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        <article-title>O PARALELISMO LINGUÍSTICO E SUA ATUAÇÂO NO PROCESSO VARIÁVEL DA CONCORDÂNCIA VERBO-SUJEITO</article-title>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="22/05/2017" />
      <volume>3</volume>
      <issue>1/2</issue>
      <issue-title>O PARALELISMO LINGUÍSTICO E SUA ATUAÇÂO NO PROCESSO VARIÁVEL DA CONCORDÂNCIA VERBO-SUJEITO</issue-title>
      <fpage>217</fpage>
      <lpage>241</lpage>
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        <date date-type="accepted" iso-8601-date="22/06/2005" />
        <date date-type="received" iso-8601-date="10/06/2005" />
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">O objetivo deste trabalho é, a partir dos dados do Projeto Variação Lingüística no Estado da Paraíba (VALPB) discutir a concordância verbal e uma de suas restrições variáveis, o princípio de paralelismo formal, segundo o qual marcas levam a marcas e zeros levam a zeros.</p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-f6d81004e7503414d897c83271d07318">The purpose of ibis work is to employ data from the Paraiba Linguistic Variation Project. The work uses subject-verb agreement and a restriction in the VARBUL Program (PINTZUK, 1988) to describe the principle cf formal parallelism, according to which features correspond to features and gems to qrros.</p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">concordândia verbal</kwd>
        <kwd content-type="">paralelismo forma</kwd>
        <kwd content-type="">variação linguística</kwd>
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    <sec id="heading-785d4a2074f83e183c856ed86cb0af29">
      <title>Introdução</title>
      <p id="paragraph-48efe0d044a84a3e76c1a83a23154530">A língua é um fato social, dinâmica, heterogênea e sua variabilidade inerente ao indivíduo faz parte do sistema lingüístico. Pensando nisso, ao estudá-la, deve-se levar em conta a correlação que existe entre um fenômeno lingüístico e as restrições sociais e estruturais.</p>
      <p id="paragraph-aa210b6f430dac5ee72c15fc776478d4">Com base na Teoria da Variação (Labov, 1966; Wcinreich, Tabov, Herzog, 1968) e utilizando o corpus do Projeto Variação lingüística no Estado da Paraíba-VALPB (Hora, Pedrosa, 2001), este artigo tem como objetivo descrever, a partir do estudo da variação na concordância verbo-sujeito na 3<sup id="superscript-1">a</sup> pessoa do plural no Sintagma Verbal (EV) (Ex.: Eles cantam! Tiles canta) realizado por Espínola (1999), o princípio do paralelismo lingüístico, segundo o qual marcas levam a marcas e zeros levam a zeros (Poplack, 1980; Scherre &amp; Naro, 1993; Scherre, 1988, 1998; Carvalho, 1997; Vieira, 1997).</p>
      <p id="paragraph-eb1b0a655af48feffc797bd2a7edaaa4">A hipótese que se levanta é que a presença de marca explícita no Sintagma Nominal (SN) sujeito conduz à presença de marca de plural no SV e a presença ou a ausência da marca de concordância em um verbo encontra paralelo no verbo seguinte.</p>
      <p id="paragraph-2489063104d6253fb16a18533fd68de6">Para desenvolver tais idéias, o texto está assim estruturado; na seção 1, será apresentado o estado da arte acerca do fenômeno da Concordância Verbal (daqui por diante CV), apresentando conceituações presentes nas gramáticas normativas e também os diferentes estudos já realizados a seu respeito; na seção 2, será abordada a restrição paralelismo lingüístico, considerando seus aspectos discursivo e oracional c simultaneamente serão discutidos os resultados obtidos; na seção 3; serão apresentadas as considerações finais.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-eaf100a910d0d78acddb1954be3c4b10">
      <title>1. Fenômeno de CV</title>
      <p id="paragraph-011f62f2cfd35b57aecdfdd9c59a5e79">A CV é um campo aberto para muitas e intrigantes questões. Esse fenômeno sintático c um dos pontos da Gramática Tradicional mais polêmicos, tendo cm vista que as normas estabelecidas nem sempre correspondem ao seu uso por parte do falante.</p>
      <p id="paragraph-7cdc7c9a17d2edb762a2be18726ce958">A gramática, com todas as suas prescrições, é um dos meios pelos quais a camada social mais alta se impõe sobre a mais baixa, tendo como aliada a língua escrita, difundida nas salas de aula e transformada em dogma pela escola. Nesse aspecto a nao-concordância implica a estigmatização por parte dos usuários com mais anos de escolaridade.</p>
      <p id="paragraph-9d8781c246d2f668759089280f704531">As gramáticas pedagógicas apresentam uma certa incoerência ao tratarem da CV. Primeiro, limitam-na à concordância do verbo ao seu sujeito correspondente, mas, em seguida, apontam outros termos com os quais o verbo pode concordar (predicativos, expressões numéricas e partitivas). Como é grande o número de prescrições, muitas vezes, a concordância se dá mais pelo critério semântico do que formal, como sugerem Cunha &amp; Cintra (1985:488): "Quando o sujeito é constituído por expressão partitiva (como: parte de, uma porção de, o grosso de, o resto de, metade de. e equivalentes) e um substantivo ou pronome plural, o verbo pode ir para o singular ou para o plural”. A esse respeito, os próprios autores afirmam:</p>
      <p id="paragraph-04f7fae07cd02bc6051f1fd535b6b227">.</p>
      <p id="heading-8c1d61ff56190f5bdc214479fd6a6ff1">A cada uma destas possibilidades corresponde um novo matiz da expressão. Deixamos o verbo no singular quando queremos destacar o conjunto como uma unidade. Levamos o verbo ao plural para evidenciarmos os vários elementos que compõem o todo.</p>
      <p id="heading-88362c5b7434923473cdca89f34d63af">.</p>
      <p id="paragraph-37eedbddd6d72eb8ccf83568db7142a6">Segundo tíechara (1964:362), “tliz-sc concordância verbal a que se verifica cm número e pessoa entre o sujeito (c às vêzes o predica- rivo) e o verbo da oração”.</p>
      <p id="paragraph-afa09e193d19e0b7224f700212fa67f5">Da mesma forma, Almeida (1961:380) revela que há certos casos curiosos cm que o verbo deixa de concordar com o sujeito para concordar com o prçdicativo. Para ele, “(..) constitui esse um fenômeno dc ‘concordância por atração’ e se opera sempre que na frase entra o verbo ser ou parecer c um sujeito constituído de o, aquilo, isso, isto, tudo: (...).”</p>
      <p id="paragraph-9e937d9db1dfa5f0b4db03982cbc8a20">Para esse autor, “concordância é o processo sintático pelo qual uma palavra se acomoda na sua fiexão, com a flcxao de outra palavra de que depende” (Almeida, 1961:368). Segundo ele, os termos que na oração devem concordar são: o verbo, que se acomoda ao sujeito; o adjetivo, que concorda com o substantivo; &lt;» pre- dicativo, que concorda com o sujeito e o pronome, que concorda com o nome a que se refere.</p>
      <p id="paragraph-2b5e9da385e21690445b4ffb1eeb8d6e">Assim é visto o processo de CV na língua escrita, e, com relação à língua falada, fonte lingüística usada neste trabalho, alguns estudiosos possuem uma visão diferente c mais flexível. Por exemplo. Melo (1951) acredita que a ausência de concordância não afeta a clareza c a inteligibilidade da frase e que esse processo não passa de um reflexo da lei do menor esforço e a busca pela simplificação. Essa ausência significaria apenas uma maneira de dispensar um traço redundante. Para Said Ali (1964:279),</p>
      <p id="paragraph-6a00e1473c98043c2643ec19a06d3576">.</p>
