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          <subject content-type="Tipo de contribuio">Ensaio teórico</subject>
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        <article-title>Objectos nulos e CLLD:</article-title>
        <subtitle>uma teoria unificada</subtitle>
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            <given-names>Eduardo P</given-names>
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        <institution content-type="orgname">Universidade da Califórnia</institution>
        <city>Santa Bárbara</city>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="22/05/2017" />
      <volume>3</volume>
      <issue>1/2</issue>
      <issue-title>Objectos nulos e CLLD: uma teoria unificada</issue-title>
      <fpage>41</fpage>
      <lpage>73</lpage>
      <page-range>41-73</page-range>
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        <date date-type="accepted" iso-8601-date="15/06/2005" />
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">A hipótese apresentada em Raposo (1986) de que o objecto nulo do portguês europeu seria um vestígio-variável deixado pelo movimento de um operador nulo foi posta em causa para o portguês brasileiro por vários linguistas, incluindo Galves (1989 a,b, 1998), Farrel (1990), Kato (1991), os quais defendem que nesta variante o objecto nulo é pronominal. Neste trabalho, revisito a minha análise de 1986 e proponho que ela é compatível com esta proposta que assumimos que o "operador nulo" movido é na realidade um complemento de um determinante nulo, e tem de ser movido por não ser devidamente licenciado no contexto deste determinante. Em contrapartida, na construção "CLLD", o pro é loclmente licenciado pelo determinante definido o e não necessita ser movido.</p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <p id="paragraph-4970247b4eab2d9c71d74b3cba327a60">The hypothesis presented in Raposo (1986) that the null object of European Portuguese is a variable-trace left by movement of a null operator was questioned for Brazilian Portuguese by several linguists (including Galves 1989a,b, 1998, Farrell 1990 and Kato 1991), who suggest instead that in this variant the null object is a pronominal. In this work, I revisit my 1986 analysis, and I show that it is compatible with this proposal if we assume hat the moved “null operator” is in fact a pro introduced by a null determiner. Since a null determiner is not an appropriate licenser, this pro has to be moved. In CLLD, I suggest that at have a similar structure, but there pro is introduced by a definite determiner, which is an adequate licenser, and thus pro does not need to move.</p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">objecto nulo</kwd>
        <kwd content-type="">tópico</kwd>
        <kwd content-type="">determinante nulo</kwd>
        <kwd content-type="">movimento A-barra</kwd>
        <kwd content-type="">(categoria funcional) F</kwd>
      </kwd-group>
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    <sec id="heading-946e238a424b229262b4a488f81d06fe">
      <title>Artigo</title>
      <p id="_paragraph-2">A possibilidade de <underline id="underline-848bc3a16cd1f1b1dacb477abd916d5e">objectos nulos semanticamente definidos</underline> é uma das características mais marcantes que diferenciam o português, tanto na sua vertente europeia, como na sua vertente brasileira, das outras línguas românicas. Assim, por exemplo, o português parece ser a única língua românica que permite a construção que Inês Duarte (1987)<xref id="xref-7d753ba07a4df9c7f4df8560cf63daa0" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-e035f0868089c48de5b6c11307232eee">[1]</xref> chamou de “Topicalização”, ilustrada em (1):</p>
      <p id="paragraph-549b02b772beb0f2f8bdbbb5e10c2ba1">_</p>
      <p id="paragraph-2703a40539ca3766c1fc951ede809aec">(1) esse livro, eu só encontrei_____ na FNAC (Topicalização)</p>
      <p id="paragraph-6936d785959fdf489982de7574c1f117">_</p>
      <p id="paragraph-5bd01bbfeeb61f4db750d8204939caae">Para exprimir uma asserção equivalente a (1) tanto pragmática como discursivamente, o francês, o castelhano ou o italiano têm de preencher a posição da lacuna por um <underline id="underline-f78b60bddfae4938131fb74555d91110">pronome resuntivo</underline> definido, o qual retoma o tópico. Este pronome, por ser um clítico, aparece em superfície numa posição especial à esquerda do verbo, como sabemos. Neste artigo, vou escolher o castelhano como língua românica representativa das que não aceitam objectos nulos definidos. Assim, o equivalente estrito de (1) é impossível era castelhano, como se mostra em (2a); o pronome resuntivo e necessário, como em (2b):</p>
      <p id="paragraph-f2c6dfadfcca2aa4a995bcb6dd05d400">_</p>
      <p id="paragraph-ae1c37af94c76969855d103f296f6923">(2) a. *ese libro, sólo encontré_______ en la FNAC</p>
      <p id="paragraph-2">b. ese libro, sólo <underline id="underline-454b770f9df1c1e24451090548890a54">lo</underline> encontré en la FNAC</p>
      <p id="paragraph-2ae0fc9edc00802ee4083685f4d3c3da">_</p>
      <p id="paragraph-ef291f32d45d72cb6bdd15446c184f98">À construção ilustrada em (2b), Cinque (1990)<xref id="xref-cd926c349e18913d5510fe60a34eb875" ref-type="bibr" rid="book-ref-9413b202e384b737ee043dd20cf27cb6">[2]</xref> chamou de <underline id="underline-12e288bd437f20a79c19f1a999d94c1e">Clitic Left-Dislocation</underline> (<underline id="underline-6db82af88f6c0d80b011eb227b1f9a2e">CLLD</underline>) designação que passo a utilizar também. Sabemos que o português europeu, e um certo registo formal (sobretudo escrito) do português brasileiro (doravante PE e PB respectivamente) admitem igualmente CLLD, a par de Topicalização, como se mostra em (3):</p>
      <p id="paragraph-d2b3905a3cb4b5d5f0dc8fb08df0908b">_</p>
      <p id="paragraph-2f027658b779121ebc202a29a7898437">(3) esse livro, eu só <underline id="underline-b37cb64806e9ee7b403cd70966f4c0fc">o</underline> encontrei na FNAC (CLLD)</p>
      <p id="paragraph-4cd73247df21f053ad57bbd9845795ed">_</p>
      <p id="paragraph-e1ad9c3f66c1db14f9d7536df76fed5a">Do mesmo modo, o português é a única língua românica que admite orações em que pura e simplesmente não existe expressão fonológica para o objecto directo semanticamente definido, nem mesmo através de um tópico estrutural, e em que este é identificado através de uma entidade saliente do contexto extra-linguístico, a que podemos chamar de “tópico pragmático”. Assim, por exemplo, se estivermos falando sobre um determinado livro e sobre as nossas tentativas de encontrar em qualquer livraria, podemos perfeitamente dizer (4a) em português, em vez de (1) - a par de (4b), em PE e em PB formal.</p>
      <p id="paragraph-49a9646e5da0d16c245ff90dcec9f72f">_</p>
      <p id="paragraph-c31406d40619c946a9bf5f2f7fd8a6ff">(4) a. eu só encontrei______ na FNAC</p>
      <p id="paragraph-1dd390d5fadcd9fa0ba75f601df7a50c">b. eu só <underline id="underline-1">o</underline> encontrei na FNAC</p>
      <p id="paragraph-f2f4f9d0fa0d2b12a7c4aa8a277b3ef1">_</p>
      <p id="paragraph-6b15d7ae63bab1efd3ea7c92f92c5463">Em castelhano só a versão correspondente a (4b) é possível, como se ilustra em (5):</p>
      <p id="paragraph-7be0d7639a44538c0e9c6352d6cf4650">_</p>
      <p id="paragraph-b9fbcaa048e10f8788cf65091603d295">(5) a. *sólo encontre ______ en la FNAC</p>
      <p id="paragraph-cca2863f7427f19b0eadd3137248b260">b. sólo lo encontré en la FNAC</p>
      <p id="paragraph-3121b0a9ac266787bf8f23a4545d3241">_</p>
      <p id="paragraph-b2bf3cfeaf2ef27f289a4ba005f5b715">O elemento que identifica o objecto nulo não tem necessariamente de ser um «tópico» estrutural; pode também, em certas circunstâncias, ser um DP. situado numa posição argumental, quer na mesma frase que contém o objecto nulo, quer numa frase diferente desta, mas pertencente ao mesmo discurso. Esses casos ilustram-se respectivamente em (6a-b):</p>
      <p id="paragraph-a698849442859f05cfed4c79070ee6c0">(6  ) a. falámos sobre o livro e as nossas tentativas de comprar____na FNAC</p>
      <p id="paragraph-fe69e5f7f695984b7ffd87db96f779d8">b. alguém me falou sobre esse livro. Acho que vou comprar____ na FNAC</p>
      <p id="paragraph-24f5de2bd5aae2263356dd102a9c1c2b">_</p>
      <p id="paragraph-17dacd5b4bd833dc6bc859148185b408">De novo, qualquer destas expressões e impossível em castelhano:</p>
      <p id="paragraph-78bc0dffee7330aed9443235d70d2c00">_</p>
      <p id="paragraph-aad42714129427c4c7b9d1a55573c7c0">(7) a. *hablamos sobre el libro y nuestras tentativas de comprar____ en la FNAC</p>
      <p id="paragraph-184a97c94a328c3f96e3f5c9e55b3b4a">b. *alguien me habló sobre ese libro. Creo que voy a comprar ____ en la FNAC </p>
      <p id="paragraph-3ceb8f48b4a42c8193ed2f40a793b328">_</p>
      <p id="paragraph-8ef3c83821b3ab26a47430999ef969e7">Apenas as versões com CLLD são possíveis, as quais também são aceitáveis nos dialectos relevantes do português, o que se mostra em (8) e (9), respectivamente:</p>
      <p id="paragraph-087eaadf9589b1a6893550a4fb55e4c6">_</p>
      <p id="paragraph-d7fe58d0fbafbcb328bdc5042c23aae2">(8) a. hablamos sobre el libro y nuestras tentativas de comprarlo en la FNAC</p>
      <p id="paragraph-35176c61bc9bf0b300f93ce88b689059">b. alguien me habló sobre ese libro. Creo que voy a comprarlo en la FNAC</p>
      <p id="paragraph-7b081157f1eaedecc32e10365ad76389">(9) a. falámos sobre o livro e as nossas tentativas de <underline id="underline-c4b62385ab7085d7058343c37043c050">o</underline> comprar na FNAC</p>
      <p id="paragraph-3">b. alguém me falou sobre esse livro. Acho que <underline id="underline-2">o</underline> vou comprar na FNAC</p>
      <p id="paragraph-822526475c688e5c18cc472e356b4e14">.</p>
      <p id="paragraph-67196ef0850cae173132e12f46479232">Vários linguistas se têm referido às frases de (4a) e de (6) como <underline id="underline-b70ccdc532ee9ba00f0f9aa9f003894d">frases de objecto nulo</underline>, num sentido estrito, que por vezes, pelo menos implicitamente, exclui a topicalização. Inês Duarte (1987)<xref id="xref-2bea9172f3a83515c3aec786b850320f" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-e035f0868089c48de5b6c11307232eee">[1]</xref> argumenta mesmo explicitamente que o fenômeno da topicalização é distinto do fenômeno do objecto nulo ilustrado em (4a). Creio no entanto que seguir nessa direcção é um erro. Em Raposo (1996)<xref id="xref-160f8892b10f98f1addc5115fd3a4d29" ref-type="bibr" rid="book-ref-0d81507fce346743931a88bcf7455d6a">[3]</xref>, um trabalho meu não publicado, mostro que as propriedades sintácticas e semânticas dessas frases são as mesmas, modulo a presença visível do tópico em (1). As frases chamadas “estritamente” de objecto nulo, como (4a), podem então ser reduzidas à topicalização ilustrada em (1) se supusermos que tanto um tópico visível quanto um tópico pragmático têm a capacidade de identificar a categoria vazia na posição de objecto directo, qualquer que esta seja. Podemos assim manter a identidade estrutural de (4a) com a parte direita de (1). De acordo com Farrell (1990)<xref id="xref-64a34797445373c8f3a57a02dc8fbd34" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-8a1c488ef5a7dbe434fb73bf016051c6">[4]</xref> e outros, vou também assumir que o objecto nulo de (6) se reduz ao objecto nulo de (4a) - logo, segundo a minha hipótese, ao objecto nulo de (1). Vou portanto passar a usar a designação “construções de objecto nulo” num sentido amplo, que inclui (1), (4a) e (6); e vou pressupor sem mais comentários que todas essas frases ilustram o mesmo fenômeno sintáctico. A “selectividade” das outras línguas românicas relativamente aos objectos nulos aponta também nesse sentido, já que os equivalentes de (1), (4a) e (6) são todos eles impossíveis nessas línguas, o que sugere muito fortemente que estamos face à mesma propriedade lingüística.</p>
      <p id="paragraph-77a7a89cc6acdacb48b7087727190854">Dado este pano de fundo tão propício a uma defesa no plano teórico de uma certa unidade da língua portuguesa, a que resultados chegaram os linguistas sobre este assunto? Basicamente, que a semelhança superficial entre o PE e o PB e enganadora, e que os princípios subjacentes ao fenômeno nas duas variantes são radicalmente diferentes. Afinal, aquilo que a gente fala são mesmo duas línguas diferentes, e nem quando parece a mesma há salvação possível... Como eu me sinto pessoalmente um dos principais responsáveis por esta situação, acho que é altura de clarificar certas questões, começando com uma auto-crítica. Seguidamente, tentarei defender a ideia de que, afinal de contas, talvez seja possível uma caracterização comum do fenômeno do objecto nulo em PE e cm PB, como algo que distingue o português “tout court” das outras línguas românicas.</p>
