<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Archiving and Interchange DTD v1.2 20190208//EN" "JATS-archivearticle1.dtd">
<article xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:ali="http://www.niso.org/schemas/ali/1.0">
  <front>
    <article-meta>
      <article-categories>
        <subj-group>
          <subject content-type="Tipo de contribuio">Ensaio teórico</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title>O PAPEL DA METONÍMIA NOS PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS</article-title>
        <subtitle>UM ESTUDO DOS VERBOS DENOMINAIS EM PORTUGUÊS</subtitle>
      </title-group>
      <contrib-group content-type="author">
        <contrib id="person-5be69afa71846a60602bac29b31b7d65" contrib-type="person" equal-contrib="no" corresp="yes" deceased="no">
          <name>
            <surname>BASILIO</surname>
            <given-names>Margarida</given-names>
          </name>
          <email> revistadaabralin@gmail.com </email>
          <xref ref-type="aff" rid="affiliation-21b46f262f0ab1a83162e07817097ff6" />
        </contrib>
      </contrib-group>
      <aff id="affiliation-21b46f262f0ab1a83162e07817097ff6">
        <institution content-type="orgname">Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro</institution>
      </aff>
      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="22/05/2017" />
      <volume>6</volume>
      <issue>2</issue>
      <issue-title>O PAPEL DA METONÍMIA NOS PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS: UM ESTUDO DOS VERBOS DENOMINAIS EM PORTUGUÊS</issue-title>
      <fpage>9</fpage>
      <lpage>21</lpage>
      <page-range>9-21</page-range>
      <permissions id="permission">
        <license>
          <ali:license_ref>http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/</ali:license_ref>
        </license>
      </permissions>
      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">
          <italic id="italic-9cb33a08419ee3641285a7181c403c6f">Neste trabalho, dentro da discussão sobre a natureza do conhecimento lexical, focalizo a formação de verbos denominais. Inicialmente, conceituo o léxico e analiso a interação entre metonímia conceitual e padrões de expansão lexical. Em seguida, descrevo a estrutura de verbos denominais, explicitando como padrões metonímicos e padrões morfológicos interagem nestas construções lexicais.</italic>
        </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-b32b4522fb5ccbcf79751c03546eb16f">
          <italic id="italic-1">In this work I approach denominal verb formation in the light of the discussion about the nature of lexical knowledge. Initially, I analyze the interaction of conceptual metonymy with lexical expansion patterns. Then I describe the structure of denominal verbs, showing the interaction between morphological and metonymic patterns in these constructions.</italic>
        </p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-4d06181d819ed3169c8133bbccadabb3">metonímia conceitual</italic>
        </kwd>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-86576ff122dd6bfe5d5082338ced6866">léxico</italic>
        </kwd>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-6041e057081b72edb68dd05db0637c5b">morfologia</italic>
        </kwd>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-3ad14aff6ff27c7c220845300fb94000">verbos denominais</italic>
        </kwd>
      </kwd-group>
    </article-meta>
  </front>
  <body id="body">
    <sec id="heading-cad9e55627c0c43219586243db78f55c">
      <title>Artigo</title>
      <p id="paragraph-45250636e0d5a885f8e530defe41426c">O presente trabalho se insere na discussão sobre a possibilidade e conveniência ou não de se estabelecer uma distinção entre conhecimento lingüístico e conhecimento enciclopédico no léxico (PEETERS, 2000)<xref id="xref-2cb45c385ae6d07783f71f14403ae5ca" ref-type="bibr" rid="book-ref-d71637f11d4b6276375ccd126c400c41">[1]</xref> e na discussão sobre a natureza do conhecimento lexical. Há duas posições polarizadas em relação a essas questões. Por um lado, os cognitivistas afirmam que a semântica lexical é indubitavelmente enciclopédica (LANGACKER, 1987)<xref id="xref-be5cc1adc126ddb0fbe276247ccbfe82" ref-type="bibr" rid="book-ref-2032eaa6fb29f666c51563722893eb12">[2]</xref> e que o conhecimento lingüístico reflete os padrões de conceptualização da mente (EVANS; GREEN, 2006)<xref id="xref-0592bb16c823bab20285f9ce10bb5f2f" ref-type="bibr" rid="book-ref-a0a8e98da106b50c5f3b5fcaced6898d">[3]</xref>. Por outro, adeptos da Morfologia Distribuída estabelecem uma distinção radical entre o vocabulário, que seria parte da língua, e a enciclopédia, que se colocaria na interface de estruturas conceptuais (HARLEY; NOYER, 2000)<xref id="xref-903eff22e60cc65f17cd35f08bc390e6" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-5328a6386400aabdcc2bab4c3aa38455">[4]</xref>.</p>
      <p id="paragraph-e023a43b8f0b11aab0d22da9754d0c35">Neste trabalho<xref id="xref-92dfa75614677cc9849746be2f21a11b" ref-type="fn" rid="footnote-c9507f171946f19d8fbfe11f49112a19">1</xref>, pretendo descrever a conexão entre padrões metonímicos, conhecimento enciclopédico e conhecimento lingüístico na formação de palavras. Assim, ao contrário do que preconizam os cognitivistas, pressuponho uma distinção entre conhecimento lingüístico e conhecimento enciclopédico no léxico, embora me situe em convergência com o cognitivismo no que tange à interação entre padrões conceptuais da mente e padrões morfológicos.</p>
