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        <article-title>ESQUEMAS ESPACIAIS E EXTENSÕES METAFÓRICAS NA SEMÂNTICA DE PREPOSIÇÕES DO PORTUGUÊS DO BRASIL: UM ESTUDO DE CASO<sup id="superscript-cc5c5a6e8d1c8dc3fb6e648f3e0b9c3f">1</sup></article-title>
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            <given-names>Aparecida de Araújo</given-names>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Federal de Minas Gerais</institution>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="23/05/2017" />
      <volume>6</volume>
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      <issue-title>ESQUEMAS ESPACIAIS E EXTENSÕES METAFÓRICAS NA SEMÂNTICA DE PREPOSIÇÕES DO PORTUGUÊS DO BRASIL: UM ESTUDO DE CASO</issue-title>
      <fpage>223</fpage>
      <lpage>258</lpage>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">
          <italic id="italic-dc1b4d234c8f8d51ea800fcc5a4ebaa7">Esta é uma proposta de explicação cognitiva para a polissemia da preposição "sob" em usos do PB contemporâneo. Partindo-se de um esquema imagético básico, são descritos mecanismos cognitivos, como esquematização, mapeamentos metafóricos e mudanças de perspectivação, que conduzem a uma rede sistematicamente motivada. de extensão semântica, em forma de categoria radial.</italic>
        </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-a31071da20098491a75af2640af8dc87">
          <italic id="italic-1">This is a cognitive account for the polysemy of the preposition "sob" in real-use samples of modern Brazilian Portuguese. Departing from a basic image schema, J describe how cognitive mechanisms such as schematization, metaphorical mapping and alternate construal afford new uses in a systematically motivated semantic network structured as a radial category.</italic>
        </p>
      </abstract>
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        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-66b76755564bf76615d340c6e54f4a7b">polissemia motivada</italic>
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          <italic id="italic-08347b47d5c2a1cef04f97ad36a0c847">preposição</italic>
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        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-fb4e25cd73bc417cb827f6a5652c8911">metáfora conceptual</italic>
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        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-ac9cf1741eb84db37ed4521e00df0629">esquema imagético</italic>
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    <sec id="heading-ba80120c600ea8ca5113be110159831e">
      <title>0. Introdução</title>
      <p id="heading-6f9d917d425ea1b20e3bec1a2feaa91d">O que há em comum entre o gelo, o socialismo e o olhar de Djanira Machado? A pergunta, que me veio da primeira leitura de cerca de 800 resultados da busca de construções com a palavra “sob” na Internet (em que essas e outras expressões complementam a preposição é parte de outra, mais ampla: que tipo de relação - ou relações - a preposição "sob" é capaz de evocar?</p>
      <p id="paragraph-a6c5c0a4fffb798aa1be312297a79c42">Essas questões são embasadas em alguns preceitos teóricos centrais, assumidos neste artigo. Primeiramente, a partícula deve ser compreendida como uma <italic id="italic-2459eba379c1c87223e07eaca42fa78e">unidade simbólica</italic> (Langacker, 2004, 1987 e outros)<xref id="xref-02aa328f2c76b5ca7917ab5edc9a36d3" ref-type="bibr" rid="book-ref-daf9f2cbfb2ade7dc55ed86d8fd773da book-ref-47a3beb94a95abad162341bd925e1a2d">[1,2]</xref>, em que uma estrutura fonológica evoca uma estrutura conceptual (em vez de evocar um objeto ou relação no "mundo real") e vice-versa. Embora o status de <italic id="italic-3dcfb726530c378c0680eabfa61a97ee">unidade</italic> esteja relacionado a um elevado grau de convencionalização em uma comunidade, em função do caráter experiencial de nosso sistema conceptual, as relações simbólicas são dinâmicas e isso permite o surgimento de extensões semânticas, que podem, por sua vez, convencionalizar-se ou não. Em segundo lugar, os múltiplos sentidos convencionalizados, associados à forma estudada, não representam um caso de homonímia, mas formam uma categoria polissêmica interconectada. E, finalmente, essa polissemia é coerente, sistemática e motivada, na medida em que os sentidos formam uma rede que parte de domínios mais concretos para mais abstratos, e não o contrário (Sweetser, 1990: 18e30)<xref id="xref-92549307726bb3484c4b5e836221fcf6" ref-type="bibr" rid="book-ref-c1c22989503e6c69b0acec8d614fe9ae">[3]</xref>.</p>
      <p id="paragraph-c67d072dcf91aafd5c772557152aebb8">Subjacente aos enunciados das perguntas, existe, ainda, um problema central de análise semântica: distinguir entre um <italic id="italic-a83b212f6dcc2f43d437c32b4b21cae2">sentido convencionalizado</italic> e um <italic id="italic-ea4d373da57a6878314ce40d0fa62b3b">significado contingente,</italic> esse último, fruto do contexto em que a palavra se insere. Em termos gerais, são esses os aspectos mais importantes que abordo neste trabalho, considerados sob a perspectiva da Lingüística Cognitiva.</p>
      <p id="paragraph-05dfe41da88fd2060aa703bae7c97af5">Não apenas "sob", mas também as demais preposições da língua portuguesa são amplamente reconhecidas como itens lexicais<xref id="xref-15e08a1d7ac6581e5ede6a28b0ffa80f" ref-type="fn" rid="footnote-e384bc983e1c9d53e8b32e1972943a46">1</xref> polissêmicos e, por conseguinte, fornecem um campo frutífero para estudos de multiplicidade semântica. Um exemplo recente pode ser encontrado em Poggio (2002)<xref id="xref-a865b46edf35061443dbf3c85e1572ba" ref-type="bibr" rid="book-ref-020a21f51a8fb7dd71eb1328bd68e634">[4]</xref>, que apresenta uma pesquisa diacrônica, de viés funcionalista, sobre a gramaticalização de preposições, com base em corpora do latim (séc., VI) e do português arcaico (séc. XIV), em que as mudanças são tomadas como produto de pressões do discurso.</p>
      <p id="paragraph-3a165fae4a4fe782fb1f17d53acf8317">Assim como essa autora, entendo que a maioria desses sentidos não se estabeleceu ao acaso. Mas acrescento que é possível encontrar, no presente momento, exemplos que confirmem o papel ativo de nossa cognição na construção de redes de significados. Tomando uma perspectiva sincrônica, emprego o arcabouço teórico da Lingüística Cognitiva para explicar não os processos de gramaticalização, mas a maneira como alguns usos correntes se constituem como extensões metafóricas de outros. Assumo, desde já, que esse fenômeno é abundante em nossa língua e, como exemplo, a análise que apresento mais adiante focalizará usos correntes (espaciais e não espaciais) da preposição "sob" do português do Brasil (PB).</p>
      <p id="paragraph-bdff323a89bdee240466f3a1709db988">Notadamente entre lingüistas cognitivos, a polissemia de itens lexicais tem sido descrita sob a forma de categorias .naturais (ver Lakoff, 1987)<xref id="xref-a376d75bfb43c6c01af8053efb36dcc5" ref-type="bibr" rid="book-ref-a3b6af78452d5fa48f10793a66d9f7c4">[5]</xref>. O estudo de Brugman (1981)<xref id="xref-62d6840aa3bf11550d97820cafa68187" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-8b8b13700cf6b8791372c8bdb9d0d1e8">[6]</xref>, sobre os diversos sentidos da palavra <italic id="italic-c520af06dd26c2eddaf6d17918f588b6">"over", </italic>é um clássico sobre o tema. Nesse estudo, a autora demonstrou<italic id="italic-fe4f4b3c52d36c74dd261669de9a1def"> </italic>como os inúmeros sentidos encontrados se relacionam sistematicamente e, assim, propôs formalmente que eles constituem uma categoria natural de conceitos, estruturada radialmente a partir de um sentido espacial central.</p>
      <p id="paragraph-abd9ccdf5404c1482c14fb39b1fee0a5">Mais recentemente, Tyler e Evans (2003)<xref id="xref-da359cc30743d02fa556689547bc1617" ref-type="bibr" rid="book-ref-b8344d675749be405bc7529125f6ac2a">[7]</xref> apresentaram um estudo amplo sobre a polissemia de preposições espaciais na língua inglesa, também em termos de categorias estruturadas radialmente a partir de um sentido espacial sancionador. Por <italic id="italic-d36ed8f05176ae5f402d96e17743fa62">sentido sancionador,</italic> entende-se aquele esquema que, por processos cognitivos diversos, dá origem a, ou <italic id="italic-a615bfdb47eb69ca2fe0f9884ae00b18">sanciona,</italic> outros usos (Langacker, 1987)<xref id="xref-6d7b42e61bdae445463e8ca423318198" ref-type="bibr" rid="book-ref-47a3beb94a95abad162341bd925e1a2d">[2]</xref>. Através de um Modelo de Polissemia Sistemática, Tyler e Evans se dispuseram a descrever, entre outras coisas, o tipo de informação necessária para a interpretação dos diversos sentidos das partículas espaciais do inglês.</p>
      <p id="paragraph-4cc6c71fb52d2aa91c05180b92404136">Esses dois trabalhos influenciaram, parcialmente, a proposta de investigação dos usos da preposição "sob" que apresento aqui, levando em conta, obviamente, as diferenças entre o português e o inglês. Assim, por exemplo, enquanto "sob" pertence apenas à categoria <underline id="underline-1">das</underline> preposições, a maioria dos itens lexicais estudados por esses autores são também advérbios ou, ainda, uma partícula em um verbo frasal. <italic id="italic-9b6cd6aaefe06aa244fee8fcbe7e3aef">Isso</italic> determina, exceto pelos sentidos convencionalizados, que a análise e a estrutura radial que apresento sejam pesadamente dependentes do contexto, sugerindo que o "sob" evoca noções mais abstratas. Outra distinção importante está na análise realizada aqui, a qual procurei basear, totalmente, em usos atestados da língua. A estrutura geral da rede, contudo, aproxima-se dos modelos mencionados, possuindo um sentido sancionador na posição central e expandindo-se radialmente por meio de grupamentos de sentido.</p>
      <p id="paragraph-41b7439202b54ce3ffc9dbe85c7d08c3">A compreensão dos sentidos convencionalizados como categorias abertas advém da própria definição de significado fornecida pela Lingüística Cognitiva: as expressões lingüísticas não detêm significado em si mesmas; apenas quando em uso, elas são capazes de evocar informações sobre entidades ou relações que fazem parte do conhecimento que um falante detém sobre o mundo. O conjunto dessas informações interligadas é freqüentem ente denominado <italic id="italic-4b50015be247a7309ed7d8341a0b22ca">conhecimento</italic> <italic id="italic-a70f835e56b146ba358fdbcb333cb366">enciclopédico, </italic>em oposição à noção objetivista de lista<italic id="italic-3"> de significados </italic>ou<italic id="italic-4"> dicionário. </italic>Obviamente, apenas uma parte desse conhecimento é ativada a<italic id="italic-5"> </italic>cada evento de uso da língua, nos quais as expressões lingüísticas evocam entidades que funcionam como <italic id="italic-6">pontos de acesso</italic> para essa nossa rede individual de conhecimento (Langacker 1987: 163)<xref id="xref-5d2fffd1cb8afb531d62748963bc5c00" ref-type="bibr" rid="book-ref-47a3beb94a95abad162341bd925e1a2d">[2]</xref>.<xref id="xref-7842955d7e93e29f5d077c6a36d2a7ce" ref-type="fn" rid="footnote-630a8ee2dd7713ce36532af5ebe104e6">2</xref> Como esses pontos variam em função das circunstâncias em que o discurso decorre, temos aqui uma visão altamente dinâmica do processo de criação de sentido, ou seja, da conceptualização.</p>
      <p id="paragraph-2ca5111765cd5cee94fb8b715cf7230b">Contudo, mais relevante ainda talvez seja o fato de, para a Lingüística Cognitiva, o significado lingüístico ser considerado apenas mais um componente - embora mais complexo - da cognição humana geral e depender do mesmo tipo de habilidades básicas (por exemplo, a abstração, a esquematização, a categorização, a perspectivação e a imaginação,<xref id="xref-f77acc50f2ffa9cc43682dc63a4f32ed" ref-type="fn" rid="footnote-0a9a6f516165bb7f34d3815045428a81">3</xref> envolvidas na cognição que não se expressa por meio de palavras (Johnson,1987;<xref id="xref-484a1cbf4cf03686fdbd5c7dd2315902" ref-type="bibr" rid="book-ref-e9ca6ddb1e59d0ac7465f2bb2f0fc9b6">[8]</xref> Lakoff e Johnson, 1999;<xref id="xref-c83ffa39d1b591d1785678490b31cbd7" ref-type="bibr" rid="book-ref-7866e5d1ad57a99c1fa2d434dbf11057">[9]</xref> Langacker, 1991 etc.)<xref id="xref-8bed43bdf77555a341c090f3b0c2e837" ref-type="bibr" rid="book-ref-ec92852a5c0cf74f2d64a59615b542d8">[10]</xref>. Em resumo, compreendido dessa maneira o processo da conceptualização, a semântica corresponde, justamente, ao conjunto das estruturas <italic id="italic-40c733a1baadd7d462e665a5eb82d6d1">conceptuais</italic> que são pelas formas lingüísticas. A seguir, apresento definições mais aprofundadas desses conceitos, relacionando-os ao tema.<underline id="underline-2e0afbcd724ce2ccaa7c34412b3a4b65">:</underline>perseguido neste trabalho.</p>
      <p id="paragraph-bc0b8c6826ca59d63ae9c78c0aa669a0">_</p>
      <sec id="heading-30c6e922e23094dfdcb2143cd9397717">
        <title>1. Conceptualização</title>
        <sec id="heading-1878ac97147b256aee954301df6f07ea">
          <title>1.1. Esquemas</title>
