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          <subject content-type="Tipo de contribuio">Ensaio teórico</subject>
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        <article-title>CONSTRUÇÕES COM <italic id="italic-efe43a6df4ffa9c75ffc5434e4c46be1">SE </italic>E PROMOÇÃO DE ARGUMENTO NO PORTUGUÊS BRASILEIRO</article-title>
        <subtitle>UMA INVESTIGAÇÃO DIACRÔNICA</subtitle>
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            <surname>CYRINO</surname>
            <given-names>Sonia M. L</given-names>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Estadual de Campinas</institution>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="22/05/2017" />
      <volume>6</volume>
      <issue>2</issue>
      <issue-title>CONSTRUÇÕES COM <italic id="italic-354f6cfc6a01a45edd41ff17f8edf3d5">SE </italic>E PROMOÇÃO DE ARGUMENTO NO PORTUGUÊS BRASILEIRO: UMA INVESTIGAÇÃO DIACRÔNICA</issue-title>
      <fpage>85</fpage>
      <lpage>116</lpage>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">Este trabalho investiga diacronicamente construções relacionadas no português brasileiro: passivas sintéticas, construções com o se impessoal e com se médio. A hipótese é que a mudança em relação a essas estruturas pode estar na origem das atuais construções de promoção de argumento com certos verbos.</p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-aeeeb5f06e888fbd58918bcea3f1325b">This paper investigates some related constructions in Brazilian Portuguese, namely, synthetic passives and constructions with impersonal -se and medial –se, taking a diachronic perspective into account. Our hypothesis is that the change in these structures may be in the origin of the present argument promotion constructions in relation to certain verbs.</p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">construções com se</kwd>
        <kwd content-type="">português brasileiro</kwd>
        <kwd content-type="">sintaxe diacrônica</kwd>
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    <sec id="heading-43d217e00cddf582fc558ffe4c596b1b">
      <title>1. Introdução</title>
      <p id="paragraph-5195fbe692336a2af7fb613af816e4da">Muitos trabalhos sobre o português brasileiro (PB) (PONTES, 1981;<xref id="xref-6e3f97281d16f4fcccb8f18cfc51577e" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-178e1bec4ddb68dd7c1c72efc89e8cbb">[1]</xref> GALVES, 2001;<xref id="xref-5039f9f4d9312fbcf3ffdd2e6b4b1178" ref-type="bibr" rid="webpage-ref-331906f4e3cf09bc47e0cef9c17701cf">[2]</xref> entre outros) apontam uma das peculiaridades dessa língua, tanto em relação ao português europeu moderno<xref id="xref-0f5355a475427329b8ed600681e10d41" ref-type="fn" rid="footnote-efbff9d855773079267f464113278eb4">1</xref>, quanto ao português clássico: a possibilidade de sentenças como (1a) a seguir:</p>
      <p id="paragraph-cd64ec956c019cc315e1fb0027a4fea7">.</p>
      <p id="paragraph-bb25dcb94abbbcd18e75570c6e6d8534">(1) a. A revista está xerocando.</p>
      <p id="paragraph-495c7f75ecc821485b0fec1d1670597a">b. A revista está sendo xerocada.</p>
      <p id="paragraph-1f90881bfab8dc23a383b815476ef4f8">.</p>
      <p id="paragraph-8125f9095d71c15194ec8eb2152835b6">Nesses exemplos um argumento interno do verbo ocorre na posição de sujeito. Considerando que a sentença (1a) pode ser uma substituição para (1b), a possibilidade dessas construções no PB tem sido apontada como uma característica que pode enquadrar essa língua na categoria de “língua de tópico”, já que, nestas, a passiva não é comum (LI; THOMPSON, 1976)<xref id="xref-25c4ca102e9db1e29d078e7eb377440d" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-aa763785037413c03a8ac74b03307eb1">[3]</xref>.</p>
      <p id="paragraph-13d93d2ede21dad4d629098c18022d64">Em chinês, uma língua de tópico, por exemplo, uma estrutura semelhante é possível, de acordo com LaPolla (1988)<xref id="xref-f916551029d0fe16805b1b6bce3f9473" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-4bc54a3446711b8a952c298a61294e17">[4]</xref>, na qual o agente não ocorre, não há morfologia passiva e o sujeito é inanimado (3). Essa forma de “passiva” é formada pela queda do agente/sujeito a partir de uma forma topicalizada como (2):</p>
      <p id="paragraph-076205ecc540e6c21442c6cb8c0f5a59">FIGURA 2 3</p>
      <p id="paragraph-579834c81386738440a1d665ebdf1a38">LaPolla (1988)<xref id="xref-59916478ee6089e4d7a8c9c9f9c3cf39" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-4bc54a3446711b8a952c298a61294e17">[4]</xref> observa que essa construção não pode ser considerada uma passiva verdadeira, mas uma sentença com um tópico objeto:</p>
      <p id="paragraph-567788b61ee9fefba5caf9f4dbda9e43">.</p>
      <p id="paragraph-c6983bd337afd5a1e795aee0d28c0333">It is clear from this that there really is no passive sense to the verb in this type of construction, and that in <italic id="italic-8fda25fb83e1818d552a9feaa41e56d0">shu dou kan wan le</italic>, <italic id="italic-07ba97670075b51370b0a39b24c3fdba">shu </italic>cannot be the subject. It must then be a topic/object in a sentence without a subject. A similar analysis is given in Li; Thompson 1976: 479-450, and Li; Thompson 1981: 498-499. (LAPOLLA, 1988: 5)<xref id="xref-58c5c59eec2b324fa680310384d3538c" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-4bc54a3446711b8a952c298a61294e17">[4]</xref></p>
      <p id="paragraph-81a6368bf042fb7da55127980af4f9ad">.</p>
      <p id="paragraph-9bc4dc5af6c63ea0d7ef7c93499d2e02">Da mesma forma, Galves (2001: 5)<xref id="xref-7d561b58ee25d0e846cea13b3b99986a" ref-type="bibr" rid="webpage-ref-331906f4e3cf09bc47e0cef9c17701cf">[2]</xref> observa que, em PB, sentenças como (1a), contrariamente a passivas como em (1b), o argumento agente está inativo. Ela aponta para o contraste em (4):</p>
      <p id="paragraph-2">.</p>
      <p id="paragraph-3b245e0912bc5dcb5cf06054c555b338">(4) a. A revista foi xerocada para ganhar tempo. </p>
      <p id="paragraph-643e1b6629d3b4e2024cb5185c84f1a7">b. A revista xerocou para ganhar tempo.</p>
      <p id="paragraph-4">.</p>
      <p id="paragraph-82d9b5d73ad8afb97605db6c58767e06">Em (4a) o sujeito de <italic id="italic-30dea276eb719f1f25eeaa581e8608f1">ganhar tempo</italic> é controlado pelo agente implícito de <italic id="italic-bd40114c5c4104bff5f27b4137302804">foi xerocada</italic>, e em (4b), essa interpretação não é possível. Isso indica,<italic id="italic-3881d0375f2012be0b2ca79d40ef6c0b"> </italic>segundo a autora, que não há argumento externo projetado na sentença. Parece, portanto, que a sentença é inerentemente não-agentiva<xref id="xref-3324e4618c4eb5a60b70e8cc2683de88" ref-type="fn" rid="footnote-84d5a48ae6d7f7f31f16373ab872eb61">2</xref>.</p>
      <p id="paragraph-40b1c8c350c5a299637119b28877339f">Uma outra característica do PB que pode ser correlacionada ao uso de (1a) em detrimento de passivas analíticas (1b) é a queda na ocorrência de passivas sintéticas (5a) (Cf. NUNES, 1990), sendo que o <italic id="italic-32ad7d9b794534891698a893deae9de2">se</italic>, quando ocorre atualmente, não traz a noção de passividade, mas de indeterminação, como em (5b) (Cf. MOINO, 1989;<xref id="xref-19890015c1b23eab089370f27f04b400" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-057095ac32acfade59644de4c5b89916">[5]</xref> NUNES, 1990):</p>
      <p id="paragraph-8">.</p>
      <p id="paragraph-8220ddd630eee30f3f8f79d4139fcb88">(5) a. Xerocaram-se revistas. </p>
      <p id="paragraph-28780230263377890df06e35ee5b8f8e">b. Xerocou-se revistas.</p>
      <p id="paragraph-10">.</p>
      <p id="paragraph-16f5b9743ca3c1aba5b300bac3d491cc">O objetivo deste trabalho é analisar diacronicamente a hipótese de que estas estruturas estejam relacionadas. Em outras palavras, apresentamos um levantamento diacrônico de construções como: passivas com o verbo <italic id="italic-c30aee48d3460ecc378d8b1f4268aca5">ser</italic>, passivas com o <italic id="italic-71073d83df7cb460b493523998a44c08">se</italic>, a indeterminação do sujeito com o <italic id="italic-7">se</italic>. A hipótese subjacente é que essas estruturas podem ter sido reanalisadas de modo a tornar possíveis as atuais construções com alçamento de objeto com certos verbos.</p>
      <p id="paragraph-961a73e75b95443d718bbbe0deb27aa6">O <italic id="italic-8">corpus</italic> utilizado neste trabalho provém de textos do século XVIII, XIX e XX, a partir de corpora do Projeto Para a História do Português Brasileiro e também do Projeto Temático: Projeto de História do Português Paulista, subprojeto Mudança Gramatical no Português de São Paulo: anúncios de jornal, cartas de leitores, cartas pessoais, cartas oficiais, e dados de jornais da imprensa negra paulista. O <italic id="italic-9">corpus</italic> do século XVIII provém de dados escritos por portugueses radicados no Brasil, mas será importante como contraponto para as hipóteses levantadas neste trabalho.</p>
      <p id="paragraph-7350111cc3175a5f6b8d14135a909b32">.</p>
      <sec id="heading-ed4ef6b3bc3cf2332504be6a5102ff86">
        <title>2. As construções com promoção do argumento em PB</title>
        <p id="paragraph-31b304b07745bcf191478ea967597c9e">Como vimos acima, as sentenças em questão neste trabalho têm sido analisadas (Cf. GALVES, 1987; 2001)<xref id="xref-4578b3b79d3d9801b37ad7758e101e99" ref-type="bibr" rid="book-ref-3a7fcc60ead96e0f940fc756878f5c03">[6]</xref> como sendo estruturas relacionadas àquelas encontradas em línguas de tópico (Cf. LI; THOMPSON, 1976), em que também se observa ausência de passivas.</p>
        <p id="paragraph-4a803127a40db9fbbaddce53166262fd">Contudo, como observado em Cyrino (2005), sentenças como (1a) são possíveis em PB, mas não podemos dizer, visto a possibilidade de (1b) que a língua não tem passivas. Além disso, a alternância observada em (1) não é geral, como podemos ver em (6):</p>
        <p id="paragraph-ddcfb6dbcf057420a323111cd33ae205">.</p>
        <p id="paragraph-9c772ddb74d7145dc740e9044a69609b">(6) a. *O livro está comprando.</p>
        <p id="paragraph-946578f56df37b94207f60daca3cd0a3">b. O livro está sendo comprado.</p>
        <p id="paragraph-9069613eed4effa0ea04d9d2b6b65e4a">.</p>
        <p id="paragraph-d4b6674154a2e9c514ec97e4e30fc63e">Cyrino (2005) observa que construções como em (1) ocorrem mais facilmente quando: a) o argumento na posição pré-verbal é [-animado]; b) o verbo pertence a uma classe aparentemente restrita; c) a sentença é atélica.</p>
        <p id="paragraph-238fc03e088c4d54fea826f0d220609f">O primeiro fator, animacidade do argumento em posição pré-verbal (i.e., o argumento interno do verbo promovido para a ‘posição superficial de sujeito’), pode ser observada a partir do seguinte exemplo, extraído do jornal <italic id="italic-3c73e392be8ff7bac163d2478c7e3954">O Estado de S. Paulo</italic>:</p>
        <p id="paragraph-31e97e99d16b07bac22dad32cde30540">.</p>
        <p id="paragraph-3b2e61d73b1c94f30ba40533ad05e075">(7) Joss Stone tocou adoidado nas rádios de todo o mundo e do Brasil.</p>
        <p id="paragraph-9f10deff6be7b6b2d2d66902220a5719">.</p>
        <p id="paragraph-8415075e8fc775db7436a88039118119">O argumento na posição pré-verbal refere-se ao CD da Joss Stone, e não à cantora Joss Stone, isto é, a sentença pode ser parafraseada como <italic id="italic-791a809964f854538fcf52e9f8523109">O CD</italic> <italic id="italic-e005042decc49610ef6b8e9bfeb5a0e7">da Joss Stone foi tocado nas rádios de todo o mundo. </italic>A interpretação<italic id="italic-3ea475afe86bdfb7f40460380f0c0e0b"> </italic>pretendida pela sentença, portanto, não é com esse argumento quando [+animado], ou seja, a interpretação com <italic id="italic-2d9ca4b78f199b1f9209c2603768720e">Joss Stone</italic> se referindo à cantora. Se <italic id="italic-969dc6ebd7e142ab59d794e658a122f4">Joss Stone</italic> for interpretado como [+animado], esse argumento recebe o papel temático de agente, e a sentença perde a interpretação não-agentiva, pretendida pelo jornal, e comum nessas estruturas.</p>
        <p id="paragraph-f2027fb362de18e832321117839fc979">O mesmo pode ser observado nas sentenças a seguir, em que (8d), com a promoção do argumento interno [+animado], é agramatical:</p>
        <p id="paragraph-175b6533e5cf68e823a166caa24902f2">.</p>
        <p id="paragraph-4c8686d0d6fdfdac37557937205b82bd">(8) a. O João está carregando o caminhão. (e.g., com livros)</p>
        <p id="paragraph-3bd30e4621e8dce6c935155ac5942034">b. O caminhão está carregando. (= sendo carregado)</p>
        <p id="paragraph-0ae7f9d99d0ae24a71d1b1f2ddf2e768">c. A Maria está carregando o João. (e.g., com livros)</p>
        <p id="paragraph-3a73b777547c47df148b2e05a6b6fbaf">d. *O João está carregando.</p>
        <p id="paragraph-91bc0bc86ad82a56a065efbe5c0a8e7f">.</p>
        <p id="paragraph-fb591c87f877dd12ad1d5136a7a56861">A segunda observação em Cyrino (2005)<xref id="xref-8985b395bced5349673eef18feeaaadc" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-8f0087698622dd0e0bfcf2d48d28f0f2">[7]</xref> diz respeito à restrição dessas construções a certos verbos. O argumento interno do verbo tem que ser afetado, e, em relação a esse aspecto, essas construções são semelhantes às construções médias de outras línguas, inclusive porque as construções médias também ocorrem com uma ordem estrita SVO (Cf. FRIGENI, 2004;<xref id="xref-3f155e01ae405c025b8ea6ef04652b0c" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-50218c9467c134410193aaa9337d17df">[8]</xref> e abaixo). Da mesma forma, há uma semelhança com as construções médias em relação à atelicidade (cf. abaixo) – como Lekakou (no prelo), entre outros (ver abaixo) mostra, o fator crucial para a formação média é a morfologia imperfectiva.</p>
