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          <subject content-type="Tipo de contribuio">Ensaio teórico</subject>
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        <article-title>Variações fonéticas e sintáticas em narrativas do ALMS</article-title>
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            <surname>POSTIGO</surname>
            <given-names>Adriana Viana </given-names>
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          <email> revistadaabralin@gmail.com </email>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Federal do Mato Grosso do Sul</institution>
      </aff>
      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="23/05/2017" />
      <volume>6</volume>
      <issue>1</issue>
      <issue-title>Variações fonéticas e sintáticas em narrativas do ALMS</issue-title>
      <fpage>171</fpage>
      <lpage>181</lpage>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">
          <italic id="italic-54ff9700acc52f5acda3551e185500df">Com a realização desta pesquisa, a narrativas propostas pelo questionário do ALMS (Atlas Lingüístico do Mato Grosso do Sul), aplicamos princípios teóricos e metodológicos da Geolingüística e da Sociolingüística, buscando descrever e analisar parte da realidade lingüística sul-mato-grossense de dois pontos lingüísticos do Estado.</italic>
        </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-a5dea67762c8df9ab7d1a18ec060c24e">
          <italic id="italic-1">With this research, taking as database the narratives of the questionnaire of the ALMS (Atlas Linguístico de Mato Grosso do Sul), theories and methodological principles of the Geolinguistics and of Sociolinguistics were applied. The main purpose was to describe and analyze part of the linguistic reality of two linguistic points of the Mato Grosso do Sul state.</italic>
        </p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-04f17e2f508df476403680ac1bf0c95a">variação</italic>
        </kwd>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-2a316275dd24f52f6abe49a6ab72f458">fonética</italic>
        </kwd>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-683457daa0e1e1a74594c0b9fa700a45">sintática</italic>
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    <sec id="heading-1f2bacb71de166a76f43bdc421c1b763">
      <title>1. Introdução</title>
      <p id="paragraph-a6f6ec1fbbcb41ab5124acdaf00dda8a">Este trabalho visa à descrição e análise de aspectos fonéticos e sintáticos, de parte da realidade lingüística sul-mato-grossense, com base em dados coletados nas localidades de Bandeirantes e Rochedo, pertencentes à rede de pontos lingüísticos inseridos no ALMS (Atlas Lingüístico do Mato Grosso do Sul). </p>
      <p id="paragraph-8003b8626b78cc66bdca77d9f22feda3">Os dados foram obtidos a partir das narrativas propostas pelo questionário do ALMS. Foram estudados os aspectos que seguem:</p>
      <p id="paragraph-5cee9a96b01f1db9b223bbf02e718c08">_</p>
      <p id="paragraph-0d529b1ee95f417390cec1175426e2e5">1. alteamento de vogal; </p>
      <p id="paragraph-cb41d28b3b6cc8ba80e2735c42b82ee2">ii. vocalização da lateral;</p>
      <p id="paragraph-3">iii. substituição de [L] por R]; </p>
      <p id="paragraph-52bbf9617877fc8f84d87f946ee895ad">iv. concordância verbal;</p>
      <p id="paragraph-5">v. <italic id="italic-aad64b901771e762cac62c7cb58cf988">ter</italic> por <italic id="italic-2">haver</italic> em construções existenciais.</p>
      <p id="paragraph-919a3eb62fa9130b8f373045a8d6dc88">_</p>
      <p id="paragraph-5af9287d6b566682a7f8e754ba4f44a1">As divisões dialetais no Brasil são menos geográficas que socioculturais, como afirma Paul Teyssier (2001: 98)<xref id="xref-d53e3d0c63838e2b9dcb5d0e9f60208b" ref-type="bibr" rid="book-ref-039dcf8cc462201770519cfae1efe26d">[1]</xref>:</p>
      <p id="paragraph-aa1936485c4313458b72ac8e794b4860">_</p>
