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        <article-title>SUJEITOS NULOS EM LÍNGUAS DE TÓPICO PROEMINENTE</article-title>
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            <surname>Modesto</surname>
            <given-names>Marcello</given-names>
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        <institution content-type="orgname">Universidade de São Paulo</institution>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="22/05/2017" />
      <volume>3</volume>
      <issue>1/2</issue>
      <issue-title>SUJEITOS NULOS EM LÍNGUAS DE TÓPICO PROEMINENTE</issue-title>
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      <lpage>148</lpage>
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        <date date-type="accepted" iso-8601-date="25/06/2005" />
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">Este trabalho apresenta dados do português brasileiro, do finlandês e do chinês que mostram que, pelo menos nessas línguas, sujeito nulos podem ser licenciados e identificados sem a participação da flexão vebal. A análise proposta trata tais sujeitos nulos como tópicos elididos numa cadeia de tópicos discursivos. A relação entre pronomes nulos e flexão pode então ser mantida e as características peculiares dos sujeitos nulos naquelas línguas podem ser explicados.</p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-ffc2d8531338b480e7f1ffbfe8511281">This article presents data from Brazilian Portuguese, Finnish and Chinese which show that, at least in those languages, null subjects may be licensed and identified without the participation of verbal agreement. The analysis proposed treats those cases of null subjects as elided topics in a discourse topic chain. The relation between agreement and null pronouns can then be maintained and the peculiar characteristics of the null subjects in those languages are explained.</p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">Sintaxe</kwd>
        <kwd content-type="">Parâmetro</kwd>
        <kwd content-type="">Sujeitos Nulos</kwd>
        <kwd content-type="">Movimento</kwd>
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    <sec id="heading-8aa9751538c8b2c63b39450e0410f5b7">
      <title>Introdução</title>
      <p id="heading-51bb12ac0f8d7570ae7ee0f64619f13f">Quando se questiona por que algumas línguas permitem que a posição de sujeito de orações finitas seja foneticamenre nula mas outras línguas não o permitem, a maior parte das pessoas tende a dizer que,  em línguas como o espanhol e o italiano, a informação sobre número e pessoa gramatical é diretamente resgatável da flexão verbal, e isso torna a presença de um pronome pleno na posição sujeito redundante. Em línguas como o inglês, por outro lado, um pronome pleno deve ocupar tal posição porque a flexão é insuficiente para tomar a referencia do pronome nulo não ambígua. Essa intuição foi formalizada por Taraldsen (1978). Desde então, línguas nas quais a flexão verbal determina, ou resgata, o conteúdo (ou referência) do sujeito têm sido chamadas de línguas de flexão “rica”. A relação entre flexão rica e sujeitos nulos tem sido assumida de uma forma ou de outra por muitos lingüistas (cf. Chomsky 1981, 1986; Rizzi 1982, 1986; Bennis and Haegeman 1983; Huang 1984; Picallo 1984; Adams 1987; Platzack 1987; Jaeggli and Safir 1989; Contreras 1991; Rohrbacher 1994; Speas 1994; Cardinaletti 1997; Alexiadou and Anagnostopoulou 1998, para citar alguns) e isso não é surpreendente. A relação que existe entre a flexão e a possibilidade de omitir o sujeito de uma oração é irrefutável, como nos mostram línguas como pashto, discutida em Huang 1984: 535-536. Nessa língua, cuja flexão é rica, orações no presente apresentam um sistema nominativo-acusativo e o verbo concorda com o sujeito, tanto em orações transitivas como intransitivas. Em orações no passado, entretanto, o sistema de concordância em pashto é ergativo: o verbo concorda com o sujeito se for intransitivo, mas com o objeto quando transitivo. Como a hipótese da flexão rica prediz, quando pro-drop ocorre nessa língua, apenas sujeitos podem ser nulos em orações com verbos intransitivos no presente ou no passado; e apenas objetos podem ser nulos em orações transitivas no passado. Em outras palavras, pashto demonstra que a flexão verbal está estritamente relacionada com a possibilidade de omitir um argumento do verbo.</p>
      <p id="paragraph-cb7502c976ba3557b10623a57be8c42b">Apesar de toda a evidência em suporte da relação entre flexão rica e argumentos nulos, essa idéia tem seus problemas. Como notado por Speas (1994), a propriedade que faz a flexão “rica” é muito difícil de ser identificada com clareza. A maior parte dos pesquisadores usam o termo “rico” no sentido de “tendo morfologia verbal suficiente para prover informação não-ambígua sobre número e pessoa (e talvez gênero) do sujeito.” Entretanto, ainda há a questão de quão rica a flexão deve ser para licenciar argumentos nulos. Ainda mais: mesmo se riqueza da flexão pudesse ser apropriadamente definida, existem línguas como o chines, que licenciam sujeitos nulos apesar de não apresentar nenhuma flexão, e línguas como o finlandês e o português brasileiro (PB), que licenciam sujeitos nulos apenas em algumas pessoas ou contextos sintáticos (orações encaixadas, por exemplo) apesar de apresentarem o que presumivelmente deveria ser chamada de flexão pobre.<xref id="xref-241fb7897f48ea71b9487957e045ca0a" ref-type="fn" rid="footnote-e466351fe9e3df8ff59a730b1dfb777d">1</xref></p>
      <p id="paragraph-1520f01bdad82da64cf793da29e3a410">Neste artigo, vou tomar a posição de que, realmente, pro-drop está esfritamente relacionado à riqueza da flexão, seja qual for a definição de “rico”, e, então, línguas como o chinês, o finlandês e o PB não pertencem ao grupo de línguas de sujeito nulo, apesar das aparências. Vou argumentar, seguindo e em certo sentido fortalecendo a proposta de Huang (1984), que a presença de argumentos nulos nessas línguas está relacionada a um parâmetro distinto do parâmetro do sujeito nulo: um parâmetro que distingue línguas orientadas para a sentença e línguas orientadas para o discurso, que foi originalmente discutido por Tsao (1977).<xref id="xref-e89e6238f3c00b700c71516d9135de60" ref-type="fn" rid="footnote-f11dd69d924cfc1f13cb304ae11e7e81">2</xref></p>
      <p id="paragraph-44857360fa4fbe0bda0bc62dcf0ebfe1">Uma análise dos fatos do PB discutidos aqui foi proposta em Modesto (2000a, b). Esta revisão inclui dados do finlandês e modifica a análise para tomá-la mais palatávei ao Programa Minimalista de Chomsky (1995, 2000, 2001, 2004). </p>
    </sec>
    <sec id="heading-8c8965ce1025956684daea7f5d5dd548">
      <title>1 Delimitando o problema</title>
      <p id="paragraph-d9aa1f0a2e675b1106a4a3a46b63f2e4">Huang (1984) mostrou que há uma assimetria importante entre a interpretação de pronomes plenos - em inglês, por exemplo - e de categorias vazias (CV) — em línguas que as admitem - quando os pronomes ou CVs ocupam a posição de objeto de orações completivas. Compare (1) com (2) (que aparecem em Huang 1984 como exemplos (20) e (19), respectivamente): </p>
      <p id="paragraph-14e2dd058d743f38466612f81b243389">.</p>
      <p id="paragraph-88d0d253b06a95d1dd0b8e9fb2da53f5">(1) a. He came.</p>
      <p id="paragraph-2">b. Bill saw him.</p>
      <p id="paragraph-3">c. John said that he knew Bill.</p>
      <p id="paragraph-4">d. John said that Bill knew him.</p>
      <p id="paragraph-2909cf0bb42ccd4808be2f076dced01d">.</p>
      <p id="paragraph-5">(2) a. <italic id="italic-cf32fd70346210cc3141c733e2262260">e</italic> lai-le.</p>
      <p id="paragraph-6">‘[ele] veio'</p>
      <p id="paragraph-7">b. Lisi hen xibuan <italic id="italic-febbe821895bb23223d4ddf9a69b8d6e">e</italic>.</p>
      <p id="paragraph-8">"Lisi ama [ele].'</p>
      <p id="paragraph-9">c. Zhangsan shuo [e bu renshi Lisi].</p>
      <p id="paragraph-10">'Zhangsan disse [ele] não conhece Lisi.'</p>
      <p id="paragraph-11">d. Zhangsan shuo |Lisi bu renshi e].</p>
      <p id="paragraph-12">'Zhangsan disse Lisi não conhecia [ele].'</p>
      <p id="paragraph-6060ea79cd5ee5fe8f9e8156e6cc7db2">.</p>
      <p id="paragraph-e413219e689282b3a05b0ec3ee25c32d">A CV em (2a), assim como o pronome em (la), refere-se a alguém cuja referência é dada pelo discurso. A CV em (2b), do mesmo modo, acha a sua referencia fora da sentença, como o pronome em (1b). Em (2c), a CV na posição de sujeito da oração encaixada pode se referir ao sujeito da matriz, <italic id="italic-66f9c557a1f7aac032c1252093540ed3">Zhangsan</italic>, ou a alguém cuja referência é fixada fora da sentença, o que é, novamente, exatamente como em (1c), em que be pode se referir ao sujeito da matriz, <italic id="italic-9dd80db17186884c36eb3364bb6edbe3">John</italic>, ou a outra pessoa. Há, então, como Huang mostra, uma similaridade notável entre a distribuição e referencia dos pronomes plenos do inglês e as CVs do chinês. Entretanto, esse autor demonstrou que, quando tomamos as sentenças (1d) e (2d), uma diferença importante emerge. Em (1d), o pronome é livre para se referir ao sujeito matriz, <italic id="italic-3dcf595ca3325e113a8faf7fa64b70c0">John</italic>, ou a outra pessoa. Em (2d), por outro lado, a CV na posição de objeto pode apenas se referir a alguém cuja referência se fixa fora da sentença. Crucialmente, ela não pode se referir ao sujeito matriz <italic id="italic-4fbd76e282c6fb529820ab007b383def">Zhangsan</italic>. Para obter uma sentença em chinês com as mesmas possibilidades interpretarivas do inglês, a CV teria de ser substituída por um pronome pleno.</p>