        <p id="paragraph-c38e164ece6c069058cb9a07c5280726">No entanto, essas construções não podem ser consideradas como construções médias como (9), pois não há a necessidade de a ação ser predicada por um advérbio especial, e elas não são sentenças genéricas como as médias (CONDORAVDI, 1989;<xref id="xref-c81682a1fb808f047ea07a39ee51338b" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-6abf13c68a3e5fbacec1023286de2c7b">[9]</xref> FAGAN, 1992;<xref id="xref-355e1a73c91106913e1ef1231f45c833" ref-type="bibr" rid="book-ref-34c4804ac2a9d061dcb2f1805089c18e">[10]</xref> ZWART, 1997;<xref id="xref-919fe778ebfe49090e4854b920bd22cc" ref-type="bibr" rid="webpage-ref-0e180691848e838df0cc6ff852de7a13">[11]</xref> DOBROVIE-SORIN, 2006;<xref id="xref-15e26af299c5ac1f88bd66f6cf6e4ef7" ref-type="bibr" rid="webpage-ref-8d1fe67458cd0bdff6807f735f54748e">[12]</xref> entre outros)<xref id="xref-dda9fb4b763381cafd6294cbf9399298" ref-type="fn" rid="footnote-617d9d37dfd8d9b57daa7c5eb38fc23d">3</xref>.</p>
        <p id="paragraph-c8754bf81704402015d25857930b556c">.</p>
        <p id="paragraph-9f571986233cb8e08edef68a655cf4bc">(9) Vestidos vendem bem no verão.</p>
        <p id="paragraph-3fc3c7cd4bcd7ef311cfd87bade16068">.</p>
        <p id="paragraph-5965eb1e448a3178d51d803df50009d2">Whitaker-Franchi (1989)<xref id="xref-25b890e2f14883bd4ebc67aa1f4b6806" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-de374b7001b7521b0fdbc32cc472e0b3">[13]</xref> analisa várias “construções ergativas” no PB e descreve uma classe de verbos, os “quasi-instrumentais”, que tomam um objeto direto que pressupõe a manipulação de um instrumento, mesmo que implicitamente<xref id="xref-04b2993fc2e48bc84f9a9af41ef77145" ref-type="fn" rid="footnote-d8bd44b3632e8936c588b10e2172fd96">4</xref>. Cyrino (2005)<xref id="xref-6a8499c2097e7b1924f1742df2c4a40f" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-8f0087698622dd0e0bfcf2d48d28f0f2">[7]</xref> assume, inicialmente, que a agramaticalidade das sentenças em (10) se deve ao fato de os verbos não participarem da classe “quasi-instrumentais”:</p>
        <p id="paragraph-53656306ad458d67124e2a06f15e64d5">.</p>
        <p id="paragraph-7f89c8b94e8bacbc921c433b312ee900">(10) a. Comprar (*O livro está comprando)</p>
        <p id="paragraph-ccf19d00017eca01314918604dfefbc3">b. Preparar (*A festa está preparando)</p>
        <p id="paragraph-9ba786117775e1f473f6861ea9b162f0">.</p>
        <p id="paragraph-a4811a4d18b408acf8ed9b6adf725334">Além disso, Cyrino (2005)<xref id="xref-46af9ebf4b2ddbf5a41209fa0325704c" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-8f0087698622dd0e0bfcf2d48d28f0f2">[7]</xref> também observa que as construções ocorrem mais facilmente quando atélicas:</p>
        <p id="paragraph-a29d9ad1930ed967faf0254da74aed69">.</p>
        <p id="paragraph-64dc4940ef7ca5f212b7712cba68ade4">(10) a. Joss Stone tocou adoidado nas rádios do Brasil. (= o CD da Joss Stone)<xref id="xref-d190493db59bea69aefa0d990f22ed07" ref-type="fn" rid="footnote-6d6b71eb80abe5b61a853139a85bd5f6">5</xref></p>
        <p id="paragraph-518b97687727f5e120de453f9f0d9471">b. *Joss Stone tocou adoidado às 14 horas nas rádios do Brasil. (= o CD da Joss Stone)</p>
        <p id="paragraph-94ac3642082b84defaf83e66191afa23">.</p>
        <p id="paragraph-3513f64a0406010a2d85288ede3256e8">Se essas observações são verdadeiras, e se essas construções não ocorrem em outras línguas românicas (ou indo-européias<xref id="xref-073dd9d6a8db8902889bd0572c67424a" ref-type="fn" rid="footnote-09478025eca925330e2806b8cfe25ea7">6</xref>), é interessante estudar como surgiram no PB. Este trabalho persegue a hipótese de que o surgimento dessas estruturas tenha sido possível a partir da perda do <italic id="italic-267d7728b12d1776571c3db1887c61e3">se</italic> usado em sentenças com argumento interno promovido à posição pré-verbal. Abaixo, exponho essa hipótese e apresentamos dados que indicam essa possível origem.</p>
        <p id="paragraph-b2d492fa6ba158f673e6df218fb2fde6">.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-dbfd608760d0ae19724c5417668c3c1d">
        <title>2. SE indefinido (passivo) e SE impessoal (indeterminador) na história do PB</title>
        <p id="paragraph-bee0a12ce3b12cadb37480c9b9e6a836">Muitos trabalhos abordam a mudança diacrônica ocorrida no português, acerca da perda da passiva sintética (Cf. NARO, 1976;<xref id="xref-6b7629e37be48307b830a723a787f0e3" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-723da89c88d08f77c7087fad267981f4">[14]</xref> NUNES, 1989;<xref id="xref-5d8ac9daaead046f4764b1de1c4c4630" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-aba4462daf6d6c1198a05417bf92057c">[15]</xref> CAVALCANTE, 2006;<xref id="xref-b913347efa48cbff37ba58760da98ae3" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-a6496a30325cdc3a2ecc884ce1d057d1">[16]</xref> entre outros).</p>
        <p id="paragraph-1ee08cccb9ad16aa184737dc19fe4db9">Naro (1976)<xref id="xref-1094961212a6d4023cbbf7bede32a3b4" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-723da89c88d08f77c7087fad267981f4">[14]</xref>, por exemplo, mostra que a partir do século XVI surgem as sentenças com o <italic id="italic-32f5b5b046ec9e6414bab6bf45e74b84">se</italic> impessoal (também chamado <italic id="italic-4747f3d3164997afd56aca4940c1ebbc">indeterminador</italic>), ao lado das sentenças já existentes com o <italic id="italic-32d49e3436521629073e2d2e4e980bab">se</italic> passivo. Nunes (1989)<xref id="xref-21eeca5f41764d3abc42efb31c8f0076" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-aba4462daf6d6c1198a05417bf92057c">[15]</xref> confirma o aparecimento dessas estruturas (em que não há concordância entre o verbo e o seu argumento interno) a partir do século XVI e a estrutura fica mais recorrente a partir do século XIX. De fato, o <italic id="italic-26ab9f302263081a0b0cac6a6b2eeedd">se</italic> passivo praticamente desaparece do PB, fato também confirmado nos dados analisados neste trabalho (Cf. abaixo).</p>
        <p id="paragraph-f6845f184a19fe6c311cb5243d4586c0">Atualmente, fato comprovado por pesquisas como Cavalcante (1999, 2006)<xref id="xref-e04190741757984d971821fa7dddc42c" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-a6496a30325cdc3a2ecc884ce1d057d1 thesis-ref-9269ed96219a679d6974dff3b9bab12f">[16,17]</xref> o PB apresenta somente o uso do <italic id="italic-dc35fb3e882044173d66a18a0ad0f4cf">se</italic> impessoal, tanto nas sentenças finitas (construção já existente na língua desde o século XVI; Cf. acima), como nas sentenças infinitivas (inovação no PB, Cf. CAVALCANTE, 2006)<xref id="xref-99a8253a4a4ecf712bc9415190aafb1b" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-a6496a30325cdc3a2ecc884ce1d057d1">[16]</xref>. O <italic id="italic-22e4756a72e1e7ece663e57374451f3a">se</italic> passivo (que detona a concordância do verbo com o DP argumento interno) desapareceu completamente.</p>
        <p id="paragraph-306c5a82dbd29475128b575122632744">Paralelamente a esses fatos, muitos trabalhos também mostram a mudança diacrônica ocorrida no PB acerca da perda dos pronomes átonos (OMENA, 1978;<xref id="xref-1c7913733d643635cce17720812f8a87" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-47043fe98622d7b08586aad9f211ce17">[18]</xref> PEREIRA, 1981;<xref id="xref-78ac6e5cc6c5d9930b71c0a3c2902d4b" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-a8b312df7c5ceebf34cc5298382886da">[19]</xref> DUARTE, 1986;<xref id="xref-7acf70ed58f14e4b5ae08529162ff47e" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-0ee1186c8e14b86e51c9cb90bfb5d112">[20]</xref> TARALLO, 1983;<xref id="xref-2776776a4983e331f25872b262db7f70" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-af22e72635279adb30404e6a733057e3">[21]</xref> CYRINO, 1993, 1997;<xref id="xref-5b6c134f8e2e0703768267a6e3445ba1" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-396c434858627d035cf7fcff95485359 book-ref-688c64659c6e614d63eca9864a0c5d1f">[22,23]</xref> entre outros). Além disso, também é fato comprovado a perda do clítico <italic id="italic-c925c38370ba2afcd8a4b8c2450c3205">se</italic> quando ele tem outras funções, como o clítico reflexivo e recíproco (D´ALBUQUERQUE, 1984;<xref id="xref-730da48fa8321af1d025921e8c256dc9" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-6e9629155ac0887bd259ff1a85f8b5b6">[24]</xref> ROCHA, 1999;<xref id="xref-134766418710b9fc70aed41785c87a68" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-0c060005d3d957ba1e01ac943906fcf8">[25]</xref> MELO, 2005)<xref id="xref-c6a02cbc9627b16820239a67fda57ea7" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-34f6c5bb9fc574ab4df2dfeda92a042b">[26]</xref>, além dos clíticos inerentes, ergativos, ex-ergativos, enfático, quase-inerente (NUNES, 1995;<xref id="xref-cb5ccdde498d004d59f66550b632dba9" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-c04d9ec13f29570016babee461a722fe">[27]</xref> FERNANDES, 2000)<xref id="xref-17e6f5d54210a02d3de048070858a07a" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-a7b139b0fda0a20eba4e1dd83e35e208">[28]</xref>.</p>
        <p id="paragraph-c63c76d275042d45f2bffb9a82b6daad">Neste trabalho, focalizamos a ausência vs. presença do clítico <italic id="italic-a45c7b47cf5c9b991a0c7adc0ff8f336">se</italic> invariável, que é inerentemente de 3ª. pessoa, já que o DP argumento interno é também de 3ª. pessoa (Cf. FRIGENI, 2004)<xref id="xref-28b1d4539876e3cddd7442e0e92c7e4d" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-50218c9467c134410193aaa9337d17df">[8]</xref>.</p>
        <p id="paragraph-eedd0ec3b7067cc8b2e16c61b3d48907">Um fato interessante do PB em relação à mudança no uso do <italic id="italic-7933072957ecfe16f3c41b87f981655b">se</italic>, além do desaparecimento da passiva sintética, é a possibilidade de como (11), sem o <italic id="italic-f362c5844839f3f0a9383f9942aa19e6">se</italic> impessoal (indeterminador):</p>
        <p id="paragraph-3162647fdb133ea99d86cc1d5c5af1d2">.</p>
        <p id="paragraph-459294c341b539d196e79490def64d70">(11) Não ___ usa mais saia.</p>
        <p id="paragraph-d2ed45ad007fb43896c8d1e4a0e9b453">.</p>
        <p id="paragraph-b6da2cb0f7b29a53a5b7402508933b94">Essas estruturas ocorrem desde o século XIX no PB, como mostra o exemplo de Duarte (2002)<xref id="xref-75ebcba61a1a77d96d9ab5367da257ec" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-5c58fbf37993900f1d63ba20c61f84f2">[29]</xref>:</p>
        <p id="paragraph-d590902159069c19fa47f5bedb78e319">.</p>
        <p id="paragraph-85f9d5528a41255840320940b895972f">(12) Leques Concertão-se com perfeição e ___ vende a preços baratissimos. (Jornal do Commercio, 04 de outubro de 1881, RJ).</p>
        <p id="paragraph-9151fcec4d0164f65d3efb6ab9eae879">.</p>
        <p id="paragraph-8c9eb3c47e65fb0b816c42c685b89215">Ao mesmo tempo, conforme mostram vários trabalhos (GALVES, 1987;<xref id="xref-044efffd1c6d9fb834ec0c3eee0bf77f" ref-type="bibr" rid="book-ref-3a7fcc60ead96e0f940fc756878f5c03">[6]</xref> NUNES, 1989;<xref id="xref-810aa94892898048d8d91d9a3720fdd8" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-aba4462daf6d6c1198a05417bf92057c">[15]</xref> CAVALCANTE, 2006)<xref id="xref-d7389a1a18b276ad07d61f88392c8b78" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-a6496a30325cdc3a2ecc884ce1d057d1">[16]</xref>, o <italic id="italic-22fae9f53d6ea24038cc3969f9b0bcd5">se</italic> aparece em estruturas onde ele não era esperado, como nas infinitivas:</p>
        <p id="paragraph-f86557d0d2072dcb49600310f85643e8">.</p>
        <p id="paragraph-b78ddd12ed9334b53e3d9f15490d6bc0">(13) É impossível se achar lugar aqui. (GALVES, 1987)<xref id="xref-07c0f42b994e6427c5e046a2e49cb1f7" ref-type="bibr" rid="book-ref-3a7fcc60ead96e0f940fc756878f5c03">[6]</xref></p>
        <p id="paragraph-44d6b7526bcad563dbadbf43111354cb">.</p>
        <p id="paragraph-313f4f730ccc705819ac1b76014d96df">Cavalcante (2006: 183)<xref id="xref-7e949bb45ca8969a8d6a40283955fb82" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-a6496a30325cdc3a2ecc884ce1d057d1">[16]</xref> assume que em PB temos o <italic id="italic-f2d6ee8b5ed753a08eefd3eed13f9aba">se</italic> impessoal, na posição de sujeito ([Spec, IP]), e relaciona essa possibilidade ao fato de o PB ter AGR com traço pessoa defectivo, não sendo capaz de licenciar o sujeito, mas identificá-lo. Assim, a diferença entre o PE e o PB atual é que o PE tem, além do <italic id="italic-0f8a38ee116052de049572c040e7bf81">se</italic> impessoal, o <italic id="italic-8560aeb301af810e2a9783f1f85bcedb">se</italic> indefinido. A autora assume Raposo; Uriagereka (1996)<xref id="xref-e0f5a9265d95e6a2bae694fbb0be3a1a" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-1282644596713f055d2ad0218d8a6305">[30]</xref> e Martins (2003)<xref id="xref-612d49b1719fce96f5d24c52b7631694" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-ee7fb663ce0ec13a8b26a8641ff2621c">[31]</xref>, que argumentam, convincentemente, que o PE não apresenta o <italic id="italic-ce6fbdf5a3b5ba16e6199d93a426282c">se</italic> passivo, e sim o <italic id="italic-d0d2e5f0f959dc3f4e6bb59df793158b">se</italic> indefinido, mesmo em sentenças onde há concordância entre o DP argumento interno e o verbo, tratando-se, portanto, de estruturas ativas. Para os autores, este DP, quando anteposto, não ocupa a posição de sujeito, mas sim a posição de tópico, a periferia esquerda da sentença.</p>
