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          <subject content-type="Tipo de contribuio">Ensaio teórico</subject>
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        <article-title>A REDUÇÃO VOCÁLICA NO PORTUGUÊS BRASILEIRO</article-title>
        <subtitle>AVALIAÇÃO VIA RESTRIÇÕES</subtitle>
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            <given-names>Jose Sueli de </given-names>
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        <institution content-type="orgname">Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul</institution>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Federal de Uberlândia</institution>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="22/05/2017" />
      <volume>3</volume>
      <issue>1/2</issue>
      <issue-title>A REDUÇÃO VOCÁLICA NO PORTUGUÊS BRASILEIRO: AVALIAÇÃO VIA RESTRIÇÕES</issue-title>
      <fpage>195</fpage>
      <lpage>216</lpage>
      <page-range>195-216</page-range>
      <history>
        <date date-type="accepted" iso-8601-date="20/06/2005" />
        <date date-type="received" iso-8601-date="04/06/2005" />
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">O presente trabalho refere-se à neutralização vocãlica no Português Brasileiro à luz da Teoria da Olimidade, um modelo baseado em restrições. Mostrarmos a anulação dos traços manados que reduto sistema de sete vogais a cinco e a tris vagens, de modo paralelo'.</p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-027b23c5761e489aaed1962018c38f8a">The present paper refers to neutralisation of stressless vowels in Brazilian Portuguese under the framework of Optimality Theory, a constraint-based model We will show the nullification of the Marked features so that a seven vowels system is reduced to five and to three vowels in parallelfashion.</p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">Neutralização</kwd>
        <kwd content-type="">redução vocálica</kwd>
        <kwd content-type="">restrições</kwd>
      </kwd-group>
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    <sec id="heading-b204117c3b03db69dd14f5135e78c603">
      <title>Introdução</title>
      <p id="paragraph-2">Na fonologia estrutura), a neutralização ocupou expressivo espaço cm trabalhos que adotaram a proposta de Trubetzkoy, como em Câmara Jr. (1970); mas 11a fonologia gerativa de Chomsky and ílalle (1968), em que cada mudança de traço era explicada por uma regra específica que dizia respeito àquele traço unicamente, a neutralização não teve lugar. Foi com o advento das teorias não lineares e a pressuposição de sistemas subespecificados que este conceito passou a ser centro de interesse, produzindo inúmeros artigos c motivando ou alimentando hipóteses, como o Princípio do Gelo Estrito, amplamente discutido à luz da neutralização absoluta. Neste artigo, a neutralização será discutida na perspectiva da Teoria da Otimidade (McCarthy &amp; Prince 1993, McCarthy 1999 &amp;Beckman 1998), avaliada sob o ponto de vista das chamadas restrições de fidelidade posicionai e de marcação.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-e40cc36a010162ba776248e05f240e42">
      <title>1. O sistema vocálico do português</title>
      <p id="paragraph-9a923e7c7ae67b1901ad1e145c88fe76">O sistema vocálico do português apresenta dois fatos básicos dc neutralização, que têm a ver com a preservação das sete vogais em posição da sílaba acentuada e com anulações de contraste em sílabas átonas, começando pela anulação dc um traço marcado c terminando pela anulação total das vogais médias. Passemos a considerar o sistema básico do português:</p>
      <fig id="figure-panel-fa9aefdf79c503b1c9fbe33fcd14b527">
        <label>Figure 1</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-984136439ec65fe58f14571e2ef0f779" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-1dd1233fe919a128b0b60942290fb483" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-28_10-27-30.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-300ea6a179466a6fdedb68cffb734931">Por definição, ATR (Advanced Tongue Root) é o traço vocálico que diz respeito ao avanço ou recuo da raiz da língua e que, o mais das vezes, está diretamenre relacionado com o levantamento do corpo da língua, pois um e outro movimento são concomitantes. Em geral, vogais altas são [+ATR] c vogais baixas são [-ATR],</p>
      <p id="paragraph-1225eff74b44d9437652164a62694a12">Há sistemas cm que [ATR] desenvolve processos dc harmonia, como cm vata (Kiparsky 1985) c cm yoruba (Archangcli &amp; Pulley- blank 1989), e há sistemas em que ATR desenvolve neutralizações, como em português c em catalão.</p>