      <p id="paragraph-ab42dcb884181c0119563d8fcbf9afb8">A concordância não c, como parecerá à primeira vista, uma necessidade imperiosamente ditada pela lógica. Repetir, num termo determinante ou informativo, o gênero, número ou pessoa já marcados no termo determinado ou de que se fala, c antes uma redundância.</p>
      <p id="paragraph-c16db38b861c7afb0ea09c6b3c32d7cc">.</p>
      <p id="paragraph-9d2ce8603f02d6cf36e75a657c8a928f">Conforme Silveira (1964:218), a ausência dc concordância entre o sujeito c o predicado ocorria com freqüência no português arcaico. Da mesma forma, segundo esse autor,</p>
      <p id="paragraph-98dc09be13b6b12c9a5fa662c7cbf574">.</p>
      <p id="paragraph-232292b631acab278451ecafb81ea78b">a língua moderna, sobretudo na sua modalidade popular, revela vestígios dessa antiga arbitrariedade, principalmente quando o sujeito do plural vem depois do predicado: tende èste a ficar no singular como se, empregando primeiro o predicado, a pessoa que fala o deixasse no singular por ainda não ter pensado em que número vai dizer o respectivo do sujeito”.</p>
      <p id="paragraph-c20ea2ad08832811890594e3af0f0d44">.</p>
      <p id="paragraph-5803a2f18b93421918e5e8b75e63cf42"> Melo (1946:63) já apontava a dimensão social como forte condi- cionadora da concordância dc número. Segundo ele, a simplificação das flexões nominal e verbal constitui o elemento mais original e característico da fala popular brasileira, tendo sido determinada pela influência conjugada tupi-negra. O resultado dessa influencia, principalmente da africana sobre o português, foi, segundo o autor, a simplificação cias flcxõcs verbal e nominal de número que se pode perceber na fala popular.</p>
      <p id="paragraph-672a5e30cc40487905f762785e2f31f4">Numa perspectiva lingüística, Lemle e Naro (1977), com o objetivo de estudarem a mudança na sintaxe dc concordância, no português brasileiro, partem do pressuposto de que a perda de concordância ocorre mais precisamente com aquelas formas verbais menos salientes ou perceptíveis.</p>
      <p id="paragraph-29e6245879898b2bc2a79a6e52f1cb53">Assim, para esses autores, a CV no português do Brasil é uma regra sintática variável, c sua aplicação cm contextos de 3" pessoa do plural é determinada pelo grau de saliência fônica que estabelece a oposição entre as formas do singular e as do plural.</p>
      <p id="paragraph-beda3dd4049aa52ea66d0a53bc6746a6">Segundo Naro (1981:64), no português padrão, um verbo deve concordar com seu sujeito, caso este elemento recente esteja explícito ou apagado, anreposto ou posposto.</p>
      <p id="paragraph-8f508d638057b5171d2c8c9376ae98a9">Guy (1981:108), ao estudar o português popular do Brasil no falar carioca, com dados do projeto Competências Básicas do Português, observa que no português popular do Brasil pode ser encontrada variabilidade nos elementos que compõem o SN e nos que compõem o SV, podendo ser encontradas formas, como: as casae, eles catUao.</p>
      <p id="paragraph-f7d51dd29ac8fcf9a3f2976fd2fb70ef">Segundo ele, o sistema de concordância do português é caracterizado, primariamente, por um sufixo -s no sistema nominal c nasaliza- ção da vogal final, representada por —rn e morfofonemicamente como -N, no sistema verbal. Portanto, para muitas palavras, a variação na concordância dc número se dá quando há um apagamento da sibilan- te final ou uma dcsnasalizaçào das vogais finais.</p>
      <p id="paragraph-2c09e9be2dcf5427ccd8cb80447b2a73">O português brasileiro padrão (PB) possui um sistema dc concordância bastante extenso e obrigatório. Os padrões de concordância do PB do período arcaico incorporaram novas formas, ao longo do tempo, com a crescente influência latino-clássica c pela evolução natural do idioma.</p>
      <p id="paragraph-74c16d9292e82f208215f6955a438d9f"> Para Guy (1981), c muito comum, no PB não-padrão, ouvi- rem-se sentenças com sujeito no plural e verbo no singular, acontecendo essencialmentc nas formas dc 3* pessoa. Dois são os motivos, segundo ele, para este fato: primeiro c a posposição do sujeito, que é muito menos provável de ser marcado quando assume essa posição, c o segundo envolve a morfologia de marcação do plural do verbo português.</p>
      <p id="paragraph-c81c15b88fe2d5b5d83eaea798c4040e">Para esse autor, essas variações (nominal e verbal) não são distribuídas uniformemente na comunidade. Por exemplo, os falantes das classes média e alta apresentam um maior uso das regras de concordância nominal e verbal do que a classe baixa.</p>
      <p id="paragraph-9fd43b040e263c327a6c82202815cd7a">Segundo Naro (1981:64),</p>
      <p id="paragraph-944414bd00e6f842491537663291679a">.</p>
      <p id="paragraph-fe7227e4800a3ea1eda7fa9e87365422">As variantes populares tendem a ocorrer mais frequentemente na fala das classes de nível sório-económico mais baixa Enquanto as variantes standard sào mais freqüentes na fala dos níveis sódo econômicos mais altos, em rádio c televisão etc.</p>
      <p id="paragraph-e089693c450b4f0a21fbce41604cde30">.</p>
      <p id="paragraph-4f5a0ba9beb6c68a16ad7a7420571494">Guy (1981:107) menciona, ainda, que o marcador de plural absolutamente regular na 3<sup id="superscript-edf9e9e518a9299a8cd9cf146c8d3444">a</sup> pessoa do português padrão é a nasalizaçào da sílaba final (ditongo ou vogal) e essa nasaHzação c acompanhada regularmente por uma ditongação, que ocorre devido ao fato de algumas vogais, no singular, passarem por um alongamento, quando sào não acentuadas. O autor faz outras considerações acerca dos dialetos populares no PB. Por exemplo, palavras terminadas cm —em /eN/ algumas vez.es são realizadas como [i] (Ex.: falem jfaleyj ou [fali]) c palavras terminadas em -am, freqüentemente realizadas como [u] ou |u] (Ex.: mataram [matarãwj, [mataruj ou |raataru|).</p>
      <p id="paragraph-76feaf3dc3527cbc63a1e43926f74007">Segundo Guy (1981:119), uma das possíveis explicações para esses fatos é que</p>
      <p id="paragraph-ca520f7a726967ba6cf5de29d7736c4b">.</p>
      <p id="paragraph-da5b76f2cab46fd37e4a6e94c8018f09">as pronúncias [ i ] c todas as pronúncias |u,uj dc palavras que tem um /oN/ subjacente podem scr descritas como uma modificação menor da regra de elevação que permite aplicá-la às vogais nasais. No sistema verbal isto incluiria todos os plurais -c N. mais todos os plurais do pretérito, que vêm do Latim -um. por via do português arcaico om. Porém todos os outros plurais verbais (que vem do latim -ant) mais palavras como órfão (do l.atim orphanu) nào podem ser explicadas como exemplos de elevação, c requerem uma explicação baseada cm um processo fonológico que reduz um ditongo não acentuado pela contração dos núcleos em um glide.</p>
      <p id="paragraph-4c64f2b71c5ca1bb4c2ffacc83fda972">.</p>
      <p id="paragraph-1ce6ddfb5d90ce36b07a1de71e96af56">Portanto, na visão dc Guy (1981), a ausência dc CV na 3* pessoa do plural deve-se a dois processos variáveis: à não aplicação da marca dc concordância verbal e ao efeito dc desnasalização que incide sobre a forma verbal, mesmo quando esta sofre a flexão pedida pelo sujeito plural.</p>
      <p id="paragraph-8c862bbdd5437733b594ad6a55f359af">Segundo esse autor (1986:7), para Letnle e Naro (1977), o português popular do Brasil (PPB) c descendente, via mudança sintática “natural”, de alguma variedade anterior do português que teve as regras dc concordância dc número categóricas e obrigatórias, como no standard moderno. A inovação, para cies, é a ausência dc concordância em contextos onde a língua padrão a requer, e interpretam a saliência, mostrando que ocorre mais inovação (isto é, mais ausência dc concordância) nos ambientes menos salientes.</p>
