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        <article-title>KOCH, INGEDORE VILLAÇA; ELIAS, VANDA MARIA. 2006. <italic id="italic-4e7351f4d4c507fcfda132efc2daa44a">LER E COMPREENDER OS</italic> <italic id="italic-7b00c9d17b02a56200ca68a8a84177ec">SENTIDOS DO TEXTO</italic>. SÃO PAULO: CONTEXTO.<italic id="italic-8d21a21841b6d8fb56799e869052b682"> </italic>ISBN 85-7244-327-4. 216 P.</article-title>
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            <given-names>Wagner Rodrigues </given-names>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Federal do Tocantins</institution>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="22/05/2017" />
      <volume>6</volume>
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      <issue-title>KOCH, INGEDORE VILLAÇA; ELIAS, VANDA MARIA. 2006. LER E COMPREENDER OS SENTIDOS DO TEXTO. SÃO PAULO: CONTEXTO. ISBN 85-7244-327-4. 216 P.</issue-title>
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    <sec id="heading-3c44318808d70d872c3a3991da8a5f34">
      <title>Resenha</title>
      <p id="paragraph-b3b48c93d56d561785c81b554991a909">Inúmeras obras sobre <italic id="italic-bd0418b4591e6f3c96c6e381a1f5c95d">leitura</italic> têm sido publicadas nas últimas décadas, pelo mercado editorial brasileiro, todas desenvolvidas no âmbito da Lingüística, da Lingüística Aplicada e, até mesmo, da Educação. A demanda por divulgação de pesquisas nessa linha pode ser justificada pelas lacunas referentes à alfabetização e, conforme novo campo de investigação em consolidação no Brasil, ao letramento, na formação de adultos e jovens leitores<xref id="xref-e55520ec3c9f938c18ebee777166551c" ref-type="fn" rid="footnote-1fa240bf385845c6313ed9e2955de7a7">1</xref>. Contribuindo para a formação do leitor, as produções existentes focalizam abordagens teóricas e aplicadas, prevalecendo ainda a primeira abordagem.</p>
      <p id="paragraph-ece6321cc5ff98e8ba01db6da1338cfc"><italic id="italic-d03dca4268ca273f9331099c9efab1cc">Ler e compreender os sentidos do texto </italic>é proposto, conforme mencionam<italic id="italic-edd419246d4a5025415b6e791486fab6"> </italic>Koch &amp; Elias, na introdução do volume, para “estabelecer uma ponte entre teorias sobre texto e leitura – esta aqui considerada a habilidade de compreensão/interpretação de textos – e práticas de ensino” (p. 8). Tal desafio anunciado é que diferencia o texto focalizado das demais publicações, evidenciando, portanto, o desenvolvimento progressivo das investigações sobre leitura, que, no tocante ao volume, é originário dos estudos teóricos da Lingüística.</p>
      <p id="paragraph-3">Ao longo de nove capítulos, são apresentadas as contribuições da Lingüística Textual para a teoria e prática de ensino de leitura. Nessa perspectiva, a leitura é assumida como “uma <italic id="italic-351f6e561ab0f6607844343a5d733c9b">atividade interativa altamente</italic> <italic id="italic-4">complexa de produção de sentidos</italic>, que se realiza evidentemente com base<italic id="italic-5"> </italic>nos elementos lingüísticos presentes na superfície textual e na sua forma de organização, mas requer a mobilização de um vasto conjunto de saberes no interior do evento comunicativo” (grifo das autoras; p. 11). Em cada capítulo do livro, são discutidos fenômenos ou objetos de estudos do texto, bem como seus desdobramentos para as atividades de leitura. <italic id="italic-a9c0db99cc1325ab13aa92173178f244">Sistema de conhecimento e processamento textual</italic>,<italic id="italic-2d8daea9b20123a9f57ec22224b38943"> contexto</italic>,<italic id="italic-bed58a97f3f595ca311ac325cc402ae3"> intertextualidade</italic>,<italic id="italic-270ad80be60d8d720337ee7942ee05f6"> referenciação</italic>,<italic id="italic-71139c637cb3d29f03ba860f23d9f1ef"> seqüenciação textual </italic>e<italic id="italic-6"> gênero textual </italic>são alguns desses<italic id="italic-7"> </italic>fenômenos ou objetos de estudo.</p>
