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        <article-title>GRAMATICALIZAÇÂO</article-title>
        <subtitle>MOTIVAÇÕES SOCIAIS SUBJACENTES À DISSEMINAÇÃO DAS INOVAÇÕES</subtitle>
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            <surname>TAVARES</surname>
            <given-names>Maria Alice</given-names>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Federal do Rio Grande do Norte</institution>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="22/05/2017" />
      <volume>2</volume>
      <issue>2</issue>
      <issue-title>GRAMATIZAÇÃO: MOTIVAÇÕES SOCIAIS SUBJACENTES À DISSEMINAÇÃO DAS INOVAÇÕES</issue-title>
      <fpage>115</fpage>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">
          <italic id="italic-7d8b8b9153ebdf9ee71560c661c2f744">Analiso indícios da disseminação social dos conectores sequenciais aí e daí em Florianópolis (SC). Essa disseminação é parte de um processo de gramaticalização, e avança dob a influência de duas motivações de natureza social em particular: (i) a valoração desfavorável atribuída a aí e a daí pela comunidade de fala: (ii) a necessidade de marcação identitária, provavelmente subjacente à super utilização do daí por pré-adolescentes.</italic>
        </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-f30c66433790cdf0fdebd1a83eb7fbb9">I analyze evidences of social spread of sequence connectors ai and dai in Florianópolis. That spread is part of a grammaticalization process, and advances under the influence of two social motivations in particular: (i) the negative of aí and daí is the speech community; (ii) identity marking needs, which probably underlie over use of daí by preteens.</p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">gramaticalização</kwd>
        <kwd content-type="">motivações sociais</kwd>
        <kwd content-type="">sequenciação</kwd>
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    <sec id="heading-ebe22a7785aec4e4d4818d4670e1eb61">
      <title>Introdução</title>
      <p id="heading-aa9dad7c0e7f8036bd63afec1b93a892">"Mas em nossa própria língua é difícil não cair numa torrente de emoções provocada pelo contraste entre novos e antigos modos de dizer a mesma coisa." (Labov, 2001:04)<sup id="superscript-c8c80701f0583c5b4e7efb43b74b5dc1">2</sup></p>
      <p id="paragraph-dd13918eacefb2f366bca24e452de991">.</p>
      <p id="paragraph-769738e71db95548776c720bcb6411ee">O tratamento funcionalista da língua fundamenta-se na aceitação, em maior ou menor grau, do(meta)princípio da izoicidade, segundooqual as estruturas lingiifsticas tendem a refletir e a ser pressionadas por funções (cf. Givón, 1990). Se algo é posto em uso, o é por conta de algum papel que desempenha no discurso. A iconicidade são implica, porém, a existência de correspondências biunívocas e não arbitrárias do tipo representadopela fórmula 1:1 (isto é, para cada forma bá umafunção). Formas e funções estão sempre em mobilidade, haveado não raro mais de uma forma para cada função e mais de umafunção para cada forma. Àiconicidade que caracterizaalíngua reside no fato de que as formas são usadas sob influência de um conjunto de motivações funcionais.</p>
      <p id="paragraph-1157df2898b01f01cb2f28e32111591c">O discurso é definido como uma cadeia de fluxo linear contínuocomposta por um conjunto de estratégias diversificadasde concatenaçãoe encaixamento de fórmulas lexicais e gramaticais, organizadasde modocriativo pelo falante com o intuito de adaptar funcionalmente seu texto para umdeterminado ouvinte em umadeterminadasituação de comunicação. À gramática é um repertório de estratégiasrotinizadas de construção de discursos: fórmulas lingiifsticas e recursosretóricos envolvendo itens lexicais e/ou gramaticais, inicialmentecriativos e expressivos, tornam-se habituais por recorrerem em certotipo de contexto interacional (Hopper, 1987). A gramática, portanto,é aberta, fortemente suscetível à mudança e intensamente aftada pelo uso que lhe é dado no dia-a-dia, respondendoa pressõesdiversas — cognitivas, comunicativas,estruturais e sociais? que continuamenteinteragem e se conftontam.</p>
      <p id="paragraph-4c6a2e09f3ed1e4161e70e3265ffe628">O movimento de roinização gramatical é denominado gramaticaszetão, caracterizadocomo o processo de regularização gradual peloqualuma estratégia frequentemente utilizada em situações comunicativasespecíficas adquire função gramatical, A frequência de exposição e deuso das fórmulas gramaticais é de grande importância para o estabelecimentoe a manutenção da gramática: sua representação cognitiva éafetada pelo contato do usuário da língua com repetidas instâncias de uso no sentido em que fokens da experiência fortalecem os exemplaresarmazenados (Pieerehumbert, 2001; Bybec e Hopper, 2001).</p>
      <p id="paragraph-44458d3a518434a9ac05a5cc0ccbe7cf">Abordagens pautadas na perspectiva da gramaticalização costumeiramentebuscam explicações para a mudança postulando motivaçõesdeordem funcional (entendidas como cognitivas e/ou comunicativa),que estariam subjacentes às alterações sofridas pelas formaslingisticas. Recentemente, o foco dos estudos voltados ao fenômenoda emergência de itens gramaticais tem sido dirigido também paraas motivações de maiurega social (E. Bisang, 1998; Giannini, 1998; Androustopoulos,1999), passíveis de contribuir para a propagação dasinovações ao longo doespectro social e, adiciono, em certoscasos,para opróprio desenvolvimento do processo de mudança funcional!em dizeção a níveis ainda mais gramaticais.</p>
      <p id="paragraph-dc58741f5868ca0a84013f8dc1e57545">Pesquisadores funcionalistas que lidam mais diretamente com traçossociais costumam ter como fonte a sociolingiística variacionista,empregando seus conceitos e mesmoseus termos. Por exemplo, Androustopoulos(1999) cita estudos variacionistas(mais especificamente,Labow (19724) e Kerswill (1996) em scu estudoda pramaticalizaçãodemarcadores discursivos na fala dos jovens — faixa etária em quepode haver umpico de mudança. É dignode nota que Androustopoulosadapia a tradicional expressão de Labos, “mudança em andamen-10º, para “gramaticalização em andamento”, tecendo, no seio dos estudosde gramaticalização, uma conversa com a sociolingiística.</p>
      <p id="paragraph-e412b277173696ec1bac9143d3b1e07b">Foi a sociolingáística variacionista que primeiro se voltou para aface social da variação e da mudança, um dos pilres de sua constituiçãona décadade 60, fundamentada na proposiçãode que era possívelestudar a heterogencidade lingúística levando em conta a selaçãoentrelíngua e a sociedade. Emcontraste,os primeiros estudosde gramaticalização destacando considerações de ordem social de quetenhonotícia datam dadécada de 90. Ressalte-se também que é asociolingiística que até hoje investiga com mais profundidadea relação entre língua e sociedade, considerando-adiretamente vinculadaà mudançalingúística.</p>
      <p id="paragraph-a2b6bd541ee7f95af883acbed50a8707">Uma parte importante da investigação das origens sociais da mudançalingiística levada a cabo pela sociolingiística foi a idemtificaçãodos grupos de falantes que são “responsáveis” pela disseminaçãodas inovações. Os traços que têm sido mais relevantes para identificação de tais grupos distribuem-se entre aqueles adstritos ao falante(como sexo idade) e aqueles por cle adquiridos (como classesócio-econômica e escolaridade). Grupos sociais específicos, organizadosde acordo ostraços supracitados, podem influir na velocidadededisseminação das inovaçõesoriundas da gramaticalização, ao assujeitarem-se a motivações como: () a valoração atribuída às formaspela comunidade de fala; (5) questões de marcação identitária.</p>
      <p id="paragraph-178855eb034874c0fc7c93a9e5002152">Com objetivo de averiguar a possibilidade de tais motivaçõesintervirem nos rumos do processode gramaticalização, analiso o casoda sequenciação retroatvo-propulsora de informações em Florianópolis(SC), perscrutando indícios da difusão, em diferentes estratosdessa comunidade de fala, das estratégias mais recentes de codificação da segienciação, aí e daí, em detrimento das mais antigas, é eentão. Busco respostas para questões como: Qual a direção das pressõesexercidas pelas motivações sociais correlacionadas à utilizaçãodos segienciadores é, aí, daí é entar? Qual o grau de espraimento dasformas inovadoras aolongodos grupos sociais? Há retraçdas formas mais antigas em algunsdos grupos considerados? Quaisas implicações de avanços e de recuos de uso dos segienciadores aolongo de diferentes esferas da comunidade de fala para o seu processode rotinização como itens gramaticais?</p>
      <p id="paragraph-a22576568e6f8e8d43208ef8713aa0e6">O referencial teórico que conduz a investigação integra pressupostosteórico-metodológicos de duas teorias que vinham sendo desenvolvidas em separado noâmbito da lingiística até cerca do final da década de 80: () o funcionalismo lingiústico voltado ao estudoda gramaticalização, com especial atenção às propostas de Hopper e Givón, e (1) asociolingiúística variacionista de Labow. As visões de mudança oferecide uso das por cada uma dessasperspectivas não são excludentes, o que em muito facilita tentativas de integração (cf. seção 1). Para denominar a vertente de pesquisa situada na interface entre funcionalismo e socio-Jinggísica utilizo o nome sacifinciznaliono (a respeito, cf. Neves, 1999;é Tavares, 2003). Osdados analisados foram extraídos de entrevistasfornecidas pelo Banco de Dados do Projeto VARSUL/UFSC (VariaçãoLingiiística Usbana na Região Sul do Brasib). </p>
      <p id="paragraph-df718e60385724ad0ef4e59c3e52462c">O artigoestá organizado da seguinte forma: apresentaçãodo refezencial teórico e,logo a seguir, da segienciação retroativo-propulsora. Na seqliência, constam os procedimentos metodológicos, a análise dos resultados e as considerações finais.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-aaddd69fae53b8665df6bc4d2a2b3047">
      <title>1. Motivações sociais dob a perspectiva sociofuncionalista: levando adiante a mudança</title>
