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          <subject content-type="">Ensaio teórico</subject>
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        <article-title>Investigando a origem e o desenvolvimento de orações dependentes nas famílias do tronco lingüistico Tupi</article-title>
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            <surname>CABRAL</surname>
            <given-names>Ana Suelly Arruda Câmara</given-names>
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        <institution content-type="orgname">Universidade de Brasília</institution>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="22/05/2017" />
      <volume>5</volume>
      <issue>1/2</issue>
      <issue-title>Investigando a origem e o desenvolvimento de orações dependentes nas famílias do tronco lingüistico Tupi</issue-title>
      <fpage>11</fpage>
      <lpage>32</lpage>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">Demonstra-se, com base nos princípios e procedimentos do Método Histórico Comparativo, que as orações dependentes de línguas pertencentes a sete das dez famílias do tronco lingüístico Tupi se desenvolveram a partir de complementos circunstanciais presentes no Proto-Tupi.</p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-f5f210c7a1ee31746f6ea2aa32f59f8d">In this paper, in accordance with the principles and procedures of the Comparative Method, it is shown that the dependent clauses of languages belonging to seven of the ten Tupi families have developed from circumstantial complements present in Proto-Tupi.</p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">morfossintaxe</kwd>
        <kwd content-type="">nominalização</kwd>
        <kwd content-type="">orações dependentes</kwd>
        <kwd content-type="">reconstrução histórica</kwd>
        <kwd content-type="">Proto-Tupi</kwd>
      </kwd-group>
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    <sec id="heading-d1488329e0e630ae56f1c6cd6cf23596">
      <title>1. Introdução</title>
      <p id="heading-3a2172603f802dbb3fc1502b9a2642dc">Neste trabalho demonstramos a hipótese de que as oraçõesdependentes, correspondentes a orações de gerúndio<xref id="xref-cc9f5053332bca096b0a3590dd26ebfe" ref-type="fn" rid="footnote-fd3cf98619391f1f1389e282dcb3b173">1</xref> e de subjuntivo,de línguas pertencentes a diferentes famílias do tronco Tupi sedesenvolveram durante o processo de desmembramento desse tronco,em que sucessivos movimentos migratórios afastaram povos Tupi da suaregião de origem, no sudoeste da Amazônia, rumo a leste. A demonstração<xref id="xref-7e3ac33b065a05898ccc349d99cb79ea" ref-type="fn" rid="footnote-2ee0f6faf76c4798d2f59e1e199b017d">2</xref> reúne evidências de que, nessas línguas, as orações dependentes comparadas, que são as de gerúndio e as de subjuntivo, têm natureza adverbial, pois resultaram de processos de reanálise denominalizações combinadas com morfemas casuais ou com posposições. Isto pode explicar a combinação de marcas pronominais absolutivas com os núcleos dos predicados dessas orações, bem como a propriedade que elas têm de acionar o modo indicativo II, característica das expressões adverbiais das línguas Tupi. Será também mostrado que as fontes históricas das orações dependentes das línguas orientais teriam sido análogas àsc onstruções encontradas em outras línguas Tupi atuais, tanto ocidentais quanto orientais, em que nominalizações, em sua maioria combinadas com morfemas de força adverbial, exercem funções gramaticais análogas às das orações de gerúndio e de subjuntivo das línguas examinadas, sendo as orações correspondentes com predicados verbais inovações nas línguas que as apresentam. Finalmente, os resultados da comparação também oferecem fundamentos para a hipótese de alcance histórico de que já no Proto-Tupi nominalizações combinadas com morfologia de natureza adverbial expressavam as noções de finalidade e de contemporaneidade ou sucessividade.</p>
      <p id="paragraph-06cec1fff3034846db5d5aa209cca085">_</p>
      <sec id="heading-c45377b1434f5a16b4bd02c9b54ebf66">
        <title>2. Alguns detalhes da distribuição de marcas pessoais no tronco Tupi</title>
        <p id="heading-cf812bfcc8317642941fd7fff5428d19">O tronco lingüístico Tupi é constituído por dez famílias lingüísticas para as quais é admitida uma origem pré-histórica comum (Rodrigues 1986; 1999)<xref id="xref-5538ccc0932ce3af6e317db4c342409f" ref-type="bibr" rid="book-ref-a7a3fb12158f8fa0008e0c668de6092b chapter-ref-aebdc0dfa2675959e39117fff254bcef">[1,2]</xref>. Essas dez famílias são as seguintes: Arikém (AR), Awetí (AW), Jurúna (JU), Mawé (MA), Mondé (MO), Mundurukú (MU), Puruborá (PU), Ramaráma (RA), Tuparí (TU) e Tupi-Guarani (TG). Chamamos ocidentais as famílias AR, MO, PU, RA e TU, que se situam na bacia do rio Madeira, no sudoeste da Amazônia; as demais são as famílias orientais, cujas línguas se distribuem da bacia do Madeira para leste, nas bacias do Tapajós e do Xingu e, no caso da TG, além dessas três, também na bacia do Tocantins e na bacia platina, assim como na costa atlântica.</p>
        <p id="paragraph-ed1c87bab27374c32e4d53132c350ae5">Um dos traços gramaticais compartilhados por línguas de diferentes famílias do tronco Tupi é o de marcarem com as mesmas formas pronominais os determinantes de nomes, de posposições e de verbos transitivos (os objetos), como ilustrado pelos exemplos do Karitiána, do Mundurukú e do Káro apresentados abaixo:</p>
        <fig id="figure-panel-5e76f1a0e51bec6a9d0e57048c0cb5ce">
          <label>Figure 1</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-ad315ee5e1f5295045b802d9d9ecd6f3">
              <xref id="xref-53fe1b09b5986d857b28082f6cc180b5" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-0ecee919e8ce130fd07b8ceaa55f67ae">[3]</xref>
              <xref id="xref-553844cb6ef84865ed5d46a86be6b376" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-0ecee919e8ce130fd07b8ceaa55f67ae">[3]</xref>
              <xref id="xref-fba6fcff933a050ce10b05d27bced982" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-f5bca63e8e6d0c1bf744d5b25659fd3a">[4]</xref>
              <xref id="xref-1bc575adddec6963ded9dcbd91f969c1" ref-type="bibr" rid="book-ref-bfb0f48ff659545975f8730aca9ef569">[5]</xref>
              <xref id="xref-f5de02f48b35c1ca3740de216811060f" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-0434ffde647161c0625de132079a07e7">[6]</xref>
              <xref id="xref-e54dfb288ba0517c7c9fdeec5eb113df" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-bdf6edfc1d863f29449380c86dbdaf93">[7]</xref>
              <xref id="xref-52a1323d52a3d15b8200be57297be117" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-bdf6edfc1d863f29449380c86dbdaf93">[7]</xref>
              <xref id="xref-d87a37d5f96a41b9532824718c5ebebb" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-bdf6edfc1d863f29449380c86dbdaf93">[7]</xref>
              <xref id="xref-29c44c9f9233af6cf7499ac45081b7c3" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-bdf6edfc1d863f29449380c86dbdaf93">[7]</xref>
            </p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-c954c4dec27ead10386966483482bce7" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="Imagem1.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-4675108aeccd9d2ba87b594a92b60fdd">Embora várias famílias Tupi tenham desenvolvido diferentes tipos de cisões (cf. Cabral e Rodrigues, 2001;<xref id="xref-1a3ed1dbd2069bff404c2ee89a9bfeca" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-d54c5316be55447843ea2374b8fdc590">[8]</xref> Cabral, 2003;<xref id="xref-ea2a6cf6be868c86aeafaf0d668270ad" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-efba3fe7312941546ed8b81891b9a809">[9]</xref> Rodrigues e Cabral, 2004), a grande maioria Delas – oito das dez – usam as mesmas marcas pessoais que se combinam com nomes, posposições e verbos transitivos também para codificar o determinante de verbos intransitivos, seja em orações dependentes e independentes (Káro, Arikém, Tuparí, por exemplo), seja só em orações dependentes (Mundurukú, Awetí, Mawé, Tupi-Guarani) (Cabral, 2003)<xref id="xref-65302a9e68bfde53aace16556f527379" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-efba3fe7312941546ed8b81891b9a809">[9]</xref>, como nos exemplos abaixo:</p>
        <fig id="figure-panel-421bf19831383b9025ff5282060c7161">
          <label>Figure 2</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-164f638954f9f784feee86dc310099c0">
              <xref id="xref-354649765c23fa9ec8cacfbec82c0120" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-bdf6edfc1d863f29449380c86dbdaf93">[7]</xref>