      <p id="paragraph-dcf278b560f73c6a62294013e86f5954">Com a finalidade de abordar esta tríplice interação e seu caráter fundamental para a eficiência do léxico como um sistema dinâmico de armazenagem de formas simbólicas, focalizarei a formação de verbos denominais na língua portuguesa, mostrando que verbos morfologicamente denominais são interpretados a partir da interação do conhecimento do mundo com o conhecimento lingüístico, em conexão com padrões metonímicos.</p>
      <p id="paragraph-04ff7210f7eb8a8e863638a7cd710158">Inicialmente, defino o papel do léxico nas línguas e introduzo o conceito de metonímia conceitual em sua interação com padrões morfológicos de expansão lexical. Em seguida, descrevo padrões morfológicos de formação de verbos denominais e mostro sua conexão com padrões metonímicos. A análise a ser apresentada foi feita a partir de dados do Português Brasileiro, mas as afirmações essenciais se estendem a outras línguas, conforme se poderá inferir de alguns exemplos de verbos denominais do inglês apresentados no texto.</p>
      <p id="paragraph-08946e88e97eeb577e3cfa8fdefefb38">O léxico pode ser definido como um conjunto de forma simbólicas, isto é, formas associadas a significados ou formas que evocam significados. Itens lexicais são usados na construção de enunciados, sendo, portanto, tão flexíveis a associações simbólicas e usos quanto cores podem ser sensíveis a outras cores, luz, posição do observador, e assim por diante. O léxico deve ser expansível, de modo a se adaptar a nossas necessidades de comunicação. Padrões de formação de palavras otimizam a expansão lexical e são essenciais para a eficiência do léxico como um sistema de armazenagem de símbolos em uma língua, dada a necessidade de representação conceitual com acesso imediato na interação lingüística.</p>
      <p id="paragraph-7d1e4b8f499c45cc58df506c68590990">A metonímia é central aos padrões morfológicos que otimizam a eficiência lexical. Dentro de uma visão conceptual da metonímia, no processo metonímico “uma entidade conceptual, o veículo, provê acesso mental a outra entidade conceptual, o alvo, dentro do mesmo modelo cognitivo idealizado” (RADDEN; KOVECSES, 1999: 21)<xref id="xref-210a7fd70e665853c34ed54b6be57cab" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-9882be61177719f150cd5b0cb0ad42df">[5]</xref>. Nessa perspectiva, portanto, a metonímia é um mecanismo cognitivo de associação de conceitos.</p>
      <p id="paragraph-78f71be4c2d01b720df8e7177e892a05">A metonímia ocorre quando uma expressão que normalmente designa uma entidade é usada para designar uma outra entidade, por associação. Por exemplo, a expressão “política café com leite” é usada para indicar metonimicamente uma combinação de interesses políticos de São Paulo e Minas através de produtos típicos desses dois estados, sendo <italic id="italic-88e3180a8750c427157df4c9b94cbcbf">café</italic> associado a São Paulo e <italic id="italic-0f7128131df0a5a99412333e5113b7db">leite,</italic> a Minas. Dentre os exemplos clássicos de metonímia na literatura recente de cunho cognitivista, avultam referências à cidade de Washington ou à Casa Branca, que se associam ao governo americano, e exemplos em que clientes são denominados por suas necessidades de atendimento, como em <italic id="italic-3">úlcera</italic> para referência a um paciente num hospital e <italic id="italic-4">sanduíche de presunto</italic> para um freguês numa lanchonete.</p>
      <p id="paragraph-5d447595983b1168e4623af9b11a2ff3">De acordo com Langacker, a metonímia é tão generalizada nas línguas porque é basicamente um fenômeno de ponto de referência, isto é, a entidade representada pela expressão metonímica “serve como um ponto de referência, provendo acesso mental ao alvo desejado” (2000: 199)<xref id="xref-dd9ef6ee041b33cc14fe1a8468bd7580" ref-type="bibr" rid="book-ref-bf5f5c29ab9fec83119f968342f13983">[6]</xref>. A metonímia se revela, pois, um instrumento fundamental para a eficiência do léxico enquanto sistema de armazenagem de símbolos: já que se pode acessar uma entidade conceptual por meio de outra, é possível neutralizar o problema do acesso lexical em construções lexicais, seja pela não listagem do elemento associado, já que automaticamente inferido, seja pela facilidade de acesso, através de rotas de associação.</p>
      <p id="paragraph-eab5a8620820cce4743e4b277c25c469">Existe uma face óbvia da metonímia em unidades lexicais, que já aparece na concepção de signo de Saussure: na visão de Gunter Radden, a metonímia básica já está na própria constituição do signo, definido pela associação significante/significado (DIRVEN, 2003: xx)<xref id="xref-daf39553fec1716de6fa08b5ba2dcdb4" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-4973a25d02ed67d359c31dc2102baa55">[7]</xref> Ou seja, a estrutura do signo é em si metonímica, pois o signo se constitui pela associação significante/significado. Neste trabalho, entretanto, será focalizado um outro nível, para além da associação de conceitos constituinte da estrutura sígnica, no qual um signo é usado com a finalidade de evocar outro, relacionado por associação. Ainda, o essencial não é discutir o conceito de metonímia, mas, sim, do ponto de vista da metonímia conceptual, mostrar como o processo metonímico interage em conexão com os padrões morfológicos, tomando como ilustração a formação de verbos denominais. Passo, então, a uma breve descrição dos padrões de formação de verbos denominais em Português.</p>