      <p id="paragraph-50a9e241be89fa951cd68588079da7e0">O funcionalismo c a sociolingifstica variacionista apresentam diversos postulados em comum, dentre os quais destaco: () é prioritária a língua em uso, cuja natureza heterogênea abriga a variação e à mudança. (cf. Givón, 1995; Weinrcich, Labov &amp; Herzog, 1968); (i) os fenômenos ingiísticos que constituem o alvo das investigações são analisados em situações de comunicação real em que falantes reais interagem (cf. Bybee &amp; Hopper, 2001; Labos, 1972a/b); Gi) à íngua está continuamente se movendo, mudando e interagindo(cf Hopper, 1987; Guy, 1995); (19) a mudança espalha-se de forma gradual ao longo do espectro social, considerando-se fatores como região, geração, classe social, etc, sendo o aumento de frequência de uso compreendido como índice de difusão sociolingúística (cf. Hopper &amp; Trugott, 1993; Labov, 1972 2/b, 2001).</p>
      <p id="paragraph-3763613e97000b49637821b0cfb261d9">Essa semelhança de preceitos respalda a possibilidade de um duploenfoque teórico, como o desenvolvido aqui. No entanto, hávái-Osaspectos cuja convergência não é tão simples « que necessitam serpontuados. Iniciemos pela oposiçãoentre tomar como objeto difesentesformas sersas uma só forma, Poucosestudosde gramaricalizatêmfocalizado ao mesmotempo duas ou mais formas, optando,ao invés, por lançar 0 olhar sobre os estágios de mudança por que passa um só item ou construo. Esse é o caso, por exemplo, dos estudos sobre a marca de futuro do inglês de going o, sobre as conjunçõesdo inglês bile € sines, sobre os marcadores de interrogação em línguas européias, entre outros (Traugott, 1982;Heine e! ali, 1991; Hopper e Traugort, 1993; Ramat, 1998). Por outro lado, os estudos variacionistas têm por alvo a variabilidade lingístia, o que obrigatoriamente os faz agrupar dois ou mais itens lingiústicos para analisá-los como variantes — o requisito mínimo para o pontapé inicial da investigaçãoé a existência de duas ou mais formas em variação.</p>
      <p id="paragraph-3e007ec2bc121458dd4a6b4f6b17452e">O princípio de estratificação, proposto por Hopper (1991) como uma das maneiras de se diagnosticar a ocorrência da gramaticalizasão, permite a convergência entre tais objetos de estudo, pois prevê que, dentro de um domínio funcional emergemcontinuamente novas camadas para desempenhar funções que em geral já são exibidaspor outras formas, mais antigas no ramo. A análise somente será completa se forem levadas emconta todas as camadas — sejam as mais joveas, sejam as mais idosas —, pois é o uso dadoa cada uma que define os rumos do domínio como um todo. Emparelha-se assim o objeto dosestudiosos da gramaticalização com o objeto dos estudiosos da variação, dando origem ao objeto dos sociofunci onalistas: diferentes formas — camadas ou mariantes ou camadas varianées — que convivem em um mesmo âmbito funcional, gerando o que pode ser definido como uma sibiação de <italic id="italic-5eae7d5f04f21e7162e9224bcd64ae7b">estratificação/</italic>variação </p>
      <p id="paragraph-b0ce1e155ccc42d72f05b5dfb51e2bf8">A partir dessa convergência, temosde questionar se o que as camadas/ variantes possuem em comum — aquilo que permite que sejam consideradas, em termos funcionalistas, camadas de um mesmo domínio ou, em termos da sociolingúística, variantes de uma mesmavariável — é o mesmo significado (conforme teoria 'mãe” variacionista) ou a mesma finção (conforme à teoria “mãe” funcionalista). À sociolingiística privilegia como critério para o estabelecimento de um conjunto de variantes a exigência de manutensão do significado: as formas devem se referir ao mesmo estado de coisas (Labow, 1978). Emcontraste, o princípio de estratificação pressupõe que o que  caracteriza as camadas habitantes de um mesmodomínio é a igualdade no plano funcional. A melhor solução parece ser o afrouxamento docritério pelo qual as variantes costumam ser agrupadas: itens emrelação de estratificação/vari ação podemmanifestar ou não o mesmo significado, conquanto exibam a mesma função.</p>
      <p id="paragraph-97fc0bfd124eba3b02345a7fac4dad21">As camadas/variantes emergem na gramática emdiferentes épocas e passam conviver e a competir por espaço com as demais tanto na gramática dos indivíduos quantona gramática da comunidade. Têm scu uso condicionado pela interação de motivações cognitivas, comunicativas e sociais, que se constituem emarmas que cada camada/ variante possui, fazendo-a avançar, estacionar ou recuar em seu processo de mudança. Neste estudo, são postas emevidência duas motivações de natureza social:</p>
      <list list-type="bullet" id="list-2057b4d583294c2d49bae4a727eadf3b">
        <list-item>
          <p>Avaloração atribuída às formas: A propagação da mudança depende dos valores associados às inovações lingiústicas, que, em geral, não recebem valoração positiva” Se uma dada formaé considerada de menor status, isto é, como não pertinente à língua padrão/ culta, sua utilização deve ser influenciada por tal avaliação negativa. Por exemplo, aparecerá commais frequência na fala de indivíduos de menor idade e escolaridade, que costumam dar maior preferência às formas não padrão, se comparados aosindivíduos de mais idade e escolatidade (ct. Labov, 1972, 1990; Chambers, 1995).</p>
        </list-item>
        <list-item>
          <p>Marcação de identidade: Falantes mais jovens tendem a tomar formas estigmatizadas e/ou inovadoras como marcas típicas do grupo de pares (cf. Labow, 1972, 1990; Chambers, 1995). A par disso, ticas comoos mais jovens tendem a super utilizar as marcas lingii identitárias, podemacabar acelerando o andamento de seu processo de gramaticalização, contribuindo, por meio da grande recorrência, nãoapenas para a difusão das formas, mas para a própria alteração emseus padrões semântico-pragmáticos e/ou morfossintátcos de uso, conduzindo-as para níveis mais gramaticais.</p>
        </list-item>
      </list>
      <p id="paragraph-f9ea6eb9f02f302d1351424f81126a8a">A direção da atuaçãodessas motivações sobre a propagação das camadas /variantes mais recentes da segienciação na comunidade de fala florianopolitana é perscrutada através do controle dos grupos de fatores sociais idade, escolaridade e sexo.</p>
      <p id="paragraph-a6aad2db35da8a6817d9bc6a26565138">Tabov (1972) relaciona o termo mudança à fasc de difusão sociale não à inovação em si. No prisma da gramaticalização, a mudança ocorre em duas etapas indissociáveis: () a emergência de novas estratégias gramaticais quandoda negociação e da adaptação de fórmulas discursivas pelos interlocutores emsituação de interação; () o processo sociolinguístico de propagação das inovações (Hopper &amp; “Traugott,1993). para sta última etapa que ora atento, observando o grau de disseminação de a e de def em diferentes estratos da comunídade de fala de Florianópolis.</p>
      <p id="paragraph-f26a79c85b2d68fe2ef8d5e8c27870ce">“Aí é daí já estão regularizados como segilenciadores, uma vez que surgem recorrentemente na fala de vários Hlorianopolitanos, exibindo a relação de continuidade e consonância entre informações. Todavia, à gramaticalização é um processo contínuo. Se alguma alteração estiver acontecendo atualmente, um diagnóstico pode ser obtido por meio da disttibuiçãodos sequenciadores de acordo com estratificação etária dos falantes. Caso notemos um aumento na taxa de aparecimento do aí e do daí na fala de cada geração mais nova, teremos boas evidências de mudança em andamento, no sentido de: () aí daí esta rem ocupando pouco a pouco o espaço de e c então, podendo mesmo vir predominar nafunçãode segienciação, em detrimento das formas mais antigas; (i)a e daí estarem avançando rumoa uma maior totinização como estratégias seqienciadoras: quanto mais fregõente uma forma, maior O seu grau de penetração na gramática.</p>
      <p id="paragraph-84aae5a6e012c4c4c21f928ed00048b1">Para estudar a mudança em andamento, a sociolingiiística variacionista confia na hipótese de que o vernáculo! de um indivíduo de uma certa faixa etária permanece essencialmente o mesmo a despeito da passagem dos anos, o que permite que se compare a fala de pessoas de diferentes idades para observar diferentes estágios da língua (processo metodológico denominado “análise da mudança em tempo aparente”). A aquisição da língua seria finalizada até o final da adolescência e cla se manteria intacta pelo resto da vida, do que resultaria que, ao analisarmos a fala de uma pessoa de sessenta anos hoje, teríamos um reflexo do sistema que estava sendo adquiridopor volta dos anos cingicnta (cf. Labov, 1994:28, 1981:181; Silva &amp; Paiva, 1996:353). A concepção subjacente a a mudança lingúística avança em progressão geracional uma camada/ variante inovadora que ocorre com baixa frequência na fala dos idosos ocorre com mais freqjiência na fala dos adultos e mais ainda na fila dos jovens, configurando, com o passar do tempo, uma mudança na comunidadede fala.</p>
      <p id="paragraph-99b1b5f25390d9f8e7090cb3260d7847">Contudo, Labov(2001:438) aponta que temos de ser cuidadosos ao assumir a perspectiva de análise da mudança em tempo aparente, pois o pressuposto de fixação do sistema lingifstico ao final da puberdade não é balizado em alguns casos. Exceções têm emergido de análises empíricas, envolvendo tanto mudança morfossintática quanto fonológica” Por essa razão, Labov (ap. ai) e Kerswil (1996:179) alertam que a concepção de estabilidade do vernáculo após a adolescência talvez precise ser revisada ou ao menos reladivizada à cada situação de variação. Estudostêm sevelado que adultos em torno de trinta à quarenta anos aparentemente perderam grande parte da habilidade. de mudar seu sistema lingiístico, mas ainda assim não se pode afirmar que possuam um sistema rígido imutável!"</p>
      <p id="paragraph-7a4592824da960927f58a37360bb7bff">Asolução sugexida por Labow, em termosde procedimentos metodológicos, é não confiar tão somente em resultados relativos à distribuição etária dos informantes como fonte para a constatação da existência ounão de um fenômeno de mudança em andamento, mas também buscar informações em fontes diversas — por exemplo, analisando-se as demais distribuições sociolingúísticas obtidas e valendo-se de dados de tempo real</p>