        <p id="paragraph-a3a2ab640abbe6b5b211197b16c00b52">Da mesma forma, assumo neste trabalho que o PB, perdeu o <italic id="italic-77ba980ce56b51412d85d842e7dedac7">se</italic> passivo. Galves; Britto; Paixão de Sousa (2005)<xref id="xref-19c92c6f10c3ba3475a65fefb2ab802b" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-4357dae64216c82c69db09f6b677d96d">[32]</xref> defendem a hipótese de que o <italic id="italic-3a249ed1fe1305ba1420e814c0e00109">se </italic>passivo do português dos séculos XVI e XVII comporta-se já como<italic id="italic-dbd9c0c9b37c22522d7aaabecf8416f8"> se </italic>indefinido, pois, em casos em que o DP argumento interno é anteposto ao verbo, a ênclise é derivada. Em outras palavras, se o DP argumento interno ocupa a posição de tópico nessas sentenças, a ênclise é a conseqüência do movimento do verbo para a posição de primeiro constituinte da fronteira sintática da oração. Portanto, para as autoras, a partir do século XVII, o <italic id="italic-4aa84648976a084daf26602db2bc5b2c">se</italic> passivo pode ser analisado como <italic id="italic-6ba3e9abca7a9e39592237848bc87ec7">se</italic> indefinido, a partir do fato de que não é mais possível a expressão do argumento agente do verbo como um PP agente da passiva (Cf. MARTINS, 2003)<xref id="xref-d78870f456ff823d6e11db19e9da9677" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-ee7fb663ce0ec13a8b26a8641ff2621c">[31]</xref>.</p>
        <p id="paragraph-644a1b202bc1ab1fea3a0200e031eeac">Porém, conforme Cavalcante (2006)<xref id="xref-6f633afab5daa693c2b25b1f89f0c278" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-a6496a30325cdc3a2ecc884ce1d057d1">[16]</xref> mostra, o <italic id="italic-dec3525439c7c74568a429c9b19ac665">se</italic> (passivo) podia co-ocorrer com um PP agente da passiva até o século XVI (Cf. NARO, 1976)<xref id="xref-97d2f116c96b50b79615efe8d7f632d7" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-723da89c88d08f77c7087fad267981f4">[14]</xref>, e até o século XVII no <italic id="italic-bfc17c0b32f73a3cda541fc9aa897aeb">corpus</italic> Tycho Brahe.</p>
        <p id="paragraph-a809bc3abcfc7ad8a46b773cb7285bc2">Além disso, no <italic id="italic-033a1de64bda6911a842d97de0c47d5f">corpus</italic> analisado neste trabalho, constatamos que o <italic id="italic-f41eea7c65983d0360833901b88ba098">se</italic> passivo ainda ocorre (ver abaixo) nos dados do século XVIII (cartas escritas por portugueses radicados no Brasil), devido à presença do agente da passiva nas sentenças com passiva sintética<xref id="xref-c17491f3d2bb9cb4cf71091f553a5f42" ref-type="fn" rid="footnote-6b6bf8ea312fb1bc56a91ce2c2bc121d">7</xref>. A possibilidade da ocorrência desse PP depois desaparece e dá margem à análise das sentenças que tinham o <italic id="italic-0578ccbdda345c8eca07b57afe8bd3a6">se</italic> (e concordância) como sendo o <italic id="italic-641ab60c31d261112bf7a9eeada6899e">se</italic> indefinido de Raposo; Uriagereka e Martins.</p>
        <p id="paragraph-8f15ccdd66bec83a99a37054e521ab04">Podemos considerar, portanto, que no século XVIII o <italic id="italic-99639109fcaa30de2192717e1bfb0177">se</italic> das estruturas ditas passivas sintéticas poderia ainda ser <italic id="italic-162770af27eb72e1b9a753a97e95ef13">se</italic> passivo, ao lado das ocorrências já provavelmente possíveis de <italic id="italic-1096e02ddf0fb69d93ab2302638336cb">se</italic> indefinido no PE (a partir das evidências das ocorrências com ênclise) e do <italic id="italic-f67b4164de07fc349197281b11303df1">se</italic> impessoal.</p>
        <p id="paragraph-b195aebe45ca07bc23dc1df35f0ee5ff">Ocorre que, na história do PE, conforme mostram Galves; Britto; Paixão de Sousa (2005)<xref id="xref-30292049cc39cce8b8d03115b0477516" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-4357dae64216c82c69db09f6b677d96d">[32]</xref>, temos uma ocorrência maior de ênclise a partir do século XVIII, sendo que as estruturas em (14) corroboram a análise em que o V é o primeiro constituinte dentro da fronteira sintática da oração, permitindo assim a ênclise do PE.</p>
        <p id="paragraph-0625980a265bc36410f9ed471b455213">.</p>
        <p id="paragraph-a0bf76fee4d3dce5871284b90242cdec">(14) Estas casas venderam-se ontem.</p>
        <p id="paragraph-3e782f108e4903a6a4bf5d891ee4ef22">.</p>
        <p id="paragraph-c848218653bef0b93a6187d9dadb04c0">Porém, para o PB, temos um quadro um tanto diferente, considerando que não desenvolvemos a ênclise e a próclise sempre foi presente, apresentando índices maiores em relação à ênclise a partir do século XIX, inclusive em novos contextos, como próclise ao V principal em uma estrutura composta (CYRINO, 1993;<xref id="xref-78dd06a8165ba7a939760b2d2f076e7e" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-396c434858627d035cf7fcff95485359">[22]</xref> PAGOTTO, 1992)<xref id="xref-ca072bb3286b1970953d076056fe1ae8" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-790e572c617a1135fdd8c461ae99a2ec">[33]</xref>.</p>
        <p id="paragraph-29266cc30a94a3dd2d4dabf26505bdc1">Como veremos na seção abaixo, sentenças como (14) não são atestadas nos dados deste trabalho no século XIX. O DP aparece predominantemente em posição pós-verbal. Além disso, observando dados escritos por portugueses do século XVIII, encontramos próclise mesmo quando o DP aparece anteposto (ver abaixo).</p>
        <p id="paragraph-eba36db3383bc9cae237651abfd29d2e">Adicionalmente, temos que levar em conta o fator animacidade do DP argumento interno que ocorre nessas estruturas. Segundo Raposo; Uriagereka (1996)<xref id="xref-4609ea4d7999661dea9c2281cbe4663e" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-1282644596713f055d2ad0218d8a6305">[30]</xref>, em uma estrutura com o <italic id="italic-d6eefec3d39feabe6f628d1a47b0a984">se</italic> indefinido, – como (14) em PE –, se o DP argumento interno é [+animado], temos uma sentença ambígua (15a), com a interpretação do <italic id="italic-6e427d6dae04ed3bac8a6cf653a8e7a2">se</italic> sendo indefinido ou reflexivo/ recíproco:</p>
        <p id="paragraph-d0f0b7fef9437cba0b9e31bad9d3ec64">.</p>
        <p id="paragraph-bc8d8253b89b0e1aa8f802e59b1f61c7">(15) a. As meninas tinham-se consultado após a aula.</p>
        <p id="paragraph-c29109971522070159f29793faa61562">b. As meninas tinham se consultado após a aula.</p>
        <p id="paragraph-cfb5f8d3592a530045a6ed09aeac0fa0">.</p>
        <p id="paragraph-826965431ccde5239b5c77db5f7057c9">No PB atual, a posição do <italic id="italic-b13094abef539d5a9a72d9f0266f6847">se</italic> é proclítica ao V principal (15b), e a única interpretação para essa sentença é com <italic id="italic-2f0bd500b96e0b6a05f02c28c0f2e416">se</italic> reflexivo/recíproco.</p>
        <p id="paragraph-903062ecdab92820695ae2b1e1744218">Tendo essas considerações em mente, passemos à análise dos dados.</p>
        <p id="paragraph-e446e4cc8926cd4cfd3eb264377f12a6">.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-be0f53034f08e4e07cafd67cf5d17a2a">
        <title>3. Apresentação e análise dos dados</title>
        <p id="heading-66edf7180bfb15575da90bb94f5019db">Este trabalho apresenta o início de uma pesquisa diacrônica em andamento, acerca das estruturas de promoção de argumento em PB. A análise apresentada abaixo, portanto, é uma tentativa inicial de interpretação dos fatos. É possível que não esteja completa e que outros fatos devam ser considerados, dada, inclusive, a pouca quantidade de dados analisados. Servirá, no entanto, como um exercício inicial de reflexão sobre o assunto.</p>
        <p id="paragraph-ea1efaa39c2292ac42b644f73e5f83d5">Para uma primeira visão dos fatos acerca do PB, optamos por observar dados que pudessem ser caracterizados como sendo do português brasileiro a partir do século XIX. Sabemos das dificuldades de se caracterizar diacronicamente o PB, e também da dificuldade de se encontrarem as estruturas em questão, uma vez que elas ocorrem, mesmo atualmente, com predominância na língua oral, menos formal. Assim, este trabalho é uma tentativa de buscar dados que retratem a língua dos falantes brasileiros dos séculos XIX-XX. Observei também, como contraponto, dados do século XVIII, constituído por cartas escritas por portugueses no Brasil.</p>
        <p id="paragraph-5c73b318a5e2852865f785e7687a7b9a">O <italic id="italic-c1c096f93dc80f1de18fefd267313f8e">corpus</italic> deste trabalho é constituído dos seguintes textos:</p>
        <p id="paragraph-3c600f7470aa61174a9fe7ca7504a065">___________________________________________________________________________________________________________________________</p>
        <p id="paragraph-3262cac4faa0437c67c6c76ce6dab8f6">– Século XVIII: cartas oficiais e não-oficiais do Rio de Janeiro, editadas por Márcia Rumeu (UFRJ) e por Afrânio Barbosa (UFRJ) em CD-ROM.</p>
        <p id="paragraph-24600e54f22c0ffccf089e332636d5f2">Trata-se de uma coleção de 31 cartas de circulação pública e de circulação privada, escritas por autores portugueses – observamos cartas escritas por portugueses, como contraponto ao assunto deste trabalho, para obter uma idéia sobre o português europeu do século XVIII supostamente usado no Brasil, e tentar levantar hipóteses sobre a mudança.</p>
        <p id="paragraph-cfd3157de406dc07e97a512e979f3dca"><bold id="bold-1a9ed773dde7854649e95e7aceb8a9f3">– </bold>Século XIX: cartas brasileiras dos senhores ilustres do interior da<bold id="bold-83feca0d1e5272a72125a4cbe6810aa2"> </bold>Bahia – editadas por Zenaide de Oliveira Carneiro em sua tese de doutorado de 2005.</p>
        <p id="paragraph-98df96cba14eb8f662b487f682be31f6">Trata-se de cerca de 114 cartas escritas por brasileiros e, para este trabalho, consideramos somente as cartas dos pouco letrados escritas no interior da Bahia (cartas familiares ou cartas particulares, mas com traçado inseguro (de vaqueiros e outras pessoas cujo grau de escolarização corresponde a <italic id="italic-51d7972cb6a89c4a83df00ee02c9c63c">primeiras letras</italic>).</p>
        <p id="paragraph-c3b8c633ffdfbed36cb63d3ffc217ba7">– Século XX: textos de jornais da imprensa negra paulista </p>
        <p id="paragraph-f43966abf773a39580630d6eaab62344">Trata-se de variados textos de jornais de caráter popular e comunitário, escritos no início do século XX (1918 a 1928) por negros, no Estado de São Paulo, parte do <italic id="italic-9ed62cb91ab1a856dd903389aa5406bb">corpus</italic> em construção do subprojeto Mudança Gramatical do Português de São Paulo, parte do Projeto Temático PHPP - Projeto Caipira: Projeto de História do Português Paulisa, recém aprovado pela FAPESP, Processo 06/55944-0. Os jornais analisados foram: <italic id="italic-be5185bab0b30de6417acc04c5ad753d">Kosmos, O Alfinete, Baluarte, Bandeirante, O Getulino,</italic></p>
        <p id="paragraph-bce00511b41dd1813805fdf11f83b609">
          <italic id="italic-5a13d77e7a5de355471b700e1be7fd48">Liberdade, Menelick, Patrocínio, A Rua, A Sentinela.</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-5930de725afd25574eea90cde5b4cd14">___________________________________________________________________________________________________________________________</p>
        <p id="paragraph-405ee664f9327c65ff9b00ca1e6c6147">Foram observadas as ocorrências com presença e ausência do <italic id="italic-09b8c124789961fe9117840f0a6b6548">se</italic> invariável, nas estruturas em que esse pronome poderia ser considerado <italic id="italic-f21d03802a97a3c14769cd8f4b43a25a">se </italic>apassivador ou indeterminador, e também as estruturas com passivas<italic id="italic-5d7505a41881ac01a129fbd704a516d5"> </italic>verbais analíticas, destacando-se a posição do DP argumento interno em todos os casos, se pré ou pós-verbal.</p>
        <p id="paragraph-03f7c15665d25ba743ce85c717d5d478">.</p>
        <sec id="heading-f4de8ce327795d52d2e9b5fa8efbee5e">
          <title>
            <bold id="bold-aa64674f8126897fb8a3147e8043b89d">3.1 Resultados</bold>
          </title>
        </sec>
        <sec id="heading-9e2f597ed57eb611300c77d03ae14fa8">
          <title>3.1.1 Século XVIII</title>
          <p id="paragraph-8b98a9bbc40477c51cbdebf1934ef79f">Os dados do século XVIII provêm de cartas escritas por portugueses radicados no Rio de Janeiro. Nesses dados, observamos o <italic id="italic-261cce093a45dc1ba0be6407b47fb104">se</italic> ocorrendo com concordância. Poderíamos considerá-lo <italic id="italic-c7e151c132d6819faf016baaff8576d2">se</italic> indefinido, mas, devido ao fato de que encontramos um caso de agente da passiva nessas construções, como veremos abaixo, o estatuto desse <italic id="italic-ce402e9d06288786feec55442469b1e0">se</italic> seria discutível. Vejamos os exemplos:</p>
          <p id="paragraph-dc9f813a0723994185ad5bdf121790ef">.</p>
          <p id="paragraph-1b2e39c74ecd715b539a134ececd5854">(16) a. do Porto <bold id="bold-cbfdb95c485b4f1d626209aa69d963df">se esperão</bold> mais duas embarcações</p>
          <p id="paragraph-7a3bd5587dae4f53d25fba8af416291f">b. eq<italic id="italic-a08f6a8c301f2714fc2049524381b6e0">ue</italic> estão por esta parte os caminhos mais fra[<italic id="italic-67c8f61022e66b742808c22fa26d3325">n</italic>]cos q<italic id="italic-22931343b9285cce97358d7f55f876bf">ue</italic> pelo Guatemy pois este <bold id="bold-1aacceb02a78502806b5f5220047a4d6">sepode conservar</bold> com gente desuaCapitania</p>
          <p id="paragraph-ada86a9cdef0c350f3b477ab82c01e53">c. entrou por esta Barra hum Navio vindo de Lisboa, com 50=etantos dias deviagem, tra=zendo as noticias que menos <bold id="bold-ace75345a4f51b64ff23d39c57b146b0">se</bold> <bold id="bold-7c68d1dc1fbc5d406a5343d45eea0c2d">esperavão </bold>nesta ocasião</p>
          <p id="paragraph-59774f92b11bdb4a184a7c22b6279a17">d. o Ex<italic id="italic-177bf718f5581ead8ce02f04b21b0374">celentíssi</italic>mo S<italic id="italic-e59386e1fe7b4bc59685f2d98a8434d4">enho</italic>r Marquez dePombal se tenha mostrado nestaocasião com tal sentimento como q<italic id="italic-e5f27cd1894a7f4184c82dbd3197c0dd">u</italic>e fosse sua propria May, eman-dado fazer aquelas Exequias q<italic id="italic-82d185ca5013ce5871cda6f6f9f7f6cf">u</italic>e <bold id="bold-218c40aed50d01cbdde020c5538de504">sepoderião esperar</bold> detão gr<italic id="italic-17414db0cebc47ff8577ea2059d3d4d0">and</italic>e S<italic id="italic-2659006dc5f6562ee64f8b602720d6c4">enho</italic>r</p>