      <p id="paragraph-bb79fc351d0d88bc07d03e291fd227c7">Huang explica essa diferença tomando as CVs em (2a, b, d) como variáveis ligadas por um tópico discursivo (nulo) e a CV em (2c) como um pronome controlado pelo elemento nominal mais próximo (ou simplesmente controlado no seu domínio de controle, quando tem um domínio, como em Huang 1989). Huang, então, resolve o problema imposto pelo chinês ao parâmetro do sujeito nulo da seguinte forma: como não há concordância do verbo com o objeto (nessa língua), pronomes nulos objetos não são permitidos, como se espera. A CV na posição de objeto é uma variável ligada por um tópico discursivo (que pode também ser nulo). Pronomes nulos sujeitos são (de alguma forma) licenciados (talvez pelo fato do chinês uniformemente não apresentar concordância, com em Jaeggli and Safir (1989)), mas não são identificados (pela flexão, como acontece em línguas como o italiano). A correlação entre pro-drop e riqueza da flexão é então mantida.</p>
      <p id="paragraph-c57f5fce9b94a615df4a698a6cbf7ab7">Huang enfatiza que a restrição nas possibilidades de referência da CV na posição de objeto (2d), com relação àquela na posição de sujeito (2c), é melhor observada quando essas sentenças são usadas sem um contexto prévio.<xref id="xref-e665782e21fe4892101b29f0c0c7dbf3" ref-type="fn" rid="footnote-88c358a67e422c7fbe5a66095589c9f5">3</xref> O que Huang não enfatiza, apesar de estar implícito na sua Regra de Controle Generalizado, é que a CV em (2c) comporta-se como um pronome em inglês apenas porque pode ser interpretado como uma variável ligada por um tópico discursivo. Sem um contexto prévio, entretanto, quando, de acordo com Huang, a CV é pronominal, ela pode se referir apenas ao sujeito da matriz, diferentemente do pronome em (1c) e de pronomes nulos em línguas como italiano e espanhol, em que essas categorias poderiam, a princípio, referir-se a alguém que não tenha sido especificado por um contexto prévio. Huang dá conta dessa diferença dizendo que “the EC in (65d) [equivalente a (2c) acima MM] in Chinese, when a pronominal, differs from its counterpart in Italian and Spanish in that, in the former case, the EC is identified by way of control by an NP (on a par with a controlled PRO in an infinitival clause), and in the latter, the EC is coindexed with Agr.”</p>
      <p id="paragraph-4d33e2ef789e42e1eab8de53736a9910"> Há, entào, de fato, duas grandes diferenças entre CVs cm chinês e pronomes plenos em inglês dependendo de sua posição: a CV na posiçao de objeto em chinês é agramatical sem um contexto prévio, diferentemente dos pronomes plenos em línguas como o inglês, uma vez que sua referência não pode depender do sujeito matriz (e, na verdade, de nenhum argumento da sentença matriz, como demonstrado pelo exemplo 30b de Huang (p. 541)). A CV na posição de sujeito, por sua vez, na ausência de um discurso prévio, toma sua referência de um argumento da oração matriz, necessariamente. Esse comportamento, mais uma vez, difere do de pronomes plenos em inglês e línguas similares.</p>
      <p id="paragraph-9363540f2c2915903f9778e0a51845ce">A diferença entre as CVs do chinês e os pronomes do inglês na posição de sujeito é, na verdade, mais importante do que parece, uma vez que demonstra que a Regra de Controle Generalizado de Huang não consegue dar conta de todos os fatos. Apesar de ambos, o pronome e a CV em (1c) e (2c), respectivamente, serem mais provavelmente interpretados como se referindo ao sujeito da matriz quando essas sentenças são usadas sem um contexto prévio, os exemplos em (3) mostram que o pronome pleno e a CV se comportam de maneira diversa: </p>
      <p id="paragraph-65f1c99b301bbed6d2327ff7cb30b3ae">(3) a. Bill<sub id="subscript-cb8c8c3f35c52778839c47de7f4be97c">1</sub> told Joe<sub id="subscript-1">2</sub> that he<sub id="subscript-adfebcdafea9bbb348f892846c864ed1">1/</sub><sub id="subscript-2">2</sub> won die championship.</p>
      <p id="paragraph-06d1e2dcf5a1e801c6e0dfa48cc55157">'Bill falou pro Joe que ele ganhou o campeonato.'</p>
      <p id="paragraph-e828723cdd46a25a8a49ad42a158a1a9">b. Zhangsan<sub id="subscript-299f5eb035c9569203ae2bee933e70ae">1</sub> gaosu Lisi<sub id="subscript-578927b76fc210e663615804ec26bc93">2</sub> <italic id="italic-2f2790a7703db5f8c4f8cba3da4f4b3a">e</italic><sub id="subscript-3">1/*</sub><sub id="subscript-4">2</sub> ying le guanjun.</p>
      <p id="paragraph-401fd9dc5f627588d1381b304b48dd3f">‘Zhangsan falou pro Lisi que [ele] ganhou o campeonato.’</p>
      <p id="paragraph-f1a448facf71f7164e7285d52187904b">.</p>
      <p id="paragraph-ade81b5e710a5d64655eb3fe695be511">(3a), pronunciada sem um contexto prévio, pode ser interpretada como dizendo que Bill deu a boa notícia a Joe de que Joe era o campeão. Essa mesma leitura não pode ser obtida com (3b), interpretada igualmente em contexto neutro. A CV em (3b), então, comporta-se diferentemente do pronome em (3a) e esse fato parece demonstrar que a CV em posição de sujeito não acha o seu referente de acordo com a Regra do Controle Generalizado de Huang. Mais ainda, pode indicar que a CV não é nem mesmo um pronome.</p>
      <p id="paragraph-4ee7ad5a4bc66390bc3f337356a1f3b8">As afirmações acima merecem alguma darificação. O fato do sujeito nulo em chines ser orientado para sujeitos (exceto quando ligado por um tópico discursivo) tambem foi observado por Battistella (1985) e foi confirmado por vários falantes nativos. James Huang (comunicação pessoal) concordou que a CV em (3b) toma apenas o sujeito matriz como seu antecedente. Entretanto, ele manteve seu ceticismo quanto à orientação para o sujeito, expressa em Huang 1989: ff. 21, em virtude de contrastes do seguinte tipo (também já mencionados por Battistella):</p>
      <p id="paragraph-bfe2c56617ce67b0b7eda76a0025e288">.</p>
      <p id="paragraph-34db715c389aa9addf5319244ddc1940">(4) a. Zhangsan<sub id="subscript-4d7e04b481920b72ebbc40dd886d5a05">1</sub> gaosu Lisi<sub id="subscript-d12077764007f0a9730a3b44c259f669">2</sub> <italic id="italic-8cdaddc95718212f2be03829f3681758">e</italic><sub id="subscript-33ebbf158a4d5a7c5ddfc3af641ab568">1/*2</sub> bu neng lai.</p>
      <p id="paragraph-90c7b1d19fe5239508811e3081bab41d">‘Zhangsan falou pro Lisi que [ele] não pode vir.’ </p>
      <p id="paragraph-a80d8adbaea60e5333ff0d4137f3d978">b. Zhangsan<sub id="subscript-c13656066959a6d16896da61504f65a9">1</sub> gaosu Lisi<sub id="subscript-863805d3241481c2229d930e01a01029">2</sub> <italic id="italic-abfccf26792d1b5b970c29848c202fb0">e</italic><sub id="subscript-bfddd44eac0f407255676913d33975fc">*1/</sub><sub id="subscript-5">2</sub> bu keyi lai.</p>
      <p id="paragraph-a8d992171fdb2b3086bcb21af699f3be">‘Zhangsan falou pro List que [ele] pode não vir.’</p>
      <p id="paragraph-6e12372f89c334ce31eb7cb9471ad397">.</p>
      <p id="paragraph-0696578ea78d72c41f37e1bd0ac1ad20">Assumirei aqui, seguindo Battistella, que contrastes do ripo exemplificado pelas sentenças (4) podem ser explicados pela pragmática. Em verdade, Huang (1984: ff. 6), que cita Comrie (1983), enfatizou que, em línguas como o chinês, “pragmatics appears to “override” grammar”. Tentando explicar como a CV na posição de objeto em (5) abaixo pode depender referencialmente do sujeito matriz, Huang afirma que, naquela sentença, “the object EC can refer to the matrix subject ‘thief’, since this is pragmatically the most natural way to interpret the sentence.” O mesmo acontece em (4b), isto é, a CV sujeito em (4b) pode tomar o objeto da matriz como seu antecedente porque essa é a maneira mais natural de interpretar a sentença. Qualquer que seja a explicação para o fato de sentenças com verbos modais se comportarem diferenemente, orientação para o sujeito é ainda um fato em sentenças que não contem modalizadores, exemplificadas em (3b), e esse fato merece ser explicado.</p>
      <p id="paragraph-5838652b685591d83fd213db70fb3e84">.</p>
      <p id="paragraph-c1d2290a07707f4bb6a7db18b1dcd592">(5) Xiaotou yiwei meiyou ren kanjian <italic id="italic-3dc045a884d5efee82a375ee420b323a">e</italic>, na le dongxi jiu pao. </p>
      <p id="paragraph-e6e7a841d5d0484ca71be228aedc9987">'O ladrão achou que ninguém via |ele], então ele pegou as coisas e correu.’</p>
      <p id="paragraph-4d7498eb9a5717b26c87cecdf8800ed2">.</p>
      <p id="paragraph-512a4675b68e4bbf6bc081779a7c7112">O que mais importa para os objetivos do presente trabalho é mostrar que a CV na posição de sujeito em chinês não se comporta como pronomes (plenos ou nulos), o que era exatamente o que Huang dizia sobre a CV na posição de objeto (baseado no contraste entre (2c) e (2d) acima). Outro ponto importante que deve ser enfatizado é o fato da interpretação dessas CVs também ser restrita, embora de uma maneira diferente da das CVs na posição de objeto. Além do contraste em (3) acima, pode-se demonstrar que a CV sujeito do chinês não se comporta como CVs sujeito em línguas pro-drop mais bem comportadas como o italiano. Em (6), até mesmo sem um contexto prévio, a sentença italiana pode ser usada para dizer que Paola disse que alguém do contexto situaci- onal de conversação beijou o Gianni. O falante pode, por exemplo, apontar para a garora que acaba de entrar no recinto enquanto pronuncia (6a). A sentença em chinês, entretanto, não permite o mesmo uso deitico da CV:</p>