      <p id="paragraph-060fd03631548e199a613cdae5f3a15d">A auto-crítica é evidentemente ao meu artigo de 1986, escrito em 1984 como uma tentativa talvez demasiado entusiástica de aplicar ao PE as descobertas de Jim Huang (1984)<xref id="xref-35a7982ec4b32838653983297062c620" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-a879ba65a0a00533d96957984fff6625">[5]</xref> sobre o chinês. Aí, propus uma estrutura como (10) para (4a), em que o objecto nulo do PE é uma variável sintáctica, criada a partir do movimento para Comp de um operador vazio, e identificada por um tópico nulo, que coloco na posição A-barra ocupada por hipótese por um tópico foneticamenre realizado:</p>
      <p id="paragraph-2022ea2f22da5930bd628bb2832ef432">_</p>
      <p id="paragraph-ceb58b4076439abf505b8d9a046aa9a0">(10) [<sub id="subscript-1">Top</sub> <underline id="underline-f50372fc4bc25b726381f58ab49f25bd">ec</underline><sub id="subscript-4e00740c733380aeac37d8e06bef0440">i</sub> ] [<sub id="subscript-2">CP</sub> Op<sub id="subscript-013b764d4c920c2be769ba8126d10844">i</sub> [<sub id="subscript-b0355adf74df000a457a1f5f853898d9">IP </sub>eu só encontrei <underline id="underline-f2e9530442fd7d24e76ec2f922369c02">t</underline><sub id="subscript-91f9a93a5dfb356b63b59743f29b5c58">i</sub> na FNAC]]</p>
      <p id="paragraph-e4ad238f23f8139c84153ab8e342209f">_</p>
      <p id="paragraph-b71d4078ba33012cdee97c7ebadcd77e"> Em (10) aplicar-se-ia a regra de predicação proposta cm Chomsky (1977)<xref id="xref-4d9d94b1ccd5297836d527016222065e" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-cde46c89e3469148d2eb1f772a8d4e7d">[6]</xref>, co-indexando o tópico nulo com a cadeia (Op, <underline id="underline-fa773735683b272908587f276a0fe526">t</underline>), ou seja, tornando o índice <underline id="underline-8c777755f1129173cabd531134b62866">j</underline> = <underline id="underline-3">i</underline>. O constituinte nulo "Top", por sua vez, seria pragmaticamente identificado por um objecto saliente extra-linguístico. A representação sintáctica do constituinte “Top” e aliás dispensável no quadro dessa análise, e até ligeiramente incompatível com a ideia também aí adiantada de que aquilo que o PE tem de particular relativamente às outras línguas românicas seria a “abertura” da regra de predicação a um tópico puramente pragmático. O essencial da minha análise, e aquilo que marcou a ‘‘história” futura da abordagem deste fenômeno em português, estava naquilo que eu propunha passar-se dentro de CP: ou seja, movimento A-barra de um operador para uma posição Comp, deixando uma variável.</p>
      <p id="paragraph-f0cbc8770b60ed3a85b92cb82c91bb2b">A motivação principal para essa análise residia na suposta sensibilidade do objecto nulo a efeitos de ilhas, no sentido de Ross (1967)<xref id="xref-2635d4ed9468993d896849d4cb29ee41" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-3484d5cb1356d02d20f9e11cf7c333de">[7]</xref>, e ao filtro do Comp duplamente preenchido. Como se sabe, estas sensibilidades são tomadas como sintomas da aplicação de movimento-wh, ou, mais geralmente, de movimento A-barra para uma posição Comp. Apresento a seguir os exemplos cruciais, retirados da obra citada à excepção de (11b), que é diferente do exemplo correspondente no artigo, e que altero aqui para evitar uma possível redundância com (11c). Em (11a), o tópico discursivo são documentos importantes, em (11b) um bolo delicioso, em (11c) um novo computador pessoal, em (11d) um tesouro e em (11e) uma prenda.</p>
      <p id="paragraph-2c4817ed54a4ec9157dcb4ebd0243f35">_</p>
      <p id="paragraph-1ff832b00dd070189a87779fff8cec94">(11) a. ?eu informei a polícia da possibilidade de o Manel ter guardado <underline id="underline-cd7ed4090fe8e0a3b01a55f21e8e0cb6">ec</underline> no cofre da sala de jantar (tópico: documentos importantes)</p>
      <p id="paragraph-23d59217a64dcc66cd4541b90ccc8eaf">b. ?conheço o rapaz que trouxe <underline id="underline-d7ff9fc1024b5dea7e049207fb48e6ae">ec</underline> agora mesmo da pastelaria (tópico: um bolo...)</p>
      <p id="paragraph-3989509e145e84a418d6e82c45e479e3">c. ?que a IBM venda <underline id="underline-ffdb60e6c197ba269b6be546475ff2cb">ec</underline> a particulares surpreende-me (tópico: ....computador...)</p>
      <p id="paragraph-4">d. ?o pirata partiu para as Caraíbas depois de ter guardado <underline id="underline-4">ec</underline> cuidadosamente no cofre (tópico: o tesouro)</p>
      <p id="paragraph-5">e. ?quando é que o Manuel vai oferecer <underline id="underline-5">ec</underline> ao Antônio <underline id="underline-6">ec<sub id="subscript-5574a713b43e4e65b3ac3db28266284e">j</sub></underline> ? (tópico: a prenda)</p>
      <p id="paragraph-c484891f84f47285b47c19c367c9edb1">_</p>
      <p id="paragraph-86994415951b1203840e9c42346d5d2c">Assumindo que o alvo do movimento do operador vazio é o Comp da oração raiz, em (11a-b) temos extracção para fora de um NP complexo (de um complexo N-complemento em (11a) e de uma oração relativa em (11b)); em (11c) para fora de um sujeito frásico; em (11d) para fora de um adjunto; e em (11 e) o alvo da extracção está preenchido por <italic id="italic-88e4e1f1d2f39ba404d29c8b840b5bc8">quando</italic>. Assumindo a análise em (10), a previsão é de que todas estas expressões não são gramaticais (em (11e) por provocar um efeito do Comp duplamente preenchido) e foram esses os juízos apresentados, de acordo com a análise.</p>
      <p id="paragraph-69cadaf38fbceaaaf33e8ded10c07705">É legítimo perguntar se os desvios destas frases são tão drásticos para merecer o asterisco que lhes atribuí em 1986. Reconheço hoje que esses juízos de aceitabilidade foram demasiado radicais. No Brasil, esses juízos foram postos em causa por quase todos os linguistas que escreveram sobre o objecto nulo em PB. Alguns linguistas portugueses também consideraram os juízos exagerados, como por exemplo Ana Maria Martins, citada em Cyrino 1997<xref id="xref-4077a9415122dc8691f875f715f4a01d" ref-type="bibr" rid="book-ref-dd878466376c386611d4d221fa7f3ab2">[8]</xref> como aceitando construções semelhantes a (11c). Pessoalmente, estou de acordo, embora continue a pensar que os exemplos são ligeiramente degradados, se os compararmos com (1), (4a) ou (6). Como não sou falante nativo do PB, não posso fazer comparações legítimas com o PE. Mas o artigo, para além disto, teve outras falhas. Uma delas consistiu em ignorar totalmente expressões como as de (6), que são mais difíceis de reconduzir a uma análise como (10). Essa falha foi tão grave que levou mesmo alguns linguistas brasileiros a assumirem que essas frases não seriam possíveis em PE (ver por exemplo Kato 1991<xref id="xref-98d143691b64bc4c26ceabf0a5d4de8a" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-29561dd4ee76d8a1f45aed74ab60fd0c">[9]</xref> e Cyrino 1997)<xref id="xref-dc3158f9e5db6209c10d29160293625a" ref-type="bibr" rid="book-ref-dd878466376c386611d4d221fa7f3ab2">[8]</xref>.</p>
      <p id="paragraph-83e632b26f787fa9b00337e852db8bbd">Teoricamente, a reacção dos gerativistas brasileiros também não se fez esperar. Mas antes de me referir a ela, quero mencionar aqui que durante os anos 70 e 80 existiu no Brasil uma forte tradição de magníficos estudos sobre o objecto nulo e os seus condicionamentos sintácticos, semânticos, pragmáticos e socio-linguísticos. Citarei aqui, entre outros, os trabalhos de Omena (1978)<xref id="xref-c6378e859f34ed4f13fa626396738e57" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-3010ff5145a09828f7a6df5085e4fd44">[10]</xref>, Pereira (1981)<xref id="xref-00d91c2b850d03d6eb079e041bc1fcbd" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-c012a22697d88384ed9de21a8ff58988">[11]</xref>, Kato e Tarallo (1987)<xref id="xref-41be603912c50da1d6542cc0e771611b" ref-type="bibr" rid="book-ref-8418ae102b39295226be14aa4744bfa5">[12]</xref> e Maria Eugênia Duarte (1986)<xref id="xref-9077d3763128e4689191f6d9200ef459" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-8db9a6af9ab8fd9667cb49383fed31e3">[13]</xref>, que praticamente desenharam o mapa do uso do objecto nulo no PB. Havia assim uma ampla base empírica neste país para o aparecimento de estudos na linha da gramática gerativa, entre os quais destaco os trabalhos de Galves (1989a,b; 1998)<xref id="xref-6fa92440b17bb76579a1abc4c4f6403a" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-cd1da79518272ceef86ec71c077a0dcb chapter-ref-511baacbcb75656c1796bd437636f05b">[14,15]</xref>, Farrell (1990)<xref id="xref-03954b4acb6cf6cb955ccd4fdc3047c5" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-8a1c488ef5a7dbe434fb73bf016051c6">[4]</xref>, Kato (1991)<xref id="xref-516b03c1b311afccc883c2827ab71a9e" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-29561dd4ee76d8a1f45aed74ab60fd0c">[9]</xref> e Cyrino (1997)<xref id="xref-89b22ec9fb9e4f9eeb0e9a03d75b1adb" ref-type="bibr" rid="book-ref-dd878466376c386611d4d221fa7f3ab2">[8]</xref>. O primeiro trabalho gerativista sobre o objecto nulo em português foi o de Wheeler (1981)<xref id="xref-f413c20cb553b0226af74bb52f8faf17" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-61408688107b391391283e67b3f2a9d5">[16]</xref>, que apontou a identidade distribucional entre o objecto nulo e pronomes lexicais. No Brasil, os primeiros trabalhos teóricos sobre este assunto foram os de Charlotte Galves; estes trabalhos foram os primeiros a propor explicitamente que o objecto nulo deveria ser identificado com a categoria vazia pro introduzida na teoria lingüística por Chomsky (1982). Por outro lado, a observação de que os juízos de gramaticalidade apresentados no meu trabalho de 86 para o PE não se adequavam ao PB levou facilmente à conclusão de que o objecto nulo do PB não podia ser uma variável. Afastada teoricamente a hipótese de ser um ‘vestígio de NP’ ou um ‘PRO’, o objecto nulo só poderia ser um <underline id="underline-817678b3b764ec81d56ed98fadc87236">pro</underline> (para uma visão diferente, mas não incompatível, ver Cyrino 1997)<xref id="xref-f1d008bd77a97e225139e59c024e810c" ref-type="bibr" rid="book-ref-dd878466376c386611d4d221fa7f3ab2">[8]</xref>. O trabalho de Cole (1987)<xref id="xref-8ab2e5e0b2435c8e13e3e7f19f5b4705" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-91d6b945fa6b1db9108bfd8bd35562da">[17]</xref>, por sua vez, trouxe para o debate a ideia de que as línguas de objecto nulo definido se repartem tipologicamente em dois grupos, a saber aquelas em que o objecto nulo é uma variável c aquelas em que o objecto nulo é <underline id="underline-9f0051d9afbf5585f8a94abbd83640b5">pro</underline>. Os meus resultados e os dos linguistas brasileiros encaixavam-se bem dentro desta tipologia. Estava assim tudo montado para o fosso entre o PE e o PB que os caprichos da teoria vieram cavar a partir do final dos anos 80 neste domínio: ou seja, mau grado o impressionante facto de serem as duas únicas variantes românicas a permitirem o objecto nulo, praticamente nos mesmos contextos, isto dever-se-ia a factores gramaticais totalmente diferentes: no PE o objecto nulo seria uma variável, no PB um pronome.</p>
      <p id="paragraph-eb70cf0d2a3b97f8ad98cdda342b3196">E se afinal de contas o fenômeno fosse o mesmo? Acredito que sim, e gostaria de propor aqui uma análise alternativa para o objecto nulo definido, integrando o PE e o PB. Essa análise é “contemporizadora”, visto que vou procurar defender que a categoria vazia das frases com objecto nulo em português <underline id="underline-c008829fdc2c00e4bac87b4de5ea38e4">é ao mesmo tempo pro e uma variável</underline>, embora em níveis derivacionais distintos.</p>
      <p id="paragraph-bef0e91f49c611fd046728ebe0ae6a4d"> Um aspecto crucial desta análise é a teoria sobre os pronomes desenvolvida por Postal (1966)<xref id="xref-bd9794d5516c8b6d041811aa4963250a" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-b7de1a5c302f1e5b0415c57a1978ca5f">[18]</xref> e retomada em Raposo (1973;1999)<xref id="xref-3b43031414dd906ab0a9fc41bd3ed6ec" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-9808e20ac59f95c44dd669974d37dc67 chapter-ref-d1ff7c1640d53b65f47e19a8b86f7bbb">[19,20]</xref> para as formas do artigo definido e pronome acusativo <italic id="italic-cd07beaf84739a0be93fe52d953d1a91">o</italic> / <italic id="italic-fe30aca83d01924757685ca12b51675f">a</italic> / <italic id="italic-656852419757f374eb7bb77300f47a43">os</italic> / <italic id="italic-64c4c8598b56d2e5d0cf5687e43a4ad3">as</italic>. A ideia essencial é apresentada em (12): </p>
      <p id="paragraph-f371f1fa4c14c1e9e79424df077f1ecb">_</p>
      <p id="paragraph-30c09f8b6b6f90d70a2209eea0ce10cc">(12) Todo o pronome é um determinante subjacente.</p>