      <p id="paragraph-c85c57382f627817bc70c8126d2c85bc">Segundo Archangcli &amp; Pulleyblank (1989), ATR tende a nào ser usado ativamente nos sistemas, mas, quando usado, o valor ativo é [+A'1*R] e o passivo é j-ATR]. Se f+ATR] é desativado de um sistema de sete vogais, o resultado será (2a); se, ao contrário, [-ATR| for desativado, o resultado será (2b). Essas predições são obtidas a partir da aplicação de regras implicacionais (Ver Archangeli &amp; Pulleyblank 1994: 174-175).</p>
      <fig id="figure-panel-9b44e0b16fff62bbb091730b056455f0">
        <label>Figure 2</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-058d1da2e695fcdd19fde8ab2d02945b" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-db969a5bb2531b865f478cb3b5873337" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-28_10-28-44.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-17391d1ac9e8be3b06036af5707effca">O espanhol, um sistema de cinco vogais, corresponde a (2a), em que [ATR] é complcramente passivo. Já cm sistemas de sete vogais, caso do português brasileiro, cm que ATR é ativado, a pre- dição c que, desativando-se [+ATR], o resultado seja (2a), cuja regra dc implicação eqüivale a [+alto] —»[+ATR], [+baixo] —»[- ATO]. Esse sistema caracteriza o português dc variedades do Norte e Nordeste do País. Por outro lado, desativar [-ATO] leva ao sistema (2b), rclativamcnte mais marcado em relação a (2a), de acordo com Archangeli &amp; Pulleyblank, porque seleciona o traço marcado. Esse sistema é o que caracteriza o português do Sul do País, falando-se em termos gerais sem especificações geográficas mais restritas, e também o winnebago (McCarthy 1999) e o suaholi (Archangeli &amp; Pulleyblank 1994), para citar algumas das línguas sujeitas à neutralização. Portanto infere-se que os sistemas /i, e, a, í&gt;, u/, (2a) são mais comuns nas línguas do mundo do que sistemas /i, e, a, o, u/, (2b), o que se deduz também da teoria de marcação de Calabrese (1995).</p>
      <p id="paragraph-7abaeb85728209cb4e38dca71eca92a4">.</p>
      <p id="paragraph-41a34352b958b8e98499dafdd832a7f6">(3) Afirmações de marcação [ATR] (Ardiangcli &amp; Pulleyblank 1994: 184):</p>
      <p id="paragraph-b17cf1fe5bfecd0b27d6519915307297">a. [ATR] tende a nâo ser usado ativamente;</p>
      <p id="paragraph-3">b. Sc asado arivamente, o valor ativo dc [ATR) tende a ser [+ATRJ; o valor passivo de [A'rR] tende a ser [-ÁTR).</p>
      <p id="paragraph-4b09fac324b70b6e19cf004eb1cafac6">.</p>
      <p id="paragraph-f893c437302d32cb91cbe99b8f65637c">Assim, para a neutralização que, por definição, anula contrastes de traços, o primeiro traço a ser anulado na mudança de um sistema de sete vogais para um sistema de cinco 6 o traço marcado [ATR], porque sua única função é distinguir vogais médias, formalmcnte criando uma complexidade que é refletida na matriz por meio da presença dos valores [+| c [-] na mesma linha, como sc vê em (5).</p>
      <p id="paragraph-fdcc00b422d1205503de8484c31595d9">Embora, de acordo com (3), haja forte tendência a apagar [+ ATR],o traço marcado, a variedade de português em descrição apaga [-ATR], (4), com o resultado exposto em (5).</p>
      <p id="paragraph-70da147b7b8cda568b75e80b48f6957a">Da perspectiva auto-segmental, (4) representa a neutralização por meio do desligamento do traço marcado c (5) o sisterna sem [ATRJ:</p>
      <fig id="figure-panel-0b7996008a36385590031a4be6a1d4bf">
        <label>Figure 3</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-479657fbdd1b619f1d07eb943b010867" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-abe0c3110b9bef3a6b522ccf170965f5" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-28_10-30-15.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-facc1fe5a324f4ad4d57765951662278">As vogais altas /i, u/ são [+ATR|, a vogal baixa /a/ é |-ATR], e as vogais /c, o/, [-alto, baixo], são [+ATRJ. Como vemos, este sistema tem quatro vogais [+ATR], a saber, /c, o, i, u/ c uma vogal [- ATR], /a/, mas ATR nâo é mais distintivo.</p>
      <p id="paragraph-079b86da8a66ffa80fe51662600214c6"> Vejamos agora o sistema postônico. Como se observa em (5), são as vogais médias que, no sistema das átonas, ceiam complexidade, porque para defini-las, o traço alto fica com dois valores [+] <sup id="superscript-1">c</sup> [-]&gt; enquanto o traço baixo tem apenas um valor, [+]. Portanto, no sistema de cinco vogais, são marcadas as médias, as quais ficam propensas a desaparecer por neutralização. O resultado está em (6), a matriz, mais simples possível, a qual se manifesta plcnamente na sílaba átona final.</p>
      <fig id="figure-panel-8a858c2ca6f39e1f12d910bcf0ee5b26">