      <p id="paragraph-ed76f95f0a38725cf2bf314817b127c4">.</p>
      <p id="paragraph-57fde175a63711e5a053d42225006b5e">(6) a. Paola<sub id="subscript-620f9c6eef3ffa8022d9f5ee3a2b45f7">1</sub> ha detto che <italic id="italic-8593f36b7e8d9a82f68bf776e74a9521">e</italic><sub id="subscript-8cadc475f9b33f942d709db032076891">1/2</sub> ha baciato Gianni.</p>
      <p id="paragraph-db2a58a7ee8bd6aa13241271af536d48">'Paola disse que [ela] beijou Gianni.’</p>
      <p id="paragraph-9638a5976d101911c113368ad813d3c8">b. Zhangsan<sub id="subscript-01e687721c1b01624f35f5e7319fe683">1</sub> shuo <italic id="italic-cc183c71fb710fa59464e1327ab782e7">e</italic><sub id="subscript-4d243e080e3754fca3eb79de54bfefa3">1/*2</sub> hen xihuan Wu Tongzhi.</p>
      <p id="paragraph-5643e40a6efc01bb3fb1ad6c0d60cde4">‘Zhangsan disse que [ele] gosta do camarada Wu.*</p>
      <p id="paragraph-d771213c7b57d85cde8a9a2f874b8923">.</p>
      <p id="paragraph-9afcba04993cd91cb6f53281e5887b5d">Não importa aqui decidir se a CV sujeito do chinês e outras línguas similares discutidas abaixo é realmente pronominal, como defendido por Huang. No que se segue, entretanto, baseado nos contrastes em (3) e (6), apesar de ter seguido uma orientação diferente em outras ocasiões (cf. Modesto 2000a, b), defenderei que a CV não é pronominal. O que é mais importante, e parece claro, tendo em vista os dados discutidos até agora, é que a Regra do Controle Generalizado (assim como qualquer outra teoria de controle) não dá conta de explicar as possibilidades de interpretação da CV sujeito em chinês e, sendo assim, essas CVs ainda apresentam um problema para as teorias que tentam explicar o Parâmetro do Sujeito Nulo. </p>
      <p id="paragraph-622eece9d957037a2c49af3501ffcbc1">O comportamento peculiar da CV sujeito não é um fato isolado no chinês. Como se espera de qualquer faro gramatical real, ele aparece em outras línguas, como o finlandês e o PB (veja as sentenças (7) e (8)). Nessas línguas, apesar de ainda serem aceitos na forma escrita, sujeitos referenciais nulos não são aceitos em língua falada (cf. Vainikka 1989, Vainikka e Levy 1999, Heinonen 1995 para o finlandês e Galves 1993, Duarte 1995, Figueiredo Silva 1996 para o PB). Sujeitos referenciais nulos de primeira pessoa ainda são residualmente possíveis em ambas línguas, mas principalmente em respostas a perguntas onde eles podem ser analisados como apagamento de tópico, como em chinês. Entretanto, ambas as línguas ainda apresentam sujeitos referenciais nulos produtivos em orações encaixadas e esses sujeitos não parecem se comportar como pronomes “normais”, mais uma vez como em chinês:</p>
      <p id="paragraph-3ceaa3ab0fc43b2ed7b3a4142d58e3e9">.</p>
      <p id="paragraph-e0fc5e17681920e07fcf84f423c07902">(7) a. I.iisa, vakuutti Jussille<sub id="subscript-42a29ded14c3fc6b277b414cb3327589">2</sub> että <italic id="italic-6a33f7b1e0bf85e0811f41932a342e53">e</italic><sub id="subscript-26ca8ee377aa1b93d57c910171b5219c">1/*2</sub> voi tulla valituksi.</p>
      <p id="paragraph-32019c0bde19800f3df55a28d9e6036b">‘Liisa assegurou ao Jussi que [ela] pode se eleger.'</p>
      <p id="paragraph-7a24290df673df07a31fd3eca87d5c75">b. Liisa<sub id="subscript-f88edcb576662f99253dfb5872f46ee1">1</sub> takasi Jussille<sub id="subscript-a4fa6285916cd116cf4d4183d1be9614">2</sub> että <italic id="italic-74ff210e372ecf66a6f79f6055a492cd">e</italic><sub id="subscript-cebde7eb444e4682a17035725f408353">1/*2</sub> saa ylennyksen.</p>
      <p id="paragraph-75082b019f00e56e9682a3b234cc5a25">‘Liisa garantiu ao Jussi que [ela] vai ser promovida.'</p>
      <p id="paragraph-acc29348211663e926ab846721388dd2">.</p>
      <p id="paragraph-e8996d63a69328fae7a68c5f278bec5f">(8) a. O Feco<sub id="subscript-86a339201dd04d2121be880933bd89b5">1</sub> convenceu a Dani<sub id="subscript-e50fe41fbe53d4ca3e859bb6e5a59b82">2</sub> que <italic id="italic-5cfdced2ef3f3c0e5e77c2fd72c81b9d">e</italic><sub id="subscript-7b0d4d1c464f7449caf4045957f1a280">1/*2</sub> ganhou o campeonato.</p>
      <p id="paragraph-948d4795dc122fdbfc468c33fe6af7cb">b. O Feco<sub id="subscript-fed671156ff47b0ea411e03dfbf287e6">1</sub> avisou a Dani<sub id="subscript-8ded9eb6a09e2368466accec42db6bf3">2</sub> que <italic id="italic-719b0441769cab5c70629a2d65a7647c">e</italic><sub id="subscript-a54a6a3f88fb40b00658d0c8327b714e">1/*</sub><sub id="subscript-26ef1ca3189a821f6b615ab884165690">2</sub> vai ganhar.</p>
      <p id="paragraph-3a1d68b0baf313fed38305d231fb305f">.</p>
      <p id="paragraph-3d4b25ae62110235c23e456886e1a2fe">Sujeitos nulos na oração encaixada tomam apenas o sujeito da matriz como seu antecedente, mas nunca o argumento objeto da matriz. O resto deste trabalho será devotado a responder como línguas não-pro-drop como o PB, o finlandês e (na perspectiva aqui delineada) o chinês podem permitir sujeitos referenciais nulos (em orações encaixadas) e por que esses sujeitos se comportam tão estranhamente.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-516431d9e04f7b30d7e002c9e95df9d1">
      <title>2. A interpretação dos sujeitos nulos do PB, do finlandês e do chinês</title>
      <p id="paragraph-e87ebec1c8f3818835dc3b1a786a1c3c">Exatamente nas línguas que sào problemáticas para o parâmetro do sujeito nulo, ou seja, aquelas aqui consideradas, alem de resistirem à interpretação co-referente ao objeto da matriz, os sujeitos nulos exibem outras características peculiares com respeito às suas possíveis interpretações. Como notado por Negrão (1997), sujeitos nulos cm PB podem tomar apenas frases que os c-comandam como seu antecedente. O mesmo vale para o finlandês<xref id="xref-83edf22ac297b98da17ed4b4e44cfbe9" ref-type="fn" rid="footnote-41ab1408940a792872345cc992b63650">4</xref> e o chinês:</p>
      <p id="paragraph-0fde5b4c8a1838316f98e2c84c8c5efd">.</p>
      <p id="paragraph-bdb3572c65af996236902936653801c6">(9) a. [O amigo do Feco<sub id="subscript-31904075a681eaf5468f024411ccdaa7">2</sub> ]<sub id="subscript-ba85994cd552c7e2fe75c56233f09c5a">1</sub> disse que <italic id="italic-3d50c7694e6bb39aa37d7bdbcb6442de">e</italic><sub id="subscript-6c8317f5db69451aabc60690aad395ff">1/*2/*3</sub> ganhou a competição.</p>
      <p id="paragraph-7b6536a57c8131b15b1f54b2c800081a">b. [ Veljeni<sub id="subscript-96344bb27b25edb886fa17f355a7dfda">2</sub> vaimo]<sub id="subscript-448c49dd5f2cdb3bceebf4f5bb6f46ac">1</sub> oli ninn iloinen, ettei <italic id="italic-bd5b43b67de487471497ce74eac293f4">e</italic><sub id="subscript-5d4a39dcc30b1533ae006d3dda0e4cc3">1/*2/*3</sub> voinut nukkua.</p>
      <p id="paragraph-d45e09918f0e9d81529aa15beace4bb4">irmão-GEN esposa estava tão feliz que-não podia dormir. </p>
      <p id="paragraph-d7b2bd28fc7782761c30707d06eee774">‘A esposa do meu irmão estava tão feliz que [ela] não conseguia dormir’</p>
      <p id="paragraph-e302b23ce088ed9d6fb3231beeceea81">c. [Zhangsan<sub id="subscript-b29d9398dbf29d6ac7ec252de60646d0">2</sub> fangwen de ren], xiwang e<sub id="subscript-6">1/*2/*3 </sub>neg ying.</p>
      <p id="paragraph-c69f38a3955839d50debb765e5c4eb7d">Zhangsan visitar DE pessoa esperar pode vencer</p>
      <p id="paragraph-fbc89fc43428653d9b90bde555898c5d">‘A pessoa que Zhangsan visitou esperava que [ele] pudesse ganhar.’</p>
      <p id="paragraph-75067e1a647a5b54cfd5c253423089a5">.</p>
      <p id="paragraph-6e12d6cb3a5738a65304471e114964da">Essas línguas também apresentam um tipo de restrição de localidade envolvendo o antecedente do sujeito nulo: apenas o sujeito mais próximo pode ser tomado como antecedente:</p>
      <p id="paragraph-6db1188de53cfcda7a0541ad461bd1b0">.</p>
      <p id="paragraph-ac615c3fecd6d7cc4fd9796bfe810a35">(10) a. O Feco, disse que a Dani<sub id="subscript-b881e3729916814d047f1f2ab51d3db4">2</sub> adia que <italic id="italic-bd7c1c7eeaaecef5fe87034114497201">e</italic><sub id="subscript-54b71660fac2ac683e18ba49b3a11fde">*1/2</sub> ganhou na loto.</p>
      <p id="paragraph-23e07cbf1bc5b7d5501ee0749215867b">b. Jukka<sub id="subscript-6826fdf27b1415f1b466fe5c8520cd5a">1</sub> sanoi että Liisa<sub id="subscript-e41ffeb4fb123c3d75851bf4f913a2de">2</sub> ajattelee että <italic id="italic-3213958bd925bd6d8781c2625d8a46d0">e</italic><sub id="subscript-06d7166e51c91916d5fd956ab1749e5c">*1/2</sub> oli voittanut arpajaisissa.</p>
      <p id="paragraph-889705d2e6a93b15d885b858b952325f">‘Jukka disse que a Liisa acha que |ela] ganhou na loteria.’</p>
      <p id="paragraph-388fe1e9fee1e52167fa1c400113f4de">c. Zhangsan<sub id="subscript-aefbbc6533a0f6187a400d62cb728ec2">1</sub> yiwei Lisi<sub id="subscript-c84a0572428738b64d248dbc1521d488">2</sub> chengren yiqian <italic id="italic-bdc5d2aab1e241825da96eb318c480e1">e</italic><sub id="subscript-786cb579ad78663297c4e26efa9d2c2c">*1/2</sub> zuocuo shi le.</p>
      <p id="paragraph-36fe3302625faf475302c68f8672a329">‘Zhangsan acha que o Lisi admitiu que [ele] agiu mal.’</p>
      <p id="paragraph-69e4bf7c9d4c65f1a02fdf000599fe8f">.</p>
      <p id="paragraph-ab000504417f81dfda5dc050f9bc9577"> Como observado por Figueiredo Silva (1996), um sujeito nulo não toma antecedentes divididos cm PB. O mesmo vale para o finlandês, de acordo com Rodrigues (2004), e também para o chinês. Nora-se que (11a) é perfeitamente aceitável (na leitura em questão) em Português Europeu, uma língua que pode (mais adequadamente do que o PB) ser tratada como uma língua de Sujeito Nulo. A sentença no PB, entretanto, é gramatical apenas na leitura em que o sujeito nulo encaixado é genérico:</p>