          <p id="paragraph-a6d453cc5f3ff0baa80a6370057b9aaa">e. q<italic id="italic-af6d836c064c70dad4fc94ceaadaadcf">ue</italic> sem isto lhe he m<italic id="italic-f51555db9006d49962a94622987fd4d4">ui</italic>to dificultozo a V<italic id="italic-984ef149ad13aeb6406ab318bb2ceddf">ossa</italic> Ex<italic id="italic-10">celênci</italic>a poder em breve tempo completar os Seus projectos, pois faltando lhe estes Socorros so por mais anos he q<italic id="italic-11">u</italic>e <bold id="bold-33ae010d244f28991c76570c73d1dca3">sepoderâo hir fazendo</bold> as cousas</p>
          <p id="paragraph-a9ed6ee1c6f56184fc7f8ed7d4657e32">.</p>
          <p id="paragraph-7576e430ef21e37b1dea7db727031bf0">Por outro lado, podemos considerar que as construções sem concordância seriam estruturas de <italic id="italic-25a9aa1fd21e81f4ee46c307105cb47f">se</italic> impessoal, que ocorrem tanto com verbos transitivos como com inergativos:</p>
          <p id="paragraph-a323fa549567f035e9ed1fc2353f071e">.</p>
          <p id="paragraph-aa34f09ec32883c052fccbb38d763f36">(17) a. eathe oS<italic id="italic-8709885370037a5ce84ef794391ed037">enho</italic>r Marques dizem fizera as mayores demonstracoens de Sentim<italic id="italic-609378a83a6f0dbca6ead8c9c01df844">en</italic>to q<italic id="italic-11d58faeb212a1f8932b809b3f332ddf">ue</italic> nunca <bold id="bold-f70fc7fa4422dfb2a05e3380c39114f4">se vio.</bold></p>
          <p id="paragraph-05b27049af95ac57325e7564314c541f">b. V<italic id="italic-81a5a3bb6bc399c296c3cb674331db33">ossa</italic> m<italic id="italic-8dbcee6b94a805a7b63998efa1dcdc68">er</italic>cê aomesmo tempo todaz as observaçoenz, que lheforem forem possiveiz para Se haver deformar humMappa domesmoCont<italic id="italic-ef886fd63f5f06b6bd31ac7632dfb474">inent</italic>e mais Certo, eCom menos defeito, que osque athegora <bold id="bold-4ee54f64bfac439424b6e4b722b76359">setemfeito</bold>.</p>
          <p id="paragraph-6a9562b352d47a75376a0c894c95f655">c. etambem porq<italic id="italic-1cceffbe425e8d62e61e747d443f09a3">ue</italic> namoeda <bold id="bold-88537f29272cc67e49d5ba0aeb65ee72">[<italic id="italic-54a084f57a39910b3a951ae2c3d5b4d8">se</italic>]trabalha</bold> de noute ededia pa<italic id="italic-8db34506aef92bf23a925cba1fca028e">r</italic>a poder levar todo od<italic id="italic-9a528ed259d4cd729b1e60cb13be225c">inhei</italic>ro</p>
          <p id="paragraph-8f4ddaaad837b5aaf641dd14d39ed5fb">d. Eu oSinto muito, por q<italic id="italic-cb4d5c8534c15aa5d694ec7979489624">ue</italic> dezeja-va servir aV<italic id="italic-12">ossa</italic> Ex<italic id="italic-13">celênci</italic>a completamente, porem sinceram<italic id="italic-14">en</italic>te asnão concidero demaziadamente necessarias, porque só servem pa<italic id="italic-15">r</italic>a justamente <bold id="bold-5253f94180ef226eef9650aa075ec783">se com=putar </bold>osRendimentos, que a Coroa tirou naquela<bold id="bold-f9b1cd2d54eadb54c3b9f8d9a48a0d61"> </bold>Capitania á Ca=za deV<italic id="italic-16">ossa</italic> Ex<italic id="italic-17">celênci</italic>a para lhe dar hum equivalente del[<italic id="italic-18">e</italic>]s</p>
          <p id="paragraph-df14456979bc7738bdb9ec30f8650d99">.</p>
          <p id="paragraph-c332770bc0ac4a736fea3ff07cd608e2">É importante notar que encontramos, nos dados do século XVIII, vários exemplos de posição do DP argumento interno anteposto ao verbo, porém, todos eles com próclise (ver discussão a seguir):</p>
          <p id="paragraph-45deeab48e7f49cb29f424d82050681b">.</p>
          <p id="paragraph-e7b93b9a26264d6f26f247dfa7d32c4a">(18) a. Como este S<italic id="italic-4b5bb0e2ee5a1d3506556e56fb47e78c">enho</italic>r mefas gr<italic id="italic-d53ea510041fb762022c10108ad93b13">and</italic>e favor modice amim so, eq<italic id="italic-054fc8a55f4be5d918f29022db02c1e6">u</italic>e sedezia q<italic id="italic-1c00f3d1e94d9411782b46fe6482d6a8">u</italic>e os<italic id="italic-20998230fbb33b3c205f2f1c761a3416">enho</italic>r D<italic id="italic-1ce854dc922a8613560f3b5f6ab279e0">om</italic> Vicente <bold id="bold-387f684ab7c57a2efb5ab354de92fbe8">seespera</bold> em Lisboa breve</p>
          <p id="paragraph-a448f3af3e57a9cfa5933fed28a16fd8">b. eq<italic id="italic-aea6f047963ee4126878932a13642973">ue</italic> estão por esta parte os caminhos mais fra[<italic id="italic-97295b38e00ae03375d8b7d004c90ec8">n</italic>]cos q<italic id="italic-ac5747ebf73174b1aa4f1a6d18c769e1">ue</italic> pelo Guatemy pois este <bold id="bold-d1d2b6de3b1fc66bad5293dfc351a227">sepode conservar</bold> com gente desuaCapitania</p>
          <p id="paragraph-7dc425f242dae2bd6b9afcb4ab9c5972">c. porq<italic id="italic-9cd317519531a2737eeb8bd56386047b">ue</italic> tudo<bold id="bold-cdaab023f09b01f70e870b891896c4ea">secostuma vender</bold> a pagam<italic id="italic-0645e5196b41766b33d7a67d75d11a34">en</italic>tos m<italic id="italic-ea2ee72f43cd302410a0f7ebfe9c6938">ui</italic>to demorados,</p>
          <p id="paragraph-7654a2726b79ff270be6340ba12b41e0">d. por<italic id="italic-efb461cafe3809d43dbc04aebe72880c">que</italic> asultimaz Lavagens, asimdeouro comode Diamantez <bold id="bold-3ad3d99452951bf0160ef48b67c57803">secostumaõ fazer</bold>nosfinz de Dez<italic id="italic-a77d29fe33652b424fc9e34f4d0575ba">em</italic>bro</p>
          <p id="paragraph-adad40867efc3721975ae1075f1ad3fe">e. Esta terra esta munto falta de Mantimentoz eMolhadoz; Vinhoz eAguard<italic id="italic-78f9056c597c21d4e1306eeec9200a6e">ent</italic>e fica valendo aPipa a126$000 e Omaez <bold id="bold-a8a0c10aee52a98cfbdcbe24e768cffc">seuende</bold> apurpução daSua falta,</p>
          <p id="paragraph-8e8eec1adb503899472082563f2fae04">f. Rogo av<italic id="italic-297cbfdb99a9202a6ef69751761938ec">ossa</italic> m<italic id="italic-b9081650609462f8b27a3a2a9ae62b52">ercê</italic> que me continue assuas Remessaz, para milhor eu me poder estabalecer, oque dezejarei seja neste prim<italic id="italic-8c8ed6aeb0761b699619e91a14c80802">ei</italic>ro Comboy que aqui esperamos vindo dessa Corte poiz as fazendas que vierão neste Comboiy <bold id="bold-e2c1777da794266c07327b0ad001dfcf">sevenderão</bold> m<italic id="italic-71c4dc8b680e65d4f28cd4f81d613057">ui</italic>to bem vendidas,</p>
          <p id="paragraph-c19e8b1b7a2964dd50da9817270fcd4c">.</p>
          <p id="paragraph-24aa3f7e5bcb25ce2d114c2253cd9487">E, mais importante, e que coloca em questão o estatuto do <italic id="italic-d7915e187c6d9927940aa859a0ea8bee">se</italic> entre ser um <italic id="italic-8a21f2523c4b3c50116633b4c7e47bea">se</italic> passivo e <italic id="italic-21c7485e62000f8f398ed29a37c98ee7">se</italic> indefinido, como veremos abaixo, é a ocorrência de <italic id="italic-6420dd577e90389a478f138910ce24ca">se</italic> juntamente com PP “agente da passiva”, sendo essa uma evidência de que se trataria de <italic id="italic-127867441d1faf24a7aff0bc5714b308">se</italic> passivo e não de <italic id="italic-a82fcb22240baad4ff72813f1328154a">se</italic> indefinido. A ocorrência está em uma carta do Marquês de Lavradio, de 1770:</p>
          <p id="paragraph-e30c2faf8ae665bf9582f3aab434512a">.</p>
          <p id="paragraph-9c3eaa1cea694f10fbca9520fd8ec309">(19) Ordena que viberes <bold id="bold-e20449450f12dceec2cf9390b805e7c8">sevendão</bold>, <underline id="underline-1">p<italic id="italic-603aecfd88d437740540508572478cf8">e</italic>la meza daInspeção</underline>, eseremeta odinh<italic id="italic-b073e49d843d71270bade82fe38e66aa">ei</italic>ro paraosCoffres dofisco daCid<italic id="italic-e8553ba6697230ab1ebe9ba3c5823a83">ad</italic>e deL<italic id="italic-9a4ef9565672ea493fb63eebabc72373">i</italic>x<italic id="italic-26deb6f8857f94b07bfd3d2517ae0fc3">bo</italic>a</p>
          <p id="paragraph-748142e31b10b5391a7254117f52f219">.</p>
          <p id="paragraph-d5e1e247634db20f6777ca645d0edb13">Portanto, poderíamos estender a ocorrência do <italic id="italic-9813f0513bad4317d145740dc6145f72">se</italic> passivo no português europeu até o século XVIII, ao contrário do que temos visto na literatura.</p>
          <p id="paragraph-1492d32f67b1b9ba1e45f24b21057bb8">.</p>
        </sec>
        <sec id="heading-8e5fc20d009fedb69c9ace158ec2c3f4">
          <title>3.1.2 Século XIX</title>
          <p id="paragraph-caaa7cd3d64b971def051471c60db2e8">Já no século XIX, dados de autores brasileiros, podemos considerar que há somente casos de <italic id="italic-cfcb557db2cc2eb442b351449279f632">se</italic> impessoal, uma vez que nas construções em que o argumento interno é plural, o verbo muitas vezes está no singular. O DP argumento interno é sempre posposto ao verbo, exceto quando quantificado (20º) ou quando a construção está em uma relativa. Como dito acima, os dados do século XIX em (20) são referentes a cartas pessoais de brasileiros (CARNEIRO, 2005)<xref id="xref-ec2771ad712ffb7fd80a7102be5f697d" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-56d1cfb124448c666d1f062e36ce3f3a">[34]</xref>:</p>
          <p id="paragraph-84197b6bc6031d3a1c91b949dc16e9a7">.</p>
          <p id="paragraph-c203c5e1f04980d92c752c9a32c67fcb"> (20) a. Hontem tornei a elle, dece|me q<italic id="italic-08e05c6ca5cb8440c947ec5aa6a66b98">ue</italic> na Missão <bold id="bold-65f972989814ed332642606462f849c2">não tinha-se</bold> <bold id="bold-91f51dd225dc4407a7ca878a3157b55f">publica|do </bold>ainda as mêsas, e q<italic id="italic-21a0a99c2c9fdf4bc546ce7c74edd224">ue</italic><bold id="bold-439ce4a872bdb4e8e1f992df22a3b1ec"> </bold>o Benig[n]o em ul-|timo caso;<bold id="bold-05e7ebe8250aee50bd5cd1d181dda3e9"> </bold>dicelhe, q<italic id="italic-79c062de3a1cacdba5f11706ceb680ab">ue</italic> não ficaria mal! </p>
          <p id="paragraph-45cb215cf3e9e5ceaaaeb090a9a1c241">b. vejo q<italic id="italic-880879d9f462332d40ccc6266794b635">ue</italic> <bold id="bold-c6d925a4c79293e3c5435533529ccfeb">ali vai| se produsindo alguma cousa</bold>, e o Frade| não sabe p<italic id="italic-0eb490ce29730b08943faaffbb7fbc0a">ar</italic>a onde penda!! </p>
          <p id="paragraph-49225f899c83d03cb7c3e187d89199ed">d. e néssas con-|dições éra impossivel <bold id="bold-c674bc4f62d730235dfe788ca782d0ed">mandar-se prepa-|rar</bold> os parafusos por ser uma grossu-|ra extraordinaria, além disto, </p>
          <p id="paragraph-ffe51ad8d15b0f5cf9736c1b03c81c79">e. por que, tendo lá as porcas dos que| estão servindo, não convém perdel-as,| e nem tambem <bold id="bold-7">se podia preparar</bold> ou-|tras iguaes, sem45 saber-se a grossura-| exata; </p>
          <p id="paragraph-6118a2e73f02a5bd1ec669d51f86d0a6">f. e| que o Sr. do Bonfim queira dar-lhe[...]10| m<italic id="italic-4aab7de2a92448a71dc4606649b58570">ui</italic>tos anos de vida com todas| as felicidades q<italic id="italic-983ad320ac95f6b704af11178dc6dd31">ue</italic> <bold id="bold-8">se pode am-|bicionar</bold> na vida. </p>
          <p id="paragraph-e7207f926b2fdd5ee2b27152d3c54eea">g. D’ahi| para esta dacta <bold id="bold-9">comprou-se</bold>| 2 fortes, <bold id="bold-10">fezse</bold> uma istrada cal =| </p>
          <p id="paragraph-9a37c1d3654fc8b21777182383f4fa76">h. <bold id="bold-11">calsou-se </bold>uma rúa,<bold id="bold-12"> milhorou-se</bold>| um banheiro publico,<bold id="bold-13"> collocou|-se </bold>illuminação e seos emprega-|dos, e outras muitas dispezas<bold id="bold-14"> </bold>inclusi-|ve o custeio dos empregados eguar-|das municipaes</p>
          <p id="paragraph-df4ca499d3b4d4d5ee866dd83c8717de">i. Já <bold id="bold-15">seperdeo</bold>| toda plantação feita e princi-|pia novam<italic id="italic-e02d159c4604a19b76386b3ac43cc83c">en</italic>te morrer os| animaes.</p>
          <p id="paragraph-6b30b74eae2e38c57d41ce461d9da16a">j. elle merece e talves sem [que]| estiveçe presente q<italic id="italic-74f9c467bdfb68329301bfeec925425a">uan</italic>do <bold id="bold-16">sefes</bold> as no|meação meo comp<italic id="italic-188ea083eac98f07168edf1b53a80f9a">adr</italic>e o não deixa|va fora p<italic id="italic-fb036441d4a24d7430cf0863b3e96cbf">o</italic>r q<italic id="italic-27d55cc8a3925f4e284cb129f99b4981">ue</italic> the hoje ainda| não deo prova de traidor| </p>
          <p id="paragraph-0a2cc3b79bbaba359e0145773708d59b">k. asim| m<italic id="italic-a2272c122dd948b932d65891de5f768c">es</italic>mo <bold id="bold-17">caloçe</bold> os tais pagam<italic id="italic-67cc5ea525559595c76ef21d30a2e9e1">en</italic>to q<italic id="italic-09d1a32cb024467185eb36e76804798f">ue</italic> só| to faltando morer </p>
          <p id="paragraph-44ebf627e89439e5a87e243533f773d7">l. eu se podese vello lhe escla-|recia a verdade porem p<italic id="italic-b5caa724f8bd91a3d4bfd14d1bf75e75">o</italic>r carta| reçeio p<italic id="italic-50547fd55fb4f72e44e0e56d11a1c834">o</italic>r q<italic id="italic-4f3b36da17d3ba05234c998a932eb1ef">ue</italic> escrevo e não sei p<italic id="italic-19">o</italic>r q<italic id="italic-20">ue</italic>m| mando, e p<italic id="italic-21">o</italic>rem em liviariao [?] não <bold id="bold-18">se man|da</bold> sertas cartas, </p>
          <p id="paragraph-e68b1fc52ca9d3096ef2bd9d401c65d7">m. Fiscal e de-|pois de meses apareçeo aqui o Diario da| Bahia de 10 publicando uma Eleição que| <bold id="bold-19">sevirificoçe</bold> ser a do João Ramos| </p>
          <p id="paragraph-6407dfaff89d1d298d3c41148fc8decf">n. por| isso convem prehencher| esses lugares = em quanto =|brás é Thezoureiro; já es|crevi a Aristides a esse| respeito; e com a resposta| delle irão os nomes dos A<italic id="italic-22">mig</italic>os| nossos <bold id="bold-20">p<italic id="italic-23">ar</italic>a</bold> <bold id="bold-21">prehenchêr-se</bold>| esses lugares. </p>
          <p id="paragraph-b93ced71b083117641a9a812454876e9">o. estiver conforme nada <bold id="bold-504eabf839febbb07d58c58e74dcebeb">se| perde</bold> devido a uma unanimi|dade dos candidatos. Se mo-|ver o Silviano nova| campanha Eleitoral.|</p>
          <p id="paragraph-9ea63010e20a5266b5a580b20ba6709a">q. O Major Fe-|bronio tem escripto alguns arti-|gos contra o Vianna, que são di-|gnos de <bold id="bold-c0d6eeace63f8dd750d5a5dca000f247">ler-se</bold>, e o correio nada| tem respondido.</p>