      <p id="paragraph-3c1eb4c371251eb07c31a1024a4905c2">_</p>
      <p id="paragraph-a8edb555aa68e9275893d5c5e590b346">Em particular, a estrutura subjacente a (4b), aqui repetido em (13a), com um objecto directo pronominal (um clítico acusativo) é aquela apresentada em (13b), omitindo aspectos irrelevantes:</p>
      <p id="paragraph-c4060a7280ca1f5f7c857cc26dbc2552">_</p>
      <p id="paragraph-1799c5744586788e142cfab322c4e202">(12) a. eu só o encontrei na FNAC</p>
      <p id="paragraph-05b83c4e34bb1ed4f0ecd2afa7fc7ec3">b. eu só encontrei [<sub id="subscript-0c69271e2c5fff0bb6cdc86dfe26433d">DP</sub> o <underline id="underline-86fce73f9a7e1593de5b965148298a04">pro</underline>] na FNAC</p>
      <p id="paragraph-f5392cbd996bb9a0ac04cb71243e95ab">_</p>
      <p id="paragraph-052048807968a989b85efbb435b3d602">Ou seja, o pronome o não é mais do que um determinante definido cujo complemento nominal é um pro. Em Raposo (1999)<xref id="xref-f947a8ab43f52f95e3894e41093201d9" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-d1ff7c1640d53b65f47e19a8b86f7bbb">[20]</xref>, proponho que o é um <underline id="underline-fc1e43c4aacc89e32c347e80edc1d7f2">proclítico</underline>. ou seja, uma forma sem autonomia acentuai que tem de ligar-se a um hospedeiro fonologicamente realizado à sua direita. Isso acontece em DPs como os de (14), em que a ligação da forma q ao seu hospedeiro está representada pelo sinal ‘+':</p>
      <p id="paragraph-0f973800a41fd653e864dbac7f876087">_</p>
      <p id="paragraph-bd763c02c43460dc92b8a1a018259a67">(14) a. só encontrei [<sub id="subscript-180d46f21a3f963d60192c5162fea1ca">DP</sub> o+livro] na FNAC</p>
      <p id="paragraph-12bf6765bc7a2e17df7a0d46fd1a28fa">b. comi [<sub id="subscript-f1f8a788b0a4565bcb03eada35d98532">DP</sub> o+doce verde] e [<sub id="subscript-3">DP</sub> o (<underline id="underline-5d1f0b1d259d170dd104411409c22e95">pro</underline>) +azul]</p>
      <p id="paragraph-57622feff2895dc601d04ccd60be4f25">c. li [<sub id="subscript-4">DP</sub> o+livro de química] e o [<sub id="subscript-5">DP</sub> o (<underline id="underline-d3da94e1ab8f2074b703aa88726044a3">pro</underline>) +de matemática]</p>
      <p id="paragraph-1c06f07dfa5522ca8ced93479af58d96">_</p>
      <p id="paragraph-6c504b09513ccc44aeb19fe443e66481">No segundo grupo coordenado de (14b-c), o liga-se ao adjectivo <italic id="italic-b2a0949a4d74678f4d01e8c547c370eb">azul </italic>e à preposição <italic id="italic-6ca9b486da6215d53c1446c8b725e161">de</italic>, respectivamente, visto que se trata de uma regra da componente fonológica, a qual ignora categorias vazias como <underline id="underline-442876d9791d9fdbac14092f54c73441">pro</underline>. Em (13b), no entanto, o não tem material fonológico em que se apoiar dentro do seu DP. Isso motiva a sua saída do DP e o seu movimento para uma posição onde esse apoio fonológico exista. Ou seja, o que eu proponho nesse estudo e que a regra de <underline id="underline-833e4b9203bfef9d2015c0406f5cb411">movimento dos clíticos</underline> no português e nas línguas românicas em geral e motivada por uma propriedade da interface PF — em particular a falta de acento autônomo nos determinantes clíticos em combinação com a falta de apoio fonético dentro do seu DP Sem nos preocuparmos aqui com os detalhes do alvo do movimento, podemos então representar a derivação de (13a) em (15), onde (15a) repete (13b), e onde se omitem detalhes irrelevantes. Do mesmo modo, a derivação de (3), um caso de CLLD, é dada em (16):</p>
      <p id="paragraph-749df547840b8734c3ddbf5dd1dc5e55">_</p>
      <p id="paragraph-0d53560f02007a94e8e8a8b602216d92">(15) a. eu só encontrei [<sub id="subscript-bd07ad673d10b2f6623ed1a562bdb955">DP</sub> o <underline id="underline-c3fc0f55f863b0ba63c7b4ad9a8704f6">pro</underline>] na FNAC</p>
      <p id="paragraph-7e1fe999c6c79fd93365287c93148b28">b. eu só o+encontrei [<sub id="subscript-4dbd35afbf375c979ddfb01ecbf4cace">DP</sub> <underline id="underline-721020e0f27aa94e5d78ba3bff7fb5f1">t</underline> <underline id="underline-0cf5b1d980df6c50548293b5601b435e">pro</underline>] na FNAC</p>
      <p id="paragraph-e29f69780fa67b10bc4646f31a5af382">(16) a. esse livro, eu só encontrei [<sub id="subscript-a835b94ad0bda6d3e7f25749ba2fcc41">DP</sub> o <underline id="underline-0d089d694bf7c6d8616748230bcd9a3f">pro</underline>] na FNAC</p>
      <p id="paragraph-daae9316927b748dadcdfec1c02d09d9">b. esse livro, eu só o+encontrei [<sub id="subscript-9fc54a80bd04594e1f348f644d5bd396">DP</sub> <underline id="underline-2ae2d7b8001dd80f73f2b7db9c4b0672">t</underline> <underline id="underline-3a0f7072c36b1632cf0540b9963607e4">pro</underline>] na FNAC</p>
      <p id="paragraph-97c3435066be7c9a61c79f8c749f6ba4">_</p>
      <p id="paragraph-2f33623a17edf5adcc9bcec4df9c1b52">Em (15)-(16), <underline id="underline-d7ff97bebbecbd812315f7c8ece3d817">t</underline> é o vestígio do artigo o, movido para uma posição adequada onde se pode apoiar à sua direita na forma verbal <italic id="italic-1ac99d5060181e4f86e7a9960beff534">encontrei</italic>. Repare-se que esta análise, ao propor que o DP objecto directo de (15)-(16) contém <underline id="underline-33cd1231867406a963de31b82739604f">ao mesmo tempo</underline> um vestígio e um <underline id="underline-7808eddbf7d4cd79ed85e20ba0874139">pro</underline>, combina as duas tradições analíticas da teoria gerativa relativamente aos pronomes clíticos: por um lado, a ideia de que os clíticos são movidos para fora da posição-A típica do argumento que representam, deixando um vestígio; e por outro lado, a ideia de que têm um <underline id="underline-3d6b7392c77d129d46b0bbf69b621696">pro</underline> associado. Outro aspecto importante desta análise, e que será relevante mais tarde para a análise do objecto nulo, é que o <underline id="underline-cc323b59e79ed7622d4d905da784bcea">pro</underline> não corresponde ao argumento por inteiro — ou seja, a um DP — mas apenas ao complemento nominal desse DP. Por outras palavras, é um verdadeiro <underline id="underline-542a8271a0e5750260ce41a17098ba5d">pro-nome</underline>. com um hífen entre ‘pro’ e ‘nome’.</p>
      <p id="paragraph-6685ff1ade6b64584633a2ecbce80481">Como é que <underline id="underline-632fd2b98db5ab776cbdbf047e558099">pro</underline> de (15)-(16) é licenciado e identificado? Vou aqui assumir a teoria de Rizzi (1986)<xref id="xref-c22621874489ce7829bd5532387eba1d" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-44cd265817cc9d650eed0188ffbc54d4">[21]</xref>, em particular as condições de licenciamento e de identificação ((40) e (41) desse artigo), e que apresento respectivamente em (17i-ii):</p>
      <p id="paragraph-caf21f06b2795bf45f9b5334f6a8af02">_</p>
      <p id="paragraph-79ba61a54c9f56ba7e090596ad802d64">(17) i. <underline id="underline-ab9c5e1a9cf61b1f3d6d6553e5bbb23a">pro</underline> é regido por X<sup id="superscript-1">0</sup><sub id="subscript-a2b9b08dacd12e6483733dce05195962">y</sub> (licenciamento) </p>
      <p id="paragraph-c776eec385b9b28042bb0fe5dc22b17d">ii. Que seja X o núcleo licenciador de uma ocorrência de <underline id="underline-60501dd9c81eca42767cf80dc69500f2">pro</underline>: nesse caso, <underline id="underline-29b80578579f473a0e60a22bae5021aa">pro</underline> tem as especificações gramaticais dos traços de X coindexados com <underline id="underline-67689cb20fe86242dd571dfa87d052ab">pro</underline> (identificação)</p>
      <p id="paragraph-76befd72f520e1aa001568f4e816801a">_</p>
      <p id="paragraph-eb62ee0a50dc2722dda5d3b0c7763a1c">Nos termos do programa minimalista, em que a noção de regência é posta em causa, podemos supor, entre outras 'soluções possíveis, que o licenciamento de <underline id="underline-a89dde7ee5312f93a08d23721c3670c2">pro</underline> é feito por incorporação no núcleo “regente” (passe a circularidade), ou através da concordância directa com esse núcleo (a operação de Acordo de Chomsky (1998))<xref id="xref-9cd7306a45f5b892c22ebaade5e3a8c3" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-98138bd6956ed84e721e79edc66b921b">[22]</xref>. Qualquer que seja a solução, em (15)-(16) <underline id="underline-63cc4d40fb38f54259e08fb78328d9d5">pro</underline> é licenciado pelo determinante o e identificado pelos seus traços de número e gênero. Quanto à referencia final do complexo ‘o ... pro’, continuo a assumir que é efectuada pela regra de predicaçào de Chomsky (1977)<xref id="xref-3330ece019d6656bd6ab4b173ef20e95" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-cde46c89e3469148d2eb1f772a8d4e7d">[6]</xref>, a qual atribui ao complexo o conteúdo referencial-semântico de um “tópico” lingüístico ou contextual, ou de um antecedente em posição argumentai. Ver também Kuroda (1969)<xref id="xref-98c282e9e01cb730e4296279b0156a8c" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-30a43fa05ac3c742ec3b12a2563dcf3e">[23]</xref> para uma discussão “clássica” destas questões que conserva ainda toda a sua pertinência. Voltarei mais adiante a uma discussão breve das condições que restringem esta regra.</p>
      <p id="paragraph-19433b0cf9543f2788912360e90834a7">É agora legítimo fazer a seguinte pergunta: em que nos pode ajudar esta análise de CLLD na compreensão da estrutura interna dos objectos nulos? A ligação pode ser feita da seguinte maneira. Em Raposo (1998)<xref id="xref-c7d70d708aec6d633b1f1dcf05015b3a" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-161553df101c19aa83db4e995abe3c2e">[24]</xref>, destaquei o facto-de as frases de (18) serem possíveis cm português, mas não em castelhano, italiano ou francês, como se mostra em (19):</p>
      <p id="paragraph-b9f389d9980aa35a9be54510269cdad6">_</p>
      <p id="paragraph-450b187bac1d5c8f9bad4c96041e8071">(18) a. a Maria detesta [cenouras]</p>
      <p id="paragraph-68ad6e62cef542604359cec9c0668300">b. odeio [café]</p>
      <p id="paragraph-59f3396a2bf73980e0d91352302328c8">c. o João prefere (prosa a poesia)</p>
      <p id="paragraph-5c49d62ddc8b2aa7187b3c0fd4ed06dc">(19) a. *María detesta [zanahorias]</p>
      <p id="paragraph-bdabae9e73adf0db19f0e0cffdde6fe9">b. *odio [café]</p>
      <p id="paragraph-6">c. *Juan prefiere [prosa a poesia]</p>
      <p id="paragraph-32418483c411ddb4baaadd3330b329e9">_</p>
      <p id="paragraph-acae01519135917569f96060e1043d1b"> Estas frases contêm verbos que Laca (1990)<xref id="xref-ae70fc3f343bf443849ac3edbe4c428b" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-ed6f699d4c5cd249d7e7e3814a96b855">[25]</xref> designa de “verbos de atitude afectiva”, e que permitem um objecto directo com interpretação genérica. Em português, esse objecto pode ser “nu” (ou seja, sem determinante), mas em castelhano é obrigatoriamente introduzido pelo artigo definido, como se vê pelo contraste entre (19) e (20). Essa possibilidade também é permitida em português, como se ilustra em (21):</p>
      <p id="paragraph-3f0accea2df8c27395cf657a46545379">_</p>
      <p id="paragraph-2d9f41c228d6b97efcf68604ddef86dd">(20) a. María detesta [las zanahorias]</p>
      <p id="paragraph-3fd64448ea19ad9eef776daa69338575">b. odio [el café]</p>
      <p id="paragraph-a3e8668e3f628daf3b4f1b133f7dd842">c. Juan prefiere [la prosa a la poesia]</p>
      <p id="paragraph-b0ca1fd8e043f55021a5b718aefb1edb">(21) a. a Maria detesta [as cenouras]</p>
      <p id="paragraph-ba8b0951c67a166ba4cb3d988ae32e80">b. odeio [o café]</p>
      <p id="paragraph-beb6321b47f51339950e2fb22e315df8">c. o João prefere [a prosa à poesia]</p>
      <p id="paragraph-1871c0b8363c952c2c52453283343d68">_</p>
      <p id="paragraph-c4d715bc52cc0989e3458b8a4e55a742">Repare-se agora que estes paradigmas repetem, à sua maneira, as alternâncias e os contrastes que temos encontrado em português e castelhano entre objectos nulos e objectos pronominais. Os exemplos relevantes são repetidos aqui c organizados de modo a permitir estabelecer facilmente a correspondência entre eles:</p>
      <p id="paragraph-c983507afdba84f8ce06d2ee2492766a">_</p>
      <p id="paragraph-55651fb1ed376810de2d279654dbf64d">(22) a. esse livro, eu só encontrei _____ na FNAC</p>
      <p id="paragraph-1d82f21b4744be7de3d3e7d41e3ea360">b. eu só encontrei _____ na FNAC</p>
      <p id="paragraph-7cd73e06b19bf491dff0ebec79a7541c">c. a Maria detesta [____ cenouras]</p>
      <p id="paragraph-e7c1deeeb6fd4c04fdee5380ddabdb79">_</p>
      <p id="paragraph-ca2ac5663bb49021db5a69140ae82b30">(23) a. *ese libro, sólo encontré _____ en la FNAC</p>
      <p id="paragraph-c0f6532b4f5c76d3569bbc61eec868ab">b. *sólo he encontrado  _____ en la FNAC</p>
      <p id="paragraph-7cee8d0602d81882a695edff549328e8">c. *María detesta [____ zanahorias]</p>
      <p id="paragraph-9118d75ec04e52cdcf956aa55b940d92">_</p>
