id="paragraph-2">.</p>
      <sec id="heading-49209cbf2aa2e2113ef233486ef3c0f6">
        <title>1 Distinções entre movimentos</title>
        <p id="paragraph-b04a0674a20a264722e11f9a1b302a4b">As línguas naturais exibem a característica de apresentarem construções em que certos elementos aparecem fonologicamente em posições distintas daquelas em que são interpretados. A Teoria Lingüística Gerativista tem capturado esse efeito em termos da noção de movimento do elemento em questão a partir de sua posição original. A Psicolingüística tem obtido evidências desse efeito a partir de experimentos em que se averigua a reativação do elemento, supostamente movido, na posição original (BEVER; MCELREE, 1988;<xref id="xref-cb1b9b4d1b784b0c8a118fab7defe983" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-368f4f7b221563fb520f15a9920e7c8f">[15]</xref> MCELREE; BEVER, 1989)<xref id="xref-7c9ce651cdae3ecd4f3c63985a28834c" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-70641b846eb2a05d4b071d3524b2b771">[16]</xref>.</p>
        <p id="paragraph-7">No que concerne ao local final do movimento, isto é, à posição que corresponde efetivamente à realização fonológica do elemento movido, há uma distinção assumida na teoria gerativista. Quando esta é uma posição argumental, trata-se de movimento A. Quando a posição final é uma posição não-argumental, o movimento é do tipo A-barra. Essa distinção diferencia o movimento para a posição de sujeito, por exemplo, de movimento do tipo Qu, isto é, em que um pronome interrogativo ocupa a posição anterior ao sujeito – a posição de Spec, CP.</p>
        <p id="paragraph-9">No que diz respeito ao movimento-A, no entanto, este tanto pode representar o movimento para a posição de sujeito em uma construção passiva, em que se tem uma distinção entre objeto semântico e sujeito sintático, quanto a relação entre o posicionamento de constituintes sujeito e objeto em relação à ordenação sentencial básica de uma dada língua, e posições iniciais de geração desses constituintes definidas universalmente. Desse modo, a teoria lingüística dá conta, por meio da operação de movimento, da articulação entre variabilidade e universalidade. Uma ordem universal básica é assumida, correspondente às relações Spec, N, Compl, gerada a partir da estrutura argumental de um predicador (KAYNE, 1994)<xref id="xref-f660282213304e34cd511533cd53c050" ref-type="bibr" rid="book-ref-f1830499c2b03b7156cc5c5f55785569">[17]</xref>. A ordenação de constituintes característica de uma dada língua é resultado de operações envolvendo movimentos de núcleo, de DP sujeito e/ou de DP objeto (em línguas OV).</p>
        <p id="paragraph-9d26f46adc9985719647cfa45b0cdd93">Conforme já mencionado, os resultados da pesquisa psicolingüística não endossam uma equivalência, em termos de custo computacional mensurável, entre os movimentos acionados para que se obtenha a ordenação canônica da língua – as sentenças não–marcadas, isto é, sentenças declarativas afirmativas ativas – e aqueles que derivam construções marcadas em função de condições específicas de fala, como interrogativas, relativas, passivas, topicalizações, etc, sendo que apenas nessas últimas constata-se um custo computacional de processamento maior e os efeitos de reativação do elemento, supostamente movido, na posição original (FODOR; BEVER; GARRETT, 1974;<xref id="xref-32758ef792ac521be57ba92f0e77d7f9" ref-type="bibr" rid="book-ref-4e3389b97a0f58d32ca19f77f41bb45b">[3]</xref> WANNER; MARATSOS, 1978;<xref id="xref-790738a6284b175dff8f0afc4c2f18f1" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-29a4867228d1bd07ecd6a40f4e402e6b">[11]</xref> ZURIF et al., 1993;<xref id="xref-885ea51bffe78933166db78e63571a8c" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-a40adde7b08963d069a70f47d0d03216">[12]</xref> FELSER; CLAHSEN; MÜNTE, 1997;<xref id="xref-d7f558de5ed16398c8d4a601703ab23d" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-39233f180e8e7e7f9cb58486f8cc1b96">[13]</xref> FIEBACH; SCHLESEWSKY; FRIEDERICI, 2002)<xref id="xref-9209759a83b098556308f0994be089a9" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-7dcb5089ce56d280495781080767abc2">[14]</xref>.</p>
        <p id="paragraph-4">Um modelo de computação <italic id="italic-b563904d0d26214b1b7d60dda1a8856c">on-line</italic> deve, portanto, distinguir movimento paramétrico de ordem, sem custo computacional, de movimento de demanda discursiva, com custo computacional. A solução sugerida para formalizar essa distinção em Corrêa; Augusto (2006, no prelo)<xref id="xref-6637c1abf6c957599ab94d3c63a2e6a0" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-c912b2fb9480fbf9a265cb2461eb3411 journal-article-ref-65f39bbee3c583058cf84b06ee86c88b">[9,10]</xref> é a adoção das noções de cópias simultâneas e seqüenciais. Nessa proposta, adota-se um modelo misto em termos de direcionalidade da derivação, no qual o acesso aos traços de elementos de categorias funcionais dá origem a uma derivação <italic id="italic-b9d701b8af30c7f5cd74aed709646f7e">top-down</italic> que define o esqueleto sintático nos quais se acoplam estruturas constituídas de forma <italic id="italic-1623fae389d1efe10eb1da8130002a3d">bottom-up</italic> a partir do acesso à informação relativa à estrutura argumental de elementos pertencentes a categorias lexicais, levando-se em consideração, portanto, que projetar a sintaxe do léxico garante a satisfação de restrições de seleção na derivação lingüística (BAKER, 1988;<xref id="xref-5915f5b284b0bc1bab7bb53119d9f432" ref-type="bibr" rid="book-ref-8cc2e90cf9903fbe547867650daa1218">[18]</xref> CHOMSKY, 1970, 1981). A acoplagem entre derivações <italic id="italic-44aa601cd43e686deb72838128a72d04">top-down</italic> e <italic id="italic-9838945aaf6dcc273ef9bb9bd073633b">bottom-up</italic> é mediada pelo verbo leve – v – presente na estrutura, dada sua relação com o núcleo lexical verbal - V.</p>
        <p id="paragraph-dd810f688e32220bd472c9ba12bf8828">A presença de v possibilita que cópias simultâneas do objeto, em línguas SOV, por exemplo, sejam associadas às posições de complemento de V e especificador de v - Spec, v. A acoplagem da estrutura com v à estrutura CP, derivada paralelamente, que contém T, permite, por outro lado, que cópias simultâneas do sujeito sejam associadas às posições de especificador de v, dado seu requerimento temático, e especificador de T, como resultado do mecanismo de concordância entre o verbo com tempo e o sujeito. A Figura 1 reproduz esse mecanismo:</p>
        <fig id="figure-panel-1fd36a58760248838aeb64a3a7f50aeb">
          <label>Figure 1</label>
          <caption>
            <title>FIGURA 1 - Derivação em paralelo de CP (incluindo TP) e DPs, de modo <italic id="italic-b3a0f7f126ea9bcadf40ce1f359dee2e">top down</italic>, e de VP e NPs, de modo <italic id="italic-cb375e3be802c43a89c73f346ef62049">bottom up</italic> e acoplamento simultâneo de cópias de sujeito e objeto (língua SOV).</title>
            <p id="paragraph-de5a7de9d5c01a02b07dee45283816ae" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-1a80a9fc2f4f14fc4340648b538c0551" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-02-10_18-14-18.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-e902d200c6e061b22ca855da32c6dca5">As cópias simultâneas contrastam com o mecanismo de cópias seqüenciais em que essa associação a posições distintas não é imediata. No caso de estruturas interrogativas, o acoplamento do DP-Qu objeto, por exemplo, se faz como complemento de V e uma cópia adicional será necessária para o acoplamento em Spec, CP.<xref id="xref-5f1db409b1769c817b027fa4d7a67383" ref-type="fn" rid="footnote-c1e1c1d25a50668fa9bd99e653978491">2</xref></p>
        <fig id="figure-panel-f72bb9a8e8cf54094ba0a235e1c357da">
          <label>Figure 2</label>
          <caption>