      <p id="paragraph-c0cf23d85f4c49fc9f8c7cbacec6df40">Há vários padrões para a formação de verbos denominais no Português Brasileiro. Neste trabalho, pretendo abordar apenas o padrão mais produtivo, já que o interesse não é descritivo, mas teórico: o objetivo maior é analisar um processo de formação de palavras e mostrar o papel da metonímia no processo.</p>
      <p id="paragraph-b4db2e2d5f36b9884ae616387718c884">No processo mais produtivo de formação de verbos denominais, o sufixo derivacional –a(r) se adiciona a um substantivo para formar um verbo.<xref id="xref-8a3aef7b66b3c46b13eea215d6bc3998" ref-type="fn" rid="footnote-a7149b05920f34274eeaf1c004125f40">2</xref> O produto do processo é uma estrutura morfológica como a de (1),</p>
      <p id="paragraph-7c1d26b94618dd24d93c6a9efd56b91a">(1) [[X]s -a(r)]v.</p>
      <p id="paragraph-5f4f89cac5c01d56675e39acc5f2a628">em que X é um substantivo e -a(r) é um sufixo que forma verbos a partir de substantivos. Semanticamente, o verbo denota um ato ou evento evocado pelo substantivo. Em outras palavras, o substantivo base é um ponto fundamental de referência para o evento designado pelo verbo.</p>
      <p id="paragraph-8facae21edd358443fb6a9c95556ae67">Por exemplo, <italic id="italic-cdab1e47642e835d820c069277f30816">aguar</italic>, de <italic id="italic-ef364e6ba406f927d46f7dfa84c07f56">água,</italic> é um ato crucialmente evocado pela substância “água”: o substantivo que denota a substância é usado como base para a construção do signo verbal que denota o ato. Há, portanto, um significado que decorre da construção morfológica: “ato crucialmente associado à base da construção”. No caso, sendo a base um substantivo que denota um líquido, o ato evocado é algo como “<italic id="italic-7292c4da1e4990290a15d1a7551ee581">verter”</italic> ou <italic id="italic-fea13f11c02807571254c0162cdeaf48">“pôr”.</italic> Assim, <italic id="italic-5">aguar</italic> corresponde a noções como “pôr água” ou “verter água”. A associação da substância com o ato é feita por um padrão metonímico do tipo <italic id="italic-6">Substância por Ato</italic>: o conceito “água”, que constitui o signo que serve de base à construção, dá acesso ao conceito de “verter, pôr, etc.”, que são atos correspondentes à substância “água”. O significado lexical de <italic id="italic-7">aguar,</italic> portanto, deriva da conexão entre um padrão morfológico e um padrão metonímico.</p>
      <p id="paragraph-4b00413a03457a6ea05da21fc1ea5342">Naturalmente, uma parte do significado do verbo deriva do conhecimento do mundo. No caso de <italic id="italic-7f8a8ece7b8bee0335d8295e2bc51c45">aguar</italic>, existem diferentes especificações enciclopédicas. Por exemplo, aguar plantas não é o mesmo que aguar uma sopa, embora em ambos os casos o ato de verter água esteja envolvido. Entre outras coisas, usam-se conchas ou regadores, conforme o caso; os gestos são diferentes; etc. Por outro lado, conexões metafóricas podem levar a outras interpretações, como o sentido de “diluir”. Outros exemplos deste tipo de formação seriam os verbos <italic id="italic-ce98355cc858f454f49fb1df9c5ce518">perfumar, cimentar, asfaltar, colar, apimentar, salgar, envenenar.</italic></p>
      <p id="paragraph-d3fdffeef8f0cf229360c95fb9201cad">A observação desses outros casos talvez ajude a ressaltar a diferença entre o significado lingüístico em sua interação nos padrões morfológicos e metonímicos, e o significado enciclopédico. Em <italic id="italic-4ac0c97592e9a30a62b192ee956f1294">apimentar</italic>, por exemplo, o aspecto fundamental do significado reside no potencial da substância como tempero; assim, o ato evocado corresponde a algo como “colocar” ou “adicionar” pimenta, independente da forma em que esta venha, como se pode observar em (2):</p>
      <p id="paragraph-0d0ae113418baf20d453eb86355d46ad">(2) Maria apimentou a sopa com um caril especial.</p>
      <p id="paragraph-cb4d75f674db80083356293eaa28b06f">Adicionalmente, o uso metafórico do verbo, ilustrado em (3),</p>
      <p id="paragraph-73611128405ff7faca63358eee944323">(3) Para apimentar um pouco mais a conversa, João contou uma piada forte.</p>
      <p id="paragraph-f1c1f41b663507f7fb115917f45a18d8">se torna cada vez mais freqüente hoje em dia. Nesses exemplos, fica claro que o termo “substância” tem um sentido bem genérico e pode assumir diferentes especificações a cada caso.</p>
      <p id="paragraph-8905cc6caec2ab54ee72f2781a2edb23">Passo agora ao caso de <italic id="italic-e963c036ca8c26af729f651437f5d067">martelar,</italic> um ato evocado por <italic id="italic-5ce08925bb846271e22f0c6cfd5f82a1">martelo</italic>: o substantivo que denota a ferramenta constitui a base da formação verbal correspondente ao uso deste instrumento. Novamente, o verbo denota um ato determinado pelo substantivo que serve de base à construção morfológica: em <italic id="italic-d9451a03fd1a1d353b54aedadb741c94">martelar</italic>, a base <italic id="italic-241ffb9f94c7b2605dfe69447ed3150d">martelo</italic> é associada ao uso do instrumento, de modo que a construção verbal designa o ato correspondente na construção denominal. Trata-se, portanto, de um padrão metonímico como I<italic id="italic-f3bdc8b75dbca049d1550eef2332c9f8">nstrumento por Uso</italic> em conexão com verbos denominais de instrumento.</p>