      <p id="paragraph-afc7e36d25555dc8ae6b979ee21ce6a3">
        <italic id="italic-a9cc3046fc3128b2e2e12ca16676f17f">As diferenças na maneira de falar são maiores, num determinado lugar, entre um homem culto e o vizinho analfabeto que entre dois brasileiros do mesmo nível cultural originários de duas regiões distantes uma da outra. A dialetologia brasileira será, assim, menos horizontal que vertical [...] Os estudos científicos a respeito desses diversos níveis de língua são ainda insuficientes. Além disso, as mutações rápidas ligadas à urbanização e à industrialização tornam a realidade atual particularmente instável.</italic>
      </p>
      <p id="paragraph-766b1f39c3320b5d7ef2402b3229e466">_</p>
      <p id="paragraph-4bc097bc4aead9ca19714aad620bbd61">Segundo Da Hora e Machado (2006: 55)<xref id="xref-238d59d3952e60936915b5de3ce693b1" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-ebf52c95430b52efa47b3ce915088e5a">[2]</xref>, linguagem e sociedade estão ligadas entre si, como podemos verificar:</p>
      <p id="paragraph-e8b034bc12ac2212e9acddc5f64b5e43">_</p>
      <p id="paragraph-8dab6d0239201e87495b54ebd15a6943">
        <italic id="italic-97a776950a12b43ce80f516fe30dcd7d">Toda língua é o produto da comunidade de fala a que corresponde, ou seja, a língua é decorrente do uso que uma determinada sociedade faz. Assim, compreende-se que uma língua não é propriedade de um indivíduo, mas constitui um fenômeno social e cultural e, como tal, é um fenômeno dinâmico, não estático, variável, que evolui com o passar do tempo.</italic>
      </p>
      <p id="paragraph-c1e8f0308091de2c154531217fc6878d">_</p>
      <p id="paragraph-bf64dce14973ca0114bcf721972e667a">A importância dessa investigação tem por base o que diz Oliveira e Isquerdo (2003: 51)<xref id="xref-4dadfb9739d2eed61c60ce2995db9fc9" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-97970178f47b969e17664b4fc42d096f">[3]</xref>:</p>
      <p id="paragraph-39ad3b0212d632ac4043146631355b51">_</p>
      <p id="paragraph-c969ad17961817d7c93009b0ae4910e1">
        <italic id="italic-230ac1f5bbbc45ba3d7571fbf9901431">Vê-se que são várias as situações e condições linguageiras e sobre elas, devido à extensão territorial e às diversas influências estrangeiras, além da contribuição indígena, há necessidade de perscrutações que favoreçam um conhecimento sistemático e científico.</italic>
      </p>
      <p id="paragraph-0747f3fa3dcd05af6b4f36596557d2b1">_</p>
      <p id="paragraph-ec052a3773a7a9bc1b9fcedca0163f71">A realização do trabalho teve como objetivos verificar e analisar as diferentes construções fonéticas e sintáticas, em sentenças das narrativas do questionário do ALMS.</p>
      <p id="paragraph-232bdd908302c0e85ec8fe65fcc38978">_</p>
      <sec id="heading-1c2c54e91e39470d1211d3dbe3aa74e1">
        <title>2. Metodologia</title>
        <p id="paragraph-d8b5ba35ed0a81f15616475b35e19d5e">De acordo com o procedimento metodológico do ALMS, foram inquiridos quatro informantes de cada localidade, de acordo com os seguintes grupos de fatores: gênero (masculino e feminino), faixa etária. (18 a 30 anos e 45 a 70 anos), grau de instrução (analfabeto ou ter cursado até a quarta série do ensino fundamental) e naturalidade (nascidos e/ou moradores da localidade desde os oito anos de idade). </p>
        <p id="paragraph-eb8b84cf658871ba4da644dbe60f50bd">As entrevistas foram gravadas, com duração média de três horas, e copiadas em CDs para maior segurança dos dados. Utilizamos dois tipos de ficha, uma sobre o informante e outra sobre a localidade.</p>