              <xref id="xref-32d973816ec2aebede7d560d7953161c" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-0ecee919e8ce130fd07b8ceaa55f67ae">[3]</xref>
              <xref id="xref-8e6a810466e76d29caaf565839ad78f4" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-0ecee919e8ce130fd07b8ceaa55f67ae">[3]</xref>
              <xref id="xref-f10db5b9a62c1ce9438c7efded650b1d" ref-type="fn" rid="footnote-01dc0018911ecef416c476310e3887fb">3</xref>
            </p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-011f70d5ef829a8817d7bb569eb75b13" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2020-12-20_11-02-11.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-7a50dfac65a03c74b4f93eb5896cdfda">Mesmo o Jurúna, que desenvolveu um padrão de alinhamento nominativo-acusativo, codifica por meio das mesmas marcas (acusativas) os determinantes de nomes, de posposições e de verbos transitivos, sendo a maioria dessas marcas cognata das marcas absolutivas da maior parte das línguas do tronco.</p>
        <fig id="figure-panel-db58f9fa748ab5683b8d39d583c43fe3">
          <label>Figure 3</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-2e9c7400740c7bff5de7bd19ab373e9f">
              <xref id="xref-fc891338d166cdeb3de0ae220ac9d091" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-1c6f78ae822470828a76d19f0934f928">[10]</xref>
              <xref id="xref-09448e3ae0964b041be130c3c6e3f5ea" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-1c6f78ae822470828a76d19f0934f928">[10]</xref>
              <xref id="xref-930928b306110d5bdd7568b2c8cb2634" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-1c6f78ae822470828a76d19f0934f928">[10]</xref>
            </p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-7d701b83c08da14e9cff206f79a2f6fe" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2020-12-20_11-02-33.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-f7568512bc4419ef6fc24931c71bd28b">Nas seções seguintes, mostraremos que o padrão absolutivo das orações dependentes de línguas de várias famílias do tronco Tupi é conseqüência de processos de reanálise de estruturas que, em estágios anteriores dessas línguas, teriam consistido na combinação de morfemas casuais com temas verbais nominalizados. Embora não se disponha de registros de estágios anteriores das línguas em consideração, dados de outras línguas Tupi oferecem fortes indicações desses estágios e de processos morfofonológicos comuns às línguas Tupi, que teriam contribuído para o estabelecimento das construções aqui discutidas.</p>
        <p id="paragraph-b947d17e65f14e5f4558010b1690b3ad">_</p>
      </sec>
      <sec id="heading-7e9c465bda0636465c7d551d6589c450">
        <title>3. Orações dependentes em Mundurukú</title>
        <p id="paragraph-5b0a43c246b935becfa6e40ef22e4b08">Na língua Mundurukú têm sido identificadas duas variedades de orações morfossintaticamente dependentes, que exprimem uma circunstância (real ou hipotética). Uma delas é marcada pela expressão de natureza adverbial <bold id="bold-29f1c3fb948dc92b83b04bc89a567557">puje </bold>‘se/quando/porque’, a outra é marcada pela expressão de mesma natureza <bold id="bold-f7eed1c35f1bc1b0395722e442496816">pima </bold>‘se/quando’ (Gomes, 2003a)<xref id="xref-a8b05d22db4895b8ab006a7ee8935933" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-f5bca63e8e6d0c1bf744d5b25659fd3a">[4]</xref>. Nessas orações, o verbo intransitivo combina-se com clíticos absolutivos (exs. 17, 18), diferenciando-se das orações independentes, em que os verbos se combinam com clíticos nominativos (ex. 16):</p>
        <fig id="figure-panel-13f5f3e9eb0b201c2198302bfe6cfe5a">
          <label>Figure 4</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-95aad52b96a789e2248bbb697c5d00d4">
              <xref id="xref-92ea5f88f107c9400b7830980e7f4286" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-f5bca63e8e6d0c1bf744d5b25659fd3a">[4]</xref>
              <xref id="xref-2338eeef18b6e0d2ec1f5348ef58c7ba" ref-type="bibr" rid="book-ref-17b86bab49d46547200a5f1afe39d130">[11]</xref>
              <xref id="xref-fec94b5316da5f90b355896674c33059" ref-type="bibr" rid="book-ref-17b86bab49d46547200a5f1afe39d130">[11]</xref>
            </p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-de6335a45fd26f213a57ab0fe1dbe4e5" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2020-12-20_11-22-40.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-734408598ed6dc5d9ba6312c3ed7dcdc">Um outro tipo de oração subordinada identificado no Mundurukú é o que corresponde a orações de gerúndio Tupi-Guarani exprimindo finalidade (p. ex., Tupinambá <italic id="italic-078f7d7992aff53b80eacc6f654208d7">oço</italic> Pedro <italic id="italic-2cbda0ab05b91e9b5d8535f1fa99f696">iaguara iucabo </italic>(/<italic id="italic-ff18ed147e4fe9c4ddf1fad874be089a">o-só</italic> Pedro <italic id="italic-bbada7232ec874ceaed83f824678c900">ja? wár-a º-juká-Bo/</italic> ‘foi Pedro a matar a onça’ – Figueira, 1621, fl. 85)<xref id="xref-9b6c09f2b65ea5cf1bee9b263bc23246" ref-type="bibr" rid="book-ref-2d3c59954d23f7061fc70d8b0ba3d6ba">[12]</xref>. Os exemplos disponíveis mostram que os verbos transitivos, quando núcleos desse tipo de oração, combinam-se com prefixos relacionais (ex. 19 e 20), e que o seu sujeito, que é correferente com o sujeito da oração principal, não é expresso:</p>
        <fig id="figure-panel-9d54b7d431584e30e9f90fce10bf6948">
          <label>Figure 5</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-eb882aa86c1c6ff6bc16799f192394ee">
              <xref id="xref-6647cde6f01bcf3a8282418bf503dc62" ref-type="bibr" rid="book-ref-0541331d226e3fa9aa174e0af479e103">[13]</xref>
              <xref id="xref-50db447fad8a516599d11b36609ee5da" ref-type="bibr" rid="book-ref-0541331d226e3fa9aa174e0af479e103">[13]</xref>
            </p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-4187caf10db22142c3ea011bae035c4f" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2020-12-20_11-23-03.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-4419b06a42492e64b40997b1e17a7387">Esses dois últimos exemplos mostram também que os núcleos das orações dependentes recebem o morfema -<bold id="bold-72762cf5a5b86084dd70e011be0d8a07">am</bold>, que muito provavelmente se desenvolveu a partir da combinação de -<bold id="bold-3b237fb26d5975d266f973d5b79b4b60">ap</bold>, nominalizador de circunstância, mais o sufixo -<bold id="bold-97f49e20cdfbac39cb2f959ffa5bcf4c">m</bold>, um morfema de natureza adverbial. Esta análise permite explicar o porquê da combinação dos temas verbais com clíticos absolutivos e com relacionais, além de sugerir que o mesmo padrão de alinhamento observado nas orações modificadas por <bold id="bold-d0f4e0e7c184c37646c235d90ed27113">puje </bold>e por <bold id="bold-746c697f70bd77665a655b48acdb3ac5">pima</bold> decorre do fato de estes serem de natureza adverbial. Outras evidências a favor dessa hipótese serão mostradas mais adiante.</p>
        <p id="paragraph-396511776448b2776c7062d531ee3e91">_</p>
      </sec>
      <sec id="heading-9e5a727c59feb42b2c6995697220c16e">
        <title>4. Orações dependentes em Mawé</title>
        <p id="paragraph-59eae6faefcb82d1799ca8b14ab81cba">Em Mawé dos tipos de orações dependentes identificados por Franceschini (1999)<xref id="xref-c75183164c602caa093491521f6c25e2" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-0a09ba414ce9edcac93cf00f951feefb">[14]</xref>, dois são paralelos aos do Mundurukú apresentados na seção anterior. As orações que exprimem finalidade se combinam com marcas absolutivas (exs. 23, 24, 25), em contraste com as orações principais, que marcam com duas outras séries pronominais: os verbos transitivos e intransitivos respectivamente (exs. 21, 22):</p>
        <fig id="figure-panel-f816054e86a83cd6efbbf0a4b988699a">
          <label>Figure 6</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-d983f3181dec2d9bc48c66863b6bcb05">
              <xref id="xref-fde33833f84a969bdda28418ecca7e49" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-0a09ba414ce9edcac93cf00f951feefb">[14]</xref>
              <xref id="xref-89dd8bf8f9c3fedc276ca2c7b9a8c9ab" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-0a09ba414ce9edcac93cf00f951feefb">[14]</xref>
              <xref id="xref-785d11979d8a019d166013206d9568c9" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-0a09ba414ce9edcac93cf00f951feefb">[14]</xref>
              <xref id="xref-e3d53b9ee8774b6d27dbbab44a7982dd" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-0a09ba414ce9edcac93cf00f951feefb">[14]</xref>