      <p id="paragraph-1a0bf72bc2d17e431a490be47daec0c3">.</p>
      <p id="paragraph-538aa743e09f6878b46be9cdad647e84">(11) a. *O Feco<sub id="subscript-a0f85ecc838d68130118b2bcb7dc726c">1</sub> disse pra Dani<sub id="subscript-784f81fa41bea7ea13fff6b10b1b7f76">2</sub> que e<sub id="subscript-488c14ae5c9decaa08f66003c109f09b">1+2</sub> fizeram besteira.</p>
      <p id="paragraph-f997b62464c4abf5284138ba61b1ce2a">b *Jukka<sub id="subscript-5d43dc3b5ddf4e64c1b34fae6f4e9ffe">1</sub> kysyi vaimoltaan <italic id="italic-52f8b6c5f7a440b47a803398e7a4cdeb">e</italic><sub id="subscript-1794bc26f66c84117236abd09a2f71a8">1+2</sub> voiovatko mennä Espanjaan lomalle.</p>
      <p id="paragraph-1ad657ea9672866203eab70ec9abdc5a">‘Jukka perguntou à sua esposa se [eles] podem ir à Espanha de férias.’ </p>
      <p id="paragraph-adab328de82d907f1808b906c7e595e7">c.*Zhangsan gaosu Lisi (shuo) <italic id="italic-44607d84b37fdffb8b37be39e19e7ac0">e</italic><sub id="subscript-60e1f2608d7e0725bdbe3ff34a308120">1+2</sub> zuocuo shi le.</p>
      <p id="paragraph-2e0485640332feb50bed73faba55e75d">‘Zhangsan falou pro Lisi (que) [eles] agiram mal.’</p>
      <p id="paragraph-4f94cd2f4c27e3a264b552500883f9e3">.</p>
      <p id="paragraph-67eb4759508d6fd29a01d2c40bb1ce4d">Negrão (1999) e Negrão e Viotti (2000) mostram que, em PB, em contextos de elipse de VP, apenas a leitura fajuta (nâo estrita) está disponível para um sujeito nulo encaixado e que, com antecedentes do tipo <italic id="italic-f0ed5f4b05deb91eff0172f0fc1198e4">só</italic> <italic id="italic-ef7c65037078806b6630aaae1b70f7d1">NP</italic>, o sujeito nulo encaixado recebe a leitura covariante. A leitura invariante, possível quando o sujeito é pleno, não é possível quando o sujeito é nulo. (Sobre leituras covariante e invariante, ver Higginbotham 1992.) O mesmo vale para o finlandês em ambos os casos, novamente de acordo com Rodrigues (2004).<xref id="xref-57d5f812de8b522b6173e1694224d7b6" ref-type="fn" rid="footnote-996287ad5907ae433f1f6c8bd86c6124">5</xref></p>
      <p id="paragraph-05364759268ccc3990fd955d0dfad1ea">.</p>
      <p id="paragraph-96e143d2172b212da0ae81a469453535">(12) a. O Pedro, acha que <italic id="italic-526d7a2fa21f3e634c56c8afc5c3c108">e</italic><sub id="subscript-64d36a045f223ac69cf4030a5b1cf89a">1</sub> vai ganhar e o Paulo também.</p>
      <p id="paragraph-4d7ea74a1a471d2bd9b9e694587ec983">b. Jukka<sub id="subscript-989ad5d3660a22109b3ff40d8ad79599">1</sub> sanoi että <italic id="italic-5b8ef0ce69620e54a88d30c171b500fe">e</italic><sub id="subscript-4fb53474dcc965a616cb1e400504f389">1</sub> oli voittanur arpajaisissa, ja niin Pekkakin. </p>
      <p id="paragraph-154f8da3d0231e122fcf8f7fd6d536d0">Jukka disse que [ele] ganhou na loteria e assim Pekka-também.</p>
      <p id="paragraph-3546a5fd0d55b045b508e3d2d0fed226">.</p>
      <p id="paragraph-dea38da80116cf9045558aa9a85174f8">(13) a. Só o Maluf acha que e vai ganhar as eleições.</p>
      <p id="paragraph-7dd4ac51ff71ab8f3f38cfa7b7250dcf">b. Vain Jukka ajatteli cttä <italic id="italic-ba8d2bdeafa840ca304b7ea9f1b1743b">e</italic> oli voittanut arpajaisissa.<xref id="xref-ee8205902c3276409296808e42c7f033" ref-type="fn" rid="footnote-dc41ea132d0cc71b2f1839cf82ef7f1e">6</xref></p>
      <p id="paragraph-2a2df342217b7681294cde7abd073d8a">só jukka achou que [ele] ganhou a loteria</p>
      <p id="paragraph-4a16af7fb2f3adb6853efc2faea74145">.</p>
      <p id="paragraph-0e9b76ce691318173e2726134fbf77e7"> Essas características peculiares do sujeito nulo encaixado do PB, do finlandês e do chinês são explicadas pela análise apresentada na seção 4. </p>
    </sec>
    <sec id="heading-4286db303df89be06036bd6aa0146ce3">
      <title>3. Movimento e a possibilidade de anteceder o sujeito nulo</title>
      <p id="paragraph-0e50fd1e7c73b8056987e818a39fe405">Parece haver uma relação entre movimento sintático e a possibilidade de tomar um objeto como antecedente de um sujeito nulo. Como visto em (8) acima, o argumento objeto da oração matriz não pode ser tomado como antecedente de um sujeito nulo encaixado em PB. Entretanto, se o objeto for movido por movimento-qu, relativizado ou topicalizado, ele se torna um possível antecedente. Na verdade, quando há movimento-qu e relativização, o objeto se torna o único antecedente possível para o sujeito nulo:<xref id="xref-5e3d01f6fb1a68832eb19521b55897d9" ref-type="fn" rid="footnote-54f6db5d5ff3482259259550eb89c782">7</xref></p>
      <p id="paragraph-9efb121fcfad75d54237193e8e829819">.</p>
      <p id="paragraph-69b0188cb4fd6e210711d07c261cdb72">(14) a. Quem<sub id="subscript-932d580a909513521629045a67c0c15e">2</sub> (que) o Feco, avisou t<sub id="subscript-0de074305615e7b0900c06cfa7c23843">2</sub> que <italic id="italic-d26777b68f428672ea133a621d76d5d4">e</italic><sub id="subscript-6543eb45a60e3c7eacdeb8643980b4b1">*1/2</sub> precisa trabalhar até mais tarde?</p>
      <p id="paragraph-7f01fa1119481eae4c5530fd5ec21025">b. O cara<sub id="subscript-231209abe3e391bee53a7731306d1106">2</sub> (que) o Feco<sub id="subscript-4aa54a111453e4c1dbdca03f79307073">1</sub> avisou t<sub id="subscript-e8bf8982e7ab9ef8f304e5aa0195add5">2</sub> que <italic id="italic-056919d0631c3f2132db3ddedb4eb92c">e</italic><sub id="subscript-cf5bec8580c31fef55fbed9e6fa58183">*1/2</sub> precisa trabalhar mais já chegou.<xref id="xref-c8d3e0b2ff2bdcc1744e0d189f3379e2" ref-type="fn" rid="footnote-086e1927a5d5a80d4ddcecc63ec8c95a">8</xref></p>
      <p id="paragraph-bb6de709daefd01943142b6877dcd884">c. A Dani<sub id="subscript-dd5f9e2b5ab7b16cb220bda6a7c9294f">2</sub> o Feco<sub id="subscript-4ceaede6df8c84f64853728526dfb53b">1</sub> avisou t<sub id="subscript-69ee144e8be61319704092905ffdc17a">2</sub> que <italic id="italic-d3e689e6da7ae3f94ace2bc01e93cf45">e</italic><sub id="subscript-5e0a87f166ea5b0315177ec789d16ec8">1/2</sub> precisa trabalhar até mais tarde.</p>
      <p id="paragraph-75a3ff774c2472ba6967deeea7311e93">.</p>
      <p id="paragraph-49fb7f4a37de0f9b1cfe50d2c641b8e7">(15) a. Quem<sub id="subscript-1bb7b5d010ce70a4d0279ede8709ee54">2</sub> (que) o Feco<sub id="subscript-20d1c95e1e536765c778d760d387880c">1</sub> convenceu t<sub id="subscript-7c532afdde2b2b0e8c2561fee067f2f0">2</sub> que <italic id="italic-1195646b191a996bc2e7050870a06211">e</italic><sub id="subscript-a57f8fd49d04770dc97d0e75595ef1ac">*1/2</sub> pode se eleger?</p>
      <p id="paragraph-6174ce167ca22f2976b9fef8bb517fe9">b. O cara<sub id="subscript-f37a1d251eeee2a25506d7dc04c9b89c">2</sub> (que) o Feco<sub id="subscript-3add2e0681120fc7e260aaf31e99f294">1</sub> convenceu t<sub id="subscript-cf2e4566e450363783a233909b568b34">2</sub> que <italic id="italic-fc1a5487359aee3e26d64279c4da0c47">e</italic><sub id="subscript-0b3731b98eceefb05febaa29dd6ecae3">*1/2</sub> pode se eleger já chegou</p>
      <p id="paragraph-1e2e6cc34a0162561c14c381f2b42241">c. A Dani<sub id="subscript-31896e954a2bb95435cb4b0286a93246">2</sub>, o Feco<sub id="subscript-0ec65df9e95df06ed9db2426aa4fb997">1</sub> convenceu t<sub id="subscript-2e7dbae708f03e5671d59f308f3dabee">2</sub> que <italic id="italic-c86f8ec623a89301646e91d90e75996f">e</italic><sub id="subscript-b81a42b8a4787efc40501eb7cb8ac4b5">1/2</sub> pode se eleger.</p>
      <p id="paragraph-f8cccf2948f28057001e118c22a67da3">.</p>
      <p id="paragraph-d49ad21ac760fa49e0d1d7e54d4fdc28">Em (14a, b) e (15a, b), o único antecedente possível para o sujeito nulo encaixado e o objeto matriz movido. Para que se obtenha a leitura em que o sujeito matriz é o antecedente, um pronome pleno é necessário na oração encaixada (o que faria a sentença ambígua). (14c) e (15c), por outro lado, são ambíguas com uma CV na posição de sujeito encaixada. Essa diferença de comportamento entre tópicos e outros elementos movidos parece se relacionar com outra: apenas tópicos podem ser gerados já na sua posição deslocada, como demonstram as sentenças em (16):</p>
      <p id="paragraph-990c587082942136313b752b36560a97">.</p>
      <p id="paragraph-69a1b2612d4ba90f6947ce6bd3f2b353">(16) a. *Quem<sub id="subscript-a9b15716370c29c58d6a61334917e419">1</sub> que o Feco conhece o jornalista que entrevistou <italic id="italic-550d78dadd2a5f18cff85d76bf3222dd">e</italic><sub id="subscript-2f81399f6d8f14976b2e528746a0014e">1</sub>?</p>
      <p id="paragraph-9f07579806bd5e1434d4a2b8328e2a3e">b. *O cara<sub id="subscript-5df5303fa2d86a1b8b5c96f5508cfed6">1</sub> que o Feco conhece o jornalista que entrevistou <italic id="italic-3555e208f9cea25f73dab03ad5acf47f">e</italic><sub id="subscript-733c8880db73cb2778ae5a8eb10e7015">1</sub> já chegou, </p>
      <p id="paragraph-629b9710e99dbd573394ae31a50f833d">c. A Dani<sub id="subscript-46571ea3a36d1b807be4bfae7b83bcfe">1</sub>, o Feco conhece o jornalista que entrevistou <italic id="italic-185409f3c66e34f4905387d2f0fab27f">e</italic><sub id="subscript-9679003ecf168f4cc90b1a4888209c99">1</sub>.</p>
      <p id="paragraph-e04c44ce80b39f1d2188655280011ab9">.</p>
      <p id="paragraph-45ef412ed85ffe386dec6deba631e5d7">Uma vez que apenas tópicos podem ser gerados já na posição deslocada, a ambigüidade de (14c) e (15c), então, pode ser explicada como se segue. Quando o tópico é movido para a sua posição à esquerda, parece apropriado supor que o tópico se torna o único antecedente possível para o sujeito nulo, da mesma forma que sintagmas-qu e sintagmas relativizados. Quando o tópico é gerado já na posição deslocada, por outro lado, o sujeito matriz é que se torna o antecedente (possivelmente o único antecedente possível, como a discussão imediatamente abaixo parece indicar).</p>