      <p id="paragraph-499d37da4f5bed80c7e83a4f0de967e4">Na busca do estabelecimento da ponte entre teorias e prática de ensino, são selecionados e analisados inúmeros gêneros textuais, o que parece ser um ganho enorme para os trabalhos desenvolvidos no âmbito da Lingüística Textual, os quais, algumas vezes, possuem exemplificações restritas no nível frasal, conforme alguns trabalhos anteriormente publicados na área (KOCH, 2004; 2000; 1999; para citar alguns)<xref id="xref-3526baa3f859f47a27fe917ba75496ab" ref-type="bibr" rid="book-ref-d67e7a02d779d5a390cc6723c84b16a9 book-ref-8994b370b2b814ea42c87ea72ae95f32 book-ref-64099f8f4227339746adc90976ab8a02">[1-3]</xref>. Esse enfoque restrito no nível frasal, característico de algumas obras propostas para focalizar o texto, já foi mencionado por autores como Widdowson (2004)<xref id="xref-4b199a92057d8f965e51d380ba18a800" ref-type="bibr" rid="book-ref-4eb28cd025cba8e8ab7c3dcf9d2a00e9">[4]</xref>, ao criticar a abordagem sistêmico-funcional, também limitada no nível frasal, proposta por Halliday (1985)<xref id="xref-c95e3c79422d0f4342c77ca002e968a7" ref-type="bibr" rid="book-ref-a30e041f9fc0dc0757be4c92e94b23bf">[5]</xref>; e não escapa a alguns poucos momentos da obra aqui resenhada. No oitavo capítulo, intitulado “Seqüenciação textual”, os exemplos de encadeamento de enunciados por conexão e por justaposição, através de usos ou não de conectivos/ operadores argumentativos, respectivamente, são todos no nível frasal. O funcionamento textual pode ser evidenciado pelos exemplos, ainda que reste ao leitor da obra focalizada estabelecer alguma relação entre os usos desses elementos do texto e a atividade de leitura textual.</p>
      <p id="paragraph-5">A seleção e análise de inúmeros gêneros textuais também podem contribuir de forma inestimável para o trabalho de leitura em diferentes disciplinas e, principalmente, no ensino de língua materna. São priorizados os denominados gêneros utilitários<xref id="xref-5c9b98820366bf262e064ed78c83a11f" ref-type="fn" rid="footnote-6a172a4232f75d0887417c68609e4c05">2</xref>, como artigo de opinião, bula, charge, história em quadrinhos, propaganda, reportagem e tirinha, em detrimento dos gêneros literários, como conto e poesia. Os gêneros literários são quase sempre selecionados em função do gênero utilitário, como acontece no quarto capítulo, intitulado “Texto e intertextualidade<italic id="italic-8">”</italic>, quando gêneros literários funcionam como <italic id="italic-9">intertextos</italic> para artigos de opinião. A diversidade de gêneros textuais vai de encontro às orientações propostas nas diretrizes curriculares vigentes, como os PCN (BRASIL, 1998, p. 23)<xref id="xref-31a391f6530010bc8d0232c270262e08" ref-type="bibr" rid="book-ref-3dcbb05018538b79cad4495ab5ea4998">[6]</xref> para ensino de língua materna, no Ensino Fundamental II, ao ser afirmado que “...a noção de gênero, constitutiva do texto, precisa ser tomada como objeto de ensino. Nessa perspectiva, necessário contemplar, nas atividades de ensino, a diversidade de textos e gêneros, e não apenas em função de sua relevância social, mas também pelo fato de textos pertencentes a diferentes gêneros são organizados de diferentes formas”.</p>