            </p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-292adb811877c4d5609eee0832a7503c" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2020-12-20_11-23-27.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-3311a2e972801c515bf9903883b6470d">Outro tipo de oração dependente do Mawé, que encontra certa correspondência no Mundurukú, é a modificada pela expressão <bold id="bold-1">turan</bold> (ex. 25).</p>
        <fig id="figure-panel-bde1a1f2dd621c250a8e4bf9d284d846">
          <label>Figure 7</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-53ff4da93782ad27de945536d6562e1d">
              <xref id="xref-1fd2d56f106ce773cb1bcc0df3ab3f69" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-0a09ba414ce9edcac93cf00f951feefb">[14]</xref>
            </p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-2ad5d2dc01847772bcc180262d5be136" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2020-12-20_11-23-48.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-a125232c8496ddf2b009e9ec993cf988">_</p>
      </sec>
      <sec id="heading-7e9ddbbc42a23ef0db94801ddad48735">
        <title>5. Orações dependentes em Awetí</title>
        <p id="paragraph-7c27fd87ad501487202e13d1c2a8ee46">Em Awetí, tanto as orações de gerúndio, quanto as de subjuntivo mantêm significativos paralelismos com as respectivas orações do Mundurukú e do Mawé. Nas orações de gerúndio, os temas verbais intransitivos se combinam com os prefixos pessoais absolutivos e os transitivos com prefixos relacionais, e todos recebem o sufixo de gerúndio <bold id="bold-2ee282ac50d9fbf2b8a344d55937f850">-aw </bold>(seguindo raízes terminadas por consoante e por vogal) <bold id="bold-4bf5cc299507a93f52dc21a8b11ada0e">~</bold><bold id="bold-2"> -taw </bold>(seguindo raízes terminadas por <bold id="bold-3">j</bold>). Os exemplos que se seguem são de Ruth M. F. Monserrat (em comunicação pessoal):</p>
        <p id="paragraph-2" />
        <fig id="figure-panel-0ef0427ec8b4051aa20cf218b8aa2405">
          <label>Figure 8</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-912c1c714b201ade5efe4cb61b0fe352" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-f064df8aa882efca8ca1db6121b99998" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2020-12-20_11-24-05.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-275aee9bd740fb02d75bc971fb935a5d">Uma outra construção do Awetí, paralela à construção de gerúndio, é ilustrada a seguir:</p>
        <fig id="figure-panel-c366e97f535955f5ff4a9b5877006a91">
          <label>Figure 9</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-a6c37a0a5037fc5258d0e8279c7269e3" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-794efa0a7f6a086d022261bfe19d3e46" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2020-12-20_11-24-43.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-1cc21cfce6a3763c67e782c03f903e2b">Essa última construção tem em comum com as construções de gerúndio do Mundurukú e do Mawé verbos nominalizados por meio do sufixo -<bold id="bold-0f569ac74674df1f42d151be48ca219a">ap</bold> e a combinação dos temas nominalizados com marcas absolutivas ou prefixos relacionais (no caso dos verbos transitivos).</p>
        <p id="paragraph-3c0a53733c151e513cfdb4d7709b3163">Nas orações de subjuntivo do Awetí, os verbos têm suas formas nominalizadas com o sufixo <bold id="bold-00df8e30b35b3b8cddd567a5fc452e7e">-tu</bold> combinadas com o sufixo casual -<bold id="bold-6a7eef8df8495119c28103213734e171">wo</bold> e seguem o mesmo padrão de alinhamento do gerúndio:</p>
        <p id="paragraph-1157d5004c57c1fe419d1e4c1bbfa038">_</p>
      </sec>
      <sec id="heading-fe1e2c136badc588a243a5167a66c68f">
        <title>6. Orações dependentes em Tupi-Guarani</title>
        <sec id="heading-6834b287fc89681fd192d1171e5f6b83">
          <title>6.1. As orações de gerúndio</title>
          <p id="paragraph-64b7bc73cfc042f10887524ac0d5b616">Em Tupi-Guarani as orações de gerúndio têm o sujeito correferente com o sujeito da oração principal e podem expressar uma finalidade (‘entrou para dormir’), uma simultaneidade (‘chegou cantando’) ou uma seqüência (‘chegou e dormiu’) (Anchieta, 1595, fl. 29v; Rodrigues, 1953, p. 126). Nesse tipo de oração, os verbos intransitivos combinam-se com prefixos correferenciais e os transitivos, com prefixos relacionais (salvo nas situações em que 1 ou 12 agem sobre 2 ou 23, e ambos são marcados pelo sufixo de gerúndio, que se mantém de forma mais conservadora em línguas como o Tupinambá e o Guarani Antigo, manifestando-se por meio dos alomorfes <bold id="bold-c8381b9e018ee99d0853f0932ca966da">-á</bold><bold id="bold-ce809809ad083d6b83be15b363828f3e">β</bold><bold id="bold-b58632ca21fff612b774a54b5ece475a">o ~ -a ~ -ta ~ -Ø</bold>.<xref id="xref-dff070a240aaaeac456f39c25555f178" ref-type="fn" rid="footnote-56fc2f941c170b6abc669245a8d1dd65">4</xref></p>
          <fig id="figure-panel-deb0313d8727b629931964f836f01048">
            <label>Figure 10</label>
            <caption>
              <p id="paragraph-5cde1ed92e2b941f6129536355437081">
                <xref id="xref-ae53621226dfcaabb23d995cab0757e2" ref-type="bibr" rid="book-ref-07ec09b9bd4ad1a342d3f1bb66727568">[15]</xref>
                <xref id="xref-e125372be3f865d244656e471723c230" ref-type="bibr" rid="book-ref-3e4ea37e687a41c5ecf4d7212db5f4ee">[16]</xref>
              </p>
            </caption>
            <graphic id="graphic-4979619c86b2eff3e40caa253b2847c7" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="Imagem2.png" />
          </fig>
        </sec>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-7fe9bb67f39f76377c71f4e2a323a73e">
      <title>_</title>
      <sec id="heading-f24bea6df78ed85b73afda454cf290e0">
        <title>6.2. As orações de subjuntivo</title>
        <p id="paragraph-e7dc99c69e3ed0ae18c50a438cd97228">As orações de subjuntivo são de dois tipos, as que expressam contemporaneidade e condição (‘quando/se’) e as que expressam sucessividade (‘depois que’). As orações de subjuntivo de contemporaneidade têm sujeito diferente do sujeito da oração principal, e as orações de subjuntivo de sucessividade podem ter ou não seu sujeito correferente com o sujeito da oração principal, dependendo da língua.</p>
        <fig id="figure-panel-2afff30eaeb0cfcb9d3a2578e0305de4">
          <label>Figure 11</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-fb0cabb87b3a28ea3718095d1d456cb5">
              <xref id="xref-ab97eb7847eaab47307830a94d089ae8" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-1c05a921ec8fc819cde8456824ede0bb">[17]</xref>
              <xref id="xref-98c24ab76cbc0a468a1269fe2f05c577" ref-type="fn" rid="footnote-1c4874dd5e3e7742bfe567a67d336858">5</xref>
              <xref id="xref-3c93b90c241eee6610dc571dedb02c41" ref-type="bibr" rid="book-ref-3e4ea37e687a41c5ecf4d7212db5f4ee">[16]</xref>
              <xref id="xref-380471f2ecf596ab774677e29e5a6995" ref-type="bibr" rid="book-ref-3e4ea37e687a41c5ecf4d7212db5f4ee">[16]</xref>
              <xref id="xref-580bb11c5ddbfcb13221a6c0ee755503" ref-type="bibr" rid="book-ref-07ec09b9bd4ad1a342d3f1bb66727568">[15]</xref>
            </p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-51e46bf5611131aca01d32cd0a913e03" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2020-12-20_11-28-03.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-b341ae9cf84266421ea56018ff2b2671">_</p>
      </sec>
      <sec id="heading-468e8417d50e0874169fc545203416b9">
        <title>7. Hipótese sobre o desenvolvimento dos sufixos do gerúndio e do subjuntivo em Awetí e Tupi-Guarani</title>
        <p id="paragraph-93104f10a79a6483833e8830b4d20031">Cabral e Rodrigues (2002)<xref id="xref-1011a874087adf85c7df6beeec0af4f1" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-1c05a921ec8fc819cde8456824ede0bb">[17]</xref> apresentaram a hipótese de que os predicados das orações de gerúndio e de subjuntivo tenham originalmente sido temas verbais combinados com morfemas casuais ou com posposições, o que explicaria, entre outras coisas, as propriedades dessas construções de (a) receberem flexão relacional e não flexão pessoal e (b) acionarem, na oração principal, o modo indicativo II, tipicamente condicionado pelos advérbios lexicais e demais sintagmas circunstanciais. De acordo com essa hipótese, as formas do gerúndio proviriam de antigas nominalizações com o sufixo <bold id="bold-1dc700502c803017e13b139a3432987b">*-áp</bold> ~ <bold id="bold-873612015b688fae7d682d0d67ef3d85">*-táp</bold>. Tais formas teriam se desenvolvido em um estágio anterior à separação das famílias Awetí e Tupi-Guarani.<xref id="xref-898ec8463bc6b44423ea6342097b587e" ref-type="fn" rid="footnote-12b365b5bd2af8a36d3e34206cec4d79">6</xref></p>