            <title>FIGURA 2 - Derivação de uma estrutura interrogativa em uma língua SVO: cópias seqüenciais são requeridas: como complemento de V – posição canônica do objeto – (possivelmente) em Spec, vP – movimento sucessivo cíclico – pouso intermediário – e em Spec, CP – posição final (cópias simultâneas do DP sujeito são associadas às posições relevantes).</title>
            <p id="paragraph-45e135cd996f4227dc9f9b7c3e79e6a5" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-ef4bd2a0b749d34cd4fc844119866803" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-02-10_18-14-39.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-424b46eb76726fb1beeb6475c62d617c">A distinção estabelecida com o mecanismo de cópias simultâneas e seqüenciais tem como objetivo refletir a distinção entre movimento de caráter paramétrico, relativo à ordem canônica de dada língua, sem custo computacional e os movimentos de demanda discursiva, isto é, deflagrados devido a intenções de fala específicas que levam a construções marcadas, nas quais a ordem canônica básica da língua é freqüentemente alterada. Esses últimos parecem impor custo computacional mensurável no processamento <italic id="italic-3473016963e8caa92ee1fb1cfe5415bd">on-line</italic>. Embora essa distinção tenha sido capturada no modelo de Corrêa; Augusto (2006, no prelo)<xref id="xref-13a2f2e8dc064a84aaa824421538a9ae" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-c912b2fb9480fbf9a265cb2461eb3411 journal-article-ref-65f39bbee3c583058cf84b06ee86c88b">[9,10]</xref>, há, ainda, a necessidade de se proceder a uma distinção mais refinada no que diz respeito aos movimentos de demanda discursiva. Há diferenças adicionais, relatadas em experimentos psicolingüísticos, que dizem respeito ao tempo de reativação de um elemento deslocado. Esse é mais lento quando o deslocamento se dá para uma posição argumental – o movimento de DP em passivas, por exemplo, em comparação com a reativação de elementos deslocados para posições não-argumentais – como o movimento–Qu em relativas ou interrogativas – que parece ser imediato na suposta posição original.<xref id="xref-e2509ba541e0992e1673623e74503d55" ref-type="fn" rid="footnote-00fd9914e41085014b2eaf11d90ced99">3</xref></p>
        <p id="paragraph-98d1a8baa4a6c71412b5f8d5a8d9c124">.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-ffce757246059cda4de2466c6e5a2d34">
        <title>2 Reativação de DPs</title>
        <p id="paragraph-f73ccd390eecde10d73638b00ba2eb78">Osterhout; Swinney (1993)<xref id="xref-0f62a782502bcda6b78fc17a2db9c11b" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-3bdbe7e142962bc94e8587d25513da77">[19]</xref> relatam um experimento de decisão lexical, usando a técnica de <italic id="italic-9872cb8efa4e7fa26b8342e0e01b91e0">priming cross-modal</italic>, no qual se contrastam sentenças ativas e passivas, como (1) e (2) a seguir (apresentadas na Tabela 1 no original):</p>
        <p id="paragraph-c0dde1b25effe056ac5cf1c60f1a3ded">.</p>
        <p id="paragraph-7fb4f0fb704d22b7de445f2884abf624">(1) The dentist from the new medical center in town invited <sub id="subscript-1">*1</sub> the actress <sub id="subscript-2">*2</sub> to go <sub id="subscript-3">*3</sub> to the party.</p>
        <p id="paragraph-b0afaf3b5626b69207778ecca1a58f41">(2) The dentist from the new medical center in town was invited <sub id="subscript-4">*1</sub> by the actress <sub id="subscript-5">*2</sub> to go <sub id="subscript-6">*3</sub> to the party.</p>
        <p id="paragraph-bbfd35e7758a1e7bf1b61012c26e95d2">.</p>
        <p id="paragraph-3f25141bcd988e7d034213b41603f3ad">Os pontos indicados com asteriscos seguidos de números constituem a indicação do momento em que a palavra-sonda, para o teste de decisão lexical, era exibida. Esta poderia ser relacionada ou não com o possível suposto antecedente na construção passiva (no caso do exemplo – <italic id="italic-697d9b2ede5a8546d281d034be3514a7">the</italic> <italic id="italic-015867c7c1e8b777dfb94a1e5e32a55a">dentist</italic>). As posições utilizadas foram: (i) imediatamente após o verbo –<italic id="italic-b6f30506aca7aa653827de8d89a5c3e9"> </italic>posição *1; (ii) 500 ms depois do verbo – posição *2, e 1000 ms depois do verbo – posição *3.</p>
        <p id="paragraph-974f81d6b03a6dfbe5f2041c1743c89a">Os resultados apontam para um efeito principal de tipo de sonda (relacionada vs. não-relacionada): F (1,48) = 13.04, p&lt;0.01 e uma interação entre tipo de sonda e tipo de sentença: F (1,48) = 4.23, p&lt; .05, sendo as respostas mais rápidas para as sondas relacionadas nas construções passivas: t(71) = -4.55, p &lt; .001. Não houve diferença significativa para as ativas: t(71) &lt; 1.</p>
        <p id="paragraph-58de9b1cb64128302a7be0b037f77be4">Esses resultados podem ser interpretados como sugerindo uma reativação do antecedente nas construções passivas. No entanto, uma observação mais refinada dos resultados em termos das posições em que as palavras-sonda são apresentadas deixa claro que essa interação entre tipo de sonda e tipo de sentença é significativamente relevante em relação à terceira posição de apresentação apenas – 1000 ms depois do verbo. Na posição *1, a diferença entre sondas relacionadas e não-relacionadas não se mostrou significativa, t(19) = -1.75, p=.10. Na posição *2, o efeito ainda não alcança níveis de significância aceitáveis, sendo t(19) = -1.86, p=.08. Somente na posição *3, essa diferença se mostra realmente significativa: t(19) = -5.00, p&lt;.001.<xref id="xref-e2652eaf8f1851a6bed93136eba32fda" ref-type="fn" rid="footnote-1ee4e5c9035063a0bb0a65fdfa466daa">4</xref></p>
        <p id="paragraph-caadc682471e3b990a814fe5e34d7a16">Esses resultados contrastam com o obtido em relação à reativação de um antecedente-Qu, que é constatada imediatamente após o verbo, conforme vários estudos reportados por Nicol; Swinney (1989)<xref id="xref-e497e85ad1571a63c03a4193655da33a" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-3a77943ff7e6b3fa66b9952958b552b8">[20]</xref> e Nicol, Fodor; Swinney (1994)<xref id="xref-337955632679fba72f68f15efaf19db7" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-93fc34d726b700e756ef881699d3a4e8">[21]</xref> indicam. Os primeiros autores defendem que a reativação dos antecedentes de vestígios-Qu é imediata; que apenas os antecedentes corretos (em termos de restrições estruturais) são reativados e que essa reativação independe de questões de plausibilidade. Os resultados sugerem, portanto, que informação relacionada a posições argumentais e requerimentos temáticos é usada para restringir a reativação de antecedentes potenciais, em momentos posteriores do processamento.<xref id="xref-cfee960c1b2602061764634ac9d27cec" ref-type="fn" rid="footnote-e998a2b719f5fca000f67aae665f8c53">5</xref> Diferentemente do que tem sido encontrado em relação à reativação de um antecedente-Qu e similarmente aos resultados obtidos para a reativação do antecedente da passiva, Friedmann et al. (2003)<xref id="xref-85c967fbf1e378cf1b9e672926f80f6d" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-5230ff24fb2f7219ab810d0261e0b4cf">[22]</xref> conduzem um experimento de decisão lexical utilizando a mesma técnica de <italic id="italic-a2d549507d79c84323b89c1cb87dd942">priming</italic> <italic id="italic-69e6f083b9ba53a063ddfe96df561de9">cross-modal </italic>apresentada no experimento de Osterhout; Swinney (1993)<xref id="xref-67bc80a5eccdb53e90ea8422261bcc1b" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-3bdbe7e142962bc94e8587d25513da77">[19]</xref>,<italic id="italic-989d2220520c061bcab019f6b2da6229"> </italic>contrastando sentenças intransitivas inergativas e inacusativas. A reativação do antecedente só foi constatada com as sentenças intransitivas inacusativas e, assim como o relatado em relação às passivas, essa reativação não se dá imediatamente após o verbo, mas em um ponto mais adiantado da sentença.</p>