          <p id="paragraph-553a77367af46d990383636e2d4321e0">Na perspectiva da Lingüística Cognitiva, um conceito é equiparado à noção de <italic id="italic-fbe5eadd0afc21cb2064e35ef68a1761">esquema,</italic> uma abstração formada por padrões recorrentes em nossa experiência, os quais compõem nossa memória e estruturam toda a nossa cognição (Langacker, 2004: 11)<xref id="xref-d79b66773c5d1f21a758d0df5ff42a5b" ref-type="bibr" rid="book-ref-daf9f2cbfb2ade7dc55ed86d8fd773da">[1]</xref>. Em outras palavras, esses padrões contêm informações sobre toda sorte de fenômenos que experimentamos, objetos que percebemos, ações, que praticamos e até concepções que elaboramos, formando o já mencionado <italic id="italic-ac3b22545ca202ff7e539d33fd681d13">conhecimento</italic> <italic id="italic-85182082269da5b8407b36be11289dd9">enciclopédico </italic>do falante (Johnson, 1987:29)<xref id="xref-71a193a98e78643403b106bac61be990" ref-type="bibr" rid="book-ref-e9ca6ddb1e59d0ac7465f2bb2f0fc9b6">[8]</xref>.</p>
          <p id="paragraph-eb0a963ae7ea76445c2b590cc08c4c2f">Por ser abstraído de várias situações semelhantes, um esquema não se refere a qualquer instância de uso em particular e, como mencionado anteriormente, tampouco diz respeito exclusivamente à nossa capacidade lingüística. Por meio dessa recorrência, um padrão se torna <italic id="italic-29ee61e0fc4aed59a1e18341e0b071c7">entrincheirado</italic> (Langacker, 2000b, 1987)<xref id="xref-b62524b9b9309822ef4a55491c3d1af1" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-9c46a9deeba176ed9d4a246b16dc2640 book-ref-47a3beb94a95abad162341bd925e1a2d">[2,11]</xref>, ou seja, o falante é capaz de recuperá-los e utilizá-los automaticamente.<xref id="xref-2c91d2b0eb1fcb649986376451430440" ref-type="fn" rid="footnote-c890dd8130f2f1af115cead0224005bb">4</xref></p>
          <p id="paragraph-1cf685b28935018794b5589c6115450a">Essa nova visão do significado lingüístico deve muito ao trabalho de Mark Johnson. Em sua obra <italic id="italic-48bedd5fb1449f53c44ab41ecde71b62">The body in the mind,</italic> ele propõe que a cognição começa com nossa experiência corpórea, pré e não-lingüística, com o ambiente, quando são formados <italic id="italic-f5f535c114dd8ea6b6505985c868120f">esquemas imagéticos</italic> (p. xix, 21-40). Alguns deles são abstrações originadas da percepção (em suas diversas modalidades, mas especialmente da visão, devido à proeminência desse sentido em nossa existência) de nosso corpo no espaço (por exemplo,' da experiência de estar de pé ou de entrarmos em uma sala), enquanto outros emergem da maneira como compreendemos objetos. Essas experiências se organizam como <italic id="italic-b2a73514d524653312d40486b3311332">Gestalts,</italic> todos unificados com partes - ou entidades - relacionadas entre si. <italic id="italic-09d681710a766b92608404a2eefe6fce">Contêiner, parte-todo,</italic> <italic id="italic-535ece21597d0bcbccbe0783f850b042">centro-periferia </italic>e<italic id="italic-f2043a7035c947e7ad90f7c324497c2f"> trajeto </italic>são<italic id="italic-cc3d3bac26c283cd2f57dd6847ba4566"> </italic>alguns exemplos desses esquemas<italic id="italic-8"> </italic>imagéticos sinestésicos básicos, descritos pelo autor. Um outro esquema, o de <italic id="italic-9">verticalidade,</italic> vai nos permitir, mais tarde, elaborar o sentido espacial da palavra "sob".</p>
          <p id="paragraph-589887519f5835867c1737ae8e1d3d5f">Além de sermos geneticamente dotados da capacidade de esquernatização, também podemos assumir diferentes pontos de vista e orientações em relação a uma cena espacial (ver Langacker, 2001,<xref id="xref-cf0d93a51889e9e3f1e27c74bbd7eb09" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-0b2b37f0685f9d83aeb38b06e84d7667">[12]</xref> sobre a aproximação entre visualização e conceptualização), podemos ser observadores externos ou internos à cena conceptualizada, podemos concentrar nossa atenção em uma faceta ou outra da cena, etc., Em conseqüência, os esquemas que formamos também variam substancialmente.</p>
          <p id="paragraph-f01dcc0c1fdfa2d3b5064d7ee20f66f0">Utilizarei um uma cena doméstica e bem imediata para explicar como isso se dá. Por exemplo, diante de mim, vejo uma pilha de livros: o volume <italic id="italic-aeaeeb4da4b28bdfd14bd0137cc8eef1">Processos de gramaticalização</italic> está sob <italic id="italic-3f549271dbf2807e44b659c599e391dc">The body in the mind.</italic> Como a pilha ainda está excepcionalmente organizada, de onde me encontro, identifico as duas obras apenas pelas suas lombadas, já que os volumes estão aproximadamente no meio da pilha. Imaginemos, agora, que eu me curvasse para apanhar o lápis que rolou para o chão e olhasse a mesma cena com a cabeça voltada para baixo. Desse novo ponto de vista, eu perceberia outro arranjo, com o livro de Poggio ficando sobre o de Johnson.<xref id="xref-96b4ec3715c9d4db2a1bee965b65d42d" ref-type="fn" rid="footnote-659c6087f92de663ae3db829ba3cfcf7">5</xref> A inversão da orientação vertical mudou a conceptualização da cena, exigindo, na expressão lingüística da relação, uma nova forma: "sobre". Por essa razão, a orientação espacial será considerada um critério na definição dos sentidos distintos, como se verá mais adiante.</p>
          <p id="paragraph-127156605c85fa992234812378d09d52">Voltando à pilha de livros, mantendo-me como observadora externa à cena, tenho acesso às duas entidades e à relação existente entre elas, no eixo vertical, sem grandes alterações, independentemente do local em que eu esteja na sala. Entretanto, não será possível identificá-los visualmente caso eu olhe a cena de cima para baixo, visto que, no topo da pilha, está <italic id="italic-75fa4c5fab5b850d6b6edd8ff91d677a">Cognitive Grammar,</italic> que é maior que os outros dois. A mudança se deu porque, como observadora, passei a incorporar a cena de algum modo, com o livro maior se interpondo entre mim e os que estão abaixo dele. Um novo efeito visual ocorreu: a <italic id="italic-20148c0a578300a793302424823c0755">ocultação</italic> dos dois primeiros livros mencionados, os quais estão sob o volume de Taylor, Como se verá na análise, mesmo não implicando um sentido convencionalizado para a preposição "sob" isoladamente, esse efeito motivará construções específicas em domínios não espaciais, por exemplo, "sob sigilo".</p>
          <p id="paragraph-ab0dad238ea9620807f8e0a02b7124e1">A emergência de novos usos de uma forma deve-se, também, à própria estrutura dos esquemas imagéticos básicos. Johnson demonstra como as configurações espaciais neles existentes geram conseqüências, as quais ele e George Lakoff denominaram <italic id="italic-472f8e2002d509510248f515ea5feeb0">vinculações ("entailments").</italic> Na verdade, são os resultados inerentes e naturalmente perceptíveis dessas experiências espaciais. Em <bold id="bold-1">um</bold> esquema de contêiner, por exemplo, a localização do objeto contido depende inerentemente da localização da entidade que o contém. Outra vinculação é o sentido de <italic id="italic-73097933e5b295d235da3000903eef84">suporte</italic> fornecido por <bold id="bold-2">um</bold> objeto localizado debaixo de outro. Vinculações dessa natureza geram novos sentidos, como fica demonstrado a seguir.</p>
          <p id="paragraph-f071d046fc1291f519c4a1d57be0f451">_</p>
          <p id="paragraph-1294c02ca314711ba164444de5d16223">(1) <italic id="italic-6925b73e9331ff476d050531d2ffbe12">Em treze itens, o chefão </italic>[;<italic id="italic-75594c68f2b830a2eaec77d2960603f5"> arcebispo} anotara:</italic>( ... ) 3 - O missal não é para<italic id="italic-40cc5dd1015d9fb3350d1b90db4dd6a2"> </italic><underline id="underline-3e407f9d7115bd4224b06726e99f1409">apoiar o copo.</underline></p>
          <p id="paragraph-3ecbcd1b20a0ac5b2e66302783a4eebd">(2) <italic id="italic-0af91dfdc0b079aa568fa162ae210f4b">Utilize nossa biblioteca para encontrar o artigo científico que você</italic> <italic id="italic-5a9179d6090b9be4616b563061fd2c7c">procura. <underline id="underline-5f3e37f799aacc21304c6b990c40d321">Contamos com seu apoio</underline> para ampliá-lá constantemente.</italic></p>
          <p id="paragraph-c98d6147895ac885df3c597db3b6388b">(3) ...<italic id="italic-5436d5bec8e97d9fbbf4b6611e9b4840">Penn used a moment to sip her coffee Gah! </italic><italic id="italic-afe0f01c0f5d10782ca132a809443cf5">She tbought, that stuff</italic> <italic id="italic-c31bcb1575d5c56079295b7b2e63ffce">would take the paint off a car. </italic><italic id="italic-6ef2bc7ff1b2b2211f18b27c553b1818">She quickly placed tbe <underline id="underline-6b46562853a12e2ea5125c5803e11c84">mug on the</underline> <underline id="underline-2">newspaper pile</underline> </italic>... (Penn tirou um instante para tomar<italic id="italic-61fe816666b536f2369e727c90222bf8"> </italic><bold id="bold-b79b577e407413f86691d56d0804dde3">um</bold><italic id="italic-6df89f0451d2370ffa5192b28f4aa10e"> </italic>gole do seu café.<italic id="italic-7"> </italic>"Eco!" - ela pensou. "Essa coisa removeria a tinta de <bold id="bold-8512e6d8387215daaf9ee0a13adad3cf">um</bold> carro." Ela rapidamente colocou a caneca sobre a pilha de jornais ... )</p>
          <p id="paragraph-2e0d0ad9e214ffdf092f2c2f16c51e6a">(4)<italic id="italic-3d83b4f356138bf8c7de4d9fa1ffb652"> Remember, elected officials are always aware of upcoming elections and want to <underline id="underline-e0d4454272fde763f903571c8e64b4cb">count on _your vote</underline>. </italic>(Lembre-se: funcionários públicos eleitos<italic id="italic-d0e711233c14b4a6ec4eab86c6403197"> </italic>estão sempre atentos a eleições a caminho e desejam contar com seu voto.)</p>
          <p id="paragraph-343e344867de1b6409d199060dd15337">_</p>
          <p id="paragraph-e2de7314d617d34dfbe5691ecf6b34c2">Observamos que um mesmo item lexical ou pelo menos um mesmo radical ocorreu em cada par (1) e (2); (3) e (4), sendo que os falantes utilizaram a estrutura de conceitos do domínio concreto para organizar sua experiência conceptual em domínios abstratos. Entre os elementos comuns mapeados, encontra-se a relação de <italic id="italic-e4a06800624bdc845a67a86a216d5ea0">suporte</italic> (no domínio físico, o missal (não) deve ser usado para garantir a posição vertical do copo; a pilha de jornais serviu de anteparo ou apoio para a caneca), uma vinculação oriunda de nosso conhecimento a respeito da Lei da Gravidade e das propriedades físicas das entidades envolvidas, conceito esse que relacionamos ao de <italic id="italic-52ff7986d1a3223a34a8fef9b7000c91">suporte abstrato</italic> (se depender de mim, o projeto da biblioteca será mantido, o político será eleito). Ele está presente em todos os exemplos, mesmo de idiomas diferentes, o que mostra, inclusive, um recorte semelhante na base conceptual das duas culturas. Na língua portuguesa, duas categorias lexicais distintas ("apoiar" e "apoio") estão envolvidas e, na língua inglesa, o processo deu origem a usos distintos de um só i tem dentro da categoria das preposições ("<italic id="italic-2b23900165e680d154169f3269cccc65">on").</italic></p>
          <p id="paragraph-d8c65827dde43f61e5b7d6d7d7f7acff">_</p>
        </sec>
        <sec id="heading-517635b9adb0ef7b5eb747b0c13428aa">
          <title>1.2. Metáforas Conceptuais</title>
          <p id="paragraph-04a368270328fe676d97949114e74011">Os usos não espaciais descritos acima dão mostra de uma de nossas capacidades cognitivas. Os sentidos expressos em (2) e (4) são <italic id="italic-ad69a3dcfd125a5205b39e9aa6db1880">extensões</italic> <italic id="italic-d046a05725e56e356031e8b2132b540c">metafóricas </italic>dos usos espaciais. Uma<italic id="italic-847a4d8615d9bdae78cf03943fa83031"> metáfora conceptual </italic>refere-se ao<italic id="italic-035faa80f116c20fdf258b6cdbdae284"> </italic>compreender e vivenciar uma coisa em termos de outra (Lakoff e Johnson 2003 [1980): 5,13)<xref id="xref-46b9bd95869d74fa779ac3426484ed55" ref-type="bibr" rid="book-ref-6a5a0ae5b546418a311fdb75a86ff0e0">[13]</xref>, o que ocorre pelo mapeamento parcial da estrutura de esquemas de um domínio mental para Outro de natureza diferente, da experiência física para a organização de noções abstratas (e nunca o inverso (Sweetser, 1990;<xref id="xref-61272ac77e031436f97385b32ed6dd03" ref-type="bibr" rid="book-ref-c1c22989503e6c69b0acec8d614fe9ae">[3]</xref> Grady, 1997)<xref id="xref-32f19e41da5db307bdb5b731f99b5be9" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-e8076caeaec0d689ec0cbbfe9c1d1a56">[14]</xref>. O domínio cognitivo que fornece a linguagem e os esquemas imagéticos é conhecido como domínio <italic id="italic-6ab85a2407fa083c392326892c890c77">fonte,</italic> e o que contém o tópico a que se faz referência é o domínio <italic id="italic-38d86a3af7d089044401abad54ff385f">alvo.</italic></p>
          <p id="paragraph-bc65e00dc65d9d9987a70e46cd0ab421">Esse processo nos permite compreender vários aspectos de nossa existência, tais como o tempo, comportamentos, estados psicológicos, etc., através de conceitos que originalmente dizem respeito a fenômenos físicos. <italic id="italic-67d73952f7d7e75bd54c8da50f1d56b4">Além</italic> disso, nesse quadro teórico, os processamentos metafóricos possuem <italic id="italic-b443eee9d027ee296ce9df8e019fb42a">status</italic> primordial, sendo considerados normais e recorrentes no nosso sistema cognitivo e não apenas um recurso de estilística. Porém,por ser a linguagem uma instância do sistema cognitivo geral, ela pode servir como reflexo do que ocorre na cognição humana como um todo.</p>