        <p id="paragraph-c565f748afad516cd4e872fa29de06ef">Exemplos de construções de gerúndio em línguas Tupi-Guarani são:</p>
        <fig id="figure-panel-8db8903d873ebf8f06b45841ea28f4ab">
          <label>Figure 12</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-0d711e4912bd846fa54b74f9e4bb32f5">
              <xref id="xref-e4156eeeaf7e4fd236ce8ee70f4a64ad" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-1c05a921ec8fc819cde8456824ede0bb">[17]</xref>
              <xref id="xref-63772cb379b797147a2747a0919387cb" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-1c05a921ec8fc819cde8456824ede0bb">[17]</xref>
            </p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-2457c2c9fae50b686885ccf4c962192b" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2020-12-20_11-28-29.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-a9c5f4a103823f43b7008b05e93bc0c5">O sufixo do subjuntivo de sucessividade, <italic id="italic-1"><bold id="bold-080815b57e12d2c8ad67d505a7ed86ac">-ire</bold></italic> ~ <bold id="bold-9bf21b0ee2e4d708939f64e838023252">-<italic id="italic-2">rire</italic></bold> teria se desenvolvido provavelmente a partir de uma posposição, que teria passado a exibir alomorfia típica de sufixos. Uma indicação de que esse teria sido o caso é encontrada em línguas como o Tupinambá, em que o cognato desse morfema, embora funcione como sufixo, leva acento, o que é um possível vestígio do estágio em que este ainda era um morfema independente.</p>
        <p id="paragraph-6cffb01313e0fb1ca64ed8fb50eae6af">Quanto ao sufixo do subjuntivo de contemporaneidade e de condição em línguas dos ramos I, II, IV, V, VI e VII da família Tupi-Guarani, nas quais tem a forma -<italic id="italic-935aa95aa98198f11b51120f549e2351"><bold id="bold-e5875eebd0434524c66a4d5577f76721">amo</bold></italic> <italic id="italic-2ae33b9725f1055763b4aaa02320657e">~</italic> <italic id="italic-3"><bold id="bold-28fcf7cb6622cf7425f1bcecbdc2c1d0">-ramo</bold></italic> (em contraste com <italic id="italic-4"><bold id="bold-e1af0e07bc4026a88fb8d49a04af1e2e">-eme ~ -reme</bold></italic> do ramo III e de algumas outras línguas), foi proposto por Cabral e Rodrigues (2002)<xref id="xref-30126d1eb18e7a98eb5b5b587f854f98" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-1c05a921ec8fc819cde8456824ede0bb">[17]</xref> que se teria originado pela combinação do sufixo do caso translativo -<italic id="italic-5"><bold id="bold-4">amo ~ -ramo</bold></italic> em nomes descritivos e da extensão desse uso para temas verbais, extensão essa que teria resultado na especialização desse sufixo como marca adverbial de temporalidade e de condição, nos casos em que o determinante do verbo flexionado não é correferente com o sujeito da oração principal:</p>
        <fig id="figure-panel-b80081947ae93800c5dcc1de4ab2a1b8">
          <label>Figure 13</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-9d117f13b8854aae8ad6a79c4ec3e46c">
              <xref id="xref-7caa2f60b0ea02d146ae035e2457e107" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-1c05a921ec8fc819cde8456824ede0bb">[17]</xref>
              <xref id="xref-41f4feddfdae637951a08c98c4a7a1c8" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-1c05a921ec8fc819cde8456824ede0bb">[17]</xref>
            </p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-ce50e5ab780cad2933d2ab5b854fb85d" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2020-12-20_11-28-45.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-cab5c7a97c751ea8a88cca7ccee0f0ea">A hipótese apresentada por Cabral e Rodrigues (2002)<xref id="xref-317cec5e8ea19cb0532f35e51b27c527" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-1c05a921ec8fc819cde8456824ede0bb">[17]</xref> é a de que o sufixo de gerúndio dos verbos tenha se desenvolvido antes do desmembramento do sub-ramo Awetí–Tupi-Guarani, nas situações em que um verbo nominalizado por meio do sufixo *<italic id="italic-0b921930612a065f484c4b2d57d85967"><bold id="bold-6a045863c8477e69df6011dcc8156062">-ap</bold></italic> (nominalizador de circunstância) recebia o sufixo locativo *<italic id="italic-6252190bf652d94846996327f14cbae6"><bold id="bold-9080b5e67b75e143886cc13596b83080">-</bold></italic><italic id="italic-c0edb0fc3ec3673990ec90bf3e36fd30"><bold id="bold-53678c1f515ec35433441c76d014bb54">β</bold></italic><italic id="italic-1bcb0cf7e458bfa4e27b951476305abd"><bold id="bold-701a1e014f36058c38ee4c8dc70305b6">o</bold></italic>. Nas línguas do tronco Tupi, nomes que exprimem uma circunstância – instrumento, ocasião, lugar etc. – são obtidos por meio da nominalização de verbos intransitivos ou transitivos com reflexos do Proto-Tupi <italic id="italic-07a512a65dd1927ee89f8277952b1fc2"><bold id="bold-5">**-ap</bold></italic>. Exemplos de verbos nominalizados em línguas de diferentes famílias deste tronco são: Mundurukú <italic id="italic-6">ya</italic><sup id="superscript-1">3</sup><italic id="italic-7">o</italic><sup id="superscript-2">2</sup><italic id="italic-8">ka</italic><sup id="superscript-3">3</sup><italic id="italic-9">ka</italic><sup id="superscript-4">3</sup><italic id="italic-10"><bold id="bold-6">ap</bold></italic><sup id="superscript-5">2</sup><italic id="italic-11"> </italic>‘a matança’ (Crofts, 1985, p. 216)<xref id="xref-ed245ccc8dba88bd5096271528cde555" ref-type="bibr" rid="book-ref-0541331d226e3fa9aa174e0af479e103">[13]</xref>; Tuparí<italic id="italic-12"> eparoar<bold id="bold-7">ap</bold> </italic>‘morte’<italic id="italic-13"> </italic>de <italic id="italic-14">eparoat-</italic> ‘morrer’ (Caspar e Rodrigues, 1957)<xref id="xref-6bf0d42b678a97468ad354a808fd949b" ref-type="bibr" rid="book-ref-e19c4a2176a1b005bcc0790b1eaee1b0">[18]</xref>; Awetí <italic id="italic-15">k</italic><italic id="italic-16">È!)</italic><italic id="italic-17">jt<bold id="bold-8">ap</bold></italic> ‘circunstância da morte’ de <italic id="italic-18">k</italic><italic id="italic-19">È)</italic><italic id="italic-20">j</italic> ‘matar’ (Monserrat, comunicação pessoal), Arikém <italic id="italic-21">ub i-kat-</italic><italic id="italic-22">O!</italic><italic id="italic-23"><bold id="bold-9">b</bold></italic><italic id="italic-24">-</italic><italic id="italic-25">O</italic> ‘aqui é seu lugar de dormir’ (Nimuendajú, 1932)<xref id="xref-e97728b70caeb1a2d3188b7cbf0e4480" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-34e7279793e8377925a55fb5ba23bc60">[19]</xref>.</p>
        <p id="paragraph-03561a5c2e3bc2e7702548559e581c0e">Segundo essa hipótese, o sufixo do modo gerúndio teria se desenvolvido no Proto-Awetí–Tupi-Guarani, quando verbos nominalizados com <italic id="italic-5a1293ac4301313bc295cd3337fda192"><bold id="bold-74c464b348c4f370bdf480cf926970ce">-áp</bold></italic> se combinavam com o sufixo adverbial <italic id="italic-659108898add7eaa180ccb93e18e3212"><bold id="bold-1ee298326b907dfcd57e76ec5a76d505">-<italic id="italic-b57b559686aec283e84fc2a8fb2f9e39"/><bold id="bold-4ce3dc814680b60eb35eed9630b1c6c0"/><italic id="italic-ad16ccc084e3b874a714f3669ec8b542"><bold id="bold-64a285eba9e56b0cd2b9e34e6d5dde6d">β<italic id="italic-816a19315e65dbb9e9038fee18d3466c"/><bold id="bold-c3abfe8dc254572e7f930cacb7e4109f"/></bold></italic></bold></italic><italic id="italic-b85f0531bd365474f909a29e8308e9ee"><bold id="bold-3ac963e797d978b72e56bc684745b6e5">o</bold></italic><bold id="bold-dcdf9d83e9a4af6a293bfcbd03a233f9">,</bold> ‘locativo difuso’ (cf. Anchieta, 1595, fl. 42v)<xref id="xref-eec66ae21b835d8d4a15407ec8ed612c" ref-type="bibr" rid="book-ref-3e4ea37e687a41c5ecf4d7212db5f4ee">[16]</xref>, o que ocorria nas situações em que o determinante do nome era idêntico ao sujeito: Proto-Awetí–Tupi-Guarani *<italic id="italic-b05309867ee0cd09888b77c65617ea1a">o-két-áp-<italic id="italic-e160d89621fd4ae79723dc844d3d6192"/><italic id="italic-7a5822f9c66f6324c343be038be70ee9">β<italic id="italic-a3168d43b9ed2b9824888c3a0fefc104"/></italic></italic><italic id="italic-7b7c442eb8f910d5a3098a594ed52274">o</italic> / 3corr-dormir-Nom-LD/ ‘em/para sua própria dormida’.</p>