        <label>Figure 4</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-1d1ab60cb9a4f3c166e26aa2ff7f71e7" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-31c5a89af8c64f949f2aabd25ea20ea2" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-28_10-43-08.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-7cf1195518f565b050f8207e44a453b1">Na verdade, em todo sistema pós-accnto, o contraste entre vogais altas e médias não existe mais, porque não há palavras que contrastam pela comutação e/i ou 0/u, final ou não-final. Dizer fôlego ou fôligo, cômodo ou cômudo, leque ou lequi, bolo ou Mu não altera o sentido da palavra. Mesmo assim, a opção pela vogal alta tende a ser regra geral em final de palavras, como em leque &gt; lequi, boln &gt; bolu, enquanto, na posição pós-acento nâo final, permanece a aplicação variável no português brasileiro como um todo<sup id="superscript-0eb49f142fa946a4a99b05a42cd291e1">1</sup>. Portanto o sistema de sete vogais é neutralizado para cinco na posição átona c para três na posição átona final. Na posição nâo final pós-acento, o sistema de cinco vogais alterna com o sistema de très.</p>
      <p id="paragraph-bad859edb5e3bf8dc9bbcb94bec1f41a">Assim, findamos essa parte dc nossa análise, considerando os segmentos ou traços marcados do sistema. Tais segmentos ou traços são os candidatos à neutralização que, por definição, anula traços con- trastivos. Numa visão serialista, via regras, a matriz dc sete vogais passa a cinco c, a seguir, a dc cinco passa a três vogais, cm estágios que se seguem dcrivacionalmente.</p>
      <p id="paragraph-923e411e3d9996acad70fecc865aba9f">Com o objetivo dc dar conta desses fatos por meio de restrições, deixaremos dc lado a visão relativa a estratos seriais, a fim dc analisar a neutralização vocálica do português brasileiro a partir dos imights da Teoria da Otimidade, modelo que opera com restrições que atuam em paralelo.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-e98c5f45e0535fde08b3b758d6a8de94">
      <title>2. Neutralização e Restrições</title>
      <p id="paragraph-b9c14c9beaca076e98fcdfe5b606349a">Na perspectiva da Teoria da Otimidade (McCarthy &amp; Prince 1993, 1995), em que a relação entre input e output é direta, c necessário controlar a identidade dos traços distintivos entre o input c output sem nenhum auxílio de níveis intermediários. Sendo a Teoria da Otimidade (TO de agora cm diante) um modelo orientado pelo output, a su- bespccificação deve ser deixada de lado. Assim, nossa referência passa a ser a matriz de traços abaixo, representativa do sistema vocálico do português brasileiro:</p>
      <fig id="figure-panel-b49b96bcbce6d1ab7567317d7290020e">
        <label>Figure 5</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-1db900c8b9dc89f5525876474713cbe9" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-995b1be42933ec7b66e06b7b9cef744a" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-28_10-44-13.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-8f9cd87671ad0e3c61303803400f4e55">Esta matriz sofre a redução apresentada em (8), com exemplos ilustrativos cm (9).</p>
      <fig id="figure-panel-a4e974875f3194083cb19a1950df697c">
        <label>Figure 6</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-f9ab1c9153386897579cdd1097a37e91" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-5831025043c18749762b1cd3f0ae2617" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-28_10-46-13.png" />
      </fig>
      <fig id="figure-panel-c89bc43105263a14e94b4964299b0ee7">
        <label>Figure 7</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-48c2addee4ee12bfd923530acc1c75f9" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-84795888b606583972370c65da999368" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-28_10-47-22.png" />
      </fig>
      <sec id="heading-4d85f673e7a147adfdb6de524292bb5e">
        <title>2.1. A neutralização de ATR</title>
        <p id="paragraph-7c5c434ac18fb23267c7a83b54710887">Segundo McCarthy (1999: 219), para descrever a neutralização posicionai, definida como perda dc um traço distintivo em dada posição, deve-se levar cm conta os seguintes fatores:</p>
        <p id="paragraph-17a89670ad672d26733f5e67951996e9">.</p>
        <p id="paragraph-473ea42cb97dfd0195103bfd884322ba">a - a posição onde o contraste é mantido e a posição complementar em que é neutralizado;</p>
        <p id="paragraph-020943cb83eaf8d7ef1fa39d6df762c1">b - a natureza do contraste;</p>
        <p id="paragraph-9e530cf1eb352e4e919394b246482f7c">c - o resultado da neutralização.</p>
        <p id="paragraph-9157c3af778d4a7cb7c92e8e0f1dadc6">.</p>
        <p id="paragraph-fd69710f72197d7c8453ae95f2b482f9">Como vimos, [ATR] c, por excelência, o traço marcado do sistema vocálico do português brasileiro. Considerando esse fato, tomaremos, a partir de agora, o quadro seguinte como referência para a análise a scr apresentada:</p>
        <fig id="figure-panel-153108bd71c7639bc7d9a4238aae7ad9">