      <p id="paragraph-82253b3311e712d38b17454b3073d383">Essa perda dc concordância de número no PB levanta uma discussão entre alguns estudiosos como Guy (1981, 1986, 1989), que acredita na influência ancestral dc uma variedade de pidgin ou crioulo sobre o fenômeno da CV.</p>
      <p id="paragraph-24b99240d887ae2e87ef5201d7323ef2">Diferentemente dc Guy, Naro (1981) considera que a concordância de número no português brasileiro, mais especifkameate a verbal, está passando por um processo de mudança, caminhando em duas direções opostas: uma em direção a um sistema sem marcas, envolvendo um mecanismo de perda pela comunidade; outra em direção a um sistema com marcas, envolvendo, portanto, um mecanismo de aquisição dessas mesmas marcas, por parte do indivíduo. Assim, na comunidade observada por Naro, pode haver falantes num processo de aquisição da forma marcada, enquanto outros podem estar, ao mesmo tempo, num processo dc perda dessa forma.</p>
      <p id="paragraph-62896c46253a23977146382485262e94"> Naro &amp; Schcrrc (1993:437) apontam três forças atuantes na produção do português popular do brasil: algumas vindas da Europa, outras da America, c outras da África. Segundo cies, deve-sc lembrar do importante papel desempenhado pelos índios, pelos primeiros colonos portugueses, além dc outras forças em interação com a deriva secular trazida da Europa, e não apenas atribuir um papel exclusivo a um suposto pidgin ou crioulo de base lexical portuguesa.</p>
      <p id="paragraph-f3687863fc0e6aaa106979bc35159a2c">.</p>
      <p id="paragraph-292dff59995d0b0ad324a9da7daef274">Parece então improvável que tenha existido no Brasil uma língua pidgin ou crioula dc base lexical portuguesa associada predominamemente com a etnia afrt&gt;-brasi]eira ou ameríndia. Tal língua era dispensável, dada a existência de outras línguas gerais’, de bases nâoeuropéias, que já preenchiam as necessidades comunicativas da população” (Naro Sc Schcrre, 1993:441)</p>
      <p id="paragraph-b8b572cbc3e1880ed1be6a1bc526e972">.</p>
      <p id="paragraph-fa02241fa92d84f1e5b94f1716c0ec88">Baxter &amp; Lucchesi (1997:75-81) c Lucchesi (1998:94) divergem, parcialmente, da idéia de Guy sobre a crioulização, lançando uma outra hipótese sobre o processo aquisitivo, especial mente no português do Brasil. Dc acordo com ele, o contato entre a língua trazida pelos escravos e a dos portugueses, durante a colonização, gerou um dialeto que tinha como alvo a língua dos senhores, mas como o contato entre escravos e senhores não era possível, esse dialeto foi se afastando da língua alvo e transformando-se em um pidgin, que influenciou irregularmente os descendentes desses escravos, gerando assim, um semi-crioulo. Em outras palavras, uma Tingua 2 (1.2) dos pais, devido à dificuldade dc acesso à língua alvo, serve como modelo irregular para a Língua 1 (Ll) dos filhos, gerando uma nova língua.</p>
      <p id="paragraph-3d9135333341f05110fb6ab4a3ee4463">Os estudos soc.iolingüísticos, acerca da concordância verbal, tiveram início no Brasil com os trabalhos pioneiros de I.cmle c Naro. Para esses autores, a regra de CV mostra-sc, ainda, categórica nas classes média e alta, mas na classe sócio-cconomicamcnte mais baixa essa regra estaria seguindo um curso evolutivo, em direção a um sistema sem marcas.</p>
      <p id="paragraph-81c984011f2905d6d75cbfa0d5834305">O trabalho de Naro (1981:96) retoma os mesmos dados de Competências Básicas do Português (1977) c reanalisa a variação da regra de concordância verbal no português. Ele conclui que “dois aspectos do processo global de mudança lingüística podem ser distin- guidos para proposras analíticas: a atuação (origem), isto é, o ponto inicial, ou, primeiro contexto, de uma mudança e a difusão, isto é, o espraiamento subseqüente da mudança para outros ambientes”. Naro argumenta, ainda, que, na perda da CV, a força lingüística atuante é a de uma regra de desnasalização das vogais finais que atua sobre as formas verbais do tipo comem, produzindo formas que coincidem exatamente com as do singular (come). Esta perda dc oposição singular/plural causa uma confusão na estrutura de superfície da língua. Para Naro (1981:96), a difusão do sistema sem concordância se dá de acordo com o princípio da saliência, que sc estende mais fortemente em contextos onde a mudança é menos perceptível e consiste no princípio de que as formas mais salientes são mais favoráveis à presença da marca de concordância, enquanto as menos salientes são desfavoráveis.</p>
      <p id="paragraph-8d82e14daf50ae93da1063e592c3073e">Nicolau (1984:7-8, 31) estuda a variação da concordância entre o verbo c sujeito plural, observando os resultados, no português coloquial de Belo Horizonte. Para tanto, ela utiliza dados de 32 informantes de quatro grupos sociais diferentes, de ambos os sexos c distribuídos cm dois grupos etários distintos (4 jovens e 4 adultos). Ela observa apenas os casos dc sujeito plural (simples ou composto, anteposto ou posposto) perfeitamente identificável.</p>
      <p id="paragraph-c3e49375d4a1fcb15cd6ca9ef89b7902">Vale salientar que essa autora trabalha com a não-apücação da concordância verbal, ou seja, a aplicação, para ela, é a variante zero.</p>
      <p id="paragraph-2202903a68447819a385fc3fa61ff833">Os resultados obtidos por Nicolau (1984:159) mostram, primeiro, que a ausência dc concordância verbal é determinada muito mais pela posição do SN sujeito em relação ao verbo do que pela constituição do SN sujeito; nos casos em que é dificilmente percebida a relação SN/SV (sujeito posposto ao verbo na oração c sujeito constituído de pronome relativo antecedido dc SN plural), a ausência de concordância c bastante favorecida.</p>
      <p id="paragraph-0ffc6430179346da4668f28a8994bc0b">Segundo, um fator condicionador da flexão verbal no S\; nos casos de 3* pessoa do plural, é o estilo informal dc fala, mas apenas em três (baixo padrão dc vida, operários c médio padrão de vida) dos quatro grupos estratificados. No outro grupo social que representa o alto padrão de vida, é no estilo formal que a ausência de CV se faz mais presente.</p>
      <p id="paragraph-6bce1816eb2bd04b368c8e93c5b72627">Finalizando, de acordo com Nicolau (1984:160), “a ausência dc concordância verbal no Português coloquial de Belo Horizonte ca- racteriza-sc como uma variável estável que apresenta nítida estratifi- cação social”.</p>
      <p id="paragraph-af1ed3cf4135d6f752717f89019a9e59">Um outro trabalho que aborda o fenômeno variável da CV é o dc Graciosa (1991), que analisa a fala de 18 informantes da cidade do Rio de Janeiro, de nível superior dc instrução, pertencentes ao corpus do Projeto dc Estudo da Norma lingüística Urbana Culta (NURC), implementado na década de 70, em cinco capitais brasileiras.</p>
      <p id="paragraph-bf0011f8d27f5aafd762379f12a9ddc9">Os resultados de seu estudo apontam que as condições favoráveis à presença da marca dc CV são a anteposição do sujeito ao verbo, a proximidade entre o SN c o verbo e a formação dc seqüência pelo verbo na cadeia discursiva, condicionada ao efeito do paralelismo.</p>