      <p id="paragraph-2711c51854c3b47fde660f0f13ba0de7">Nessa linha, considero os demais gruposde fatores sociais controlados como possíveis fornecedores de indícios complementares acerca dos caminhos de mudança seguidos por 6, aí dae então, que, por hipótese, têmseus padrões de uso alterados pela pressão de forças de naturezasocial — a talbração atribuida às formas e a questão da marcação identitária. Todavia, não apresento, por uma questão de espaço, resultados corraboradores provindos de análises de mudança em tempo real!</p>
    </sec>
    <sec id="heading-959660e32de962b4e364ec9e5b945028">
      <title>2. A segienciação de informações e suas camadas/variantes</title>
      <p id="paragraph-55dce980fcc9296b68c69fac9ed4be84">A seqjienciação retroativo-propulsora de informações é o domínio funcional responsável pelo estabelecimento de uma selação coesiva entre um enunciado precedente e um posterior, gerando a expectativa de que algo novo será introduzido no discurso, em continuidade e consonância com o já dado, Essa telação é codificada, em Florianópolis, especialmente por quatro conectores: &amp; aí da e então que aparecem tepetidamente em contextos de segienciação, o que permite considerí-los camadas variantes regularmente em açãonesse domínio.</p>
      <p id="paragraph-902d8204369cd5bc0cdc8851c70abb27">A segienciação tece partes do discurso de proporções variadas, desde informações conectadas localmente emorações, a tópicos/assuntos conectados plobalmente. É, portanto, uma função de natureza relacional, pertinente ao âmbito gramatical. Mas qual é o seu significado? É o valor!! de indicar um ponto passado nodiscurso (a retrafãi), e, ao mesmo tempo, de indicar um ponto futuro (a propulião, que se relaciona com o primeiro por se seguir a ele. Assim, direciona para frente, para à continuaçãodo discurso, evidenciando que o que foi dito anteriormente é uma fonte de informações para o que será dito depois. Trata-se de uma função-significação (cf. Nichols, 1984), isto é, um significado que reflete o contexto comunicativo, dependendo fortemente de informação contextual para ser depreendido.</p>
      <p id="paragraph-abd287c72977d879525785d429658183">Diferenciei, com base nas amostras consideradas, cinco subfunções da sequenciação: (9) segienciação textuak uma estratégia linguística coesiva que assinala a ordem pela qual as unidades conectadas sucedem-se ao longo do tempo discursivo (cf. (1) (1) sequenciação temporal as informações introduzidas sucedem-se temporalmente em relação às informações já dadas (cf. (2); GH) introdução de efeito: as informações introduzidas representam consequência ou conclusão em relação ao que foi dito previamente (cf. (3); (iv) 1/omada: ocorre um movimento de recuperaçãodo fluxo temático anterior, interrompido por uma digressão (cf. (4)); (v) finalização: carsctesiza-se pela adição de umaoração que sinaliza O final de umtópico/assunto (cf. (5) Embora é, aí, daí é então apareçam vinculados a todas as subfunções seqiienciadoras, exemplifico com apenas um dado de cada por uma questão de espaço:</p>
      <p id="paragraph-2a1cba5c86d6e0ae90008c79d9421e05">.</p>
      <p id="paragraph-ccd221799e2b7c741a19d75e0278d53b">(1) E cu fui lá. A criança está amarrada assim numacorrente, Criança tem treze anos. Então é uma família que o pai teve um acidente,não trabalha. Ganha osalário mínimo. (TE/FLP16:645)'%</p>
      <p id="paragraph-5855ace7493e97e22a8274eb546d7cbc">(2) Ele pegava o bambu, pegava- amarrava uma tocha e tocava fogo. (Q/FLP01:1233)</p>
      <p id="paragraph-e2cb1f49cb3f575ded7a184e9f9de6b3">(3) A gente dava o banho,dava um purgante, aí a criança ficava boa. (NI/FLPOB:588)</p>
      <p id="paragraph-19c32158a0867514f30f20e9f3d1003a">(4) Uma moça que ela era ficira, era noviça, né? 4 Fu adoro filmes assim. Realmenteé dois- Eu gosto defilmesassim. Lá umavez ou outra eu gostode de filmes de guerra, assim como Rambo,essas coisas assim. Mas não é filme que meatrai, né? ) E ela é noviça. E ela- ela- ondeela estava, queela foi estudar, cla queriasair, ela queria conhecer a vida fora. JU/FLP11:1325)"</p>
      <p id="paragraph-8aa6a33e3df6d8b56b02d7e1f271184f">(5) Aí fez gol, maseu nem sabia, depois que o meu pai falou: “Tez gol!” Nem o Rafael, uns amigos do meu pai que se casou até ontem, ninguém sabia. Aí depois eu: “Foi zero a zero, né pai?” “Claro que não, foi um a zero” Af a- a J: “Ah, mas tu não presta atenção, só vai mesmo pra comer, não fala nada.” Ah, meu deus! Daf é assim. (CA/FLPO3C:28)</p>
      <p id="paragraph-c0b82afe70ad40e9bc0e02841210bf62">.</p>
      <p id="paragraph-e038193d228278c64108b120d4b0a97d">E, a, daí « então são opções disponíveis na gramática da comunidadede fala, sendo postos variavelmente em funcionamento quado há necessidade de marcar a sequenciação. Encontrei inclusive casos de uso muito semelhantes, como os seguintes, envolvendo verbos dicendi, em situação de segiienciação temporal:</p>
      <p id="paragraph-33d893bc1e55ecf3fb07af02c70e2f68">.</p>
      <p id="paragraph-d473e99101f52a0a67306fbac80f59b8">(6) E ele: “Vouficar” “Não, tu não vais ficar.”E ele disse: “Eu não vou.” Eudigo: “Não, tu nãovais ficar” (RO/FLP03:735)</p>
      <p id="paragraph-eae3078a4171ab9355e2105f09685d34">(7) pessoa já está vendo que terminou, então vai na pessoa que é encarregada, então diz a ela: “Está faltando uma caixa de tomate”, ou “está faltando vinagre” ou “está faltandotal coisa”, aí ela passa a ordem, vai lá pro almoxarifado, faz o pedido, a pessoa tem saca pra continuar O serviço. (ID/FIPO7:469)</p>
      <p id="paragraph-c3cc587aff73f8afd2d1bf30657277a8">(8) Ela falou: “Ah, vai ser menino e o nome vai ser Mateus” Aí eu disse assim: “Então, se for menina, tu bota o nomede Bárbara, porque eu gosto”Daí nasceu menina, daí ela botou. (DE/FLP06J:552)</p>
      <p id="paragraph-23468ce9d3840250c735934d0e9c562e">(9) Daí ela diz: “Ah, vai fazer deveres?” “Não tem deveres” Daí ela diz: “Ah, que escola é essa que nunca tem deveres, professor nunca passa deveres?" (DE/FLPOG]:188)</p>
      <p id="paragraph-cdf9f138beaa7dee305e12d02ee71641">.</p>
      <p id="paragraph-9145289996c87a104f7fe04ce979c6fd">“<italic id="italic-c43c11fae250b9c57999bea2febc8e6e">Aí</italic> e <italic id="italic-99c0b328d8a163094f398cae96bf93f5">daí</italic> adentraram o domínio da segienciação bastante secentemente, se comparados a e então, cujo tempo de serviço é longo. Foi como segienciadorque o e surgiu no português, provindo da conjunção latina es! Então também já era utilizado nesse papel nos peimórdiosda língua portuguesa (séculos XIII e XIV). Quanto aí e daí é indefinida a época em que surgiram seus empregos conectivos(não encontrei nenhum registroacerca disso). Acredito que seus uso: giienciadores tenham surgido apenas em língua portuguesa c em tempos não tão antigos, pois, mesmo buscando por eles em diversos textos do século XIII ao XX,só obtive dados em romancesescritos a partir da primeira metade do século XX (Iavares, 2003). Além disso, em um estudo comparandoos domínios da seqilenciação na fala do português brasileiro e doportugués europeu, não localizei nenhum dado do aí e do daí como conectores além mar, oque é forte indício de que se desenvolveram apenas noportuguês brasileiro (Tavares, 2002).</p>
      <p id="paragraph-e1f1bbad5e241189bfb459a8a243e5cf">Como aí e def segiienciadores são migrantes tardios, é provável que seu processo de disseminação social esteja ainda em progresso. A segmentação da comunidade florianopolitana emgrupos menores, relativos diferentes faixas etárias, níveis de escolaridade gênero, poderá ser reveladora do grau de penetração de aí e de daí em âmbitos sociais distintos, e também mostrar a reação de e e deentão frente à invasão de seu território por parte dos novos seqienciadores. Apenas à entrada de novos membros em um domínio funcional não provocaria embates de morte, mas um grande aumento da fiegiência de uso destes poderia levar à retração da utilização de velhas formas e mesmoaoseu desaparecimento, ao menos em alguns dos micro-cosmos da comunidade, Seria o caso em Florianópolis?</p>
    </sec>
    <sec id="heading-f7f4cd85de6a1c659333a29e2cb54a66">
      <title>3. Procedimentos metodológicos</title>
      <p id="heading-e5147f4f5439cd0ee2d7d05e856775df">A escolha dos grupos de fatores sociais à serem controlados deveu-se à organização do banco de dados utilizado: o Banco VARSUL/UESC,constituído por entrevistas feitas com informantes distibuídos homogeneamente em células sociais de acordo com os traços sexo, idade escolaridade. Faço uso de dados referentes ao corpus da região urbana do município de Florianópolis, constituído por 36 entrevistas de informantes mulheres e homens,de três faixas etárias(de 15 21 anos; de 25 a 45 anos; mais de 50 anos) e três níveis de escolaridade (quatro anos; oito anos; onze anos). Analiso também 12 entrevistas com informantes de 09 a 12 anos, de ambos os sexos e cursando da 3º à 6º série do ensino fundamental. Como é, aí de e então são bastante recorrentes nafala, considero apenas os trinta minutos finais das entrevistas. Obtve um total de 4.300 dados com a seguinte distribuição: e = 1.790; aí = 926; daí 890; então = 694, Os dados codificados foram submetidos a tratamento estatístico através do pacote VARBRUT. (Pintzuk 1988), para cálculo de fregiências, percentuais e pesos relativos,” e para a identificação da ordem de significância dosgrupos de fatores considerados. Nas seções seguintes, esses grupos são expostos consoante sua ordem de relevância para a opção por um dentre os segienciadores: (i) idade; (ii) escolaridade; (iii) sexo.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-2a2ff8a5b408e0b602f81d7c1ec10360">
      <title>4. Falando em Florianópolis: idade, escolaridade e sexo</title>
      <sec id="heading-26c689d586e7a713a1df637b3eec5ced">
        <title>4.1. Idade - abusoadolescente?</title>
        <sec id="heading-7c18e2be6fc71265faa54c3b3c37b7e2">
          <title>4.1.1. Caracterização e hipóteses</title>