          <p id="paragraph-1b88d3c595e1fa36c8b2e58a8431caef">Grady (1997)<xref id="xref-e64ababa19b4ef3ab508d452028443fe" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-e8076caeaec0d689ec0cbbfe9c1d1a56">[14]</xref> foi um dos que aprofundaram o conceito de metáfora conceptual, visando a demonstrar a sistematicidade dos mapearnentos entre domínios. Segundo esse autor, mapeamentos metafóricos podem ocorrer devido ao fenômeno que denominou <italic id="italic-b5e4f5f16ef9d0fd7aaed02288b49292">co-relação de experiências.</italic> Com muita freqüência vivenciamos episódios básicos (marcados pela intencionalidade), delimitados no tempo, nos quais percebemos uma forte co-relação entre uma "circunstância física" e uma "resposta cognitiva" (gerada por uma capacidade inata). Essas.co-ocorrências acabam por gerar uma associação natural entre as duas dimensões, a ponto de associarmos o esquema do domínio físico a outra situação vivenciada em outro domínio, a qual gere uma resposta cognitiva semelhante. Por exemplo, em nossa cultura, passamos a conceptualizar "dificuldade" empregando esquemas de "peso" quando associamos a sensação de desconforto e tensão tanto ao ato de levantar um peso como ao de superar uma dificuldade. Em nossa língua, então, referimo-nos a uma "tarefa pesada" ou a "ser um peso para alguém". Essas já são metáforas convencionalizadas, que todos entendemos sem conscientemente evocarmos qualquer experiência física.</p>
          <p id="paragraph-6c8ced4a492a977c17ced9309b58d9df">Sweetser (1990)<xref id="xref-2e9512361e0e038091a9500fc2b3a908" ref-type="bibr" rid="book-ref-c1c22989503e6c69b0acec8d614fe9ae">[3]</xref> investigou um caso dessa natureza, particularmente relevante para este estudo. Ela descreveu como o conceito de "ver" se associa ao de "saber / conhecer" em diversas culturas, em vários momentos históricos. Como os olhos são "a" porta, por excelência, para a entrada de informações sobre o mundo a nossa volta, acabamos por associar a noção de "conhecer" a esquemas de percepção visual, mesmo quando esta não está envolvida. Evidências lingüísticas, também em nossa cultura, são abundantes: "estou vendo bem onde você quer chegar com essa discussão", "ele ainda não enxergou a solução", etc. Esse fenômeno, em particular, será retomado mais tarde, em associação a construções como "sob análise".</p>
          <p id="paragraph-3de23ec0aafc9c2f31bc863a3e065198">Entre os tipos de metáforas descritos por Lakoff e Johnson (2003 [1980]:25)<xref id="xref-1ae6b93d620cc2cc6050c449a2777429" ref-type="bibr" rid="book-ref-6a5a0ae5b546418a311fdb75a86ff0e0">[13]</xref>, as metáforas ontológicas são aquelas que derivam de nossa experiência com objetos e substâncias. Temos uma tendência natural a "conceptualizar eventos, atividades, emoções e idéias como entidades ou substâncias. É o modo como podemos quantificá-los, dividi-los em partes, enfim, proceder, com eles, uma série de operações cognitivas que realizamos com objetos e substâncias. Assim conceptualizados, é possível <italic id="italic-77b16ef1785f54d5d3930420e01fdef0">percebermos</italic> algum tipo de <italic id="italic-213f947b1814f1023eb98ed07c78def8">semelhança</italic> física ou abstrata entre os esquemas dos dois domínios. Esse processo, denominado <italic id="italic-769ee4fc7324c59d4d44db418adb5653">semelhança perceptual”</italic> (Tyler e Evans, 2003:32-3)<xref id="xref-c87764651a676ad1be3111f32462a0bf" ref-type="bibr" rid="book-ref-b8344d675749be405bc7529125f6ac2a">[7]</xref>, tem sido investigado como motivador para metáforas conceptuais. Abaixo, há, temos exemplos nos quais algumas atividades foram conceptualizadas como entidades e, a partir daí, houve uma associação de conceitos em função de semelhanças percebidas.</p>
          <p id="paragraph-749737c67166831162ce590fc8eeb796">Uma das experiências mais básicas e primitivas que 'temos com o nosso ambiente é o cair da chuva. Esse fenômeno meteorológico é uma experiência muito elementar que temos com os efeitos da Gravidade e com a verticalidade. Mas há outro componente importante a ser destacado, qual seja, o fato de a palavra "chuva" evocar, muito comurnente, uma entidade física constituída por incontáveis partículas minúsculas, o que acaba por permitir seu emprego em contextos espaciais distintos e mesmo em contextos abstratos, evocando o conceito de "entidade múltipla".</p>
          <p id="paragraph-aeafc0bb0f85f36ee2319dd8198efde8">_</p>
          <p id="paragraph-19f1ed9559c707a2602fa019a50b54fe">
            <italic id="italic-1287af2ead83db0844731ca95a7ac034">(5) </italic>
            <italic id="italic-a3d111ecc612ea37014f7a11a439cbfb">Ensaio técnico sob chuva contagiou foliões.</italic>
          </p>
          <p id="paragraph-2f1725377bf33936d71ec810f305e89b">
            <italic id="italic-49d108204014e14bdf2e6c6a39c74fe6">(6) </italic>
            <italic id="italic-df31315efbf7fb3372242a16aa340f0c">Vivemos sob uma chuva ininterrupta de imagens.</italic>
          </p>
          <p id="paragraph-2df4bd08344512e4a78e70ecc45b74d5">_</p>
          <p id="paragraph-7a0eb239d68d203f13acc29e6db30d3f">Da mesma forma, outras entidades não físicas que são naturalmente conceptualizadas como múltiplas - em especial, ações iterativas - prestam-se para uso com "sob", ao evocarem a ação dessas entidades sobre outra(s). Entendo que os dois elementos - multiplicidade (semelhança perceptual) e uma certa impotência daquele atingido pelo fenômeno (correlação de experiências) - dão coerência aos mapeamentos chuva &gt; aplausos e chuva &gt; valas.</p>
          <p id="paragraph-9e9e191f2cea1abe0294579b84b218d1">_</p>
          <p id="paragraph-15f8f0091c4b3a3fe440292e5f5ed731">
            <italic id="italic-176308d6e0e2c36ca6c5ff301f46c967">(7) </italic>
            <italic id="italic-2d64bb65eb5e97e1d53d5df0ba5d8551">Tim Lopes é sepultado sob aplausos.</italic>
          </p>
          <p id="paragraph-bc6f511e9c0b002cf862d77d0068321e">
            <italic id="italic-0a8d32ab5b517936769299988221e4e5">(8) </italic>
            <italic id="italic-4c89658e1e9801c98f488def2607e583">Brasil deixa Alemanha sob vaias.</italic>
          </p>
          <p id="paragraph-5588ee8fbeb8061ae74f20ab35ad89e3">
            <italic id="italic-b0a52b898c5265955b6776bfdef68b70">(9) </italic>
            <italic id="italic-f76db5fb935f46f236fa6b82e61df169">Choveram aplausos para Alexandre e Diana.<italic id="italic-9a2bd2cb350fdb7b63bfc5fd3c3cae67"/></italic>
          </p>
          <p id="paragraph-234bb64fcf60524e6a40dbb13656d9c2">_</p>
          <p id="paragraph-c54d8f304ddeac53033fe78e6464801f">A compreensão de como esses esquemas se constituem permite-nos compreender de que maneira ocorrem as projeções metafóricas que dão origem a novos sentidos. Intuitivamente, percebemos semelhanças ou padrões regulares de alguma ordem entre situações distintas porque, mesmo tendo níveis de abstração distintos, muitas dessas situações possuem <italic id="italic-c9a991507e50243dace258295e0004a2">uma Gestalt,</italic> ou estrutura, comum (Johnson, 1987;<xref id="xref-4dc5e516446b3546308753c0744bd18d" ref-type="bibr" rid="book-ref-e9ca6ddb1e59d0ac7465f2bb2f0fc9b6">[8]</xref> Lakoff, 1987;<xref id="xref-fbb8138d81ef5a9edbead2a481c2c2b0" ref-type="bibr" rid="book-ref-a3b6af78452d5fa48f10793a66d9f7c4">[5]</xref> Lakoff e Johnson, 2003[1980])<xref id="xref-409b43ec2091f5ee7488aad3504f0881" ref-type="bibr" rid="book-ref-6a5a0ae5b546418a311fdb75a86ff0e0">[13]</xref>. É o que se pretende demonstrar na análise de amostras de uso corrente da preposição do PB, coletadas na Internet, através da ferramenta de busca Kwic Google ®. Tal proposta vai ao encontro do modelo de descrição lingüística "baseada no uso", de Langacker (1987 e outros)<xref id="xref-db66f88c189e2b1b5a12d25a36bf9649" ref-type="bibr" rid="book-ref-47a3beb94a95abad162341bd925e1a2d">[2]</xref>.</p>
          <p id="paragraph-52efb90ab9b9445603752b7969d32219">_</p>
        </sec>
      </sec>
      <sec id="heading-a4fc611ece2aeb768d8d53ddad24ed1d">
        <title>2. Sentido das preposições</title>
        <p id="paragraph-45f07379414c9353e656f092151e2505">No português e nas línguas' românicas em geral, as preposições substituíram a morfologia de caso e assumiram sua função relacional (Câmara Jr., 1976;<xref id="xref-dbb235a172d54bb012ff24ef8fb51750" ref-type="bibr" rid="book-ref-397b907f5f8040f47cf0c168f533576c">[15]</xref> Pottier, 1962)<xref id="xref-2f2c4de3a9087655048c7af27cf27adf" ref-type="bibr" rid="book-ref-7190c5d048894e78d8e9cf93a6d1baf0">[16]</xref>. Sob a ótica cognitiva, isso implica que, como em toda unidade semântica, esquemas de preposições são constituídos por facetas, entre as quais uma ou mais são dotadas de maior saliência que as outras; neste caso, o papel relacional entre duas entidades, um <italic id="italic-3d5e48f454049574988a9b0e00bf63d5">vetor-</italic> VR (em inglês, <italic id="italic-459fd721e2ee9187d4666e688f8b3ad4">trajector</italic>) e um <italic id="italic-4fe9a9490806956ac92a40cfe645a1a9">marco-</italic> MR (<italic id="italic-a2832ef3303058ee1b5ae6044e9aba1e">landmark</italic>) (Taylor, 2002: 192- 5)<xref id="xref-369562b4b66197084cce669b1f09a024" ref-type="bibr" rid="book-ref-967428aa4da72395cb5caefca092711d">[17]</xref>. Esses construtos, originalmente apresentados por Langacker (1987 e outros)<xref id="xref-913501e10b86c0d556ffe1cf5611c190" ref-type="bibr" rid="book-ref-47a3beb94a95abad162341bd925e1a2d">[2]</xref>, são baseados nas noções de figura e fundo <italic id="italic-4add77ef552b9e0239c41273c4caa9e8">da</italic> <italic id="italic-44265a463ab7c53727b3bd41385dd751">Gestalt. </italic>O MR (fundo) é uma entidade que se destaca na estrutura<italic id="italic-42f07dbfb3aa614381ad0b6564c3a501"> </italic>relacional, mas não tanto quanto a outra, freqüentemente menor e de maior saliência, o VR (figura), à qual serve de contraponto. Adaptando um exemplo de Taylor (2002:205-6;<xref id="xref-f297fe34c6b17ce6ea26501ea9169e8d" ref-type="bibr" rid="book-ref-967428aa4da72395cb5caefca092711d">[17]</xref> Langacker, 1987)<xref id="xref-b240de6f48796934553f0e5b9dbdb09e" ref-type="bibr" rid="book-ref-47a3beb94a95abad162341bd925e1a2d">[2]</xref>, dizemos que, na construção "o quadro está acima do sofá", existe uma relação no domínio do espaço vertical, em que "quadro" se constitui no foco da atenção e "sofá" tem proeminência secundária. Se optarmos por destacar o sofá, corno em "o sofá está sob o quadro", inverteremos a concepção da mesma cena, relativamente à mesma orientação vertical. Claramente, também, a inversão da orientação vertical produziria uma inversão da conceptualização, como discutido na seção 1.1. </p>
        <p id="paragraph-138d855a981b70830056a30fe1b74594">Nem sempre o sentido exato da relação pode ser evocado apenas pela preposição. Isso é particularmente verdadeiro com relação às preposições denominadas "fracas" (Lima, 1984:26)<xref id="xref-2914732d7274c93ddffd3aeaf614e16f" ref-type="bibr" rid="book-ref-bb6c60a7b7e059d26fb9af2adf5887a7">[18]</xref>. Nesses casos, a natureza do MR e a do VR especificam o significado que emerge em cada uso particular. Cada significado de "em" nos exemplos abaixo é baseado nas diferentes propriedades inerentes a <italic id="italic-eae8610b705e19ad14eaf1e34bf46374">olhar</italic> e <italic id="italic-f1ffaf37d1f5806c8c16fda6b5475466">mão</italic> (Oliveira, 2005)<xref id="xref-89d5e6dbc78ae7fca65b04127a41ca68" ref-type="bibr" rid="book-ref-62f183912d1587f847f187862877ecb7">[19]</xref>.</p>
        <p id="paragraph-fdc0aff0b658c65589104471067440cd">_</p>
        <p id="paragraph-ebcfd68cac1d529e360ed66439360caf"><italic id="italic-4b962f9a6d88a9df72533abe947d826c">(10) </italic><italic id="italic-16dcf2b0574f8aee4744b318838700d6">Tinha o olhar no copo. </italic>(na direção do copo)<italic id="italic-208a7dfc13914be70d7ed1e7c4b0e869"/></p>
        <p id="paragraph-fdbfb5eeec52b0d4db6f72c34b6ec4fe"><italic id="italic-5003859c543c8781bd8bdab0904ebe52">(11) </italic><italic id="italic-e6af2e1668e91ff2a4de095db74933ee">Tinha a mão no.copo. </italic>(em contato com o copo)<italic id="italic-c62f4a903461069345fca514d5b86250"/></p>
        <p id="paragraph-f6457d823f6357c431dc10b83db141b0">_</p>
        <p id="paragraph-0b4d9f4f92205863f9e7d6256c58306f">Por essa razão, ao analisarmos o valor semântico de um item lexical, é necessário distinguir entre sentidos convencionalizados (entrincheirados na memória da maioria dos membros de uma comunidade lingüística) e aqueles significados construídos na situação de uso, com a participação do contexto. A preposição "sob" é uma das que permitem uma definição mais clara dos sentidos convencionalizados que expressa, embora esses pareçam ser poucos.</p>
        <p id="paragraph-59a62353c9d3f80dfc2ff06070e9aa35">Como exposto nas seções anteriores, por semelhança perceptual, por co-relação de experiências ou por força de vinculações, um uso espacial sanciona outros sentidos (Langacker, 1987)<xref id="xref-52fbd46ec78778a6305054527a2ef059" ref-type="bibr" rid="book-ref-47a3beb94a95abad162341bd925e1a2d">[2]</xref>. A esse respeito, embora não existam garantias de que o primeiro uso registrado na escrita represente o primeiro uso efetivo na língua, a lingüística histórica pode fornecer indicações importantes de sentidos espaciais dos quais possam ter emergido outros integrantes da rede semântica.</p>