      <p id="paragraph-e561d1e0feea72cd940ff405bcd4be7f">Do ponto de vista do conhecimento enciclopédico, <italic id="italic-75a46aab11fc81cfcc5b9187ad0258d8">martelar</italic> evoca a seqüência de atos específicos efetuados quando se usa um martelo. Neste ponto, é interessante observar que a interpretação pode permanecer em termos de instrumento mesmo na ausência do objeto específico; é perfeitamente possível martelar algo com uma chave inglesa, por exemplo. O verbo ainda permite outras metonímias, como a de Efeito por Causa, como em “martelar os ouvidos de alguém”; e assim por diante. Outros exemplos do mesmo padrão seriam <italic id="italic-90992bd9d47e1353f2b808a0a09f1bd6">patinar, telefonar, carimbar, afivelar, <italic id="italic-6054c4ce4be03742764153b18568fa94">pincelar, grampear, pedalar.</italic></italic></p>
      <p id="paragraph-9b9cd0c914c5886a1d5f128d5ccc58b1">Em contraste com <italic id="italic-af2d165d7fb40977d4720291d10c2a6a">martelar</italic>, em <italic id="italic-6b5b26e4cfcb83a1f75f4c352f0bddac">telefonar</italic> a evocação se concentra na comunicação telefônica, e não nos atos específicos necessários a esta comunicação. Por exemplo, existem verbos específicos (<italic id="italic-531b6bf9baa100d3757a50460b4c6e83">ligar, atender,</italic> <italic id="italic-b4ee4d7d9048461a2af161667884366d">discar, digitar</italic>) para denotar atos prévios necessários à ativação do aparelho<italic id="italic-72d21f8cf42d4dd65cf9ccb61d0f4e88"> </italic>ou atos posteriores à comunicação, que o desativam (<italic id="italic-1ddc5cc58ce4ca36a2ed6a35f2b0a74c">desligar</italic>). Assim, o significado lingüístico de <italic id="italic-7222c468b0798405f67a14f719f48eb0">telefonar</italic> corresponde à efetivação de comunicação por utilização do telefone; os atos intermediários derivamdo conhecimento enciclopédico de como proceder para efetivar uma chamada ou atendê-la. É de se observar, portanto, que, nestas formações, embora o padrão geral seja o mesmo, a ativação de determinados aspectos varia de construção para construção. Ou seja, usando a nomenclatura de Langacker (2000: 62)<xref id="xref-44c598c3e2dce435f23198d600c070b7" ref-type="bibr" rid="book-ref-bf5f5c29ab9fec83119f968342f13983">[6]</xref>, existem diferentes “zonas de atividade” atuando na formação de verbos denominais.</p>
      <p id="paragraph-bd47523bb6e2cfdebe614ce99cf0876e">Um terceiro caso de padrão metonímico é o de A<italic id="italic-a04a7afac1ee65ff921ad3d4e8635498">gente por Ato,</italic> como em <italic id="italic-2b118a7537e571cc1ae70e361297e82a">assessorar</italic>. Neste exemplo, a construção morfológica tem como interpretação algo como “fazer as vezes de assessor” ou “agir como assessor”. Mais especificamente, a base é um nome de agente, de tal modo que a construção morfológica corresponde ao significado do ato que caracteriza o nome de agente como tal. Outros exemplos seriam <italic id="italic-6165731b798f07d59a526fc0b0fdf976">medicar, monitorar, </italic><italic id="italic-66573b009b376922e887226701c96248">mendigar.</italic></p>
      <p id="paragraph-8e335785d0f3a2032cc217b38ccc4447">O potencial deste padrão em inglês é demonstrado num célebre exemplo apresentado por Clark &amp; Clark (1979)<xref id="xref-9d86f07651119879aaf2c2de7c873bc8" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-43f6c08721df4ac9f803e08696592743">[8]</xref>:</p>
      <p id="paragraph-8faf5b18d47bcd5633652d0675a1b745">(4) My sister Houdini’d her way out of the closet.</p>
      <p id="paragraph-ee1b84776d140a30a0256ca0a66a2251">Em (4), um nome próprio é usado como base de um verbo denominal, cuja interpretação deriva da associação do nome próprio com as características de agente do nomeado. No caso, Houdini é conhecido como um mágico que conseguia escapar de todo e qualquer lugar. Assim o verbo ocasional <italic id="italic-72b60aa94ad27d991c088c1e38eda8c4">to Houdini</italic> obedece ao mesmo padrão geral de interpretação de <italic id="italic-19afc1cb3912d24c3557592f7cee6862">assessorar</italic>, algo como “agir como Houdini”, de acordo com o mesmo padrão metonímico. A diferença fundamental, neste caso, é que não se trata de um agente genérico, mas um nome próprio simbolizando um tipo peculiar de agente. Trata-se, portanto, de uma metonímia dupla, já que o nome próprio <italic id="italic-c91a243506d0822fb6f4aefc49a6f745">Houdini</italic> se associa não à pessoa, mas ao agente.</p>
      <p id="paragraph-b743baaced6338b386ff5d86aae13bed">Um segundo caso que mostra a conexão entre padrões morfológicos, padrões metonímicos e conhecimento enciclopédico no inglês é o caso do verbo denominal <italic id="italic-e80528b00b346bbf99cda6d4abd67f13">to mother</italic>, a partir do substantivo <italic id="italic-a9a883097afdc56cf7abb69e6e96beef">mother</italic>. O verbo é crucialmente derivado do substantivo: o substantivo que representa o papel social “mãe” é usado para rotular uma atitude ou conjunto de atos de alguém como prototípicos de atitude maternal. Este caso também apresenta mais de uma metonímia, pois atos e atitudes são associados ao papel social, que, assim, se distingue do fato biológico; e o foco está no que se atribui à mãe tradicional, em oposição às diferentes situações concretas de mães no mundo real.</p>
      <p id="paragraph-435ea3e197f8609c053f0453c2095246">Este padrão, entretanto, é mais comum no Inglês do que no Português, pois em nossa língua os verbos formados a partir de nomes próprios não são freqüentes. Na realidade, o padrão de formação de verbos denominais a partir de nomes de agente em português é minoritário, o que não constitui propriamente uma surpresa, já que a estrutura lexical do Português estimula a direcionalidade oposta, isto é, a formação de nomes de agente a partir de verbos.<xref id="xref-8b5b5e3a7130b7f3e5bd88298844356e" ref-type="fn" rid="footnote-25fc42ae3f1dbf55ffbf3d61b7e43709">3</xref></p>