        <p id="paragraph-261b07091fdd9bfe527ae0b725a4443f">Os dados foram transcritos grafematicamente e descritos em tabelas com percentuais e variantes extralingüísticas. Paiva (2003: 135)<xref id="xref-4ac428921e7fee20c319bc9cf250b3c9" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-d5e80bda5affc602471b8e22c70f9afb">[4]</xref> ressalta a importância da fidedignidade na transcrição dos dados da fala, que é [...] transpor o discurso falado, de forma mais fiel possível, para registros gráficos mais permanentes, necessidade que decorre do fato de que não conseguimos estudar o oral através do próprio oral".</p>
        <p id="paragraph-8df14afca3b0d7ff1116e4e4ad934ced">Para efeito de codificação das variáveis com suas variantes, classificamos todos os informantes como:</p>
        <p id="paragraph-188fe9a16bb0c2d6cb30386f825343eb">_</p>
        <p id="paragraph-b8590443c5a4eb26a8dca84936bf4f15">1. informantes: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 </p>
        <p id="paragraph-f8b68b625065a61083e3825b839700c8">ii. sexo: m (masculino), f feminino) </p>
        <p id="paragraph-493d6b10d5143c8824d1b5de7a383556">iii. faixa etária: a. I faixa etária, b. II faixa etária </p>
        <p id="paragraph-c30a4e8504dda108a3de90282696f7bc">iv. localidades: b. Bandeirantes, r. Rochedo </p>
        <p id="paragraph-a74738a8defd5fb65eed39d88e5f12fc">_</p>
      </sec>
      <sec id="heading-f66cce733d75bbc96ccc8a182e9da730">
        <title>3. Variações fonéticas</title>
        <p id="paragraph-63a481b384ebb8f9f39ad137683da2cb">Foram computados 1.096 vocábulos, ilustrados sem transcrição fonética para efeito de melhor compreensão da seqüência lingüística. Examinemos, pois, os dados fonéticos encontrados nas narrativas do questionário do ALMS.</p>
        <p id="paragraph-cfb388b982ada03d1db136528eccdfa5">_</p>
        <sec id="heading-f4af6a4e6c0154df168a24f1724e6a66">
          <title>3.1. Alteamento de vogal</title>
          <p id="paragraph-b0c700f08fb1ca5788360b11506bf4ea">O alteamento vocálico consiste no levantamento do som de uma vogal mais baixa para uma mais alta, como por exemplo, a realização de [e], média de segundo grau para [i], alta. É um fenômeno conhecido também como alçamento, do inglês <italic id="italic-bfc64bf573542d695a72889b31491a25">raising.</italic></p>
          <p id="paragraph-4243885e333494f92984fba911ad3ae7">As vogais fonéticas seguem uma linha venical de ordem [a ԑ e i ᴐ o u] e tendem a formar um grupo harmônico. Quando ocorre uma aproximação em movimento crescente dizemos alteamento (ou alçamento), como e &gt; i, e o&gt; u.</p>
          <p id="paragraph-1c6ce97712f90be79a5813e98ae2eb95">Neste trabalho, foram encontradas 1.092 ocorrências que confirmam o uso desse aspecto fonético, comum na língua falada do Estado. De acordo com os dados, obtivemos 536 (49,8%) ocorrências de e &gt; i, e 556 (50,2%) de o&gt; u. Quanto à tonicidade, verificamos 448 (40,77%) monossílabos tônicos, 538 (49,26%) ocorrências em posição postônica, 85 (7,78%) em posição pretônica e 24 (2,19%) em posição tônica.</p>
          <p id="paragraph-f7d0724ef60c2d32b5732c4dcc6eb6c4">_</p>
          <p id="paragraph-32525238702edbbcd1964ac45522b603">(...) <bold id="bold-1">di</bold> verda<bold id="bold-2">di</bold> (...) (2fab)</p>
          <p id="paragraph-839d620a252d09b29a4d20519e21bcb2">(...) nã<bold id="bold-3">u</bold> qu<bold id="bold-4">i</bold> dá azar (...) (l mab)</p>
          <p id="paragraph-89dc8f4663e1ebfbd8dfcb30ae6d0149">(...) eu ná<bold id="bold-5">u</bold> acridit<bold id="bold-6">u</bold> nã<bold id="bold-7">u</bold> (...) (2fab)</p>
          <p id="paragraph-7">(...) tem a arruda mesm<bold id="bold-8">u</bold> (...) (lmab)</p>
          <p id="paragraph-9">(...) foi <bold id="bold-9">u</bold> primer<bold id="bold-10">u</bold> present<bold id="bold-11">i</bold> (...) (6far)</p>
          <p id="paragraph-11">(...) quand<bold id="bold-12">u</bold> a gent<bold id="bold-13">i i</bold>studava (...) (4fbb)</p>
          <p id="paragraph-13">(...) <bold id="bold-14">u</bold> saci aparec<bold id="bold-15">i</bold> mesm<bold id="bold-16">u</bold> (...) (8fbr)</p>