        <p id="paragraph-1317fc8be74b25c7888ea56ad0365798">Poggio (2002:222-5)<xref id="xref-fe5e41fd3d6b611d15b62d6a6da5185d" ref-type="bibr" rid="book-ref-020a21f51a8fb7dd71eb1328bd68e634">[4]</xref> resume as origens históricas da preposição "sob", cujo antecedente latino era "sub", que, mais tarde, tornou-se "su", "so" e "sê" no português arcaico (Cunha, 1997 <italic id="italic-9608c49be972d9555493aaee4a987c8e">apud</italic> Poggio, 2002)<xref id="xref-aaad4fc7e1d52faf573df40975dc0cae" ref-type="bibr" rid="book-ref-020a21f51a8fb7dd71eb1328bd68e634">[4]</xref>. Ela apresenta a versão de dois outros autores para as raízes mais antigas do termo: de acordo com W. Lindsay (1937: 151),<xref id="xref-677f8f9e2eaab777790a7d54686fe9c3" ref-type="fn" rid="footnote-3e37f60a0264d2e70a6adba4fe784a1b">6</xref> "sub" evoluiu do indo-europeu "upo", com um prefixo <italic id="italic-a1e6056757410f5ddaa53314563cb250">s-.</italic> Já E. Faria (1958:264) <xref id="xref-ee6bf263d1e187655cbac6b7bf5d8975" ref-type="fn" rid="footnote-2e0999fefcad8d4f45118d5c6f2c75e9">7</xref> propõe a junção de duas preposições originais do indo-europeu, "eks-upo". A descrição do significado, todavia, começa já com a forma latina. Na acepção especial, tem-se “debaixo de, com idéia de movimento'", “para baixo de, com idéia de movimento,<xref id="xref-844551c64f6571839fdb973acbdaa40f" ref-type="fn" rid="footnote-f3a80918075d18ccb9b574e7b0ac1d3b">8</xref> "ao pé de" (com e sem movimento), "ao fundo de". Em geral, a forma era empregada com o sentido "embaixo de", e, já no latim, foram .registrados usos não espaciais que vemos no PB moderno.</p>
        <p id="paragraph-57133f426d885ec77fe77aa9420eeaff">Pottier (1962:284)<xref id="xref-3b8796de181fc1848c8ef2a8f3defb86" ref-type="bibr" rid="book-ref-7190c5d048894e78d8e9cf93a6d1baf0">[16]</xref> apresenta uma descrição semântica mais elaborada dos sentidos de "sub" no latim, em três domínios ou "campos". No domínio espacial <italic id="italic-839ea0347353c040fd1460d42336da06">("sub</italic> terra habitare" = habitar no subterrâneo), os sentidos são "debaixo de" e "abaixo de". Na acepção temporal, há duas possibilidades: "imediatamente posterior" <italic id="italic-bf213fb218f404fc879a8fc4ccfb0d15">("sub</italic> adventum" = logo após a chegada) e de "duração" <italic id="italic-87e42a64b1a3080dbe0441296de33ab0">("sub</italic> noctem" = durante a noite). Finalmente, ele descreve usos no domínio nocional ("subamarus" = quase amargo), que evocam o sentido de "que não atinge o limite". Esse breve apanhado histórico tem o intuito de demonstrar que além do papel relevante no português atual, o uso espacial convivia com outros sentidos em fases diversas da evolução lingüística.</p>
        <p id="paragraph-bcf972782b5f4f88aea76803f7c4fa23">_</p>
      </sec>
      <sec id="heading-d7607d896e0c5613f2757309d79dd275">
        <title>3. Metodologia</title>
        <p id="paragraph-e0ae71a8c606edcc8a79c75d3e4a3aaa">Em consonância com meu objetivo central neste artigo, de descrever como os usos da preposição, em sentidos convencionalizados ou não, relacionam-se por meio de processos metafóricos sistematicamente motivados, inicio descrevendo como foi definido o <italic id="italic-9bb16f9e9b6c920a2dbdd86c0a860219">sentido sancionador.</italic> Como em outros trabalhos (Tyler e Evans, 2003, por exemplo)<xref id="xref-f5b5541d03b74bb0476932f08d0069a6" ref-type="bibr" rid="book-ref-b8344d675749be405bc7529125f6ac2a">[7]</xref>, trata-se de um esquema imagético, derivado da experiência sensório-motora, que pode ser encontrado em usos <italic id="italic-a685338bc7362b3a61a25c35a74c13a1">modernos</italic> do PB. Não se trata de perseguir o caminho diacrônico até os usos atuais. O que proponho é apresentar, por meio da análise de uso dessa partícula no português moderno do Brasil, relações possíveis entre conceitos de domínios cognitivos distintos, que se estruturam, pelo menos parcialmente, de maneira semelhante.</p>
        <p id="paragraph-586348565415572fe9e11a5deaad021c">_</p>
        <sec id="heading-cf8020da0e0e1d51ffcd656ab0c43b5d">
          <title>3.1. Delimitando o sentido sancionador</title>
          <p id="paragraph-b47f88f9d866f750b5a9cf24cacc8190">Os critérios apresentados abaixo são parcialmente baseados no Modelo de Polissemia Sistemática, de Tyler e Evans (2003)<xref id="xref-a09b873b1da622cee91039334669df7f" ref-type="bibr" rid="book-ref-b8344d675749be405bc7529125f6ac2a">[7]</xref>.</p>
          <list list-type="bullet" id="list-cf08d62eb97c4779ea2041f2b9372a39">
            <list-item>
              <p>O sentido sancionador é, necessariamente, espacial, posto que conceitos desse domínio estruturam outros tão básicos como o próprio "tempo", em vários idiomas, inclusive no português (Pontes, 1992:69)<xref id="xref-c5a384e5dc38ff2933dc44a085b852e7" ref-type="bibr" rid="book-ref-c2ff26dac5426ffe3b757ba83723f52a">[20]</xref>. E isso é válido para a linguagem humana como um todo (Lakoff e Johnson, 1999, p. 139)<xref id="xref-2bcea5284df75da7816ee9be94d56ea3" ref-type="bibr" rid="book-ref-7866e5d1ad57a99c1fa2d434dbf11057">[9]</xref>.</p>
            </list-item>
            <list-item>
              <p>Por se referir a experiências básicas do domínio espacial, que marcam nossa existência filogenética, um sentido sancionador deve, muito provavelmente, ser o de uso confirmado mais antigo. Em outras palavras, os esquemas espaciais básicos advêm da simples experiência de estar no mundo e, portanto, é totalmente razoável que sentidos espaciais modernos sejam remanescentes desses mesmos esquemas.</p>
            </list-item>
            <list-item>
              <p>Os sentidos sancionadores normalmente aparecem em estruturas compostas (Tyler e Evans 2003)<xref id="xref-2f358383f58c719893b8accf2e25bd4b" ref-type="bibr" rid="book-ref-b8344d675749be405bc7529125f6ac2a">[7]</xref>. No PB, nós encontramos a forma "sub", no sentido espacial de "em posição inferior a", formando substantivos ("subsolo", "sub-base"), adjetivos ("submarino", "sublingual") e verbos ("sublinhar", "submergir"). Curiosamente, uma consulta informal ao <italic id="italic-4da81baee034a3faed2d5cb4cfb36d97">Dicionário Houaiss da Língua portuguesa (2004)</italic><xref id="xref-227bce60aad66846c69a2b5f4e478ae8" ref-type="bibr" rid="book-ref-7f0fe76f9ece5a845f44d42e94b4e0a2">[21]</xref> revelou um número muito maior de compostos com "sub" no sentido nacional a que Pottier (1962)<xref id="xref-8809d778532566c3bdee29b5c13ea8e5" ref-type="bibr" rid="book-ref-7190c5d048894e78d8e9cf93a6d1baf0">[16]</xref> se refere ("subliteratura”, "submeter", “subdesenvolvido")</p>
            </list-item>
            <list-item>
              <p>Parece haver alguns subgrupos de preposições na categoria mais ampla de preposições espaciais que permitem algum tipo de contraste em uma ou outra dimensão - por exemplo, no eixo vertical. Esse é mais um critério para o sentido sancionador e se aplica a "sob" e "sobre". Portanto, o sentido de "em posição inferior a" é um forte candidato a sentido sancionador.</p>
            </list-item>
            <list-item>
              <p>De acordo com a própria definição de um sentido sancionador, é necessário que ele dê origem, direta ou indiretamente, a todos os demais sentidos da rede, sem exceção. Assim, para qualquer sentido derivado diretamente de um sentido sancionador, será necessário encontrar usos em que se observe algum tipo de motivação sistemática para a origem do sentido ou uso que constitua o próximo nódulo da rede. Esse critério será verificado na análise.</p>
            </list-item>
          </list>
        </sec>
        <sec id="heading-de654d07710a48f59881072114365e2a">
          <title>3.2. Sentido convencionalizado e sentido sancionado r</title>
          <p id="paragraph-a30cf7a745f34ee79e8b68652bbaa4bf">Sendo o sentido sancionador obrigatoriamente convencionalizado, inicio por assumir que os <italic id="italic-e840db7f7cb091c82cdb6738b31c3a65">sentidos convencionalizados</italic> se equiparam a esquemas com uma configuração que não possa ser deduzida a partir de outros termos presentes na construção. É o que se observa nos dois exemplos abaixo, em que o sentido da "localização inferior do VR em relação ao MR" deriva da preposição e de nenhum outro componente da frase.</p>
          <p id="paragraph-81d0ffca330a406af1a581e11138e4e0">_</p>
          <p id="paragraph-18a829183ce83af244ae7f23fae6f37f">(12) <italic id="italic-83eff2391ad96ecf60f97b097032dfb3">Quem sofre com o frio do inverno e não consegue adormecer, pode </italic><italic id="italic-25fa020ed316b8a4fee5a37523c18e03">colocar uma bolsa para água quente sob os pés quando for para a cama .</italic>...</p>
          <p id="paragraph-9d7b2172e1ac06a729ad180446890c82">(13) <italic id="italic-abaf2937f43b5c63365d6ac43e9a7013">Não utilizar bolsas de água quente sobre os pés.</italic></p>
          <p id="paragraph-33c669667a34f932e5a657eaaf24a5dd">_</p>
          <p id="heading-d402e1cbd7d929208963a747210c2bdb">De início, podemos detectar um componente de orientação vertical nas configurações espaciais evocadas, o que nos permite encontrar, facilmente, um sentido oposto. A orientação vertical é, sem dúvida, um esquema sinestésico básico, uma estrutura abstrata que, segundo Johnson (1987: xiv)<xref id="xref-f70b03452b63d786c091a330381ecfe4" ref-type="bibr" rid="book-ref-e9ca6ddb1e59d0ac7465f2bb2f0fc9b6">[8]</xref>, emerge de inúmeras repetições de experiências, como a sensação de estar de pé, ou de observar o movimento de um objeto em queda livre, por exemplo. Esses são "conceitos diretamente emergentes" (Lakoff e Johnson, 2003 [1980] :81)<xref id="xref-b1238895aed8232061ad4ac909babd8c" ref-type="bibr" rid="book-ref-6a5a0ae5b546418a311fdb75a86ff0e0">[13]</xref>. Nos exemplos (12) e (13) acima, as relações entre as entidades são simétricas quando as cenas são "visualizadas" a partir de um só ponto de vista.<xref id="xref-c85ae3451b8e7d66c51d9f906453c95f" ref-type="fn" rid="footnote-8973263f8ab15d75547c38f59fc98315">9</xref></p>
          <p id="paragraph-664a3a0fa010a48e231adfa6b9eb1e2d">Uma configuração espacial semelhante à encontrada em (12) pode ser reconhecida nos exemplos (14) a (16) abaixo, com o MR sendo uma entidade do domínio físico, espacialmente situado acima do VR, havendo, ou não, contato entre esses. Esses usos permitem inferências que serão discutidas na análise.</p>
          <p id="paragraph-8b3fed461188597baf6abc49cc41a97e">_</p>
          <p id="paragraph-8dd80f416e679a84b2e66ebf96da3938">(14) <italic id="italic-804d70526a30b183beadd81b60e272fb">Autoridades australianas descobriram <bold id="bold-d35b912cf880b8346d1f98e94311c1ef">sob a saia de uma mulher</bold> 51 peixes tropicais vivos.</italic></p>
          <p id="paragraph-65d46f6345b920cfa8eb4d2980552fa5">(15) <italic id="italic-1db18edbb7a632b9d2009ccaa772b72e"><bold id="bold-f3398e7c4c75917266c392eaeb9080d4">Sob os pés</bold> a terra mole cede, cobrindo os joelhos do menino e os tornozelos do pai.</italic></p>
          <p id="paragraph-645a9fd08fb3153e6661b75b4c9f39ec">
            <italic id="italic-b35701a28abb4daf25d04f249207e98f">(16) Fechei os olhos, e a verdura respirava, viva <bold id="bold-c7cbc07ef7782c5c2867820175a4636a">sob a minha mão</bold> - oferecendo-se ao meu toque na quietude daquele abrigo -, simples, útil e plena em sua nobre e efêmera finalidade de alimentar a minha espécie.</italic>
          </p>
          <p id="paragraph-76732e25ed50622caccbf122b30a1cbe">Sugiro, então, a seguinte representação gráfica para o esquema ou sentido sancionador:</p>
          <fig id="figure-panel-f4c2765862c42512169c18930957f186">
            <label>Figure 1</label>
            <caption>
              <p id="paragraph-4ae02166f3987f135b5225077b119618">Fig. 1: Esquema imagético para a preposição "sob" no sentido de "em posição inferior a". A seta à esquerda indica a orientação vertical contrária à força da gravidade. MR e VR podem, ou não, estar em contato direto.</p>
            </caption>
            <graphic id="graphic-3c9c08eb4a91e637852b183a7b02567c" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-01-17_18-08-38.png" />
          </fig>
          <p id="paragraph-6713067035e35801d4181282bd56610d">_</p>
          <p id="paragraph-f4924a73f381d5e93c5e9195be6cd965">4. <bold id="bold-67b7f16832d4b94bdac2f10d41faf297">Análise e discussão</bold></p>
          <p id="paragraph-5d64ccf3b734aeebc0c74d754bd67e7c">A partir de agora, tem início uma análise mais detalhada dos exemplos encontrados na Internet, com a ferramenta Kwic Google, os quais serão categorizados em grupamentos, em função dos elementos que os unem, direta ou indiretamente, ao esquema espacial central descrito na figura 1.</p>
          <p id="paragraph-fdbe96980a117c2ce0a63566e7812ba6">Na tentativa de tornar a análise mais didática, como se observará, para cada grupamento de sentidos,<xref id="xref-b5a81853a8b671596bb82940bc60a79f" ref-type="fn" rid="footnote-5cfe05cbf81f5e93ee29ca1f310abd12">10</xref> será dado um exemplo de uso espacial no qual podemos inferir um efeito envolvendo algum aspecto da conceptualização descrito até aqui.</p>
          <p id="paragraph-7a84ee58a8be64b2bc98df597418a15d">A seguir, apresento construções contendo termos que definem o próprio grupamento ("sob controle", "sob a forma de", etc.).</p>