      <p id="paragraph-e94a2909b43e8e7afad8309b9d3762cc">Bortoni Ricardo (1981) selecionou, com o objetivo de examinar as reações subjetivas à falta de CV na 3<sup id="superscript-91ec13af864d15a6e3d3f63232c31f1b">a</sup> pessoa do plural no português, dois grupos dc falantes (11 homens c 13 mulheres) de diferentes graus dc cscolarização (superior e supletivo) e alunos da disciplina Língua Portuguesa 1. Na realização dos dois experimentos a autora procurou, no primeiro, distinguir duas comunidades de fala em termos dc suas reações ao traço de CV; e no segundo, avaliar as reações de universitários à falta dc CV nos diversos ambientes morfossintáti- cos que provaram ser relevantes à presença da marca de concordância na pesquisa de Lemle e Naro (1977).</p>
      <p id="paragraph-cd145a6b0c3243e8da49230b5d920e2a"> No resultado obtido pela autora, o experimento demonstrou que os falantes universitários estigmatizam a concordância verbal não-padrào, ao contrário dos falantes que freqüentam o curso supletivo, os quais, mesmo quando residem na área urbana c possuem curso primário, não estigmatizam essa forma. A autora também constatou que, nas classes desfavorecidas, a incidência da forma não-padrào é mais alta do que entre os estratos de melhor nível de escolarização.</p>
      <p id="paragraph-8e7fb03cd39e4e896b8dedd59d854596">Além desses trabalhos sobre a CV, tem-se referência de outros trabalhos que não serão detalhados aqui (Vieira, 1997; Scherre, 1991). Na seção seguinte, será abordada a restrição Paralelismo lingüístico, considerando seus aspectos discursivo e oracional.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-29c80d16b1c03bee8287d006bb867c79">
      <title>2. Sobre o Paralelismo Lingüístico</title>
      <p id="paragraph-79c291a515e18c74528514675256082e">O paralelismo lingüístico foi atestado primeiramente por Po- plack (1980), em seu estudo sobre o /s/ no espanhol de Porto Rico e de porto-riquenhos residentes na Filadélfia (EUA). Nesse estudo, a autora observa o enfraquecimento e cancelamento do / s/. Ela constata que a manutenção da variante explícita dc plural é favorecida pelo determinante, elemento que ocupa usualmcntc a primeira posição da frase, c esta, por sua vez, mostra-sc mais conservadora da marca dc plural. Poplack (1980:63), ao estudar o espanhol de Porto Rico, também constata que um marcador conduz a outro mais, e o cancelamento de um marcador conduz a outro cancelamento. Essa autora afirma que “a presença de uma marca de plural antes de um token favorece a retenção de marca neste token, enquanto a ausência dc uma marca precedente favorece o apagamento. Ü efeito maior é produzido quando uma precede imediaramente o token (...).”</p>
      <p id="paragraph-475d6603849b45d63a5294ab047901f0">Poplack (1980:66-7) afirma que</p>
      <p id="paragraph-d52a3ad9492b7620b59a59767221ab87">.</p>
      <p id="paragraph-56e67d96fcdefd9b99e6a1b5c4b8305f">os resultados desse estudo, alem disso, indicam que os problemas causados por essas restrições cm competição, no apagamento do (s) não podem ser resolvidos conclusivameme pelo exame do sintagma nominal. A resposta para essa questão pode estar em outras áreas da estrutura lingüística, tais como o sintagma verbal. Um estudo funcional da variabilidade no marcador verbal nos permitiria obter conclusões mais claras, acerca do apagamento e da desambipuafào, no espanhol de Porto Rico.</p>
      <p id="paragraph-24ed9b7c8019afa7913f66fe780ac0c8">.</p>
      <p id="paragraph-6a0bdb3c641d1a0507b7388180b72b55">Fenômeno compartíve), no sistema verbal do Português, foi estudado por Scherre &amp; Naro (1991). Construções que envolvem concordância verbal, nominal e com o predicativo foram amplamentc estudadas, visto que apresentam variação na fala.</p>
      <p id="paragraph-3497b442cd14e3bf4b41b88d93009d6c">Quando se processa a repetição das variantes (*ero ou explícira) da variável dependente dessas construções, tem-se a presença de um fator restritivo, que há muito tempo vem sendo usado na análise de fenômenos lingüísticos, em várias línguas.</p>
      <p id="paragraph-6ea2573bf54a0fd574972f38082b6efb">De acordo com Scherre (1998:30), esse fator restririvo, ou variável independente, “ocorre entre as cláusulas (plano discursivo), no interior da oração (plano oracional), no interior do sintagma (plano sintagmático), entre palavras c no interior da palavra (plano da palavra)”.Ainda segundo Scherre (1998:30):</p>
      <p id="paragraph-79c95e6c4a4194e42cace3d643d8f7a1">Recebendo denominates diferenciadas dentro da literatura variacionista, ela é hoje bastante conhecida como paralelismo lingüístico (...). Embora essa variável tenha um efeito uniforme e geral — candidara à universal dc uso e processamento lingüístico (cf. Scherre &amp; Naro, 1991) —, sua interpretação ainda c bastante diversificada.</p>
      <p id="paragraph-672f35490c6b29c3ea74a16e24f4501b">Scherre &amp; Naro (1991:23), ao estudarem o efeito do paralelismo sobre os sistemas dc concordância no PB, afirmam que este fenômeno está cm contradição direta com o princípio da economia lingüística, visto que marcas tendem a ocorrer precisamente naqueles contextos cm que são altamente redundantes, c por isso, podem ser descartadas sem perda de informação. Além disso, as marcas sucessivas de ocorrências em serie não podem ser consideradas estatisticamente eventos independentes, visto que a presença de marcas precedentes regula o efeiro de marcas seguintes.</p>
      <p id="paragraph-2e1fdc36abf62af2feaebf5879d9dad9">Para Scherre (1988:3),</p>
      <p id="paragraph-8da070a19df0a9b1ecc02dc98f414a4c">.</p>
      <p id="paragraph-2ff023d29e6f884ca719b3d54d4e073e">Na concordância dc número no português do Brasil, o funcionamento do paralelismo é particulamiemr interessante, porque, cm algumas circunstâncias, teude-se a repetir variantes explícitas de plural — codificando mais o que c mais previsível—c tende-se a repetir variantes zero de plural— codificando menos o que é menos previsível. Todavia, na interpretação de fenômenos variáveis de concordância explícita — fenômenos dc codificação redundante—, evocou-se sistematicamente (c ainda cvoca-se) o princípio da economia, associado pelo senso comum à lei do menor esforço, com o objetivo dc dar contas da variante zero plural — interpretada como falta de con- cordànda-<sup id="superscript-4fb2711ceabb920f164e1229a8586552">M</sup></p>
      <p id="paragraph-d94472974f66a4e5b73149620f6baf0f">.</p>
      <p id="paragraph-84c96b357c019ac8d3b0cfe8365f93c1">A seguir será discutido o efeito do paralelismo lingüístico no plano oracional c no plano discursivo.</p>
      <sec id="heading-1bd702d8d87994b43c6a1ab70fdc602e">
        <title>2.1. Paralelismo discursivo</title>
        <p id="paragraph-35af916dcc6786ee215ca57cd2e0e497">Inicialmcnte foram classificados todos os casos de sujeito sc- manticamentc plural de acordo com o ambiente discursivo, ou seja, se a ocorrência verbal precedente c mais próxima, com o mesmo sujeito plural, era morfologicamente marcada ou não (Cf. Scherre &amp; Naro, 1991:24).</p>
        <p id="paragraph-11d0a6efe676e57835c00685e9035fe0">Foram separadas, por um lado, todas as construções seriadas, e, por outro, todas as construções isoladas. Para a codificação, a série (ou seqüência) foi definida de acordo com dois critérios: a construção analisada deveria ter o sujeito com a mesma referência que o sujeito da construção anterior e não deveria estar separada desta construção por mais dc 10 cláusulas, e nem pelo discurso do entrevistador (cf. Scherre &amp; Naro, 1993:8).</p>