          <p id="paragraph-15">(...) <bold id="bold-17">u</bold> post<bold id="bold-18">i</bold> caiu pert<bold id="bold-19">u</bold> di mim (...) (5mar)</p>
          <p id="paragraph-17">(...) mem<bold id="bold-20">u</bold> quand<bold id="bold-21">u</bold> é criança (...) (lmab)</p>
          <p id="paragraph-19">(...) <bold id="bold-22">u</bold> primer<bold id="bold-23">u</bold> a gent<bold id="bold-24">i</bold> nunca <bold id="bold-25">i</bold>squec<bold id="bold-26">i</bold> (...) (2fab)</p>
          <p id="paragraph-21">(...) <bold id="bold-27">u</bold> primem namorad<bold id="bold-28">u</bold> da gent<bold id="bold-29">i</bold>, né?(... ) (2fab)</p>
          <p id="paragraph-23">(...) purque el<bold id="bold-30">i</bold> era muint<bold id="bold-31">u</bold> ciument<bold id="bold-32">u</bold>, né? (...) (2fab)</p>
          <p id="paragraph-25">(...) quand<bold id="bold-33">u</bold> eu c<bold id="bold-34">u</bold>nheci el<bold id="bold-35">i</bold> foi numa praça (...) (2fab)</p>
          <p id="paragraph-5fdd8e2e07fce53c230f016ad862feb3">(...) nóis <bold id="bold-89bf9bd8bee6b2a327ac067452632c7e">i</bold>studava numa <bold id="bold-72ff485a73c92cbe6ff6202c1c418eb5">i</bold>scolinha (...) (3mbb) (1mab)</p>
          <p id="paragraph-365f000b19e512a03f0f9c279ce3f70d">(...) já revi ... el<bold id="bold-41c5fe2b9ada38168e691d1e50936301">i</bold>s falava a muié sem cabeça (...) (1mab)</p>
          <p id="paragraph-829bfe4e014c7459b1c2c12e2da64ce8">_</p>
          <p id="paragraph-9d1a2acbf3928518e52d43e0658547af">Os resultados atestaram que essa variação é um pouco mais atuante nos informantes do sexo feminino (52%) do que no sexo-masculino (48%).</p>
          <p id="paragraph-2e77593e4e9fe2fd6d71ffc58a85005b">_</p>
        </sec>
        <sec id="heading-3387146ee93aa22abcf25aa2764d8b19">
          <title>3.2. Vocalização da lateral: substituição de [l] por [w]</title>
          <p id="paragraph-8d7db432a8650ba7eaef5b39285d20d9">De acordo com Silva (2001: 162)<xref id="xref-7bf832d0462d08a34311b54f9c1b0907" ref-type="bibr" rid="book-ref-f3b2a9b944232739868ceeb4b614d874">[5]</xref>, a consoante /l/ pós-vocálica, quando ocorre em posição final de sílaba possui duas possibilidades de realização fonética, podendo ocorrer vocalização (transformação de consoante em vogal), como:</p>
          <p id="paragraph-f525569a097f129c7c79cbfd2a3e5f10">_</p>
          <p id="paragraph-b6c32739281583149cbb268ac1d1abee">( . ) muintu <underline id="underline-1">difíci<bold id="bold-a4c988b512eb2e220e800718c4566823">w</bold></underline>( ... ) (3mbb)</p>
          <p id="paragraph-74cf01a74193035c1116063844f42d32">( .. ) quandu eli <underline id="underline-2">vo<bold id="bold-9937d1ea8af7cc7beee6baf028dff516">w</bold>tô</underline> ( ... ) (5mar)</p>
          <p id="paragraph-45a2da567709b135270abab4a822a7f2">( .. ) era um morroti muintu <underline id="underline-3">a<bold id="bold-8606e2674b15ef023d9237f6c64d5a58">w</bold>tu</underline>(3mbb)</p>
          <p id="paragraph-cefa09e7716d539f7d92064919754800">( . ) <underline id="underline-4">principa<bold id="bold-68577136b7461f07a1e49c29a05faeb5">w</bold>menti</underline> pa criança andá ( ... ) (6far)</p>
          <p id="paragraph-fe898e61d5b03e26327beea1b46ee4a3">_</p>
          <p id="paragraph-4b9c3727223b852ab13013031d5480aa">Na análise dos dados, o gênero demonstrou que os informantes do sexo masculino detiveram o maior uso, com 60%, enquanto os informantes do sexo feminino obtiveram 40%, ou seja, uma diferença considerável de 20%.</p>
          <p id="paragraph-e6c5314d40738c9bf5753f6af6840913">Na análise dos dados, o gênero demonstrou que os informantes do sexo masculino detiveram o maior uso, com 60%, enquanto os informantes do sexo feminino obtiveram 40%, ou seja, uma diferença considerável de 20%.</p>
          <p id="paragraph-1b65610117b5425e6e58671940684170">_</p>