          <p id="paragraph-9805ead3b35b257d9b58a4dc2ca38488">E, finalmente, quando encontrados, são introduzidos exemplos nos quais seja possível evocar o sentido indiretamente. Aí se incluem os casos em que o MR do domínio abstrato se estrutura como uma entidade do domínio físico (metáfora estrutural), por exemplo, "o aborto sob o socialismo". Aspectos relevantes do conceito "socialismo" - <italic id="italic-bb71edb8c6ec9c7ceef726433df87b7c">controle, </italic>em alguns casos,<italic id="italic-da6373b9c290d13ed538bc4b75220941"> repressão, formação </italic>de idéias - são percebidos<italic id="italic-ddffe2968078d512ad3edfcee8b5228a"> </italic>como semelhantes ao de uma entidade física, e, por isso, os mapeamentos ocorrem entre os domínios.</p>
          <p id="paragraph-2cb8b95d8827f67423deb65a1fc0eab2">É importante destacar, mais uma vez, que, por força da definição de <italic id="italic-8391d1c03a96c6891233fa23a6b428ae">sentido convencionalizado </italic>apresentada na seção anterior, que determina a não<italic id="italic-73d59583006e3b18e2ad33a3ee21e458"> </italic>dependência do co-texto, grande parte da análise apresentada a seguir contém combinações normalmente encontradas no PB, que refletem um <italic id="italic-ed1054630deca2b970ab3796fe709180">significado distribuído. </italic>Assim, a análise diz respeito às possíveis razões que<italic id="italic-e7d63b94345e44a2c649e7f4bac51c04"> </italic>nos fazem conceptualizar as entidades envolvidas com mapearnentos originados no domínio físico. Outrossim, são descritos sentidos convencionalizados distintos, sejam eles pertencentes ao domínio espacial - mas sem a mesma orientação vertical -, sejam empregos metafóricos que independem do contexto. Esses últimos, todavia, parecem ser escassos.</p>
          <p id="paragraph-12f2e42e9713d19cb0a6ed7ab4aea9c9">_</p>
        </sec>
        <sec id="heading-77378efa03ad5660c3c478b64567058e">
          <title>GRUPAMENTOS DE SENTIDOS</title>
          <p id="paragraph-5d2ee9ac206bab9c99fc4cb263b160a7">_</p>
        </sec>
        <sec id="heading-8143a5e3e0638832a15ed0db88750cca">
          <title>4.1. Ameaça potencial</title>
          <p id="paragraph-6046a48fb08a06d4ccad0ef8f9859364">USO ESPACIAL: Na cena abaixo, a situação de risco decorre da natureza do MR (a laje quebrada ao meio). Obviamente, o perigo é previsível, nesta e em outras situações semelhantes, a partir da experiência – direta ou relatada - que temos sobre o assunto. </p>
          <p id="paragraph-32ea2b3502bdb9bb9a8183dd912dc49d">
            <italic id="italic-dd744d34520f3ca679c88ade4a659a36">(17) Além do risco às pessoas que trabalhavam <bold id="bold-ca937e0663008c5b897da8fedda9bd36">sob a laje quebrada</bold> ao meio, os cinco peritos queriam evitar mais danificações às hastes e ao resto do pilar.</italic>
          </p>
          <p id="paragraph-37b02b84e36b527dc7e9bc4cc7064330">EFEITO EXPLÍCITO: Projetando o potencial percebido de dano do domínio físico para outros domínios, encontramos expressões comuns na língua portuguesa com a preposição "sob" e palavras como "risco", "ameaça". Essa projeção será considerada como conseqüência de <italic id="italic-cb6e0d45a4663b6e133ee7431e8e3411">co-relação de experiências </italic>(Grady, 1997)<xref id="xref-e784ac649c3d45ee2bd4a5719a708fd8" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-e8076caeaec0d689ec0cbbfe9c1d1a56">[14]</xref>, uma vez que a sensação de ameaça é<italic id="italic-d71ec06cde8c186232ce4a5a5e1bfcbb"> </italic>uma resposta cognitiva bastante comum, mas não necessária à experiência de uma cena espacial com a configuração "VR sob MR".</p>
          <p id="paragraph-46a2680c20b0e2ffb8156007b9549e62">_</p>
          <p id="paragraph-a8e8f732b8a6930efcbef4656452ed1b">(18) <italic id="italic-c50a6ad60cc62d91bb4c9fec0f188232">Pesquisa da ONU revela que jovens estão <bold id="bold-7641bdd59a6eafb35f89d453f7638ea1">sob alto risco</bold>.</italic></p>
          <p id="paragraph-f8fb1ec4d9d217c16c9a62d45ca32c46">(19) <italic id="italic-948a981d35a64c8f02d0c242373956f0">CNN completa 20 anos <bold id="bold-0c0731c0cedb8bf1da5a9220a01c2012">sob ameaça da Internet.</bold></italic></p>
          <p id="paragraph-96a47ae49eac0509b03789ebfcba5b8f">(20) <italic id="italic-3c0828a15d16c272833cccf2c14527f1">Proibida a comercialização de lote de medicamento <bold id="bold-dba63eb85b60425f2f5dc1c76e0f14e5">sob suspeita</bold>.</italic></p>
          <p id="paragraph-fb14eaf2b500c519b56d76e95e05e883">_</p>
          <p id="paragraph-22d1d15774466868f96c476b421f049f">Nesses e em muitos dos demais mapeamentos metafóricos derivados por entrincheiramento de vinculações ou de co-relação de experiências, o efeito aparece explícito, ele próprio caracterizado como MR. Esse dado corrobora a idéia de que os efeitos derivam das cenas espaciais como um todo, e não estão convencionalizados exclusivamente na preposição.</p>
          <p id="paragraph-18c8bd5574b9237278cc3ab007c1ab0c">_</p>
        </sec>
        <sec id="heading-fd4e434d4478b7e9a59ab58d96db9c52">
          <title>4.2. Cobertura</title>
          <p id="heading-5f28ab688f33a184d26f371c99010ad5">_</p>
          <p id="paragraph-a5d71e6da5796bc0c934e0a203c5b485">4.2.1. USO ESPACIAL 1: Assumindo um "VR em posição inferior ao MR", são recorrentes as situações em que o MR é mais extenso e cobre o VR, total ou quase totalmente, como no exemplo (21).</p>
          <p id="paragraph-817981f3ac2e31468eaed23834bd3f66">_</p>
          <p id="paragraph-772b74d8701e256f4fe0b659a8c78b50">(21)<italic id="italic-4c790885e9ac19547158638f73ad8e72"> O cabeamento passa <bold id="bold-4930ba78fada4e84e4a8dbcd05e7860b">sob o solo.</bold></italic></p>
          <p id="paragraph-e2b25249a37d1a224f50e04f51aab74f">_</p>
          <p id="paragraph-49374ba63f93e18eb7e0580f17aa2df0">Algumas perspectivações alternativas podem ter implicações contextuais distintas. Uma seria, por acaso, o conceptualizador vir a integrar a cena, e o MR se situar entre ele e o VR, por exemplo, visualizando a cena (21) de cima para baixo. Nesse caso, inferida do contexto, teríamos a idéia de que o conceptualizador não tem acesso visual ao VR, em função da opacidade do MR.</p>
          <p id="paragraph-db08a7f19e65694a3d7907fedb2bcdf8">SENTIDO CONVENCIONALIZADO: Com a recorrência de tais situações, o sentido "coberto por" se convencionaliza e a orientação vertical deixa de ser relevante, bastando apenas que o MR se situe entre o conceptualizador e o VR, como em (22). Evidência mais forte vem do uso em (23). Esse novo sentido distingue-se do sancionado r especialmente porque não carece da mesma orientação espacial.</p>
          <p id="paragraph-b8db0c4bd240adb9f23104c42019149c">_</p>
          <p id="paragraph-abb9c419d0ee95b215b9c8b0c1eedc3a">(22) <italic id="italic-75148a20d269536e2b1e88e74ed93610">Museu encontra pintura inédita de Edvard Munch <bold id="bold-e7d1a9438cc4bdc6a189889bdc6c4ea4">sob outro quadro</bold> do artista.</italic></p>
          <p id="paragraph-573c91bb08d6e10a34be967199626cbd">(23) ... <italic id="italic-bb24caf8f68b7a3ddf4894f41658a32d">A porta da cozinha, descobri esses dias, transformou-se em pó <bold id="bold-aa531b27e5e9d4a8a6d99cba4a170d8f">sob a tinta</bold>.</italic></p>
          <p id="paragraph-b62cfa786c9a6b8567a3c21d68dd815e">Esse efeito vem a se expandir ainda mais, permitindo um MR que envolve totalmente o VR.</p>
          <p id="paragraph-1a40557b8a6850af0f2cad328757dfc4">(24) <italic id="italic-560c56f7c8207b9b71150ac213c3c973">A Sedec orienta que os moradores dessa parte do País evitem fozer fogueiras e que os motoristas mantenham atenção máxima ao dirigirem em estradas <bold id="bold-1b0ec0c90e81a0cd3bbf85f95db9dcd0">sob fumaça</bold> ...</italic></p>
          <p id="paragraph-eac9a8990fc77e4849dcc1386a04ab66">_</p>
          <p id="paragraph-14d214395082086f93ff3ae1949867ef">EFEITO EXPLÍCITO: Embora a noção de "ocultação" derivada da cena como um todo não tenha gerado um sentido convencionalizado para "sob", sua recorrência em co-relação com a configuração espacial gerou construções em que esse efeito aparece como MR de "sob", em domínios não espaciais.</p>
          <p id="paragraph-f31a0e6d6c44d0dd24c2d0503681dc2e">_</p>
          <p id="paragraph-a7f0f74c558c646e7751e1d68d03a598">(25) <italic id="italic-bb75fa43e55e53ce468a0938d12c0a80">Os 57 inquéritos abertos tramitam <bold id="bold-a62bdd11d7b278650136e712398a7234">sob segredo de Justiça</bold>.</italic></p>
          <p id="paragraph-b9976010f8b81232790481dee102a57b">(26) <italic id="italic-56145fd1e73d15de6061f5bf3e48144c">Causa da morte de Arafat continua <bold id="bold-2e4c8b0ecb7e23bce9bcf40736639bf4">sob sigilo médico</bold>.</italic></p>
          <p id="paragraph-d698ff20f5ea41c8563b920617f03d3d">_</p>
          <p id="paragraph-b8efef8fac472bada8e1c5e9c4eb82be">Em domínios abstratos, não foram encontrados exemplos em que o sentido de "escondido por" derivasse exclusivamente da preposição. A noção de ocultação é evocada, no exemplo (27), pela oração <italic id="italic-5d40e48fb2a3916e85f9ff05d232fac6">"cujo</italic> <italic id="italic-b2697a7ea9db405012d41a9f0ed49ade">corpo tinha sido enterrado como indigente", </italic>além, evidentemente, do próprio<italic id="italic-89a494e4f429f291e10ed2ed9823eb62"> </italic>contexto extralingüístico, já que um forte componente desse domínio é o segredo que permeou as mortes de ativistas durante o regime militar no Brasil. Se compararmos (27) e (28), fica evidente que o sentido convencionalizado é mesmo "coberto por", uma vez que, no segundo uso, a noção de ocultação não é evocada. O emprego de "sob" com “nome" é motivado por um processo de conceptualização da coisa expressa pelo sintagma nominal como uma espécie de capa. A estruturação de "nome" por meio de esquemas de objetos está presente em expressões metafóricas como "limpar o nome", "construir um nome", "emprestar o nome", etc. Assim conceptualizado, o sintagma recebe da preposição a noção de "cobertura".</p>
          <p id="paragraph-be52824ca63b30ce7538cc241f7f9de2">_</p>
          <p id="paragraph-daea67edd28b8049e40bd60a422cd8c2">(27) <italic id="italic-388d80b7a21c347e3921b31cc7a6d4e1">Nessa documentação, a Auditoria é informada da morte de Flávio, cujo corpo tinha sido enterrado como indigente, em 9 de novembro de 1971, no Cemitério Dom Bosco, em Perus, <bold id="bold-9eeae0d3a6a073660660d0a8db724ac9">sob o nome</bold> de Álvaro Lopes Peralta.</italic></p>
          <p id="paragraph-9710db110da6b788207badddc09c9774">(28) <italic id="italic-dd9a8eef4f28d551d47475c81cb7260d">No caso "do" médico prescrever o medicamento <bold id="bold-92bd80328f392d772432e4efbd18fe1d">sob o nome comercial </bold>e não desejar a intercambialidade, a restrição deve ser efetuada pelo prescritor...</italic></p>
          <p id="paragraph-46b8a28a846c20ddb9bd8f599c029040">_</p>
          <p id="heading-18f452b63f008acb44ffa6bfdb2adcf9">4.2.2. USO ESPACIAL 2: A noção de "cobertura" pode ser conceptualizada de outra forma. Desta vez, o conceptualizador está externo à cena. Como resultado, o efeito de ocultação, mesmo com um MR opaco, não é focalizado. Contudo, outra conseqüência recorrente da configuração espacial é evocada por construções com "sob": o fato de o VR ser, de algum modo, protegido pelo MR das influências do ambiente externo. Cria-se, aí, uma co-relação da experiência espacial com a noção de proteção que o MR fornece ao VR. Normalmente, nesses casos, o VR e o MR não precisam estar em contato. Neste exemplo, a idéia de proteção (contra o calor do sol) é evocada por nosso conhecimento sobre a natureza de "árvores".</p>
          <p id="paragraph-f664e9a6eb72cf55ddeefa43e9dc4686">_</p>
          <p id="paragraph-cde169d8153b78c8d6ffddedfe7d6418">(29) <italic id="italic-6585cceacaf2be23021a438efcdfa4a2"><bold id="bold-21940dcac3f4631e40815f8e80af37f4">Sob as árvores do bosque</bold> (...) cerca de cinco mil pessoas participaram da formatura da turma 118 da Faculdade de Medicina, que homenageou o médico e exprefoito de Belo Horizonte, Célio de Castro.</italic></p>
          <p id="paragraph-86b504e77a29e897efa7faeea5021354">_</p>
          <p id="paragraph-5b90ac32e7202e3ecc9105295af58ddd">O exemplo a seguir reforça essa idéia de que, como em 4.2.1, a orientação vertical não é necessária.</p>
          <p id="paragraph-d15371c8c71e5a2a5e5ba86783097568">_</p>
          <p id="paragraph-e7c94d37bba20047c995bfb4102a9db8">(30) - <italic id="italic-acc71a2eb49377d5cdb17568c8eca961">Olá, Batman! - diz a doutora Mann, uma loira de pele pálida, magra, olhos verdes escondidos <bold id="bold-cd120b77ad57cddf50b452859c0f8db6">sob os óculos de aro fino</bold>, já conhecida do morcego de outros casos.</italic></p>
          <p id="paragraph-e2b2dfa44a7ea659a108537e92c8e000">_</p>
          <p id="paragraph-57391c7dd433163b7cbdb531c6538772">EFEITO EXPLÍCITO: O efeito físico observado nessas circunstâncias leva à estruturação do conceito de "proteção" como uma espécie de cobertura e ocorre explicitamente nos casos abaixo:</p>
          <p id="paragraph-e14045d05310629439551f900238bb02">_</p>
          <p id="paragraph-98bb0b10c2007da0e290d859756ab0ef">(31) <italic id="italic-fba3fff9add58d0bce824733f4fc8384">O que significa “Áreas <bold id="bold-a4d54725e716269af774bea5016be28d">sob proteção especial</bold>"? </italic></p>
          <p id="paragraph-9f29bce12949c2f0f55f4dfe1be75728">(32) <italic id="italic-def3083bd65f8c1d6080236502052a2d">Uso dos telescópios <bold id="bold-3d06058f448ce6d50eebd6c0dd8c84d4">sob cuidado do LNA</bold> consta do relatório.</italic></p>