        <p id="paragraph-6936d19a409ce21e58ba229fc13d3d4c">Neste plano (discursivo), o verbo precedente, quando referente ao mesmo sujeito ou a um sujeito do mesmo campo semântico, e apresentando variante explícita, favorece a presença dc verbo subseqüente igualmente marcado, enquanto um verbo precedente com variante zero de plural favorece a presença de zero no verbo seguinte.</p>
        <p id="paragraph-a853d2c3b14e4e8df2ab9443d1bf51dc"> Com o objetivo de observar se a presença dc um SV anterior marcado conduz à presença de marca.no SV seguinte, a variável foi dividida em seis fatores: </p>
        <p id="paragraph-27beceede2115c120239de48e16d486f">.</p>
        <p id="paragraph-8cbcbe11b497f2eacb37a97ddcfccb69">1. SV isolado</p>
        <list list-type="bullet" id="list-90c82584715a43f40ea2688c36d15e35">
          <list-item>
            <p>Ex.: “O que pudesse fazer pelas pessoa que precisasse eu fazia.” (SMPS-2nf)</p>
          </list-item>
        </list>
        <p id="paragraph-3">2. Primeiro SV de uma série</p>
        <list list-type="bullet" id="list-09a2110aa2be80ec5947e859abe4f71b">
          <list-item>
            <p>Ex.: ‘Tiles ficavam lá os dois, mas nunca se falaru assim.” (JRM- 3nf)</p>
          </list-item>
        </list>
        <p id="paragraph-5">3. SV precedido de outro mareado no discurso do documentador</p>
        <list list-type="bullet" id="list-f262a0b539d0014b89a61b4ec7433c23">
          <list-item>
            <p>Ex.: Entrevistador: “Você acha que as mulheres devem trabalhar fora?”</p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p>Informante: Acho que deve trabalhar fora.” (SMPS-2nf)</p>
          </list-item>
        </list>
        <p id="paragraph-8">4. SV precedido de outro marcado no discurso do informante</p>
        <list list-type="bullet" id="list-4a47cdf0bef3801cb72af6e7866d45fd">
          <list-item>
            <p>Ex.: “Entào essas pessoas me conhecem, também acham que eu sou uma católica.” (PAM-luf)</p>
          </list-item>
        </list>
        <p id="paragraph-10">5. SV precedido de outro não-marcado no discurso do documentador</p>
        <list list-type="bullet" id="list-70591056b8f92dbb4fa07cc32ebe7ec4">
          <list-item>
            <p>Ex.: Entrevistador: Você acha que as pessoas do Rio, Sào Paulo fala diferente de você?”</p>
          </list-item>
          <list-item>
            <p>Informante: 'Vala, fala muito diferente.”</p>
          </list-item>
        </list>
        <p id="paragraph-13">6. SV precedido de outro nào-marcado no discurso do informante</p>
        <list list-type="bullet" id="list-83d97669c83661ced6038cb44c87de0f">
          <list-item>
            <p>Ex.: “(...) têm outros que fala demais e num di% nada que se aproveite.</p>
          </list-item>
        </list>
        <p id="paragraph-6c20e86af74995d232e1a0622bc95296">.</p>
        <p id="paragraph-ce33cf2710484ab2fe7faf3a0e12dbd2">Apresentação e discussão dos resultados</p>
        <p id="paragraph-2f9e2511b222aa7e8231c218c293d614">O paralelismo discursivo foi a terceira variável selecionada como significativa para a análise e seus resultados revelaram que formas verbais anteriormente marcadas favorecem a presença de marcas no verbo seguinte.</p>
        <p id="paragraph-b71ab79b3cf00d69cf55828bf73ac5ab">Na rodada inicial, os resultados percentuais mostraram que, à semelhança de Scherre &amp; Naro (1993:8-12), neste estudo, a concordância verbal c favorecida pelos fatores SV precedido de outro SV marcado tanto no discurso do informante como no discurso do documentador, enquanto as formas não marcadas nos discursos do informante c do documentador desfavorecem a concordância.</p>
        <p id="paragraph-ef11e31fda76e989eac61cc6b72f7008">Depois dc várias rodadas, chegou-se aos seguintes resultados com todos os fatores da variável paralelismo discursivo:</p>
        <table-wrap id="table-figure-ac23701ba29b80eaf31677037a59b201">
          <label>Table 1</label>
          <caption>
            <title>Tabela 1: Influência do paralelismo discursivo sobre a presença da variante explícita de plural na CV (I)</title>
            <p id="paragraph-2b8758ea100b37f3234a60b4459594f2" />
          </caption>
          <table id="table-a26751d62e09f4e25c1c67fe29c353af">
            <tbody>
              <tr id="table-row-39df872d91c69bc601d5f6db7c7119f3">
                <th id="table-cell-4112df0d3f411f57881ff2f237b458d3">Fatores</th>
                <th id="table-cell-b11fc647bf6977f83979bfd72cfee930">Aplicação./Total</th>
                <th id="table-cell-712e84bf24ae516717c495580f761837">%</th>
                <th id="table-cell-cea9b89cd693b9136a8c2559b39c5f15">P.rel<sup id="superscript-0039084686d879e38f6d5e6aefaece0e">1</sup></th>
              </tr>
              <tr id="table-row-0cc94243b7b2a677be43125bd9a296c1">
                <td id="table-cell-850028a618b375232418710971d8e164">SV precedido de outro marcado no discurso do informante</td>
                <td id="table-cell-e9e2ac572a70ed46a41bb653c4a858e6">588/787</td>
                <td id="table-cell-c4ba44e7d4880163bafc52342e036d9c">75</td>
                <td id="table-cell-929a78efd15e5d63b2fcb534baf35d55">0,64</td>
              </tr>
              <tr id="table-row-9c465003d3ed6878856d936369f0559c">
                <td id="table-cell-be6cc57a777052aba2741fa2d45abfa5">SV precedido de outro marcado no discurso do documentador</td>
                <td id="table-cell-76acb454cbc216b09f976ec730068f80">10/17</td>
                <td id="table-cell-cd7d01c844c2011e008f230935640d84">59</td>
                <td id="table-cell-1ec007342b06e27a28e804594e2a238f">0,71</td>
              </tr>
              <tr id="table-row-7ff3243ebfa2b944874020e9f48a4223">
                <td id="table-cell-38d03a738e185511bb15c459f883a067">SV precedido de outro não marcado no discurso do informante</td>
                <td id="table-cell-2e929efabc494ed233e8f03c21cac994">131/546</td>
                <td id="table-cell-f2373b46f99961e9ef2a9a1480b27615">24</td>
                <td id="table-cell-cd82d5d3c70cc07ec38a8a01c60ee15c">0,22</td>
              </tr>
              <tr id="table-row-34c884b4ead704a47e15396c4b88ce6f">
                <td id="table-cell-703ce4af9b97c302f208163b2faba44b">SV precedido de outro não marcado no discurso do documentador</td>
                <td id="table-cell-b63194490bae33aa5225a25950fbebeb">2/4</td>
                <td id="table-cell-133c2b8f38690f4c20d14d19e52ca795">50</td>
                <td id="table-cell-23ec55265fd7cdbb50b6e2c62774df0b">0,60</td>
              </tr>
              <tr id="table-row-0d610dcafc6b9bc278f6f2eae3d0e986">
                <td id="table-cell-065e0355021085f20430692b7c6ed697">SV isolado</td>
                <td id="table-cell-33331f614b4268496090bf420838b316">528/1026</td>
                <td id="table-cell-95f9a49655dc305fca10f57836508bf3">51</td>
                <td id="table-cell-951072368873faacbeff0f7bffd962d1">0,50</td>
              </tr>
              <tr id="table-row-dd670dd150d6220b3760bccaba3dbd36">
                <td id="table-cell-368758289e2d78c87c7652cabaf3f3c9">Primeiro SV de uma série</td>
                <td id="table-cell-e716acb7c59995ca69c4b787f9b30c61">394/654</td>
                <td id="table-cell-14102f07dc3dd68aa7cbe3ea548fa486">60</td>
                <td id="table-cell-5cc66b3b8d3f5dd9ab61f6354bf34295">0,58</td>
              </tr>
            </tbody>