        </sec>
        <sec id="heading-9ea900693057bfaf832073c948d5434e">
          <title>3.3. Rotacismo: substituição de [L] por [R]</title>
          <p id="paragraph-c41260dc88cf9256eebf863171cf428a">De acordo com Jota (1976: 293)<xref id="xref-16b814cfa6ab1d55f45bab0d3249b41b" ref-type="bibr" rid="book-ref-e8cabd938091df2bf23b6fc71eebeb39">[6]</xref>, o rotacismo é a troca do fonema <italic id="italic-e5687aa3d42e8a2e7b0e8fab35f16b29">l</italic> por <italic id="italic-eb30ca65aa3ef04756b079b237ed51e2">r.</italic> Vejamos alguns exemplos encontrados nas narrativas do ALMS que verificam a alternância /l/~/r/ /176 (...) muinta gente <underline id="underline-d7804f8b9421ac0a35efa2293641a614">p<bold id="bold-5f3ed51b6db8e86b02d47bbba68bdea3">r</bold>anta</underline> eli (...) (lmab)</p>
          <p id="paragraph-194817397d074fdebddd90d6908b7c0b">_</p>
          <p id="paragraph-f2249b2001f64936470f4e158980517a">(...) eu cunheçu <underline id="underline-a483759185a828d6b25327dc770f6a9f">a<bold id="bold-0b58e2a7f261aedeb57d352528d5b751">r</bold>guma</underline> (...) (5mar)</p>
          <p id="paragraph-0dcf7e03e52274b25329f148ce1de73c">(...) iscoradu nu <underline id="underline-29e7835c067b2da20c23816675e0e8f2">ba<bold id="bold-51b3fd4d02eb5d441ed5c1a5f361ecf3">r</bold>cãu</underline> né? (...) (4fbb)</p>
          <p id="paragraph-67501785f3752f123be5fb89bc597bff">(...) eu nãu tenhu cumu <underline id="underline-1b59560ec26730cfafda7230f08839d0">ixp<bold id="bold-75f7184d6251b6f3e1a342705a336ad2">r</bold>icá</underline> (...) (5mar)</p>
          <p id="paragraph-c06e10a15031e0a4ebfcbf33f03b615f">_</p>
          <p id="paragraph-ca6978c770daa03d147872655f6852fc">De acordo com os resultados obtidos, a análise da variável gênero demonstrou que os informantes do sexo masculino foram os que mais utilizaram a variação, correspondendo a 75%, enquanto os do sexo feminino detiveram 25%, ou seja, há 25% de diferença entre os gêneros.</p>
          <p id="paragraph-aac7dd6b1e246ff29b678d295b7b3e35">Observamos que a primeira faixa etária apresentou variação com 75%, já os informantes da segunda corresponderam a 25%.</p>
          <p id="paragraph-2b9e706804b52e94af9a875a53421d3f">Segundo Gomes e Souza (2003: 76), a alternância [l] ~ [r], ou rotacismo, é bastante antiga:</p>
          <p id="paragraph-78c2031612ae0d0d36cde22f36c721da">_</p>
          <p id="paragraph-fa98423f2bc1d611f774f4fcf3d485ef">
            <italic id="italic-68d4420f72094633e6b775e97dcd15f7">Há ainda evidências históricas de que os processos em questão atuaram em outro momento, tendo como resultado da mudança lingüística a substituição de [ l ] por [ r ], como em igreja (ecclesia) e brando (blandus) (...) e, em determinado momento, deixou de ser um processo de mudança e passou à condição de variação estável, conforme registrado em textos do português arcaico (...) Sincronicamente, pode-se afirmar que a variação ocorre em qualquer dialeto urbano do português brasileiro (...) e é fortemente estigmatizada.</italic>
          </p>
          <p id="paragraph-715b8821ca157bc4fe251276a2f29a35">_</p>
          <p id="paragraph-d871a79d3953a8f3b82eba525a00eb70">Por fim, observamos que os fenômenos fonéticos estudados ocorrem na fala dessas localidades e, para efeito de visualização da análise realizada, construímos o gráfico que segue:</p>
          <fig id="figure-panel-71b7add7067e32daa913348de2a6fd51">
            <label>Figure 1</label>
            <caption>
              <p id="paragraph-69808b8243435facf87dce0be0a7feeb" />
            </caption>
            <graphic id="graphic-4015fd17b4ddbd9758c0b5f901502243" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2020-12-30_20-03-53.png" />
          </fig>
          <p id="paragraph-2">A partir do gráfico, podemos visualizar melhor o quanto e como as variáveis extralingüísticas atuam na fala dos informantes sul-mato-grossenses.</p>