          <p id="paragraph-6edde8c49c45c7d2261c505def151ae0">r. É preciso <bold id="bold-f403dd0411b3e1d6e960c23936fff858">afastar-se</bold>| o Vianna e seus asseclas, com| todas as forças de que disposermos,| a fim de ver se p<italic id="italic-86f22a36e60c3d4f40464901f45dd4af">o</italic>r esse meio ti-|ramos algum resultado satisfacto-|rio, por que do contrario, quando| passar esta quadra melindrosa,| elle mandará exterminar a to-|dos nós,</p>
          <p id="paragraph-14074ab4d1502256e87bb696beffa310">.</p>
          <p id="paragraph-172c925e672bc819dbb9ae3b3f55a558">Há dois exemplos de estruturas com concordância (21):</p>
          <p id="paragraph-032b13583ed053550701e4a09ee9aeef">.</p>
          <p id="paragraph-63304448ce66b053bf1ee8e5829dcc22">(21) a. me arrumar q<italic id="italic-1ac93dc6bc6aae300a7445c56177a3b9">uan</italic>to antes, por| q<italic id="italic-11304b47eb4d00ccb93edc08f550cc9a">ue</italic> de um momento para outro| <bold id="bold-ce161ffcd6bb9be4583e4a50f20c2c1c">podem as cousas mudarem-se,</bold>| e presentem<italic id="italic-bae2d4643703cbb6f8af68a894f8b683">ent</italic>e a epoca não<bold id="bold-23256018365826a28b77c514fb88faaa"> </bold>lhe| póde ser mais favoravel do| que é.</p>
          <p id="paragraph-c483fba68de0a9c8a68dc05c38fda846">b. na saida do corpo de sua| caza, acompanharáo 124 cavalei|ros, no cam<italic id="italic-2b2eef6706a0d740c68a10cedabc0c5b">inh</italic>o <bold id="bold-42c6e3725e53194f8981343c1ac1c6d1">foráo se encontrado ou|tros</bold>,</p>
          <p id="paragraph-bb66087d3c272d0cb6de97d3c513ef66">.</p>
        </sec>
        <sec id="heading-57cdfcf17ae24ac1cd368ed75e47df60">
          <title>3.1.3 Século XX</title>
          <p id="paragraph-a430426f3e6f80f66eb7eefa7a26c527">Por outro lado, nos dados do início do século XX, da imprensa negra, ainda ocorrem construções com concordância, mas também com ausência de concordância e hipercorreção – Cf., por exemplo, (22) –, o que reforça a hipótese sobre sugere que a questão da competição de gramáticas sugerida em Cavalcante (2006: 194)<xref id="xref-6443966ab7e02ef99c9e823e6dec23c0" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-a6496a30325cdc3a2ecc884ce1d057d1">[16]</xref>. A autora aponta que:</p>
          <p id="paragraph-02bfe57fb5ca28b69ada9a07b24c4202">.</p>
          <p id="paragraph-65fbc887845c3ea83f107f86fb1a36d4">Podemos, portanto, considerar que este tipo de variação observada em corpora de autores brasileiros está relacionada ao que Kroch (1989)<xref id="xref-cc77683a061602ce5aa3462ca1454cdf" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-504a70c52b5002a805862695b0ac788d">[35]</xref> chama de “competição de gramáticas”: a genuína gramática brasileira produz enunciados de se-impessoal, mas os falantes, na produção, se utilizam de seus “saberes lingüísticos” que são espelhados numa outra gramática. Desse modo, podemos concluir que as construções com se que exibem concordância entre o verbo e seu argumento interno no plural, nos textos brasileiros, estão relacionadas a uma outra gramática, a gramática que os falantes cultos se espelham.</p>
          <p id="paragraph-7bb76ea8a616ff4631ce63d457bf169f">.</p>
          <p id="paragraph-411a5a07f07ad3b3303b9c204727c5c1">Nesse sentido, por tratar-se de textos da imprensa negra do início do século XX, outras possíveis interpretações desses dados, à luz do exposto acima, abrem-se para nossa pesquisa futura dentro do Projeto Temático PHPP (Projeto Caipira).</p>
          <p id="paragraph-935d3dd4306a8bcac06124ac184fd109">Da mesma forma como acontece nos dados do século XIX, o DP argumento interno é sempre posposto ao verbo:</p>
          <p id="paragraph-d39213c97a4df03685b483dadea90421">.</p>
          <p id="paragraph-faafb9443d993870c259bb096262d8b3">(22) a. Sendo de notar que só <bold id="bold-28b0be0079d0c3f3451e0d35d0e092a3">se publicaram</bold> aquella critica, que reputamos offensivas, por um lapso do respectivo redactor.</p>
          <p id="paragraph-b9a5e5cf84090efeaa1eb2d9b55581ed">b. No entanto, durante a semana, vemos esses mesmo homens freqüentar bailes em beneficio a pessoas que muito podem beneficiar, <bold id="bold-1d96e0bea95b960e900c9eb05fdfce1a">arremata-se</bold> uma flor por 5 ou 10$000 ou mais, somente para dançar com esta ou aquelle dama.</p>
          <p id="paragraph-45b52fba078584a0d34d73e0f0ba064c">c. ... batalha, ahi, diariamente <bold id="bold-3fa456ce077fc71ff5d53d3ed8fecf66">realisam-se</bold> bailes de maxixe que na maioria dançam mulheres brancas, que não se deixam de compartilhar as nossas patrícias a nossa vergonha, e a nossa raça fica completamente demoralisada.</p>
          <p id="paragraph-52067c84a4202e37ff8d72672b844a43">d. As revelações no mundo são realidades primarias que <bold id="bold-a3734494eaa3ac1b0af0b62ec176f295">se</bold> <bold id="bold-5651369fb6012cdaea0069d4438c69fd">apresentam </bold>aos olhos dos maiores protogonistas existentes.</p>
          <p id="paragraph-5876dfda392c3bab48502e01e0a2a0ac">e. Geralmente em todos os números dos jornaes, <bold id="bold-8f06b56e0d19f4b482b767e3ee46a084">encontra-se</bold> uma cousa, pelo menos, que nos proporciona uma curiosidade ou uma cousa que nos interessa ou nos sympatisa com sua leitura.</p>
          <p id="paragraph-7002c4e7cf73bb9380319ac3d21f8140">f. Quasi sempre cortamos as columnas onde <bold id="bold-6f23dd843cecf7e61978d9c8b5dce9cf">encontra-se</bold> taes artigos e guardamos para de quando em vez, relel-os.</p>
          <p id="paragraph-3f05aa098be0b8d67cec652f53cc59ef">g. Não obstante <bold id="bold-08e13ef1cb50137d8b25d63be3ec5e39">haver-se perdido</bold> alguns de nossos amigos dançarinos, os ensaios têm tido a freqüência costumeira, o que nos prova que bastante diminuta foi a perda que tivemos; oxa lá que menos fosse.</p>
          <p id="paragraph-d515002398cbbf2657a398cd474ad363">h. O ‘Pendão Brasileiro’, no mesmo dia e anno, teve uma enchente inesperada, pois, existiam tantas damas e senhoritas, que difícil <bold id="bold-275850816ae63b069977a42d7c99d90c">se podia mudar </bold>um passo...</p>
          <p id="paragraph-d0c204f1127515fd3b688a501e295fe1">i. Tendo terminado, hontem a secção da Associação Protectora dos Inválidos, teve como conclusão, fornecer o seguinte: A Senhorita Theodora da V. Sá Barboza uma saia com dois palmos mais cumprido, para assim não dar o que falar, que desde a muito <bold id="bold-8fbced327467657a607e7a8357bee22e">tem-se observado</bold>.</p>
          <p id="paragraph-2a10def44199faca7440a32f56db1e68">j. Como é lindo <bold id="bold-f940ab154848379803301b50eba443c8">encontrar-se</bold> dois corações que se amam; não é verdade?!</p>
          <p id="paragraph-a7019f7784a54ca2a97db9b49b8991ba">k. Na ‘Gazeta’ desta capital, do dia 9 do corrente, <bold id="bold-b46b0cd8516b44c1555b3b1e64f871e8">encontra-se</bold> uma critica com referencia as criadas, declarando que as mesmas exigem ordenados de 60$000 a 80$000 e mais, alem do bond, e que daqui alguns dias, querem também automóvel. Mas esqueceu X de dizer que, na maioria das vezes, <bold id="bold-9bcadf5734192ba6dacea88ad332c391">se trata</bold> uma criada somente para cosinhar,...</p>
          <p id="paragraph-9b9652e960280b74fc74d4d876f5914d">.</p>
        </sec>
        <sec id="heading-b6216244ffb89342d1d3899349df3364">
          <title>
            <bold id="bold-f3744c49a0594cc95e1d3928f8afc6f2">3.2 Discussão</bold>
          </title>
          <p id="paragraph-5f4dd9f77498ad5e8ca8bbcd02332b47">Vamos assumir, com Raposo; Uriagereka (1996)<xref id="xref-1cbe25092ee1c1783be50a7e67789cbf" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-1282644596713f055d2ad0218d8a6305">[30]</xref> e também Martins (2003)<xref id="xref-aae434f4f1c3b3729d7c8586dac780fa" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-ee7fb663ce0ec13a8b26a8641ff2621c">[31]</xref>, que as estruturas passivas sintéticas do PE (com <italic id="italic-99b4b53901a0ad4da1464eef4b07d450">se</italic>) se tratam, na verdade, de estruturas ativas, mesmo havendo concordância entre o verbo e o seu argumento interno. Assim, quando o <italic id="italic-d1d7aa951e425baab66c5411c08e9031">se</italic> impessoal foi introduzido na história do português (NARO, 1976;<xref id="xref-ce158ff3c5e61cb6c381af09bda3b9e4" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-723da89c88d08f77c7087fad267981f4">[14]</xref> NUNES, 1989)<xref id="xref-3ae7ead3ca6e2962ae493ec3bc463b57" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-aba4462daf6d6c1198a05417bf92057c">[15]</xref> a construção com <italic id="italic-8967b2b769df4697262b1532c4bc298b">se</italic> passivo deixou de ser <italic id="italic-9a581e47860be7c9a363050479c01567">passiva</italic> e o <italic id="italic-db4c777d2e6cfca90589e59b456e1d1a">se</italic> passa a ser analisado como <italic id="italic-37aebcf808ffdcd655b33c258b1e6232">indefinido</italic>.</p>
          <p id="paragraph-a20665adf80bbbd1d89ebf4f604ddce7">A questão é controversa, pois alguns autores consideram que o <italic id="italic-fea354d22df0afe665fdc458fd0dadf0">se</italic> passivo ainda continuou como fossilização (Cf. referências em MARTINS, 2003)<xref id="xref-52e03a708c80b0d918484627862d51bd" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-ee7fb663ce0ec13a8b26a8641ff2621c">[31]</xref>, e outros, não. Dadas as evidências fornecidas por Cavalcante (2006)<xref id="xref-4ba8e150d191f0c7de48d0f537cf47c8" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-a6496a30325cdc3a2ecc884ce1d057d1">[16]</xref> e também encontradas neste trabalho (Cf. a seguir), vamos considerar que até o século XVIII o português (europeu, ao menos) ainda possuiria a possibilidade do <italic id="italic-5a4f37df1abbb64fbc177d932d8f3e05">se</italic> passivo.</p>
          <p id="paragraph-0c4e43fe70f66abde4be41106f9dd333">Quais seriam as características do <italic id="italic-53a40ab2b18dc932b344586b7ae32456">se</italic> passivo? Vamos assumir, inicialmente nesta pesquisa, que este <italic id="italic-b5aa83d483e1c730cd0179482d2f6a2a">se</italic> ocorre em estruturas não-ativas e constitui-se, portanto, em morfologia não-ativa, que indica a supressão de um traço na estrutura do predicado. Dobrovie-Sorin (2006)<xref id="xref-e1819219c66b1d0aaf36c85ecd1d298b" ref-type="bibr" rid="webpage-ref-8d1fe67458cd0bdff6807f735f54748e">[12]</xref>, por exemplo, assume que os diversos tipos de <italic id="italic-496d4c743e37560de3adae276b5bfe3c">se</italic> (incoativos, inerentes, médios e passivos) são marcadores de inacusatividade (uma operação lexical que detona a suspensão do papel temático externo e o caso acusativo). Kallulli (2005)<xref id="xref-86909a06218a8b1e7787423ad7891b75" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-c82319945e7002a3ad21b72b370237d5">[36]</xref>, por outro lado, propõe que predicados de atividade, diferentemente dos causativos, projetam (lexicalmente) um traço [+act] além do traço [+intent] em <italic id="italic-8a87d08e67c097e9278048f7301c1005">v</italic> <xref id="xref-5224e306591d6ba67aeae577c527b467" ref-type="fn" rid="footnote-7f8a451e77050e1ff95a14018c5f5c19">8</xref>.</p>
          <p id="paragraph-7b07019cb6d1a307593f79efa59118bb">Poderíamos pensar que o <italic id="italic-5b816a5897784f4835829ce02b2d0e0e">se</italic> passivo seria um tipo de morfologia não-ativa, que detonaria, por meio da supressão do traço [+intent], a subida do argumento interno afetado para a posição de spec vP (e subseqüentemente, spec IP).</p>
          <p id="paragraph-1ef70576205f469c10de9b667761d051">Da mesma forma, o <italic id="italic-6fc1f87bc725cb15fb17c601ad0e80be">se</italic> médio (23) poderia ser considerado uma tal morfologia, uma vez que também produz o mesmo efeito.</p>
          <p id="paragraph-2bddd6880e05348549d72517e1b6ee8d">.</p>
          <p id="paragraph-cfbb4ee9cad2e5cfa1fc5165547ec881">(23) a. Estes vestidos vendem-se bem (PE).</p>
          <p id="paragraph-a4ffd1dbaac31c530c463494edf32b46">b. I voti si scrutianano facilmente (italiano).</p>
          <p id="paragraph-3d40b0f5f6690934257a83d4e5056bf6">.</p>
          <p id="paragraph-a6d68b21ed6d8779de84e19f9b1cd282">Dobrovie-Sorin (2006)<xref id="xref-b8e5833bf4e02c65d8abd62244008739" ref-type="bibr" rid="webpage-ref-8d1fe67458cd0bdff6807f735f54748e">[12]</xref> aponta que o <italic id="italic-4fee3cf7c5ccb2457c58bf23f3da8004">se</italic> médio e o <italic id="italic-eca1d7c466214e69736cdc099009f399">se</italic> passivo são semelhantes em relação à estrutura temática (o DP argumento interno é Tema, o agente é implícito). A diferença é aspectual: o <italic id="italic-a36756b3ec4db7be03b2317d4aa88c4b">se</italic> médio, assim como as estruturas médias, são interpretados genericamente, atribuindo uma propriedade ao DP argumento interno, enquanto que passivas se referem a eventos particulares ou habituais (ver também CAVALCANTE, 2006)<xref id="xref-35a4ae0633158090533dfd1d334ab4f1" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-a6496a30325cdc3a2ecc884ce1d057d1">[16]</xref>. Temos, assim, a “generalização de Ruwet (1972)” (apud DOBROVIE-SORIN, 2006)<xref id="xref-9fc265e52606b4c61c4cfd03aef0c8da" ref-type="bibr" rid="webpage-ref-8d1fe67458cd0bdff6807f735f54748e">[12]</xref>: “um DP argumento interno anteposto ao verbo nas construções com se médio detonam a leitura genérica/média de construções com se passivo; a leitura eventiva-passiva é bloqueada.”</p>