          <label>Figure 8</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-dcd3da7474f944a3cece1b264c39dea3" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-bca7b65636ecb05d340d18b0fe135b62" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-28_10-49-12.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-17de767f7a16f7c230604a1de2b21717">Com respeito à neutralização de ATR, para produzir o sistema (2b), o$ requisitos acima expostos assim se expressam:</p>
        <p id="paragraph-4179dff6c4162da443dc1e0bc849ef6b">.</p>
        <p id="paragraph-0590ff9f85dea948160bbe879d087e36">a - O contraste é mantido na sílaba tônica e anulado em toda a posição átona;</p>
        <p id="paragraph-a1efd228d57544d3d224d120ccc3d573">b - O traço anulado c [-ATR], e conseqüentemente [±ATR] perde sua função fonológica;</p>
        <p id="paragraph-335efe26bcfca4ae95d1967ec63eb8ff">c - O resultado é um sistema de cinco vogais, quatro das quais são redundantemente [+ATRJ.</p>
        <p id="paragraph-a8cb9c3f777944d87354141dc2b8d0ee">.</p>
        <p id="paragraph-12197ea2fff8e6420e7a01f8c131ea0c">Para efetuar nossa análise, uma indispensável fonte de informação é Beckman (1998), que apresenta razões substantivas c formais para sustentar, o postulado de restrições de fidelidade posicionai com respeito a início de palavra, onset, raiz e sílaba acentuada, argumentando com evidências psicológicas e fonológicas. Para descrever, à luz da TO, a neutralização posicionai, a autora propõe uma hierarquia em que a restrição de marcação em jogo seja dominada por uma restrição de fidelidade posicionai. E a restrição dc marcação, por sua vez, deve dominar uma restrição de fidelidade livre de contexto, nos termos do seguinte esquema:</p>
        <p id="paragraph-512a8e0c09fc04a4ae525a8d539d9b1e">.</p>
        <p id="paragraph-4d2e9950cd0196b838ac65246226a7bf">(11) Fidelidade Posicionai &gt;&gt; C &gt;&gt; Fidelidade (Traços)</p>
        <p id="paragraph-39554e58667db30d9f1ebf360236b34f">.</p>
        <p id="paragraph-1f025b5d1f3322aeea2e5c0e7fb6b082">Restrições de fidelidade posicionai requerem que segmentos ou traços em posições proeminentes sejam fiéis às representações dc traços subjacentes. Segundo McCarthy (1999: 212), quando uma restrição dc marcação domina alguma restrição dc fidelidade relevante, então a distinção entre a estrutura que obedece M e a que viola M é neutralizada em favor da que obedece. Este é o espírito da neutralização.</p>
        <p id="paragraph-49a1e187df743ec8bb41877dd421bf00">Com esses recursos teóricos, assentados em restrições, analisemos a neutralização de |ATR|<sub id="subscript-1">t</sub> no Tableau (1), dc acordo com o esquema já apresentado, agora com as restrições assim denominadas e definidas:</p>
        <p id="paragraph-81116d57bb66e72e407217985209913e">.</p>
        <p id="paragraph-1acfe1535c87b6a75ba5a1d3855ef6a1">(12) lD-9tr(ATR): segmentos no output cm uma sílaba acentuada (tônica) e seus correspondentes no input devem ter especificações idênticas para o traço [ATR].</p>
        <p id="paragraph-8ae8260789d3c76862f52a515d2069c3">*[-ATR]: vogais [-ATR] são proibidas.</p>
        <p id="paragraph-36cffc9ceebe8b78d4a1347b9ef9d25f">Id(ATR): vogais do input e do output correspondentes devem coincidir na especificação dc [ATR].</p>
        <p id="paragraph-4091f174bdc7357c7aa0c84c18456208">.</p>
        <p id="paragraph-b34504b29f0ff9afe611d1c1820000e1">Constituindo-se a neutralização um processo que, por essência, anula traços marcados, a primeira neutralização exclui, por meio dc uma restrição de marcação, o traço fonológico assinalado que somente tem papel distintivo entre as vogais médias:</p>
        <p id="paragraph-c8654bf532f0a34cd4defcf6a2d5130e">.</p>
        <p id="paragraph-4c94e77de2a9af9faacce285665261c9">(13) ID-str(ATR), &gt;&gt; *[-ATR] &gt;&gt; ID(ATR)</p>
        <p id="paragraph-35d0cde583862bc94cb108b520e215f7">.</p>
        <fig id="figure-panel-5b771af88243a5eaa4fed7e3adfb3dc1">
          <label>Figure 9</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-44c2de375dd92f0d895be71e7f69ac2b" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-e2205fc55a453f0665920ad846e65add" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-28_12-23-21.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-31fc3156b7897456f790a17ab738a161">Os candidatos (b) de um e outro Tableau são os vencedores, mostrando que o espírito da neutralização está aí presente: quando uma restrição de marcação que domina uma restrição de fidelidade nâo- posicional está dominada por uma restrição de fidelidade posicionai, a distinção entre a estrutura que obedece à restrição de marcação, especificamente beléya/soláso c a estrutura que viola bclé^af so/áso, é neutralizada em favor da que obedece (McCarthy 1099: 212). Outros possíveis candidatos que não firam a restrição de marcação são descartados em função de outras violações. Dessa neutralização resulta um sistema relativamente mais simples, formado de cinco vogais, em que o traço ATR foi desativado. Portanto somente as vogais /i, e, o, a, o, u/ são permitidas cm sílabas átonas.</p>