        <p id="paragraph-5a43dce6dd340163967b03d5585448a4">A similaridade entre estruturas passivas e estruturas inacusativas se dá em vários aspectos: ambas estruturas tiram de foco a agentividade. No caso de verbos que admitem alternância causativa (construções transitivas ou intransitivas inacusativas), a escolha por uma das estruturas pode ser vista como uma opção do falante, dada sua intenção de focalizar ou não o agente. Essas construções também compartilham semelhanças estruturais. Ambas apresentam um argumento interno – semanticamente requerido – que é alçado para a posição de sujeito sintático (para as passivas, ver BAKER, 1988;<xref id="xref-9b77c715d0dd8143358d213a59634c11" ref-type="bibr" rid="book-ref-8cc2e90cf9903fbe547867650daa1218">[18]</xref> para as inacusativas, ver BAKER, 1983;<xref id="xref-bb98479a665624b27d8006a77bdb8a26" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-276f14f6ebf0800b3b9578dc4d2a1bc7">[23]</xref> PERLMUTTER, 1978;<xref id="xref-3ad614aec89be7881f223b1e8c6f157f" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-4aa81e4c61a4b4fe017ecdb57eb79db3">[24]</xref> PERLMUTTER; POSTAL, 1984)<xref id="xref-f68412b3d60a7f4427eaa009171ef8ba" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-db41d754793d516556616035de3eaced">[25]</xref>.</p>
        <p id="paragraph-a52d52e73613cc863197a47b8add3f47">Em suma, os resultados de experimentos psicolingüísticos indicam a necessidade de se proceder a uma distinção entre movimento para posição argumental ou não-argumental, adicionalmente à divisão original, já defendida em Corrêa; Augusto (2006, no prelo)<xref id="xref-13d6d83d110e2d338061ea9720a5c49b" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-c912b2fb9480fbf9a265cb2461eb3411 journal-article-ref-65f39bbee3c583058cf84b06ee86c88b">[9,10]</xref>, entre movimento paramétrico de ordem, sem custo computacional, e movimento de demanda discursiva, com custo. Embora se possa associar algum tipo de custo às estruturas passivas, este é de natureza distinta do que se obtém em relação às estruturas relativas ou interrogativas.</p>
        <p id="paragraph-99c542880af79890d334eb46bcefeb3c">Segundo Osterhout; Swinney (1993)<xref id="xref-3a5d536cf8bb52d73309ea60a864f962" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-3bdbe7e142962bc94e8587d25513da77">[19]</xref>, a diferença no tempo de reativação do antecedente entre estruturas passivas e estruturas interrogativas ou relativas se deve ao fato de que o antecedente, nestas últimas, ocupa uma posição não-argumental que “<italic id="italic-e51e277d7ddce88ae3052bea234c7631">clearly indicates the</italic> <italic id="italic-4424d2a482fdb29c5504c9f084ebc6e5">existence of an upcoming gap</italic>”, enquanto os antecedentes em passivas<italic id="italic-91bfd4743bd6d1996ee3ec4f5f16f004"> </italic>ocupam posições argumentais e “<italic id="italic-4">not clearly indicate the existence of an</italic> <italic id="italic-5">upcoming gap</italic>”.</p>
        <p id="paragraph-536215e56ac7632de36b99780bd09e94">Nesse sentido, pode-se prever que formalizações que não assumam mecanismos baseados em movimento sintático para a construção passiva (por exemplo, <italic id="italic-6">Lexical Functional Grammar</italic> ou <italic id="italic-7">Generalized Phrase-Structure</italic> <italic id="italic-8">Grammar</italic>) poderiam mais facilmente alocar essas diferenças, como por exemplo, no sentido de associar as distinções entre os movimentos em termos de lacunas representadas no nível sintático, com reativação imediata do antecedente, e lacunas representadas em um nível semântico, que resultariam em uma reativação menos rápida.</p>
        <p id="paragraph-7efbc5e7d08cd4ada58af358bd24b484">No entanto, nos parece viável manter a noção de movimento para ambos os tipos de construções, em consonância com os pressupostos gerativistas chomskyanos clássicos, e dar conta das distinções apontadas, atribuindo o custo diferenciado entre construções passivas e construções com movimento-Qu à necessidade de manutenção de um elemento na memória com necessidades distintas: de identificação de Caso e papel temático para o elemento-Qu e apenas papel temático para o DP sujeito de passiva. Para tanto, duas alternativas se mostram viáveis. Uma delas lança mão da implementação computacional adotada em Fong (2004)<xref id="xref-c6f0ed908e85d2a13624ac9990124224" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-4deba83515581d75fec7be1f972b90a7">[8]</xref>, a qual explicita os passos do <italic id="italic-31eaab99994f1d106b66c1a6ce03fa43">parser</italic> na computação sintática de estruturas, incorporando o modelo <italic id="italic-044b6fb26525921de494dcd67b532de3">probe-goal</italic> adotado no Programa Minimalista (CHOMSKY, 1999)<xref id="xref-5980af46330e5506f33cfb483bafc447" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-1c4f132df9eb44d62e6692a3343a3757">[6]</xref>. Essa proposta é bastante compatível com o modelo apresentado em Corrêa; Augusto (2006, no prelo)<xref id="xref-f1b17b34fc9777a0204674393eaec2f4" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-c912b2fb9480fbf9a265cb2461eb3411 journal-article-ref-65f39bbee3c583058cf84b06ee86c88b">[9,10]</xref>. Outra possibilidade prevê uma leitura estrita de mecanismos assumidos no Programa Minimalista (CHOMSKY, 1995, 1998, 1999)<xref id="xref-0f8949e2bb5b825bd730d85532a1fd5f" ref-type="bibr" rid="book-ref-dbd33e2e38041a1f5cd9d4d610a7af32 journal-article-ref-1c4f132df9eb44d62e6692a3343a3757">[5,6]</xref> em relação ao papel do primeiro <italic id="italic-670c806f93a3813e2b09d83704b04efd">Merge</italic> no que concerne às restrições temáticas e da especificação do lugar de checagem dos papéis temáticos. A discussão dessas alternativas é empreendida na próxima seção.</p>
        <p id="paragraph-40dcb3e721c509a062df9694bd123d8d">.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-d10c0b0b3bc229ed14d4b3532aac523e">
        <title>3 Cópias e reativações de DPs: passivas e interrogativas</title>
        <p id="paragraph-9a7b81e2688ed61796e328cec90d96fd">Fong (2005)<xref id="xref-1f4817718940f4ddc31fa41286856ff7" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-4deba83515581d75fec7be1f972b90a7">[8]</xref> apresenta a proposta de um <italic id="italic-6bc73985e24d230bc92a4fbbdf5c585f">parser</italic> incremental do tipo <italic id="italic-9507b8aed1400ff9c8b2991149bf433e">left-to-right </italic>(da esquerda-para-a-direita) que incorpora o modelo de<italic id="italic-b92063a7f2d2b7adc22b0296a2373ea0"> </italic>concordância baseado na relação sonda-alvo proposto no Programa Minimalista, assumindo, ainda, a noção de árvores elementares presente na TAG (<italic id="italic-4ff6b9e8324b6295eca7723b09124ff7">Tree-Adjoining Grammar</italic> (JOSHI; SCHABES, 1997)<xref id="xref-b797aabe70c9445706cdca80941d1d46" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-d9daded4d4d01af44ebcdacb8598001c">[26]</xref>). A incorporação de um mecanismo para a representação de memória de curto prazo ou memória “cache”, denominado caixas de dados – <italic id="italic-55bcd867b0c78b1d4f6dc5f29dcd69e4">Move</italic> <italic id="italic-a8cd13724b745dbc598368237e0276de">Box </italic>e<italic id="italic-1c69c51e733bfd877583065807ddb24f"> Probe Box </italic>– é apresentado. Essas caixas de dados são responsáveis por manter ativa, para a computação sintática, informação necessária a ser integrada em etapas posteriores do processamento.</p>