          <p id="paragraph-60b15f236365c474c03bf6ebf7d96ee2">_</p>
        </sec>
      </sec>
      <sec id="heading-3ef1f1bd80d1d6abd11a0c8b2feb097d">
        <title>4. Variações sintáticas</title>
        <p id="paragraph-046a0b697cd9ad06e7e15f118234bce1">Com a descrição de aspectos sintáticos, pode-se verificar a estrutura lingüística. Os dados obtidos (nas narrativas do ALMS) foram considerados a partir de construções sintáticas e transcritos grafematicarnenre para melhor compreensão da seqüência lingüística. </p>
        <p id="paragraph-e73e87f81b25b4a2bf64eedcaa52f09a">_</p>
        <sec id="heading-d176287452b457a755122641370ce6c7">
          <title>4.1. Topicalização</title>
          <p id="paragraph-8dbe5f10b71e9aab00e89dae6c85d7c5">Em seu artigo "O tópico em língua escrita", Oliveira (1996: 149)<xref id="xref-1a17eab2070ff85459ccf6225feff483" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-9dbeeab1e6439cf06fd1bc51a3571691">[7]</xref> já dizia que "(...) lingüistas de orientação teórica diferente, como por exemplo, Galves (1987) e Pontes (1987), têm caracterizado, tipologicamente, o português do Brasil como língua de tópico".</p>
          <p id="paragraph-1e0fdc54010bc01a60ffd72eb13d5580">Na língua coloquial, não são poucas as construções de tópico e vale ressaltar que o português falado no Brasil para Galves (1998: 85)<xref id="xref-b66da18bac0f2d1d84081847a2329e8c" ref-type="bibr" rid="book-ref-86b7a778935ca1df92433c1d1d664081">[8]</xref> é caracterizado como TSVO (Tópico, Sujeito, Verbo e Objeto), ao contrário do português europeu, que é SVO.</p>
          <p id="paragraph-30386aa75084ef7393e8b846a2447e2f">Topicalização, de acordo com Jota (1976: 327)<xref id="xref-97240bcf55b14472160642f3e286b550" ref-type="bibr" rid="book-ref-e8cabd938091df2bf23b6fc71eebeb39">[6]</xref>, é o emprego de um sintagma nominal ou adverbial deslocado para o início da sentença. A topicalização, basicamente, pode ser do sujeito, do objeto e do adjunto adverbial. A diferença entre topicalização e deslocamento à esquerda consiste no emprego do pronome lembrete na segunda construção sentencial.</p>
          <p id="paragraph-6ff266eed330573e5ab6d46d447b6c7b">Com base no que têm afirmado esses estudiosos, examinamos as construções de tópico, nas localidades de Bandeirantes e Rochedo, realçando as identificações na modalidade falada.</p>
          <p id="paragraph-9411e59065ebf03c75c966cb1b1a435e">_</p>
          <p id="paragraph-97f61b7f29ce2edeed3186e3225d89b1">Tópico do objeto:</p>
          <p id="paragraph-e796981b2310cb6d08c1be50ea7be17b">(...) <underline id="underline-36d10e2851aa092fc47231baa6aab9d6">da cebola</underline> eu nãu sei (...) (Mar)</p>
          <p id="paragraph-24980a9bda642f3a6ddb4c1f2e7f0eec">(...) <underline id="underline-fa10c099dfd0546e3ada085cf91d5ec9">coru di lobu</underline> (...) eu nãu sei (...) (1mab)</p>
          <p id="paragraph-5af379ccfd5e03ee1f9e94fdcaa1c52c">_</p>
          <p id="paragraph-f0ee5473e808649217e6beda95cd2040">Tópico do adjunto:</p>
          <p id="paragraph-e6bee1e8ab0c5377ac358e080db6160a">(...) <underline id="underline-df113b54cb60e1a50b737160df2258f8">na ... ::sexta fêra santa</underline> apareci lubisomi (...) (8fbr)</p>
          <p id="paragraph-7d10f497f5977f96bbd584bc73425268">(...) <underline id="underline-a85d6eea6d89506a679347494f462234">na minha infância</underline> nãu mi apareceu nada (...) (8fbr)</p>
          <p id="paragraph-d7f6aa51eeda07c4e170cb091d3c3b70">_</p>
        </sec>
        <sec id="heading-3e79f19d797905ef62745727dc7541a4">
          <title>4.2 Enfraquecimento da flexão verbal</title>
          <p id="paragraph-7ecbf98f0024e1327a1326a92601f7db">Em se tratando deste aspecto sintático, é necessário afirmar que a justificativa tem por propósito a identificação do destinador. Observe-se:</p>