        <fig id="figure-panel-f1b90e5d4313ae76c278d7c15435dcbd">
          <label>Figure 10</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-2adcc6bada67dc214d152ff4e7787639" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-0275930cc14b31703d56fbeb1b246a06" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-28_12-23-55.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-a2abde08c7943d2e26b2c5a0e64cc807">E assim fica delineado o sistema dc cinco vogais que prevalece em variedades do Sul do País.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-50631c61972214202bcc66efb0052265">
        <title>2.2. Neutralização das vogais médias</title>
        <p id="paragraph-1077649a465ca5b492a016b44960da72">Voltemos agora nossa atenção para as vogais médias cuja definição de altura, no sistema vocálico tradicional, envolve os traços |- alto, -baixo]. São, como visto na seção precedente, as vogais marcadas do sistema das átonas e, por esta razão, candidatas à neutralização. Por conseguinte, o traço marcado [-alto] que garante as vogais médias no sistema secundário resultante da neutralização dc [ATR], acima descrito, é anulado na posição pos tônica, pcrccptiveimentc cm final dc palavra. Seguindo o esquema de McCarthy supramenciona- do, os fatores da segunda neutralização são os seguintes:</p>
        <p id="paragraph-5b7ded9ee76486f374d5fa1e11f8f91e">a - Os contrastes de altura da prctônica, assim como da tônica, são preservados e a posição ncurralizada cada postônica final;</p>
        <p id="paragraph-4b13b83dd2c4bda289c154a19e86c022">b - O traço marcado [-alto] que distingue as médias c anulado, perdendo-se conseqüentemente as vogais médias que ainda persistem /e,o/;</p>
        <p id="paragraph-e1dab89f510d1909c4f0cc1cbe7eed43">c - O resultado c um sistema dc três vogais /i,u,a/.</p>
        <fig id="figure-panel-9363b46cf6811f3c685ff57ad2391e50">
          <label>Figure 11</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-a77e8b6d2ae14581dab85ce13d946a6c" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-da1b7cb71463d4fc16f5dbfbe2edd71b" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-28_12-26-13.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-4b2cf6ce6f09dd3d0b4e4f6b4ce9da56">Partindo-se do pressuposto de que neutralizações anulam traços marcados, a restrição de marcação *Míd, já registrada na literatura, é agora ativada com o sentido de Apague f-alto], o traço que distingue as médias.</p>
        <p id="paragraph-649a0e9e060efc7cd0dc3297d02d90a3">As restrições harmonizam-se da forma prevista. Porem, como a altura da vogal é que está em foco agora, uma restrição de altura específica, k&gt;-str(Heigh), que preserva a vogal alta da sílaba acentuada, domina a restrição de marcação *Mjd que, por sua vez, domina uma restrição geral dc altura.</p>
        <p id="paragraph-f795a480b566267018c78fa22264fd3d">.</p>
        <p id="paragraph-054c5c01acfd22579cce51ef3afa787b">(16) IDstr/ pre-str(Heigh): Os segmentos do output em sílaba tônica e pretônica e seus correspondentes no input devem ter especificações de altura idênticas.</p>
        <p id="paragraph-313cacbc2b3fc021e84cd04b39758339">.</p>
        <p id="paragraph-b1c10f326618689de1be4f0f87877b83">(17) *MID: Vogais médias são proibidas</p>
        <p id="paragraph-8d8a075ff21c1fed9a15868d459a29fc">.</p>
        <p id="paragraph-a6ca5a3ab54d5ce177826c75056f8dff">Admitindo-sc para a seleção candidatos que não firam o ponto dc articulação (Place), a hierarquia responsável pela eliminação das vogais médias estabelece-se como (18a), o que gera a gramárica da neutralização vocáiica do português brasileiro, apresentada em (18b).</p>
        <fig id="figure-panel-7f18d726ca40200a31404733ab6acf2c">
          <label>Figure 12</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-1d2a1d608fce91393bb38d5f59c7f25d" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-83b111103ba5dc42716ebe66a5b485a8" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-28_12-27-18.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-dbdee1d47aa89e81c24e44a3908b51fd">Com respeito às vogais no input, urge a seguinte consideração: sc a estrutura subjacente conta com sctc vogais c se não há restrições para a seleção do input, em conformidade com a Riqueza da Base (Prince &amp; Smolensky, 1993), então qualquer vogal, cxccto /a/, que não está envolvida na neutralização, pode estar no input. Diferentemente da neutralização de ATR, em que os dados oferecem pistas para a direção do mecanismo por meio de palavras derivadas, agora nada pode ser depreendido, uma vez que a vogal c apagada ao acrescentar-se um afixo verde+oso &gt; verdoso, lolo+ice &gt; tolice. Uma pista seria a variação manifestada por alguns dialetos — pente^penli, bo!o~bolu - o que toma /i, u, e, o/ inputs possíveis. No entanto, cm um modelo que lida com análise em paralelo, qualquer vogal, exceto /a/ c permitida. Considerando-se a escolha entre /e, i/ e /o, u/, para o input da neutralização da vogal media, a gramática não nos diz muito, isto é, não há restrição universal ou particular para qualquer um dos possíveis inputs. Como pode ser visto abaixo, (Tableaux 3 e 4), o mapeamento dc [t], [u] em /e/, /o/, respectivamente, privilegiará as vogais altas tanto quanto o mapeamento em suas correspondentes diretas /i/ e /u/.</p>