        <p id="paragraph-2e9103b96e06a092964cdfdb042396fb">A <italic id="italic-05ac413a2493d5fe818cf1dc1ad8df08">Move Box</italic> codifica informação de natureza temática. Um elemento do <italic id="italic-e136a4c12c8a8a38bbc0472a75e7ab5b">input</italic> que ocupe uma posição em uma árvore elementar deve ser copiado para a <italic id="italic-10fb372505e6c2fc0b71fdb2f911d9b7">Move Box</italic>. Assim que uma posição temática é encontrada, a <italic id="italic-7f8a83f476c677e1042462291fbc016f">Move Box</italic> pode ser esvaziada, tendo-se, assim, a formação de cadeias. A <italic id="italic-39b48f93a2970fb4e814a0592f204a48">Probe Box </italic>diz respeito a relações de concordância, representadas pelo<italic id="italic-dde84ca48f8d3e6a0eeb15977d4b869a"> </italic>mecanismo sonda-alvo. Os traços não-interpretáveis de elementos sendo processados – <italic id="italic-530e34cda36114557122f906cbe8d754">probes</italic> – são copiados para a <italic id="italic-38061217800a95ab300274f09d11b485">Probe Box</italic>, cujo conteúdo é inspecionado a cada atuação da operação <italic id="italic-9">Agree.</italic> Só uma sonda pode ocupar a <italic id="italic-10">Probe Box</italic> de cada vez (respeitando-se o <italic id="italic-11">PIC – Phase Impenetrability</italic> <italic id="italic-12">Condition</italic>).</p>
        <p id="paragraph-5263f8dd4e67d19e7a20ec8241fa171b">Reproduzo, a seguir, uma ilustração da atuação do <italic id="italic-13">parser</italic> no processamento de uma sentença declarativa simples: <italic id="italic-14">John saw Mary</italic>. Frente a esse <italic id="italic-15">input</italic>, o <italic id="italic-16">parser</italic> constrói um C, que requer um T:</p>
        <fig id="figure-panel-d578b4169039d0f2bcf00389a889adbc">
          <label>Figure 3</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-45c4e16c6b60c27e1cad18ae72f52163" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-7bd9a1329990719f89bc9fa6452ca6c6" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-02-10_18-07-55.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-3caa85129e2dda4e5a7472ca7cd613e2"><italic id="italic-c58a5f1be2b30e5983674529bc84d061">John </italic>é, então, incorporado à estrutura, como Spec, TP e copiado para<italic id="italic-78e65be41ffccf6bb1d67677a5a66ea7"> </italic>a <italic id="italic-1d2b72906978ebe83b1a5037f75c00ed">Move Box</italic>.</p>
        <fig id="figure-panel-ed0c23e9dfa0d82ce1db5f3cc317b6e2">
          <label>Figure 4</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-742fc647e0898fd6f61b0fbd44fc2023" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-f0e89b56d3d3606b5551e16d2ee160ef" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-02-10_18-08-13.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-66dee795645945ccb8cbe32447f3a411">A informação de passado [past] identificada no verbo está relacionada ao núcleo T, sendo uma sonda/<italic id="italic-3b2ba25cd233eeb468e91c63edddac90">probe</italic>, é copiada para a <italic id="italic-df7edb2af2aedb54d7febe205ea5ef09">Probe Box</italic>. A seleção de v por T é satisfeita:</p>
        <fig id="figure-panel-455c1c502e40a69b9c84f06f5d9a9918">
          <label>Figure 5</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-30abc92f86fe274e697cb6fb3afba3b0" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-615432c1b6f78360da538822e1f8ee08" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-02-10_18-08-38.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-d6ee7ddeebcb019a8c972ecaed9bfdb5">A posição de especificador de v é uma posição selecionada tematicamente. <italic id="italic-22e0b35416ee06956053b89898478d00">Move Box</italic> é inspecionada e esvaziada, com o preenchimento de Spec, vP com a cópia de <italic id="italic-d35d21351b199fb743c6917376de54d1">John</italic>. <italic id="italic-569e2ca9617a83160925dc7588430710">Agree</italic> se aplica entre a sonda/<italic id="italic-7eaa7b10d51c8c5a42e635c4046e6717">probe</italic> [(past(+)] e a cópia de <italic id="italic-e5bcba540bc98d2f15170b638bcee7dd">John</italic>, valorando-se os traços de T a partir dos traços de <italic id="italic-859c905830b3ed5ad1d2e08b1e52fc6d">John</italic> e o traço de caso de <italic id="italic-ddbb03cecc4ca7dc2ba66dcb115ffad0">John</italic> como nominativo, devido à concordância com T. v* é o novo núcleo sonda/<italic id="italic-74ffac29e42db43cc369dae39bb9266c">probe</italic>, que é, então, copiado para a <italic id="italic-70b9909d8d3dd0608c3bf9386d90fff6">Probe Box</italic>, já esvaziada.</p>
        <fig id="figure-panel-e2dd4a34b6b22e50105d23876bc36964">
          <label>Figure 6</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-6c6261e6d5053dcba2b4e75013806eff" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-0ad4f92b77e0a54cb78ce5222f282c94" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-02-10_18-24-40.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-99da47caad05cd960a64ed715ad1b6e0">A seleção de V a partir de v é satisfeita, com o preenchimento de V a partir do <italic id="italic-c18c0c494db0671620d7ca78d7f051c0">input</italic> analisado – <italic id="italic-6938199c1635c6b645f704ccd7da3a6f">see</italic>.</p>
        <fig id="figure-panel-037b2dcdb0e805eb805281ca40a39c8c">
          <label>Figure 7</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-3da2117e17ff0917d20f7050aa6100d6" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-c318ec8c4d5b0f32b14f31fcf8508919" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-02-10_18-35-28.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-243bd7efc137fa03fd98206b58e79a95">O complemento de V deve ser preenchido. Uma vez que <italic id="italic-c9747f83931ba2d975633f8639583008">Move Box</italic> está vazia, esse preenchimento só poderá ser efetuado com material do <italic id="italic-4e7bd7163ad39534be4ee771c34a33f0">input</italic>.<italic id="italic-f9cd6736013229c2d95660e308bb1ace"> Agree </italic>se aplica entre a sonda/<italic id="italic-47cd728bc8e389d113940654c810a45d">probe </italic>na<italic id="italic-7e3f6eb348c7a180e2cedd3eb4ea7c21"> Probe Box </italic>– v* - e<italic id="italic-8103c9eaf2b1b97ef56604f5222abb93"> Mary</italic>,<italic id="italic-471dba1cf89225d897bf9c2c4aafc4f6"> </italic>valorando-se os traços de v* a partir de <italic id="italic-b8b0d303e0403b21cef74652df4c6621">Mary</italic> e o caso de <italic id="italic-af2b83113902f341b503928442ee4cdc">Mary</italic> como acusativo, devido à concordância com v*.</p>
        <fig id="figure-panel-39ccc882838a40fb364ad7138ba94860">
          <label>Figure 8</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-d754c5741776f451e91e5502e05eca60" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-e8aa39e518d01056c21222cef00581bd" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-02-10_18-38-20.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-d7f31356d929083c7379e3744430a379">Uma distinção é assumida em relação às caixas de dados adotadas por Fong (2005)<xref id="xref-65e95987bdcfecbccb2db284a102efae" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-4deba83515581d75fec7be1f972b90a7">[8]</xref>. Embora <italic id="italic-8eecc7bf0a18d7ce79b84f600a2e944c">Probe Box</italic> só possa receber um elemento a cada vez, <italic id="italic-d2506002cf0fbc25f94867cce114f388">Move Box</italic> pode lançar mão de um “empilhamento” de elementos, sendo que o último a ser copiado para a <italic id="italic-57b874662dea2809781ff9e5e754b405">Move Box</italic> deve ser o primeiro a ser considerado quando esta é inspecionada. Logo, <italic id="italic-2fa66f39ec70496896fb086760c1c2c1">Move Box</italic> é também utilizada em construções com movimento do tipo Qu.</p>