      <p id="paragraph-7e7e425aac411ad3de6ccbabb939ecba">Confirmando a relação entre movimento de um constituinte e a possibilidade deste ser o antecedente do sujeito nulo, observa-se que (16b) pode ser salva se um pronome resuntivo é inserido na posição de extração dentro da ilha. Nesse caso, a análise mais plausível é a de que não houve movimento do constituinte (e por isso a violação da ilha é melhorada), lmportantemente, quando essa estratégia é usada, a cabeça da relativa não é mais um possível antecedente para o sujeito nulo em (17b). Essa leitura seria possível apenas se um pronome pleno ocupasse a posição de sujeito.</p>
      <p id="paragraph-ca02ef74e1778f4439f3608bcb44d4f4">.</p>
      <p id="paragraph-1108555d57371427e069273fa43b4258">(17) a. ?O cara<sub id="subscript-1a0aa82975ba34fe92fc4848901e7404">1</sub> que o Feco conhece o jornalista que entrevistou ele<sub id="subscript-0b3dd1a0c368738c2a0bfba8c7446cfe">1</sub> já chegou.</p>
      <p id="paragraph-cc137e7c74eb366202a8c2bbcd7162d9">b. ?O cara<sub id="subscript-71fabb9f8137f7ff4399b4812a0e906e">2</sub> que o Feco<sub id="subscript-1e3ba89b6a661ede509d69e03ec54aa3">1</sub> convenceu ele<sub id="subscript-18103d443a6777e5199baf494236f7d5">2</sub> que <italic id="italic-c0790f79783d1528711c6ec8499572eb">e</italic><sub id="subscript-442de8a672559c813c776fcd4e56ea0b">1/*</sub><sub id="subscript-3ea66136a6efd06da7194dd04ee53762">2</sub> pode se eleger já chegou.</p>
      <p id="paragraph-b8751095ad0d4a8e0bc215ce172e202a">.</p>
      <p id="paragraph-303834a648da5d8d97e5956ceb0fd114">O mesmo acontece com elementos topicalizados. Se o tópico foi gerado na base, e isso é indicado pela presença do pronome resuntivo, o tópico não pode mais ser tomado como sendo o antecedente do sujeito nulo.</p>
      <p id="paragraph-d8b89c1bd4780195424afa340fc1ac44">.</p>
      <p id="paragraph-ee731fd238642b5f592b673d564412f5">(18) A Dani<sub id="subscript-56ce3806ba9eb50c4a8852864eea9bad">2</sub>, o Feco, convenceu ela<sub id="subscript-f5935a0094e7d4e09d9cfd1ae6e82d04">2</sub> que <italic id="italic-cdfa0eee97fe8e391213efbe06c8d5ee">e</italic><sub id="subscript-e929c621bd9415800801334dd342b64c">1/*2</sub> pode se eleger.</p>
      <p id="paragraph-77df521241f49114d537f27c011f62bf">.</p>
      <p id="paragraph-d2b919070d3e74d03cb031c146199fe6"> O fato de que sintagmas-qu deixados <italic id="italic-7490d13205b1fbcdef4d76f603bbcb2a">in situ</italic> também não podem ser tomados como o antecedente de um sujeito nulo (veja (19)) confirma a afirmação feita aqui de que há uma relação entre movimento e interpretação de antecedência.</p>
      <p id="paragraph-5afac1d2bc7478ed4d559e3fb3c00565">.</p>
      <p id="paragraph-3bf2b2da17707a4b95d9b8b3e6b1bef6">(19) O Feco<sub id="subscript-4a76b505b386295c5661938a940d55f3">1</sub> convenceu quem, que e<sub id="subscript-9b9a26a9f8181f964dec1e1374062f29">1/*</sub><sub id="subscript-92e6dfe0aaef2d1f653d91e7cb6381c1">2</sub> pode se eleger?</p>
      <p id="paragraph-1a32cf343ff3bf5bcc16bc8456f60d5a">.</p>
      <p id="paragraph-814d6fb7cd38c711bf6a9b7123eccd01">Ainda outro fato confirma essa afirmação: o finlandês também mostra que movimento de um objeto da matriz parece melhorar as chances desse objeto ser interpretado como o antecedente do sujeito nulo encaixado:<xref id="xref-2486fc3b041ceb6d116463d03527e096" ref-type="fn" rid="footnote-89b553c66dda76677c2e0fda227c9614">9</xref></p>
      <p id="paragraph-bd54e39ac6c1f2ff3c3871916240ca6e">.</p>
      <p id="paragraph-a48693c7f0e85c2ed47e9cf6dd91f6ff">(20) a. Kenelle<sub id="subscript-423f2f8dff2ea2736d5acf748397f6b0">2</sub> Liisa<sub id="subscript-1c959018d31ead2b6806d3e7bd8f51d3">1</sub> vakuutti t<sub id="subscript-281fd95d725f2d6077a0e1b113e249ce">2</sub> että <italic id="italic-7aeedce8cfbe6b26157a3269b14cee86">e</italic><sub id="subscript-dcdd911c562779054ed49eb68b17971a">1/?2</sub> voi tulla valituksi?</p>
      <p id="paragraph-bcd2f7ae73ea81146a73152125ce1bc6">'Pra quem a Liisa assegurou que [ele/a] pode se eleger?'</p>
      <p id="paragraph-13c71b8d10657c92aac8c5a3d153df36">b. Henkilö, jolle Liisa<sub id="subscript-27742be8f53344792b4952d6075c975b">1</sub> vakuutti t<sub id="subscript-12199ffc1171c1871297cc9cf0a9d3b4">2</sub> että <italic id="italic-45f4c6bd943e5e12088a2ccfb50cbd4f">e</italic><sub id="subscript-0044aad31b340699744e8684dadbb583">1/?2</sub> voi tulla valituksi saapui jo.</p>
      <p id="paragraph-aea21e61f346a18fb8a295f92b9e4caa">'A pessoa pra quem a Liisa assegurou que [ele/a] pode se eleger já chegou’</p>
      <p id="paragraph-b592b02cdcb57788de70855806fa45c2">.</p>
      <p id="paragraph-bcd04868ae2fcf41651e47e006ff57ed">(21) a. Kenelle<sub id="subscript-b9ca84761567a8fe2d0b5f416758ecb2">2</sub> Liisa<sub id="subscript-9c916ab772a042d67d32401399b4ee26">1</sub> takasi t<sub id="subscript-8d7b70662545e4a1090ec2af58a997f1">2</sub> että <italic id="italic-e258986f8e373d481def101a783bebcd">e</italic><sub id="subscript-1d6fc3211b25c4756b88995870ccc717">1/?2</sub> saa ylennyksen?</p>
      <p id="paragraph-507d05b0841852ede8b2316583dc7fe6">‘Pra quem a Liisa garantiu que [ele/a] vai ser promovido?’</p>
      <p id="paragraph-b7ec339f19bc7898355c75d4510d3d99">b. Henkilö<sub id="subscript-4777a76e6340a10ae1c18e8353cf483b">2</sub> jolle Liisa<sub id="subscript-6ebb58b9ff22ecb967bbf450e5a21c8a">1</sub> takasi t<sub id="subscript-650b7b2424d7cd1b31be9de465170c5c">2</sub> että <italic id="italic-43bc0571953d88d3807dd0a21f27c41b">e</italic><sub id="subscript-db3483dab28e16fd3822d659e10ed675">1/?2</sub> saa ylennyksen saapui jo.</p>
      <p id="paragraph-4cfac95ee82781a86622252a290d2756">'A pessoa pra quem a Tiisa garantiu que |ele/a] vai ser promovido já chegou.’</p>
      <p id="paragraph-6c13f1164c35ff42131fbc3d61e685ee">.</p>
      <p id="paragraph-b99848e2ae00b559a0ca35b5d960014b">Como visto em (7) acima, em finlandês, como em PB, um objeto do verbo matriz não pode ser interpretado como o antecedente de um sujeito nulo encaixado. Entretanto, como mostram (20a, b) c (21a, b), um objeto movido por movimento-qu ou relativização torna-se um possível antecedente. O significado do ponto de interrogação nas leituras em que o objeto matriz movido é o antecedente do sujeito nulo é o seguinte: quase todos os informantes aceitam aquela leitura em (20a), (21a) ou em (20b), (21b) mas todos afirmam que a leitura em que o sujeito matriz é o antecedente ainda era preferida. Uma vez que nenhum dos informantes aceitou o objeto matriz como o antecedente do sujeito nulo em (7) acima, o contraste visto em PB se dá também em finlandês (apesar de serem línguas sem qualquer relação de parentesco, como nota um parecerista). O que precisa ser explicado agora é o fato de que um objeto movido é o antecedente preferido cm PB, mas não em finlandês. Vou apresentar a análise dos fatos na próxima seção e então voltar às diferenças entre PB e finlandês uma vez que essas diferenças de comportamento nas duas línguas na verdade confirmam a análise proposta.</p>
      <p id="paragraph-6a64a3eabbb3c147996328d51a94d5d9">Chinês não é usado nos exemplos desta seção porque, infelizmente, a relação entre movimento e antecedência não pode ser testada naquela língua. Por um lado, o chinês não apresenta movimento-qu (aberto). Por outro, a extração de um objeto (seja por relativização ou topicalização) de verbos que tomam dois complementos sempre dá resultados muito marginais em chinês, por razões independentes e ate agora pouco claras. Então, nenhum dos testes pode ser aplicado.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-abef91e6e70063ae086f36c346d613df">
      <title>4. A análise</title>
      <p id="paragraph-631936fc2db5415f1fda5dd68c28bdc5">A proposta deste trabalho é defender a idéia de que línguas não-pro-drop como o PB e o finlandês permitem sujeitos nulos encaixados por serem línguas orientadas para o discurso. O chinês, nessa perspectiva, também não é uma língua pro-drop em virtude de não apresentar concordância verbal e iodas as ocorrências de sujeitos nulos poderem ser explicadas por essa estratégia discursiva que vamos descrever. A idéia principal é que em línguas orientadas para o discurso o núcleo F(ocus)P sempre é gerado (em toda oração) com um traço OCC (=EPP) (veja Chomsky 2004) e, então, algum constituinte é necessariamente movido para a posição de SPEC desse núcleo e interpretado como tópico contrastivo. O chinês é uma língua orientada ao discurso, sobre isso não há controvérsias; o finlandês e o PB também já foram analisadas como sendo línguas de tópico proeminente (ou orienradas para o discurso, cf. Holmberg e Nikanne 2002, Negrão e Viotti 2000 respectivamente, entre outros). A proposta é então a de que sujeitos nulos encaixados são possíveis nessas línguas em virtude do fato, também sem controvérsias, de que elas permitem que um tópico seja elidido numa cadeia discursiva de tópicos. Um exemplo seria a sentença do PB apresentada abaixo:</p>
      <p id="paragraph-0b09cb0c194594d614dabf1c1c839bd2">.</p>
      <p id="paragraph-7039b911331d49374867c2d38b1bc9f6">(22) [FP o Feco<sub id="subscript-e2a1ab88ea5bdbb2bd1e0e104f4b1cd2">1</sub> [IP t<sub id="subscript-d45a3d48a9ae01d6005694cc7fda40e5">1</sub> convenceu a Dani<sub id="subscript-76fd98479f0f9f38e938e9b90ea7dd30">2</sub> [CP que [FP ele, [IP t<sub id="subscript-f6cd1f06c2ef63805514858b91b97836">1</sub> pode se eleger]]]]]</p>