        <p id="paragraph-9e077e6051bc17dc581aa3107c9d5a49">Cabral e Rodrigues (2002)<xref id="xref-80e928eadb4db8bbe4c241e4405fb87d" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-1c05a921ec8fc819cde8456824ede0bb">[17]</xref> mostram como motivações fonológicas reduziram a seqüência <bold id="bold-2143cdedd23b57c96d993e672713295a">-<italic id="italic-e1efe027eb654c20d2747efc71ba6232">áp-<italic id="italic-22968d3c31eb369f340f7e395f538c55"/><bold id="bold-4fdda42b9864c86b1d521155d106fa3d"/><italic id="italic-58a38781130553086e252dc35ee8b283"><bold id="bold-d440dd14432605245b02952562dedcaa"><italic id="italic-e242bb5c65953e0265723753721e0e54"><bold id="bold-96e091a0003c1683f001c74b128c24d1">β<italic id="italic-11f4a85a34a622fb856692e77f4c4c91"/><bold id="bold-57e903a0d82d77547814b290adaafa7b"/><italic id="italic-fcfc94c0756a933eefadf6ba5f663577"/><bold id="bold-cc0b078f4a206c00016dfbf84c91ff46"/></bold></italic></bold></italic></italic></bold><italic id="italic-ef7062a654586389fdfe81988818850e"><bold id="bold-4d49f141fd8afba11e6209660cc06467">o</bold></italic> do Proto-Awetí–Tupi-Guarani, dando origem a um novo morfema flexional. Reproduzimos aqui, de forma resumida, alguns estágios desse processo:</p>
        <list list-type="bullet" id="list-013c2c55437a8f28b8fc840635cbba78">
          <list-item>
            <p>No Awetí e no Tupi-Guarani consoantes supra-glotais caem em fronteira de morfema quando seguidas de outra consoante e, assim, a seqüência <bold id="bold-b7f3ef3008568956b4b9e88c32fdc7e8">-<italic id="italic-2b37f193bf858f3f998b7468f30fb58b">áp-<italic id="italic-165009c5a31b16f8d191056873b17a63"/><bold id="bold-bcaaa92539c1b6753cc39295c2eb4c16"/><italic id="italic-ebacf8b034515a4946b35b94e1453c3a"><bold id="bold-7af9953687cc694a5b92dc2592d98317"><italic id="italic-049cf7822d67e94d79a025ec89d2eebf"><bold id="bold-e80bdb19e25ed79d8fb0d244e786db8a"><italic id="italic-535a99a8d529068d2636c5a731551153"><bold id="bold-b391eda4f096cebdd0cbf2169c771c20">β<italic id="italic-0e3f904aef101b921f2d6469fbabc079"/><bold id="bold-5d494dca5aa1fb76e1e200904a03d059"/><italic id="italic-1af2cad75879f40790a2685feea225dc"/><bold id="bold-85ff17db0cde7b3d64e1aabd3c0f3224"/><italic id="italic-d812d61becbb3ead3918cd7b13981fcb"/><bold id="bold-b70bae346f9c5655c5c1d373f819c708"/></bold></italic></bold></italic></bold></italic></italic></bold><italic id="italic-84bb46021800f7cfc09a06d269e732bf"><bold id="bold-2ad3a7060e00293544d87dc492cdaed0">o</bold></italic> resultou em <italic id="italic-3e74260e1b77b478c903f8466d4b3eba"><bold id="bold-b333c5e2feadffcc4c09df2e01ac4f09">-á<italic id="italic-9ef3681f7bb714ad865d1d7597677c9b"/><bold id="bold-4d90862bd1ed8096c82f42fb115d3d78"/><italic id="italic-b87725a1dcfcd3bd1846a561c9a241b7"><bold id="bold-f14bcc2ed4059b515ef39ce36a4ec862"><italic id="italic-54f4ce442fb0bdb81cf4aaa52a8a7edf"><bold id="bold-be080e257a38af3cec491be1e6f01ff8"><italic id="italic-d951dd0111b12b42f0afd0de72c3c941"><bold id="bold-5a7fda2ab0706bde4727c141e34adcf3">β<italic id="italic-836492ef11addf4f41949f539f160ff3"/><bold id="bold-9b9cefde22d338d1e088b6d62ad1e92a"/><italic id="italic-5d18519ee4d15d16b4a25854296f5b89"/><bold id="bold-e009d73a013f67b544874cd31436a002"/><italic id="italic-d584d9a3466ea9df650fdbfd40a6b8e4"/><bold id="bold-43ca2f1a99bb11d839f1238ac6576a04"/></bold></italic></bold></italic></bold></italic></bold></italic><italic id="italic-758af95ad3a88eca033fdf3a9a6eb098"><bold id="bold-1845d1b6915e015276cc1d9adf2e15e2">o</bold></italic>.</p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p>Em Awetí, <italic id="italic-face831dea2835d7fdc52212270b103d"><bold id="bold-f64336b1a085d5db99a52056fc0eda08">-á<italic id="italic-c746c44621e58604979358b3a7b6acba"/><bold id="bold-4065735ee67155457cd3f49b9a7e5db5"/><italic id="italic-77335f21975b2c0e95478a8a0b35cee9"><bold id="bold-ef028ea669599b7b03e2542af79a65d7"><italic id="italic-4200f6cc351ae04fa9bfc4de4442738b"><bold id="bold-31d76d348aedd139f478f01cba44bee7"><italic id="italic-bfe3fb4bd9dbfb9d70c6bb7627bf5ba6"><bold id="bold-51223d3700a038a7a96356e9ab0f41b9">β<italic id="italic-65a25cec8644277a8ca9b0f4b6bf9d38"/><bold id="bold-2f930aa04c9cdddfd00e042c355103fd"/><italic id="italic-8eba258fcbef0e2fb12d968b460fadde"/><bold id="bold-22d0ed98d2d0179f177bfc34797fbefb"/><italic id="italic-abdd7d3d5825a08983005b6832c8da0c"/><bold id="bold-c9142fe868269d3a3e5ac23dbfd0a8ae"/></bold></italic></bold></italic></bold></italic></bold></italic><italic id="italic-cce3ef1595171ba87d39a17acbd7c364"><bold id="bold-dc64d05840b952a0b3e941a945a10782">o</bold></italic> foi reduzido a <italic id="italic-f685777975df8d4eb82a3e96459bcaa4"><bold id="bold-9ed0f013e31da68b43402abeb9118f4a">-aw</bold></italic>, por queda de <italic id="italic-d363cad0b3c154e7056b64fadfcf091c"/><bold id="bold-bff47f18af7b0e7b867736aac9d3bf52"/><italic id="italic-c0bb9784240c8294e0297b429963ce10"><bold id="bold-c0d7546d824359878bc37c69a040eff3"><italic id="italic-d6d1efc8349afc050ac0e9d9a204662a"><bold id="bold-914bfbbd096bb35043fa065ef909ae04"><italic id="italic-db1021df6a2e0eb966c78c126f33044e"><bold id="bold-94560523153579d5d501c7c8fa943365">β<italic id="italic-36878e1bcf73e114f41c8b40e7d6b960"/><bold id="bold-56718d1355e52e37e83c54923f2bc792"/><italic id="italic-0d71190724f480fefa642c7676b93f31"/><bold id="bold-9fc406916acd28cf102b4463d0b7e6e8"/><italic id="italic-12f26c5c46ae25ed144028cace43af0d"/><bold id="bold-83c2fc78d7322c2a2ddf25a1a1bc3df1"/></bold></italic></bold></italic></bold></italic>, em sílaba átona final com subseqüente assilabificação da vogal <italic id="italic-1f88a93c08409c5992d63381d7b8f4f5"><bold id="bold-f4af9682dc4de04a847bc8966792ddfc">o</bold></italic>.</p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p>Em línguas Tupi-Guarani como o Tupinambá, na junção da seqüência <bold id="bold-969f9db8cc477bdb457bda8c0357d2cf">-<italic id="italic-30ab46137d303ae15a2e6f5c69c05dd9">á<italic id="italic-d5bf3fcc43e70b5a15141a32f2a76390"/><bold id="bold-3bbbf8647bab20e968ac09a7098fcda6"/><italic id="italic-1eb98c8b4b867224a6bda0ab7048acce"><bold id="bold-796dbd8223f20da3983eb3202ffa0285"><italic id="italic-95a467dd7901e4f0d1026f7003e8cfed"><bold id="bold-5f7cd55ffdca9671622631a1f81793e0"><italic id="italic-fe6ccd45de2165a572d34c07dc4a5df8"><bold id="bold-19b9986ef5e021081b6e966ac8becb7a">β<italic id="italic-589a16f27d8ef4c20eab7b51b71f8672"/><bold id="bold-5b0874709c58748564ff4e4f6feabe68"/><italic id="italic-5780c0c6cc314942a00995c72f049f44"/><bold id="bold-fb783a3d7c3060520b4a88b74b555622"/><italic id="italic-e128a1bc3d4deea4aa3449ffb5d32546"/><bold id="bold-efbb7d55bd3f2c02affc3d9d280da96f"/></bold></italic></bold></italic></bold></italic></italic></bold><italic id="italic-043f4d995d59569b64e74b806d8e5d44"><bold id="bold-10">o</bold></italic> com temas verbais, deu-se o encontro de duas sílabas acentuadas – a inicial do sufixo com a final do tema – e sua redução a uma só sílaba acentuada. Quando baixa a vogal final do tema, apagou-se a vogal inicial de -<italic id="italic-9313fba07a8919a11c3dacf8e7d3aa46">á<italic id="italic-b6e52a02c3ab98311aaa663548a174b1"/><italic id="italic-5b2add92379464fd73f1762e7f44a9d7"><italic id="italic-7523949ab0fdf5a059f3d53aac444844"><italic id="italic-525953afd34729022d9a935c237e9f3c">β<italic id="italic-a35a4867c0bd5c02cb7dd15a761926ed"/><italic id="italic-6bed17156da39a96a335d3ffc2fa0879"/><italic id="italic-c61df8552917db3a14eb8eef3c3f0b6e"/></italic></italic></italic></italic><italic id="italic-e8edb31e35fd239241c20b50da2467ff">o</italic> (<italic id="italic-8ed4ef34f20d46540387a029915f9fb0">juká + -á<italic id="italic-3d092152554c8a96369ce2118d189811"/><italic id="italic-aba7bd78a7e1bcd96a72fb16d56d4bde"><italic id="italic-1709a53df3fd29cd875eed711b1260b4"><italic id="italic-ef4be73dba1114bdfb125c6b47f61eba">β<italic id="italic-5170551840a4f8276da80d207b6be594"/><italic id="italic-0c6d38d780256d7e87ba4031aec5ad47"/><italic id="italic-1dde7c1647e4a55ab4d54f9fba00a968"/></italic></italic></italic></italic><italic id="italic-24ae3f6ba75550ff976013b6cdf5d939">o</italic> → <italic id="italic-6c20231bdc758bbba205aeddcdba01d5">juk<bold id="bold-11">á<italic id="italic-f209599b75b16c85c382d3cbc6d47b4f"/><bold id="bold-218d17dba3b9ed011f7f074c87f41ef8"/><italic id="italic-7d5cf5ef31b0e3fe74bd99c10d758317"><bold id="bold-e18e246c5e7f1ab9285fa477d77182c3"><italic id="italic-53aad8109784320d3ebeb004e47978f2"><bold id="bold-ef3a0cd76ce470b764c47c12482c3a53"><italic id="italic-1eb84dd1124e0aadd80ef6d36580950f"><bold id="bold-7c9d7d23c3d233d3a3d73f9ed2fbf158">β<italic id="italic-238963c721bab24bb4a56ddfdc7e7b95"/><bold id="bold-b552ce0d9dcac0c13107e954a38a9d90"/><italic id="italic-92b955492d899163ed6cc87a73f2d5ce"/><bold id="bold-54fa5c29b8095dabae92675a9672a55f"/><italic id="italic-b0eb439c03bd13e688a0bdd4f2afc3a6"/><bold id="bold-4d72b9145a8694bebfbbea99d77b5868"/></bold></italic></bold></italic></bold></italic></bold></italic><italic