        <p id="paragraph-c570db1fbd8b6d00c91e3c008a6a0f8d">O mecanismo de caixas de dados utilizado por Fong (2005)<xref id="xref-b9588fb7e731326027e8b9c6010b8149" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-4deba83515581d75fec7be1f972b90a7">[8]</xref> não dá conta, no entanto, das distinções entre movimento apontadas na Seção 2, nomeadamente, a distinção entre movimentos relacionados à ordem canônica da língua e os movimentos de demanda discursiva, conforme vem sendo apontado por Corrêa (2005; submetido)<xref id="xref-db17f34a43be76a02173b8406aeb0f22" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-1566455fb616dc15e6d21b1603366caf">[4]</xref> e para a qual se sugeriu uma implementação em Corrêa; Augusto (2006; no prelo)<xref id="xref-3a960838cd701b56958e66e7d0c37693" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-c912b2fb9480fbf9a265cb2461eb3411 journal-article-ref-65f39bbee3c583058cf84b06ee86c88b">[9,10]</xref>, utilizando-se o mecanismo de cópias simultâneas e seqüenciais.</p>
        <p id="paragraph-c6f13c510b6ce21b1bcf827f147da987">Proponho, portanto, uma reformulação do sistema adotado por Fong (2005)<xref id="xref-601651cedb1af6708a234460cda9d46e" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-4deba83515581d75fec7be1f972b90a7">[8]</xref>, especificamente no que diz respeito ao mecanismo de caixas de dados, objetivando distinguir entre movimento para fixação de ordem e os movimentos de demanda discursiva, além de adicionalmente fazer a distinção entre movimento A e A-barra, que também demanda distinções no processamento <italic id="italic-8e532685b30a0bb79f57debd02b33880">on-line</italic>, conforme discutido aqui. Para tanto, assumo que é necessário distinguir três e não dois mecanismos de caixas de dados: além da <italic id="italic-119096010686a1aae706f1b58f65ecaf">Move Box</italic> e da <italic id="italic-c43bfa1259ed5061de3ca6ae51bfb75c">Probe Box</italic>, sugiro a incorporação de uma <italic id="italic-8a3be9315e1479318b36b270a5f4107a">Check Box</italic>.</p>
        <p id="paragraph-c5aa629ae528805b55f1a50eb9fc601b">.</p>
        <sec id="heading-a2eafdabdea230a7c2f9d6acd0807034">
          <title>3.1 Reformulando Fong (2005): <italic id="italic-61e196b60376898341909fdcb7510c05">Check Box</italic></title>
          <p id="paragraph-cd69f7924ce2e524e904e5d8233b7a5d">A reformulação do sistema de caixas de dados, com a incorporação de uma <italic id="italic-19678cae80fb97ee6b7aedbd1d98ff89">Check Box,</italic> permite alcançar as distinções necessárias no que diz respeito a custo computacional:</p>
          <list list-type="bullet" id="list-2c0e96e84d81be8477a929796b2a89e8">
            <list-item>
              <p>Check Box: menor (sem) custo computacional – requerimentos temáticos</p>
            </list-item>
            <list-item>
              <p>Move Box: maior custo computacional – movimentos longos.</p>
            </list-item>
            <list-item>
              <p>Probe Box: relações de concordância</p>
            </list-item>
          </list>
          <p id="paragraph-1baa0093562bc81b0d8794169fbb5d2e">Exemplifiquemos a atuação (simplificada) desses mecanismos no que diz respeito a sentenças declarativas simples, interrogativas-Qu e passivas:</p>
          <p id="paragraph-9c59f7d7e8a36bc8ad5b244cf0031b34">.</p>
          <p id="paragraph-60531625c7cb4aecdfe261210c290252">(3)</p>
          <p id="paragraph-db8c9401a5d01b661ef63211db47cde3">O Pedro comprou o livro.</p>
          <p id="paragraph-6c8b9a9a862546a25883c8b5df4e559c">a) <italic id="italic-bde7536f354fd1dea0d9c2fd5405dc54">O Pedro </italic>em Spec,TP –<italic id="italic-cf807ae55fe79fb83faa000878201ce4"> Check Box.</italic></p>
          <p id="paragraph-86991709a9b96dbd03a96d2bcf467fc6">b) Spec, vP – <italic id="italic-b0798919143f686764aef786292eacc2">Check Box</italic> esvaziada. </p>
          <p id="paragraph-ec8b3257f109191282e8f405da318159">.</p>
          <p id="paragraph-31d181e10dd8a97d13feddbff1eb1bb1">(4) </p>
          <p id="paragraph-d2b00418162b57e7d2a78272c075a058">O que o Pedro comprou?</p>
          <p id="paragraph-f2a75e7188bbac37ea10f954e2cd7e96">a) <italic id="italic-f1b8123341d590f27e9018d5cd8f3ac9">O que </italic>em Spec, CP -<italic id="italic-bc642081b4da77a437dc007dcea67b92"> Check Box.</italic></p>
          <p id="paragraph-41ca181405348f644f3379f318374546">b) Spec, TP: expectativa por esvaziar a <italic id="italic-bdf88e1a2addee7c175cfa7ecc765af7">Check Box</italic>, mas há competição no <italic id="italic-78532353cd365216f325c13cbe9a3b59">input</italic> – <italic id="italic-4758794f3957f27a94f257fbf62033f5">o Pedro.</italic></p>
          <p id="paragraph-093355f082f39d73c0450552832a9108">c) Envio de <italic id="italic-4e47fc425b8828735a5511926cd4e658">o que</italic> para <italic id="italic-8b35b0ad0b61cd3d3f91fdab20b32c81">Move Box; o Pedro</italic> ocupa a <italic id="italic-2ff70cb7d5bd9775247e0b8889953883">Check Box.</italic></p>
          <p id="paragraph-52e992e85eac59aa29ac811633d4cc0a">d) Spec, vP - <italic id="italic-8500d5941f7b86ecd7bc637159fc5907">Check Box</italic> esvaziada.</p>
          <p id="paragraph-11">e) Complemento de V – <italic id="italic-057af9298c232e8f963cc1f35fa9f027">Move Box</italic> esvaziada.</p>
          <p id="paragraph-936a5fe0d4090b450418729dc72e8a9b">.</p>
          <p id="paragraph-25340485beb5b4e8eb0f90bd90adda95">(5)</p>
          <p id="paragraph-ed64a7872d5033f27ef12530dd1fbb39">O livro foi comprado.</p>
          <p id="paragraph-5cf2217c26c455f4d3df0c6dd952b972">a) <italic id="italic-990f5b85bd567a7366281cf4d55ddd51">O livro </italic>em Spec, TP<italic id="italic-00946d7443c8c257b47df46e64fc2830"> - Check Box.</italic></p>
          <p id="paragraph-dad91ce63efaa71416eff4dfc4d1f26b">b) Expectativa por esvaziar a <italic id="italic-47f7d1c7b8c6e1f59fd3ce2850e6ce43">Check Box</italic> em vP frustrada<xref id="xref-6c27e78a9fcc3d64a5433b225f478040" ref-type="fn" rid="footnote-ac9f5f98e98a33aba9790799d8dff10c">6</xref> (também não há competição no <italic id="italic-b262fc12e22cad3ddfecd5873c8f9e8e">input</italic>).</p>
          <p id="paragraph-09177d7b5ec822f583e35d78473125dc">c) <italic id="italic-bdb416d80fa3f3855a3996d60c66bd27">O livro </italic>permanece na<italic id="italic-caa1fd28ec5c1918e959b61e9343fe45"> Check Box.</italic></p>
          <p id="paragraph-9284be2103b660d685f083c76dea0376">d) Complemento de V – <italic id="italic-4d60e87676d49d8774714ab574d6f978">Check Box</italic> é esvaziada.</p>
          <p id="paragraph-b3e2bc18eab62901081bedc192d37da4">.</p>
          <p id="paragraph-ac71693cca43ba5d687ec5b6ad22dde8">Com o desmembramento em duas caixas de dados – <italic id="italic-fc179ffbd71f57dc9ff397ed030cf4a8">Check Box</italic> e <italic id="italic-afb07f2458c0faf25acfec1579d6d1b2">Move Box </italic>(além da<italic id="italic-cc75c2036c64cb413b8e90e26fae9828"> Probe Box</italic>, não reformulada), obtém-se uma distinção<italic id="italic-b81d97b1705783c32a8af1d01d827d2a"> </italic>bastante interessante. Enquanto <italic id="italic-b0ef00c8b94292c987e45c9fbc2f4e0c">Move Box</italic> traz um elemento que terá um traço valorado (Caso), o que pode implicar que sua reativação seja mais forte, <italic id="italic-6687b89be01609236fabae21362ae0da">Check Box</italic> mantém elementos que não apresentam traços a serem valorados, mas apenas uma definição de papel-temático a ser checada semanticamente, o que possivelmente constitui uma etapa menos imediata do processamento. No entanto, a associação mais rápida de um elemento da <italic id="italic-c7912f5fbd685aa609aed393b6fd3961">Check Box</italic> com uma posição estrutural, como na estrutura ativa, ou uma associação que se faz após expectativas frustradas, como na estrutura passiva, pode ser responsável pela distinção que necessariamente se deve fazer entre essas estruturas, uma vez que as primeiras não apresentam qualquer custo computacional mensurável, enquanto as estruturas passivas parecem apresentar um custo, embora esse seja de natureza distinta do que se constata no caso de interrogativas-Qu.</p>