          <p id="paragraph-ca7bd48eb958e2f18d738fe5ea451a12">Mateus et al (2003)<xref id="xref-61d54ff561f8672e6f66a4ccc5e1a971" ref-type="bibr" rid="book-ref-c02c27601a2ccd7441534266703b8556">[37]</xref> apontam as seguintes características para o <italic id="italic-053262d635aa73542758eb5b7e40a4d7">se</italic> médio em PE: a) obrigatoriedade de presença de advérbios como <italic id="italic-6142560ae1f3a3ace7799b042c53dd35">bem, facilmente</italic> ou de PPs de valor adverbial como <italic id="italic-93d83cc61a27a6d197ff8be1841f0f94">com mais prazer, com grande facilidade</italic>; b) DP argumento interno em posição pré-verbal; c) interpretação estativa, mesmo sem a presença de verbos estativos, obtida com a ocorrência de tempos verbais imperfectivos como o presente e o imperfeito do indicativo; d) impossibilidade de ocorrência do argumento com papel temático externo expresso por um constituinte do tipo do sintagma <italic id="italic-5f8759185908d30cf0d35efee85e4d12">por</italic>. Por outro lado, segundo as autoras, alguns verbos aceitam a construção média sem exigirem morfologia média, ou seja, sem exigirem o <italic id="italic-0da282b47147ef89b3bced750aca9ecf">se</italic> (Cf. <italic id="italic-4774b278ded2962c6ec2f05e1e8df652">estas calças vestem bem, esta tinta seca rapidamente, este pavio queima mal</italic>.)<italic id="italic-ecaf67aca1361ad6f17d43e29c111f31"> </italic></p>
          <p id="paragraph-97338d6816bed4573a9ef640d44da296">Para Raposo; Uriagereka (1996)<xref id="xref-b46e08bbf4d911bd461174df26050a49" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-1282644596713f055d2ad0218d8a6305">[30]</xref>, o <italic id="italic-07ad6f05ba57c4fbb188ec5c1b27b56d">se</italic> médio e o <italic id="italic-bb8001ec4c4caf406fbd9adb15016e22">se</italic> passivo são homófonos; para Dobrovie-Sorin (2006)<xref id="xref-6fa12aea4cfc58a38d1e422c3b670898" ref-type="bibr" rid="webpage-ref-8d1fe67458cd0bdff6807f735f54748e">[12]</xref>, portanto, não há evidência independente para se distinguir entre os <italic id="italic-12efe7d906784d4e5a900590142936ee">se.</italic> Porém a mesma autora admite (Cf. comunicação pessoal em CAVALCANTE, 2006;<xref id="xref-4ed0e690133a2e98dc7522b8687477d4" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-a6496a30325cdc3a2ecc884ce1d057d1">[16]</xref> e abaixo) que nas construções médias com <italic id="italic-dec9ce83eb871b8cb28f8e18878b2c82">se</italic>, o DP argumento interno está em posição de [spec IP], Cf. também Dobrovie-Sorin (2006: 50)<xref id="xref-6eb59ccda204cec4dabcf77f2a570a75" ref-type="bibr" rid="webpage-ref-8d1fe67458cd0bdff6807f735f54748e">[12]</xref>:</p>
          <p id="paragraph-9d5e52444a8114bb0c890e1716d91c5a">.</p>
          <p id="paragraph-2f9593a7b65fba8a863062320d3d317b">(24) a. Vai ser difícil esta luz ver-se de longe</p>
          <p id="paragraph-51eafb7952a868f58d02f81f2d3d37f1">b. Vai ser difícil este vestido lavar-se facilmente</p>
          <p id="paragraph-eb1d240de036ee870bf5ba5c9efcb803">.</p>
          <p id="paragraph-4eb507cbe2de8dd1529af9b0ea884c7e">A posição do DP argumento interno é [spec, IP], pois, comparando-se (25a) com (25b), podemos ver que em (25b) o <italic id="italic-3b8854312b9a0b6b6ecef67e9521a45d">se</italic> refere-se a um reflexivo/ recíproco e não ao <italic id="italic-f93d0bebe6e375e6e32595a7c7c57f95">se</italic> definido. Se assim fosse, não haveria a posição em [spec, Top] disponível para o sintagma-wh movido. (25a) mostra, portanto, que o DP argumento interno em uma construção com <italic id="italic-796d0e6e05dfe82e7234f10467e2ab14">se</italic> médio está em [spec,IP]:</p>
          <p id="paragraph-8476f2dad6eb2f0b15dd33dc00ef9020">.</p>
          <p id="paragraph-86fb81ec88faad3857a0809dee7c2a98">(25) a. [Em que momento do espetáculo] [a luz] se viu bem?</p>
          <p id="paragraph-34e761a32ef8836399a7dc069ba2e672">b. [Em que momento da operação] [os especialistas] se consultaram? (= um ao outro; ? foram consultados)</p>
          <p id="paragraph-b73a529d8b0c70ecc4aea208a7d7a0d2">.</p>
          <p id="paragraph-6188dd6cfb5c9535f6bf2bb46d7a6882">Também no espanhol (DAUSSÀ, s/d) o <italic id="italic-3ac533c5dbf6c746cd9a04d8ba85c70c">se</italic> médio é idêntico ao <italic id="italic-911158b554bd833bb329439d4ff1ad93">se</italic> passivo, mas o DP argumento interno nas construções médias é rigidamente anteposto ao verbo (26a,b). Além disso, o <italic id="italic-684d69e185b43c5b2adf78dd6d0ad14f">se</italic> médio tem um aspecto habitual que não existe no <italic id="italic-f491e8323f1cafe324341985bac6789b">se</italic> passivo ou impessoal (26c):</p>
          <p id="paragraph-21f44497e7e0a8ac5a14eda5610f85c5">.</p>
          <p id="paragraph-28c3f059e1cf4b99d35d14bec9367573">(26) a. Las puertas se han cerrado de golpe.</p>
          <p id="paragraph-7f5af6ce9dbd2ac6353ab48037ac11a4">b. Las gambas se comen com los dedos.</p>
          <p id="paragraph-16429b808862aa4b82ae78a1c5d28bb4">c. *No se cierra/n nunca estas puertas.</p>
          <p id="paragraph-bb34b8bf63668b20c02c6e1e829d3521">.</p>
          <p id="paragraph-3531acfde969791da489722a25bd7b1a">Uma outra observação é que a construção com o <italic id="italic-b89c13f2d4f1ba9c656a8622418fe537">se</italic> médio tem diátese não-ativa, cuja característica básica é, assim como outras estruturas não-ativas (<italic id="italic-5f4a9ce7e5921699d390f8abda553ecf">se</italic> passivo, passiva analítica), não ter argumento externo – embora, diferentemente destas, aquela construção não retenha o papel temático agente (ou seja, ele está implícito), mas é inerentemente não-agentiva (Cf. ACKERMA; SCHOORLEMMER,1995;<xref id="xref-ad10fd0565e61c15f826fa7e0dd0ae29" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-ef05835feaeb8ba6e3c00eef679563f5">[38]</xref> FRIGENI, 2004)<xref id="xref-ac5ed43c490da0021b6615d95b408949" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-50218c9467c134410193aaa9337d17df">[8]</xref> <xref id="xref-11fe6138bdc0605c565fd648b0582f65" ref-type="fn" rid="footnote-47b6aad651222d2a8e29273049288fc6">9</xref>.</p>
          <p id="paragraph-7b37896b92ce0532d02199f0ff5065cf">Nos dados do século XVIII, de escritores portugueses, encontramos exemplos de <italic id="italic-d2d69e3e559cb30274d40d47bd62c846">se</italic> médio:</p>
          <p id="paragraph-df90945f20cd71349405341ca60f9232">.</p>
          <p id="paragraph-a5f2717e3d24632e2a8b2ea629dccab4">(27) a. nos estamos Suspirando p<italic id="italic-4d4bcfc0e1da293088f2bf076181fdac">o</italic>r notiçias de L<italic id="italic-bd15058e468579ed32d60e2039e5f957">i</italic>x<italic id="italic-191ae6b1d62c8cadb6255d746e9e6fb2">bo</italic>a p<italic id="italic-c4e18a2ec2c829db2e957c217886b7ca">ar</italic>a sabermos da Guerra p<italic id="italic-f78a39a6cbbc979443eb4bb9de86b104">o</italic>r q<italic id="italic-9f3ec38d25b494a7de303e6888176e72">ue</italic> Senos ficarmos Como Suponho de dentro, os Ifeitoz andem deçer m<italic id="italic-445bb48a82e22d583cefacf5b842cd22">ui</italic>to easfaz<italic id="italic-a84b451d01b6adbdc8fcdae8f5718a69">end</italic>as pareçe me q<italic id="italic-28163d6a4254977bda682af9fe46258a">ue</italic> terão o Cazião de <bold id="bold-6333e84c61307853651052ef5e28df41">Sevenderem</bold> bem;</p>
          <p id="paragraph-e3a8a88d66b89c4515eaaeda3a4dac8f">b. Esta terra esta munto falta de Mantimentoz eMolhadoz; Vinhoz eAguard<italic id="italic-9d2acb1622a205203fb2058eb548179c">ent</italic>e fica valendo aPipa a126$000 e Omaez <bold id="bold-ca0053ff274a9706876b695451e9c50e">seuende</bold> apurpução daSua falta,</p>
          <p id="paragraph-0cd20ed1f443af7044c999be37683eba">c. oque dezejarei seja neste prim<italic id="italic-f2fb306bfc26c7d385f3574784796f0a">ei</italic>ro Comboy que aqui esperamos vindo dessa Corte poiz as fazendas que vierão neste Comboiy <bold id="bold-02257c151a4373924cef201529ba341e">sevenderão </bold>m<italic id="italic-6c5eb8ddb7ce46cc085aedb1e852e157">ui</italic>to bem vendidas</p>
          <p id="paragraph-5643a1525082f55a099176e03ad711ab">.</p>
          <p id="paragraph-ad94d5e307cde24587fe6973c38a6c0b">Nesses exemplos, temos o DP argumento interno anteposto, mas é verdade que os exemplos são ambíguos entre um <italic id="italic-c5419ddbc0c954c3de9f334cc3e1fbf7">se</italic> passivo (ou indefinido, ver abaixo), podendo a posição desse DP ser a de tópico. Essa ambigüidade gera, portanto, possibilidades de reanálise diacrônica.</p>
          <p id="paragraph-cf9a602d611f3614c1e9f46b6d7d9a0b">Já em construções com o <italic id="italic-f6261cda7ed52677716a6b20a2991e13">se</italic> indefinido, o DP argumento interno é marcado com nominativo e, portanto, aciona a concordância sujeito-verbo, mas não se encontra na posição “canônica” de sujeito, [spec, IP]. O <italic id="italic-01a8b8c467819e14762049b6f038b0af">se</italic> (argumento externo) ocupa essa posição de sujeito, mas não aciona a concordância sujeito-verbo, pois não possui os traços- φ relevantes, além de possuir Caso Nulo. O DP argumento interno, quando se move para a posição pré-verbal está, portanto, em uma posição de tópico<xref id="xref-22ad8c6dd2ad5c4f4bf8dfb02490813d" ref-type="fn" rid="footnote-45c5f8eb47a08b01735be258406d43aa">10</xref>.</p>
          <p id="paragraph-e0815551ec94caa23720d4d324976370">Como vimos na seção 2 deste trabalho, as estruturas de promoção de argumento não excluem a existência de passivas analíticas no PB. Assim, a mudança diacrônica que fez surgir as construções com o argumento interno promovido à posição de sujeito não pode ser relacionadas à existência/não-existência de passivas analíticas, mas pode, sim, ser relacionada à existência das construções com <italic id="italic-c18a1705f444f71c65f01378638cc0a9">se</italic> passivo e/ou <italic id="italic-2bfbbad377ae602a054cd27e3c3fe84a">se</italic> médio. Mas qual seria a estrutura que as teria possibilitado: <italic id="italic-ae3751a75b68d578f7d3b7a057757166">se</italic> passivo, <italic id="italic-a78a631af5c7c45a453f8411b3631c30">se</italic> médio ou <italic id="italic-44f6b7ac8db7ce9b48fedc75cb21c35c">se</italic> indefinido?</p>
          <p id="paragraph-9823995ff3b008c3d891b2e03adf9d22">Na realidade, podemos assumir que, ao contrário do que ocorre no PE, o <italic id="italic-7e485083fd9ab784e576dd24c006eeaa">se</italic> passivo não será substituído pelo <italic id="italic-641def7de95ae1504a4b4630205291a9">se</italic> indefinido no PB<xref id="xref-28f0057df907303933cf7dc07a251dec" ref-type="fn" rid="footnote-ff3bca0ad3c2d11d8047beed7e865a61">11</xref>. No PB, teremos somente construções com <italic id="italic-20e7cd77f2534daa50cec17c6b2212c6">se</italic> impessoal – a idéia da queda do <italic id="italic-d914f8fb9ada9bc2453cab390afd127e">se</italic> passivo e surgimento do <italic id="italic-bdfd4cc6fb720fbbaaeeb44d26a2feb9">se</italic> impessoal já foi demonstrada, por exemplo, pelo trabalho de Nunes (1989)<xref id="xref-3a2545b1e2c8340be6ad26592174049c" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-aba4462daf6d6c1198a05417bf92057c">[15]</xref>.</p>
          <p id="paragraph-412fc922c382a24a352f4d1a0e163994">Assim, vamos supor que o português falado no Brasil (especialmente o português falado por portugueses) até o século XVIII permitia o <italic id="italic-e773dc914a13b3f9c33a7bf7d52ced89">se</italic> passivo, o <italic id="italic-b3fac64bedbbdea51fb7fb59fe239d31">se</italic> indefinido e o <italic id="italic-5fe322cf9939a30bc261dba3aab24521">se</italic> impessoal, além do <italic id="italic-c06907f24427be6520be7ed0929154d5">se</italic> médio. A partir da generalização de próclise e do enrijecimento da ordem (perda da inversão sujeito-verbo, Cf. BERLINCK, 1989), perde-se os dois primeiros e passamos a ter somente o <italic id="italic-d90921c34891593861fbe951a4433f64">se</italic> impessoal. Assumimos, como já amplamente estudado, que as construções que permitiriam <italic id="italic-fe8275c578c3f732920ea1f19f4e2973">se</italic> passivo foram reanalisadas como permitindo <italic id="italic-757f1d3e6aa1348d26859597adc10d1b">se</italic> impessoal.</p>
          <p id="paragraph-9583a1d7e5a2b625c84ee48fc97a4119">Porém, ao lado dessa reanálise, vamos hipotetizar que houve também uma perda do <italic id="italic-5714f67d356c97426607333fed0a4a2f">se</italic> médio. As construções com <italic id="italic-d9607ef0266df62cde87555737a7cf5f">se</italic> passivo que traziam o DP argumento interno em posição pré-verbal foram reanalisadas como estruturas médias quando esse DP é [-animado] (já que compartilhavam com aquelas as propriedades de inacusatividade explicitadas acima), e que poderiam ser realizadas sem <italic id="italic-f14767b001a92885fd2d232b1f394b29">se</italic> (já que o <italic id="italic-8388eed7bbd349a1bb11c731b6d1d57f">se</italic>, por assim dizer, se especializa para <italic id="italic-d6d6303c9f5b65a1c198a7189d8fa272">se</italic> impessoal: com caso nominativo, estrutura agentiva e ativa)<italic id="italic-d321de51bd39776166cb92953ae81dbe">.</italic></p>
          <p id="paragraph-008c9fa18ed398134a8d8d6d5b96f4c0">Ora, as construções com o <italic id="italic-24">se</italic> indefinido, que suportavam a ocorrência de DPs argumentos internos antepostos, como em (18) e também as construções com <italic id="italic-25">se</italic> passivo (19) – que aparentemente sobreviveram até o século XVIII na fala de portugueses (contrariamente ao que se supunha, Cf. acima), desaparecem dos dados do PB, dando lugar às construções com <italic id="italic-8437bc6fb3bf8e69b6edc43eedaecc23">se</italic> impessoal e uma ordem rígida: <italic id="italic-a4808b75aacc20d72916af5389c94692">se</italic> V DP. Ou seja, em sentenças com <italic id="italic-52d93606d28f21642848a16c3d35ef75">se,</italic> o <italic id="italic-35de6a78b313c6fcd0746244b5d0e508">se</italic> estará sempre na posição de sujeito no PB, e será sempre nominativo<xref id="xref-14fc7262608430b96278f4cf46ccea76" ref-type="fn" rid="footnote-8c16180f68e929ca05b4114ebcf443d5">12</xref>.</p>