      <p id="paragraph-d92381006e9faaf8bf2032bcd49c320d">(24) a. ese libro, sólo <underline id="underline-00012ca61ab3a7be2d2ad36082ec9805">lo</underline> encontré en la FNAC</p>
      <p id="paragraph-af7d4bb663f1ae73d7ca956d980ca2a5">b. sólo <underline id="underline-2376eb1c60817f0b61223e56653e80a0">lo</underline> he encontrado en la FNAC</p>
      <p id="paragraph-86cee0ec9c04efe9d10dcd643e8f72a9">c. María detesta [<underline id="underline-1975e23997e05ebea853671c0db0d640">las</underline> zanahorias]</p>
      <p id="paragraph-8a80c9c68b02d5d319be9448a8b5a786">_</p>
      <p id="paragraph-11fa59a3632eab0c813fa68c84687f07">(25) a. esse livro, eu só <underline id="underline-054ed51a3fbe759ea00edd863574892b">o</underline> encontrei na FNAC</p>
      <p id="paragraph-cde4956b31ca278e6ab61ec70bb8b25c">b. eu só <underline id="underline-12448c14e1905e3ad1bbd75d79ae580d">o </underline>encontrei na FNAC</p>
      <p id="paragraph-d44fcf5c6d9ef33b64ed183b60412bec">c. a Maria detesta [<underline id="underline-ed59e0f23d46b24e5befd059e5b289c2">as</underline> cenouras]</p>
      <p id="paragraph-138404d989aadb331e5dc168d16b762d">_</p>
      <p id="paragraph-570327ee1999f1d96f8bbe46b67e2fb7">Ou seja, o português permite objectos nulos e certas expressões nominais genéricas sem o artigo definido <underline id="underline-c4358fc636aa47d08ec5dbbd35c2697c">o</underline>, mas o castelhano não aceita nenhum dos fenômenos. A tentação de unificar estes factos é grande. Como o podemos fazer?</p>
      <p id="paragraph-1ea2bffe30b4dcb90c0ffb982ee11ce4">Comecemos por aceitar a ideia de Stowell (1989)<xref id="xref-43fe9688bd6a7b639727687114593052" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-dbcde321c50089dfd365f67a119b5b81">[26]</xref> e de Longobardi (1994)<xref id="xref-8da81890f8b3b74552bb3a1548080834" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-ad7b12b1b83dd1b1ba48205fcaac3600">[27]</xref> de que todo o argumento nominal é um DP (isto é, tem como núcleo um D). Nesse caso, somos obrigados a atribuir a estrutura (26) ao DP objecto directo das frases de (18):</p>
      <p id="paragraph-d78e347243f2a25258e748315aad0eb3">_</p>
      <p id="paragraph-bcf4f2d3659b4a56618e26feb057852e">(26) a. a Maria detesta (D cenouras]</p>
      <p id="paragraph-4f090291067245c4b34c5e5036ecb0c1">b. odeio [D café]</p>
      <p id="paragraph-70142f34ee6ae6c5f5155cd593613b7b">c. o João prefere [D prosa a D poesia]</p>
      <p id="paragraph-c7d77c917dd66955583b10992afef346">_</p>
      <p id="paragraph-e03330bca7fa8cf0b82899ea21610f20">Ou seja, o objecto directo das frases de (18) contém um D nulo. Ora, por motivos cuja discussão está bem para além deste trabalho e que têm a ver com a estrutura semântica das expressões nominais genéricas, temos de concluir que esse D nulo é [+definido] (para a lógica desta conclusão, ver Krifka et al. (1995)<xref id="xref-30e75d6b0cb61ef04887189277a9acf1" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-7eb72e5be649720955a85fdd5d92237e">[28]</xref>, e para uma argumentação mais detalhada em favor desta análise, ver Raposo (1998)<xref id="xref-18e4195af2855993946c1fd2674ce62c" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-161553df101c19aa83db4e995abe3c2e">[24]</xref>.</p>
      <p id="paragraph-c50faa9012e9e9f0e7a0c5c8da3f8bce">Na perspectiva desta análise, o contraste entre (18) e (19) deve-se ao facto de o português ser a única língua românica que contém um determinante nulo definido no seu léxico.</p>
      <p id="paragraph-24b6cfb1ebef74a7da2d95f55ed7e067">Torna-se agora tentador sugerir que a possibilidade de objectos nulos em português é na realidade um reflexo da existência deste determinante nulo - daí os contrastes mais gerais manifestados entre o português e o castelhano em (22) e (23). Esse resultado atinge-se facilmente se aceitarmos que, tal como o determinante <underline id="underline-35584ebf9225915c082a45637f1a67a1">o</underline>, o D nulo toma um <underline id="underline-64392176182bc457cd69be5941929539">pro</underline> como complemento nos exemplos com objecto nulo. Nesse caso, a estrutura inicial de (22a-b) é aquela dada em (27a) - compare-se com (15a), a estrutura inicial de (25a-b), e que repito aqui em (27b):</p>
      <p id="paragraph-7fd16e23df5926c6db75ee1ea0de3f4a">_</p>
      <p id="paragraph-32dd8574e27c29124949bb876a76f8b9">(27) a. (esse livro) eu só encontrei [<sub id="subscript-5c6fb95e789be577e3ae5d1d71d28bbb">DP</sub> D <underline id="underline-ec414d43f6a3557a7fd0480a6018a3ce">pro</underline>] na FNAC </p>
      <p id="paragraph-7dcbe9c2277ee06ddf78888d19663e0a">b. (esse livro) eu só encontrei [<sub id="subscript-f67c77c14ae87817a673a33ac55f85ff">DP</sub> o <underline id="underline-945a8cb57170c1bca1b18ea531438e7f">pro</underline>] na FNAC</p>
      <p id="paragraph-0d293b0b44d4b66271777380cbd006f5">_</p>
      <p id="paragraph-56d8bcab8e12b1e1acb5bbf02612e150">Se esta análise estiver no caminho certo, concluímos que as frases com objecto nulo e as frases com o pronome acusativo <underline id="underline-06800579c657b8bf916279af7b611f78">o</underline> são na realidade <underline id="underline-7a010d38451dd08de327233d4ebe52b3">estruturalmente paralelas</underline>; a diferença é inteiramente lexical, e reside na natureza do determinante em cada uma delas: um determinante definido fonológico, em (27b), e um determinante definido nulo, em (27a). Em castelhano o determinante nulo não existe, logo não encontramos frases com objectos nulos, nem objectos genéricos “nus” como os de (18).</p>
      <p id="paragraph-1502c21916832607cca2514e32d861a8">Podemos perguntar agora como é que o <underline id="underline-8ba83e06cffa9804bc1db12f6917c394">pro</underline> em (27a) é licenciado e identificado pelos princípios de (17), aqui repetidos.</p>
      <p id="paragraph-12c812bda772776e77473708639e2da6">_</p>
      <p id="paragraph-4905a3e37d3e209488b2afcfc335899b">(17) i. <underline id="underline-6bf5f2dafddc5359bef41065bf7e8ee0">pro</underline> é regido por X<sup id="superscript-937772d700245875296e319ff8e54391">0</sup><sub id="subscript-321cf2e6d5c8e4180b7e10da59001d82">y</sub> (licenciamento) </p>
      <p id="paragraph-ed4309f21562826e1c3695ce25d1b0f9">ii. Que seja X o núcleo licenciador de uma ocorrência de <underline id="underline-8caeb7dac2b6703e9b712e251d456fca">pro</underline>: nesse caso, <underline id="underline-3957b64f2ec58ef2ceb38db54e7ec47a">pro</underline> tem as especificações gramaticais dos traços de X coindexados com <underline id="underline-24bdfd406e0bf09dedc9b24ca76d86aa">pro</underline> (identificação)</p>
      <p id="paragraph-fa4a4c319f15b566d72454492d065478">_</p>
      <p id="paragraph-8a96cbf27f9475ab41fe7c569ca1ec1b">A cláusula (17a) não levanta problemas, se admitirmos que um núcleo nulo pertence à classe dos licenciadores possíveis. Suponhamos no entanto que são os traços de [género] e [número] que contam para a identificação de <underline id="underline-a9fd6160940e75f65983ba3ef68aa640">pro</underline> no contexto de (27), mas que o D nulo definido não é especificado relativamente a esses traços. Nesse caso, <underline id="underline-458b24933f1cc4761b4bf2a71ad301b4">pro</underline> não pode sobreviver no contexto (27a).</p>
      <p id="paragraph-8a4224f2cb483e26a534fb400189ccb6"> A minha proposta é que <underline id="underline-db15cab3ee7ab60fae77dc7326c489ba">pro</underline> nesse contexto tem de ser movido para uma posição onde esteja suficientemente próximo do DP antecedente (quer este seja um tópico quer um argumento numa posição-A), onde a sua identificação é feita “directamente”, por assim dizer. Gostaria também de sugerir que essa posição é dada pela categoria “F”, discutida em vários trabalhos por Juan Uriagereka e por mim próprio (ver, por exemplo, Uriagereka 1995b<xref id="xref-c513716b7e1162b8d0c749e344e9f279" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-e10a13e9e6aff7f9c020d49488626525">[29]</xref>, Raposo e Uriagereka 1996<xref id="xref-cf99f6234d713fa02a1ebb311c26ee92" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-9659b94054ebc9bee2f60e875655fed2">[30]</xref>, Raposo 2000<xref id="xref-a7c66e4f8328b24958c5c320c4a5ab12" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-e3e551c4a1be7f28c709ce26ed1e0e13">[31]</xref>). Esta proposta encaixa-se bem com a ideia de Uriagereka (1995a)<xref id="xref-9928ba41daa36c20a4441c0548942920" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-f6d673b9b9b766865912a26722997433">[32]</xref> de que a função semântica de F consiste em codificar formalmente o contacto entre o nível de interface LF e os sistemas semântico, pragmático e discursivo situados para lá de LF - precisamente o que está em jogo na identificação de <underline id="underline-cb23fb36fe4100e18b7817b9a07fc863">pro</underline> por um antecedente. Mais adiante apresento um argumento empírico em favor desta análise.</p>
      <p id="paragraph-a70686d4d140c53d2ab959c1a2d2c90f">Aceitando a análise, e pressupondo que <underline id="underline-f39e688ce77bddbf2a3f47f596ffd1f9">pro</underline>. não é mais do que um feixe de traços distintivos sem realização fonológica, podemos admitir que é a operação <underline id="underline-6e3da2e36e3e1f13a5ac774bf7810beb">Mover F</underline> que desloca <underline id="underline-65447dc4bd4934898ff557c1b3828aed">pro</underline> directamente para uma posição de adjunção a F. A derivação de (22a-b) é então a que se ilustra em (28), omitindo detalhes irrelevantes:</p>
      <p id="paragraph-c6f96077557d3c97b322dad57043af48">_</p>
      <p id="paragraph-8063f47f1591646493b7ff5570b024f6">(28) a. (esse livro) [<sub id="subscript-a712ee7b5411dcecfd83f3890ae0485e">FP</sub> F [<sub id="subscript-c767afa5c768371ba312c038fe3fe23d">TP</sub> eu só encontrei [<sub id="subscript-01403f7a0f127d207273446e2e5dfe6e">DP</sub> D <underline id="underline-a84ca02e9f6629f7ab53fe9a8b679384">pro</underline>] na FNAC]]</p>
      <p id="paragraph-b873c4f932b84556d7627368789cef16">b. (esse livro) [<sub id="subscript-0bbbb089444903b4e5ca47519df3dfab">FP</sub> <underline id="underline-2ea4cc4968d590b60727e1619a537553">pro</underline>+F [<sub id="subscript-f03a0581d19e473885f52de2539afe6c">TP</sub> eu só encontrei [<sub id="subscript-6">DP</sub> D <underline id="underline-ed676f462228d0cc0503a74d88ce5561">t</underline>] na FNAC]]</p>
      <p id="paragraph-d6ef170c60eb22bbc43f0f3807099cfb">_</p>
      <p id="paragraph-20020cd80a25d53d9745bbf91c0b5e97">Esta análise é bem semelhante àquela proposta por Kato (1991)<xref id="xref-202b1c0454de2b7d4e60825a648b1cbf" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-29561dd4ee76d8a1f45aed74ab60fd0c">[9]</xref> com base em motivações distintas. Aí, propõe-se que o objecto nulo é um pro identificado por um clítico nulo, movido para a categoria funcional que hospeda os clíticos visíveis (por hipótese F, nas análises de Raposo e Uriagereka mencionadas acima). Ou seja, uma versão possível da análise de Kato e aquela ilustrada em (29), assumindo que os clíticos são Ds subjacentes, e omitindo certos detalhes:</p>
      <p id="paragraph-0e355e5a2a637fdbfc5f7fab6265d106">_</p>
      <p id="paragraph-fb6ec51370c3876bb9f9f7a51bf458e0">(29)(esse livro) [<sub id="subscript-affed739b96150b05e19026bb9d2e730">FP</sub> D+F [<sub id="subscript-86fa3f57d5a9ff8f8d9422d38930fa1e">TP</sub> eu só encontrei [<sub id="subscript-79e73b64d8af1d9c8d1b8583a99ab4a5">DP </sub><underline id="underline-53dc83aad90b46a9bb82c3b0d8968bb3">t pro</underline>] na FNAC]] (Kato 1991)<xref id="xref-7bb409c989f51623f178e1d8fc3cd565" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-29561dd4ee76d8a1f45aed74ab60fd0c">[9]</xref></p>
      <p id="paragraph-c488a059c435189561c8af0d2ab11f8c">_</p>
      <p id="paragraph-fa2a65b91604e31444f2e64961fec5f4">Como se pode ver, (29) é o espelho de (28) no que respeita às categorias vazias directamente envolvidas. Na análise de Kato o pro fica <italic id="italic-1ac10b9d6c4246e7aefe59544627ca45">in situ</italic>, ao passo que na minha ele é movido. Inversamente, na análise de Kato é o D que é movido, ao passo que na minha, fica <italic id="italic-0dd69d9e87e8cb68156514b98cbf87c3">in situ</italic>. Empiricamente, a escolha entre (28) e (29) não é fácil. Em defesa de (28), adiantaria aqui que, no âmbito das análises recentes que tenho proposto para a cliticização em português (ver Raposo 1999, por exemplo)<xref id="xref-5c72bf5398ee97a4404986cbf553b01d" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-d1ff7c1640d53b65f47e19a8b86f7bbb">[20]</xref>, um clítico tem necessariamente de possuir material fonológico, logo não podem existir clíticos nulos. Por outras palavras, um D nulo não precisa de se mover precisamente porque é nulo, e, logo, por considerações de economia, não se move. Por outro lado, parto do princípio que o <underline id="underline-bf9a19535b0408ec9902039a0d99e667">pro</underline> precisa de ser licenciado/identificado numa configuração local, e que é portanto <underline id="underline-2fe32dd28bc6e35178f8bf743f6b16cd">pro</underline> que tem de mover-se, assumindo que o D nulo não tem os traços necessários para essa identificação. De qualquer modo, a escolha entre as duas análises fica em aberro, embora não seja completamente evidente qual a natureza das considerações empíricas que poderão decidir entre elas.</p>