          <p id="paragraph-8ed26e9a953a4f5265232cb6b31027ca">Pode-se, ainda, antever um mecanismo combinado em que se mesclam o sistema de Fong (2005)<xref id="xref-9d2597e59c882d5ca5681946f2b701e4" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-4deba83515581d75fec7be1f972b90a7">[8]</xref> e o proposto em Corrêa; Augusto (2006; no prelo)<xref id="xref-a7d993bf9e5b7ad7a4161ac8346d5bd7" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-c912b2fb9480fbf9a265cb2461eb3411 journal-article-ref-65f39bbee3c583058cf84b06ee86c88b">[9,10]</xref>. A exemplificação anteriormente apresentada é retomada, prevendo-se as seguintes distinções: movimentos sem custo computacional vs. movimentos com custo computacional, que adicionalmente distingue entre movimentos do tipo A e A-barra, com a incorporação do mecanismo de cópias simultâneas:</p>
          <p id="paragraph-c9688c3e993945f69d42da1fd1769f8d">.</p>
          <p id="paragraph-0dd2422e6e898a237fe37f701b1a5c41">(6)</p>
          <p id="paragraph-993eff45eda4b164c30687f428c36451">O Pedro comprou o livro.</p>
          <p id="paragraph-ea5c197130dfdce40c6f3f650c937651">a) Cópias simultâneas do sintagma-sujeito - <italic id="italic-68927fef39542e0074e7e7b60e244801">o Pedro</italic> em Spec,TP e Spec, vP.</p>
          <p id="paragraph-f4b788d9883de4352ca1384a718ff6ea">.</p>
          <p id="paragraph-909eb3c55ef6cd204f8af278aa9bfc89">(7)</p>
          <p id="paragraph-b54326d5e438e7f5a31d4b336f5f28a1">O que o Pedro comprou?</p>
          <p id="paragraph-d2b3503933dce789c41b990bf4036a3f">a) <italic id="italic-578ab3e698a95ff11fbe9def1bfe450a">O que </italic>em Spec, CP -<italic id="italic-8d1c6904869dadac4bef74c5491d37b1"> Check Box.</italic></p>
          <p id="paragraph-45f1afc5f1a25b2c6f032886174e01d0">b) Spec, TP: expectativa por esvaziar a <italic id="italic-5a0440dbec1c2cbdf65b5a6f6b2ae613">Check Box</italic>, mas há competição no <italic id="italic-164ba17dee074c8b65dd43b4b7730f0a">input</italic> – <italic id="italic-213aff3e2ddb65082a02650df6953393">o Pedro.</italic></p>
          <p id="paragraph-ec08854e706013157adda9d93c532fb8">c) Envio de <italic id="italic-3e3cd23bbce3b18ce671ab653287bbbc">o que</italic> para <italic id="italic-a0c23728b51c856b1cb98d906b5c426a">Move Box; o Pedro</italic> enseja a formação de cópias simultâneas.</p>
          <p id="paragraph-13">e) Complemento de V – <italic id="italic-726805569b7a7967af5701851b66a20b">Move Box</italic> esvaziada.</p>
          <p id="paragraph-85125594f7ba20ea4238cc727db0872d">.</p>
          <p id="paragraph-15">(8)</p>
          <p id="paragraph-92d42658afa33e0e9d864625ce50e23c">O livro foi comprado.<xref id="xref-d909daa2de089b9c048caaa81da03741" ref-type="fn" rid="footnote-d82cc29f8c3a3ac6c251407eb76daf33">7</xref></p>
          <p id="paragraph-16">a) <italic id="italic-caa8e95f3195642ad274a535320b77a2">O livro </italic>em Spec, TP<italic id="italic-bb3569ab7041aad736cea501e365049e"> - Check Box.</italic></p>
          <p id="paragraph-18">b) Expectativa por esvaziar a <italic id="italic-316192b75c8cf7a7472304d0ba4682d8">Check Box</italic> em vP frustrada<xref id="xref-d20b4b3b56846cad6e2288c10c226b31" ref-type="fn" rid="footnote-0895c7b4659ab2d795d962a05204927e">8</xref> (também não há competição no <italic id="italic-425ca06d3b75a80355fce2d96b2ffe48">input</italic>).</p>
          <p id="paragraph-20">c) <italic id="italic-b017f78a2ad249b21444e08faea86079">O livro </italic>permanece na<italic id="italic-08311870ca65b2978d1b3125f0139ab2"> Check Box.</italic></p>
          <p id="paragraph-22">d) Complemento de V – <italic id="italic-c15ee0b0c9ebdc042b7d8df2ce3bba34">Check Box</italic> é esvaziada.</p>
          <p id="paragraph-e2bb703b7d1ef776b9111b5f553fcec9">.</p>
          <p id="paragraph-cbf571790bfc312631e29d2b95efe4d2">A distinção entre movimento-Qu (A-barra), que faz uso de <italic id="italic-893875fc9a0b75b8ada7c712b25973c1">Check Box</italic> e <italic id="italic-2888f0b7533003cb63b18ea0ec05c409">Move Box</italic>, e movimento A, nas passivas, que faz uso de <italic id="italic-92ad813cf3f616d9f86f8c8f11d6244b">Check Box</italic> apenas, contrasta, ainda, com as construções não-marcadas, sem custo computacional mensurável, para as quais as cópias simultâneas são sugeridas.</p>
          <p id="paragraph-e9189205381b51b06337877559dd7f62">.</p>
        </sec>
        <sec id="heading-6acff9fa43ea474318fda65b522072dd">
          <title>3.2 Alternativa 2: uma leitura estrita de Chomsky (1995, 1998, 1999)</title>
          <p id="paragraph-dff3cdc115c670a3d50b6383e122b475">Conforme apontaram Osterhout; Swinney (1993)<xref id="xref-3b948440bddee9a03d5fa8b475863e78" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-3bdbe7e142962bc94e8587d25513da77">[19]</xref>, os resultados obtidos poderiam prever que formalizações que não adotam uma visão de movimento sintático para a estrutura passiva poderiam refletir mais diretamente as distinções retratadas. As teorias lexicalistas (<italic id="italic-7b7eaa4dd9e533920172abbee0d83f0f">Lexical</italic> <italic id="italic-da7ca7278b0c3adad3eaf58b51999bea">Functional Grammar </italic>ou<italic id="italic-1b25b923c35abb3e628d1297aaea0b47"> Generalized Phrase-Structure Grammar </italic>e<italic id="italic-f86fa9dc98017c7699d654f7060f2801"> Head-driven Phrase Structure Grammar</italic>) defendem que a alteração de ativa para<italic id="italic-5409722ac74227c98769a00376e7c8ad"> </italic>passiva, assim como todas as alternâncias derivacionais, deve ser capturada no léxico. Não há movimento sintático, uma vez que cabe ao morfema de passiva alterar a estrutura argumental do verbo (BRESNAN, 1982)<xref id="xref-053afaa99990aab8a98bd71110d76ba2" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-997c03daf0f392325c68632ac4a7b8e1">[27]</xref>. Desse modo, pode-se prever uma distinção entre lacunas representadas no nível sintático, que implicariam uma reativação imediata do antecedente, e lacunas representadas em um nível semântico, que resultariam em uma reativação menos rápida.</p>
          <p id="paragraph-cbb571caf2932280bb33f70e316c1890">No entanto, vale salientar que um raciocínio bastante similar pode ser construído a partir dos pressupostos minimalistas, mantendo-se, não obstante, a análise, para as construções passivas, de que há movimento sintático do objeto lógico para a posição de sujeito sintático. Chomsky (1995, 1998, 1999)<xref id="xref-443f721c5f4c1618b01bf0e12bba0181" ref-type="bibr" rid="book-ref-dbd33e2e38041a1f5cd9d4d610a7af32 journal-article-ref-1c4f132df9eb44d62e6692a3343a3757">[5,6]</xref> restringe a atuação do primeiro <italic id="italic-9cdac2dc45bc35124e09f9334ef7ab47">Merge</italic> – operação responsável por concatenar objetos sintáticos – a posições temáticas. No entanto, a checagem dos papéis temáticos só se dá em LF. Desse modo, prevê-se que, procedimentalmente, a checagem de papéis temáticos se dá em um momento posterior da derivação lingüística. Logo, questões de identificação de posições estruturais e de identificação de relações semânticas constituiriam tipos de computação em atuação em momentos distintos do processamento.<xref id="xref-9294c75fe093d70abc26b066d8c03331" ref-type="fn" rid="footnote-7c4eb3dc870e61064f4933ef57f92afb">9</xref></p>
          <p id="paragraph-b5d9b2a16fedf33b73f9b3cffb4ce81a">.</p>
        </sec>
      </sec>
      <sec id="heading-c2df3e2a3a73cdea829363db10217e56">
        <title>4 Considerações finais</title>
        <p id="paragraph-8bea4602b05a2fb4cd21aab501534f28">Este artigo focalizou uma característica das línguas naturais: o fato de que certos elementos aparecem fonologicamente em posições distintas daquelas em que são interpretados. A Teoria Lingüística Gerativista tem capturado esse efeito em termos da noção de movimento do elemento em questão a partir de sua posição original. A Psicolingüística tem obtido evidências desse efeito a partir de experimentos em que se averigua a reativação do elemento, supostamente movido, na posição original.</p>