          <p id="paragraph-8801c230fb63a8ba04b629437ac3b27d">(33) <italic id="italic-58e007d3fc92e239a0009a3ea980a401">O conceito de serviço público abrange todas as atividades de interesse geral exercidas <bold id="bold-60a9a3c13fbb35c40495d395e1217a9d">sob a égide</bold> dos poderes públicos.</italic></p>
          <p id="paragraph-e0ead229d46580d3fb624d4935b25189">(34) <italic id="italic-49be75319afbf1151efb016f068332a7"><bold id="bold-bcb6137fd4a736c9b44283b7496464e2">Sob as bênçãos de Ari Barroso</bold> [samba &amp; choro]</italic></p>
          <p id="paragraph-b029c3eb6f303f665f33732f06a8dcea">_</p>
          <p id="paragraph-159f80442de1336a64883f6e9f0a2689">Mais abstratamente, mas ainda com inferências forneci das pelo contexto, podemos compreender "sociedade" como uma entidade maior a proteger cada um de seus membros. Fato semelhante ocorre com "senha", conceptualizada como uma espécie de barreira de proteção contra o acesso indiscriminado.</p>
          <p id="paragraph-3e6be758408f942e6e1a1b7103f2a091">_</p>
          <p id="paragraph-b703d3c59d443204df3230a8a298a814">(35) <italic id="italic-76ba3ba99454f721d3d33c2486a70b8d">O que permanecerá é o compromisso com a liberdade, como semente vital para que germine uma sociedade melhor do que esta <bold id="bold-76bf29069feae0046dd0a163292653d8">sob a qual vivemos</bold>.</italic></p>
          <p id="paragraph-0b8addf81c7e0a663de003cfa283d243">(36)<italic id="italic-6401b7fbb118a26c599bf8bb7702a8cb"> Se tem cuidado com arquivos importantes, com dados particulares, torne-os acessíveis somente <bold id="bold-6b65309dd3304f5f06df3fcec2483b0c">sob senha!</bold></italic></p>
          <p id="paragraph-69dfbf5519810a5dc641742122c5b9ba">_</p>
        </sec>
        <sec id="heading-804155dd8defec50d75a2a7bb51f9162">
          <title>4.3. Pressão</title>
          <p id="paragraph-54b772f74449e6c78aaafaa677fd506f">4.3.1. USO ESPACIAL 1: Por menor e mais leve que seja um MR no domínio físico, sabemos, tão simplesmente pelo conhecimento que detemos sobre a Lei da Gravidade, que, caso o VR esteja em contato direto com o MR, este exerce uma <italic id="italic-41c2dbd679dd4e7d7357c817de52a78b">pressão</italic> de cima para baixo sobre aquele. Essa é uma vinculação importante do esquema sancionador - também presente no esquema de "sobre". Muitas vezes, a pressão nem é percebida, mas, com certeza, ocorre com freqüência suficiente para gerar uma co-relação de experiências no nível conceptual. No uso espacial abaixo, podemos observar que a elevada pressão sobre o VR determina o total <italic id="italic-74cfd646db9acc83e97b000aa91bc274">controle</italic> do VR pelo MR.</p>
          <p id="paragraph-515e9605e55cf35b18db04222e17ed5c">_</p>
          <p id="paragraph-6016536460f048f79ade76b69a738966">(37)<italic id="italic-bc73768e50d4927efe3f3ae49fec26c8"> <bold id="bold-7d46f0e39ea58539a389557f6cb52341">Sob a caixa d'água</bold> prendia-se a vítima de tal maneira que esta não conseguia mexer sequer a cabeça.</italic></p>
          <p id="paragraph-5ab03ed7874f1d97506efc0576385eac">_</p>
          <p id="heading-49085b8dd9124a4f0461474c240456e6">EFEITO EXPLÍCITO: Os dados forneceram vários termos possíveis de combinação com a preposição "sob", em cuja leitura final pode ser percebida a noção de <italic id="italic-f732dae3cb8459820340f9df93266d9a">controle</italic> do MR sobre o VR.</p>
          <p id="paragraph-97f3c18de37c78ed7b2265e847a2d892">_</p>
          <p id="paragraph-3b4744de4e8a0043de23c54b716e43e2">(38) <italic id="italic-4f2682e2e24960ee2a02db570241ed7a">O governador Cláudio Lembo (PFL) diz que está tudo <bold id="bold-d2523634d4cdd4bd697d2767eeb2930b">sob controle</bold> e recusa ajuda federal.</italic></p>
          <p id="paragraph-7ff99f0a1fba715cb8476e8bbf6e4b4c">(39)<italic id="italic-a153be700832f2b2cf792d5a4660a147"> ...não se fale de fumigar zonas onde estão as grandes produções de coca, marijuana e papoula, como Urabd e outros territórios <bold id="bold-ba5794be39959c30765629dce5de694c">sob domínio paramilitar</bold>. </italic></p>
          <p id="paragraph-b401f5b653eaf7282310647d6156992a">(40)<italic id="italic-bd457c1502a80074091c3f99e2bdca5c"> Mamberti participou do início das atividades da emissora, com o teleteatro “Amores e Licores”'; de 1969, <bold id="bold-1bb651058d6485ad1c08a06fafbaed6e">sob a direção de</bold> Antonio Abujamra. </italic></p>
          <p id="paragraph-52f84bd648c8bd3ab586b9b89b0d2fab">(41) <italic id="italic-d905beac4046ae01ed09f5666f74b801">A segurança da navegação, nas águas <bold id="bold-1cb93024dd232d29533d3ebad3d78cc8">sob jurisdição nacional</bold>, rege-se por esta Lei.</italic></p>
          <p id="paragraph-a3c741cc9fbf8215bc13beb4b3b604a8">_</p>
          <p id="paragraph-cd42e18be803e2c3b58786293bfcf039">Em algumas construções fixas com "sob", a noção de controle é menos transparente. Os agentes não estão explícitos, mas todas as ações nominalizadas incorporam uma faceta de controle sob a situação descrita: o médico controla o acesso a um certo medicamento, um cliente controla (como pagador e escolhedor) o vídeo que deseja adquirir, o mesmo ocorrendo com o produto PS3, cuja venda é influenciada, ou determinada, pela ação dos potenciais clientes.</p>
          <p id="paragraph-f299cf02019840d2e5a632c3606aa77b">_</p>
          <p id="paragraph-be6ba93229a52becbbb403e8aa907cac">(42) <italic id="italic-c6818e10eb1dc9b82584e6e0ab41f07f">Qualquer propaganda, publicidade ou promoção de medicamentos de venda <bold id="bold-9f9c426c2fe28a43522783ab491e758b">sob prescrição </bold>fica restrita aos meios de comunicação dirigida.</italic></p>
          <p id="paragraph-ac15fbebffb4a1c31694f65d457b3554">(43) <italic id="italic-49db6b0606d87e763f787b6c2eba7176">Este projeto contempla um servidor de vídeo <bold id="bold-6b807c1f6e3c5b3575580b667dd36993">sob demanda</bold>, capaz de atender a até 200 requisições.</italic></p>
          <p id="paragraph-b199602c6ce4104706af4719e422470e">(44) <italic id="italic-0c9adee7f7bd25d0ee37f4cc7f1ea406">PS3 poderá ser vendido <bold id="bold-4a21a0d2d7f8c8de825e30c64077eb44">sob encomenda.</bold></italic></p>
          <p id="paragraph-81ebb64757fc8f2b2a1f3b7b116b99c3">_</p>
          <p id="paragraph-2">Em alguns outros exemplos, apesar da ausência de informação explícita sobre o controle exercido pelo MR, basta avaliarmos a natureza e o significado daquela entidade para entendermos como o sentido se manifesta. Em (45), entendemos que a questão colocada está sujeita às normas e princípios do sistema socialista. Em (46) e (47), o clipe e o aplicarivo estão sujeitos à licença dada pelas entidades em controle - "Creative Commons", que sabemos ser uma gravadora, e GPL, uma marca ou empresa de sofrware.</p>
          <p id="paragraph-23871e53e6b570271f3a3f17ab19a629">_</p>
          <p id="paragraph-76fdd89727c74b1a6c7e43c1a6beaf55">(45) Democracia: O direito à creche e a questão do aborto <bold id="bold-3fb256bde32d5601ee0a353c9581bdfc">sob o socialismo.</bold> <xref id="xref-8881764e24eeaf56e6bdbf54685bb50d" ref-type="fn" rid="footnote-fff6d2fbff7eba06aeca3cbf9b6a84cc">11</xref></p>
          <p id="paragraph-dd6ead92cbbc304cea274f7ee5aed26b">(46) <italic id="italic-129f4fb5e6ed0ee0bed4fa71a71b4037">Pearl Jam lança clipe <bold id="bold-39fcd20e7a0494c8870ed948ff7ae37e">sob Creative Commons</bold> ...</italic></p>
          <p id="paragraph-e16b6d935eaa1e7bb431bc6ad679a8f0">(47)<italic id="italic-948ecba99f4a4ca5c245f46cc8baca28"> "Live Messenger" Lancado <bold id="bold-d6cca6f6e40a0df1174fc29b269c095e">sob GPL</bold></italic></p>
          <p id="paragraph-9d1d5d435bf40c22884f944bbea11dd9">_</p>
          <p id="paragraph-66f4753ef7ab869eacbdfe64a4590592">4.3.2. USO ESPACIAL 2: Algum tipo de <italic id="italic-ee21eb7d4ec7dec862019ef36d688751">deformação</italic> decorrente de excesso de pressão exercida verticalmente sobre um VR é uma situação bastante corriqueira em nossa experiência. </p>
          <p id="paragraph-0dddfec2d292a8902fc9f8b3c6caf28b">_</p>
          <p id="paragraph-a6b1d8f9ed618898731f613ddeecd4b5">(48) <italic id="italic-e811588c2913d9e410a57b3fc9d3b24f"><bold id="bold-33a68755f1ab53b82f0a623ac729babf">Sob os pés</bold> a terra mole cede, cobrindo os joelhos do menino e os do pai.</italic></p>
          <p id="paragraph-a845ff2a0ce80bee17c23a4ecd37b38c">_</p>
          <p id="paragraph-db0ebcb816d92bb2efb1f8cd7fdf436a">Esse efeito é tão recorrente em nossa experiência, que passamos a associar o peso do MR a certo potencial de risco em situações como a descrita em (17) - <italic id="italic-627afa17b7ec2d27843092fef1b00ed2">Além do risco às pessoas que trabalhavam</italic> <italic id="italic-8dad4bdd3238c6e2baf837fc037d0bc2"><bold id="bold-551b3da09b03181a705af028eadfcf2b">sob a laje</bold></italic> <italic id="italic-3b1933e2ca4ce5cfab777b9292f0ae99">quebrada ao meio ... </italic>- em que a deformação é evitada pela distância entre<italic id="italic-03b15d75fbee6b5b5a4b22bdb418b281"> </italic>o MR e o VR.</p>
          <p id="paragraph-36dfe2c50cb34255e3b08683306c1d4b">Mas, em (48), a estrutura do VR "terra mole" é afetada pela pressão do MR. Por recorrência, acabamos associando essas duas experiências no nível conceitual e isso fornece um vínculo robusto a permitir usos em domínios menos "concretos", gerando colocações comuns no PB, como "sob a forma de" e "sob medida". Observamos que, no domínio físico, já não importa o componente de verticalidade, precisamente porque a motivação principal para a projeção é a deformação a que o VR está sujeito. Da cena espacial primordial está em foco não a orientação das entidades no espaço, mas o efeito resultante da configuração.</p>
          <p id="paragraph-1c5ac3746d624b63ef0b911dc2ca30d7">EFEITO EXPLÍCITO 1.: Vejamos alguns exemplos, que incluem essas e outras expressões mais ou menos fixas. Na verdade, não é o efeito propriamente dito que aparece explícito, mas o produto do efeito (modelo, forma, padrão).</p>
          <p id="paragraph-86740bd1e7df03ba65665a7fb158a039">_</p>
          <p id="paragraph-4c858001627b1172e1c14f063a8d0307">(50) <italic id="italic-82287122b9b0da0fb956fd1626f77d5a">O aviso pode ser dado <bold id="bold-f230ef04818bdb641f52b5661d6a159e">sob a forma de uma carta</bold>, e-mall ou oficio.</italic></p>
          <p id="paragraph-58fec13bc51d248b885e8bca0edeaffd">(51) <italic id="italic-875294f0f01793504cfb7412baa1e884">Importação <bold id="bold-a2fd469e2ea1716e0cfa2d4c232da92a">sob a forma de doação</bold>.</italic></p>
          <p id="paragraph-8a59c27b13545e949dac2a93561c7f8d">(52) <italic id="italic-24b94475ff5fb92a6fcf5f6d76249b21">É simples desenhar uma chave <bold id="bold-55097b3552091e1b45a9fed719e90827">sob medida</bold>.</italic></p>
          <p id="paragraph-a5300fa07ad53d5083d2c2f85fb7c164">(53) <italic id="italic-5c809e8150297199f8cf54b8036a503a">País tem 500 mil certificados digitais emitidos <bold id="bold-df55d55be74127e47d9461e9a7011c13">sob padrão</bold>.</italic></p>
          <p id="paragraph-6b016d4222c22677fae0bc95716092df">(54) <italic id="italic-b6bc870d4641d9211a06d9eca5ec94d0"><bold id="bold-ceb58f3c4d78147bb2412289fe9d0a95">Sob modelo aparentemente democrático</bold>, mantinham aberto o Parlamento e admitidos os Partidos Políticos, mas, em verdade, praticavam regime de dominação.</italic></p>
          <p id="paragraph-dc583148f337c51d72db11d84714fd12">_</p>
          <p id="paragraph-4ffd0083485b1f9acdf341bd226ce8de">EFEITO EXPLÍCITO 2: A pressão que uma entidade física exerce sobre aquela na qual repousa pode ser comparada a uma <italic id="italic-4a9691fda0de60735966b00bdbbefe71">ação exercida</italic> com potencial de afetar o R. Isso é possível porque, levando em conta a idéia de que eventos e ações são conceptualizados como <italic id="italic-9648d022dcbd3b24851c08149fdb4e82">objetos</italic> (Lakoff e Johnson, 2003 [1980] :31)<xref id="xref-f2a518a0d66daf265334dc5c6015567c" ref-type="bibr" rid="book-ref-6a5a0ae5b546418a311fdb75a86ff0e0">[13]</xref>, com limites bem definidos, ações e eventos assumem o papel de MR, como nestes exemplos, com ou sem o termo explícito. Assim como 'uma pressão exercida, a estrutura desses objetos - eventos - ações (MR) inclui um agente, algum tipo de força ou influência, uma direção para a força exerci da e um alvo dessa força. Da mesma forma que no domínio concreto, esse alvo é o VR.</p>
          <p id="paragraph-72609da7f7d7fa52b81eade85f5e109f">Facetas distintas da ação podem ser postas em evidência: a "ação" ou "influência", seguidas de especificação do agente, como em (55) a (56); de (58) a (62), o tipo de ação aparece no verbo nominalizado; em (57) e (58), o foco está no resultado fir;al do processo.</p>
          <p id="paragraph-53c117bdec9822333bc724f74fa199a1">_</p>
          <p id="paragraph-f5bf8f13839e794e943791e21fec0d8f">(55) <italic id="italic-3ad7b7b893d6362eb0a0fe064ff7bda5">Yahoo! muda home page <bold id="bold-8670d51d41d5e5b592e6e84e7c59455e">sob influência da web</bold> 2. 0.</italic></p>
          <p id="paragraph-02a4dc7b46345c3e97472d37f7e04de0">(56) <italic id="italic-676d7024e341010ec00042f2f4dd7541">Combinados com íons de terras raras, poderiam se resfriar<bold id="bold-c9c8728fa3d9f1e7df29e3c5946d4e70"> sob a ação de um processo</bold> chamado emissão ...</italic></p>
          <p id="paragraph-d46cf246b588a23ffc7ef60e3e730ca3">(57) <italic id="italic-c21a95a4e702981150d31cd9b9ce673a"><bold id="bold-c7712475958d551207fc186b1c9f4fea">Sob efeito de leilão</bold> do BC, dólar sobe e fecha a R$ 2,20.</italic></p>