      <p id="paragraph-192a47295f8982601558ffdccd34a6c4">As análises bastante esclarecedoras de elementos textuais focalizados em diferentes gêneros podem ser bastante úteis para a prática de ensino, atingindo, provavelmente, os professores de diferentes níveis, conforme propõem Koch &amp; Elias: “...são nossos interlocutores privilegiados os professores dos vários níveis de ensino, em especial os de línguas – materna e estrangeiras –, estudantes dos cursos de Letras, de Pedagogia, bem como os demais interessados em questões de compreensão de leitura, ensino e funcionamento da linguagem de modo geral.” (p. 8). Os autores de livros didáticos, ainda que não mencionados por Koch &amp; Elias, também seriam bons interlocutores para as autoras, pois, no tocante ao ensino de língua materna, ainda que haja uma seleção diversificada de gêneros textuais, predominam abordagens de leitura, escrita e análise lingüística fortemente escolarizadas, conforme constatou Bezerra (2001)<xref id="xref-ce12dc0c39982b3f0d69d0837dd6dbc2" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-bb9fc97c8b2dbbcf6d338b414d353155">[7]</xref> ao analisar livros didáticos do Ensino Fundamental I e II.</p>
      <p id="paragraph-e838ffb13c143b18335cfa1a802f7158">A título de ilustração do tipo de atividade de análise lingüística escolarizada em livros didáticos, envolvendo a prática de leitura e passível de contribuição da abordagem de leitura proposta por Koch &amp; Elias, é reproduzida adiante uma atividade com uma publicidade, apresentada numa seção intitulada “Gramática textual”, em um livro didático de Língua Portuguesa para 5ª série. O gênero selecionado para a atividade é bastante representativo do tipo de gênero utilitário mobilizado pelas autoras da obra aqui resenhada.</p>
      <p id="paragraph-85c754a0767767ad8f64e8ccf64912b7">Leia a propaganda:</p>
      <fig id="figure-panel-1cc3f2f9b60992a74df541266df4ec09">
        <label>Figure 1</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-f27e9930085a66afcdd01e67aca9a198" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-5ad29b1ab1af4bdac05609446daa2f85" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-01-27_19-14-38.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-e992e7f76a9a4a7818d4a354e0dce942">a) Por que foram feitas pesquisas sobre qualidade de nossas principais praias?</p>
      <p id="paragraph-4b691dcb6a2890f2ea15860c0f46c6ad">
        <italic id="italic-ecd5ac7cb7e502dd65c1622ee57eff3b">Porque na maioria delas há problemas de poluição ou de contaminação, oferecendo risco à saúde dos banhistas.</italic>
      </p>
      <p id="paragraph-16c41374605bc2efc48c1ab1b03782c0">b) Você acha que o problema de limpeza nas praias diz respeito somente ao governo? Por quê?</p>
      <p id="paragraph-7">
        <italic id="italic-fbee5927c590d331e4f2a390b82fcb31">Resposta pessoal.</italic>
      </p>
      <p id="paragraph-9">c) Qual é o objetivo da propaganda?</p>
      <p id="paragraph-11">
        <italic id="italic-2df4a8ea408d9c0c81ed1a3a7b5bf6ed">Estimular o turismo em Recife.</italic>
      </p>
      <p id="paragraph-13">d) Qual a estratégia utilizada para atingir esse objetivo?</p>
      <p id="paragraph-15">
        <italic id="italic-6fb230ece5b08a8315a9bdc8fd7467c2">Seduzir o consumidor com a possibilidade de encontrar praias limpas e seguras.</italic>
      </p>
      <p id="paragraph-17">e) Retire da propaganda os numerais cardinais.</p>
      <p id="paragraph-b2d10e61301c9930b9cb4c8cf00ccad7"><italic id="italic-32578c20f9c47a97b2ad70f75fd2e85d">10, sete, zero</italic>.</p>