      <p id="paragraph-e555ccd5546e4a5a2b7cc4efaecd5822">A minha análise, no entanto, tem uma conseqüência que a de Kato não tem, se assumirmos que uma variável tem necessariamente um conteúdo nominal e que a posição de adjunção a F é uma posição A-barra. Nesse caso, em (28b), o vestígio do <underline id="underline-da3e40e2ba3ab1779539533a8f70fe93">pro</underline> movido é um vestígio-variável, e <underline id="underline-24605583543128a5b64f0099732a77f5">pro</underline> adjunto a F desempenha por sua vez a função de um operador vazio na regra de Predicação que dá o valor final do objecto nulo. Esta visão faz sentido sobretudo se aceitarmos a teoria dos vestígios como cópia, visto que nesse caso <underline id="underline-fd58db92ebbfce74e2a7bee4536d67e7">t</underline> em (28b) é o <underline id="underline-7dc5a25dd02a256340b2ae95e86a7497">pro</underline> em posição argumental que é identificado através do “operador”<underline id="underline-c245d4652a2facfcc16444bb1f459d1b">-pro</underline> em F. Ou seja, se olharmos bem, a análise que proponho em (28) não está muito longe da minha análise de 86, como o revela a comparação entre (10) e (28b), que se mostra em (30) (omito o constituinte ‘Top” de (10), para acentuar o paralelismo):</p>
      <p id="paragraph-03c209c4ae040ed7ae3be3d7ebfa35fc">_</p>
      <p id="paragraph-e04fed0b6281786daca7f0497c280651">(30)a. (esse livro) [<sub id="subscript-d38e1f8e30e93943bae01a5644d4945b">FP</sub> <underline id="underline-be681ee7a5ddb9afa3ca3e8a2823622b">pro</underline>+F [<sub id="subscript-9b1522d6c5642701dfd7a3affc3ae7ff">TP</sub> eu só encontrei [<sub id="subscript-8fe2a996388932cdab0bba0bafac2c4a">DP</sub> D <underline id="underline-365aac695804d1cf32064e15d896a399">t</underline>] na FNAC]]</p>
      <p id="paragraph-fba925389df7bf3923f7b140e183edf9">b. (esse livro) [<sub id="subscript-d93aadef51d92aee0b4ce41c36a8c156">CP</sub> Op<sub id="subscript-7096b2881f75a65707c76f30c76c729e">j </sub>[<sub id="subscript-fc5f7ddb7adb3df76073fb03f3ecadb5">IP</sub> eu só encontrei <underline id="underline-50efe12d2c4f3ce914887eb45e6c3fa4">t</underline><sub id="subscript-7">j</sub> na FNAC]] (análise de 86)</p>
      <p id="paragraph-f54fdb84e9c76b4e08a4b50f236848a8">_</p>
      <p id="paragraph-955105ff1cce70dcd403959755dd707e">Uma vantagem imediata é que damos imediatamente conta dos efeitos de ilhas em PE, ainda que estes sejam fracos e variáveis de falante para falante. As diferenças entre o PB e o PE neste campo poderiam talvez ser reduzidas a efeitos distintos de “subjacência” nas duas variantes — e recordo aqui que no actual quadro teórico do programa minimalista a subjacência é um fenómeno mal compreendido. Alternativamente, as diferenças poderiam residir no facto de o movimento de <underline id="underline-dda70269ab9fd721ce6fdda9d2a73267">pro</underline> ser efectuado na componente visível em PE mas apenas na componente não-visível em PB, com uma atenuação dos efeitos de subjacência neste último caso. Esta ideia, por sua vez, poderia ser relacionada com a intuição original de Uriagereka (1995b)<xref id="xref-e4f76230335e2db2e0d3439a14487dba" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-e10a13e9e6aff7f9c020d49488626525">[29]</xref> de que F é morfologicamente realizado em PE mas não em PB, com a conseqüência de que possui um traço “forte” em PE que atrai em na componente visível, contrariamente ao PB. Qualquer que seja em última instância a solução para esta diferença entre o PE e o PB, não me parece incompatível com a análise comum proposta em (28).</p>
      <p id="paragraph-cbf09f43690d7184cf4af30c111ec624">Mary Kato, em comunicação pessoal, fez-me a seguinte pergunta, extremamente pertinente: se o D nulo é definido e pode retomar um tópico, como em (22a), por que é que não pode introduzir um DP definido normal? Ou seja, se em topicalizações como (31) tanto o determinante <italic id="italic-2fa761031c7c77f247344f1529a8ee8b">o</italic> como o determinante nulo podem aparecer como resuntivos, por que é que só o determinante <italic id="italic-fe3ce2084f0fece08523f784d5d75189">o</italic> é que pode aparecer em frases “simples”, como o contraste entre (32a) e (32b) mostra?</p>
      <p id="paragraph-d814096cd4a9196fe49c824d4598a46d">_</p>
      <p id="paragraph-7688b3f3dcacf0b74b6bfdfa7c1af8e9">(31)a. [o livro], eu só o encontrei na FNAC</p>
      <p id="paragraph-29fd19ea3df620774670b21cb26af9b2">b. [o livro], eu só encontrei D na FNAC (D nulo)</p>
      <p id="paragraph-9b2a0dd4301a2b70731667bd11e3ef3c">(32) a. eu encontrei [o livro] na FNAC</p>
      <p id="paragraph-6103f6392b14871c0cf8e180ad2d8fc7">b. *eu encontrei [D livro] na FNAC (D nulo)</p>
      <p id="paragraph-d5643955cd315f07b79be1fb544b52fc">_</p>
      <p id="paragraph-ffd7d7f57f423d6756054f7d749d4505"> A pergunta inversa é igualmente relevante: por que é que o D nulo pode ser usado como resuntivo, a par do determinante definido <italic id="italic-106577fa2521a736ad891bf1b0b5610d">o</italic>? É mais fácil responder a esta pergunta do que à anterior, e a resposta, por sua vez, pode eventualmente dar-nos algumas pistas sobre o problema da não-gramaticalidade de (32b). Para começar, repare-se que não é qualquer determinante que pode retomar um tópico ou um antecedente previamente introduzido no universo do discurso. Assim, por exemplo, o livro que se introduz no universo do discurso pelo DP <italic id="italic-61dabed75a7d6fe8e5b7ccd1649d554a">um livro</italic>, em (33), não pode ser retomado pelo mesmo D indefinido <italic id="italic-38be2ba2a660e09695528ff6be53cc0f">um</italic><sub id="subscript-31d2ce70072342a7dc00d2146406f612">,</sub> como em (34), mas apenas por um dos Ds de (35) (assumindo que a forma <italic id="italic-1e31e359e0b29808cae2abcb6bcb852a">ele</italic> é igualmente um determinante, como defendo em trabalho de 1999)<xref id="xref-c1de8382b49b4c1f23a42388ecea03d4" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-d1ff7c1640d53b65f47e19a8b86f7bbb">[20]</xref>:</p>
      <p id="paragraph-2864b36b58f2e2a5e07036c9278314ac">_</p>
      <p id="paragraph-fe62bac386e47da8d1dacabe3041b7d0">(33) comprei um livro na FNAC</p>
      <p id="paragraph-858ee22aa4e219693ad197879c73738f">(34) *só vou ler <underline id="underline-c04ff46c4703d8cbefcf8575f1bb4e20">um</underline> mais tarde</p>
      <p id="paragraph-c098f2c27f9458d334d098e6d1410d08">(35) a. só vou ler <underline id="underline-053ac4351bd5566401ffa786df0b8059">ele</underline> mais tarde ( ?PB, *PE)</p>
      <p id="paragraph-7c7d55295ab41430147ac1923e8bff5e">b. só vou lê-<underline id="underline-e2752c50bbb5ec6996e26869aa94f020">lo</underline> mais tarde</p>
      <p id="paragraph-648526fa2caf755553d1acfab2a31b43">c. só vou ler <underline id="underline-b9d099e0d1f64bc040e83b59482d64f3">D</underline> mais tarde (D nulo)</p>
      <p id="paragraph-a3f98d27d46412d8e5762c77164c291c">_</p>
      <p id="paragraph-06d47d71642b460022cbf9acc5c1d994">Estes Ds são todos <underline id="underline-e436923ab0e4237722841d0b854f1218">definidos</underline>. Estamos aqui face à operação que Postal (1966)<xref id="xref-eb14936e251f83d18313fb16ae9d2781" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-b7de1a5c302f1e5b0415c57a1978ca5f">[18]</xref> e Kurodâ (1969)<xref id="xref-f782a217baea2e8a11eef038116b096a" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-30a43fa05ac3c742ec3b12a2563dcf3e">[23]</xref> chamam de <underline id="underline-35e372a206588d8ff36de5a7ac375553">definitizacão,</underline> e que podemos conceber como sendo de natureza discursiva, na linha de trabalhos recentes como Lambrecht (1994)<xref id="xref-52280e38c8875282828dab1342287e3e" ref-type="bibr" rid="book-ref-15a6d06cec7932cc4dcf1d1754744a71">[33]</xref> e Lyons (1999)<xref id="xref-f782c5230c61a62514a047a96afd6378" ref-type="bibr" rid="book-ref-fdb82ba71cbc91c0f73b3c50db98397c">[34]</xref>. O conteúdo essencial desta operação pode ser dado descritivamente como em (36):</p>
      <p id="paragraph-bcc540719e0dc565a4c5dc9f95b84643">_</p>
      <p id="paragraph-bf1fa0e4a67425e6b287e323c20432d2">(36) Apenas um determinante <underline id="underline-7e80938f561ede766a24f2b49f09e90c">definido</underline> pode retomar um tópico/antecedente já introduzido no universo do discurso e ainda saliente para os participantes do discurso.</p>
      <p id="paragraph-54c9d6a9eacead58136940dbd9aa0e72">_</p>
      <p id="paragraph-a8d684e1371a1015f8950cfdb59c59d3">No entanto, nem todos os determinantes definidos podem retomar um tópico. Assumindo que as formas demonstrativas <italic id="italic-452b9421aaa300c8d503980face69d64">este/ esse/ aquele</italic> são igualmente determinantes, é um facto que nenhuma delas pode funcionar como resuntivo. Assim por exemplo, (33) não pode ser seguido por (37), com o demostrativo <italic id="italic-47bccde4e57b36880f461216888cbce9">esse</italic> retomando o DP <italic id="italic-e84d9ccfd3dd87acef76a4210edda66b">um livro</italic>:</p>
      <p id="paragraph-587a8b6d2e78aba2cd86ce778736ce32">_</p>
      <p id="paragraph-8be205b4a9e3056b81b5b55fa781d37b">(37) *só vou ler <underline id="underline-4598c5c582522a4a0f47636b2449acbd">esse</underline> mais tarde</p>
      <p id="paragraph-43988a1827c6ca1ae6e9dd0e7c8995bc">_</p>
      <p id="paragraph-a9485c4a61ca4934dd11e45d8b1cdd23">Do mesmo modo, nenhuma das seguintes topicalizações é possível:</p>
      <p id="paragraph-a01af2c0d6df7e62452b47feff8aa63d">_</p>
      <p id="paragraph-a19593562309bf0174b39264c1c92b6c">(38) a. *esse livro, só encontrei <underline id="underline-661f2799b0292384f45ec7768aab60ec">esse</underline> na FNAC</p>
      <p id="paragraph-2a8059fb784de54a81bc7ad3af841eb0">b. *o livro, só encontrei <underline id="underline-dbb9118d3e4cd94d215812ed91747e68">esse</underline> na FNAC</p>
      <p id="paragraph-8720261ea91c16e2d078e98ad33387e0">_</p>
      <p id="paragraph-9f1872e12993d1ea802adda15a3f8369">No contexto de (38), apenas os determinantes de (35) podem ser usados, como se vê em (39):</p>
      <p id="paragraph-cd7741dc1f9c6338e6dde56ede2ec4f1">_</p>
      <p id="paragraph-3995ae385568cca118f6319e8c073ec7">(39)a. esse/o livro, só encontrei <underline id="underline-2c5fc5f82be35192cc7fa1d8f63ac557">ele</underline> na FNAC ( ?PB, *PE)</p>
      <p id="paragraph-f81904bf28fe5de8880cb16a93f787c6">b. esse/o livro, só <underline id="underline-2330db40a4f7837ea6791a775ee59d29">o</underline> encontrei na FNAC</p>
      <p id="paragraph-9fea14c0ebf301bb317b9874ab6c87b2">c. esse/o livro, só encontrei <underline id="underline-218ab20b6cac6b9b3efea7d1c6990b2b">D</underline> na FNAC</p>
      <p id="paragraph-880403262a74e15189a7e8a1a99874f1">_</p>
      <p id="paragraph-1d3893d88523da29e6beb5717c73e783">O que estes três determinantes têm de comum é que são minimamente especificados do ponto de vista semântico, relativamente aos demonstrativos. Em particular, não possuem qualquer especificação quanto ao traço [proximidade/afastamento do falante]. Concluímos assim que só um D minimamente especificado pode ser usado como resuntivo. Isso talvez se deva à necessidade de um determinante resuntivo ser o mais “transparente” possível, de modo a permitir que a regra de predicação que licencia o conteúdo semântico-formal de <underline id="underline-724f156867bd13dc698e00ac5fa170e7">pro</underline> se possa aplicar. Podemos condensar de uma forma de certo modo “metafórica” as propriedades de definitude e “transparência” necessárias para um resuntivo através do princípio (40):</p>
      <p id="paragraph-40cfd2b528882e7cb87b24d98f3a1ef1">_</p>
      <p id="paragraph-ef8c8af17d92e88f518c3416986a6179">(40) Um D resuntivo tem de ser uma “âncora” anafórica.</p>
      <p id="paragraph-e805f7d2b7943fadfb9425ececec983f">_</p>
      <p id="paragraph-c80891584961c8c1dd3f194dd8ec50f8">Em português, apenas as formas <italic id="italic-07baf1f0d7b2b831db08e69536926e17">ele, o</italic> e D nulo (este último, por hipótese, o determinante com menor especificação semântica) podem ser âncoras anafóricas (teríamos de fazer algumas ressalvas em relação à forma <italic id="italic-eaa56337335ccbd76838ae8f3f11253f">ele</italic>, tanto em PF. como em PB, mas vou deixar essa questão de parte aqui).</p>