          <p id="paragraph-66324d012056a9fba619c57e8b419cfd">Ao contrário do que ocorre no século XVIII – Cf. (18) –, que são dados de escritores portugueses, em todos os casos dos dados dos séculos XIX e XX, que são dados de escritores brasileiros, excluindo as sentenças relativas e as construções de topicalização, como vimos, o DP argumento interno ocorre em posição posposta ao verbo, quando há presença de <italic id="italic-464575bb7bbfaa8e2f0425eb689a939e">se</italic> <xref id="xref-5476a9e715a63b14fe1707f34c1b3f63" ref-type="fn" rid="footnote-89349652c01428e31923cdc6101003c9">13</xref>, conforme se vê nos exemplos em (20) e (22) acima.</p>
          <p id="paragraph-76d7df9ffd47aa5cea14badeee2ac1b9">Podemos ter o argumento interno anteposto (não em tópico, mas em [spec, IP]) somente quando a sentença não tem <italic id="italic-be62d9e85dbe5095fbf3eae638261a08">se</italic> impessoal. Além disso, esse argumento nessa posição em sentença sem o <italic id="italic-441485b2f8353cc7693801a1662656b9">se</italic> impessoal somente é possível quando é um DP [-animado]<xref id="xref-9a9bfb3888a3c4c64fe1a0b0ea8fb50d" ref-type="fn" rid="footnote-e0b946ad5369400d5ee0329d76cecffc">14</xref>. Os exemplos em (28), do século XIX, mostram o DP argumento interno [-animado] anteposto (não topicalizado) e ausência de <italic id="italic-7eae49a475f75f6e24201039423c69d3">se –</italic> atestam, assim, a possibilidade de construções que dariam origem às construções de promoção de argumento:</p>
          <p id="paragraph-5a2499bb4ea568eda04980113792c883"> .</p>
          <p id="paragraph-ca4bd68e40f1e68eb2b63f3bee19bde0">(28) a. A oito dias appareceu um agoaceiro fi|no; hoje tornou, p<italic id="italic-14bcb06e83cec123ce0f26a8e48992d0">oré</italic>m <bold id="bold-6b73e968063768e6cabe666cc5e193b9">nada cria </bold>tá[o]111 fina| é-</p>
          <p id="paragraph-43227703d46c315a5a9262ecd20e8304">b. O nosso| “Republicano” continúa magni-|fico, más o Vianna não faz menor| caso, faz-se de surdo, e continúa em| sua faina de perversidade. <bold id="bold-298655dc00736ee82bcc7a3454745c29">O-| recrutam<italic id="italic-5590d53792df5c14f6398378b898dbbf">en</italic>to está assolando</bold>, a titulo| de voluntarios.</p>
          <p id="paragraph-b351c2864e06134215f637acc31c3902"> .</p>
          <p id="paragraph-c1a3bbb8fdddf1fde787f5368cc8672c">A existência de construções como (29) no PB pode, portanto, ter sido possível a partir da generalizada queda do <italic id="italic-82ea6826b76b9f7cef3cad01a67b14a1">se</italic> médio (que apresenta o DP argumento interno rigidamente anteposto ao verbo) e do <italic id="italic-7c372f7f224f5069f7777d768142d2e7">se</italic> passivo e/ou <italic id="italic-7ddb46f874912be60c04f4acd624d738">se </italic>indefinido (neste caso, em estruturas com o DP argumento interno<italic id="italic-65efcf46cae0cc56463714899101e9ec"> </italic>anteposto – reanalisado como estando em [spec, IP] e não em posição de tópico devido à colocação proclítica).</p>
          <p id="paragraph-12"> .</p>
          <p id="paragraph-e2d3e5f47aef183727a88bdc670db0a2">(29) DP argumento interno anteposto (posição de [spec, IP]), ausência de <italic id="italic-790b409c64da7e43717cf48e2f6c7626">se:</italic></p>
          <p id="paragraph-dcfed29771ac2a59b4b48a8094728b2b">a. (O CD da ) Joss Stone tocou adoidado no Brasil no ano passado.</p>
          <p id="paragraph-3c295bbebe81a75e40bda91c3cf5a884">b. Saia comprida não usa mais no Brasil.</p>
          <p id="paragraph-a7716a263cfe27f5c439c13fa7ccbf34">c. A revista está xerocando, porque vamos precisar do artigo.</p>
          <p id="paragraph-35953dc7115cf4d6095a3c24b0e603c7">.</p>
          <p id="paragraph-f04ec21d9903bfc19dc0e80b85d55493">Portanto, conforme observamos acima, a partir do século XIX, todo <italic id="italic-42da07c9d2d51bb4b7ee5be914b80719">se </italic>pode ser considerado impessoal – Cf. (20) acima –, ou seja, o<italic id="italic-4d86990fb11f323a8148775bf3e501c4"> se </italic>nominativo sempre ocupa a posição de sujeito. Nesses casos, o DP argumento interno sempre ocorre posposto – Cf. (20) e (22) – e o <italic id="italic-438dfd65f73dd0830cbcd3e386ddb851">se</italic> impessoal pode ocorrer (30), ou não (31); neste último caso, a ausência do <italic id="italic-e903378cdadaae7d0e4a338379fc9b8a">se</italic> dá origem às sentenças de sujeito nulo arbitrário, estruturas características do PB (Cf. CAVALCANTE, 2006;<xref id="xref-0f0ba2a52d3fa569f508be77c6a4ae59" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-a6496a30325cdc3a2ecc884ce1d057d1">[16]</xref> GALVES, 1987, 2001)<xref id="xref-95c1a71abfcbd0439c6f1d7b2597acde" ref-type="bibr" rid="webpage-ref-331906f4e3cf09bc47e0cef9c17701cf book-ref-3a7fcc60ead96e0f940fc756878f5c03">[2,6]</xref>.</p>
          <p id="paragraph-5ae0df59da4bc3bf0b62041efd53a513"> .</p>
          <p id="paragraph-b4da390dd964a6c91d532c596f76c323">(30) DP argumento interno posposto, presença de <italic id="italic-086a0905f100e5ad490a132183343517">se</italic> impessoal (posição de [spec, IP]):</p>
          <p id="paragraph-f042d07cd5f1bcbefe2e094470ca140a">a. No ano passado se tocou muito Joss Stone.</p>
          <p id="paragraph-710964d779fb3d6c7895ea2b9a01711e">b. Não se usa mais saia comprida no Brasil.</p>
          <p id="paragraph-3a37d73cd3e534032a5450ba8ed09a1f">c. Nesta escola está se xerocando esta revista, porque as crianças vão trabalhar com este artigo.</p>
          <p id="paragraph-f9a5bda8b1184a5eae41ce4bfc0db795">.</p>
          <p id="paragraph-1fc3226fccf5082151c83a08c83da626">(31) DP argumento interno posposto, ausência de <italic id="italic-7aa4dcb595d1954fcaa30c3ea0bc0141">se</italic> (sujeito nulo arbitrário em posição de [spec, IP]):</p>
          <p id="paragraph-32545bb9378cf8bed0630ef1809c80a1">a. No ano passado tocou muito Joss Stone.</p>
          <p id="paragraph-21">b. Não usa mais saia comprida no Brasil.</p>
          <p id="paragraph-23">c. Tá xerocando esta revista, porque as crianças vão trabalhar com este artigo</p>
          <p id="paragraph-7abcfd8fb9aff74e6622013509e11b8e">.</p>
          <p id="paragraph-25">Em PE, temos, como vimos, a ocorrência do <italic id="italic-d2a96ddc887a64e80845e3752b6182b7">se</italic> médio, com leitura genérica, em sentenças como (32) em PE:</p>
          <p id="paragraph-26">.</p>
          <p id="paragraph-27">(32) Este tipo de tecido lava-se facilmente. (PE; Cf. MATEUS et al, 2003: 536)<xref id="xref-0c09f6306fed6a73031332e5256612c5" ref-type="bibr" rid="book-ref-c02c27601a2ccd7441534266703b8556">[37]</xref></p>
          <p id="paragraph-28">.</p>
          <p id="paragraph-29">Não encontramos sentenças com <italic id="italic-738cd8b62caa39da9a3ada565b1171e8">se</italic> médio nos dados, a não ser as sentenças em (27) acima, do século XVIII, que são ambíguas e são escritas por portugueses. Atualmente, porém, sabemos que, no PB, a sentença correspondente a (32) é (33):</p>
          <p id="paragraph-f1ff77cfb140bc4f41e897380b584d41">.</p>
          <p id="paragraph-ea522cc333eea21bf8fbf11dbb8fcc1b">(33) Este tipo de tecido lava fácil.</p>
          <p id="paragraph-faafbb575c17787e1bfc3cf1079f4677"> .</p>
          <p id="paragraph-cd901c6f3125be6d8c0572d09518d02d">Se houver a ocorrência de <italic id="italic-ecccecb4826cd356c1c66a146d93a6b6">se</italic>, este é interpretado como impessoal:</p>
          <p id="paragraph-801dc085caf7f1e539d46e29ab4ee3b5"> .</p>
          <p id="paragraph-fac1b0911533bf2cae0b75a86b1503b7">(34) Este tipo de tecido se lava fácil.</p>
          <p id="paragraph-2b0ff4c1fb713811704b339fe2884c66"> .</p>
          <p id="paragraph-c7d8ba9b0c7cdce16e182809c407911b">Segundo Dobrovie-Sorin (2006)<xref id="xref-175c2ba592a6c54912fffdfd8d0aebee" ref-type="bibr" rid="webpage-ref-8d1fe67458cd0bdff6807f735f54748e">[12]</xref>, como vimos, a leitura média ocorre quando o DP argumento interno está na posição de sujeito, [Spec, IP], – a possibilidade da sentença média (33) sem o <italic id="italic-a2a6e090987634b2b57c082d4b212fb7">se</italic> em PB, mais uma vez, mostra que a posição do DP argumento interno é a de [Spec, IP]. Conseqüentemente, podemos assumir que é essa a posição do DP argumento interno nas sentenças em (29) por terem surgido através da reanálise das estruturas com <italic id="italic-1c834a0899e3203d2cf27f524305de05">se</italic> passivo – e, provavelmente, também o <italic id="italic-16d650cc86223e12d7d4f01bfe2ce25a">se</italic> médio – e não o <italic id="italic-0f66d84adced92a62b158842d7af7509">se</italic> indefinido, que vai surgir somente para o PE.</p>
          <p id="paragraph-5fa6d31fc57fe49aada3499435a4fd50">Os dados e a análise sobre a ocorrência do <italic id="italic-6ae049cc124beb929d7453f508ec2c3b">se</italic> médio ainda merecem um estudo mais profundo. Até o momento, pouco se tem encontrado sobre o assunto e os dados diacrônicos também têm sido escassos. O próximo passo desta pesquisa, portanto, será a ampliação de dados para possibilitar uma análise mais refinada dessas estruturas.</p>
          <p id="paragraph-825be38f2e488755aea180486d0131ac"> .</p>
        </sec>
      </sec>
      <sec id="heading-44172a5bfc7ea28f769e72d016ab871d">
        <title>5. Conclusão</title>
        <p id="paragraph-33c6f910534eea49929e84e425b75286">O objetivo deste trabalho foi fazer uma análise diacrônica inicial sobre as estruturas cuja reanálise teriam levado ao aparecimento de construções com promoção de argumento no PB. Em outras palavras, apresentamos um levantamento diacrônico de construções como: passivas com o verbo <italic id="italic-17f4eb05fa2d36fd6d902071c216690e">ser</italic>, passivas com o<italic id="italic-4228e523016f005ed36b771abbc1ea5b"> se</italic>, a indeterminação do sujeito com o<italic id="italic-23fee7562ce3e79c594675231d9a2b7b"> se</italic>.</p>
        <p id="paragraph-2550808cc62f64829220a14b3461704a">A partir das observações sobre essas estruturas feitas em Cyrino (2005)<xref id="xref-57c187df7649b503e57b08bb23521317" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-8f0087698622dd0e0bfcf2d48d28f0f2">[7]</xref>, uma análise inicial foi realizada, levando-se em conta que as estruturas ocorrem com o DP argumento interno [-animado] anteposto ao verbo. Porém, ainda é necessário analisar a emergência dessas construções que ocorrem com uma certa classe de verbos, bem como verificar a relevância de traços aspectuais que parecem estar envolvidos na questão. Suspeita-se que um estudo mais aprofundado das estruturas com <italic id="italic-267ed04acb8f05768901ba8b56204f69">se</italic> médio e sua queda possa ajudar a elucidar essas questões.</p>
      </sec>
    </sec>
  </body>
  <back>
    <fn-group>
      <fn id="footnote-efbff9d855773079267f464113278eb4">
        <label>1</label>
        <p id="paragraph-307a01930877b9cbe4d5454c1abd90d4">Em relação ao português europeu moderno, no entanto, as sentenças abaixo são possíveis (João Costa, Ana Castro, Gabriela Matos comunicação pessoal):<bold id="bold-1"/></p>
        <p id="paragraph-3">(i) As revistas estão a fotocopiar.</p>
        <p id="paragraph-5">(ii) A relva está a regar.</p>
        <p id="paragraph-7">Em português europeu moderno, é claro, o uso do gerúndio é substituído pelo <italic id="italic-1">a</italic>+infinitivo.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-84d5a48ae6d7f7f31f16373ab872eb61">
        <label>2</label>
        <p id="paragraph-501959a378bdee26234bbc8d05c6dfed">É interessante notar, no contexto deste trabalho (Cf. abaixo), que o SE médio de línguas como o italiano também é considerado inerentemente não-agentivo (FRIGENI, 2004)<xref id="xref-eea44f89c0464a154f52bfddf04fc9f0" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-50218c9467c134410193aaa9337d17df">[8]</xref>, assim como as construções médias em geral (ACKERMA; SCHOORLEMMER, 1995)<xref id="xref-c33cee9cbacf1472d48cebfd8dbb5c79" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-ef05835feaeb8ba6e3c00eef679563f5">[38]</xref>.<bold id="bold-7425bb0a528ed892ae8468a628ef32a2"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-617d9d37dfd8d9b57daa7c5eb38fc23d">
        <label>3</label>
        <p id="paragraph-a290408a29290f1672670ecf209c2642">No entanto, como veremos, uma hipótese a ser levantada neste trabalho é que elas tenham surgido no PB através da possibilidade de construções médias com <italic id="italic-8c57e406fc2822c5529fc311f4389ad5">se</italic>, a partir das semelhanças (atelicidade (i), e ordem estrita SVO (ii)) e perda do<italic id="italic-2"> se </italic>médio e passivo no PB:<bold id="bold-806299ca1618ac24373591773819c54d"/></p>
        <p id="paragraph-bd4b3f8e25e550f7eba187d4eb0cb707">(i) a. Este tipo de tecido lava-se facilmente. (exemplo em MATEUS et al.: 536)<xref id="xref-623f3233c5dac160c4ccba484c9f702c" ref-type="bibr" rid="book-ref-c02c27601a2ccd7441534266703b8556">[37]</xref></p>
        <p id="paragraph-6bdfd6442947f337b56c5bf04f11de6b">b. *Este tipo de tecido lavou-se facilmente. (exemplo em MATEUS et al: 537)<xref id="xref-ea5e3b4e18c55e75c4152b5bd05fc944" ref-type="bibr" rid="book-ref-c02c27601a2ccd7441534266703b8556">[37]</xref></p>
        <p id="paragraph-cac80f38dd81d3d140cb914e8eb7130b">(ii) a. Este vestido lava-se facilmente.</p>
        <p id="paragraph-9">b. * Lava-se este vestido facilmente. (*interpretação média, ok interpretação impessoal)</p>
        <p id="paragraph-11">Massam (1992:130, apud FRIGENI, 2004)<xref id="xref-de8d1e5f49a70c18a498a24024f71ba3" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-50218c9467c134410193aaa9337d17df">[8]</xref>, inclusive, propõe para construções médias em geral, a ocorrência de um objeto vazio, um reflexivo nulo, co-indexado com um sujeito não-temático que foi licenciado por um núcleo funcional modal no domínio da flexão.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-d8bd44b3632e8936c588b10e2172fd96">
        <label>4</label>