      <p id="paragraph-d6467fc8c70b4da19301b6b2b987dd5c">SARMENTO, Leila Luar. <italic id="italic-5d8c227c373ffabfef93d32526ab015d">Português: leitura, produção, </italic><italic id="italic-fc864ae2a9c1bf502b62167c841a6999">gramática</italic>. São Paulo: Moderna, 2002. p. 164.</p>
      <p id="paragraph-fb8890d02f8373da7ad4ac26f3783cde">.</p>
      <p id="paragraph-546f0f254400f0df2e19ea1ee7a8a759">A análise da atividade acima mostra que as quatro questões de leitura são propostas como simples pretexto para a <italic id="italic-3aef7a726622292ab22b6f4e2b571762">pergunta cópia</italic>,<xref id="xref-c5450578277243d75e0ba9c058c311b3" ref-type="fn" rid="footnote-e0f81c8a97fcc30aeb96f4813ddb7b0a">3</xref> identificada pela letra <italic id="italic-9f8e38de51770a7d5d21513ef8e0f6dd">e</italic>, o que justificaria a inserção da atividade, focalizando a classe de palavra <italic id="italic-2a617cce10d309c54d8b5c024107d3b9">numeral</italic>, na seção gramatical. As quatro primeiras questões de leitura não subsidiam o trabalho com a <italic id="italic-471631090ab0bf69ca4f510119344d21">gramática textual</italic>, conforme denominação da seção, ou gramática contextualizada, como preferem outros autores (SILVA, 2006)<xref id="xref-6bd2597d3bc594da3bcf4bb3cc0754ec" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-d507994a6011d9973cc964df2417fa30">[8]</xref>. Nenhum elemento textual responsável pela construção do sentido da publicidade é trabalhado na atividade.</p>
      <p id="paragraph-c45b846ae9df69ec5f236868605bfca2">A resposta para a questão <italic id="italic-38cd4ce93ea1200fc0f63446a34764e1">a</italic> não está presente no texto, pois trata-se de uma <italic id="italic-3445435f31e871f111495b3ccf4a5884">pergunta impossível</italic>.<xref id="xref-d4ab0a406bb640314975ac2573d524d2" ref-type="fn" rid="footnote-617955fd56e15473f46550c8da0e0cd7">4</xref> A questão <italic id="italic-f94bf2f37ed8dbcd2415f5aa5ec6b209">b</italic> não contribui para a construção do sentido textual, porque trata-se de uma <italic id="italic-47e9e63c096ebddcb37b86c8232706a7">pergunta subjetiva</italic>.<xref id="xref-8aa3446fddfe708349f8dea622a8f9fe" ref-type="fn" rid="footnote-75d1bb188613c7d045fe1d8d0781deba">5</xref> A questão <italic id="italic-a4e845d82f7ec9cbc23f1b4cda64669e">c</italic>, por corresponder a uma<italic id="italic-10"> pergunta global</italic>,<xref id="xref-148c10d367bd4ec2a536e2eafb04fd89" ref-type="fn" rid="footnote-698d67d91c93b86abfeb6ea2f7030788">6</xref> deveria ser proposta num<italic id="italic-11"> </italic>último momento, após a proposição de questões que realmente possibilitassem o trabalho com elementos lingüísticos responsáveis pela construção do sentido textual, como a <italic id="italic-12">intertextualidade explícita</italic> da legenda (<italic id="italic-13">DEU NO FANTÁSTICO: “PESQUISA SOBRE AS SETE PRAIAS MAIS</italic> <italic id="italic-14">FREQÜENTADAS DO PAÍS COMPROVAM QUE A PRAIA DA BOA VIAGEM, NO RECIFE, RECEBEU NOTA 10 EM LIMPEZA, ÍNDICE ZERO EM CONTAMINAÇÃO”. PROCURE O SEU AGENTE DE VIAGEM AINDA DÁ TEMPO DE VOCÊ PASSAR O VERÃO COM A GENTE.</italic>) e a linguagem não-verbal componente do<italic id="italic-15"> contexto lingüístico</italic>.<italic id="italic-16"> </italic>Tais elementos lingüísticos poderiam ser trabalhados por meio da questão <italic id="italic-17">d</italic>, aqui identificada como<italic id="italic-18"> pergunta inferencial</italic>.<xref id="xref-b4d4c0678cfe11c332c61d9819b701af" ref-type="fn" rid="footnote-4b84f3d261ea957488b223fa41d6f7f6">7</xref> Mesmo apontando para<italic id="italic-19"> </italic>o trabalho com os elementos lingüísticos responsáveis pela construção do sentido textual, conforme os apresentados e analisados por Koch &amp; Elias, a resposta dada no livro didático corresponde ao objetivo da publicidade, seria um complemento da questão antecedente, <italic id="italic-20">c</italic>, e não corresponde, portanto, às estratégias questionadas em <italic id="italic-21">d</italic>.</p>