          </table>
        </table-wrap>
        <p id="paragraph-3e20d8b40c261d109b68c218231d23d2">De acordo com a Tabela 1, os resultados demonstram, dc forma geral, que marcas conduzem a marcas c zeros conduzem a zeros, pois os verbos que apresentam formas verbais anteriores marcadas tendem a reter a marca (0,64 c 0,71), enquanto aqueles que apresentam a variante zero como forma anterior, tendem a eliminar a marca de plural (0,22). Os fatores SV isolado c primeiro dc uma série mostraram-se com efeito intermediário, aproximando- se, relativameme, mais das formas favorecedoras, cspecialmente o fator primeiro dc uma série. O resultado referente ao fator SV precedido de outro não marcado no discurso do documentador fugiu às expectativas, mas esse  resultado inesperado não tem qualquer significado estatístico.</p>
        <p id="paragraph-702d37cf83f24705092088272b6843ec">Sendo assim, os resultados favoráveis ao uso da marca de plural (0,64 e 0,71) se opõem àqueles que desfavorecem este mesmo uso (0,22).</p>
        <p id="paragraph-84e1508408eafec8c92628524f7656df">O SV isolado c o primeiro de uma série, embora se aproximem mais do resultado das formas marcadas, apresentam um efeito intermediário, cspecialmenfc, o SV isolado.</p>
        <p id="paragraph-0b341eb05ead706ed0dc8eb0bd64d53c">Já o caso de SV não marcado no discurso do documentador, ao contrário do que sc esperava, apresentou um alto índice de concordância (0,60), porém, neste caso, nâo se pode ignorar o pequeno número de dados, apenas quatro, que pode ter influenciado no resultado final.</p>
        <p id="paragraph-b078360fa79298ed75d35158b5ff8bd1">Com esses resultados, vê-se que esta variável não envolve só a repetição de formas com marcas, mas também a repetição da formas aero, Ainda, vê-se que os verbos precedidos de outros anteriormenre marcados tendem a ser muito mais marcados do que aqueles que são precedidos dc formas nâo marcadas.</p>
        <p id="paragraph-8353f857c68d1e35e365958bed1b9778">Buscando comparar os resultados deste estudo com os de Scherre &amp; Naro (1993:10), decidiu-se amalgamãr os fatores referentes às formas marcadas em único grupo, e as formas não marcadas em outro, e também as formas de SV isolado com as formas primeiras dc uma série por ficarem entre os dois extremos. Dessa forma, tem-se:</p>
        <table-wrap id="table-figure-bc30d541a0198f3b9b5b0f23273e0d66">
          <label>Table 2</label>
          <caption>
            <title>Tabela 2: Influência do paralelismo discurso sobre a presença da variante explícita de plural na CV (II)</title>
            <p id="paragraph-ef0df105730faa7f34b0c746fa2cb61b" />
          </caption>
          <table id="table-b8fb38cc4001954431521d4409830a47">
            <tbody>
              <tr id="table-row-dd5d20c5ef8b14bdf1bfe5bab3ad1c8f">
                <th id="table-cell-517e9ff650302ca55678c644f0186ab9">Fatores</th>
                <th id="table-cell-fe02eac354bc16fa0161358eda78e0e8">Aplicação./Total</th>
                <th id="table-cell-57f599a972f33d060fcee60bd63099ee">%</th>
                <th id="table-cell-9290c032dfd125664d5dadd796aada29">P.rel.</th>
              </tr>
              <tr id="table-row-1bfbf09094c628c24b5974e654f72499">
                <td id="table-cell-2ad6d008252aa83cc834868fb2d271c5">SV precedido de outro carcado no discurso do informante e documentador</td>
                <td id="table-cell-719f63e16dc58ade5866dcdc263a43ef">598/804</td>
                <td id="table-cell-3bd3eb15b9468e44c7de0a8e50331b18">74</td>
                <td id="table-cell-d60a70b4a52a4b3ab83eb5feb79db07a">0,64</td>
              </tr>
              <tr id="table-row-24c8f6ddfaa77a8409ad8fe220ce43cc">
                <td id="table-cell-60e5954dd98a1d8fa90c484bd86c423d">SV precedido de outro não-marcado no discurso do informante e documentador</td>
                <td id="table-cell-1cc3343eac7613f05ecb1b75d19503db">133/550</td>
                <td id="table-cell-13bc596b58fee5608bf0c3542ac28f15">24</td>
                <td id="table-cell-2d3145db48136bc6f850eed67ec125b1">0,22</td>
              </tr>
              <tr id="table-row-9d6be3e0b5d5b5c91059e3d5b45969a0">
                <td id="table-cell-0c8261a6b0a0b126a39c9b891a980bad">SV isolado ou primeiro de uma série</td>
                <td id="table-cell-e33ba06cbfd27bc96c0529bb248bfdfc">922/1680</td>
                <td id="table-cell-968eafa14eb0d07fe628758571481cb1">55</td>
                <td id="table-cell-887c2b8335cf03073c596143a40474d4">0,53</td>
              </tr>
            </tbody>
          </table>
        </table-wrap>
        <p id="paragraph-8b3a80cbf59ad5e512fed567f513d71f">Esses resultados confirmam a hipótese de que formas verbais marcadas elevam a possibilidade das formas verbais seguintes serem marcadas. Assim, o sintagma verbal precedido dc outro marcado no discurso do informante c do documentador obteve os índices mais altos (0,64), enquanto o sintagma verbal precedido dc outro não-marcado no discurso do informante e do documentador obteve o índice mais baixo (0,22), corroborando o princípio do paralelismo. Da mesma forma que ocorreu com os dados de Scherre &amp; Naro (1993:10-11), o surgimento de um verbo isolado ou como primeiro de uma série, cujo peso relativo ficou em um ponto intermediário entre os dois extremos (0,53), não provoca aumento ou diminuição de marcas em relação à média global da concordância.</p>
        <p id="paragraph-09221a58183f122f4f79092c81419587">Vieira (1997:125) também observa, nos seus resultados, a tendência dc verbos precedidos por verbos com marca formal de plural explícita favorecerem a concordância, enquanto verbos precedidos dc verbos com marca zero de plural explícita ou dc 3<sup id="superscript-67e4a7383026fc6f080dc3b4e5d88a45">a </sup>pessoa do singular de mesma forma apresentam tendência à não- concordância.</p>
        <p id="paragraph-029bcdff5b5affe3030ad9e3dc4ee736">Esses resultados também podem ser comparados aos de Scherre &amp; Naro (1993:10), ratificando a correlação entre o surgimento de um verbo marcado e a presença de marcas explícitas no verbo seguinte.</p>
        <p id="paragraph-d1bc743e0b2ccdd3699a42e913e49bb1">Nas rodadas por anos de escolarização os resultados não se alteraram: o fator que inclui as formas marcadas apresentou-se como mais favorável à presença dá marca de concordância do que aquele referente às formas não marcadas. As formas isoladas ou primeiras de uma série permaneceram no ponto intermediário entre as outras duas, sempre próximas a 0,50, com exceção do resultado referente aos falantes com nenhum ano de escolarização, no qual alcançaram 0,60 de peso relativo, mosrrando-se neutras com relação ao fenômeno da concordância verbal.</p>
        <p id="paragraph-2d8e5f571fb2182cb88cf43a9193abe5">A seguir, serão apresentados os dados referentes ao paralelismo no nível oracional.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-cdde2dbea7f6e35b598dc9c6a5580382">
        <title>2.2 Paralelismo oracional</title>
        <p id="paragraph-194ddd18a66abab0502b3f6e20c17637">Dc acordo com Scherre &amp; Naro (1991:28, 1993:4 -5), espera-se, com a variável paralelismo formai, que um sujeito com marcas explícitas de plural influencie a presença de marcas explícitas no verbo e, inversamente, espera-se que um sujeito com as últimas marcas apresentando zero de plural favoreça um verbo com marca zero de plural. Os fatores dessa variável estão assim distribuídos:</p>