      <p id="paragraph-6a29df5536a713f0bd44da2c4c6e2d15">.</p>
      <p id="paragraph-a3b5162c53498e2349fdbe8522dabde4">O sujeito da oração matriz “o Feco” move-se para Spec IP e de lá para Spec FP, para satisfazer o traço OCC dessa categoria. Na oração encaixada, da mesma forma, o sujeito é movido para Spec FP depois de passar por Spec IP. Nessa posição, o sujeito encaixado e o sujeito matriz formam uma cadeia de tópicos e o primeiro pode ser deletado em PF. Note que, por razões de localidade, é sempre o sujeito que é movido para Spec FP nas duas orações. O fato de objetos não serem bons antecedentes para o sujeito nulo nessas línguas é portanto explicado de forma óbvia.</p>
      <p id="paragraph-fde653aee8235f8a51cfc8bf0502f9f6"> Essa análise envolvendo elipse de tópico também explica todas as características listadas na seção 3 de forma natural. O requerimento de c-comando do antecedente sobre o sujeito nulo é obviamente explicado pelo fato de que o sujeito encaixado só pode ser deletado quando forma uma cadeia de tópico com o sujeito superior, e cadeias de tópicos só são formadas se há relação de c-comando entre eles. Casos de intervenção também são esperados: uma cadeia de tópicos nao pode ser formada se há um tópico não co-referente que c-comanda o tópico encaixado. A proibição a antecedentes divididos se dá pelo fato de que o tópico só pode ser deletado numa cadeia de tópicos se a sua referencia é a mesma que o primeiro tópico da cadeia. Dessa forma, antecedentes divididos nunca serão possíveis pois apenas um dos constituintes ocupa a posição de tópico. Nos contextos envolvendo elipse de VP e antecedents só-NP, a falta da leitura estrita e da leitura invariante é explicada porque o tópico deletado age como uma variável, ligada pelo tópico que o precede e, por isso, não pode ser interpretado como um elemento referencial nesses contextos.</p>
      <sec id="heading-cace7b026b6a237f6fe4cc8bcc82d35b">
        <title>4.1. A relação entre movimento e antecedência em PB</title>
        <p id="paragraph-fd44322136808c671e78930960fd40e8">Antes de entrar em qualquer aspecto técnico da análise, o que parece claro, baseado nos dados apresentados na seção 3, é que, em PB, o sujeito sempre se move para Spec FP, exceto quando outro constituinte tem traços que devem ser checados no domínio de CP. Em outras palavras, quando um constituinte que não o sujeito é movido em PB (seja por movimento-qu, relativização ou topicalizaçao), é esse constituinte que ocupará a posição de Spec FP (talvez como uma posição transitória no caminho para Spec CP ou outra posição). Uma vez que tal constituinte ocupa a posição de tópico, o apagamento do tópico em cadeia vai gerar um sujeito nulo que tem um não- sujeito como antecedente. Se, entretanto, como visto antes, o constituinte é gerado já na sua posição deslocada (que eu assumo ser Spec TopP para os tópicos nao produzidos por movimento), o sujeito ainda tem que se mover para Spec FP (para satisfazer o traço OCC do núcleo F) e será, então, interpretado como o antecedente do sujeito nulo encaixado. A opção de mover o sujeito para Spec FP e então mover outro constituinte por sobre aquele para uma posição mais alta deve ser excluída em PB e isso parece acontecer em virtude de Minimalidade. É um fato que, nessa língua, sintagmas-qu, por exemplo, não podem ser movidos por sobre um tópico (veja 23a), então, a estrutura da sentença com sujeito nulo envolvendo movimento-qu de um objeto tem de ser (23c) e não (23b). O mesmo tipo de intervenção pode ser visto em orações relativas c na topicalização:</p>
        <p id="paragraph-ccc85bcda8403763c9395c8904e974ce"> (23) a. *Quem, esses livros, leu?</p>
        <p id="paragraph-083497f587cf81673857680a3b44cc91">b. *[CP quem<sub id="subscript-62ae2b7abc9872467804971f9f10bc2c">2</sub> que [FP o Feco, [IP t<sub id="subscript-baadfb85ddc9f0acee38aecb710d0944">1</sub> convenceu t<sub id="subscript-7fc46ca0f329308af22be2d7c7a66674">2</sub> [CP que [FP ele<sub id="subscript-9ba6e64c6b8427d65da155e21850008e">1</sub> [IP t<sub id="subscript-f7162536bddca0d38c0836ed845c4178">1</sub> pode se eleger]]]]]]</p>
        <p id="paragraph-b825a5bcaff5783c31963511a52b0828">c. [CP quem<sub id="subscript-07585246d172b5a3525934d0dbd5bc09">2</sub> que [FP t2 [IP o Feco<sub id="subscript-dbb22084d0ad094d87d898ac24405c6f">1</sub> convenceu t<sub id="subscript-958bcb8741d96c7673713ac1cad4a0d4">2</sub> [CP que [FP ele<sub id="subscript-1b9141e8eaa703f1d03a796df770ded2">2</sub> [IP t<sub id="subscript-3646377eee770d0590a5f3c0b5269b02">2</sub> pode se eleger]]]]]]</p>
        <p id="paragraph-ee601fd184b748daa4e5dafcd12699ed">.</p>
        <p id="paragraph-84cfedebd5bd742cdc97e8fdcc732e12">(24) a. *O cara<sub id="subscript-300f9102954570a9ffee76222caaa142">1</sub> que, esses<sub id="subscript-77300197077ebbbb666c30e472aa1136">2</sub>, livros leu t<sub id="subscript-e0b3d1eca2706a2986d35dd83e031d06">2</sub> já chegou.</p>
        <p id="paragraph-9ab94a79c774f5c1442c50248ffe11f6">b. *[o cara<sub id="subscript-474d0cb053d47507c4ddc6a538225032">2</sub> [CP Op<sub id="subscript-8e5753282c3135941d19bad5913ce49c">2</sub> que [FP o Feco<sub id="subscript-93da074d78e52b846bd06f0f106c4013">1</sub> [IP t<sub id="subscript-e739cfcaa26b008d8fe1b49680a77ed9">1</sub> convenceu t<sub id="subscript-0584f3e2548d48f08138ded5fa0f1a3b">2</sub> [CP que [FP ele<sub id="subscript-7b6c6a04d7a95a3a872cb28c9b9cf99a">1</sub></p>
        <p id="paragraph-7200ddd80e49984bbdff33aebd195a9d">[IP t<sub id="subscript-9f62e1c3c71d57b21a3ffc5a25e520cd">1</sub> pode se eleger]]]]]]]</p>
        <p id="paragraph-8c0539692a121c16be671cc075ef9f20">c. [o caia<sub id="subscript-9e230ef150505e40f48af969ee608952">2</sub> [CP Op<sub id="subscript-0374f19ed4c2794148021f67dd826beb">2 </sub>que [FP t<sub id="subscript-652e7cb0dd0140c384a94b2a1ef44f41">2</sub> [IP o Feco<sub id="subscript-b3efa5a3073a1e48e9c8ade61dce6812">1 </sub>convenceu t<sub id="subscript-51ce80a944569bfbb6fed876ab3555d5">2</sub> [CP que [FP ele<sub id="subscript-4931ae82b5cbcbc465bae0db0f058649">2 </sub>[IP t<sub id="subscript-832aa72337c97b51fff3aff3f041ad2e">2</sub> pode se eleger]]]]]]]</p>
        <p id="paragraph-0e5957a6387f4a0788e6cb50938ea350">.</p>
        <p id="paragraph-88f65b652634f1dfbd42f38a7b384a6c">(25) a. *0 Feco,, esses livros<sub id="subscript-fbd45eae319f00fd01f19ad781ff34f8">2</sub>, t, já leu q.</p>
        <p id="paragraph-6b7dd836e3aa33b8bf8f1d2ebcaa4fab">C£ O Feco,, esses livros^, ele, já leu q.</p>
        <p id="paragraph-c73465065db79b93cadd2fe2864fd765">b. (TopP a Danq [FP o Feco, [IP q convenceu pio<sub id="subscript-b43292e46240ffbc1f6e9cbdb4dc5259">2</sub> [CP que [FP de, [IP t, podc sc degerUmi</p>
        <p id="paragraph-69a4368f102fe44309bbea84061d96c5">c. [FP a Dani<sub id="subscript-b05fae3869f1ec634825d56897d38e3c">2</sub> [IP o tea), convenceu q [CP que [FP da., |1P q pcxle se degerlfllT]</p>
        <p id="paragraph-c3c550ea8b08cc38946907f1b799abad">.</p>
        <p id="paragraph-d24ab1eef4e240c370af3e521e203948"> Em virtude da Minimalidadc, se o sujeito é movido para Spec FP e outro sintagma é movido por sobre aquele para Spec CP ou outra posição, o resultado é agramaticalidade. Entretanto, como o sujeito tem de ser movido em todos os outros casos, ou seja, quando nenhum sintagma e movido para o domínio CP, provavelmente em virtude de ser o DP mais próximo que pode satisfazer o traço OCC dc TopP, o sistema parece envolver um tipo de previsão (look ahead). Quando o núcleo F é inserido na árvore, o sistema tem de saber se o objeto precisa checar algum traço numa etapa futura da derivação para permitir que o sujeito seja atraído para Spec FP ou não. Esse problema cessa de existir se assumirmos com Chomsky (2001) que toda avaliação é feita no nível da fase. Movimento de qualquer constituinte para Spec FP é, então, livre. No nível da fase, entretanto, uma derivação em que um objeto tenha sido movido para Spec FP aborta como uma violação da Condição do Elo Mínimo (MLC), ou seja, o sujeito é um sintagma mais próximo que poderia ter checado o traço OCC dc F. Se, entretanto, no nível da fase, o objeto se assenta em Spec CP, checando um traço-qu ou outro tipo de traço, o fato deque tenha também checado o traço OCC de F é tornado irrelevante, uma vez que o movimento do objeto para CP era indispensável, e que qualquer outra derivação teria violado Minimalidade. O movimento de um objeto para Spec FP também é possível, obviamente, se o objeto possui traços não interpretáveis que precisam ser checados naquela posição (como no caso de topicalização do objeto).</p>
      </sec>
      <sec id="heading-c1fba09b67a1a7f02358e9a5d578ab51">
        <title>4.2. A relação entre movimento e antecedência em finlandês</title>
        <p id="paragraph-340a2a8a53ce51a9998f97b6b0ac94d4">Diferentemente do PB, o finlandês não mostra nenhum efeito de Minimalidade, isto é, um sintagma-qu pode ser movido por sobre um tópico (veja (26)) sem que isso torne a gramaticalidade da sentença degradada (e assim similarmente para orações relativas):</p>
        <p id="paragraph-dcc94e456daa1347c6b98a2dee6cd895">.</p>
        <p id="paragraph-96cbff6fd6261af979c648a0d7f5a7cd">(26) a. Kuka tämän kirjan on kirjoittanut?</p>
        <p id="paragraph-d1e857cc2ba7ad066d72c185523cc8d8">quem este livro tem escrito</p>
        <p id="paragraph-c20c91b73c68f6d6270d04425042cabd">‘Este livro, quem o escreveu?’ </p>