        <p id="paragraph-febda818fb82017addacfb77459a19a8">Note-se que, para os objetivos deste texto, a restrição de altura definida em (16) será ativada somente cm termos de IDstr(Heigh).</p>
        <fig id="figure-panel-45de292797f7d10db2bb837ac94b81f0">
          <label>Figure 13</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-10076e767122913eb1bf57b89176f8d1" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-fd64d7f6ff585ae68015d7ec507d787f" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-28_12-29-13.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-c9e7c35448e4cfc4ca19e98e98e076cc">Portanto, para p propósito desta análise, tanto a vogal média quanto a alta são inputs excelentes. Todavia, se quisermos manter o preceito independente da TO, chamado Otimização Lexical, (Prince &amp; Smolensky 1993: 192), a vogal alta será o melhor input, porque o candidato vencedor, na gramática com vogal alta em seu input, mostra menos violações (3) do que na gramática com vogal media no input (4). Todavia, certos dc que um c outro input chega aos resultados esperados, optamos pela vogal média, para ficarmos fiéis à neutralização tradicional, discutida por Câmara Jr. (1970) e redesenhada na primeira seção deste artigo.</p>
        <p id="paragraph-4d790eb1781ef808463086696b810666">A gramática está harmonicamente organizada em (15). Os tableaux 5 c 6 ilustram a análise, mostrando a oposição de três alturas. O traço [posteriorj não está envolvido, isto é, ele não c alterado. O sistema está exemplificado abaixo:</p>
        <p id="paragraph-32997539f0de82a2549532d4fde8212e">.</p>
        <p id="paragraph-cf8a7834cbf7efd954ea98ffde6b87ee">(19) Valores distintivos no sistema de tres vogais:</p>
        <p id="paragraph-096b9abe485fffb5f6cf5772e4076b7d">seda, sed[i], sed[u]</p>
        <p id="paragraph-3ad750164cec5ea9bc9a1428397d9232">vala, val[i], val[u]</p>
        <p id="paragraph-52c13469ba849a2ea5a035088183f0da">cala, cal[i], cal[u]</p>
        <p id="paragraph-f34dffe483a306fb84b6963d002ad921">.</p>
        <p id="paragraph-11ee90cc177d8b80e7f153d0c08e6853">(20) lD-str(ATR), ID(Hight) &gt;&gt; *MID, *[-ATR]&gt;&gt; lD(ATR), ID(Hight)</p>
        <fig id="figure-panel-41937fed1c8cc0fe86fc0b4dfd3f2566">
          <label>Figure 14</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-914a055a3e499b290c912e42ffe7db87" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-6d598372893cadab8ecf6d165dd0f426" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-28_12-32-33.png" />
        </fig>
        <fig id="figure-panel-8a59c4752611d87d347bd72a85ba6138">
          <label>Figure 15</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-1a5aa1a7c549010752f229fdf5f68f5e" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-15266120021ba188384a44eeea017c3c" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-28_12-32-55.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-409ba672d90083ae0d708af987086f49">Nos Tableaux acima, os candidatos selecionados apresentam a vogal média final neutralizada, privilegiando a vogal alta. O mesmo pode ser observado nas palavras de três sílabas, observando-se a restrição que preserva a altura da sílaba prctônica.</p>
        <p id="paragraph-a79ee2529c7d763442a095433d6f2a5d">Observemos mais uma vez que, embora a análise se detenha na átona final para exemplificar a neutralização das médias, essa neutralização anula o papel das vogais médias em todo o plano postônico, e não somente na posição final. Isso fica claro no modelo das restrições, via Tableaux 6 e 7, em que *Mm anula tão somente vogal media que não esteja protegida por uma restrição de fidelidade ranqueada mais alto. Ainda que vogais médias venham a surgir no output de sílabas pós-tônicas, como uma característica de variedades de fala, a neutralização das vogais médias como anulação dc contraste c uma propriedade da língua. Em outras palavras, *Mm é parte da gramática do português brasileiro. E é a hierarquia dc restrições correspondente a essa gramática, (18b), que aponta os outputs bem formados.</p>
        <p id="paragraph-39fc2df052e33273c5944d461a080de8"> Os Tableaux 7 c 8, a seguir, mostram vogais médias lícitas, mas não em posição postônica, agora evocando todas as restrições da gramática: </p>