id="italic-17d46ad291325cd61f608f1ca3837a98"><bold id="bold-12">o</bold></italic>, <italic id="italic-b6c932d9c63d811aeb14105e201d34ae">mo</italic><italic id="italic-26">/</italic><italic id="italic-27">é +</italic> <italic id="italic-28">-á<italic id="italic-e43f594b97e0052359c0864ced5ca1d3"/><italic id="italic-73cf275f28f787e2b15a2f17b3c91f50"><italic id="italic-d91cb603755d7af988d0249fe978f7b6"><italic id="italic-7fe2b362850f798ad4e67a0813e7ec88">β<italic id="italic-7a364d60adc479bd6422b561f39a82cb"/><italic id="italic-d8e83e2ac27aac2a8682bdcf6c3494df"/><italic id="italic-1f6b92eb1b78a7518d99b35422e5ba9a"/></italic></italic></italic></italic><italic id="italic-30">o </italic>→<italic id="italic-31"> mo</italic><italic id="italic-32">/</italic><italic id="italic-33">é<italic id="italic-89cac706daa999b64e96d0b591ecc3e2"/><italic id="italic-e54045ec63dc33e31b4a6e2838a84d37"><italic id="italic-bc03c9365b5d705ed8ef2acea015ce12"><italic id="italic-18dcb3fc88c5ce729477d6e7afd0d82e">β<italic id="italic-39d4f7bed545d48d816a194e09451d5b"/><italic id="italic-dabbb2e9fe450041fced1e2e5c5318d7"/><italic id="italic-336ea6fd9438253848ecdd40e1fd8a54"/></italic></italic></italic></italic><italic id="italic-35">o</italic>,<italic id="italic-36"> só + -á<italic id="italic-07575120a433011b2e096ae9307cce44"/><italic id="italic-e72ecbd60d93e05a2804b0a4cc235853"><italic id="italic-6d87c594a64b914b21ab22efad077486"><italic id="italic-8cc87e93ecf29d5d0f6006287ea0280f">β<italic id="italic-104c979722213b061f4e5068e40a0cbc"/><italic id="italic-f2ddf990ebd9cec476e8f7d600c6b3a7"/><italic id="italic-d6d9ce66bef4ac17596d7002cbda86c8"/></italic></italic></italic></italic><italic id="italic-38">o </italic>→<italic id="italic-39"> só<italic id="italic-a1d5504d5d57cf95ed39f9ae9d4c6146"/><italic id="italic-78853a476edaac5b06099c63d303e813"><italic id="italic-bbdaf9732c53046dbffd74a7673cbdfe"><italic id="italic-15cb782fe4222b7364f4006b7e5dea45">β<italic id="italic-2c1cc71dfa032253f28f91ce9214ec9d"/><italic id="italic-6dc4ca863aca14a9e295a5b4c9124f77"/><italic id="italic-1d612f13fbf79d484501073a1aa4c841"/></italic></italic></italic></italic><italic id="italic-41">o</italic>). Com temas terminados em<italic id="italic-42"> </italic>consoante, portanto em sílaba fechada e mais pesada, preservou-se o acento original do tema e reduziu-se o sufixo à forma <italic id="italic-43"><bold id="bold-13">-a</bold></italic>: (<italic id="italic-44">kutúk</italic> <italic id="italic-45">+ -á<italic id="italic-dc399918ecfb4fc293ddbd9ac2cb30d8"/><italic id="italic-5a3577e690ec8a03ad7bbadeae43fd1c"><italic id="italic-b5904a2a8d9b99f3e9f6c0be7c72f9e0"><italic id="italic-4402987bb04ba70a4a7d40a57c2fa8f6">β<italic id="italic-124b691f6e8ef4226b976cc32fc2cbfa"/><italic id="italic-e98fb2427ec27fa7eddec935bfedec6a"/><italic id="italic-27465000464174647ec2cc721845b703"/></italic></italic></italic></italic><italic id="italic-47">o </italic>→<italic id="italic-48"> kutúk<bold id="bold-14">a</bold></italic>).</p>
          </list-item>
        </list>
        <p id="paragraph-531d4e16b39788e3a81d8e52cba50248">Cabral e Rodrigues (2002, p. 56)<xref id="xref-b659e2fcfbc8ef3052514f899d39582a" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-1c05a921ec8fc819cde8456824ede0bb">[17]</xref> observam ainda que em quase todas as línguas Tupi-Guarani que mantêm reflexos de <bold id="bold-a92fd0a259819e15f1d1a626a424db7a">*<italic id="italic-9c2beea687465c6e33430de0fb65fa05">-á<italic id="italic-5a0cb72f5e6aea9a36eae325f8957755"/><bold id="bold-78a10fe0ccdcc957ee32f0be4cce24f2"/><bold id="bold-32adc5973d445a4bf6f7224ddd7bb447"><italic id="italic-1d06f8efed5d287f72cc708c5545b4d5"><italic id="italic-e47bf3161784695b7578c5aaa9656554"><bold id="bold-c413bffa51705ba0df4a8da596ec3b0a"><italic id="italic-9d4d5c9bbd1d55d0334ab8975a2e1b80"><bold id="bold-f1998fcca9330638bd7cd49849f4ad81"><italic id="italic-578662d750fd06188069bbff587e7253"><bold id="bold-4a8b9b46c7b85aa79c0b40401952399b">β<italic id="italic-4bfe52f977f7a0144097902d463b0239"/><bold id="bold-673eef473c2617af99cee6ac2c80a94a"/><italic id="italic-04e64967ae2bfb9f946809a26ffbd01e"/><bold id="bold-bd8aceaf71176a2620af7b54fc7c8785"/><italic id="italic-bcfa15e445d29f4a39571361a294acdc"/><bold id="bold-e5f16801852c7a9c303de69c46e434be"/><italic id="italic-473e7aaabc2867af04398437a858d35b"/><bold id="bold-155586b445be4f7937bf7c0e4bae2a56"/></bold></italic></bold></italic></bold></italic></italic></bold></italic></bold><italic id="italic-d261e99efb61b82da79b63cc36b06866"><bold id="bold-1b1efdb2099c748b1cf05074679e55be">o</bold></italic>, com os temas em –<bold id="bold-67121a6d277703ac3cead781bae6d9a3">j</bold>, o sufixo de gerúndio é <bold id="bold-b6cc833004d6d1dc640673a107a4c198">-ta</bold> e em Awetí é <bold id="bold-c36a7de99ae1c9dfc022b6a1d37abf77">-taw.</bold> Os mesmos autores concluem:</p>
        <p id="paragraph-0ff05cecb3d8aa3f024b23bf889c5ce9">_</p>
        <p id="paragraph-d52689eb881ac3ceb9d5566bcff1f33c">Embora a combinação de <bold id="bold-cc70f6fb5894cc7ea9d10fbc17e942e6">-áp+-<bold id="bold-545211a897d33597f66a2cfc8c90252d"/><bold id="bold-3f6ae611637307450eb567e744ed9954"><bold id="bold-e17a295e07c9a989d62fa322d11d591d"><bold id="bold-4792584ad06eb97dcd96dba485c4ed10"><bold id="bold-5fba6c2c63f21f567c0c29c731babd61"><bold id="bold-e1d4a3143b09586951b75654dc2d5cc4">β<bold id="bold-e1aad9f76ebe4ed47733814c64e13802"/><bold id="bold-ae5b8ff92435f157fc935afa9509695e"/><bold id="bold-c4c1a6142a346f8160c69956c68551e4"/><bold id="bold-1c30899070090a222f56352a31a1b991"/><bold id="bold-095aa9801f23d74ea572f8353142dc2c"/></bold></bold></bold></bold></bold></bold><bold id="bold-72d62170b134a71e124f5e2d3caeeb94">o</bold> tenha desencadeado um processo de fusão que tornou opaca a fronteira entre os dois morfemas, o material resultante manteve a natureza nominalizadora do antigo sufixo <bold id="bold-bedb1b1761594731ae5df71880c7ddff">-áp</bold> e a natureza adverbial do antigo sufixo <bold id="bold-9900c799c0f187f4b675cc119527490b">-<bold id="bold-5817c7c3a838a984fbc1406d3e2f51d6"/><bold id="bold-f801f87b87b8b9d6ad286c9fd1e744dd"><bold id="bold-f2e3800ad62d956240b423a089602905"><bold id="bold-4dfbe4a79669b3e35ef992068c037560"><bold id="bold-d39723b3bc12a6780ad509ce8034c5ad"><bold id="bold-76c9a0cd9c7442ff330dc151459e3d1a">β<bold id="bold-389f93059d2b230b092f3be29e87f541"/><bold id="bold-1028a7975bd4778fae67561bab3f12a3"/><bold id="bold-a75d403d5ee23ac8172bcdb1c561fe24"/><bold id="bold-2712d6ca08ec1e693a6eb0d95ec87d74"/><bold id="bold-5b8cd76835453857430cff780ec75dd4"/></bold></bold></bold></bold></bold></bold><bold id="bold-c44d60c968e4e77ff56b7f2a01ffd54e">o</bold>, de modo que, tanto em línguas Tupi-Guarani, quanto em Awetí, construções com essa forma não recebem prefixos de sujeito e acionam o modo indicativo II.</p>
        <p id="paragraph-da3b3f527eb3e4ed258a528e90f62027">_</p>
        <p id="paragraph-0a604c5a61d42664645ca95a8f260828">Dos dois exemplos abaixo do Awetí, o segundo ilustra uma construção com <bold id="bold-475c407b6c2bb0ee38e4ac3f774958ea">-aw</bold> &lt; *<bold id="bold-ee37a749138432fd234a23f997a94a04">-áp+-<bold id="bold-214c655db4951612c43f46edebafe307"/><bold id="bold-5940b9b6868eb61b054c64bb731f0400"><bold id="bold-5df4c3cede25b43d192c2faac8be5891"><bold id="bold-338ba0d1040fbee83c104eece58affc1"><bold id="bold-76550c49c3c0eddc09f1ce0b83402b8f"><bold id="bold-97482802f86cde7214af4bddea493bf0">β<bold id="bold-f00a6c42f3b9605c7c0474d1dbc3c255"/><bold id="bold-9ac04a06cdd6257032fb89f6e6c4baa3"/><bold id="bold-6d063c0e4a8a244036fbf06b97362a03"/><bold id="bold-210562a5e46a6ae7b458d8196344d673"/><bold id="bold-f5c9dcdedc7b089036e6caaf5a3c85cc"/></bold></bold></bold></bold></bold></bold><bold id="bold-eb44c4e218db8319feab9744d97b5b14">o</bold> acionando uma nominalização, que equivale ao Indicativo II das línguas Tupi-Guarani:</p>
        <fig id="figure-panel-b533dfee9f65775a7853dafcfcf7bff8">
          <label>Figure 14</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-0101e6b4b3a6531c3228a38dc9227c25" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-bc4728dd9d7ef6aa7d1f7b6477284ca1" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2020-12-20_11-29-23.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-717b9a9cdfec72cddb5235d85e7a5936">_</p>
      </sec>
      <sec id="heading-b97051149ec0ff6d139ab8bede8713e9">
        <title>8. Outras evidências provenientes de línguas Tupi ocidentais</title>