          <p id="paragraph-2b459ae5a0ab61c08b58b61e2fb57e4f">Entender os cfeitos da idade sobre a língua requer entender as mudanças nasrelações sociais aolongo de nossas histórias de vida. Passamos porafiliações a sucessivos grupos de referência c socializasão, em estágios que, segundo Chambers (1995:159), podem ser sintetizadosdo seguinte modo: (i) na infância, o vernáculo é desenvolvido sob influência da família é dos amigos; (ii) na adolescência, as normas venaculares sofrem aceleração sob pressão de redes densas; (iii) no início da vidaadulta,a estandardização tende a se intensificar e, uma vez que os traços do socioleto estão estabelecidos na fala, eles permanecem relativamenteestáveis para o resto davida. É no periodo da adolescência que osindivíduos comumente sentem necessidadede, por um lado, distinguir-se dos adultos e, por outro,aproximar-se de companheiros da mesma idade ou um pouco mais velhos. Nesse processo de busca da identidade, formas já existentes na região podem ser tomadas como marcas identitárias, havendo predileção por aquelas que fogemà língua padrão/culta.</p>
          <p id="paragraph-e13b61c8be1732e9d774cfba238cda42">Busquei propor, no conjunto de 48 informantes que, nesta pesquisa,representam a comunidade de fala de Florianópolis, recortesno contínuo etário que fossem consoantes às etapas de vida supracitadas.Contemplo, pois, quatro faixas etárias: de 09 a 12 anos(préadolescentes, em pleno processo de alinhamento a um grupode ami-08); de 15 à 21 anos (envolvimento em gruposadolescentes, finalizaçãodaescolarização secundária e orientação ao grupode trabalhomais amplo e/ou universidade); de 25 45 anos (emprego regular e/ou responsabilidades familiasidades); acima de 50 anos (diminuição da força de trabalho e aposentadoria)</p>
          <p id="paragraph-675ba4261bdb920e533d226aa418f571">Dois dentre os segienciadores sob análise — aí e def — costamamser considerados de menor status, isto é, trata-se de conectores quenãofazem parte do conjunto de formas pertencentes à língua padãoculta. Sua utilização é, provavelmente,influenciada por tal avaliaçãonegativa: aí « daí devem ser mais recorrentes nafala dos indivtduosmais jovens, de 09 a 12 anos e de 15 a 21 anos, aopasso que osindivíduos de mais idade devem dar preferência para e e para então, osquais não são considerados conectores de menor status?! Pautandotal previsão, está a hipótese de que duas motivações sociais atuamem oposição na comunidade de fala florianopolitana: () à necessidadede afirmação da identidade levaria a uma maior freguência de formasde menor status, comoaí e da, na fala das pessoas com menos de21 anos; (i) o caráter estigmatizado desses conectores resultaria emsua menor tecorrência na fala das pessoas com mais de 25 anos, talvezem razão de um maior envolvimento com o mercado de trabalho,em que pode haver uma certa pressão em direçãoaorespeitode nor.masda língua padrão/culta.</p>
          <p id="paragraph-5f2db60d4be8c521f685d6ebe366e7e9">Subjacente à relação emtre períodos de vida c o uso de formas de status inferior, está outra razão pela qual podemos esperar uma maior recorrência de «í e de daí na fala dos menores de 21 anos: são esses indivíduosque tendem a angariar formas inovadoras como marcas tpicas do grupo de pares. Ositens lingisticos que sofrem “discriminação são, em geral, mais novos em relação a outras opções tidas como mais “corretas” — e por isso mesmo considerados como de menorvalor. Destarte, as formas tomadas como marcas identitárias pelos pré-adolescentes e/ou adolescentes apresentam, comumente, duas propriedades correlacionadas: são relativamente recentes e, em decorrência, possuem baixo status no mercado lingilístico — caso do af e do da.</p>
          <p id="paragraph-ee24ed17cc91d510b813d93eec5daa52">Conforme Labov(2001), a aquisiçãolingifstica é, em grande parte,uma transmissão de traços fonéticos e mosfossintáticos de núcleosadolescentes e pré-adolescentes mais velhos a mais jovens, sobrepondo-se base lingúística transmitida pelos pais. Àtransmissão da mudança “pega carona” no processo de transmissão da língua, ocorrendo numa trajetóriaconstante de inovações que são adicionadas ao vernáculo adquirido dos pais. Cada criança reflcte o nível de sua aqui sição inicial (do que lhe foi transmitido pelos pais), acrescidode altexações advindas do contato com irmãos e outras crianças mais velhas na comunidade local, Há, portanto, incrementos constantes nas gramáticas individuais: a experiência de cada grupo mais jovem faz a mudança avançar.</p>
          <p id="paragraph-f67f0e3ce2ad83f812090a75ccdbeace">A hipótese é, portanto, que o aparecimento das camadas/variantesmais recentes da seglenciação, aí e dz, deve aumentar à proporçãoquediminui a idade dos informantes, o que pode ser tomadocomoindício de que tais conectores têm abocanhado mais c maisnacosdo tertitório da segienciação à medida que têm seu uso aceleradopelasgerações mais jovens. Essa opção pode levar à mudançalingilístca, no sentido de aí e de def virem a ocupar pouco a pouco oespaçode e e de então.</p>
        </sec>
        <sec id="heading-313826cc9fa3ee5ccce38037cba9bcff">
          <title>4.1.2. Resultadose discussão</title>
          <fig id="figure-panel-0b5aca5525f5f4c2f19ba94a2ec5bd15">
            <label>Figure 1</label>
            <caption>
              <title><bold id="bold-e1f1f2a2099e857e4dbe9501e0e69c52">Tabela 1</bold>: Inflência da idade sobre o uso de <italic id="italic-b630ec0cde89ff2fe0b7b6de623acbec">e, aí, daí e então</italic></title>
              <p id="paragraph-80b75b8bb65ce68983577e79845beab0" />
            </caption>
            <graphic id="graphic-5e4003d0149a8d5f1a9fcc88dcd39b80" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-30_13-10-09.png" />
          </fig>
          <p id="paragraph-34f130974a246daacd74693c477ce88b">Falantes com mais de 50 anos são os que mais tendem à utlização do e. Esse conector também é bastante frequente nafala dos indivíduos de 25 a 45 anos e dosadolescentes, e tem uso mais testitoapenas entre ospré-adolescentes. O aí é mais fregiente nafala dos adolescentes e dos indivíduos de 25 a 45 anos. Quanto ao daí, os falantes mais jovens (comaté 21 anos) tendem ao uso do conector, enquanto falantes mais velhos inclinam-se fortemente a seu desfavorecimento (compercentagens de 01 e 03%). Os gruposque mais fazem uso do então são aqueles referentes a indivíduos maiores de 25 anos. Em oposição,indivíduos com menos de21 anoso repelem intensamente. Portanto, as hipóteses propostas para o grupo de fatores dade foram confirmadas: os conectores mais novose de menorstats, aí e daí, estão associadasaos falantes mais jovens, ao passo que os mais antigos e não estigmatizados, + e então, estão associadas lantes mais velhos. Asexceções são a inesperada alta frequência do aíentre os indivíduos de 25 à 45 anose a sua baixa fregiência entre os aos fapré-adolescentes.</p>
          <p id="paragraph-f1ffbf78d358c9fd7034d70335961b58">Uma vez que foi constatada umacorrelação significativa entre a idade dos informantes e ousode 4, aí, daí e então, a possibilidade de que uma mudança esteja em curso é grande: def está ocupando um espaçomaior nodomínio da segienciação a cada geração considerada. Analisemos com maior detalhe.</p>
          <p id="paragraph-d9a272d210c93d30e066634beddb98b4">Comovários estudos têm constatado a existência do uso intenso de formas inovadoraspor indivíduos em torno de dezesseis vinte anos de idade, Labov (2001) acredita que deva haver um “pico de uso no periodo final da adolescência, ao qual se segue à diminuição constante do uso das formas inovadoras à medida que aumenta a idade dos informantes, ocorrendo umadistribuição linear crescente ou decrescente a partir das faixas adultas. Precedendo o pico de uso na fala adolescente, haveria um uso ainda elevado, mas menor, das formas em questão, por parte dos indivíduos com menos de dezesseis anos.</p>
          <p id="paragraph-00e1912c56e6a293ae15d92fc3dc945d">Como contraparte, podemos esperar um pico de desuso, entre os adolescentes, das formas competidoras com maior tempode serviço. No caso da sequenciação em Florianópolis, as formas mais antigas e no domínio da segiãenciação a cada novo grupo etário.</p>
          <p id="paragraph-ee5e09d0de330ea722434756b61bf447">Em Florianópolis, entre osindivíduosde 15 a 21 anos, a fregiência do aí de 29%, já é a segunda maior (nessa faixa etária, ele perde apenas para o é, com 45%), e opeso relativo, 0,64, é semelhante ao atribuído à faixa ctária correspondente noestudo de Silva e Macedo (indivíduos de 15 a 25 anos), 0,60. Se o processo de incremento de uso a cada nova geração tivesse tido continuidade em Florianópolis, 9aí poderia ter sido conservado, na fala dos pré-adolescentes, como umadas formasdetentoras da maior parte do território da segienciação. Nesse caso, talvez apresentasse um peso relativo similar ao do aí carioca no grupo de7 à 14 anos (0,70). Contudo, no grupo florianopolitano correspondente (de 09 a 12 anos), uma das camadas/variantes — à mais recente — aparece atirandopara todos os lados e tomando espaço dos demais sequenciadores.</p>
          <p id="paragraph-5be7aaad81b513d105e9e729fac29ac5">O uso dodaí para sinalizar a segienciação entre informações é bem menos frequente entre os florianopolitanos com mais de 25 anos. Nafaixa representando a geração seguinte, de 15 a 21 anos, há um pico de uso, em comparação com as duas faixas anteriores: 15% e 0,64, Surprecadentemente, surge umpico de usoainda maior entre os pré-adolescentes: 60% e 0,91. Parece que osadolescentes de Flozianópolis adotaramo daí como marca identitária e o transmitiram a falantes cada vez mais jovens, até haver umaexplosão de uso entre os pré-adolescentes. </p>
          <p id="paragraph-2003e380f30829b9135ef859158daf80">Cumpre ressaltar que Labov (2001) prevê que ospicos de mudança acontecem nafala de indivíduos no final da adolescência. No caso da segiienciação em Florianópolis,tal não se verifica: os picosde uso de desuso de +, aí daí e então encontram-se na faixa etária de 09 a 12 anos, e não na faixa de 15 a 21 anos, razões que motivam os indivíduos, na pré-adolescência, a super disseminarem formas inovadoras e de baixo siaius devem ser as mesmas que motivam os adolescentes, As pessoas de 09 a 12 anos já estão em uma fase de busca c afirmação da identidade, procurando distnguir-se dos pais c aproximar-se do grupode pares, Nesse processo, podem adotar formas lingiísticas como marcas identitárias, reforçando ummodode falar “jovem”, em oposição a um mododefalar “adulto”(ou “velho”, do qual querem marcar distanciamento.</p>