        <fig id="figure-panel-f691c6709c4fbae106f785ec37f47542">
          <label>Figure 16</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-a649808b6ed030ce3807e30734ae10fb" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-4d691d1f3e0a01b8b5209c1f0cfb803c" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-28_12-34-00.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-b14d85e4ef404f04367f782637eb88f2">Os Tableaux abaixo mostram vogais pós-tônicas não finais. As vogais /e, o/ e /i, u/, respcctivamentc, são variantes, isto é, não contrastam.</p>
        <fig id="figure-panel-68905b3706ede4677f34ce49e7080f23">
          <label>Figure 17</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-5ac6e765fd7f9c6ba28d3b4245cecf1b" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-85659e5d433c8c58ad2c4ffecb134c99" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-28_12-37-11.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-aeaeadabbf300e529f43d2e2a1491728">Invertendo a ordem das restrições mais baixas na lúerarquia, as vogais médias seriam permitidas, como mostra o Tableau abaixo:</p>
        <fig id="figure-panel-ddc2a535239549768b8ff55899409f3f">
          <label>Figure 18</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-10088f0ec710db4cbcd6fe0fdb18b3a7" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-8a05b240d479c5e4f88c05739029eb5c" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-28_12-37-44.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-e91fcc7255d205183e9d5b6fe7a17663">A flutuação dc restrições dentro da hierarquia é um instrumento útil fornecido pela teoria para expressar essa variação. Considerando a flutuação de *MlD, os dois Tableaux com diferentes resultados refletem a variação persistente. Se *Min domina 1d(1 Ieight), vogais médias pós-tônicas são banidas do sistema, como vimos nos Tableaux acima. Sc, ao contrário, lD(Height) domina *Mid, a vogal media pós- tônica não final manifesta-se. As vogais flutuantes não têm um papel distintivo nas sílabas átonas, fato já notado, pois *Min, a neutraliza- dora, está presente na gramática.<sup id="superscript-1b3564d3f8857ddf266db7cd0acd6a5a">5</sup></p>
        <p id="paragraph-0215a74d7fb5089567c99b3ed98fc533">Em suma, vimos que as vogais médias, que têm seu espaço restrito pela anulação de ATR, são preservadas cm sílabas fortes, c perdem todo o seu papel funcional na sílaba pós-tônica, embora ainda sejam capazes de manifestarem-se como uma expressão da flutuação entre as restrições ranqueadas mais baixo na hierarquia. Esses mecanismos de simplificação têm um caráter universal, uma vez que também se manifestam em outras línguas, entre elas o catalão (Beckman 1998).</p>
      </sec>
      <sec id="heading-e748daf2f722f5287e4e45b384e2ca5c">
        <title>2.3. A restrição das líquidas</title>
        <p id="paragraph-466d4cfc4b8786c42262ec4c09fad613">Finalmente, há um outro fato a ser levado em consideração: a vogal alta resultante da neutralização não tende a manifestar-sc cm sílaba terminada em soante, especificamcntc cm /r/ c /!/, indepen- dentemente do alofonc realizado. Esta posição silábica, referida por coda, é preenchida por soantes, como em mar, mel, céu, lei ou por uma coronal contínua, como em mês, ou ainda por uma nasal que cria ditongos terminais, como irmão e vintém. Mas é precisamente as líquidas que tendem a preservar a vogal do input.</p>
        <p id="paragraph-d3125f0b77d21725c7000caf39e596e1">A coronal contínua não c obstáculo para a neutralização, pires &gt; píris, mas as líquidas tendem a bloqueá-la<sup id="superscript-31348ff48000e5471abc7d20e13adfc5">6</sup>: caráter, mas não *carátir; nível, mas não nívil ou niviw. Sem a pretensão dc procurar explicação mais ampla para o papel exercido pelas líquidas, mas considerando apenas sua relação com o levantamento da vogal, em termos de preservar a vogal do input da sílaba a que ela está ligada, valemo-nos de uma restrição dc fidelidade cm termos dc In-VL, como definida abaixo:</p>
        <p id="paragraph-1d5bdc2709fe367cb8341c7503985147">.</p>
        <p id="paragraph-427567c50e10fa556e26799a32265c37">(21) ID-VL: vogal precedida por uma líquida no input preserva seus valores de altura no output.</p>
        <p id="paragraph-a57d06842fae0635be4dab648b5818cb">.</p>
        <p id="paragraph-c36e50010f3d1104a1c6d2ca78192af0">Lembremos que o papel das líquidas como ínibidoras do alçamento da vogal já está documentado na literatura do português brasileiro também na posição de onset, como em Gonçalves Viana (1973: 210), que, rei'erindo-se ao valor diminuído da vogal alta no português europeu, cm posição átona, como em mares, chegar, instóna, diz: “Se, no entanto, elas são precedidas ou segadas por 4 r, e e i mantém seu valor esfxcud de modo geral, jeral épreferido a jiral; [...], gelar, jelar mas nãojilar; legisla, lejista e não Sjista’*.</p>