      <p id="paragraph-5d85906c3e27db2c7416d2c883c6e073">Tudo isto, no entanto, não responde ainda à primeira pergunta, ou seja, por que é que não existem expressões como (32b), com uma interpretação definida, não genérica, do objecto directo? Observacionalmente, os factos quanto ao uso do D nulo definido podem resumir-se em (41):</p>
      <p id="paragraph-79d4324ccf0230d4fe3d48d9a6a0eed8">_</p>
      <p id="paragraph-a465d3e21be43e50534065b982a4533a">(41)O D nulo pode ser núcleo de DPs objecto directo quando o complemento nominal é</p>
      <p id="paragraph-53e920a3bfb7b8baaacc7649a72f2b8f">i. semanticamente genérico</p>
      <p id="paragraph-de1194a592be63f0425e8c1614affea9">ii. <underline id="underline-a6126eed00ca41e53fd1b0a2cb355fc8">pro</underline></p>
      <p id="paragraph-1bf1b2849e639238553fae0891b08739">_</p>
      <p id="paragraph-8174a0016cabe1ac431da4f5edc892f8">Idealmente, esperamos que haja uma propriedade semântica geral por detrás destas duas classes nominais, de tal maneira que a distribuição do D nulo possa ser captada em termos de selecção desta propriedade. Vou deixar a questão neste estado pouco aceitável, esperando que a investigação futura traga alguma luz sobre ela, e continuando a assumir a correcção da análise que invoca um D nulo definido como explicação do objecto nulo do português.</p>
      <p id="paragraph-39883dbdbb8b64043147d31255e2c59e">Consideremos de novo a análise proposta em (28), aqui repetida:</p>
      <p id="paragraph-8d04d3c1abe97c05677e8d29b2f23dba">_</p>
      <p id="paragraph-cf8fd15616f94fb5524ec1c45a29c0bc">(28) a. (esse livro) [<sub id="subscript-eeec25f9e9c093d7e15652d6dc2e43d9">FP</sub> F [<sub id="subscript-fbbc98781327e45bc55c18b43bbef056">TP</sub> eu só encontrei [<sub id="subscript-29df4d26d3240b1b007178f0d6165e68">DP</sub> D <underline id="underline-34a13983693341c4292f3e1b2fdfb681">pro</underline>] na FNAC]]</p>
      <p id="paragraph-d20faa9235384383df19c807bad43e0f">b. (esse livro) [<sub id="subscript-a4f7f18c1c23d87cb68d889bbee2969f">FP</sub> <underline id="underline-8340947b82dda049e380a3941462eca8">pro</underline>+F [<sub id="subscript-c34cb20c2648465dd224c365fb4cbf24">TP</sub> eu só encontrei [<sub id="subscript-a4ac0de81ac0c8cc347f2b805e7a2b6e">DP</sub> D <underline id="underline-cc045d7164c857d98e6c398a73d8e86c">t</underline>] na FNAC]]</p>
      <p id="paragraph-fff6e7af949eaea3be7b4b91d90be67f">_</p>
      <p id="paragraph-9d68b420b308394d699e0357be2e052d"> A motivação apresentada para a etapa (28b) desta análise foi inteiramente conceptual, e baseou-se na ideia de que o D nulo não poderia identificar <underline id="underline-74ce0a8629896ca52e9da147061cf0bb">pro</underline> e que esse elemento teria assim de ser movido para a categoria F, por hipótese a categoria que estabelece a relação entre o <underline id="underline-719ada658604c5a655f18ffcf28bae9d">pro</underline> e o seu antecedente lingüístico ou discursivo. A análise é plausível, para além de explicar os efeitos de ilhas nos dialectos onde estes se fazem sentir. Seria melhor, no entanto, se tivéssemos um argumento empírico mais forte. Creio que é possível construir um argumento desse tipo, com base em frases em que o antecedente do objecto nulo não é um tópico estrutural ou pragmático, mas sim um DP integrado na própria frase em que ocorre o objecto nulo. Estas frases levantam problemas empíricos e teóricos que estou longe de compreender, e que se reflectem muitas vezes na extrema dificuldade em dar juízos de aceitabilidade sobre alguns destes exemplos. Feita esta ressalva, consideremos os exemplos de (42), em que o antecedente pretendido do objecto nulo está sublinhado.</p>
      <p id="paragraph-d4f992de839d736d47307fe8de3622af">_</p>
      <p id="paragraph-0b25bc25d223d6c109f11eb5e423d25e">(42) a. ?o polícia que agrediu <underline id="underline-f2aa388a611d1d9633ba3bb6fd1af6f2">esse preso</underline> acha que é melhor levar_____para o hospital</p>
      <p id="paragraph-2edc9256f7678855763a64af9a3b242a">b. o aluno que tem <underline id="underline-426b9f51d0d42f7411e340d7916913d1">o teu artigo</underline> em casa decidiu que ia devolver_____ainda hoje</p>
      <p id="paragraph-b90059f559fab81582dd4cae01e62250">c. o moço a quem falaste sobre <underline id="underline-2fe3da580d76c22e3dd53aeb8fd7f5e4">esse livro</underline> disse que ia comprar_____na livraria Bertrand</p>
      <p id="paragraph-07654ad03019636b48f78179369feabd">_</p>
      <p id="paragraph-b5fe0ba6c591118514a933842cd72132">A degradação de (42a) parece-me ter a ver com a resistência que os objectos nulos apresentam a antecedentes [+animados], várias vezes observada na literatura (ver por exemplo M.E. Duarte 1986<xref id="xref-da21725dd8f6ec5adbdff90f6d50699a" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-8db9a6af9ab8fd9667cb49383fed31e3">[13]</xref> e Cyrino 1997<xref id="xref-dde16d374e0dcd07561c8d20f84eb05a" ref-type="bibr" rid="book-ref-dd878466376c386611d4d221fa7f3ab2">[8]</xref>, entre outros). A partir daqui, não vou tomar esse efeito em consideração, visto que do não me parece excessivo em frases como (42a) ou em frases em que o antecedente é um tópico estrutural, quer fonologicamente realizado quer nulo. No meu idiolecto, os exemplos de (42) contrastam claramente com os de (43) (agradeço à Mary Kato ter confirmado estes juízos):</p>
      <p id="paragraph-2ae6e0d4700fc06f99f12ba30d24d1cd">_</p>
      <p id="paragraph-b8d67e3d450bf6f8d962d0339bac8012">(43) a. ??o polícia que agrediu <underline id="underline-3f71bc0434bc55f00a2ef73dec975856">esse preso</underline> levou_____para o hospital</p>
      <p id="paragraph-872323e51b43f0aeeab90f72167e5821">b. ??o aluno que tem <underline id="underline-a18f5de282a6033c8297f649c7d5618c">o teu artigo</underline> em casa devolve_____ainda hoje</p>
      <p id="paragraph-1a869ae2508d168bc2f7027e4e61f693">c.??o moço a quem falaste sobre <underline id="underline-d4c62eb698b8c96832c32825b1cca916">esse livro</underline> comprou_____na livraria Bertrand</p>
      <p id="paragraph-3402942a0f28013c869815b8aac4c6e3">_</p>
      <p id="paragraph-102d6c7ebcb574fc7a0d035029843ce1">A diferença estrutural entre estes paradigmas é que em (42) o objecto nulo está contido numa oração subordinada introduzida pelo complementador <italic id="italic-af68ddf0e0f60c95dfc96559a7a418d3">que</italic>, ao passo que em (43) o objecto nulo pertence à oração principal. Nos dois paradigmas, o antecedente do objecto nulo está dentro de uma oração relativa que pertence ao sujeito principal.</p>
      <p id="paragraph-f5d5f98c813819106beb9ad4afb98b8e">Uma conseqüência imediata desta diferença estrutural é que em (43) há somente um local de poiso possível para o <underline id="underline-960a90e16ec3fc410a63726a4053d76c">pro</underline> dentro do objecto nulo, nomeadamente o F da oração raiz. A estrutura de (43), consideravelmente simplificada, é assim a de (44), tomando o exemplo (43c) como representativo:</p>
      <p id="paragraph-7d03531c62a38d6ef7e2614de2898e39">_</p>
      <p id="paragraph-2d6c0efe72d8dc18a7867d097377eb2f">(44) [<sub id="subscript-6c538417407af242b6706128ad32f901">FP</sub> <underline id="underline-c03b34f5b59d28ad96f7c4b847259f26">pro</underline>+F [<sub id="subscript-e9c1d5f86a4eab0b173390f5ed9a72df">TP</sub> o moço a quern falaste sobre <underline id="underline-773bcbd9402e15597bc762276f37d156">esse livro</underline> [<sub id="subscript-b17d47b87b9eb8ccb5dd5b25201dd197">vp</sub> comprou [<sub id="subscript-60a9648f87bbca6d859f701bee2a661c">DP</sub> D <underline id="underline-f92ca57f65448c6e132c001b5308babe">t</underline>] na livraria Bertrand]]]</p>
      <p id="paragraph-a71c7de2339d8fb5a0b6be6ecaac2fd3">_</p>
      <p id="paragraph-8388cbf24ee3b186a77b03e25aeddd39">Repare-se que nesta estrutura, o operador-<underline id="underline-71996490a983d4ac14c630d21973acb1">pro</underline> em F <underline id="underline-7acc0cdd9c745032c7415c5b2d48c80f">c-comanda</underline> o antecedente pretendido <italic id="italic-5a36d31c196e84cd8d1e703237fee487">o livro</italic>, o qual está profundamente encaixado dentro do sujeito. Ora, qualquer que seja em última instância o princípio relevante, um operador não pode c-comandar uma expressão-r co-indexada, como se pode ver no exemplo (45), em que o sublinhado representa co-indexação:</p>
      <p id="paragraph-d671f270c9ade06c4d70a36160ccf9a2">_</p>
      <p id="paragraph-567128e73ddc6dda83949dddcfda0fb5">(45) *<underline id="underline-e9fdf45b8035ea9be5157c80454e1367">o que</underline> (é que) o moço a quem falaste sobre <underline id="underline-8944088a99ed43c83e31771261e0c5c5">esse livro</underline> comprou <underline id="underline-fe07fd40781a3a38399bdd6b30f2d0f2">t</underline> na livraria Bertrand?</p>
      <p id="paragraph-157b7be8775c82d560c64393b99cb2d1">_</p>
      <p id="paragraph-3624dd8d97a61a2255e09dc7f27c9838">A conseqüência deste princípio que nos interessa aqui pode ser dada informalmente em (46):</p>
      <p id="paragraph-e0f7e863d6affc3709fb9fc3a7f63b29">_</p>
      <p id="paragraph-97f1065ef76ee62cbba2e7bd2272a048">(46) O operador-<underline id="underline-53d4afd29abb900b54af1e7c5554a04f">pro</underline> em F numa estrutura de objecto nulo não pode c-comandar o antecedente que o identifica.</p>
      <p id="paragraph-ae2fc15da1d12cfe763b81dfe9ae05e1">_</p>
      <p id="paragraph-e6fccbd52efe24931b0375f7433a74f5">As expressões de (43) são pois excluídas por (46) - mais correctamente, pelo princípio do qual se deriva (46).</p>
      <p id="paragraph-a7551e0d8d01682872a8b6e206d0d53a">Consideremos agora (42). Aqui, por hipótese, há duas instâncias da categoria F na estrutura: uma na periferia esquerda da oração principal, e outra na periferia esquerda da oração subordinada. Simplificando consideravelmente, e tomando (42c) como exemplo, a estrutura relevante dessas orações é a seguinte (para os detalhes desta análise, em particular a relação estrutural entre CP e FP, ver Raposo e Uriagereka 1996)<xref id="xref-78884df0f71d49175954f518d5d6fe43" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-9659b94054ebc9bee2f60e875655fed2">[30]</xref>:</p>
      <p id="paragraph-333b4bbe8a2342b3c75801d60b5512b0">_</p>
      <p id="paragraph-1d7b7826be8b14db0678998bb8916765">(47) [<sub id="subscript-63764143b95ec07de8681e76e65bda50">FP</sub> F [<sub id="subscript-eda6feab392d8b919af00045cb980717">TP</sub>, o moço... disse [<sub id="subscript-3037b674efe196a00f2c25ef7214d5b6">CP </sub>que [<sub id="subscript-d93d719153f38b7a3f9a43f7da3963ec">FP</sub> F [<sub id="subscript-08edf84598da6622a955a27a7cf9da53">TP</sub> <underline id="underline-7a40998216db7803740079e5469726c9">ec</underline> ia comprar [<sub id="subscript-a04e8c5c7e30557f4eeafd8002567a35">DP</sub> D <underline id="underline-d6f6b7ea35abb4a248cfd4b16fa98a0b">pro</underline>] na liv. B.]]]]]</p>
      <p id="paragraph-958de308291409f013c065357ffc2aa6">_</p>
      <p id="paragraph-c4fd1d4d92ccc1632a74067be38e361b">Em (47), o F da oração subordinada fornece um local de poiso adicional, não existente em (44), para o <underline id="underline-63677afb1794459586fdd8617582a5b2">pro</underline>. Ou seja, para além da estrutura irrelevante em que o <underline id="underline-442770bbdd05aba98d0c8f8007742bdb">pro</underline> é movido para o F raiz — e que é excluída pelos mesmos motivos que excluem (44) — podemos atribuir a (42c) a estrutura (48), em que o <underline id="underline-1113d91c774f20fcde224dd226437bf7">pro</underline> é movido para o F subordinado:</p>
      <p id="paragraph-2447e52db4b4e9a92d1dbd82edc9ae5c">_</p>
      <p id="paragraph-a87b01de4c8ea7967909e8e7ee026a38">(48) (<sub id="subscript-751514b1feb03e2e7be34bde678a6769">FP</sub> F [<sub id="subscript-7f4201897b95b3203bd7a031040c16ed">TP</sub> o moço a quem falaste sobre <underline id="underline-9a49675fde1c476143da3579001c7f19">esse livro</underline> [<sub id="subscript-d6e70bf4ed11a116bcdf57646b07b699">VP</sub> disse [<sub id="subscript-d6179c7aa953ee89049026b13117aec4">CP</sub> que [<sub id="subscript-ea2652c79f503cc87496a0662496cd56">FP</sub> <underline id="underline-300c6a0db1988cf8c5209ba58bc41681">pro</underline>+F [<sub id="subscript-aacd2ec8b4ecdbf33654a6e947e95463">TP</sub> <underline id="underline-989d44b190c31c0a3759170aa8f56225">ec</underline> ia comprar [<sub id="subscript-cf74fab89a5bfaa057baa6e12c676752">DP</sub> D <underline id="underline-582a0846d5e1db0b64b7abedf7cc04e9">t</underline>]]]]]] na livraria Bertrand</p>
      <p id="paragraph-9263d21653a311e1c95b3a701eb2e4c5">_</p>