        <p id="paragraph-0d1441c5c349aa1e01d1cd1b48f32369">Algumas famílias Tupi de Rondônia apresentam, em suas orações dependentes, várias semelhanças com as línguas Tupi orientais, as quais podem ser tomadas como suportes adicionais para a hipótese de que as orações dependentes das línguas comparadas até aqui têm, em suas origens, nominalizações combinadas com morfologia adverbial.</p>
        <p id="paragraph-771fa5b292f0afae31fc72b4260607d0">As primeiras evidências vêm do Káro, família Ramaráma. Gabas Jr. (1999, p. 200)<xref id="xref-c2b96cfb8541b3146968825f0776bc77" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-bdf6edfc1d863f29449380c86dbdaf93">[7]</xref> descreve um tipo de oração dependente do Káro, que corresponde às orações do subjuntivo das línguas mencionadas acima, formado pelo elemento modificador <bold id="bold-8cd90f8c490cf0d2c3253b6c674ce7fd">kanãp</bold>:</p>
        <fig id="figure-panel-37989b1f6cb80ff7c11f0603f66dab44">
          <label>Figure 15</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-b79de90ff9464caed3f611c70025f4d8">
              <xref id="xref-fa4037ea1569542bacbcd27ce49daa41" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-bdf6edfc1d863f29449380c86dbdaf93">[7]</xref>
            </p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-34143e7477ccaab442aac3a314324233" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2020-12-20_11-29-35.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-9959b035dbe57558f3f65dfcad4eceb7">O morfema <bold id="bold-f225ce42259d50bb274d87f4bb493331">kanãp</bold> – interpretado por Gabas Jr. como “Tempo” – é, na nossa análise, resultado da fusão do nome <bold id="bold-01ecffb434097027c57aa162c1a7b6b6">kanã</bold> ‘coisa’, que funciona também como nominalizador (exs. 44 e 45), com o reflexo do PT **-pe “locativo”.</p>
        <fig id="figure-panel-6935cae262d0e4de70afde5164c86de8">
          <label>Figure 16</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-448b42ce600aa79d83f330136e3de758">
              <xref id="xref-b6eac6a771bb8ec57c1558d1db5913d1" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-bdf6edfc1d863f29449380c86dbdaf93">[7]</xref>
              <xref id="xref-4ae7672e3196fb1a2bfa337a1afaadf5" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-bdf6edfc1d863f29449380c86dbdaf93">[7]</xref>
            </p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-c844c4e0de42ed712518bfdf7c0a58d7" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2020-12-20_11-29-49.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-81f6be064e15e80578c11cd5b3e7aeea">Duas outras línguas de Rondônia, o Mekéns e o Tuparí, ambas da família Tuparí, possuem um tipo de construção análoga às orações subordinadas de gerúndio das famílias Tupi-Guarani, Mawé, Awetí e Mundurukú. Essa construção é constituída de uma forma verbal nominalizada por meio de reflexo do PT **-<bold id="bold-631b4f72b8ffbfefb0e602886ce6db06">ap</bold> combinada com o morfema <bold id="bold-cd16d79a08a30ffb0f409831aa1f3217">na</bold>, que em Mekéns é analisado como um verbalizador (Galúcio, 2001)<xref id="xref-505a2fecb1c57b3315bdde92c7f0d0a7" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-b2ecd978c926f21106bfa2499ae106a1">[20]</xref>:<xref id="xref-85bacc2a2b072f9587c4763dce36d063" ref-type="fn" rid="footnote-92d843f892bd85eafe196e15a767f2ab">7</xref></p>
        <fig id="figure-panel-2c1470c66bfb7f458719e303005c2cf0">
          <label>Figure 17</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-6e2315a4bf8d3b925201457b9dfeb5c7">
              <xref id="xref-11f92b92f1da3ac627882c0502fe0407" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-b2ecd978c926f21106bfa2499ae106a1">[20]</xref>
            </p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-e4f6e79b42b84877770d67c8d162c771" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2020-12-20_11-30-03.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-7bbe1b0db34cda906781e80f8b384864">Além da combinação de temas verbais nominalizados por meio de <italic id="italic-c3d044cde72abc6defc504e40c28b07f">-ap </italic>com o morfema adverbial do exemplo anterior, o Mekéns apresenta<italic id="italic-b7c21f4c340b1caa632d7322a8716560"> </italic>um morfema que Galúcio (2001, p. 196-198)<xref id="xref-0b190ca412bc15bd38e3e341f3afcdd1" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-b2ecd978c926f21106bfa2499ae106a1">[20]</xref> chama de partícula subordinadora, a qual marca construções equivalentes a construções temporais/condicionais (se/quando). Trata-se da expressão <italic id="italic-a51f7cd692da89b2cabe236cd0b342dd">kaabese/abese</italic>, a qual, na nossa hipótese, é derivável da combinação de <italic id="italic-f7b7b9fca3def4fc0180c2ff70a6ee0b">-ap</italic> mais a posposição locativa <italic id="italic-f84cefcb678a00da384e280ed7fe406a">-ese</italic>:</p>
        <fig id="figure-panel-1c53696d5255072b4c6cb51e62b93333">
          <label>Figure 18</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-3f40c2fd58ff5751e7cfb26c7f2bfce7">
              <xref id="xref-40b4ad5ce48a39facd1fce4f857d550a" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-b2ecd978c926f21106bfa2499ae106a1">[20]</xref>
              <xref id="xref-6857461948b437f54ab3f78f8a61985d" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-b2ecd978c926f21106bfa2499ae106a1">[20]</xref>
            </p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-b5b01c05788811df4dc371485a2084f7" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="Imagem3.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-ee5bf815e938e9ff797cfaee804b0bc3">Em Makuráp, língua da mesma família Tuparí a que pertence o Mekéns, complementos circunstanciais correspondem a orações subordinadas de outras línguas Tupi:</p>
        <fig id="figure-panel-fb1eb0b07572ead6839a89ffc4a47c53">
          <label>Figure 19</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-7a2f8d650322ba1904e4dba347e3c1fd">
              <xref id="xref-a7e5608f95cfea001f59ef8df316e7ca" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-b2e1ccdaf7155d99e18ef9b29ed737a7">[21]</xref>
            </p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-f26d759ea7193a2869f7a9e5437d92c6" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2020-12-20_11-31-43_2.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-9e90cc9f849b1c1796eab47fb9f29b46">_</p>
      </sec>
      <sec id="heading-87ae31fd17c382fb783944388e41b300">
        <title>9. Discussão</title>
        <p id="paragraph-cd3645a03288a1221f72eac0072aef65">Os dados apresentados neste estudo fornecem indicações suficientes para fundamentar a hipótese de que as construções de gerúndio e de subjuntivo de línguas como Mundurukú, Mawé, Awetí e línguas Tupi-Guarani resultaram da combinação de temas verbais nominalizados com sufixos de natureza adverbial. Em línguas como as Tupi-Guarani, Awetí e Mundurukú, essas antigas combinações sofreram processos de fusão, resultando em reanálise (verbo + Nom + sufixo casual &gt; verbo-sufixo modal/subordinador: Awetí e Tupi-Guarani V-<bold id="bold-9b3aa75a9535a7051b1735372b297607">áp+</bold>-<bold id="bold-ea96d418b4df947e16392e73612fd4f8"/><bold id="bold-1e9631270c5379e26e1c8d4516971a78"><bold id="bold-84231a5b746ad8e1cbd0f85d71b7b94f"><bold id="bold-20700da5e2312d4ac8c3e77fa71a45bc"><bold id="bold-b4dcf0c2393df62777fb9f3819dfe91d"><bold id="bold-ec8c81af65333acfb31c14e1e5554c77"><bold id="bold-cdc08d57a971bffa65748539366e0308">β<bold id="bold-4469f9ac5ce60d03129f989f9a035c77"/><bold id="bold-3e6ac3bbd78f9e3b974f10309db5d466"/><bold id="bold-8d31e429f8d7f4f2a6f96d71399e8a13"/><bold id="bold-b2944bbcd817a42e76cfc036632dbd7e"/><bold id="bold-c28c3a2ec59d9af04f6572be5d649807"/><bold id="bold-711519d50aad7f6c46da6af401bf5e3b"/></bold></bold></bold></bold></bold></bold><bold id="bold-a9fd54838a91acac92939f6ffcb83e4a">o</bold> e Mundurukú V-<bold id="bold-b285d137f6404113ab27203834f4e830">ap+</bold>-<bold id="bold-7bd5d926fb39619dcb51f6354a89e882">m</bold>) e subseqüente gramaticalização de uma nova estrutura. Outras evidências de que essas tenham sido as fontes dos sufixos modais nessas línguas provêm do Mawé, língua estreitamente relacionada com o Awetí com o Tupi-Guarani (Rodrigues, 1985;<xref id="xref-8f38b6734ab5ee3ee588903dbc94bd23" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-19feacbfb951b24946a55ac613ed8a54">[22]</xref> Rodrigues e Dietrich, 1997)<xref id="xref-51629c050a8df284fba46032e5d78426" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-19727fdb125df2642b69bec85fb1d3b9">[23]</xref>. No Mawé, a combinação verbo+Nom. de circunstância+morfema casual ainda é segmentável. Dados de outras línguas Tupi, como o Mekéns, o Tuparí e o Káro mostram que essas combinações podem datar de um estágio comum a essas línguas, como o estágio Proto-Tupi.</p>