      <p id="paragraph-c2bbe7f964036523c3f1a65604dad2c5">Um padrão metonímico bem mais freqüente é o de <italic id="italic-aa15c86cc6228ed8c422ad18fedd0a29">Recipiente por</italic> <italic id="italic-36472f4baca55f5965e0f9b41c949445">Ato</italic>, que ocorre em verbos como<italic id="italic-ddf7a9e349f1538f32ff431e0289e9c1"> engavetar, encaixotar, empacotar</italic>,<italic id="italic-cb777a9a080b3c6413f54fc56ec87a6c"> armazenar, estocar, enjaular</italic>,<italic id="italic-b03bb2dad6d710c7ce96de129c3a039d"> envelopar</italic>,<italic id="italic-59882fc44cbbe71bc3a3935a5dd41727"> embolsar, </italic>etc.. Em<italic id="italic-35e26664de8975d283a58b2363228a8f"> encaixotar</italic>, por<italic id="italic-8"> </italic>exemplo, a construção morfológica veicula o significado de ato motivado pela base substantiva da construção. Como o substantivo neste caso denota um recipiente, o significado do verbo será o ato de colocar algo no recipiente. No Português Brasileiro, é comum o reforço morfo-semântico do prefixo <italic id="italic-9">en-</italic> neste tipo de construção, razão pela qual são relativamente raros os verbos denominais sufixais não parassintéticos neste grupo.</p>
      <p id="paragraph-d2a742f9f37f4fc219e229786c3f372c">Naturalmente, o ato específico varia dependendo do recipiente; a construção focaliza apenas o ato geral, mas o conhecimento enciclopédico determina e, portanto, evoca possibilidades em termos de gestos concretos. Adicionalmente, o recipiente pode ser abstrato, como em <italic id="italic-65663412c7cf39d99ef1e6f1275110dc">estocar;</italic> ou metafórico, como em <italic id="italic-36c6bf25a20ad1eb82c3db367776410e">embolsar,</italic> dentre outras possibilidades.</p>
      <p id="paragraph-d14f558bf2de68232527aa29694073f9">Fica claro, portanto, que a interpretação de construções de verbos denominais é baseada na interação entre o conhecimento lingüístico de padrões morfológicos de formação de verbos (a estrutura morfológica [X]s à [[X]s -<italic id="italic-c59af6ae3a52ab2a9a35183be09788e2">a(r)]</italic>v) e padrões metonímicos como <italic id="italic-c8a5f86ac563829cedc30587d5991cd9">Substância por Ato</italic>, <italic id="italic-a307beed1140a5b13fd41571c6f2a65c">Instrumento por Ato</italic>,<italic id="italic-53b240d09d02be10c3862c53a141104f"> Agente por Ato</italic>, e assim por diante. A esta interação se soma o conhecimento enciclopédico, que permite a interpretação imediata de frases como as abaixo:</p>
      <p id="paragraph-fa7da03d0ec58680f273510f8d673b2f">(5) Meu braço ficou doendo de tantos documentos que tive que carimbar.</p>
      <p id="paragraph-1ac920d697332e7e672ee66b8f8933c1">(6) Tentei patinar mas me esborrachei no chão.</p>
      <p id="paragraph-c6ac0a686856c74554c3557121619d2a">Em (5) e (6), a referência à dor no braço ou à queda depende do conhecimento enciclopédico de cada ato concreto.</p>
      <p id="paragraph-1595c68d3421e9998e63568d19288cc4">Mais especificamente, no nível morfológico, forma-se um verbo a partir de um substantivo através de uma operação morfológica que transforma o substantivo num tema verbal. No nível semântico, a construção lexical corresponde ao verbo cujo significado genérico é evocado pelo substantivo por associação. A conexão entre o ato denotado e o verbo denominal é feita por um padrão metonímico.</p>
      <p id="paragraph-71fb02c9c554558aa1e2693bfb0bc97f">No primeiro exemplo deste trabalho, observa-se o significado geral “substância líquida” no tema verbal denominal <italic id="italic-967e42d7146f05f59ad7700fa1035bf8">agua-(r)</italic> e, morfologicamente, identifica-se um verbo, o que leva ao conceito de Ato; é possível então acessar o conceito “pôr água em”, por meio da metonímia <italic id="italic-ca4d26f164a3099db2f307897b212127">Substância por</italic> <italic id="italic-09a75b278a30a4715af5c9299fc1b9d0">Ato. </italic>Do mesmo modo, reconhecer o significado geral de instrumento,<italic id="italic-5b01b312e85ef52b3efb46a44d10ee04"> </italic>evocado por <italic id="italic-cfab7fd6ff2e0f0bba523027c3da7de7">martelo</italic> no tema verbal <italic id="italic-5435aae3215a47564987b2768806d47a">martela(r),</italic> permite conectar o conceito do ato de usar o instrumento ao verbo denominal por meio da metonímia <italic id="italic-f5e56256b34af88759937f00403c4f52">Instrumento por Ato.</italic> E o mesmo ocorre nos demais casos; a denotação do substantivo que passa a ser o tema verbal nos faz inferir por metonímia o ato correspondente; ou, mais exatamente, reconhecê-lo ou localizá-lo: o conceito do substantivo dá acesso ao conceito do ato correspondente, o qual, por sua vez, se conecta com sua contraparte enciclopédica.</p>
      <p id="paragraph-44700c889c2196c06e4b1912e6358ee3">Em suma, verbos denominais são interpretados automaticamente pela interação entre padrões morfológicos de formação de palavras e padrões metonímicos, e conectados ao conhecimento enciclopédico dos atos correspondentes.</p>