          <p id="paragraph-603bc88fc951c78ec1c5ed7a34e17086">Podemos interpretar os números clencados na tabela 6 como significandoqueo aí tomou um pouco do espaçodo + entre o grupode25 a 45 anos (a fregiência daquele aumentou, à deste diminuiu) eoutro tanto do e e do então entre os adolescentes, mas a mudança emdireção ao predomínio do aí na segiienciaçãofoi interrompida emrazãoda superdisseminação do daí. Todavia, o maior atingido peloavanço do daí parece ter sido Oentão, cuja evolução reflete, comoimagem de espelho, a do def o pico de uso - altíssimo — do entãoacontece entre os falantes adultos e com mais de 50 anose o do daí.ainda mais alto — entre os falantes adolescentes e pré-adolescentes.medida que a utilização do df aumenta, a do então diminui.</p>
          <p id="paragraph-422df35f99ecb8344901f57f758d913d">Enfim, podem ser tomados como indícios de que, em Florianópolis, uma mudançavigorosa em termos da difusão dos conectores segiienciadores está em andamento: () o aparecimento intenso da forma mais inovadora entre os adolescentese, especialmente, entre os pré-adolescentes - um pico de uso-; (i) o quase desaparecimento de uma das formas mais antigas nas mesmas faixas etárias - um pico de desuso -; (ii) o fato de que os dois grupos adultos apresentam uma distribuição linear decrescente para o daí crescente para então (a frequência do primeiro diminui com o aumento daidade dos informantes, e a do segundo aumenta), consoante previsto por Labov (2001) para casos de mudança. Já o af, descontando-se o grupo mais jovem, parece passar por uma mudança menos vigorosa, pois, embora seja constatada uma queda mais acentuada entre as faixasde 25 a 45 anose mais de 50 anos, o uso do conector diminui gradualmente entre os adolescentes e adultos. A mudança para o « tambémparece ser mais suave, havendo um decréscimo de uso gradual com a diminuição da idade dos informantes e apenas um salto mais brusco, entre a faixa etária de 15 a 21 anos e a de 09 a 12 anos.</p>
        </sec>
      </sec>
      <sec id="heading-789efb2b36760567ad8f4cb1a543c9c6">
        <title>4.2. Escolaridade- barrados na escola</title>
        <sec id="heading-adcfc2c4bec1ea5de491a071382f6290">
          <title>4.2.1. Caracterização e hipóteses</title>
          <p id="paragraph-aa2b7099887b3bbe35e2e7a8846d1984">Os 36 informantes docorpus de Florianópolis com mais de quin.ze anos foram distribuídos em três níveis de escolarização: de quatroa cinco anos (ou o equivalente à 4º e 5º séries do ensino fundamental) ;oito anos (8º série do ensino fundamental); onze anos (3ºanodoensino médio). Optei por não tomar em conjunto os infor.mantes de 09 a 12 anos e os demais informantes com quatro àcinco anosde escolaridade, pois o status social de cada um dessesgrupos é obviamente bastante distinto: os pré-adolescentes possuema escolaridade esperada para indivíduos dessa faixa etária,mas os adolescentes « adultos que cursaram apenas quatro ou cincosão bastante desvalorizados socialmente, em especial no mercadodetrabalho. No entanto, existência de um fator controlandoparte escolaridade dosinformantes de 09 12 anos causouenviesamentonos resultadosde algumas rodadas do programaestatístico,já que esse fator apresentava identidade de dados emrelação a outrofator, pertencente 40 grupo idade, qual seja, de 09a 12 anos (os membros de um são exatamente os membros do outro).Dessa guisa, o grupo de fatores escolaridade passou a ser controladoapenas em relação aos 3.154 dados extraídos da fala dos36 informantes florianopolitanos com mais de 15 anos, distribuídoshomogeneamente quanto aos três fatores, quasm amos, oito amosé onze anos de escolaridade.</p>
          <p id="paragraph-7dbbe9ac71b447d422344085655996fb">Há situações de estratificação/variaçãoem que as camadas/variantessão claramente avaliadas como pertinentes ou nãoà variedadepadrão/culta da língua. Em tais situações, a opção pela utilização deuma dentre duas ou mais das camadas variantes costuma correlacionar-se à escolasização dos usuários da língua, no sentido de que, quantomais anospassados na escola, maior o uso das formas que possuemconceito social positivo. À escolarização continuada, portanto, é umdos fatores que contribui para a padronizaçãoda fala e da escritaconsoante os preceitos da lingua padrãoculta.</p>
          <p id="paragraph-036cc752288a159a0a5bf3f2453e73c0">os conectores não pertencentes à lingua padrão)culta deveriam ser exitados? Porquê? O fato de umitem serpreferido em situações de fala e deescritamais formais, às expensas de outros capazes de manifestar semelhantefunção-significação, é um forte indício da valoração positiva dadaao item pela comunidade e de sua vinculação com variedades lingiisticasde prestígio.</p>
          <p id="paragraph-ec0ede542e2023604315f43f2613ba70">Algamas das respostas fornecidas pelos lorianopolitanos consultadosconfirmama hipótese de que ibope do aí do daí é realmentebaixo na comunidade:</p>
          <p id="paragraph-a38aee3b0305ad079122f01b7e97eb3b">.</p>
          <list list-type="bullet" id="list-e26ef1e79d78ff30aac1f3feb3f16b1b">
            <list-item>
              <p>“Minha professora não gosta quê a gente falá muitoaí daí né, essas coisas.” (R, 10 anos, quarta série)</p>
            </list-item>
            <list-item>
              <p>“Para apresentar um trabalho na sala de aula, é melhor dizer então ao invés de aí é daf” (3,14 anôs, oitava série)</p>
            </list-item>
            <list-item>
              <p>“Uma vez, quado eu estava na sexta série, falei 63 ai para contar à história dolivro “Rainha das Neves” e o professor contou todos e depois me repreendeu” (À, 17 anos, ensiniomédio)</p>
            </list-item>
            <list-item>
              <p>“O <italic id="italic-746876cdefcc231a0db9d01f3bb36d24">e</italic> é a coisa normal, básica, ninguém percebe. Na redação do vêstibular eu usaria — e ólhe lá — o então. E o é também, claro?(A, 17 anos, ensino médio)</p>
            </list-item>
            <list-item>
              <p>“Esses aí é daí são normais na fala, todos usam.”(5,50 anos, ensino médio)</p>
            </list-item>
            <list-item>
              <p><italic id="italic-ff0baeae40a280931465455431dad944">Aí</italic> e <italic id="italic-4b80bfca991df0e9cd21797292e7986f">daí </italic>são pertencem língua correta, o seu uso não é recomendado pelos professores de português” (P, 42 anos, ensino médio)</p>
            </list-item>
          </list>
          <p id="paragraph-243320f84d6a388c904c1b2c38b4d9cf">.</p>
          <p id="paragraph-ed1c96127f09b8edd3807a1b293ab727">Outra boa evidência de que à escola exerce pressão para que sejacvitado o emprego dos conectoresaíe daí, sobretudo naescrita, é a suapresença insignificante nas redações do vestibular. Em um estudofeitopor Górski &amp; Tavares (2001), comparando discursos argumentativosorais (em entrevistas do Projeto VARSUL) e escritos (em redações devestibular da UFSC), «í € daírepresentaram, somados, 28%dos coneetoresseglienciadores encontrados na argumentação oral, ao passo que,na argumentação escrita, foi encontrado apenas um <italic id="italic-736cf3bdd00dcc7a334509973023bd1a">aí.</italic></p>
          <p id="paragraph-7a4d21b86ff63167df9d182c8773e108">Na seção 4.2, foi levantada a possibilidade de o daí, além de ser uma marca típica da fala dos pré-adolescentes e dos adolescentes, ser uma marca regional, típica do município de Florianópolis (ou talvez do estado de Santa Catarina). Somente um estudo de grandes proporções pode ser esclarecedor esserespeito: faz-se necessário comparar o panorama das distribuições sociolingáisticas de é, af def é então no domínio da sequenciação em diversas comunidadesde fila do Brasil pata que scjam obtidas evidências consistentes de que à super disseminação do daí na fala dos préadolescentes é um fenômeno regional. No entanto, alguns depoimentos informais colhidos de pessoas (ou melhor, lingiústas, bastante atentos ao comofalam em seu redor) pertencentes a comunidades de fala de outras cidades (Rio de Janciro, São Paulo e Salvador) apontamfortemente nessa direção, afirmando que o grande uso (o abuso mesmo!)do df emFlorianópolis chama a atenção e que não têm observado tão grande recorrência do conector em suas comunidades e muito menos na fala das crianças. Ou seja, há bons indícios de que 0 daíé de fato uma marca identitária dos adolescentes é pré-adolescentes florianopolitanos.</p>
          <p id="paragraph-2df758546f966b84cbce77f9b29f8ecc">Apreciemos, a seguir, a distribuição de e, a, daí e então em relação ao nível de escolaridade dos informantes com mais de 15 anos.</p>
        </sec>
        <sec id="heading-9e4d0e8a4b2a0d4b97437bdd704ec31f">
          <title>4.2.2 Resultadose discussão</title>
          <fig id="figure-panel-2f28b0cc3cd2f13542347256b6045681">
            <label>Figure 2</label>
            <caption>
              <title><bold id="bold-739ddf3a06d98de707471732032ef2e0">Tabela 2</bold>: Influência da escolaridade sobre o uso de <italic id="italic-cf45a5c2fc9f574c3453270438e6f2a5">e, aí, daí e então</italic></title>
              <p id="paragraph-038782747520201da286e4321c97f285" />
            </caption>
            <graphic id="graphic-adc2fff5955bd1a1bbc5a0e5a0f41fcc" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-30_13-43-42.png" />
          </fig>
          <p id="paragraph-b3b25dea75c9dfc16d141ee7fd37516c">Os forianopolitanoscom oito e onze anos de escolaridade são os que mais utilizam O e, confirmando a espectativa de uma maior recorrência desse conector entre os grupos de falantes que tiveram mais tempode contato coma aprendizagem formal. A escola parece influenciar também o uso do aí há umaforte inclinação para que o aí ocorra na fala de indivíduos com quatro de escolavidade, paralelamente à redução de scu emprego por parte dos mais escolarizados. Comooaí, o daí se destaca entre indivíduos de menorescolaridade, mas também na fala dos indivíduos com oito anos de ensino fundamental, A exemplo do «, colega de serviço com o qual possui em comum o bom conceito no mercado lingáístico, o então é mais recorrente junto a informantesde níveis de escolasidade mais altos, como uma alternativa não estigmatizada de segienciar informações,</p>