      <p id="paragraph-c857a1fa822c2effd90d419f4964e5eb">É fácil verificar que em (48), o princípio (46) é satisfeito. Consequentemente, o DP <italic id="italic-f042c0aad7584a8f321bd334ee9e2007">o </italic><italic id="italic-9370cf4f349d90fa09753f4a4c32f73f">livro </italic>pode servir de antecedente identificador do complexo <underline id="underline-b4c0eacda6de3c90b41ee6e8c8af5be3">pro - t</underline></p>
      <p id="paragraph-2c4168910cc5dedb9048d72c524e4c05">Repare-se que a análise que se limita a propor que o objecto nulo é um <underline id="underline-2ccbbddfc8660102eeb5ff21aa617615">pro</underline> <italic id="italic-7c45c03c5cf5a8aad22dc61c359c08dc">in situ</italic> e que não há movimento nas frases de objecto nulo não tem nada em que se apoiar para estabelecer a distinção entre os paradigmas (42) e (43). Em particular, um pronome fonologicamente realizado é possível nos dois casos, como se mostra em (49) e (50):</p>
      <p id="paragraph-d86e62d90bbe9f0a841891863b07dbad">_</p>
      <p id="paragraph-fff7cdacd1c1f883f3a9308948ae72d8">(49) a. o polícia que agrediu <underline id="underline-3fc7b228507c3913bea782d1c87342d7">esse preso</underline> acha que é melhor levá-<underline id="underline-eadfcf5a0112ebfef476ccf036a3427e">lo</underline> /levar <underline id="underline-9946ee709226dea68688af5b0598d2b5">ele</underline> para o hospital </p>
      <p id="paragraph-1e80bbf042e41d57cf33f845d6a67f70">b. o aluno que tem o <underline id="underline-ae11bde487c779c56a54cfe7bca479ca">teu artigo</underline> em casa decidiu que ia devolvê-<underline id="underline-cf0fa8ce9e708688cc51cfa477dda21e">lo</underline> /devolver <underline id="underline-6ad409fd2e87d84990e4c0920b6b40c9">ele</underline> ainda hoje</p>
      <p id="paragraph-b666555d4f561e2acb424d817fe82b2a">c. o moço a quem falaste sobre <underline id="underline-982c9c75b97c90bf80cb4c430a697c61">esse livro</underline> disse que ia comprá-<underline id="underline-95fa8b64de7110abdd257fb01a6f3203">lo</underline> /comprar <underline id="underline-1d3cdc00d49952277744af26b763a8b7">ele</underline> na livraria Bertrand</p>
      <p id="paragraph-f00a4e230e57e983158641f4463cf401">(50) a. o polícia que agrediu <underline id="underline-00417ffecfe5979f6fa44cf23941d471">esse preso</underline> levou-<underline id="underline-b5f000f9378ea188375a94d0259b82f5">o</underline>/<underline id="underline-fac88dfbf5d3fc7d6ac2609e1911ef68">ele</underline> para o hospital</p>
      <p id="paragraph-2a92382061ea56e7ac5975c50da2ad97">b. o aluno que tem <underline id="underline-d6bec024e448bd6491c65277234cc366">o teu artigo</underline> em casa devolve-<underline id="underline-0d5527f7c3d9d9e0cd5a6642523aaf12">o</underline>/<underline id="underline-1e15a811025589d72a0c8c626381c241">ele</underline> ainda hoje</p>
      <p id="paragraph-0119d13bf8e6faee0080ec99580570ca">c. o moço a quem falaste sobre <underline id="underline-fe43ceb0d82e0b0ceeedf7477dc41cf6">esse livro</underline> comprou-<underline id="underline-fd66e023f3a919cd39c3f3575cbffcc7">o</underline>/<underline id="underline-cfc9a5673a272d63548a7a35a4f2398c">ele</underline> na livraria Bertrand</p>
      <p id="paragraph-cd1fb25ac183aebbf304354948b5f4b1">_</p>
      <p id="paragraph-0a967bc1e89ece8c3248cda4ab9906e8">Concluindo, o contraste entre (42) e (43) fornece-nos um argumento importante em favor da ideia de que nas estruturas de objecto nulo existe movimento de um elemento nulo para uma posição periférica A-barra - por hipótese, de um <underline id="underline-1f8afe9d350947b3e39cefaeacb8b614">pro</underline> para a categoria F, como propusemos acima.</p>
      <p id="paragraph-bb8a0cacfd2a0c842c0b6ca06f0d63e7"> Se em (43) substituirmos a expressão-r dentro do sujeito por um pronome ou por um objecto nulo, e introduzirmos a expressão-r como um tópico estrutural, as expressões melhoram consideravelmente, tornando-se aceitáveis, o que se ilustra em (51):</p>
      <p id="paragraph-fc9e4ebe41fca19ace10c8cbfdf196ec">_</p>
      <p id="paragraph-9aca8f615cda594670689e662fd4ec68">(51) a. esse preso, o policia que o agrediu levou_____para o hospital</p>
      <p id="paragraph-bc9bed3baf5913dd808ced1516b1538d">b. o teu artigo, o aluno que tem_____em casa devolve_____ainda hoje</p>
      <p id="paragraph-6d7e62bf0eb78672e88882b15d818447">c. esse livro, o moço a quem falaste sobre ele comprou_____na livraria Bertrand</p>
      <p id="paragraph-3d334baff1533bda5303ffeab486a498">_</p>
      <p id="paragraph-032b3e111a7c930eaad4aaa54bb948cd">Mas em (51) o antecedente é um tópico estrutural fora do domínio de c-comando do F principal, e não há assim nenhum problema em mover <underline id="underline-561bd3065364ac22bee80532a6642b96">pro</underline> em adjunção a este F, contrariamente ao que se passa em (43)/(44). A estrutura de (51c), por exemplo, é dada em (52), omitindo material irrelevante:</p>
      <p id="paragraph-70dd3ef56e719dedce71f056ebc71fdc">_</p>
      <p id="paragraph-8f1705603bda3f0c7f0a7df7b4e1a9fe">(52) (esse livro) [<sub id="subscript-a92bff7a36196bcf436be9d89cdadf3a">FP</sub> <underline id="underline-0b2d94d126a76ca3e7991be5d304a1b4">pro</underline>+F [<sub id="subscript-5f60c566d6fe415f6368b762b61bbe91">TP</sub> o moço a quem falaste sobre ele [<sub id="subscript-93bffaa2aa41d6bf794a3c8f91feea3a">VP</sub> comprou [<sub id="subscript-ed853d9c42f5885e7a965b1c4ccafdfb">DP</sub> D <underline id="underline-5b2f1fa7343689b6e8163ecc0d0fe306">t</underline>]...]]]]</p>
      <p id="paragraph-34adc8533572265d5e8d3588817fc704">_</p>
      <p id="paragraph-b785102a439795ef51521edc8ee14616">Entre parênteses, note-se que em (51b), com dois objectos nulos, temos presumivelmente um caso de extracção “across-the-board”, cuja discussão deixamos para trabalho futuro.</p>
      <p id="paragraph-5d3160c24ccd3c996e66509a7bd1f131">Para aqueles falantes que aceitam marginalmente (43), é possível que isso se deva à disponibilidade marginal de uma estrutura semelhante a (52) para esses exemplos, em que o pro é identificado por um tópico pragmático já introduzido no discurso, e que é retomado pelos DPs sublinhados dentro da frase.</p>
      <p id="paragraph-9b88bce35ae60507b64f3677f5d85a73">Gostaria agora de tecer alguns comentários rápidos sobre uma questão que tem sido bem controversa na literatura sobre o objecto nulo, a saber: qual é a relação estrutural permitida entre a categoria vazia na posição de objecto e o seu antecedente? Não vou de modo nenhum resolver o problema, mas apenas apontar que certas conclusões assumidas até aqui têm de ser repensadas. Consideremos para começar o caso ilustrado em (53), que tem sido uma espinha “cravada” na garganta dos proponentes do objecto nulo como <underline id="underline-88d086ec00a863e87043ea6f9a6558f5">pro</underline>.</p>
      <p id="paragraph-60d20238cef9ad99d7d22ba3d7c636b1">_</p>
      <p id="paragraph-4aa690c889578b83b41d57f9aedc138c">(53)*o João pensa que eu recomendei______ ao professor</p>
      <p id="paragraph-584fd44876d2c82625dd3be5931e7fa9">_</p>
      <p id="paragraph-19f04bc7fcf3c81071a7733c4eb7ac2b">A leitura relevante aqui é aquela em que o objecto nulo e o sujeito principal são co-referentes. (53) deve ser comparado com a possibilidade de (54), com um pronome fonologicamente realizado em vez do objecto nulo:</p>
      <p id="paragraph-323efc3f503596081fac0a2365dabb08">_</p>
      <p id="paragraph-d5bd8562318034675b2d6cfef862351a">(54) a. o João pensa que eu <underline id="underline-eb99be868f2e00314991b51bdc4e865a">o</underline> recomendei ao professor</p>
      <p id="paragraph-631e761e39fbdf1b8daf6beb45f1050c">b. o João pensa que eu recomendei <underline id="underline-eb5db81e9ee8815af97d05f2bc3152a1">ele</underline> ao professor</p>
      <p id="paragraph-40c415b331e32cee7aa0e31cdedd4eb2">_</p>
      <p id="paragraph-99b3eb40748d511a2b7e7d92df0ce841">Se o objecto nulo fosse simplesmente um elemento pronominal, não esperaríamos nenhuma assimetria entre (53) e (54), visto que em ambos os casos o pronome está livre na sua categoria de regência, ou de ligação, que é a oração subordinada. Assim, deveria entrar livremente numa relação de co-referência com o sujeito principal. A impossibilidade de isso acontecer é prima facie um forte argumento contra a análise do objecto nulo como <underline id="underline-4a2bbc0425a7c1aa01df4fd25cdf5993">pro</underline>, e sempre foi o trunfo forte da análise do objecto nulo como variável. Assim, no seguimento de Huang (1984)<xref id="xref-0ca0d298f29d999a38c3f25128845cd6" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-a879ba65a0a00533d96957984fff6625">[5]</xref>, a minha análise de 86, com movimento de um operador para o Comp principal, reduzia (53) a um caso de “cruzamento forte”, ilustrado em (55).</p>
      <p id="paragraph-38748b3266d8ca1f406a776d1869fbe9">_</p>
      <p id="paragraph-2a8d7f9a86d76ebcdda058b46d679ae7">(55) [<sub id="subscript-8e04041fa04c527c77f3b9edfc8935a9">Top</sub> <underline id="underline-4643c0105f7c75cc4f31add0f020ff5b">ec</underline><sub id="subscript-47800a5bae6827ed495094b82a695155">i</sub>] [<sub id="subscript-f1d0fc898df46c0ef317bdc86bc6b39b">CP</sub> Op<sub id="subscript-4d67a5fee70a007746d6dcf656208410">i</sub> [<sub id="subscript-5c20acc704ecd8c460064c8c8722d0a6">IP</sub> o João<sub id="subscript-5285ca4c8586f7825f8bdba47b212de6">j</sub> pensa [<sub id="subscript-a37f609d4ea7991acae528045136d3d0">CP</sub> que eu recomendei t<sub id="subscript-622d36284cd1bdf1afb26bcf9dcb55d3">j</sub> na FNAC]]</p>
      <p id="paragraph-66247b5514f1edcb7e41a561e18d9673">_</p>
      <p id="paragraph-06a11b71b22e40b1d5f45738f157639f">Em (55), uma expressão-r (<italic id="italic-2fecf93c06434744e21184a332fa5022">o João</italic>) c-comanda a variável co-indexada na posição de objecto directo de <italic id="italic-f78a8b0081082f344453d3a77f84f552">recomendei</italic>, o que não é permitido pela Condição C da teoria da ligação. À primeira vista, a análise “mista” que defendo aqui preserva essa conseqüência, como se pode ver na possível representação (56) que se poderia atribuir a (53) com base nessa análise:</p>
      <p id="paragraph-34624c6e04324c34e3789cbd60f4b9f2">_</p>
      <p id="paragraph-4b833beaf027801d41d570fb35c15453">(56) [<sub id="subscript-3db676e235d5128994e265db292568b3">TP</sub> <underline id="underline-ff0dca6cc6eac0066d11045e816f78c4">pro</underline><sub id="subscript-0adfa822f0ca1ba77ec0e2b806848ba7">i</sub> +F [<sub id="subscript-18beaee004d7a51c692b0e0f3998c418">TP</sub> o Joãoi pensa [<sub id="subscript-e61c5f4f6875f74a37be17672a2e1ad1">CP</sub> que eu recomendei [<sub id="subscript-905c7d7c319c5d8d2b70ba709dbe9fdb">DP</sub> D <underline id="underline-15ed88677972e1ee140b9cacef939e44">t</underline><sub id="subscript-bfa0f6ff2bf4f4d1d500c9f2a99fcd0e">i</sub>] ao professor]]]</p>
      <p id="paragraph-10e2b99d1383e125a6941608727dff18">_</p>
      <p id="paragraph-14ba14bb4e9848cc4a49112a1ca097c3">Ou seja, se o vestígio do pro movido para o F principal for uma variável, como propus, continuamos a ter um efeito de cruzamento forte em (56), com a conseqüente violação da condição C. Mas repare-se que esta estrutura está em violação do princípio (46): o <underline id="underline-38eea1c157d91228a3f6e643b1d05124">pro</underline> adjunto a F c-comanda o antecedente o João na posição de [spec, TP]. Podemos então especular que a fortíssima impossibilidade de (53), é causada, na realidade, pela dupla violação da condição C e do princípio (46).</p>
      <p id="paragraph-53050374cba41956633e5153776303fa">Mas a questão não é tão simples, porque existe uma estrutura alternativa para (53) que não está em violação do princípio (46), e que se dá em (57):</p>
      <p id="paragraph-ac3311435e161a95ccc341648550e623">_</p>
      <p id="paragraph-8e9876392677db522bcfac75be75cebb">(57) [<sub id="subscript-7ca37783a7972006e25fa912cf444a73">TP</sub> o João pensa [<sub id="subscript-bac4d8bc582f6c421d121c02432001a4">CP</sub> que [<sub id="subscript-2e62996ff382f0f5b3aadf512170150e">FP</sub> <underline id="underline-40d5ad54cabf23900e5c8ab35830720a">pro</underline>+F [<sub id="subscript-a9622d2db6192ddf56f2267e3e8a36ed">TP </sub>eu recomendei [<sub id="subscript-a282f63270833a4fc0fcb8a5610ca99e">DP</sub> D <underline id="underline-64ce2f947f4414a03cbafc5b1a0443e1">t</underline>] ao professor]]]]</p>
      <p id="paragraph-b4ecdde96309d85aca79bec84341a82f">_</p>