        <fig id="figure-panel-f01d54e54810cdc5fbbdf65218bff03c">
          <label>Figure 19</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-25740132d2a73ef5e3d080451a335d15" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-b1fd582d8ced98ddb79dc47a862314a7" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-28_12-44-49.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-ea4a9e69ba15c5c534082d6f7b42090b">Codas com líquidas (12d,f) inibem a elevação da vogal, enquanto codas com /S/ (12b) deixam-na livre.</p>
        <p id="paragraph-a3b7ab6b1e7b969467987eeac4abc237">A análise aqui apresentada pode ser intcrlingüisticamcnte comprovada em outros sistemas com neutralização similar, como, por exemplo, o catalão oeste (Hualde 1992, Mascaro 1978, Bcchman 1997, Merrick 2003), cujo sistema vocálico é reduzido a 5 vogais, o catalão dc Algueres (Rccasens 1991) c o luiseno (Munro &amp; Benson 1873, retratado por Herrick 2003: 10), cm que o sistema de vogais tônicas é reduzido a 3 na sílaba átona, com a ausência de chuá no sistema reduzido. Os dados abaixo, seguidos pelos Tableaux, mostram como o mesmo conjunto de restrições do português brasileiro fornecem uma explicação para esses e outros sistemas<sup id="superscript-dd1d02e68275b81db368b4e254852e2a">8</sup>.</p>
        <fig id="figure-panel-60ecb7c1dc8b3ad3294adf9164115b4a">
          <label>Figure 20</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-a7934069f52a5d3761fba4a9fcb1f405" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-501c8aaac97efe7775363d326804b3a3" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-28_12-47-07.png" />
        </fig>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-541533451dea2f2fbbd97c8cc9803346">
      <title>Conclusão</title>
      <p id="paragraph-af3ce985195b3ba5c462d37a0ed0f400">A presente análise mostrou que, na gramática do português brasileiro, a restrição que anula [ATR], um traço marcado nas línguas cm geral, está ranqueada mais alto que a restrição que anula as vogais médias, *[MID], c que essas duas restrições de marcação são dominadas por restrições de fidelidade que as preservam em posições fortes da palavra. Este estudo também mostrou que mais importante do que o input e a hierarquia de restrições que define a gramática.</p>
    </sec>
  </body>
  <back>
    <fn-group>
      <fn id="footnote-263dcd3156b1676f69895753b6f5420c">
        <p id="paragraph-b0a1811344f95c90baaef6cef8bb2d16">Variação da vogal átona final é também encontrada cm várias regiões do Sul do País, sobretudo em áreas dc colonização não portuguesa.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-9dd2b1ae3a36dfda1493484d6ee2a741">
        <p id="paragraph-3de7fa85efa46c7bbbaf51e860ee827c">O traço labial ou arredondado será excluído desta matriz, porque não está dirctamen- tc relacionado às regras discutidas aqui. O traço posterior faz a distinção horizontal</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-576d7e21a2e9b16fd461783953501dab">
        <p id="paragraph-91ebd8c41c3fdf68e34f8a784426ce14"> A posição pós-rônica não-final c variável quanto a 5 e 3 vogais, razão pela qual não será apontada nesta análise. Kx: pêssego — pê-vigp; fósforo ~ fósfuro </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-144db447e5e5a74eedd5036c1498f53f">
        <p id="paragraph-8e01b1099e0e9d0636be4c641aa24694">A vogal /a/ na posição pós-tônica c realizada como um alofonc, o mais das vezes representado por ]c|.. Uma análise fonética detalhada do português brasileiro c encontrada em Gallon, Moraes e I -cite (19%).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-f282f6b51617bb4be7e6c19806ce671e">
        <p id="paragraph-417ddf831344507efed3d6d31f38ae81">Em algumas variedades da fala essa flutuação é também notada na vogal átona final, isto c, cm todo o plano postônico, como c o caso de algumas comunidades do Paraná e do Rio Grande do Sul, que foram colonizados por europeus e  não-portugueses, basicamente.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-d1814a75732ea90123148c99e2c92717">
        <p id="paragraph-9e1edf05a9bda1b7b911faa98ea9404d">Apenas casos rarissimí&gt;s podem ocorrer, como [civil] “cível", mas raramente *[móvil] "móvel".</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-728b710b4f9fff099dc924d1c7d86a4d">
        <p id="paragraph-ccbed78e82486c0a76866173789d9587">Grifo nosso</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-018af118449081f04f5f929e44944d94">
        <p id="paragraph-11f8ae6bc021c7346f6929794443a635">Mais detalhes sobre a fonolugia do Catalão pode ser encontrado em Mascaro (1978), Hualde (1992), Palmada (1997) c Bond c Lloret (1998). </p>
      </fn>
    </fn-group>
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