        <p id="paragraph-73809a3e2f722d8f6876df277f418d2a">Outro fato de importância histórica para o qual a discussão desenvolvida até o presente aponta é o de que o padrão absolutivo, que caracteriza as orações dependentes do Mundurukú, do Mawé, do Awetí e do Tupi-Guarani – línguas cujas respectivas histórias são marcadas por múltiplas cisões no sistema original de alinhamento – tem sua origem no uso de marcas absolutivas em sintagmas posposicionais e sintagmas nominais flexionados por morfologia casual, que tinham por complemento ou por núcleo, respectivamente, nomes ou verbos nominalizados.</p>
        <p id="paragraph-0f54ea4f4cb4928a84c3fe436200d8f3">Por fim, os dados utilizados para demonstrar a hipótese de desenvolvimento de predicados verbais intransitivos com alinhamento absolutivo em Awetí, Tupi-guarani e Mundurukú reforçam a proposta de Gildea (1998)<xref id="xref-10cbc9b97e477b7550aa14ef1323fed3" ref-type="bibr" rid="book-ref-0c883f0f1a58564fdc58e48ebd78f146">[24]</xref> sobre as línguas Karib acerca de inovações morfossintáticas resultantes de reanálises, de extensões e de línguas em contato. Para Gildea, essas inovações deixam marcas nos diferentes padrões, o que torna possível determinar não apenas a fonte do padrão gramatical inovador, mas também o mecanismo que permitiu a inovação. No caso das inovações aqui demonstradas, contribuíram não só os vestígios que permaneceram mesmo depois da mudança morfossintática, mas também os dados de outras línguas Tupi que mantiveram as construções originais.</p>
      </sec>
    </sec>
  </body>
  <back>
    <fn-group>
      <fn id="footnote-a693965bd4861ac38a6d6b9c0966df2d">
        <p id="paragraph-d3c37c5cda432c0f886d536171628c69">* Aryon Dall’Igna Rodrigues é doutor em Lingüística pela Universidade de Hamburgo (1959), foi professor de Lingüística e Antropologia na UFPR (1960- 1962) e de Lingüística na UnB (1963-1665), pesquisador no Museu Nacional do Rio de Janeiro (1966-1973), professor de Lingüística na UFRJ (1970-1973), na UNICAMP (1973-1988), na UnB (1988-presente). Foi professor visitante nas universidades de Montevidéu, México (UNAM), Cornell, Califórnia (Berkeley), Leiden (Holanda), Muenster (Alemanha), PUCRS, UFMG, USP,UFF, UFSC, UFPA. É professor emérito da UnB, bolsista de produtividade científica A do CNPq, coordenador do Laboratório de Línguas Indígenas do Instituto de Letras da UnB e co-líder do Grupo de Pesquisa Línguas Indígenas desta universidade.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-c1d21481f8a9e5876c89ab6fd5175d8a">
        <p id="paragraph-bf1c5eb6c5d9b5bf33b429493e73d087">** Ana Suelly Arruda Câmara Cabral é doutora em Lingüística pela Universidade de Pittsburgh (1995), com pós-doutorado na UnB. Foi professora de lingüística na UFPA (1996-2002) e o é atualmente na UnB (2003-), onde integra a equipe do Laboratório de Línguas Indígenas do Instituto de Letras e é co-líder do Grupo de Pesquisa Línguas Indígenas. É bolsista de produtividade científica B do CNPq. Tem-se dedicado principalmente a línguas amazônicas, com trabalho de campo no alto Solimões, (língua Kokáma), no baixo Xingu (línguas Araweté e Asuriní do Xingu), no médio Tocantins (língua Asuriní do Tocantins) e no Cuminapanema (língua Zo’é). Desenvolve e orienta também pesquisas históricocomparativas sobre línguas dos troncos Tupi e Macro-Jê.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-fd3cf98619391f1f1389e282dcb3b173">
        <label>1</label>
        <p id="paragraph-58732698e93d5949693e9ed118ee57c0">Na literatura sobre línguas do tronco Tupi, “gerúndio” designa as orações com sujeito idêntico ao da respectiva oração principal. Para as orações com sujeito diferente do da principal, aqui chamadas de subjuntivas, os gramáticos antigos aplicavam o termo “futuro do conjuntivo” (Anchieta, 1595, fl. 26)<xref id="xref-44c9329bdd0dd074b574326de9e2779d" ref-type="bibr" rid="book-ref-3e4ea37e687a41c5ecf4d7212db5f4ee">[16]</xref> ou “modo conjuntivo” (Figueira, 1621, fl. 11)<xref id="xref-da2ee67985c1e4350b42f57df7017bbd" ref-type="bibr" rid="book-ref-2d3c59954d23f7061fc70d8b0ba3d6ba">[12]</xref>.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-01dc0018911ecef416c476310e3887fb">
        <label>3</label>
        <p id="paragraph-bb3fc4c55e953a54c6016caa6fefb3b8">Storto (1999, p. 153-154)<xref id="xref-0b8b7b2315b238cbde7e083fb5828ee1" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-0ecee919e8ce130fd07b8ceaa55f67ae">[3]</xref> observa que em Karitiána não há concordância em sentenças encaixadas, “quando o verbo está invariavelmente na posição final com relação aos seus argumentos”. Um exemplo ilustrando isso é [Èn opiso] ataka-kãrã an /1s ouvir 2s-decl-pensar-nfut 2sg/ ‘você pensou que eu ouvi’ (p. 154). Mas em nota de rodapé Storto observa que na mesma oração encaixada o pronome pode se cliticizar ao verbo, embora não co-ocorra com o pronome livre: [È-opiso] a-taka-kãrã ãn /1s ouvir 2s-decl-pensar-nfut 2sg/ ‘você pensou que eu ouvi’ (p. 154).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-56fc2f941c170b6abc669245a8d1dd65">
        <label>4</label>
        <p id="paragraph-61d7530d50929b4ec418e34d20095e3c">-amo ~ -ramo em predicados descritivos.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-1c4874dd5e3e7742bfe567a67d336858">
        <label>5</label>
        <p id="paragraph-d88605785f425d8cddcfee2be3bb9290">Nas glosas, as abreviaturas R1, R2, R3 e R4 identificam os prefixos relacionais de referente (1) contíguo, (2) não contíguo, (3) humano genérico e (4) correferente com o sujeito da oração.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-12b365b5bd2af8a36d3e34206cec4d79">
        <label>6</label>
        <p id="paragraph-41106e2839759fd0dff7f69b5d80ecc2">A propósito da relação histórica do Awetí com o Tupi-Guarani, ver Rodrigues e Dietrich, 1997, p. 265 e 300.<xref id="xref-f89b9f2ebb2594495ca6d6e43e05c46c" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-19727fdb125df2642b69bec85fb1d3b9">[23]</xref></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-92d843f892bd85eafe196e15a767f2ab">
        <label>7</label>
        <p id="paragraph-f164bfc504d235289722098c9c1b0e86">Galúcio (2001)<xref id="xref-96613c83b56ed22839dd9fc1e00f4cfa" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-b2ecd978c926f21106bfa2499ae106a1">[20]</xref> descreve duas partículas subordinadoras para o Mekéns: kaabese (ou aabese) ‘se/quando’ e kana (ou kanapõrã) ‘por esta razão’, as duas formas de cada partícula correspondendo a diferenças dialetais (p. 71). Note-se o paralelismo da forma kanapõrã com a forma do Káro kanãp.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-2ee0f6faf76c4798d2f59e1e199b017d">
        <label>2</label>
        <p id="paragraph-49e2a24cc832d18b9f9e9dc0f8533f23">Os símbolos e abreviaturas usados neste trabalho e suas respectivas glossas são: ABS = absolutivo; ADVZ = adverbializador; AC = acusativo; AG = agente; ARG = argumento; ASP = aspecto; C = caso; CAUS = causativo; CC = causativo comitativo; CL = classificador; COL = coletivo; CORR = correferencial; DAT = dativo; DECL = modo declarativo; FEM = feminino; FOC = foco; FUT = futuro; GER = gerúndio; H = humano; IMIN = iminente; IMP = imperativo; IND = indicativo; IND.I = modo indicativo I; INT = interrogação; MED = voz média; NEG = negação; NFUT = não futuro; NOM = nominalizador; O = objeto; OBL = oblíquo; OD = objeto direto; PASS = passado; PL = plural; POSP = posposição; POSS = posse; PR = pronome; PRF = perfectivo; PROGR = progressivo; PROV = provavelmente; R = relacional; R1 = prefixo relacional que sinaliza no tema dependente que o seu determinante é a expressão nominal contígua precedente; R2 = prefixo relacional que sinaliza no tema dependente que este está relacionado a um determinante, mas que não forma com este uma unidade sintática; REFL = reflexivo; S = singular; Sa = sujeito de intransitivos ativos; So = sujeito de intransitivos estativos; SUB = subjuntivo;TEM = tempo; TR = transitivo; VERB = verbalizador; 1 = primeira pessoa; 2 = segunda pessoa; 3 = terceira pessoa; 23 = segunda pessoa do plural.</p>
      </fn>
    </fn-group>
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      <ref id="book-ref-bc1f3238febab65d8112ea14f01eb6fe">
        <element-citation publication-type="book">
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          <edition>Reprodução fac-similar da 1ª
 edição (1618). Apresentação de Pe. A. Lemos Barbosa – professor de
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