      <p id="paragraph-486c6aeb4c1206d09fa2ad2d456c5fbc">Esta é uma análise preliminar, no sentido de que ainda há um levantamento sistemático de construções a ser feito, mas já apresenta evidência significativa de suporte à hipótese da fundamental relevância do papel da metonímia conceitual nos processos de formação de verbos denominais.<xref id="xref-b1c363b9229667399a351422cafe710c" ref-type="fn" rid="footnote-c249a790524c040e90dc9bad62524d61">4</xref></p>
      <p id="paragraph-366935921d98bc8452f76ceb41eb6bf7">Para finalizar, retomo uma colocação feita em referência à relevância dos padrões metonímicos para a eficiência do léxico como sistema de armazenamento de formas simbólicas, a afirmação de que padrões metonímicos são cruciais para a expansão lexical por causa do requisito de acesso lexical imediato. Esta afirmação se relaciona às estruturas lexicais e ao papel da regularidade na aquisição e manutenção do léxico.</p>
      <p id="paragraph-ce1aaf9fec7080e2658c996b13c697cb">A regularidade lexical e os processos de formação de palavras são instrumentos cruciais na aquisição e manutenção do léxico, apesar de ser freqüente a alegação de que atribuir este papel a estruturas lexicais não faz sentido, dada a quantidade de neurônios no cérebro humano.</p>
      <p id="paragraph-53f00fd8b55b89b9c3af849183ac5b5f">No entanto, é fácil observar que, apesar dos bilhões de neurônios do nosso cérebro, raras são as pessoas que conseguem reter na memória pouco mais do que uma dezena de números de telefone e senhas, por exemplo. Este simples fato, que tanto atrapalha a vida diária, mostra que seria impossível reter na memória as milhares de palavras que constituem o vocabulário normal de um falante culto se não houvesse a atuação de outros fatores da estruturação lexical.</p>
      <p id="paragraph-fff39a009569c3c9e49fe17058187e6e">A facilidade de retenção de formas derivadas na memória pode ser facilmente explicada através da interação de padrões morfológicos com padrões metonímicos. Dada a necessidade de referência a um tipo de ato, podemos eventualmente formar um verbo denominal para designá-lo. Com o uso dos padrões morfológicos disponíveis, é possível formar algo como, por exemplo, <italic id="italic-65f4ec1f16b3a6c556704b389074f9ff">enxampuar</italic> (o cabelo). Pelo padrão morfológico, identifica-se, então, um verbo construído com o substantivo <italic id="italic-9a5df233b2efaecc023f942faa6e6a28">xampu</italic>; assim, a conexão da estrutura verbal, que dá o significado de ato, com o significado da base (substância) fornece automaticamente o significado de “botar xampu em”, através do padrão metonímico <italic id="italic-5479efc399a93cc8447c02e8703a440c">Substância por Ato</italic>. O conhecimento enciclopédico, prévio à formação, faz a conexão do significado geral com o ato específico e sua função no ato de lavar a cabeça, com os movimentos circulares das mãos, a presença de espuma, e assim por diante. Assim, a retenção da construção na memória é imediata. Como se pode constatar, portanto, a freqüência, que é tão importante para a retenção dos itens lexicais arbitrários, tem sua relevância drasticamente reduzida nas formações motivadas, dada a conexão imediata fornecida pela interação entre padrões morfológicos, padrões metonímicos e conhecimento enciclopédico.</p>
      <p id="paragraph-8787204406a1c5d2675c500b352a5d78">O exemplo de uma formação relativamente nova<xref id="xref-2b886495bc39145e77c87749a41cde77" ref-type="fn" rid="footnote-930f89fa3fb72f8565bc173db0516c1b">5</xref> tem o objetivo duplo de demonstrar o potencial de utilização deste padrão morfológico em interação com padrões metonímicos numa construção não armazenada e memorizada, e de mostrar quão imediata é a retenção da relação forma /significado. Naturalmente, no caso de verbos já formados, não apenas há cadeias metafóricas e metonímicas outras, mas também seria possível alegar que as conexões metonímicas são apenas aquelas que correspondem a um significado já lexicalizado, ou já incorporado integralmente como signo. Isto certamente acontece.</p>
      <p id="paragraph-ee0e5e08e654eb13d809a2abe512dbb3">Mas o fato de que isto acontece não interfere na disponibilidade de uso do mecanismo que venho analisando neste trabalho. Na memorização de signos, é possível não utilizar essas formações, que, no entanto, continuam sendo da maior relevância na aquisição e manutenção do léxico.</p>
    </sec>
  </body>
  <back>
    <fn-group>
      <fn id="footnote-c9507f171946f19d8fbfe11f49112a19">
        <label>1</label>
        <p id="paragraph-1377be5cb09b4de1a3d94ee851a7c084">Este trabalho corresponde à terceira parte do projeto de pesquisa A Metonínima na Constituição do Léxico, apoiado pelo CNPq (bolsa de produtividade em pesquisa, período 2004-2007, processo 305189/2003-4).<bold id="bold-1"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-a7149b05920f34274eeaf1c004125f40">
        <label>2</label>
        <p id="paragraph-74f86997e1086c30b9f9528b35e713ae">Para uma discussão sobre a controvérsia existente em relação a este tipo de formação, remeto o leitor a Basílio (1992)<xref id="xref-ddbce428c53db63e1aed57d02d70fdcb" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-a86045895d575efb14901884a8a74864">[9]</xref> e Basílio e Martins (1996)<xref id="xref-7acad7610a2efd638cb286ebd4f88cb3" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-e008a4a0cc9770bf24ed77e99b77a766">[10]</xref>.<bold id="bold-d00afca903a15b4e1416544626083af9"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-25fc42ae3f1dbf55ffbf3d61b7e43709">
        <label>3</label>