      <p id="paragraph-5c9c12b1ac81d244279624096022ddfe">A citação direta da reportagem do programa dominical <italic id="italic-22">Fantástico</italic>, da <italic id="italic-23">Rede Globo de Televisão</italic>, serve como estratégia argumentativa para persuadir<italic id="italic-24"> </italic>o leitor, turista em potencial, a visitar a cidade do Recife, haja vista que o programa referido possui alta credibilidade, sendo exibido em horário nobre, na emissora brasileira de maior audiência. Ainda no contexto lingüístico da publicidade, as imagens de diferentes pontos turísticos na parte inferior do texto, assim como o balde com pá e ciscador pequenos, exercem força argumentativa para seduzir o leitor. O balde pode remeter o leitor à limpeza tematizada e à diversão das crianças ou filhos, num espaço higiênico, agradável e familiar. Outras estratégias argumentativas presentes na peça publicitária também poderiam ser utilizadas como subsídio para o trabalho com o numeral, uma vez que a disposição do número 10 no anúncio, destaca-se aqui, é bastante estratégica.</p>
      <p id="paragraph-8ba9be131e3d2bfb2176bdd203390b67">Conforme a análise do texto publicitário supramencionado, assim como destacam Koch &amp; Elias, “<italic id="italic-c2fbee9beb95e8b11aabb34861bc136e">o sentido</italic> do texto é <italic id="italic-d748fd48f54bfb055b0e5d689c7796ba">construído na interação</italic> <italic id="italic-c2d3153afd9fd1d6019ca00e359de81d">texto-sujeitos </italic>e não algo preexistente a essa interação” (grifo das autoras;<italic id="italic-9390ff9270dc225097da11a7027e3344"> </italic>p. 11). As autoras mostram ao longo da obra que, de fato, a <italic id="italic-37e4ed3e00be9436d25a28322dfb48c5">coerência</italic> “não está no texto, mas é construída a partir dele, na interação, com a mobilização de uma série de fatores de ordem discursiva, sociocognitiva, situacional e interacional” (p. 208). Em outros termos, a leitura está “longe de ser uma recepção passiva”, conforme destaca Jouve (2002, p. 61)<xref id="xref-2a76d5656300607901fb066d13a9a882" ref-type="bibr" rid="book-ref-61faff69d95e30a6d29e484c54b5607d">[9]</xref>, ao discutir diferentes abordagens para a leitura do texto literário.</p>
      <p id="paragraph-9fccd909194a54944957ac458f885f8c">Em síntese, as contribuições de ordem teórica e para a prática de ensino, aqui destacadas, fazem de <italic id="italic-45381bae95837f8360f88139c1a3a586">Ler e compreender os sentidos do texto</italic> uma obra de valor inestimável para as demandas atuais de formação de leitores com um nível de letramento mais satisfatório. Trata-se, portanto, de uma obra com um amplo leque de leitores, mas de leitura imprescindível para professores de língua materna.</p>
    </sec>
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      <fn id="footnote-1fa240bf385845c6313ed9e2955de7a7">
        <label>1</label>
        <p id="paragraph-5343a62507e6491ff7892013ddd36e70">1 Tais lacunas podem ser constatadas atualmente em resultados de exames nacionais e internacionais que avaliam as habilidades de leitura de estudantes, como o SAEB (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica); ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) e PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos). Para maiores informações sobre tais exames, ver o sítio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (www.inep.gov.br).<bold id="bold-1"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-6a172a4232f75d0887417c68609e4c05">