        <p id="paragraph-7004da0f2f6dd0b132f0303485456fd0"> 1. Sujeito com a última marca sem SPrep </p>
        <list list-type="bullet" id="list-c3c3d6620c8322c092b38d2cd86cc201">
          <list-item>
            <p>Ex.: “(...) no dia que elas sairu, não quiscru nem vim se despedir de mim (GPS-3gf)</p>
          </list-item>
        </list>
        <p id="paragraph-369b33f53a7c6c38fd231fe8408ee3a8">2. Sujeito sem nenhuma marca sem SPrep </p>
        <list list-type="bullet" id="list-44642aa62114a4d1597e18f0fc70837d">
          <list-item>
            <p>Exs.: “Tclê Santana e Raí ficaram quatro anos juntos no São Paulo.” (HBC-lsm) “a dificuldade são porque eu (inint) por causa da minha idade.” (lFS-3gf) </p>
          </list-item>
        </list>
        <p id="paragraph-e575bed69055079897d0dcf12cffed68">3. Sujeito sem a(s) última(s) marca(s) sem SPrep </p>
        <list list-type="bullet" id="list-4c7bc61abb593fb6270fab3498329a6d">
          <list-item>
            <p>Ex.: “Os ftlhoO sai de noite, só chega dc manhã.” (MLS-1 ní) </p>
          </list-item>
        </list>
        <p id="paragraph-b8ac428947fefbc852f08fbdbf6a861d">4. Sujeito com a última marca neutralizada sem SPrep </p>
        <list list-type="bullet" id="list-a44433bbe0be6bf19554490b290993f2">
          <list-item>
            <p>Ex.: “Os objetivos sào estes mesmos.” (AAM- 3uf)</p>
          </list-item>
        </list>
        <p id="paragraph-6e8a442a7bdd9e0f2d7edea903d167eb">5. Sujeito com a última marca com SPrep </p>
        <list list-type="bullet" id="list-6d2a8ca51272272ec023f18450b59f84">
          <list-item>
            <p>Ex.: “Gosto de todos os tipos de músicas que me envolvam (...).” (MVSC-lm)</p>
          </list-item>
        </list>
        <p id="paragraph-67b6720d75fb650733a29ae5cd04e68e">6. Sujeito sem nenhuma marca com SPrep </p>
        <list list-type="bullet" id="list-1b4a4dcf18dc9292f50fbdedecb9656d">
          <list-item>
            <p>Ex.: “Tanto a mãe de Giuliano como Giscle se lembra muito.” (GPS-3gf) </p>
          </list-item>
        </list>
        <p id="paragraph-207de28c58f03d414e5533043abc9839">7. Sujeito sem a(s) úldma(s) marca(s) com SPrep </p>
        <list list-type="bullet" id="list-4165f59411eee6bf2e9f96749edc07fe">
          <list-item>
            <p>Ex.: “As pessoaO do auditório pede faz um pedido a eles.” (JLIVlS-2nf)</p>
          </list-item>
        </list>
        <p id="paragraph-09b18279889f9655b9d760ae7aee12d8">8. Sujeito com a última marca neutralizada com SPrep </p>
        <list list-type="bullet" id="list-6974ef561c7d826d495c7653ab0e564e">
          <list-item>
            <p>Nenhum caso encontrado no corpus </p>
          </list-item>
        </list>
        <p id="paragraph-a1a0e550dc8e73511dde32989a202a2e">9. Presença de numeral no último elemento </p>
        <list list-type="bullet" id="list-b134c13642dc5223ee516ab8a8b871c3">
          <list-item>
            <p>Ex.: “Eles dois foru pra um um canto muito deserto.” (IMS- 2nf) </p>
          </list-item>
        </list>
        <p id="paragraph-a8e474a5a529919ab672a39797708323">Apresentação dos resultados</p>
        <p id="paragraph-aa727c6474f1775bbb01dec1db1b8a4e">O paralelismo oracional foi a quarta variável selecionada como significativa para a análise, e seus resultados revelaram que a presença de marcas no sujeito conduz à presença de marcas no verbo. A constatação desse fato veio confirmar o princípio do paralelismo lingüístico, já mencionado</p>
        <p id="paragraph-0adc922fab18879306baa7908a056311">Vale relembrar que se trabalhou apenas com construções que apresentassem sujeito formalmente plural, ou seja, todos os SNs sujeitos deveriam ter uma marca formal de plural, exceto os casos de numeral ou neutralização, que foram devidamente controlados. Os casos de orações complexas com Sintagma Preposicional encaixado c aqueles em que o sujeito não apresentasse qualquer marca (casos de sujeito coletivo ou alguns compostos) também foram controlados.</p>
        <p id="paragraph-d9130e9e39cf6b6526755dd924365020">Na primeira rodada, com todos os fatores, os resultados percentuais atuaram no sentido de favorecer a concordância verbal. Os sujeitos com marcas elevaram a presença de marcas no verbo, ao contrário das formas nominais não marcadas.</p>
        <p id="paragraph-dc76fd5c6fc6b27911ccec23d2b8018f">Para executar então o VARB2000 foram necessárias a retirada c a amalgamaçào de alguns fatores, mas isto em nenhum momento prejudicou os resultados, que podem ser conferidos na Tabela 3.</p>
        <table-wrap id="table-figure-444ff3ba7821076b14b5cee58779a011">
          <label>Table 3</label>
          <caption>
            <title>Tabela 3: Influência do paralelismo oracional sobre a presença da variante explícita de plural na CV</title>
            <p id="paragraph-3f33dcda226b23ae46e0e9e86bff6697" />
          </caption>
          <table id="table-7d0677f2ded471b9de9085d2f9682c0d">
            <tbody>
              <tr id="table-row-492504944ccb3c035737d8b55fdc931e">
                <th id="table-cell-cebc9eb22fae9f7a06558fcbe5b5c837">Fatores</th>
                <th id="table-cell-df2345279349dddf5a002a01e1aa33af">Aplicação./Total</th>
                <th id="table-cell-1f430191dbd768dc7ce820d1363cc494">%</th>
                <th id="table-cell-0dc350931af6908f16e0d58931942fc6">P.rel.</th>
              </tr>
              <tr id="table-row-2ed4bf05e9d2e59b1a533cc77f721dd3">
                <td id="table-cell-8cdd4cb020d8438d343e06b7dbb3c91a">Sujeito com a(s) última(s) marca(s) com ou sem SPrep</td>
                <td id="table-cell-119b1a02fd02e06fcf6901338cfbf5a3">970/1643</td>
                <td id="table-cell-59e3004789d7bddc731f343436a54c80">59</td>
                <td id="table-cell-930199ce24eb67309cd6f9ab24592b54">0,53</td>
              </tr>
              <tr id="table-row-745206c384dafa89577e4e4e554ce396">
                <td id="table-cell-54c5b648006a7d0d29fe030d4dffef25">Sujeito sem a(s) última(s) marca(s) com ou sem SPrep</td>
                <td id="table-cell-a4690784abcdb59e2fa0ce064537edb9">136/429</td>
                <td id="table-cell-9d61523fa638b95794facfaccc5554a7">32</td>
                <td id="table-cell-186a243a49f5cc8ecd4c3d98b96dc65c">0,26</td>
              </tr>
              <tr id="table-row-6e5276c27448bb2c7781432a055b2fd9">
                <td id="table-cell-2e23294722b21bfc8d529d640d41ddd5">Presença de numeral no último elemento do SN</td>
                <td id="table-cell-d4675f01c933c2222250176be4b7dbc4">6/18</td>
                <td id="table-cell-1e3acf13b4bb17a4d60fc095ccddcb5d">33</td>
                <td id="table-cell-99e9ebf40664342c75e398a8fb6724ce">0,18</td>
              </tr>
              <tr id="table-row-3944356cbf1750968b0a22462c06b4b0">
                <td id="table-cell-11658981bf8e792cf55792d46583edb2">Sujeito com a ultima marca neutralizada sem Sprep</td>
                <td id="table-cell-67e5cd398009295f212a41afea822258">174/206</td>
                <td id="table-cell-c84488a8f5fda2abc63063adb2804b8f">84</td>
                <td id="table-cell-ab6ce5643ee807019f0fedcd474c05aa">0,79</td>
              </tr>
            </tbody>
          </table>
        </table-wrap>