          <p id="paragraph-3bb4774ca840d8449fe8d1882d7d8762">Enfim, à comparação entre a influência do nível de escolaridade sobre cada um dos conectores em estudo revela uma oposição entre o aíe o dei, 05 articuladores de menor stats, que predominam na fala de indivíduos menos escolarizados, e o <italic id="italic-bdc30b57f81265452698d2ce3bb8b584">e</italic> e então, articuladores não estigmatizadas, que predominam na fala de indivíduos mais escolarizados.</p>
        </sec>
      </sec>
      <sec id="heading-64fee22e21248ac3e09d3e6f52d042ad">
        <title>4.3. Sexo - as garotas são as maiores responsáveis?</title>
        <sec id="heading-ae5653325b1fafd82847f5457254db5e">
          <title>4.3.1. Caracterização e hipóteses</title>
          <p id="paragraph-60c4a8abc8153610bb12d29b05775c9e">Segundo Tabov (1990:205) e Chambers (1995:111), em situações sociolingifsticas estáveis formas não padrão do que às mulheres, que tendem a preferir formas socialmente valorizadas. Uma inversão dessa tendência pode ser tois, os homens usam uma frequência maior de mada como indicação de que uma nova forma está se implementando na língua: em grande parte das mudanças lingisticas, são as mulheres que utilizammais as formas inovadoras, inclusive as estigmatizadas. Por que as mulheres são, em geral, as líderes da mudança? Uma possível explicação está no fato de que a maioria das crianças aprendem os rudimentos de sua língua nativa com mulheres (mães, babás, professoras de creches), o que faz com que as mudanças que têm liderança feminina scjam acelecadas, às expensas das lideradas pelos homens, Comparando resultados obtidos por estudos sociolingiificos em diversas partes do mundo, Labov(2001:445) obteve indícios que apontam como líderes da transmissão da mudança lingáfstica um grupo específico de mulheres, as adolescentes; uma garota de doze anos observa as formas inovadoras usadas pelas garotas de dezesseis anos € avança seu própriouso, ao imitá-las.</p>
          <p id="paragraph-855171fd933f97af8b2070524726627e">Os resultados obtidos para o grupo de fatores idade trazemdiversas evidências de que está em progresso uma mudança vigorosa em termos da difusão dos conectores seqienciadores, A propósito das influências do grupode fatores sexo, uma possível previsão seria a de um maior uso do e e do então por parte das mulheres, poistrata-se de conectores não estigmnatizados, opondo-se a um maior uso por parte dos homens do a/c do dai, conectores considerados de menor stats social. No entanto, como parece estar em jogo o fenômeno de mudança em direção ao incremento do uso do daí como marca da segiienciação, é possível que as mulheres estejam liderando o processo, fazendo um maior uso desse conector em relação aos homens.</p>
          <fig id="figure-panel-2b93a86cd63465b696e13e03230d4843">
            <label>Figure 3</label>
            <caption>
              <title><bold id="bold-fb28d793b64873167f74172c1faeaca3">Tabela 3</bold>: Influência do sexo sobre o uso de <italic id="italic-ff36462d492d08abd1aa8995132f79cc">e, aí, daí e então.</italic></title>
              <p id="paragraph-b52e3ac3e6576d43686820b6408dd592" />
            </caption>
            <graphic id="graphic-5d6022c27a83ea3d978308c2f26b6104" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-30_14-28-09.png" />
          </fig>
          <p id="paragraph-0f5936e4757816c1f4cb05c08cb8149b">Não é confirmada a hipótese de que as mulheres optaciam pelos segiienciadores mais valorizados socialmente: o e destaca-se entre as muIheres, mas o aí de menor sfatus social, também. À hipótese complementas, isto é, de que os homeas dariam privilégio a conectores não  padrão, também é apenas parcialmente confirmada: O da” é favorecido na fala dos homets, mas O então, que conta com boa avaliação no mercadolingiístico, também o é. Também não foi confirmada a hipótese de que as mulheres estariam conduzindo a mudança em direção ao predomínio do def no domínio da sesficnciação em Florianópolis: esse conector ligeiramente mais recorrente na fala dos homens que na fala das mulheres.</p>
          <p id="paragraph-48b0c3346d832a980a1a934330ba30e5">“Talvez tais resultados se devam ao modo como o grupode fatores sexo foi controlado, isolada e globalmente. Foi notado que o comportamento de homens e mulheres pode ser bastante diferente entre si quando se considera a interação de sexo com outros grupos de natureza social. (Labos, 1990:221) Um cruzamento entre sexo e idade pode revelar, por exemplo, se são as adolescentes e as pré-adolescentes quem mais avancama mudança. Um cruzamento entre axe c escolaridade também pode ser esclarecedor, permitindo que se observe se o comportamento das mulherese dos homens de uma mesma escolaridade é similar? Vejamos:</p>
          <fig id="figure-panel-444368e99fba82fa5f2b5fabd208fc3f">
            <label>Figure 4</label>
            <caption>
              <title><bold id="bold-0797022a42b1770b157da271ddcc30b4">Tabela 4</bold>: Cruzamento entre sexo e idado</title>
              <p id="paragraph-2b89294f05d9cabc5acdbbe348b9d242" />
            </caption>
            <graphic id="graphic-f9e545d12f620c4774b09bbdc3c9078c" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-30_14-35-07.png" />
          </fig>
          <p id="paragraph-dd7e3eddd38f58f2c61f88724cab980d">Agora, passemos à análise dosnúmeros expostos ma tabela 5:</p>
          <fig id="figure-panel-e516ce466e3f2b050fd9b6cdb176468c">
            <label>Figure 5</label>
            <caption>
              <title><bold id="bold-3bdfea9a50c4c930dd150e0a7363892b">Tabela 5</bold>: Cruzamento entre sexo e escoridade</title>
              <p id="paragraph-8c3f8330b0cddebe1f1e665f414fc5b4" />
            </caption>
            <graphic id="graphic-e552775c216d20092383428e17e67c71" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-05-30_14-38-59.png" />
          </fig>
          <p id="paragraph-34a070d6fd2f32702f8a888284dcd7a1">O e encontra um bom nicho na fala dos homens com ensino médio completo. O aí é favorecidona fala dos homens com quatro e oito anosde escolaridade. O daí encontra espaço na fala das mulheres, independentemente da escolaridade. Em oposição, o enião encontra espaço na fala dos homens. Portanto, o comportamento das mulheres e dos homens com o mesmo tempode contato com o ensino formal não é idêntico. Na fala das mulheres que tiveram quatro ou oito anos de escolarização, é o daí que tecebedestaque, ao passo que, na fala dos homens de mesma escolarização, são o aí e o então que recebem destaque. Mulheres e homens com ensino médio assemelham-se quanto à preferência pelo enfãm: recebem pesos relativos similares (0,58 0,63%, respectivamente). No entanto, diferenciam-se quanto ao peso relativo mais alto: para as mulheres, é o aí que o recebe(0,74), e, pata os homens, é e (0,72).</p>
          <p id="paragraph-215cbb37dcaef69402e250d8150511ec">Podemosdizer que mulheres com ostrês níveis de escolaridade considerados lideram a mudança em direção ao <italic id="italic-6ea669d4867cd941be0a9cde520d403b">daí</italic>, ressalvando-se que, quanto menor a escolaridade da falante, maior o avançoobtido pelo conector, e que, na fila das mulheres de maior escolasidade, o <italic id="italic-283c956b3a5256d9dfe470c00289c658">então </italic>também é condicionado positivamente. Já os diversos grupos de homens representam trincheiras contra avançodo def, optando com boa frequência pelo <italic id="italic-d90928eca453f5809bab173dbb996774">aí</italic>, pelo aí e pelo então.</p>
          <p id="paragraph-c609fe07dc07ef6a9b7b16de1126b3eb">No cruzamentoentre sexo e escolaridade, o grupo de informantesde 09 a 12 anosfoi deixado de lado, uma vez que seus membrospossuem o mesmonível de escolaridade. Claro que os florianopolitanosque mais têm contribuído para a super disseminação doda” comomarcada seguenciação pertencem à essa faixa etária « à escolaridadecorrespondente, Contudo, a partir da análise dos resultadosdo cruzamentosex/escoleridade, podemos acrescentar ao grupo dedores do daí também as mulheres de todos os níveis de escolaridade -em especial as de 15 a 21 anos, as quais também são apontadas, pelosresultados obtidos para o cruzamento entre sexo e idade, como umdos grupos que mais favorece o <italic id="italic-44571a3c16a646fba5f5ea8a134d9045">daí</italic>.</p>
        </sec>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-40ad249ed72ec2f3533eb231289143b5">
      <title>5. Considerações finais</title>
      <p id="paragraph-fd9515fe6f4baf3d8c3184881cd9ce6e">Neste estudo,foi investigado o grau de difusãode 6, aí da + então em diferentes estratos de uma comunidade de fala, à de Florianópobis, destacando-se em especial o papel das motivações de natureza social naloração atribuída às camadas/ variantes « marcação identtória. A direção da atuação dessas motivações sobre a propagação dos conectores seqienciadores mais recentes foi inferida via controle dos grapos de fatores sociais ida, escolaridade e sexo, obtendo-se indícios de que uma mudança está em andamento no domínio de segienciação em tela. À seguir, listo os principais indícios:</p>
      <p id="paragraph-17a0a24ea9c3140d74348d4b1e73d6ca">(i) os resultados em termos de estratificação etária, especialmente: (a) o pico de uso dodaínafala dos pré-adolescentes, acompanhado de umadistribuição linear decrescente a0 longo dos demais grupos etários; (b) o pico de desuso doentão entre os pré-adolescentes, acompanhado de uma distribuição lincar crescente ao longo dos demais grupos etários; (e) à contínua retração de aparecimentodo e na fala das gerações cada vez mais jovens (porém com estabilidadenas duas faixas intermediárias, com percentuais e pesos relativos similares); (a) a diminuição da recorrência ao aí entre os pré-adolescentes;</p>