        <p id="paragraph-1dff5d144e3ea4b97287e16063b81356">b. [CP Kenelle<sub id="subscript-e91c9769de9a1be9f15976e9f147d1f6">2</sub> [FP Liisa<sub id="subscript-8e699c5846a98ce72900b363031027ce">1</sub> [IP t<sub id="subscript-9ebfc7cb5e816ee01436cc055f655711">1</sub> vakuutti t<sub id="subscript-0f7eb2bd6eaeae388d092472cb013121">2</sub> [CP että [FP hän<sub id="subscript-1c9ebb7c54862e9d9a7b1e80f837634e">1</sub> [IP t<sub id="subscript-603085a9f97955bcefca1eb47f9dfaba">1</sub> voi tulla valituksi ]]]]]]</p>
        <p id="paragraph-3d1fe3f048164907c517f5fc0ccbee3a">c. [CP Kenelle<sub id="subscript-c7aa2465d0c6435a917e522fe8ce36d2">2</sub> [FP t<sub id="subscript-e58f386109f7489e05b2faddfe6d184a">2</sub> [IP Liisa<sub id="subscript-f119bd1ccc2031f842b434b91f3b95e7">1</sub> vakuutti t<sub id="subscript-6e6af28ef9b3d4f3100af46fb05a48f5">2</sub> [CP että [FP hän<sub id="subscript-61b8d5554cb955a40e602537f7052bc1">2</sub> [IP t<sub id="subscript-9f2a61449321fd87f3ea8339ce544cfd">2</sub> voi tulla valituksi ]]]]]]</p>
        <p id="paragraph-1777dc2e7d46e2086017c0c328e97cb5">.</p>
        <p id="paragraph-a2d7b81d76b01d850c6de9f8905436cb">(27) a. henkilö joka tämän kirjan on kirjoittanut saapui jo.</p>
        <p id="paragraph-414ed7108dc06dd1cbf3e1a86589f7bd">a pessoa que este livro tem escrito já chegou</p>
        <p id="paragraph-984eb91ff5179fe9da23cc7ea4577d9c">‘A pessoa que, este livro, o escreveu, já chegou.’</p>
        <p id="paragraph-269d4fc2f22997d1fe22cafab14b6808">b. [ henkilö<sub id="subscript-22d2c7496810e03c418d01dbfb0afe83">2</sub> [CP jolle<sub id="subscript-2280e5c912ec1a5abf87574a1d692a3c">2</sub> [FP Liisa<sub id="subscript-ee837b2cf8be324c31f10cc587a8a8ec">1</sub> [IP t<sub id="subscript-094f37f3bf86120a51efabeb72dca50f">1</sub> vakuutti t<sub id="subscript-cdfd2c0ccf988a9e5e187541412cb851">2</sub> [CP että [FP hän, [IP t<sub id="subscript-b47879da4078ba8023b7a9b28cbab585">1</sub> voi tulla valituksi ]]]]]]</p>
        <p id="paragraph-bbca879afd0897a612402423445006de">c. [ henkilö<sub id="subscript-ee37a49ab269eec6696f24df871e2ed1">2<sub id="subscript-81d01469a717385e3754b9ab27450494"/></sub> [CP jolle<sub id="subscript-7c83fa1dd5d86293d6ba4fdedaafb24d">2</sub> [FP t<sub id="subscript-53458c0b00d8adf522db41d5eeadf44c">2</sub> [IP Liisa<sub id="subscript-6486739a82f0b367e413071369b6c3b8">1 </sub>vakuutti t<sub id="subscript-1a323ccb8c9680e352fae232a97dcf43">2</sub> [CP että [FP hän<sub id="subscript-de81b180e05a424dfbf6529930c0de27">2</sub> [IP t<sub id="subscript-7da244e37e3208261a655ae4c66f4c23">2</sub> voi tulla valituksi ]]]]]]</p>
        <p id="paragraph-dc4b38f009f347b70514b147536f94d1">.</p>
        <p id="paragraph-29bec24f6f6f538d1fdc6b4e841f2a79"> Em (26a), a palavra-qu <italic id="italic-0e604fc1e4f4e32354aa461a9df32765">kuka</italic> é movida por sobre o tópico <italic id="italic-d814b689bedb3c5fc821b8e2873410dd">tämän</italic><italic id="italic-487c32ae248a8384f50bd70e9e439efe"> kirjan</italic>. Em (27a), o núcleo da relativa (ou operador, dependendo da análise que se toma), é movido por sobre o tópico <italic id="italic-3d708aa201b0b80c4e6b5bb59ab414f6">tämän kirjan</italic>. Ambas as sentenças são gramaticais em finlandês. Isso faz com que as estruturas em (26b, c) e (27b, c) sejam ambas gramaticais. A clara preferência dos falantes finlandeses por interpretar o sujeito matriz como o antecedente do sujeito nulo encaixado é explicada pelo fato de que, apesar do movimento de qualquer constituinte para Spec FP ser permitido, há uma tendência em mover-se o DP mais próximo. Movimento de um objeto-qu ou relativo por sobre esse tópico não causa nenhum efeito de Minimalidade nessa língua, e portanto a derivação é permitida. Se, entretanto, um objeto for movido para a posição de tópico, a derivação procede como em PB e também é permitida. A diferença entre PB e finlandês é então explicada pela presença versus ausência de efeitos de Minimalidade nas duas línguas.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-04af1fad58bdb49f88e5346a85ea2cff">
        <title>4.3. Contra uma análise de movimento</title>
        <p id="paragraph-7adbfc111e7ff198b9fb87db8f8fbb18">Como pode ser comprovado pelos dados na seção 3, O sujeito nulo encaixado parece exibir muitas (ou mesmo todas) características de sujeitos ocupados por PRO controlado. Essas características de PRO foram um dos argumentos que levaram Homstein (1999) a propor uma análise de movimento para sujeitos controlados, ou seja, se PRO não existe e sujeitos controlados são na verdade um resíduo de movimento, todas as características como o requerimento de c-comando, localidade, proibição de antecedentes divididos, apenas interpretação fajuta em elipse de VP e apenas interpretação invariante com antecedentes só-NP são explicadas. Inspirada por essa análise, Rodrigues (2004) propôs uma análise de movimento para o sujeito nulo do PB e do finlandês. Deixando de lado detalhes técnicos, tais como o fato de que esse movimento parte de domínios marcados por caso (um problema óbvio para tal análise que a autora muito bravamente tenta ultrapassar), os dados apresentados aqui (e tambem em Modesto 2000a, b) claramente mostram que uma análise de movimento não se sustenta por razões empíricas.</p>
        <p id="paragraph-2d53ec92cecdfa126b45b9fc282dc762"> Primeiramente, não haveria meio de explicar a relação entre movimento e antecedência. Em outras palavras, seria muito difícil contornar o fato de que um sujeito nulo pode ser movido para a posição de objeto da sentença matriz apenas se o objeto é movido para uma posição mais alta num estágio posterior, mas não de outra maneira. Rodrigues tenta evitar o problema assumindo que o complemento sentencial de verbos como ‘convencer’ é na verdade um adjunto e que o movimento para fora do adjunto acontece de maneira lateral (“sideward”, como em Nunes 1995) e que isso impede que se mova para a posição de objeto. Entretanto, não há fortes argumentos para considerar o argumento sentencial daqueles verbos como adjuntos e portanto a análise não se mantém empiricamente. Quanto à possibilidade de mover o sujeito encaixado para a posição de objeto da matriz somente quando esse objeto é movido para outra posição, a autora tenta equacionar esse fato com lacunas parasitárias, mas essa relação ainda me parece bastante obscura e não responde à questão principal, que é por que existe tal relação entre antecedência e movimento.</p>
        <p id="paragraph-1ba7a6a5be44d20b7fa5172778b13d3e">Em segundo lugar, a postulação de que o argumento sentenciai desses verbos é um adjunto vai contra outro ripo de dado:</p>
        <p id="paragraph-a97e59368f8db6db3f71ac581aecdb4b">.</p>
        <p id="paragraph-e28411fa65b2a5823d1b3fc2c24dd2f6">(28) O João<sub id="subscript-ca1950780f17ed55702f96dbe66f328e">1</sub> convenceu a Maria<sub id="subscript-ce5f29568f9e2311b7571eb45cf21dc9">2</sub> a PRO<sub id="subscript-837e9ba62e6adf845cb190a282ea6002">*1</sub><sub id="subscript-6cc2771a65702511322643e23f6c4cad">/2</sub> sair.</p>
        <p id="paragraph-1cf59e4e208c53ccda0866ee77cbeeac">.</p>
        <p id="paragraph-825747ef5979d030b97b1ba7f088afd9">Se o complemento sentencial de verbos como ‘convencer’ são adjuntos e isso explica por que o sujeito nulo de sentenças finitas encaixadas sobre ‘convencer’ não podem ser movidos para a posição de objeto (por movimento lateral), e se sujeitos controlados são derivados por movimento, teríamos de dizer que complementos sentenciais infinitivos, diferentemente de complementos finitos, do verbo ‘convencer’ não são adjuntos, como pode ser comprovado pelo fato de que, quando ‘convencer’ toma um complemento infinitivo, apenas controle pelo objeto é atestado.</p>
        <p id="paragraph-48a4086be007618767d163821faddd1a">Além disso, quando o sujeito encaixado se move para a posição de objeto, ou seja, nos casos em que o constituinte objeto é movido ainda além, a análise de movimento teria de explicar como um mesmo sintagma é capaz de checar caso nominativo (na sentença de baixo) e caso acusativo (na sentença de cima) numa mesma derivação. Mesmo que consideremos que o traço de caso do sujeito encaixado é, de alguma forma, tornado ativo novamente quando ele se move para fora de sua fase, isso ainda não explica como um sintagma nominativo pode checar caso acusativo.</p>
        <p id="paragraph-573bdf7694d1b06fe71294ed4c13c820">A análise de movimento também tem pouco a dizer sobre os efeitos de intervenção causados por expressões referenciais. Em ambas as línguas (PB e finlandês), uma expressão referencial deslocada intervém entre o sujeito nulo encaixado e seu antecedente:</p>
        <p id="paragraph-54eff1e3b6ce0aa7955281b40497e1e9">(29) a. Oppilas<sub id="subscript-8b0155f3dd1654710f1982c1287866fe">1</sub> tietää ettei <italic id="italic-e1ce81069e86c8a4a5411568ce590750">e</italic><sub id="subscript-d0a6d0357a5d295e97ded9da65a63f84">1</sub> pysty ratkaisemaan tehtävää.</p>
        <p id="paragraph-f2d37444002b51ebd53586ce1362d36f">estudante sabe que-não pode resolver lição</p>
        <p id="paragraph-1ccf58485eaded5ffd11db3c54327f79">‘O aluno sabe que [ele] nao consegue resolver a lição.’</p>
        <p id="paragraph-de2ad537eb46da8232862f71b1f1960e">b. Oppila<sub id="subscript-1907d7b5ecebdd5cb25f164331942474">1</sub> tietää ettei tehtävää <italic id="italic-5a18aa5c121a610f15420d006fbf3559">e</italic><sub id="subscript-9d965bbcbcb5335e631071a572be09ee">*1</sub> pysty ratkaisemaan.</p>