          <fig id="figure-panel-ff0ef878cbed1f6beb98553a8c8f1224">
            <label>Figure 2</label>
            <caption>
              <p id="paragraph-06fd5ec964d2ce70ebe4df28eb4f61a4" />
            </caption>
            <graphic id="graphic-b6abbac3dc7c08fde432cc7a3386b104" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2020-12-30_20-04-15.png" />
          </fig>
          <p id="paragraph-6356ccc6ad20b79e81c3c9d7a4a48d79">(...) elis falava a muié seim cabeça (...) (1mab)</p>
          <p id="paragraph-ed4ad56f14af421825ef579a161b1b77">(...) diz elis tê vistu ( ... ) (5mar)</p>
          <p id="paragraph-f932ac839b95bbaaa14885aebbbf23ed">(...) qui elis fala né? (...) (6far)</p>
          <p id="paragraph-19a32d4e52c9bb33f0c11b3ee678487a">(...) já ... já revi (...) elis falava a muié sem cabeça (...) (1mab)</p>
          <p id="paragraph-e4f66eb4511deccbeed966ab6706bfef">(...) aí us irmãu conTAVA (...) (2fab)</p>
          <p id="paragraph-3c1367ae03cb53792039d6514f74168d">(...) nóis istudava ... numa iscolinha (...) (3mb</p>
          <p id="paragraph-afbc67fc6f77f4f9d66e8f111cb77423">(...) nóis ía nu trieru (...) (4fbb)</p>
          <p id="paragraph-e5e18e08cab851f21e3a7ed55975dbe5">(...) elis chamava portadô, né?(...) (4fbb)</p>
          <p id="paragraph-4b94ea596020a9d1f8322ed4b434e5df">(...) nóis tava na casa du fazenderu (...) (4fbb)</p>
          <p id="paragraph-16"> _</p>
        </sec>
        <sec id="heading-c6ffe9fbba1bbe262661c7129b50b343">
          <title>4.3 <bold id="bold-a7c02336cf0bd2506622685e772d5f03">Substituição de</bold> <italic id="italic-161a21494c60a3eef1027294182677fc">haver</italic> <bold id="bold-b6b3adf1e8a8c1c38188cec67b6efed0">por</bold> <italic id="italic-4d1ffbe916c21f9fd6025f9b9a358f34">ter</italic></title>
          <p id="paragraph-376fa96d3f4fc43ab209cf448ace07df">No artigo "Gramática da variação ou variação da gramática?", Oliveira e Durigan (2004: 38)<xref id="xref-33e86fc8ebff9f4c72a2f913cab9c4fe" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-4da4ee82ae33dec83574ce7522176885">[9]</xref> afirmam que a troca de <italic id="italic-16ff62522db2697867f059da315ff089">haver</italic> por <italic id="italic-94c96a30b3564bb5e74ceec47774d775">ter</italic> pode ocorrer com maior freqüência em seqüências lingüísticas nas quais o verbo ocupa a primeira posição.</p>
          <p id="paragraph-2520276f63c8b5ce1892153ba63d9eeb">A partir dos resultados obtidos nas localidades pesquisadas, pode-se verificar que o verbo <italic id="italic-414f46b15752dc02c02ea0d0e0f20f8a">ter</italic> já substitui o <italic id="italic-d91909e17f448c74abafda3e1c9547fa">haver</italic> em qualquer posição. Observe-se:</p>
          <p id="paragraph-fdee615b05ba2a39d7fa0cdbcd9d3643">_</p>
          <p id="paragraph-27e9a283eec8e695f985a6031c304dc9">(...) antigarnenti nãu <italic id="italic-058d4e25a5b1b083c58c768856d7db12">tinha</italic> rnercadu (...) (4fbb)</p>
          <p id="paragraph-15a9f3a98b7b2dcf5fba90f6afef96c0">(...) aqui <italic id="italic-8a6eea5979652a609e756d545d7b4f9d">tem</italic> um neguim dágua (...) (6far)</p>
          <p id="paragraph-4e36392dd6a04fe3fc88e1d70cbf3e75">(...) <italic id="italic-3">tem</italic> mais já é di tragédia memu (...) (5mar)</p>
          <p id="paragraph-3e7ca858bfad2aca3fa418b0b552a379">(...) <italic id="italic-4">tem</italic> um poçu ... tem um ... nu anu passadu (...) (5mar)</p>
          <p id="paragraph-39784e23c689f964500f39561d25d608">(...) i aí <italic id="italic-5">tinha</italic> uns turista qui tava danu tomanu bãi (...) (5mar)</p>
          <p id="paragraph-ba257f70f74ff478a63bfb17a8373105">(...) podi <italic id="italic-6">tê</italic> mais alguma coisa (...) (5mar)</p>
          <p id="paragraph-8267a37a03584629fbdce6ef2fdd8b98">(...) aqui qui <italic id="italic-7">tem</italic> um neguim dágua (...) (6far)</p>