      <p id="paragraph-04da94454062abc59d8cc4dd6fb662b0"> (ii) os resultadosobtidos para o grupo de fatores sex», que permitem a identificação das adolescentes de 15 a 21 anos como líderesiniciais da super disseminação do daí na comunidade, à qual atingiu com vigor aínda maior tanto as meninas quanto os meninos de 09 a 12 anos (embora tenha atingido mais a estes); </p>
      <p id="paragraph-dee58e3c2a43e86b1c7fb431bb15ba5d">(iii) a clara existência de estigmatização em relação a algumas das camadas/variantes em disputa pelo domínio — as mais recentes na língua-, estigmatização que se zeflete nos resultados apontados pelo grupo de farores escolaridade (que mostramque a escola tem combatido as inovações) e nas próprias avaliações feitas por membros da comunidade de fala, os quais, em geral, consideram o uso de aí e de daé menos apropriado que o de e e o de então, especialmente para situações mais formais e para a escrita; (iv) o fato de que o fenômeno de super disseminação do <italic id="italic-c0d0c58282fe5e422a617bddb62a83a0">daí </italic>é perceptível tanto por quem reside no município quanto por quem poraí passa rapidamente (são muitos os que observam que “Florianópolis. usa muito daí”). Enfim, a mudança — do duí em particular, e do domúínio da seqúenciação como um todo — parece estar avançandohoje mesmo, diante de nossos olhos surpresos.</p>
      <p id="paragraph-07757927a0e2edfda0407b7624d09009">Tais resultados estão em conformidade com ação esperada das duas motivações de ordem social aqui consideradas, que parecem estar em competição na comunidade de fala de Florianópolis. De um lado,a adoção do daf como marcaidentitária pelos adolescentes e pré-adolescentes resulta em um acréscimo de seu usoentre indivíduos dessas faixas etárias. Do outro lado, a estigmatização que a” daí sofrem na comunidade leva a uma menor taxa de aparecimento entre os informantes mais escolarizados. Nafila desses indivíduos, o e e o então têm preservadoseu espaço, como conectores socialmente valorizados.</p>
      <p id="paragraph-ccdaefa1174349cd084fb85105ef7201">Entretanto, é dignode nota que as reações contráriasà difusão do daí não parecem constituir barreira suficiente para impedir o movimento de tomada de um bom naco do território da segienciação forianopolitana por parte desse conector. É possível que os hoje pré-adolescentes tenham diminuída a taxa de aparecimentodo daí em sua fala à medida que amadurecerem. Conforme Labov (2001), é previsto que ocorra, nos processo de mudança, após o pico de uso da forma inovadora, uma diminuição de suautilização; ela é incorporada, ainda com índices de grandefregiiência, à gramática dosfalantes do grupo em que teve seu uso fortemente acelerado, mas passa a recorzer menos, em comparação com fase de pico de uso. Assim, a mudança adquire matizes não tão radicais e sim uma maior gradualidade: passa a haver uma distribuição linear crescente ou decrescente entre as faixasetárias adultas, agora representadaspelos indivíduos que levaram a forma inovadora a seu ápice quandojovens. Ou seja, o daí poderá de fato vir à superar as demais concorrentes com o passar do tempo, mas com uma velocidade menor do que a que seria prevista considerando-se somente seu estágio de pico de uso atual.</p>
      <p id="paragraph-fccc2788785f58c51693bcf4bbda3917">O procedimento típico da sociolingiística variacionista de análisede mudança em tempo aparente considerando-se a estratificaçãocráriados falantes mostrou-se bastante significativo para o cstudoda gramaticalização no domínio da segiienciação de informasões,pois permitiu observar o grau de propagação das estratégiasde segienciaçãoinovadoras(e também das queestão sendo abandonadas).É importante notar que os indícios de mudança coletadose,em especial, a super disseminação do daí na fala dos préadolescentes,denunciam possibilidade de estar em curso também.umprocesso de mudança funcional.</p>
      <p id="paragraph-d82f216ae63a4668d3357514f471b12e">A gramaticalização representa a passagempara significados mais genéricos, negociáveis, abstratos e fregientes. No processo de mudança, a perda da especificidade semântica de uma forma favorece à extensão de sua aplicação para domínios funcionais diversos. Isso acontece porque o significado genérico é mais moldável às necessidadesda comunicação e, portanto, passível de ser expandido paramais e mais contextos, o que implica uma espiral em que aumento defregilência leva à mudança e esta resulta cm fregiência ainda maior(cf. Bybee, 2003). Assim sendo, os rumos sociais dados aos itenslingiísticos podem empusrá-los adiante em seu processo de gramaticalização.Por exemplo, o super uso de uma forma por parte de certosestratos de uma comunidade de fala é capaz de incrementar sua mudançafuncional,pois o aumento da Frequência a coloca num campoaberto para alterações rumo a níveis cada vez mais gramaticais? Naretaguarda desse processo rumoa etapas mais avançadas de gramaticalização, costuma estar a questão da marcação da identidade: comoos indivíduos mais jovens tendem a super utilizar as marcas lingúísticasidentitárias, acabam acelerando o andamentode seuprocesso degramaticalização, contribuindo, por meio da grande recorrência, paraque mais e mais contextos passem a ser codificados por clas. Nessaperspectiva, o papel dos falantes jovens é de grande relevância para avelocidade de desenvolvimento da gramaticalização.</p>
      <p id="paragraph-51a7362eb0fbf6d51b5cb0c9aef4f8a1">Aplicando tal proposta ao caso sob enfoque,a partir da constataçãode que há um grande aumento na frequência de aparecimentodo daí nafala pré-adolescente, podemostecer a hipótese de que essa utilizaçãointensa esteja pressiodando a seleção dessa forma para a codificaçãode papéis cada vez mais genéricos e abstratos. Isso nãoimplica que asgerações mais jovenstêm investido o da de funções inteiramente novasno domínio da seguenciação, e sim ampliado sua freqiência de usoemcontextos de segienciação aos quais é vinculado com menor regulasidadepelas gerações mais velhas — papéis antes desempenhados commajor frequência por +, então e mesmo aí?* Ou seja, teríamos em cenauma disseminação funcional do da, pari passu a sua superdisseminaçãona fala dos florianopolitanos mais jovens, O aumento da recorrência deum item gramatical em um dado contexto sigrifica um avanço em seuprocesso de rotinização como marca regular desse contexto — em consegiiência,significa um avançoem seu processode gramaticalização, hipótese que fica para um outro artigo</p>
      <p id="paragraph-7fa61f08b871f4a125a2a0f52a66d9c6">Finalizo lembrando que abordagens à língua tealizadas sob a ótica da gramaticalização buscam explicações para a mudança postulando motivações de ordem funcional - cognitivas e comunicativas — subjacentes às alterações sofridas pelas formas lingiiísticas. Neste estudo, no entanto, foram destacadas motivações de natureza social — valoração atribuída aos itens giísticospelos membrosda comunidade e a questão da marcação identitária —, passíveis de contribuir para a propagação dasinovações ao longo do espectro social e para o próprio desenvolvimento do processode mudança funcional em dizeção a níveis ainda mais gramaticais, Acredito que tais motivar possam ser incluídas sob o rótulo “motivações funcionais”, uma vez quesão pertinentes à fiupão de identificar ou aueciliar a identificar, no discaro, o falante como periencente a um dado estrato social — certa fsixa ctária, nível de escolaridade e/ou sexo. As formas lingiísticas que manifestam essa função comumente apresentam forte concentraçãode uso na fala de indivíduos de algum dos estratos sociais mencionados, mando-se as motivações sociais às motivações cognitivas e comunicativas tradicionalmente consideradas por estudos funcionalistas, temos, com efeito, uma vertente de pesquisa sociofuncionalista, cujos desdobramentos prometem ser frutíferos e instigantes.</p>
    </sec>
  </body>
  <back>
    <fn-group>
      <fn id="footnote-ee3fd5c3d16762560292a50edcabc6fa">
        <p id="paragraph-8fa2616f5037ead244dd24571a0f383f">Fate arcigo é uma parte de minha se de doutorado (Tavares, 2003), ovsada «
ampliada, comama discussão mas refinada acera de motivações socas que podem
estar subjacentesaumprocesso de gramanicalização</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-04b830266253b7f0f6d34e01fe4cc444">
        <p id="paragraph-d8808cd713ed940deabd64bcd190ff2a">2.4traduções sãode minharesponsabilidade.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-370ff9edfa20791f112a4e6cfa4d4828">
        <p id="paragraph-fc78b3d72d381dda4e10bd9363c7c4db">É importante observarque a distinção das modvações por rsda constiuçãoda
arimáica emquo pos — cogntivs,comonicarvas, xrutuis e sociais - não
implica a existência de um recorterígido emsre eses tipos,poi, à cada situação
comunicativa, motivações diversas atuam conjuneamente. Além disso o escibeleimende
fronteiras clara entre elas é die, poi não raro se inte elcionam se
issepenetram</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-0d7e909ec669b921d05a84f916924b34">
        <p id="paragraph-3d0bdbb57a8a277b23abccfe8538cb2d">Naótica da gramascalzação,o termofai podececobtantomudanças categorias (a passagem do de usos anafóricos para usosconjuntivo, por exemplo, como mudanças semântico progemáricas (a passagem do aí da indicação espacial para a
jadicaçãotemporal, por exemplo). Freqientemente, masnão necessariamente, os
dois tipos de mudança co-ocorrem,e podem acarretar modificações nos padrões
mosfossineáricos de uso de um dado item,</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-b3e28183013a8ada17fe15c01f635486">
        <p id="paragraph-963f363d7aabf6e7d9b834a45644fad2">“Domínio funcional” é empregado por Hopper nosentido de Givón (1984), em
cefecência a áreas funcionais gerais (oumacrodomínios) como TAM(tempo, aspecto/
modalidade, caso, eferenciação ee, ou áreasmis estrias (eder domínios),
como o tempo futuro, o sujeito, à di. As formas pertinentesa cada demínio
funcional são entendidas como um conjunto de elementos unificadas funcionalmente,
sto é,que desempenhamo mesmo ou semelhantepapel. O termo “camada?