      <p id="paragraph-947e766b65d8592bd104fabbd8981cde">Nesta estrutura, o <underline id="underline-a218baef9bcc6dff3c508f206f14a454">pro</underline> é movido para a categoria F da oração subordinada. Embora o princípio (46) seja agora satisfeito, poderíamos continuar mantendo que a condição C da teoria da ligação exclui (57), mesmo que não haja "cruzamento forte”. De facto, o vestígio <underline id="underline-ea0af9218d837887fbbc16a9747a173d">t</underline>, que é uma variável na perspectiva deste trabalho, é à mesma c-comandado pelo sujeito principal <italic id="italic-69a1b455b64c08e8c512dc2018b37154">o</italic> <italic id="italic-0ff463adea2601eb6a70447c4add8369">João</italic>, proibindo assim a sua co-indexação. Esse caminho, no entanto, não é inteiramente óbvio, dada a reformulação da condição C proposta em Chomsky (1986b)<xref id="xref-42c9f7ea16d87610622d3570d160a484" ref-type="bibr" rid="book-ref-a781df9a02398d1d419715f6c57e3fd4">[35]</xref>, que se apresenta em (58) (apenas apresento a primeira parte dessa reformulação, que é aquela relevante para este trabalho):</p>
      <p id="paragraph-ee0690bb73234cac3bad06b50dae8639">_</p>
      <p id="paragraph-e80ed9e286abe6e29adc7e40e3d0eb3a">(58) Uma expressão-r tem de ser A-livre no domínio do seu operador.</p>
      <p id="paragraph-0e2d058ebc9f14f2c777fb69297d4020">_</p>
      <p id="paragraph-6531f1de4a6ada33952bdcff69047bb8"> Ora, se em (57) tomarmos <underline id="underline-d1d536b4471c38595fbd8b8e8c2f04bc">pro</underline> em F como o operador vazio que liga a variável <underline id="underline-c664bd2a5a944ac96130dbdc5756ec66">t</underline>, esta está na realidade A-livre do sujeito <italic id="italic-fb073ed5dd8c310166747609e7fcc168">o João</italic> no domínio do <underline id="underline-fcde94b7e4c1ec0f411c70426621bb11">pro</underline>, que é a oração subordinada. A co-indexação entre o <underline id="underline-548963ad7d8dea2440333d638f933a5d">pro</underline> e o sujeito deveria assim ser permitida pela versão (58) do princípio C, e a leitura co-referente deveria ser possível. </p>
      <p id="paragraph-0aaa61f848ee3049f0943ce6a3ee2697">Para complicar as coisas, (53) pode ser “salva” pela introdução previa do tópico, como notam Farrell (1987) e Cyrino (1997)<xref id="xref-871edcc4ac9981b54d15537fe6a4dea4" ref-type="bibr" rid="book-ref-dd878466376c386611d4d221fa7f3ab2">[8]</xref>, e como se mostra em (59), adaptado dc Cyrino (1997)<xref id="xref-99d7b71bbfa2cb7d00a0ded42021bc39" ref-type="bibr" rid="book-ref-dd878466376c386611d4d221fa7f3ab2">[8]</xref> (que atribui o exemplo a Farrell):</p>
      <p id="paragraph-941116e2ea9025d861c2de698c95afdf">_</p>
      <p id="paragraph-0d1993190c020d4103cfbd2b4b8f7692">(59) todo o mundo insiste que Maria beijou Pedro<sub id="subscript-a51a1540f5410f28445f9c1e2e9310c1">i</sub> depois do baile. Mas ele<sub id="subscript-2e3863cb0c04f98b8a4b89a5c049dde3">i</sub> insiste que ninguém beijou____<sub id="subscript-363f86088a6b72f3af4fd40ea2f7289d">i</sub></p>
      <p id="paragraph-78c1df0bf48b084295d180e63644a5df">_</p>
      <p id="paragraph-3bef7323e6180018daa2daba33966232">Em (59), podemos supor que o identificador do objecto nulo é o DP <italic id="italic-2b0275050208f36362fb6b4a8f464e34">Pedro </italic>da primeira oração, e não o pronome <italic id="italic-b564a0dea26cacfedcc304745a556796">ele </italic>na segunda oração. Sendo assim, o movimento de <underline id="underline-64953481ec86ee7ec3c1f74576d84579">pro</underline> é plausivelmente para a categoria F da oração principal, assumindo que é o F da oração principal que estabelece a ligação com o contexto pragmático e discursivo externo a uma frase. À estrutura da segunda frase de (59) é então (60) (omitem-se vários detalhes irrelevantes): </p>
      <p id="paragraph-b1e403470eca4e3055fd43464ac943a2">_</p>
      <p id="paragraph-10432c2f2bee456f57c9559f97ba4781">(60) (Pedro) [<sub id="subscript-1bf22749dabde73158614355c7efd7d4">FP</sub> <underline id="underline-dc77267709b447a9bdef45eec3e14236">pro</underline>+F [<sub id="subscript-6e8c3bdeef89d45b639d04dce57fcf9f">TP</sub> ele<sub id="subscript-c22568c12c3be81afacf38677de6a2b0">i</sub> insiste que ninguém beijou [<sub id="subscript-2c2c2f4b1f278a07918db138ebcdf7f8">DP</sub> D t<sub id="subscript-e0b08516bf3a3b1f9a06ae0b546309a9">i</sub>]]] </p>
      <p id="paragraph-434dc6b5f257b18c448696d3534b38fe">.</p>
      <p id="paragraph-c87203a7080aa6bb58c9899d6a82d3a2">Em (60), o princípio (46) está satisfeito, mas agora a condição C é violada em qualquer das suas versões (ou seja, com ou sem a cláusula adicional de Chomsky 1986b)<xref id="xref-f32d2bc0119245deb5491cec18484229" ref-type="bibr" rid="book-ref-a781df9a02398d1d419715f6c57e3fd4">[35]</xref>). As frases do ripo de (53) continuam pois a ser um problema, quer se considere o objecto nulo como <underline id="underline-7214472ba47ac3136fd502955aa60feb">pro</underline>, quer como variável. </p>
      <p id="paragraph-5c96127160403ccc232435729bfb1de2">A questão é mais ampla, no entanto, e diz respeito ao papel que o c-comando desempenha no licenciamento do objecto nulo. Em particular, e pondo de lado as questões que têm a ver com o traço [±animado], foi proposto por Kato (1991)<xref id="xref-9723dd0a3444c78f66fa8022c7a3fa7b" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-29561dd4ee76d8a1f45aed74ab60fd0c">[9]</xref> que a sintaxe do objecto nulo definido seria correcta e exaustivamente descrita por uma condição de <underline id="underline-0392db51b2d5324f1f66f5814179e9cd">anti-c-comando</underline> entre o objecto nulo e o seu antecedente — ou seja, o antecedente não poderia c-comandar o objecto nulo. Vou tentar mostrar aqui que esta condição c no mínimo problemática, com as conseqüências que isso tem tanto para os que defendem que o objecto nulo é um <underline id="underline-2bd06ae8f01b255e22e5778135f58215">pro</underline> não movido como para os que defendem que é uma variável. </p>
      <p id="paragraph-63e76920fd17b124996b373705512d22">Para começar, note-se que a condição não pode ser exaustiva, visto que não dá conta do contraste entre (42) e (43) - em ambos os casos o antecedente pretendido não c-comanda o objecto nulo. Considerem-se em seguida os exemplos do (61), com o objecto nulo na oração subordinada adverbial, e co-referente com o objecto directo (sublinhado) da oração principal: </p>
      <p id="paragraph-45a06ca689c7dc3cf9e70bec642a2ddf">_</p>
      <p id="paragraph-d6d46fd7265c6ea75448608bcfb0351a">(61) a. ?o polícia insultou <underline id="underline-4816710b9e686c81992fb7e2ee5e6ef0">o preso</underline> antes de agredir____</p>
      <p id="paragraph-0e7d705b584d72aeebeff66dfeae12a0">b. tirei <underline id="underline-07429ed98e1a0130417aab85192baf3c">o relógio</underline> para fora da caixa sem quebrar____</p>
      <p id="paragraph-eb44b9fb4048dcb0f4a9ed439898acba">c. recomendaram-me esse livro antes de eu comprar____</p>
      <p id="paragraph-9b4abd635ac112fd0094d90236f92191">_</p>
      <p id="paragraph-e9ad51a86bde39e7d824bdb8c27384ac">Considerem-se também os exemplos de (62), com o objecto nulo numa oração subordinada integrante, e co-referente com o objecto directo da oração principal (estes exemplos foram adaptados de Chomsky (1986a)<xref id="xref-172969962e9552121dd2556166ac9695" ref-type="bibr" rid="book-ref-604c3e862d7359cec26160e9f52ee559">[36]</xref>): </p>
      <p id="paragraph-f3402913ed0033cd153f5630dd7737e9">_</p>
      <p id="paragraph-c9218e106522faacab95a16faf07400f">(62) a. ?eu avisei <underline id="underline-bc2a45cb0d79c06f8005135894bb2ef1">esses homens</underline> (de) que a polícia iria prender____</p>
      <p id="paragraph-f3240bc1dba0409efbf97c5ef32a84f3">b. ?alguém convenceu esses estudantes (de) que eu poderia prejudicar____</p>
      <p id="paragraph-91205d7fc449858115aa06d19eda2272">_</p>
      <p id="paragraph-ff49a0420efeab1103bf36ee054ef240">Descontando a ligeira incompatibilidade entre o objecto nulo e um antecedente [+humano] referida atrás, estes exemplos, embora piores que os de (60), não me parecem terríveis. Mas consideremos agora (63) e (64), formados a partir de (61) e (62), respectivamente, pela substituição da expressão-r por um pronome, e do objecto nulo pela expressão-r: </p>
      <p id="paragraph-98fc93f5881cca1b4e24109570e06fb6">_</p>
      <p id="paragraph-52c6484d68c3058d4c308676f56338a6">(63) a. o polícia insultou <underline id="underline-3221789e40b132a64440646aa9f1e859">ele</underline> antes de agredir <underline id="underline-d7f7c40f168c17ce04bce3ba3244285e">o prisioneiro</underline></p>
      <p id="paragraph-b7959cca0a5d286793a1db133f995819">b. tirei-o para fora da caixa sem quebrar <underline id="underline-29a803f30d821bd08b737520a30e86b4">o relógio</underline></p>
      <p id="paragraph-790f83a77f368bc51f70220d9fc5a19f">c. recomendaram-m<underline id="underline-8da506d706e26b079877d62d247a3f26">o</underline> antes de eu comprar <underline id="underline-ccc915571f6806718bfc9dff4d0cdf6e">esse livro</underline></p>
      <p id="paragraph-b80b7378b78a665bfc2c09a8e81a2f8c">(64) a. a polícia avisou-os de que iria prender <underline id="underline-82829e54ee4205eabb3a17a9f0861348">esses homens</underline></p>
      <p id="paragraph-3ba35461471b7981b0ae11d105cfdca9">b. convenci <underline id="underline-56dd971feaa32fb0d4584815dbca0ec7">eles</underline> de que poderia ajudar <underline id="underline-52fe809cf3f4d9fed434b56fe53841b4">esses estudantes</underline></p>
      <p id="paragraph-6555f7fca7b486ba25efceb490d27842">_</p>
      <p id="paragraph-ade88d5072fd3b8a4789e89770a7520c">Em (63) e (64) não é possível obter uma leitura co-referente entre os elementos sublinhados. Tem sido <italic id="italic-410f12541719b763a17c20e939ebf919">standard </italic>na teoria gerativa atribuir esse facto a uma violação da condição-C da teoria da ligação. Ainda que essa análise possa ser posta em causa, na ausência  de uma alternativa plausível, vou assumi-la aqui. Sendo assim, a posição ocupada pelo pronome em (63) e (64) <underline id="underline-0a3d3800f5fef213733a037596a96e24">c-comanda</underline> a posição ocupada pela expressão-r. Mas nesse caso temos de admitir igualmente que a posição ocupada pela expressão-r em (61) e (62) também c-comanda a posição ocupada pelo objecto nulo. Ou seja, temos de concluir algo como (65): </p>
      <p id="paragraph-c0ff346b078e1b16251c01797d31cdbe">_</p>
      <p id="paragraph-f50dc984e9812ee736014fa6e4903697">(65) Não existe uma condição de anti-c-comando entre o objecto nulo e o seu antecedente.</p>
      <p id="paragraph-187fdd59ad195ae36a9e7def7a9e19a8">_</p>
      <p id="paragraph-4b9ce2b22b7aad8695cd7cbd73a5f348">O problema regressa assim à estaca zero. Se em (61) e (62) o objecto nulo é licenciado por um antecedente que na realidade c-comanda o objecto nulo, por que é que isso não é possível em (53)? Uma das diferenças entre (53) e (61)-(62) é que em (53) o antecedente é um sujeito derivado em [spec, TP], ao passo que em (61)-(62), o antecedente é um objecto directo. Poderíamos então propor a seguinte generalização:</p>
      <p id="paragraph-8dd313a0be7d2632f410cfb9cd29c807">_</p>
      <p id="paragraph-6e98db195db955627a9d3afc12a810e2">(66) O antecedente de um objecto nulo não pode ser um sujeito em [spec, TP].</p>
      <p id="paragraph-868529514510449799767e9db0a3039d">_</p>
      <p id="paragraph-20c269594c67434dc53eeb8fcc7641c2">Mas (66) não é mais do que uma generalização descritiva, sem qualquer valor explicativo. Aliás, nem mesmo descritivamente (66) me parece inteiramente sólido. Tudo depende do estatuto de expressões como as de (67) e (68), que nem sequer vou tentar avaliar quanto à sua aceitabilidade:</p>
      <p id="paragraph-ce0e5353b06009a56a3eaa65b590a04b">_</p>
      <p id="paragraph-bd2422036eef565d0df5d3bb753737a7">(67) a. <underline id="underline-8dc59d04eb99fc67a758808d0abce615">o preso</underline> foi insultado pelo polícia antes de este agredir____</p>
      <p id="paragraph-4e90be3402e588c021331e6475443b1b">b. <underline id="underline-b4a746373aca4db56f461ea53bd4b9a2">o relógio</underline> foi tirado para fora da caixa por mim sem eu quebrar____</p>
      <p id="paragraph-3358985c674a96d9282f60b591991869">c. esse livro me foi recomendado antes de eu comprar____</p>
      <p id="paragraph-8126aa4a93cb3d423ccf317b38ae77f5">(68) a. <underline id="underline-10db621776bd1e48d247fa6736a16032">esses homens</underline> foram avisados (de) que a polícia ia prender____</p>
      <p id="paragraph-8be567c24c049ec19adda8e863256401">b. <underline id="underline-feaf3ab600d951cb696238622c44022d">esses estudantes</underline> foram convencidos (dc) que eu poderia prejudicar____</p>
      <p id="paragraph-ff3dd0ceab0a7e8dbea0dc75de8bb49f">As frases destes últimos paradigmas parecem-me mais degradadas do que as de (61) e (62), e as de (68) mais do que as de (67). De qualquer modo, temos aqui uma amostra dos problemas tanto empíricos como teóricos que a sintaxe do objecto nulo continua a levantar em português. Vou deixar o assunto neste estado menos que satisfatório, esperando voltar a ele em trabalho futuro.</p>
    </sec>
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