        <p id="paragraph-50a727f2c6d7addd7956c099182961e3">Mas o padrão é produtivo, o que novamente leva à questão da polissemia do termo “produtividade” e à questão da relevância relativa da produtividade de um padrão morfológico como possibilidade em oposição ao teor de produção.<bold id="bold-153aba4ec2c0d9529a30c98defe6af4c"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-c249a790524c040e90dc9bad62524d61">
        <label>4</label>
        <p id="paragraph-d312c539922518459040c8c6a25a8b65">V. Panther e Thornburg (2002)<xref id="xref-5ee64383205b4b9b45772dcd8a419ad9" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-655d7428d016b51d7b5f46a2ea31354c">[11]</xref> e Basilio (2006)<xref id="xref-ccd05c57520242ccc412f9351cda1840" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-538b26c0d7d076136d1b9704b01d12e7">[12]</xref>, para evidências de metonímia na formação de nomes de agente.<bold id="bold-84b9247a79de3ee5e1f80de749f3866a"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-930f89fa3fb72f8565bc173db0516c1b">
        <label>5</label>
        <p id="paragraph-ef195c4d63502e8c502d049c88a991cd">Esta formação, embora nova, já está registrada em Houaiss (2001)<xref id="xref-8a8fbe25d9cbe66edb117442bc0d07df" ref-type="bibr" rid="book-ref-b04eca95419204f3c87372e1d99b4ce9">[13]</xref></p>
      </fn>
    </fn-group>
    <ref-list>
      <ref id="journal-article-ref-a86045895d575efb14901884a8a74864">
        <element-citation publication-type="journal">
          <fpage>295</fpage>
          <issue>2</issue>
          <lpage>304</lpage>
          <volume>9</volume>
          <year>1993</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>BASILIO</surname>
              <given-names>M</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>DELTA</source>
          <article-title>Verbos em –a(r) em português: afixação ou conversão?</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="journal-article-ref-538b26c0d7d076136d1b9704b01d12e7">
        <element-citation publication-type="journal">
          <fpage>67</fpage>
          <issue>Edição Especial</issue>
          <lpage>80</lpage>
          <volume>22</volume>
          <year>2006</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>BASILIO</surname>
              <given-names>M</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>DELTA</source>
          <article-title>Metaphor and Metonymy in Word Formation</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="chapter-ref-e008a4a0cc9770bf24ed77e99b77a766">
        <element-citation publication-type="chapter">
          <publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
          <publisher-name>UNICAMP/FAPESP</publisher-name>
          <year>1996</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>BASILIO</surname>
              <given-names>M</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>MARTINS</surname>
              <given-names>H</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <person-group person-group-type="editor">
            <name>
              <surname>KOCH</surname>
              <given-names>I</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Gramática do português falado: desenvolvimentos</source>
          <chapter-title>Verbos denominais no português falado</chapter-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="journal-article-ref-43f6c08721df4ac9f803e08696592743">
        <element-citation publication-type="journal">
          <fpage>767</fpage>
          <issue>4</issue>
          <lpage>811</lpage>
          <volume>55</volume>
          <year>1979</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>CLARK</surname>
              <given-names>E</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>CLARK</surname>
              <given-names>H</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Language</source>
          <article-title>When nouns surface as verbs</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="chapter-ref-4973a25d02ed67d359c31dc2102baa55">
        <element-citation publication-type="chapter">
          <publisher-loc>Amsterdam</publisher-loc>
          <publisher-name>John Benjamins</publisher-name>
          <year>2003</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>DIRVEN</surname>
              <given-names>R</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <person-group person-group-type="editor">
            <name>
              <surname>CUICKENS</surname>
              <given-names>H</given-names>
            </name>
            <collab>
              <named-content content-type="name">et al</named-content>
            </collab>
          </person-group>
          <source>Motivation in language</source>
          <chapter-title>In search of conceptual structure - five milestones in the work of Günter Radden</chapter-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="book-ref-a0a8e98da106b50c5f3b5fcaced6898d">
        <element-citation publication-type="book">
          <publisher-loc>London</publisher-loc>
          <publisher-name>Lawrence Erlbaum</publisher-name>
          <year>2006</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>EVANS</surname>
              <given-names>V</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>GREEN</surname>
              <given-names>M</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>
            <italic id="italic-574c5384a0dc85148a90833aa01893bf">Cognitive linguistics: an introduction</italic>
          </source>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="chapter-ref-5328a6386400aabdcc2bab4c3aa38455">