        <p id="paragraph-0bb01f12f2f072014d25ac16fbeb233b">No entanto, posições distintas são assumidas por esses campos em relação ao tipo de elemento a ser considerado como alvo de movimento. A Teoria Gerativa toma a operação de movimento para dar conta da articulação entre variabilidade e universalidade, ao assumir uma ordem subjacente definida universalmente (KAYNE, 1994)<xref id="xref-22548ca34f8e3fa9ea13e91338680991" ref-type="bibr" rid="book-ref-f1830499c2b03b7156cc5c5f55785569">[17]</xref>, a partir da qual as línguas naturais teriam sua ordem canônica básica derivada. Os movimentos são, então, definidos a partir do local final de pouso do constituinte. Movimento A é aquele que caracteriza movimento de constituintes para posições argumentais, englobando tanto o movimento de um objeto semântico, na construção passiva, para a posição de sujeito sintático, quanto o próprio movimento de sujeito (ou objeto) para a obtenção da ordem canônica básica da língua. Por outro lado, movimento A-barra é caracterizado como aquele que desloca um elemento para uma posição não-argumental, como elementos-Qu em interrogativas e relativas.</p>
        <p id="paragraph-a74727df83b4b8ea77da2368fd58a061">No que concerne à Psicolingüística, não há evidências experimentais de que os movimentos para a obtenção da ordem canônica da língua tenham realidade psicológica. Nesse sentido, uma teoria que pretenda dar conta da computação <italic id="italic-83a8e9d9fb812a9360e44cf8b844c24c">on-line</italic>, em que se considere a computação sintática conduzida na formulação e no <italic id="italic-9982111713a7a0fa0ae2110dc2c06d76">parsing</italic> de enunciados lingüísticos, deve distinguir entre movimentos paramétricos de ordem, sem custo computacional, e movimentos de demanda discursiva, com custo mensurável, conforme argumentado por Corrêa (2005, submetido)<xref id="xref-f6428770d6341028862c3a0cb023509c" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-1566455fb616dc15e6d21b1603366caf">[4]</xref> e implementado em Corrêa; Augusto (2006, no prelo)<xref id="xref-8a626ea789ddefa219869f1b60d96665" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-c912b2fb9480fbf9a265cb2461eb3411 journal-article-ref-65f39bbee3c583058cf84b06ee86c88b">[9,10]</xref>.</p>
        <p id="paragraph-6">Discutimos, no entanto, aqui que uma distinção adicional ainda se faz necessária, uma vez que se considerem resultados experimentais que sinalizam diferenças em relação ao tempo de reativação do elemento deslocado para posição argumental – movimento de DP em passivas, por exemplo – e não-argumental – movimento–Qu em relativas ou interrogativas. Enquanto a reativação de um antecedente-Qu é constatada imediatamente após o verbo (NICOL; SWINNEY, 1989;<xref id="xref-ed853aefe7d4b053cc24e406b90ec3c1" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-3a77943ff7e6b3fa66b9952958b552b8">[20]</xref> NICOL; FODOR; SWINNEY, 1994)<xref id="xref-8f3ae9d02d7120bcecea8db6a142aa27" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-93fc34d726b700e756ef881699d3a4e8">[21]</xref>, não acontece o mesmo no caso de um antecedente em posição A, como nas passivas (OSTERHOUT; SWINNEY, 1993)<xref id="xref-a5a6a324c926dcee3e7615bd69f60abb" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-3bdbe7e142962bc94e8587d25513da77">[19]</xref>.</p>
        <p id="paragraph-a72b1caf95f4ff7b3ac162448fc8c5cb">Defendeu-se que esses resultados não constituiriam evidência inequívoca a favor de uma análise das passivas sem movimento sintático, como abordagens lexicalistas defendem (BRESNAN, 1982)<xref id="xref-2ad211211226a34a9e68ee4e0d8caa97" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-997c03daf0f392325c68632ac4a7b8e1">[27]</xref>, mas que as necessidades distintas do antecedente em uma construção passiva (movimento-A) ou em uma estrutura interrogativa (movimento A-barra), a saber, definição de papel temático para um DP sujeito de passiva e identificação de Caso e papel temático para o elemento-Qu, seriam responsáveis pelas diferenças encontradas no processamento.</p>
        <p id="paragraph-26517e119ba72bc9107e26ec82d78379">Sugeriu-se que a implementação formal desse raciocínio poderia ser alcançada ao se propor uma reformulação no sistema adotado por Fong (2005)<xref id="xref-6962fc8867d897c4a87aaa8947e85c82" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-4deba83515581d75fec7be1f972b90a7">[8]</xref> ou mesmo ao se adotar uma interpretação bastante estrita de pressupostos assumidos no Programa Minimalista (CHOMSKY, 1995, 1998, 1999)<xref id="xref-fa0e84ebdfe83ac06b9add9b3f221a04" ref-type="bibr" rid="book-ref-dbd33e2e38041a1f5cd9d4d610a7af32 journal-article-ref-1c4f132df9eb44d62e6692a3343a3757">[5,6]</xref>.</p>
        <p id="paragraph-56d3a5d683d3524cc778a76ff761ea79">A proposta de Fong (2005)<xref id="xref-78b21ab5d471eddb208ded9c0f542143" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-4deba83515581d75fec7be1f972b90a7">[8]</xref> de um <italic id="italic-b24a4f6685f94f448f4c7f6b025231ec">parser</italic> incremental do tipo <italic id="italic-e2c12ac9bc29067f64ac4642fa28e565">left-to-right </italic>(da esquerda-para-a-direita), que incorpora o modelo de<italic id="italic-3a49af2b4eecfacfc92a95a254dde7a7"> </italic>concordância baseado na relação sonda-alvo proposto no Programa Minimalista, se mostra bastante compatível com o modelo de computação <italic id="italic-0675e87e0524537afff15ea58e3de303">on-line </italic>esboçado em Corrêa; Augusto (2006, no prelo)<xref id="xref-5782d735395a0e70c6f45666cb256494" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-c912b2fb9480fbf9a265cb2461eb3411 journal-article-ref-65f39bbee3c583058cf84b06ee86c88b">[9,10]</xref>. O autor faz uso<italic id="italic-0456bb8d2ed86ebe1f434de18ed573e0"> </italic>de um mecanismo para a representação de memória de curto prazo ou memória “cache”, denominado caixas de dados – <italic id="italic-d7d8c1dd6f5e0126d8db99b115934999">Move Box</italic> e <italic id="italic-a0fcd5908e0f4e388328d411301e80dc">Probe Box</italic> – que são responsáveis por manter ativa, para a computação sintática, informação necessária a ser integrada em etapas posteriores do processamento. A <italic id="italic-7e551b9b322da8f814e075cae758c8c6">Move Box</italic> codifica informação de natureza temática e a <italic id="italic-9528e84dd4362c555ad36e7ced60021d">Probe Box</italic> relações de concordância representadas no modelo pelo mecanismo de sonda-alvo. Essas caixas de dados não dão conta, no entanto, das distinções entre movimento mais básicas, discutidas por Corrêa; Augusto (2006, no prelo)<xref id="xref-43b2aa1b3039850ca5b48b250ddba112" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-c912b2fb9480fbf9a265cb2461eb3411 journal-article-ref-65f39bbee3c583058cf84b06ee86c88b">[9,10]</xref>, isto é, os movimentos sem custo computacional – movimento para obtenção da ordem canônica da língua – e movimentos com custo computacional mensurável, os denominados movimentos de demanda discursiva, entre eles, a passiva e a interrogativa-Qu. A fim de manter essa distinção e adicionalmente fazer a distinção entre os movimentos de demanda discursiva, subdivididos em movimento A-barra, com reativação imediata do antecedente, e A, sem reativação imediata, propus que seria necessário incorporar um outro mecanismo de caixa de dados: além da <italic id="italic-389e7daea2f9f790ee33a920f3275c8b">Move Box</italic> e da <italic id="italic-b8d3bdbb6eda4376021d26fa64a3f861">Probe Box</italic>, uma <italic id="italic-af636635a33a45f5cb375e0510a4a3dd">Check Box</italic>. A distinção entre <italic id="italic-d272e26103e8b5ea47ad338eb4a8a5f6">Move Box</italic> e <italic id="italic-3f65db856e5cad9f8709d86ba4fcc6ec">Check Box</italic> se faz justamente pelo tipo de necessidades dos elementos que as ocupam: <italic id="italic-aff3afba5daefc98f9e61a88a60e2507">Check Box</italic> recebe elementos com papel temático a ser definido, enquanto <italic id="italic-3732752c6f6b44b148eb374e4ae9af44">Move Box</italic> mantém elementos que precisam ter seu traço de Caso definido, conforme implementação apresentada na Seção 4.1.</p>