        <p id="paragraph-97c4897e22bff85364b69aaf3beebebf">Observa se nos resultados acima que o sujeito com a(s) última(s) marca(s) com ou sem Sintagma Preposicional (0,53) supera, em termos probabilísticos, o sujeito sem a(s) última(s) niarca(s) com ou sem Sintagma Preposicional (0,26), com uma diferença de 0,27. O sujeito que apresenta um numeral como último elemento obteve um peso relativo muito baixo (0,18), em relação aos outros fatores. Além de serem poucos dados, apenas 18, o uso dc marca explícita ficou aquém do que se esperava, mostrando que, neste estudo, a presença de numeral no SN sujeito, pelo menos como último elemento, não favorece a concordância verbal. Ao contrário deste, o fator que inclui formas neutralizadas no último elemento sem Sintagma Preposicional foi o que mais favoreceu a concordância (0,79), visto que ocorreu mais freqüen- temente com o verbo ser<sub id="subscript-1">y</sub> cm casos como eles são, que apreseata- ram um índice probabilistic de concordância muito alto, podendo ter influenciado no peso relativo da saliência fônica. No futuro, um estudo dc difusão lexical talvez possa explicar esse caso.</p>
        <p id="paragraph-1d30ce3330b1e9f3f33ec39aa81455de">Tendo as formas neutralizadas apresentado tão alta probabilidade dc concordância, decidiu-se amalgamá-las com as formas marcadas no último elemento, para assim detectar qualquer alteração nos dados que pudesse interferir na probabilidade de concordância. Desta forma, na rodada final os dados, depois das alterações realizadas, apresentaram os seguintes resultados:</p>
        <table-wrap id="table-figure-4bad9928c544dab1b7810b7ac884a35a">
          <label>Table 4</label>
          <caption>
            <title>Tabela 4: Influência do paralelismo oracional sobre a presença da variante explícita de plural na CV</title>
            <p id="paragraph-0790345c6faa31818c3c54bbcc825351" />
          </caption>
          <table id="table-ddd6d5734cd427f00002e5896d772331">
            <tbody>
              <tr id="table-row-4c33f9367b60b15ff4edfe65c1488c03">
                <th id="table-cell-4fce644307b45283f304d867c781f6c9">Fatores</th>
                <th id="table-cell-11a82cdb90a90119aadc33cb87e57276">Aplicação./Total</th>
                <th id="table-cell-d0df604f05474386c1004dc40314bbd7">%</th>
                <th id="table-cell-2b918ca72992cb5c6813c9672839f4e7">P.rel.</th>
              </tr>
              <tr id="table-row-4094664bfdcb3543e14ef1148f013a96">
                <td id="table-cell-bd96a12c24d5c55940f80ba37f07fb81">Sujeito com a(s) última(s) marca(s) com ou sem SPrep</td>
                <td id="table-cell-31cf8d98475e407801dec7fc27002b31">1144/1849</td>
                <td id="table-cell-85e1dbe9b6b21259ca660e6074dd1066">62</td>
                <td id="table-cell-883904db7d4af321ab35205835def74e">0,56</td>
              </tr>
              <tr id="table-row-d8bbcbdd85374e46bf7787ac2335f948">
                <td id="table-cell-a1f5bb24d6a90354891331c0752ddd80">Sujeito sem a(s) última(s) marca(s) com ou sem SPrep</td>
                <td id="table-cell-502770bb4fca3456a6c457e9234baa2b">136/429</td>
                <td id="table-cell-42f4f1ffeacbc74b2ce5dfad42a21894">32</td>
                <td id="table-cell-87922ea7c6dc386a90337813f21447db">0,27</td>
              </tr>
              <tr id="table-row-94d4a7ff5c9a5423b3682e79f92e6811">
                <td id="table-cell-3bdf881bf74e5ef0654412a8616807b8">Presença de numeral no último elemento do SN</td>
                <td id="table-cell-f8cac58f7f5720f14f21bae025457bae">6/18</td>
                <td id="table-cell-4dfc965767fd073e1733ebd2ae2df6d9">33</td>
                <td id="table-cell-c3de2e7ad2e208c14bd00dab5e07861a">0,19</td>
              </tr>
            </tbody>
          </table>
        </table-wrap>
        <p id="paragraph-b659b16b463db664e2f1f674aa87807c">Após amalgamar os fatores dc acordo com a presença ou ausência dc marcas nos últimos elementos, obteve-se um resultado mais consistente e de forma a explicitar o princípio dc que formas gramaticais particulares tendem a ocorrer juntas, ou seja, a possibilidade dc um sujeito com marcas explícitas de plural influenciar a presença dc marcas explícitas no verbo, ou ao contrário, um sujeito com marca zero de plural explícito influenciar a presença de marca zero de plural cm seu verbo correspondente, (cf. Scherre &amp; Naro, 1993:4).</p>
        <p id="paragraph-76ca91c5ec5f813a10ca781af31017ad">Como os resultados mostram, os sujeitos com a(s) última(s) marca(s) com ou sem SPrep (0,56) favorecem a forma marcada de concordância, ao contrário das formas não marcadas no(s) últímo(s) elemento(s) com ou sem SPrep que a desfavorecem. Os casos dc sujeito com presença de numeral no último elemento (0,18) apresentaram-se estatisticamente cm um ponto intermediário entre o primeiro e o segundo. O caso do sujeito sem a última marca com SPrep (0,27) mostra que a auscncia de marca, onde deveria existir, conduz à não concordância.</p>
        <p id="paragraph-934fad622a121a9abdfd35a41bf5b399">Com relação às rodadas por escolarizaçao, cm todas as faixas de escolaridade, as formas nominais marcadas se sobressaíram às formas não marcadas, no uso da marca dc concordância. Nestas rodadas, os sujeitos constituídos no último elemento por um numera! foram retirados, restando apenas a oposição formas marcadas/formas não marcadas. Com isso, pretendia-se observar apenas a atuação destas duas formas, e assim obter um resultado final que demonstrasse o uso da concordância verbo-sujeito favorecida pela presença dc -s no(s) último(s) elcmcnto(s) do SN, quer inserido em um Sintagma Preposicional quer não.</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-977ab8923a0fd23ba9d92570c1bf6d05">
      <title>3. Considerações finais</title>
      <p id="paragraph-006ee843e76d7bf15632d91d5c183b83">Os resultados obtidos para a variável paralelismo lingüístico no plano oracional e discursivo mostraram que, no plano o racional, as diferenças mais significativas tiveram uma concentração maior nas formas marcadas e nao-marcadas do SN sujeito anterior ao verbo. Os sujeitos que apresentaram marca(s) no(s) último(s) elemento(s) favoreceram a concordância, enquanto aqueles que não apresentaram essas marcas a desfavoreceram. No plano discursivo, agruparam-se os SVs que apresentavam marcas anteriores em um grupo c os que não apresentavam em outro, agruparam-sc também os SVs isolados com os SVs primeiros de uma série. Os SVs com marcas anteriores mostraram um maior uso da variante explícita de plural e os SVs sem marcas anteriores um menor uso da forma explícita. Os SVs isolados e primeiros de uma serie ficaram em uma posição intermediária entre os outros dois fatores. Esses resultados, a exemplo de outros estudos, só vêm a corroborar o princípio dc que marcas levam a marcas e zeros levam a zeros, pois a presença dc marca de plural, precedendo o SV analisado, elevou a probabilidade dc este ser marcado e, de forma inversa, a presença de zero anterior ao SV elevou a probabilidade dc cancelamento da marca dc plural. Os SVs isolados e primeiros de uma série também mostraram-se favorecedores da presença de CV, mesmo quando amalgamados.</p>
      <p id="paragraph-113343c92f2f406c32bd30f451347acd">Em linhas gerais, os resultados apontam evidências de que a variação no uso da CV c inerente ao sistema lingüístico, visto que os fatores lingüísticos condicionantcs se revelaram pertinentes na amostra.</p>
    </sec>
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