        <element-citation publication-type="chapter">
          <publisher-loc>Amsterdam</publisher-loc>
          <publisher-name>Elsevier</publisher-name>
          <year>2000</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>HARLEY</surname>
              <given-names>H</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>NOYER</surname>
              <given-names>R</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <person-group person-group-type="editor">
            <name>
              <surname>PEETERS</surname>
              <given-names>B</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>The lexicon-encyclopedia interface</source>
          <chapter-title>Formal versus encyclopedic properties of vocabulary: evidence from nominalizations</chapter-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="book-ref-b04eca95419204f3c87372e1d99b4ce9">
        <element-citation publication-type="book">
          <publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
          <publisher-name>Objetiva</publisher-name>
          <year>2001</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>HOUAISS</surname>
              <given-names>A</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>VILLAR</surname>
              <given-names>M. S</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>MELLO FRANCO</surname>
              <given-names>F. M</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>
            <italic id="italic-caab646c55066efa840285614b2c7205">Dicionário</italic>
            <italic id="italic-2">Houaiss da língua portuguesa</italic>
          </source>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="book-ref-2032eaa6fb29f666c51563722893eb12">
        <element-citation publication-type="book">
          <publisher-loc>Stanford</publisher-loc>
          <publisher-name>Stanford University Press</publisher-name>
          <year>1997</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>LANGACKER</surname>
              <given-names>R</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source><italic id="italic-89901f08f3b72a3f511e293a763f900e">Foundations of cognitive grammar:</italic> theoretical prerequisites</source>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="book-ref-bf5f5c29ab9fec83119f968342f13983">
        <element-citation publication-type="book">
          <publisher-loc>Berlin/New York</publisher-loc>
          <publisher-name>Mouton de Gruyter</publisher-name>
          <year>2000</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>LANGACKER</surname>
              <given-names>R</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>
            <italic id="italic-ce210732de5cf0453ff2dd4122ce26fa">Grammar and conceptualization</italic>
          </source>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="chapter-ref-655d7428d016b51d7b5f46a2ea31354c">
        <element-citation publication-type="chapter">
          <publisher-loc>Berlin/New York</publisher-loc>
          <publisher-name>Mouton de Gruyter</publisher-name>
          <year>2002</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>PANTHER</surname>
              <given-names>K. U</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>THORNBURG</surname>
              <given-names>L</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <person-group person-group-type="editor">
            <name>
              <surname>DIRVEN</surname>
              <given-names>R</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>PÖRINGS</surname>
              <given-names>R</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Metaphor and metonymy in comparison and contrast</source>
          <chapter-title>The roles of metaphor and metonymy in English <italic id="italic-c21e90405ec09ddf23762a6b74a4c0b5">-er</italic> nominals</chapter-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="book-ref-d71637f11d4b6276375ccd126c400c41">
        <element-citation publication-type="book">
          <publisher-loc>Amsterdam</publisher-loc>
          <publisher-name>Elsevier</publisher-name>
          <year>2000</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>PEETERS</surname>
              <given-names>Bert</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>
            <italic id="italic-d94650e9cd0908b5d529d3b7453a06ca">The lexicon-encyclopedia interface</italic>
          </source>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="chapter-ref-9882be61177719f150cd5b0cb0ad42df">
        <element-citation publication-type="chapter">
          <publisher-loc>Amsterdam</publisher-loc>
          <publisher-name>John Benjamins</publisher-name>
          <year>1999</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>RADDEN</surname>
              <given-names>Gunter</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>KOVECSES</surname>
              <given-names>Zoltán</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <person-group person-group-type="editor">
            <name>
              <surname>PANTHER</surname>
              <given-names>K. U</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>RADDEN</surname>
              <given-names>G</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Metonymy in language and thought</source>
          <chapter-title>Towards a theory of metonymy</chapter-title>
        </element-citation>
      </ref>
    </ref-list>
  </back>
</article>