          <p id="paragraph-aa25d4a3ec299c4a8a91446e16822bd7">(58) <italic id="italic-c2e89ecf48f1f6e4bc71251d7e7b0abd">Avaliação de alvos em áreas <bold id="bold-dd4229f4c626c555a355f802b60d814f">sob desertificação</bold> no semi-árido é a primeira etapa do projeto a ser considerada. </italic></p>
          <p id="paragraph-bcefb79f8919543faa9b9bf540384042">(59) <italic id="italic-aaa2c7fd37bf02cd562f63ae420dcfcc">Evolução da salinidade no solo <bold id="bold-f0228628ac379dbac8bbc80e090448f1">sob cultivo de melão</bold> irrigado foi alvo de intensa pesquisa.</italic></p>
          <p id="paragraph-34bcd05bc06c43436ecfad34e9612e30">(60) <italic id="italic-a0d8c43d825e8ba909d09ab2d9fd45c2">Vendo hoje as imagens de Beirute, <bold id="bold-e230f0f9936c630d3d0ce5387f79a502">sob o bombardeio indiscriminado</bold> do Exército de Israel, vemos imagens de um passado que parecia um pesadelo...</italic></p>
          <p id="paragraph-97b0efd1bfc4ac2bf32491b96947b813">(61) <italic id="italic-438531715803fb275fc56beccd5c1893">Armazenamento de abacaxi "smooth cayenne" minimamente processado <bold id="bold-2c568fb4daa80bf2ba9fb89c49ed23c8">sob refrigeração </bold>e atmosfera modificada.</italic></p>
          <p id="paragraph-9a20b311c6be5b1950bc79a6e207ca8f">(62) <italic id="italic-8ec6543bd1e7e575dd5b75838b19daed">Foram selecionados do IPM todos os pacientes neurológicos que estavam <bold id="bold-35eace97fb5f9a7cd2876913f1b265f2">sob atendimento fisioterapêutico</bold> domiciliar no período estabelecido na pesquisa.</italic></p>
          <p id="paragraph-2cc9c9aec4ebe0db0c1c27461a0bd55a">Eventos que não dependem diretamente de um agente também pertencem a essa categoria, como as construções abaixo, em que o VR está submetido a condições meteorológicas.</p>
          <p id="paragraph-96bf7157129fe1a8c42a16955ac1485c">(63) <italic id="italic-d1807a20b668e72fa727f9005ce83722">Novos incêndios castigam Califórnia <bold id="bold-de340f6ef88eac7b3ade03b7801a23ac">sob calor extremo</bold>.</italic></p>
          <p id="paragraph-db6bbdd51033a1e2691e14dfbbde2c23">(64) <italic id="italic-831f6bd45b2a291e55ca478f7e7d99c4">A largada da categoria Pró aconteceu às 8h em ponto <bold id="bold-b784973d0eef13bdae19a0b5df122bf3">sob um forte frio</bold>...</italic></p>
          <p id="paragraph-04d26172159340fb4b47b5a1af3491bb">_</p>
        </sec>
        <sec id="heading-cf096ab44bf7e30d0f0e2bb50e23e8d8">
          <title>4.4. Diante de</title>
          <p id="heading-7ce295a910087ea9c042310c31b7a760">USO ESPACIAL: A homonímia, com certeza, não explica porque um item lexical evoca a noção de ocultação e, também, de transparência ou visão. Mas, se, por outro lado, considerarmos a importância de nosso aparato visual nas inúmeras atividades que desempenhamos no dia-a-dia, é apenas normal que os olhos sirvam, comumente, como referência física a partir da qual uma série de objetos e eventos sejam conceptualizados. E nada é mais previsível do que assumirmos, como pomo de vista ("<italic id="italic-45ffa13c2f30b249033cce64a07c8974">viewpoint",</italic> Langacker, 2001)<xref id="xref-637cb6b87aca9b3e14bfd46d8f0505ac" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-0b2b37f0685f9d83aeb38b06e84d7667">[12]</xref> canônico, a posição superior destinada aos olhos em nosso corpo ...</p>
          <p id="paragraph-44a7ae353eceff4e4c7336769fbb0e1b">_</p>
          <p id="paragraph-0be6c4a3ad2ab59e3215aa950b6c141b">(65)<italic id="italic-c7682c0239cc71c6746daf8b1d314496"> À noite, ele abria as [anelas das venezianas, acendia todos os bicos-de-gás e se punha à mesa, todo de branco com um livro aberto <bold id="bold-f5ead4884d2594471c25518670f961e4">sob os olhos</bold>. </italic>(e não "sob a cabeça")</p>
          <p id="paragraph-17b874cddd779a93939e062d57948463">_</p>
          <p id="paragraph-ff563c36813e807f3af6b20fb6e3dc2b">SENTIDO CONVENCIONALIZADO: Por uma alteração na orientação do esquema espacial em (66), é possível conceptualizar a cena corno se passando "diante dos olhos". Trata-se realmente de um sentido convencionalizado - "diante de", em função da nova orientação espacial (horizontal), que se distingue de "coberto por" pela posição do conceptualizador, que, nesse novo eixo, encontra-se voltado para o VR. Além disso, o conceptualizador é o próprio MR.</p>
          <p id="paragraph-5952a0c9299a04fa0a5c59dd5d259feb">_</p>
          <p id="paragraph-a960bf14a7f039228f0b785e702a0803">(66) <italic id="italic-917b2af51444ae4645696ff1da53cd2f">Atlético enfrenta o Vasco <bold id="bold-18da7efac62ac874fc5c3c51dbc6ad8d">sob os olhares atentos </bold>de Vadão</italic></p>
          <p id="paragraph-f2a09fa491d08c71d8683e21649e7618">_</p>
          <p id="paragraph-c7b4c60709e3d2659b815c8abe4ab9b9">Por co-relação de experiências, freqüentemente identificamos o ver" com a idéia de "conhecer" ou "analisar" (ver seção 1.2.). Esse processo foi investigado por Sweetser (1990)<xref id="xref-a5ea9bbdde88fea371c3e66b491c9065" ref-type="bibr" rid="book-ref-c1c22989503e6c69b0acec8d614fe9ae">[3]</xref>. Através de exemplos da língua inglesa ("seeing is believing", "eye-witness"), a autora discute como as culturas de língua inglesa - e muitas outras - revelam, através da linguagem, "a visão como uma das fontes de informação mais confiáveis que temos". Esse efeito gera uma série de usos como os que veremos a seguir:</p>
          <p id="paragraph-abf34d009d29b77e24dd667495d815a2">EFEITO EXPLÍCITO 1: Nesta categoria, ficam incluídos os usos com expressões que apenas indiretamente remetem aos olhos, que evocam a ação realizada não apenas por meio deles:</p>
          <p id="paragraph-e3eb6f655eb351122b21fce812912573">_</p>
          <p id="paragraph-74652061167c4b79a8bf10535b83fccd">(67) <italic id="italic-387af40948fbf5288c0731c0b99c9a93">687 candidaturas estão <bold id="bold-23a04bc2598ddc59bd40c043e1b276ae">sob investigação</bold> pelo TRE.</italic></p>
          <p id="paragraph-9d0c9c7f1b9f5197f4ecfaf15ff7123d">(68) <italic id="italic-4461f48b4e6d999d8c75d242025b57fe">O curso médico <bold id="bold-3a3769d6b9e8156365dc3427e5efaa64">sob prova</bold>: Teste do progresso mostra que salto no ...</italic></p>
          <p id="paragraph-7d767c2dbaa13defdd6424bf93b714a8">(69) <italic id="italic-5ab62263105bdd6700c895380ddd0066">Reforma <bold id="bold-665fd2199b27603166b18508814b5a7e">sob o crivo</bold> dos reitores.</italic></p>
          <p id="paragraph-1b66be59c539835d6f150cb99222a8f0">(70) <italic id="italic-5423222b33bb7db1868f70efaad29d23">Disponível lista de apresentações de medicamentos <bold id="bold-ddfbf28e1b1c52855140dedaaf577d77">sob análise.</bold></italic></p>
          <p id="paragraph-ada54fa129c68294cab39360e367633f">_</p>
          <p id="paragraph-50b6e0dc88e6d7caf75fcaa8454632fc">EFEITO EXPLÍCITO 2: Sabemos, ainda, que o olhar é individual. Há uma grande diferença entre o olhar de um técnico de futebol e o de um leigo, por exemplo, sobre uma mesma cena. De forma semelhante, construímos <italic id="italic-26d4d08231626f2c7cca355ed37ec6d7">opiniões</italic> pessoais de acordo com nossas experiências. Tudo depende dos aspectos que consideramos importantes, os quais focalizamos. E assim como, no mundo físico, consideramos algo mais ou menos arredondado, mais ou menos azul, levando em conta esquemas que variam de indivíduo para indivíduo, também realizamos nossos julgamentos sobre decisões a serem tomadas, eventos históricos ou governos. Em suma, essas opiniões (ou esquemas formados a partir da experiência) são estruturadas conceptualmente da mesma forma que impressões perceptuais da visão.</p>
          <p id="paragraph-16c968c3e627c2a1b681ae9a34f20860">_</p>
          <p id="paragraph-377e704e3584c98516e930ee3892a481">(71) <italic id="italic-8ce97c14b0ff3aceee4057a74176fabd">É preciso efetivá-las e ampliá-las <bold id="bold-6b1535bb3a03c695bd4bb2b52954c72a">sob a ótica</bold> de novos conceitos e objetivos.</italic></p>
          <p id="paragraph-fc238e76c69730fe758a7d08c63e390b">(72) <italic id="italic-d088593ea57f4344e591559e0574ffff">Memórias reconstruídas: a Segunda Guerra <bold id="bold-954c907d58dc72913f76a935d33d8861">sob o olhar</bold> de um ex-combatente.</italic></p>
          <p id="paragraph-2ca0e9c79cf263770f06bca1946658cc">(73) <italic id="italic-4aeee61496a3a946cd816c0afbdc606d">Ele analisa os anos Reagan <bold id="bold-62d857262addcc1d13c0e9bf94aa154b">sob o prisma</bold> da ideologia de esquerda.</italic></p>
          <p id="paragraph-56dddc8dce28c254d1db269cc89c6d5a">_</p>
        </sec>
        <sec id="heading-2eb6f61de6573e12906500fb4cc1c073">
          <title>4.5. Duração</title>
          <p id="paragraph-aea8c6816d8a782adb9d3911331dc48e">USO ESPACIAL: Como mencionado na seção 2.1, o tempo é um conceito básico que, no entanto, carece do suporte em outro domínio de experiências para ser expresso (Lakoff e Johnson, 2003 [1980])<xref id="xref-b8012095e4b6d06d41b71a2959935e98" ref-type="bibr" rid="book-ref-6a5a0ae5b546418a311fdb75a86ff0e0">[13]</xref>. Existem importantes referências sobre essa associação no campo da semântica. Pottier (1962)<xref id="xref-a606148a0c38d6f28ad6ec36e39e63b4" ref-type="bibr" rid="book-ref-7190c5d048894e78d8e9cf93a6d1baf0">[16]</xref>, por exemplo, propõe representações semelhantes para os esquemas de espaço, tempo e noção, para cada uma das preposições que descreve.</p>
          <p id="paragraph-c7e7a5a7a8f695377e89c3160b5ad06f">Uma das razões aparentes para essa associação foi descrita por Tyler e Evans (2003)<xref id="xref-454c31705849f1618f7c98ba8ca9b03e" ref-type="bibr" rid="book-ref-b8344d675749be405bc7529125f6ac2a">[7]</xref> a respeito do sentido temporal da preposição "over" da língua inglesa. Trazendo a perspectiva desses autores para a atual análise, a associação entre os conceitos de tempo e espaço seria motivada por co-relação de experiências, em uma situação como em (74). Primeiramente, existe a distância percorrida de um lado ao outro do MR. A outra experiência é subjetiva: a passagem do tempo. Vivenciamos esse efeito em tudo o que ocorre na vida e, nesse tipo de evento em particular, não é possível percorrer qualquer distância em uma fração pontual de tempo. Por essa razão, a idéia de <italic id="italic-86921afb4bf7c76f0539ebea9ca75117">duração</italic> é tão fortemente ligada à de <italic id="italic-0328d735d400825bb1edac47c62d9806">distância.</italic></p>
          <p id="paragraph-42acf5d491dfdb0728c8c6d4a3410bc7">_</p>
          <p id="paragraph-00f02e02d671992276f894748babec67">(74) <italic id="italic-b59a13f21648b0daf268b0bd6ea985b2">Vislumbram a passagem da Berlinda, que se deslocava lentamente <bold id="bold-a5d9105575bba3a52e5b475564e8289b">sob o túnel
verde das mangueiras</bold> de Belém.</italic></p>
          <p id="paragraph-2dea56372071d4fa74a93d3eb5282725">_</p>
          <p id="paragraph-5149f51869025c1830d9050bce4dcacb">Além disso, ainda retomando Johnson (1987)<xref id="xref-42ef6bee9acb2e2b1c58d57f406b14a9" ref-type="bibr" rid="book-ref-e9ca6ddb1e59d0ac7465f2bb2f0fc9b6">[8]</xref>, eventos são conceptualizados como objetos com extensões delimitadas e, assim, ocupam facilmente a posição de MR.</p>
          <p id="paragraph-9c02ce2d5988c6fddb14c813a0581cf3">SENTIDO CONVENCIONALIZADO: Por força desses dois fatores, encontramos usos como os que vêm a seguir. Neles, o significado obtido parece ser “durante” ao contrastarmos com “antes” ou “após”. </p>
          <p id="paragraph-206c33f00d08ec3b01e4dfa77cae670f">Ao que parece, dos sentidos temporais descritos por Pottier ("durante" e "após"), apenas o primeiro está presente no PB moderno. Entre os usos temporais de "sub" no latim, Pottier cita <italic id="italic-dd73c8b789ab949766349772d29a6a04">"sub noctem",</italic> que se traduz por "durante a noite". Segundo ele, essa seria uma conceptualização espacial do tempo, em que o evento ou o tempo de duração deste são conceptualizados como um objeto, e a entidade a que Langacker denomina VR estaria situada abaixo de tal objeto.</p>
          <p id="paragraph-2a8576a524101127fa684bd0e1ba13db">No PB, a preposição vem normalmente seguida pelo sintagma nominal "período" - que, por si só,já evoca "duração" -, em uma construção mais ou menos fixa e sem concorrentes na língua. A mim parece que "sob" delimita um período de influência do MR sobre o VR, e, portanto, pode ser traduzido como "durante".</p>
          <p id="paragraph-e996adf670d5ef858ad274100f756718">Na seqüência de exemplos abaixo, a influência poderia ser explicada da seguinte forma:</p>
          <list list-type="bullet" id="list-41555e39db912fe0c5948469818dd7e4">
            <list-item>
              <p>a gratuidade afeta o valor do contrato dos jogadores;</p>
            </list-item>
            <list-item>
              <p>a validade dos direitos autorais afeta o uso que se faz desses mesmos direitos;</p>
            </list-item>
            <list-item>
              <p>o período escolhido afeta os resultados da análise;</p>
            </list-item>
            <list-item>
              <p>a garantia interfere na relação cliente-produto-empresa.</p>
            </list-item>
          </list>
          <p id="paragraph-81e32f17776440ce12b6be6f79ad4ed9">_</p>