        <p id="paragraph-8c314fbfca407053f6bb99c9c276a32f">estudante sabe que-não lição pode resolver</p>
        <p id="paragraph-b281598d26323ee88f3491ea6e795854">‘O aluno sabe que a lição não pode ser resolvida.’</p>
        <p id="paragraph-d255a56fd4f9a9051683d9c8c4ec9888">.</p>
        <p id="paragraph-4c16cdc5153b70f9af0b4bfb309ee90b">(30) a. O Feco<sub id="subscript-6b348105d25fb445043652d33bee8cf0">1</sub> me falou que <italic id="italic-dfd84dfc153b3ab78478a9b0f947a82c">e</italic><sub id="subscript-2f226a1a7941652e2f513fcb0afc2138">1</sub> vende cachorro quente na praia.</p>
        <p id="paragraph-513a822709b774896846848d8a1d2d12">b. O Feco<sub id="subscript-295a5790bbda68d3b0f8985aab47abca">1</sub> me falou que na praia <italic id="italic-e82ad57b2ef72f78bad9a74277a7d688">e</italic><sub id="subscript-41cd0a19849c25ff04357319043b4a9e">*1</sub> vende cachorro quente</p>
        <p id="paragraph-e9841ae2e6dc9b6ec52025bd6c456ee4">.</p>
        <p id="paragraph-858dac9db6b82e64fbc1384c99d7be7b">Expressões nâo-referenciais, por outro lado, não causam nenhuma intervenção:</p>
        <p id="paragraph-9d932d3378a69efc3b612029ed710bd3">.</p>
        <p id="paragraph-e76b8dea3d1b61c27514b07d04d5ed50">(31) O Feco<sub id="subscript-ae986af1e44dc07be491eb2abaad5754">1</sub> me falou que todo dia <italic id="italic-8c992eadaa5b2f7458b01e97513d744f">e</italic><sub id="subscript-bc4ccf6f12eea335255aec5bcd47fec9">1</sub> pega o metrô.</p>
        <p id="paragraph-bbade05936ad59d5bf145a9548112d74">.</p>
        <p id="paragraph-9bcc2adbea907f7da20da33a36630220">Considerando que referencialidade é um requisito de tópicos, a não intervenção em (31) é esperada na análise de apagamento de tópico, defendida aqui. Os fatos em (29b) e (30b) também se explicam naturalmente: deve-se esperar que, uma vez que há um tópico na oração encaixada, o sujeito matriz e o sujeito encaixado não podem formar uma cadeia de tópicos. É difícil de imaginar como uma análise de movimento explicaria o contraste entre (30b) e (31). </p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-c8e307165ac50af0e00e4b8a0b4e7f19">
      <title>5. Conclusões</title>
      <p id="paragraph-3fccc4188f03c4bb361e1637cde1332c">Os dados apresentados neste artigo mostraram que há inegavelmente uma relação entre movimento e a possibilidade de interpretar-se um constituinte como o antecedente do sujeito nulo em PB e finlandês. Também parece haver uma relação entre efeitos de Minimalidade e a escolha do possível antecedente. Ambas as relações são explicadas se o antecedente do sujeito nulo passar pela posição de tópico. Uma vez que PB apresenta efeitos de Minimalidade, um sujeito matriz não pode ser interpretado como tópico de uma sentença quando o objeto é movido por movimento-qu ou relativizado. Em finlandês, por outro lado, não havendo efeitos de Minimalidade, o sujeito é preferencialmente movido para a posição de tópico em todos os casos.</p>
      <p id="paragraph-8a48ccafe44d1fbefbfa2609e08bd987">Os dados mostram que, apesar de ter várias propriedades que poderiam ser interpretadas como sinalizando que o sujeito nulo é produto de movimento de um sintagma, sujeitos nulos não devem ser assim analisados. Esse fato também parece lançar dúvidas sobre a análise de controle como movimento: o fato de que essa análise explica a interpretação de sujeitos controlados não garante que ela está correta.</p>
    </sec>
  </body>
  <back>
    <fn-group>
      <fn id="footnote-9cb03f662995ea9b58035a0914a2542f">
        <p id="paragraph-95ec651b568aad2ed019d1c636873cd2">• Agradeço a Jim Huang, Audrey Li, Zoc Wu, Angela Barrens. Arja Hakkinen, Auli Hakulinen, I fdena Haltmri, Paivi Koskincn, Minna Niskancn, Hannu Reime, Anne Vainikka c Maria Vilkuna por seus julgamentos como falantes nativos c principal- mente a Andcrs Holmbcrg por toda ajuda enquanto cu escrevia este artigo. Obvia- mente, todos os erros aqui contidos são falhas minhas.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-e466351fe9e3df8ff59a730b1dfb777d">
        <label>1</label>
        <p id="paragraph-a168285477f4416f773338029d192463">1. Em finlandês coloquial, nào liá diferença morfológica entre o singular e o plural na 3a pessoa; em PB, não há diferença entre a 2a c 3a pessoas ranto no singular como no plural (uma vez que as formas “você” c “vocês” tomaram o lugar dos pronomes “tu” e "vós”).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-f11dd69d924cfc1f13cb304ae11e7e81">
        <label>2</label>
        <p id="paragraph-2f76821d76fcf4088d3d8348792a82f8">2 O hebraico comporta-se de maneira muito semelhante às línguas aqui discutidas, apresentando sujeitos nulos apenas cm orações encaixadas mas nào cm malthccs (com alguns tempos do verbo). Entretanto, dados do hebraico não serão discutidos aqui, uma vez que o hebraico nào parece usar o mesmo tipo de identificação baseada num mecanismo discursivo como as línguas citadas no texto. Nessa língua, sujeitos nulos apresentam características diferentes, o que indica que o hebraico deve usar um mecanismo distinto de identificação, provavelmente relacionado à natureza anafórica de AGR (como cm Borer 1989) ou a Controle (corno cm Landau 1999).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-88c358a67e422c7fbe5a66095589c9f5">
        <label>3</label>
        <p id="paragraph-27869959aa3f9221b7e20dd082a35581">3. Como notado por um parecetista da revista da ABRAUN, as sentenças (2c) c (2d) não são comumcntc usadas sem um contexto prévio. Isso não impede, entretanto, que se faça o exercício proposto por Huang: imaginar qual seria a inrcrpretaçâo dessas sentenças se alguém de repente entrasse num recinto c as pronunciasse.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-41ab1408940a792872345cc992b63650">
        <label>4</label>
        <p id="paragraph-729d7e221c6c96a97ebd570b475e2478">4. A sentença (9b) c de Vainikka c Lcvi (1999).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-996287ad5907ae433f1f6c8bd86c6124">
        <label>5</label>
        <p id="paragraph-46d4313230d0367302bf8994eff77da9">5. Os julgamentos de informantes chineses não foram consistentes quanto a elipse de VP e sentenças com antecedentes do tipo só-NP. Apesar dos informantes perceberem apenas a leitura fã jura cm (ia) abaixo, (ib) foi julgado como sendo ambígua Eu não posso oferecer qualquer explicação para esse fato por enquanto.</p>
        <p id="paragraph-f5fdc676600354da92f3e2aac0e4cab7">(i) a. Zhangsan shuo c mei shijian, Lisi ye zheyang shuo.</p>
        <p id="paragraph-11a1f563aabe66d41a5d130d0e536eee">Zhangsan dk não-tem tempo I Jsi tambem assim dk 'Zhangsan disse que [ele] nào ánha tempo, o Lisi também disse.’ b. Zhangsan shuo e yiding yingde xuanju, Lisi ye shi.</p>
        <p id="paragraph-6a255c9b542825ef2979898b51ebecf3">Zhangsan diz definirivamenre ganha eleição Lisi também é ‘Zhangsan disse que [de] ganhada a eleição, Lisi também disse.’</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-dc41ea132d0cc71b2f1839cf82ef7f1e">
        <label>6</label>
        <p id="paragraph-9408992ab5ca15b4642ec50b8dd6895c">6 Os exemplos (10b), (1 lb), (12b) e (13b) aparecem em Rodrigues 2004.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-54f6db5d5ff3482259259550eb89c782">
        <label>7</label>
        <p id="paragraph-11d2a2e6f35640223c51ca693039bab0">7. Alem dos verbos ‘avisar* e ‘convencer’, usados como exemplo, o verbo ‘informar* rambém pode ser considerado como tendo o mesmo compor tainenta O fato de que há uma relação entre movimento sintárico c a possibilidade de ser o antecedente do sujeito nulo em PB já havia sido notado cm Modesto (2000a, b). Rodrigues (2004) tenta atribuir os fatos em (15) à idéia de que o argumento sentenciai desses verbos é na verdade um adjunto c não um complemento, o que, obviamente, necessitaria de fortes argumentos para ser comprovado. Veja a seção 5.3 abaixo para discussão.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-086e1927a5d5a80d4ddcecc63ec8c95a">
        <label>8</label>
        <p id="paragraph-9cb61c1d6a520eb26898edc6a062c0a9">8 Os julgamentos das sentenças envolvendo relativas apresentados aqui são ligeiramente diferentes daqueles apresentados em Modesto (200()b), onde se falava que o sujeito da matriz tambem poderia ser um antecedente para o sujeito nulo encaixada Após alguma investigação, viu-se que apenas o argumento rclativkado é um possível antecedente.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-89b553c66dda76677c2e0fda227c9614">
        <label>9</label>
        <p id="paragraph-6b8b0bcacb233e28a862a6747ac5dee2"> 9 O finlandês, tmdo uma ordem de palavras bem livre, tem tnais de uma construção em que o objeto é deslocado para uma posição à esquerda (cf. I lolmbcrg 1988, Halmari 1996). Eu ainda não fui capaz de distinguir qual dessas construções seria paralela â topicalizaçào no inglês ou português e qual mais se assemelha à focalizaçào ou ainda aquelas que envolvem a idéia tie contraste. Alguns dos meus informantes afirmam que, para obter uma leitura de topicalizaçào neutra, seria preciso usar algo do tipo “talando de...”, o que significaria que o finlandês tem apenas tópicos gerados já na posição deslocada. Para evitar ruídos desnecessários aos dados apresentados, usarei apenas movimento-qu c rdarivização nos exemplos em finlandês do texto. </p>
      </fn>
    </fn-group>
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