        <p id="paragraph-3f69ee4e88556bbb62b03c8869515c3c">Alguns verbos como <italic id="italic-85269bb86582985c0d9cabaf0ffd79f2">bordar, confeitar, cortar, costurar, manipular, polir, recortar,</italic> <italic id="italic-b6ce46337a078027e5a1b280cb0d0f0b">varrer</italic>, incluem em sua representação a relação AFFECT e a ‘alternância ergativa’<italic id="italic-3"> </italic>ocorre especialmente quando o objeto leva à pressuposição de que há uma ação humana envolvida (pela manipulação de algum instrumento).<bold id="bold-cde00c52bcee6ce915605c5bc4d1ca0c"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-6d6b71eb80abe5b61a853139a85bd5f6">
        <label>5</label>
        <p id="paragraph-2a8f82b323066030f4e43ecb8e2b94fb">É importante ressaltar que o fato de o tempo verbal ser Passado Simples, e, portanto, normalmente considerado perfectivo (i.e., télico), não necessariamente exclui a interpretação atélica da sentença, uma vez que, conforme mostra Bertinetto (2001: 1)<xref id="xref-b43c75681e9b99815e4dda7d60104aa7" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-474f5cccf78cbff90682cb8c71422496">[39]</xref>: “Actionality and Aspect are often enough unduly conflated in the specialized literature, giving rise to what might be called the ‘Perfective Telic Confusion’ (PTC), that wrongly assumes that a verb in the perfective Aspect can only express <bold id="bold-5db310f979a2fc2ea2b446035f16c409">telic</bold> eventualities, and viceversa.” […]<bold id="bold-aaf0bcf46ce3040d83b7967b18f14de9"/></p>
        <p id="paragraph-b6e2bbef900924066bcc80e0d6b2f0ba">Actionality and Aspect are largely independent of one another (even though they do systematically interact with each other) [and] […] even in less complex verbal systems, (im)perfectivity and (a)telicity should normally be kept apart, lest fundamental misunderstandings arise.</p>
        <p id="paragraph-6f99ab756f223e3a1d5eec84685ec4ed">Além disso, Smith (1997)<xref id="xref-c302e84ade0b71244113196d3b157fe7" ref-type="bibr" rid="book-ref-7dcd40b2caa5df2a079a6ae7f585c30a">[40]</xref> mostra que “inceptive sentences may present an Activity indirectly, because we may infer the activity continues, unless there is information to the contrary”, confirmando o que Bertinetto aponta: “Actionality has to be dealt with in terms of the inner composition of events, while Aspect is ultimately to be accounted for in terms of the notions of closed vs. open interval, where perfective events correspond to closed intervals, and viceversa. The role of the aspectual operators must be that of enforcing the open/closed interval interpretation, which is potentially available for every event type, most probably with respect to an appropriate understanding of the different quantificational properties of the various aspectual readings.” Assim, podemos ter em PB construções como:</p>
        <p id="paragraph-f0316b96a4e56a63ceff4fac2a1d0f8a">(i) O fusca <bold id="bold-2">começou a fabricar</bold> no Brasil e não parou mais...</p>
        <p id="paragraph-8517c329305657d49536792ef26944c7">(ii) Aquela verba que <bold id="bold-3">liberou</bold> agora...</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-09478025eca925330e2806b8cfe25ea7">
        <label>6</label>
        <p id="paragraph-8c11fa9bd89aea77d31203079aab49c4">Embora pareça haver uma construção semelhante no hindi (Cf. BHATT, 2003)<xref id="xref-ea1a602c22f418f01979c03161c5bb36" ref-type="bibr" rid="webpage-ref-e62661957559be3d6f73d6e351c8b90f">[41]</xref>:<bold id="bold-4c8ca8386b67eb4e495fe2fa309e6e8d"/><bold id="bold-b20283cc337e3e7379704f83d0b0678a"/></p>
        <p id="paragraph-873b957d5b305ae84719600f3a0e78ec">(i) a. Jaayzaad b~at. Rahii hai.</p>
        <p id="paragraph-4970010872578bf7147846142e74db87">Property divide PROG-FEM be-PRES</p>
        <p id="paragraph-136436ef75b938d0ae4651d4fb46cf6e">'The property is dividing</p>
        <p id="paragraph-3b97dfc4bd11f3aa077be56959830ca3">b. Ram-ne jaayzad b~a~at. dii</p>
        <p id="paragraph-5cd3f98d48a8b51501a8307e56e2133e">Ram-ERG property divide GIVE-PERF</p>
        <p id="paragraph-d123e2bc9b736480497ef1468ea5bca5">"Ram divided the property</p>
        <p id="paragraph-e09d8125bfc0eb4096379d397ca8a693">(ii) a. Madhu per. kaat rahii. hai</p>
        <p id="paragraph-361f9233c68c18684dc2262a52ecdd18">Madhu.f tree.m cuttr Prog.F be.Prs.Sg</p>
        <p id="paragraph-d07a4ac478e5af28228ed0e2e546ca47">‘Madhu is cutting a/the tree(s).’</p>
        <p id="paragraph-4f329901f62806c91a6c62b5b84dff4a">b. per. kat. Rahe h˜E</p>
        <p id="paragraph-08806e108248178ce5041985a0a72146">Tree.m cutintr Prog.MPl be.Prs.Pl</p>
        <p id="paragraph-7963a38c738b830e1c42d7b3639cc608">‘The trees are cutting.’</p>
        <p id="paragraph-6">Segundo Bhatt, essas construções são intransitivas e diferem das passivas por não envolver nenhuma agentividade em sua semântica.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-6b6bf8ea312fb1bc56a91ce2c2bc121d">
        <label>7</label>
        <p id="paragraph-d6d136cdefdf6f00f20b9638cf9b55d5">Além disso, Cavalcante (2006)<xref id="xref-981b706005a683bef46e28dba044f6dd" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-a6496a30325cdc3a2ecc884ce1d057d1">[16]</xref>, que trabalha com sentenças infinitivas, aponta uma evidência adicional de que o <italic id="italic-6180c34bcf46fb0ca222391334053b5e">se</italic> passivo, e não um <italic id="italic-9663afac720fea281b05242e09d382fd">se</italic> indefinido (nos termos de RAPOSO; URIAGEREKA, 1996)<xref id="xref-a6e430ec70ed02371db3ca6e4c851303" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-1282644596713f055d2ad0218d8a6305">[30]</xref>, poderia ser possível em seus dados, pois encontra sentenças com o DP argumento interno aparecendo pré-verbalmente nas infinitivas.<bold id="bold-ac82c2511159dd004d5adaa7dd3937da"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-7f8a451e77050e1ff95a14018c5f5c19">
        <label>8</label>
        <p id="paragraph-ac42f52e31203a6748d531f6e15a8cee">As predicações de atividade são de dois tipos: agentivas e não-agentivas; as agentivas constituem-se de um par de traços ([+intent], [+act]) e as não-agentivas têm somente o traço [+act] e não têm o traço [+intent]. Assim, ela propõe uma nova visão para a natureza da morfologia inacusativa, apresentando a seguinte generalização: <italic id="italic-0f47523cf0fe982dfe770a405a1944f0">Morfologia não-ativa suprime o</italic> primeiro <italic id="italic-f1c45539ad5fcf54ce64483371955ed4">traço em uma estrutura de</italic> <italic id="italic-fcd824db505d2474356d144293560df7">predicado.<bold id="bold-37b0f0ca6497aaf9b945e1b9810ef8eb"/></italic></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-47b6aad651222d2a8e29273049288fc6">
        <label>9</label>
        <p id="paragraph-680985b69844cbfbb65c842dfc319194">Zwart (1997)<xref id="xref-1535b8f33651b69d00b9726817c64374" ref-type="bibr" rid="webpage-ref-0e180691848e838df0cc6ff852de7a13">[11]</xref> também aponta as seguintes características e exemplos de construções médias:<bold id="bold-c945a4db75b4e956c951406822dbd0b3"/></p>
        <p id="paragraph-26aeb962c3996e73b4e54c076a0a94d3">(i) O argumento externo do verbo não é expresso.</p>
        <p id="paragraph-d5452a49dcd5d07a2437d82c40d14e25">(ii) O verbo tem morfologia ativa.</p>
        <p id="paragraph-0c395d3c1f70987f98733f59cb35e657">(iii) A acção ação denotada pelo verbo é predicada de um advérbio.</p>
        <p id="paragraph-449bf25834349ec643c272ba4c24d2f1">(iv) O verbo é da classe <italic id="italic-989f0d90d0edb3257ea7497993fdc8ae">atividade</italic> e a sentença como um todo é não-eventiva. Exemplos:</p>
        <p id="paragraph-1bc0f98088119dd403b96ef1d943663e">a. This book reads quickly.</p>
        <p id="paragraph-13">b. This pen writes easily.</p>
        <p id="paragraph-15">c. Bureacrats bribe easily.</p>
        <p id="paragraph-17">d. This book reads easily (*by anyone).</p>
        <p id="paragraph-19">e. * This book is read quickly.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-45c5f8eb47a08b01735be258406d43aa">
        <label>10</label>
        <p id="paragraph-9cc4b70f83ece3ea7a17fa31a5fa0131">Assim, as construções com <italic id="italic-655222fe45b06e9bfe86af597c0c40a7">se</italic> no PE não seriam construções passivas e não devem ser relacionadas às passivas analíticas – <italic id="italic-4333970f6faea0322af31e800be88bf0">Vendem-se casas</italic> não é equivalente a <italic id="italic-c2f7d71912d865bd2485d2e881af5977">Casas</italic> <italic id="italic-4">são vendidas</italic>, inclusive porque, em PE um DP nu nunca ocorre em posição de sujeito.<bold id="bold-0fc0bce97c7c05e6d898b988ff2e6b86"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-ff3bca0ad3c2d11d8047beed7e865a61">
        <label>11</label>
        <p id="paragraph-91814ec5864d2db82f3d324fc658fe57">Cavalcante (2006: 186)<xref id="xref-426278e6564a51b979a5fbf521494ab9" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-a6496a30325cdc3a2ecc884ce1d057d1">[16]</xref> estuda a ocorrência de <italic id="italic-a30daec4d7fd51b53ec501310a88e07d">se</italic> nas sentenças infinitivas e propõe o seguinte quadro para o PCl (Português Clássico – pré-séc. XVII), PE (séc. XVIII em diante) e PB:<bold id="bold-2e2dd477b6b9a62dde82e1cd3476ceb0"/></p>
        <p id="paragraph-dfd172565d3e0ee75571ab94f0864787">Segundo Cavalcante (2006)<xref id="xref-8999cca025e5ea5515a69c92f443dcce" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-a6496a30325cdc3a2ecc884ce1d057d1">[16]</xref>, em PB, as construções com <italic id="italic-5b1f19f2cfe6598ab380e3f8fef44fbb">se</italic> indefinido se perdem também nas estruturas finitas, e somente permanecem as construções com <italic id="italic-1f4c037b546b25686c4c9e7f2407f76a">se</italic> impessoal.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-8c16180f68e929ca05b4114ebcf443d5">
        <label>12</label>
        <p id="paragraph-5255b524b264226c23bb331734464c6d">Quando o<bold id="bold-e35cbdd921daed7adbf67b8a823a486c"> </bold><italic id="italic-94cc68aadb86345ec1263580090a059c">se</italic><bold id="bold-8200871472bf476132adeaa5cd86d487"> </bold>não é sujeito, ele se refere ao sujeito, nos casos em que não é<bold id="bold-689b4d95ec2a09a74df345c7c0061369"> </bold>invariável (<italic id="italic-cdbf1659425003659f934843660ab08f">se</italic> reflexivo, recíproco, inerente, etc) – é nesses casos que já se constatou sua queda (Cf. NUNES, 1995;<xref id="xref-d964e39f669dd07f5445be52080e8eb4" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-c04d9ec13f29570016babee461a722fe">[27]</xref> FERNANDES, 2000;<xref id="xref-f362ddcff64e3bee50b2dfd8ee6660d3" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-a7b139b0fda0a20eba4e1dd83e35e208">[28]</xref> ROCHA, 1999;<xref id="xref-87f52bcb7077a5f9238e5b01013c229c" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-0c060005d3d957ba1e01ac943906fcf8">[25]</xref> ALBUQUERQUE, 1984;<xref id="xref-4ccf5e87efaa2ae124362fc66fce3238" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-6e9629155ac0887bd259ff1a85f8b5b6">[24]</xref> entre outros).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-89349652c01428e31923cdc6101003c9">
        <label>13</label>
        <p id="paragraph-1c3832e76f493a7516a56a0009e00e04">O<bold id="bold-71cecd887d9a6f8127e516d65dadd0d1"> </bold><italic id="italic-57f2af4f1fe7b0984be14411536fcad7">se</italic><bold id="bold-629fca307a67feb8b2b5eac00e80085f"> </bold>é, portanto, sempre analisado como sujeito, conforme proposto por<bold id="bold-f0a1188d9d96895c20b5993ecf7e89be"> </bold>Cavalcante (2006)<xref id="xref-e9b2c1c0e884af866fec62143f713789" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-a6496a30325cdc3a2ecc884ce1d057d1">[16]</xref>. A autora relaciona esse fato ao aumento do preenchimento da posição de sujeito em PB. Da mesma forma, podemos observar o enrijecimento da ordem SVO no PB, ao constatar que o argumento interno ocorre na maioria das vezes em posição posposta, mesmo nas sentenças passivas analíticas do século XIX coletadas para este trabalho:</p>
        <p id="paragraph-bce9992ef2ad808c0b655d049bfc3a7f">(i) a. <bold id="bold-4">Foi dispronunciado o Dantas</bold>, pelo Julio.</p>
        <p id="paragraph-84e28f60fbf61a0ceedc3d58fb239c26">b. Por intermedio do Major Jeronimo, <bold id="bold-5">me| foi entregue seo favor</bold>, que me deu prazer| p<italic id="italic-c17d93b23a920863059eb51971e8985b">e</italic>la certeza de q<italic id="italic-f99d465fc6bbe8721d91769313887124">ue</italic> con toudos os seos passão sem| alteração.</p>
        <p id="paragraph-bd9bb8c614421f489365f2a5900396c1">c. as 9 horas da noite, in continente, <bold id="bold-6">forão| dispachado 4 por<italic id="italic-d1f66404fefd4c9f09e936b0f7af2959">tadore</italic>s</bold>, p<italic id="italic-5">ar</italic>a Monte Santo, Tu-|canno, G<italic id="italic-6">eremoab</italic>o, e Itapicurú!;</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-e0b946ad5369400d5ee0329d76cecffc">
        <label>14</label>
        <p id="paragraph-55f05b579debfd187a8e74fc0d29ebed">E, nesse caso, esse DP interno ocorre na posição préverbal, provavelmente para preencher a posição de sujeito, ou por obedecer a restrição contra V1 (Cf. CAVALCANTE, 2006;<xref id="xref-366617b5e82f549316ec0d91c1d7ad9f" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-a6496a30325cdc3a2ecc884ce1d057d1">[16]</xref> COELHO et al, 2006).<bold id="bold-cb13d8a7e1c997c1a8f76ee167a8576a"/></p>
      </fn>
    </fn-group>
    <ref-list>
      <ref id="journal-article-ref-ef05835feaeb8ba6e3c00eef679563f5">
        <element-citation publication-type="journal">
          <fpage>173</fpage>
          <issue>26</issue>
          <lpage>197</lpage>
          <volume>2</volume>
          <year>1995</year>
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          <fpage>177</fpage>
          <lpage>210</lpage>
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          <article-title>On the generic character of middle constructions</article-title>
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