        <label>2</label>
        <p id="paragraph-dff3da0117efcfebe70dc0207de947b0">2 Os gêneros utilitários são aqui compreendidos, conforme Vilela &amp;Koch (2001, p. 543)<xref id="xref-1a2a8fc216148d4fc4568c5f880a764d" ref-type="bibr" rid="book-ref-66e5934ea28c400e04fdc217244a305e">[10]</xref>, “como o ‘texto não-literário’, um esquema de ação complexo normalizado socialmente que está ao dispor do falante de uma língua”.<bold id="bold-846648131fe57404a3655a7ad2dede9e"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-e0f81c8a97fcc30aeb96f4813ddb7b0a">
        <label>3</label>
        <p id="paragraph-9b5d9ea69ae22248cc571e7fdbad2b36">3 “São as perguntas que sugerem atividades mecânicas da transcrição de frases ou palavras. Verbos freqüentes aqui são: copie, retire, aponte, indique, transcreva, complete, assinale, identifique etc” (MARCUSCHI, 2001, p. 52)<xref id="xref-fc84c6ad825e5347a88885c304ab2983" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-12069c1a630437561a0e636f6e093ccc">[11]</xref>.<bold id="bold-dce17f2e72b658001116d134600825d8"/></p>
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      <fn id="footnote-617955fd56e15473f46550c8da0e0cd7">
        <label>4</label>
        <p id="paragraph-6649e370d32813ceef25423073cc1445">4 “Estas perguntas exigem conhecimentos externos ao texto e só podem ser respondidas com base em conhecimentos enciclopédicos” (MARCUSCHI, 2001, p. 53)<xref id="xref-d0a61be6a0f994358c3237ba53a13499" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-12069c1a630437561a0e636f6e093ccc">[11]</xref>.<bold id="bold-ddda31843e0d23d24ae0b80e4c7b5f03"/></p>
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      <fn id="footnote-75d1bb188613c7d045fe1d8d0781deba">
        <label>5</label>
        <p id="paragraph-0c21e6bc2b39c6a70e532dcf0b6f35bd">5 “Estas perguntas em geral têm a ver com o texto de maneira apenas superficial, sendo que a resposta fica por conta do aluno e não há como testá-la em sua validade” (MARCUSCHI, 2001, p. 53)<xref id="xref-dd1dc66e3ce35a9a78608b1e5a31ac93" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-12069c1a630437561a0e636f6e093ccc">[11]</xref>.<bold id="bold-eb003e3ca190fb11425bdcadf415e4dd"/></p>
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      <fn id="footnote-698d67d91c93b86abfeb6ea2f7030788">
        <label>6</label>
        <p id="paragraph-0c1ef7deb43614f71434e96bd7018d44">6 “São as perguntas que levam em conta o texto como um todo e aspectos extra-textuais, envolvendo processo inferenciais complexos” (MARCUSCHI, 2001, p. 53)<xref id="xref-24867804b14032f946e0ed960cb1d0f6" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-12069c1a630437561a0e636f6e093ccc">[11]</xref>.<bold id="bold-98a8f0050ea20e52ca05565bd93a584c"/></p>
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      <fn id="footnote-4b84f3d261ea957488b223fa41d6f7f6">
        <label>7</label>
        <p id="paragraph-ac3b1b040879dc468d32513e333b95d5">7 “Estas perguntas são as mais complexas; exigem conhecimentos textuais e outros, sejam pessoais, contextuais, enciclopédicos, bem como regras inferenciais e análise para busca de respostas” (MARCUSCHI, 2001, p. 52)<xref id="xref-88009ebd4cb8db56ddac4bb8fc626738" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-12069c1a630437561a0e636f6e093ccc">[11]</xref>.<bold id="bold-04b0d3ea8a097d86ffeafd250519604f"/></p>
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