        <p id="paragraph-4586935528ae459b866fe5da834bc3d6">Por outro lado, salientou-se que uma leitura estrita dos pressupostos adotados no Programa Minimalista (CHOMSKY, 1995, 1998, 1999)<xref id="xref-4e6dabaeb575b42c81650f9527a6b8b0" ref-type="bibr" rid="book-ref-dbd33e2e38041a1f5cd9d4d610a7af32 journal-article-ref-1c4f132df9eb44d62e6692a3343a3757">[5,6]</xref> já permitiria manter a idéia de movimento para as construções passivas e prever o custo maior de integração no processamento dessas construções. Chomsky defende que o primeiro <italic id="italic-0fb6ce7dbc6f61b3dfed7eb37ae9b6f9">Merge</italic> é direcionado por requerimentos temáticos, o que valida a associação do objeto semântico da passiva como complemento do verbo, e adota, adicionalmente, a imposição de que, procedimentalmente, a checagem de papéis temáticos se dê apenas em LF. Desse modo, fica claro que questões de identificação de posições estruturais e de identificação de relações semânticas constituiriam tipos de computação em atuação em momentos distintos do processamento.</p>
        <p id="paragraph-cc03254711b5dccc76c8613a247d6190">Os pontos de convergência entre teoria lingüística e psicolingüística têm se mostrado mais numerosos a partir do Programa Minimalista, anunciando o estabelecimento de um diálogo entre esses campos cada vez mais profícuo.</p>
      </sec>
    </sec>
  </body>
  <back>
    <fn-group>
      <fn id="footnote-0e2e76946d17807ef93776016a1459c2">
        <label>1</label>
        <p id="paragraph-8bace46b4bda1a92de16081c7cacdabd">Este artigo parte da comunicação de mesmo nome inserida na Sessão Coordenada “Custo computacional e autonomia do processador sintático à luz de um modelo da computação <italic id="italic-f82d49aa12c220f991fafae6991add8d">on-line</italic> sob a ótica do Programa Minimalista”, que reuniu trabalhos do Grupo de Pesquisa Processamento e Aquisição da Linguagem (GPPAL-CNPq) do LAPAL – Laboratório de Psicolingüística e Aquisição da Linguagem, da PUC-Rio. Agradeço aos membros do GPPAL pelas discussões valiosas e particularmente a Letícia Sicuro Corrêa pela estimulante parceria que temos empreendido. Agradeço, adicionalmente, aos comentários e sugestões do parecerista deste artigo.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-c1e1c1d25a50668fa9bd99e653978491">
        <label>2</label>
        <p id="paragraph-af3672d7948823f31dac523906103c65">Como sugerido para uma derivação minimalista, assume-se que esse movimento é cíclico, possivelmente com uma cópia adicional em Spec, vP, considerado uma fase a partir de Chomsky (1999)<xref id="xref-8a93c0808df24f3847d5c545b3db540a" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-1c4f132df9eb44d62e6692a3343a3757">[6]</xref>.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-00fd9914e41085014b2eaf11d90ced99">
        <label>3</label>
        <p id="paragraph-0e0d1e6b0f697f0f7c5e25061c4d786a">A associação de custo de processamento ao deslocamento é reforçada dadas as distinções encontradas no processamento de sentenças interrogativas com Qu-deslocado vs. Qu-<italic id="italic-eb9a89915e79a4c0c5e2a5277a319f47">in-situ</italic>, por exemplo (cf. AUGUSTO, 2005)<xref id="xref-11c0fdef3c65c79b4c55d01d74efde82" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-5d25c727c36bc7341722f95b4523eead">[28]</xref>.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-1ee4e5c9035063a0bb0a65fdfa466daa">
        <label>4</label>
        <p id="paragraph-07ca7635a33365cc12d1919e84eec38e">Uma observação em relação às sentenças utilizadas por Osterhout ; Swinney (1993)<xref id="xref-84c86aa813e8faf428530bf375d80d6e" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-3bdbe7e142962bc94e8587d25513da77">[19]</xref> se faz necessária. O fato de que há um efeito significativo entre a palavra relacionada e o antecedente na posição *3 pode refletir, na verdade, a reativação devido à estrutura infinitiva sendo processada nesse ponto, ou seja, a existência de um outro tipo de categoria vazia na estrutura – um PRO – cujo antecedente é o sujeito da sentença principal – <italic id="italic-bd8820106c293a0dfa0656a3377472f7">the dentist</italic> –, não estando, portanto, associada à estrutura passiva em si. De qualquer modo, o experimento permite verificar que, diferentemente do que se observa na reativação de um elemento-Qu, na estrutura passiva, não há uma reativação forte do antecedente no ponto *1, isto é, logo após o verbo ao qual se associaria uma cópia do antecedente.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-e998a2b719f5fca000f67aae665f8c53">
        <label>5</label>
        <p id="paragraph-d555b3d1774622fe435797ecb762c050">Hestvik; Maxfield; Schwartz; Shafer (2007)<xref id="xref-41768ed7d5dc3e790c61ac8584731dd0" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-f6acec23f4fa79f6445af01a160d4ccf">[29]</xref> também enfocam a questão da reativação de elementos devida a um processo de preenchimento de lacuna sintática na construção de categorias vazias/vestígios nas posições originais em contraposição a uma reativação que poderia ser deflagrada pela associação direta do antecedente com os requerimentos argumentais do verbo. Os resultados de um experimento com sentenças relativas em que se observam as respostas cerebrais em termos de ERPs (potenciais evocados ligados a eventos) são interpretados como evidência de que o preenchimento de lacunas é mediada por categorias vazias previstas estruturalmente e de que essa construção estrutural faz parte da análise sintática inicial realizada pelo <italic id="italic-2aa12b89dff52d346131a11f50747846">parser</italic> (FRIEDERICI, 1995).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-ac9f5f98e98a33aba9790799d8dff10c">
        <label>6</label>
        <p id="paragraph-d2f777f33902e6a025f31ae4fa550111">A camada vP em passivas é defectiva. Não há requerimento temático por um agente, o que é identificado dado o caráter participial do verbo (ver BOECKX (1998)<xref id="xref-27a990f1b2b833afdc1fa67bf42f5452" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-2c886e76927c1ef083145de341c97c3a">[30]</xref> para uma visão distinta).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-d82cc29f8c3a3ac6c251407eb76daf33">
        <label>7</label>
        <p id="paragraph-05a90465963002157ec3df2a8d4bc477">Vale salientar que a forma vocabular “foi” é ambígua entre passado de “ir” ou de “ser”. Assim, poderia-se prever que, nesse tipo de construção, principalmente com a presença de um DP animado, este pudesse ensejar a formação de cópias simultâneas como sujeito e que, posteriormente, uma reanálise se fizesse necessária.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-0895c7b4659ab2d795d962a05204927e">
        <label>8</label>
        <p id="paragraph-a3950572b2b1d8b0e1b100510d5f07f3">Ver nota 6.<bold id="bold-4fa324108c31be085b47d2a60fb5207f"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-7c4eb3dc870e61064f4933ef57f92afb">
        <label>9</label>
        <p id="paragraph-5b1a356f5a27be1ca5a694b7b588c62a">Conforme defendido em Corrêa; Augusto (submetido)<xref id="xref-a13fc35e5d0b0b66cc242278be922fb8" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-e87807677f6a4e92f95dbc2dc35e1086">[31]</xref>, a identificação da relação entre elementos argumentais e posições estruturais é condição necessária, mas não suficiente para a atribuição de papéis temáticos. Essa depende de processos integrativos em LF, que levam em consideração traços semânticos dos predicadores envolvidos.</p>
      </fn>
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