          <p id="paragraph-9135906793909b814794f8e2a4537068">(75) <italic id="italic-9decd8afb49f994d63dd46870b9d4b39">A definição acima exclui jogadores que ainda estão <bold id="bold-df846f8bc63b918ce25dde07046f5321">sob o período de gratuidade.</bold></italic></p>
          <p id="paragraph-89d714c9547a4656806da4c8943983b7">(76) <italic id="italic-b21da1b526c94f9f08a911a12c2a2a4d">Não encontramos nestes sites até agora nenhum destaque a iniciativas de doação de direitos de livros de autores consagrados ainda em vida ou <bold id="bold-2a5d12e5085680316af77ebc9bcca87c">sob o período de validade </bold>dos direitos pelos seus detentores.</italic></p>
          <p id="paragraph-2cfc8957f60cc0bb48351350e6c989d1">(77) <italic id="italic-1858a488725d534f52355fdbd928b4a1">Concluindo, como vimos, <bold id="bold-1e3609c3f0db6d6ad097e7c3b5cd6dae">sob o periodo analisado</bold> há uma conjunção, extremamente perversa para os níveis de emprego, de cinco fatores.</italic></p>
          <p id="paragraph-37aa2711d08a1d48ad1cddcc4e058058">(78) <italic id="italic-b4a9528db4561915a4b1cdc48236c535">As previsões exatas sobre a quantidade de produtos que serão retornados sob o período de garantia podem trazer grandes beneficios às empresas.</italic></p>
          <p id="paragraph-2ac83a411c6ce82ef5b52bcde275270f">_</p>
          <p id="paragraph-4cb5d08704604a0da9f675310bcfc0b0">Encerrando a análise, apresento, a seguir, um diagrama que resume os processos e os efeitos de sentido encontrados. O esquema espacial "em posição inferior a" é o sentido sancionador e está representado no retângulo sombreado duplo no centro. Outros sentidos convencionalizados aparecem nos demais retângulos sombreados. Mudanças na perspectivação aparecem nos retângulos com linhas pontilhadas. Os efeitos da configuração estão nas elipses escuras quando explícitos e, nas claras, quando implícitos. Finalmente, exceto quando assinalado, o observador está externo à cena.</p>
          <fig id="figure-panel-46a6abe63b42f387a98ba724a5a2bf6a">
            <label>Figure 2</label>
            <caption>
              <p id="paragraph-c3029a111b5af631186d6d7957b38afa">Modelo de extensão semântica cognitivameme motivada para a preposição "sob". </p>
            </caption>
            <graphic id="graphic-8d24d2794bc08bca7b154b90682543d7" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-01-17_19-58-35.png" />
          </fig>
          <p id="paragraph-ce7d066affa35a9febd77de06a3df00e">_</p>
        </sec>
      </sec>
      <sec id="heading-496fe6c8b8a5a4493d8742ee8f4d6a16">
        <title>5. Conclusão</title>
        <p id="paragraph-a5fb67fab7c88362d521920bf23a97f0">Acredito ter respondido, em grande parte, ao primeiro questionamento levantado na introdução: o gelo, o socialismo e o olhar de Djanira Machado, entre outras entidades de domínios diversos, podem todos ocorrer como complemento da preposição "sob", porque, de algum modo, evocam efeitos vivenciados em experiências físicas, das quais abstraímos o esquema "VR em posição inferior ao MR". Outras entidades, como "aplausos", compartilham estruturas, de certo modo, semelhantes àquelas que, no domínio físico, ocorrem como marco no esquema relacional evocado por "sob".</p>
        <p id="paragraph-bff26221126e1a54858e4641be2b9076">Além disso, sobre as relações que podem ser evocadas pelo item lexical "sob", a análise dos dados demonstrou que poucos são os sentidos realmente convencionalizados que podem ser lidos nessa preposição, sendo três deles espaciais e um metafórico, na acepção temporal. Em todos os outros usos, o significado é distribuído na construção.</p>
        <p id="paragraph-3">Foi demonstrado, contudo, que esses sentidos não representam casos de homonímia. Todos os usos fazem parte de uma mesma rede polissêmica interligada, cuja emergência foi abordada e descrita de maneira sistemática, com base em processos cognitivos que compreendem a percepção de vinculações de esquemas imagéticos, a associação de experiências e sensações percebidas, a percepção de semelhanças entre entidades, a conceptualização de entidades abstratas por mapeamentos oriundos de estruturas do domínio espacial e, finalmente, mudanças na perspectivação (tomada de nova orientação espacial e alteração na localização do conceptualizador em relação à cena).</p>
        <p id="paragraph-5">Além disso, obedecendo a critérios claros para a delimitação de sentidos convencionalizados, sentido sancionador e significado contingente, pude demonstrar a sisternaticidade que permeia o processo de extensão semântica envolvendo mecanismos de metáfora conceptual, ficando contestada, mais uma vez, a arbitrariedade desses novos sentidos.</p>
        <p id="paragraph-7">Também foi assumido que a convencionalização do emprego da preposição analisada em novos contextos foi possível em função da recorrência de situações semelhantes, que permite o entrincheiramento de novos esquemas. Entre esses esquemas convencionalizados, a maioria ocorre em construções em que o efeito de sentido percebido aparece explícito, como em "sob controle", "sob a forma de", "sob pressão", etc., Tais construções são altamente recorrentes no PB.</p>
        <p id="paragraph-60ebdb1d4b25326823d3a06359923d1c">De um modo geral, com esta análise, foi possível corroborar e aprofundar a visão de linguagem e cognição proposta por Johnson e Lakoff, os quais ressaltam que esquemas imagéticos e projeções metafóricas são estruturas experienciais do significado, essenciais para a maior parte de nossa compreensão e raciocínio abstratos. Também ficou claro o papel do conceptualizador e dos vários elementos da perspectivação na construção do significado, como discutido por Langacker. Com respeito a essa noção de cognição corporificada, pude apresentar um esquema emagreço espacial oriundo da experiência corpórea, sancionador dos sentidos convencionalizados da preposição "sob", isoladamente e em construções.</p>
        <p id="paragraph-7373dd27d7c63cada9c6db560fef8984">Alguns desses processos são facilmente identificáveis, enquanto há outros cuja ligação com o sentido espacial já se afastou a ponto de não nos permitir fazer afirmações muito precisas. Contudo, acredito que esta tenha sido uma demonstração coerente de como, através da investigação sincrônica da linguagem em uso, é possível demonstrar sua ligação com a cognição humana como um todo.</p>
        <p id="paragraph-649546472643222d40936b5e757a5540">Finalmente, deixo claro que não há, neste estudo, alegação da existência de apenas um sentido espacial central, do qual os demais derivem historicamente, embora seja provável que o número desses esquemas espaciais originais seja pequeno. Esclareço, também, que há outros efeitos a serem explorados, como o uso nocional da partícula "sub". </p>
      </sec>
    </sec>
  </body>
  <back>
    <fn-group>
      <fn id="footnote-c99d4f609c5fae7487e46c43ed9f6382">
        <p id="paragraph-8b8e9503f598ec436d13d26ffdf83f61">Meus agradecimentos à Profa. Dra. Heliana R. Mello, pela detalhada leitura deste artigo e por seus pertinentes comentários sobre a análise dos dados.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-e384bc983e1c9d53e8b32e1972943a46">
        <label>1</label>
        <p id="paragraph-a43bfc4537f18f203bcd5b38cffbe9a3">A opção pelo adjetivo "lexical", em vez de "gramatical", não tem nada de arbitrário. Busco consonância com uma perspectiva teórica que nega a modularidade na língua, postulando a inexistência de limites definidos entre léxico e sintaxe. Além disso, por ser este um estudo semântico, entendo que os processos envolvidos na polissem ia de preposições também explicam o surgimento e a convencionalização de sentidos novos para outras categorias lexicais, como nomes e verbos.<sup id="superscript-2"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-630a8ee2dd7713ce36532af5ebe104e6">
        <label>2</label>
        <p id="paragraph-e294b8adebf1d1af5739fb33d353ac94">Em discussões sobre referencialidade e dêixis, esse autor demonstra como mecanismos lingüísticos nos fazem evocar o conceito que temos de uma entidade, e não a entidade em si mesma, e como esse conceito pode remeter a outras informações necessárias à compreensão do discurso.<sup id="superscript-6498d2c50427ec5ed55312cfd0d86456"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-0a9a6f516165bb7f34d3815045428a81">
        <label>3</label>
        <p id="paragraph-2d391728b37820c67cface364a5111c6">O termo "imaginação" tem aqui o mesmo sentido dado por Lakoff e Johnson (2003[1980])<xref id="xref-29cfad094ff496b43b43b0eaba4f6016" ref-type="bibr" rid="book-ref-6a5a0ae5b546418a311fdb75a86ff0e0">[13]</xref>, que é a capacidade humana de conceptualizar por meio de mapeamentos metafóricos.<sup id="superscript-533c9812204c5d4a0d8a007bb1d10b23"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-c890dd8130f2f1af115cead0224005bb">
        <label>4</label>
        <p id="paragraph-473bb33f43949b23299a9a7a7f12fbff">Essa perspectiva sobre cognição e memória está relacionada a uma mudança na própria definição de "mente". Para Langacker (1987: 100 e 162)<xref id="xref-4d549121ada20419c55f8dcbf89f9a39" ref-type="bibr" rid="book-ref-47a3beb94a95abad162341bd925e1a2d">[2]</xref>, ela é o resultado de processamento cerebral e um "conceito" é um "padrão estabelecido de atividade neurológica" .<sup id="superscript-9351269567625ea56d38fb2d45a935a6"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-659c6087f92de663ae3db829ba3cfcf7">
        <label>5</label>
        <p id="paragraph-85e8fc18f17fbeb0cd4a0cf7d777ab69">Devemos destacar, contudo, que minha conceptualização da cena é afetada, de certo modo, pelo esquema de verticalidade mais comum, aquele derivado de nossa posição vertical apoiada sobre os pés, com a cabeça voltada para cima.<sup id="superscript-06553b969a4046ee3e15b4d70dbc76b4"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-07db8e3c745487e396cc3fab4930273b">
        <p id="paragraph-8c627541cf63cb6f3a1d8a132c77fc01">CUNHA, Antônio Geraldo da. Assistentes: Cláudio Mello Sobrinho <italic id="italic-9805512507e365368544b58f719b79e6">et alii,</italic> Dicionário etimológico Nova Fronteira da língua portuguesa. 2.ed. rev. e acres. de um suplemento. <italic id="italic-2">Rio</italic> de Janeiro: Nova Fronteira, 1991. 839 p.<sup id="superscript-5969427c77218d01e81359b39b909bc2"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-3e37f60a0264d2e70a6adba4fe784a1b">
        <label>6</label>
        <p id="paragraph-424a54d49b03fc9106bc07a984b5af4c">LINDSAY, W M. <italic id="italic-ae2d891095175820fa973749a456f276">A short historical Latin grammar.</italic> 2. ed. Oxford: Claredon, 1937.224 p.<sup id="superscript-18ac9dc2bbd94a948fa52db295d29b8d"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-2e0999fefcad8d4f45118d5c6f2c75e9">
        <label>7</label>
        <p id="paragraph-c949d3116b700d4b8ca4b6928f766054">FARIA, Ernesto. <italic id="italic-7dce004212e8fb0b13c1691553e0f38e">Gramática superior da língua latina. Rio</italic> de Janeiro: Acadêmica, 1958.524 p.<sup id="superscript-16a78ef9402df8419274ff11cf7ec7e7"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-f3a80918075d18ccb9b574e7b0ac1d3b">
        <label>8</label>
        <p id="paragraph-6308447b38f7b66bb7c24d01481a148f">A noção de que essa forma expressava movimento é tão questiónável nos exemplos do latim, reproduzidos de outros autores, como o seria com relação aos usos do PB atual: <italic id="italic-e01a024ab5fb0afb63c11a07e7bf3599">sub iugum mittere</italic> (passar sob o jugo), <italic id="italic-c1bed44027e125193dbd69eb7a5c8bf3">sub terras ire</italic> (ir sob as terras) (p. 223). Normalmente, o sentido de movimento é evocado, no contexto, por outros itens lexicais, especialmente o verbo. Isso se deve ao fato de que o movimento implica o desenrolar de uma situação no tempo, o que é uma característica de verbos e não de preposições.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-8973263f8ab15d75547c38f59fc98315">
        <label>9</label>
        <p id="paragraph-771a1dedfd908528635c9830c5df227e">Neste artigo, o termo "ponto de vista" é empregado no sentido de <italic id="italic-4c9ecb472550315138e41036bba12c1c">"viewpoint"</italic> (Langacker, 1987)<xref id="xref-f8a09f7a60fd90d8b35acae45b84bd02" ref-type="bibr" rid="book-ref-47a3beb94a95abad162341bd925e1a2d">[2]</xref>, e inclui o "ponto de vantagem" - de onde se observa - e a orientação assumida. Essa última seria alterada no caso de o conceptualizador / observador estar de cabeça para baixo.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-5cfe05cbf81f5e93ee29ca1f310abd12">
        <label>10</label>
        <p id="paragraph-bf2cffbc1c6eb3ab6cbd67fc374be7e9">Um grupamento de sentidos não pressupõe, necessariamente, um novo sentido convéncionalizado para a preposição. O que está em jogo é a razão de certas entidades (representadas por sintagmas nominais) aparecerem em construções metafóricas com "sob".</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-fff6d2fbff7eba06aeca3cbf9b6a84cc">
        <label>11</label>
        <p id="paragraph-96dc8bb5fdd2049bb404c7486f0e6cbb">Os dados não forneceram qualquer ocorrência de "sob a democracia". Isso, muito provavelmente, deve-se ao fato de, normalmente, não associarmos o ingrediente "repressão" a nossos esquemas de "democracia" (Profa. Dra. Solange Vereza (UFF), comunicação pessoal).<sup id="superscript-aad8f58c491110eb2b674ed7becfb729"/></p>
      </fn>
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