          <p id="paragraph-0c8d773dd0edad61bc3067f4f1e23834">_</p>
          <p id="paragraph-24f4bda77a22e6ca54254c8ef5e7f17a">Com relação a esse fenômeno sintático, utilizado com freqüência na língua falada sul-mato-grossense e brasileira, Bagno (2001: 177)<xref id="xref-be0f5fdbf3ed24a6703bcda2eeebfd25" ref-type="bibr" rid="book-ref-acca464aa3bfbe2879be22a0adec157b">[10]</xref> afirma que "(...) pode parecer inacreditável, mas até hoje, 80 anos depois da publicação do poema 'No meio do caminho' de Carlos Drummond de Andrade, ainda existe uma campanha prescritivista contra o uso do verbo <italic id="italic-413cd34f83ce2f8d558e4994d3fbfa8c">ter</italic> com sentido de 'existir'".</p>
          <p id="paragraph-48d79df7891c4e6c2492961fb7251351">O emprego do verbo <italic id="italic-2413f1544e3be7cf2a68f7b230aab3d4">haver,</italic> no sentido de existir, poderá não ser encontrado no uso da norma culta, em texto escrito, ou mesmo, na sintaxe do português europeu, como bem nos mostra a narrativa de Bagno na obra citada anteriormente (2001: 37)<xref id="xref-bf0004b3e13e210f7ae7fe48fe7ec79c" ref-type="bibr" rid="book-ref-acca464aa3bfbe2879be22a0adec157b">[10]</xref>: </p>
          <p id="paragraph-d2429707c143058c11f18e193e97026a">_</p>
          <p id="paragraph-2207c3915cbd6ac26e5d784ca2500057">
            <italic id="italic-92795b2bdff4e76737fab979b1821879">Um amigo meu, brasileiro, entrou numa loja em Lisboa e perguntou ao vendedor: "Tem filme para máquina fotográfica?" O vendedor, muito gentil, respondeu: "Ter, temos, mas não há". Meu amigo ficou confuso, e não é para menos (...) os portugueses não usam o verbo <underline id="underline-309964dc7d9d422cc58c1193c074c259">ter</underline> com o sentido impessoal de <underline id="underline-a536c8cdb54900c9ac6a6c579973f948">haver</underline> ...</italic>
          </p>
          <p id="paragraph-92d1b98bbcbdd92f5e7d80f7d7da9f99">_</p>
        </sec>
      </sec>
      <sec id="heading-15c7d21c9be41d36311e953cb9a78876">
        <title>5. Considerações finais</title>
        <p id="paragraph-4a8938b54a8f8ca2ece947d6b4d6e47f">Em termos concludentes, sobre os aspectos fonéticos, podemos afirmar que os fenômenos ocorrem nas localidades estudadas.</p>
        <p id="paragraph-8bbfe310bc626b90b788a7cf219284b0">Os aspectos sintáticos, por sua vez, mostram que, no português do Brasil, não é estranha a construção com tópico nas sentenças, principalmente quando se trata do movimento do objeto para o início da oração. Em relação à flexão verbal, a pluralização dos determinantes e a não alteração do verbo para concordar com o sujeito, na modalidade falada, é quase definitiva.</p>
        <p id="paragraph-197f351309f3e4d2bfa0234b161c5c69">O trabalho, como foi realizado, poderá contribuir para conhecermos melhor a língua falada no Estado de Mato Grosso do Sul, observadas suas diferentes regiões. A despeito do que diz Moura (1995: 51)<xref id="xref-f628ae61b731050768914e7a3c786816" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-d76f3e870697f910e09ecea69ad3f07d">[11]</xref>, <italic id="italic-b5a7c7f5fe98604e2e7ee5d857432984">esperamos</italic> <italic id="italic-2c519edf87038522ab02f8b592e60296">que todos esses estudos possam contribuir para um melhor conhecimento da língua falada no país.</italic></p>
      </sec>
    </sec>
  </body>
  <back>
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      <ref id="book-ref-acca464aa3bfbe2879be22a0adec157b">
        <element-citation publication-type="book">
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          <source><italic id="italic-043f0e0a1b5b82fde48509380fd08647">Português ou brasileiro:</italic> um convite à pesquisa</source>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="chapter-ref-ebf52c95430b52efa47b3ce915088e5a">
        <element-citation publication-type="chapter">
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