é ulizadoem refecência a essasfoemasaltemantes de realização queconvivem
cm um mesmodormia</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-f593be310a4bf030b71a89ed046bcb2e">
        <p id="paragraph-9ddee8d5a9ef93e7ec5e4144364b762e">Confece em 'avaes (2003) maiores detalhamentosacerca dos aspectodofunciona
srolngístico e da sociolingstica vaiacionista que são considerados e combinados
e osque são deixados de lado na constituição do sociofuncionalismo, além de
dumadiscussão epistemológica acerca do bens por essa vetente do estudos na pesquisa
ing,</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-0509c19fcf7d39c937c8149f8928901b">
        <p id="paragraph-2ade216253c548e8f118fa0bf8b2ce4d">Citando Labow (2001400): “As comunidadesdiferem na extensão com queestigma
amas novas foremas da lg, mas cu nunca encontrei cinguém queas recebesse
com aplausos”</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-f70c15d34b65825ca947d619edd5de71">
        <p id="paragraph-21aa837329cbe243a28a41c9ae5496ae">80 vernáculo é“. oestiloem que o mínimode atenção é dado ao monitoramento
dafala”isto é o filante concemtes mais atenção no que fla e menos no comofala
(abo; 197254208). É a manifestação mas espontânea da língua, de onde costumeiramente
emergem os dados mais sistemáticospara a anális</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-d0cf0bc9874ea9328d3cf264914add3f">
        <p id="paragraph-b4d6bd5d0bfca7f54b4e135e0a84b2b3">Tomemos um exemplo, Modelos de mudança sunora definiram periodo final para
a estabilização fonológica do sistema ingáísico comoocorrendo aos dezessete anos
deidade. Contudo, Norbery &amp;e Sundgren (198 psdLabov, 2001:447) observaram
que, no caso de algumas variáveis fonológicas investigadaspor eles, adultos jovens
comtinuavam a avançar à mudançanoinício dos vinte € mesmotita é quarenta anos</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-f24bbc5d4110473abc5de6a02b76c35c">
        <p id="paragraph-c7011d799c83eac4c28aec59a6e5f459">Confesr em Labos (200) Naro (200) discussões maidetalhadas acera da proposa
de análise de mudança em tempoaparente c suas implicações. Tavares (2003)
também discute essa questão,confrontando05 pontos de vista da sociolingiítica
variacionista e do funcionalismo lingiátco</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-4054fea15aa86427b4cf65bb2ba460b7">
        <p id="paragraph-6fc793f1e9df4205a3fa179a051dbfee">JApesquisa em tempo ral exige o castreamento do processo histódico de mudança
emdiferentesépocas da lingua (décadasou séculos atrás), valendo-se o pesquisador
de amoseas oras ou escritas de diferentes cincronias, comparandoos usos dados a em certo fenômeno variávelaolongo do tempo. análiseconstituiumimportante
alopara confirmara ocorrênciade mudança em progresso,poispermite observar
se a variante inovadora aumentoua freqiência na comunidade com o passar do
tempo“rest”.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-43dc6d9f61a9e5142ded8f9f6cd3b2b6">
        <p id="paragraph-cd5c464b1eaffc013195e9afadb43a0f">Tais resultados podem serconferidos em Tavares (2003)</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-2c01b72640e99e629481c64f983afd64">
        <p id="paragraph-287b6c3916a2d831d2c8e3b0cd95fc15">Existemtambém outras formas do segiienciação, porém menos frequentes e de
distsibuição diferenciada. Dentte elas, à que mais de destacaé o dipos(cf, Tavares,
2003).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-306d80add087345accef188bc46e10d5">
        <p id="paragraph-9e9499569c4cabc18cdd1c891d550c28">O termo naloré empregadona liseracura funcionalistatanto para sigrifcadoquanto
para função(cÊ. Ramat, 1998:114).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-e45205d776b7b7f4b462685c3cdb9d40">
        <p id="paragraph-62d6ccfcc3c263a6e74862fc694f7073">O domínioda seqienciação configura-se num escopo funcional gradiente,podendo
ser visto como um dos clos de um fenómenosuperordenado: conjunção geral &gt;
segiicaciaçãotetroaivo-propalsora &gt; subfiuações da segfienciação &gt; possíveis sub
tiposdas subfunções. O recortepara Bns de estudo poderiase dar, em princípio, em
qualquer um dos níveis dessa hierarquia funcional. Opte porpassar a tesoura em
torno daseqienciação, atentando pas aspreferências dossírios da lingua celaiva
amente a esse estrato da conjunção al enteinformações. Assubfuaçõessão controladas,
em Tavares (2003), como possíveis influências contextuais interferindo na
escolhaentee osconectores,</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-02332613a86bba47d588b6fd3a510ef1">
        <p id="paragraph-cd6e99738fdf19ee110b6dd27fedfb46">O código que segue o trecho da entreisca a ilenlica. Por esemplo:(TS/FTP16641)
= [LE] código do informante, [FLP]código da cidade (Flodanópolg, [16] número
a entreista, [64] inha em quese encontra o dado cm questão Pode haver um€
informante ca axa etária de 09 11 anos) on um Gnformmante da isa etária de15
423 amos)apóso número da estrevita.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-8421a09e43c213f34f995cf5c87fd9d5">
        <p id="paragraph-205c525b71e1a7927bfc1f1bb835870b">O simbolo , acrescentado nos exconplospor mira, marea o início da digressão Feita
pelo falante, e marca seu final</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-9137bc3a1663fc0ee8ddd9a5e7f1d786">
        <p id="paragraph-9394b451b9c6d3a82606b97fcfeb4ec7">A relação enere adição(uma função costumeiramente vinculada ao e) ea sequenciação retenativo- propulsora é discutida em Tavares (2003).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-9864cbdb5d3947698e9c0a8e2d32aba4">
        <p id="paragraph-e0b98f9d0b3dc8158ff3e970837355ca">O peso relato é uma medida multidimensional ou multivariada, obcida pelinteracão
entetodos os fatores de cada grupode fatores considerados em relação ao
fenómeno variável, indicando influência de cada um dos arores sobre cada uma
clas variante, Apesar de ser um instrumental típico da sociolingisica vaiacionista,
a ulização de pesos reaivos pode ser recomendável para uma abordagem sociofuncionalista, em queforças mulplas tambémestão em jog. Por exemplo, no caso
da seqenciação, os diversos eraços(dnátcos, semânticos, pragmáticos, sociais dem
tec outros) ligados ao cuntesto de uso estão concomitantemente presentes cada
vez que um falante seqienciainformações,ca interação dasinfluências (favoráveis
cu desfavoráveis) de cada um desses traços resulta na escolha entre uma ou ontradas formas segenciadoras.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-ce3894cecb65797a26a64042dd3fbabb">
        <p id="paragraph-5f73bfc36b5623fcb6e3ebd20f22143b">Embora fixaetária '25 a 45anusseja bastanteampla,a maioria dos informantes
aque integram seencontra entre34 e 45anos(aove nfoemantesdo total dedor,
o que minimiza eventos envicasamentos queuma fixa eáia abaecandoindividuo
os de idades ãodiferenespudessecausa</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-0e46a00d1f83a5f8107c98e43aa0b3cf">
        <p id="paragraph-f32c9e85e2bb281cff0402af296d4a7e">Sobre estes de avaliação referees aostados segenciadores, conferir a seção 42.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-ccd70acbf75c0908d72e80db0dcb2a7c">
        <p id="paragraph-95d8420d25d8fdca384149d56ede561f">Silva é Macedo udizaram dados provenicatesda "Amostra Censo.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-075282a97c61df1bfda0c857c8ead779">
        <p id="paragraph-d5c62fa4a53ab621a527a7458858caa2">Além de ser uma marea típica da fala dos membros mais jovens da comunidade
orianopolitaa, a da pode ser uma marcaregional. Nesse caso, tratar-se-a de um
“tem lingúísticaindicando que seuusuário ,provavelmente,uma pessoa jovem ou
mesmoumacriança residente em Florianópolis (cf. seção 4.)</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-9bec818fb3dca06b5cc3688eff1f2462">
        <p id="paragraph-4fc936ab166e856ee3756645b97b0d15">As rodadas incluindo um ficorespecífico para controlar
 grau de escolarização dos
 informantes de 9 a 12 anos revelaram
 preferência pelo da por parte dos préacdolescentes,
 a qual provavelmente é devida mais à idade dosinformantesdoque à
 escolaridade. Na verdade,como todos osinformantesdo grupo em causa possuem
 “amesmaidade é a mesma escolaidade,é dificil precisar e as influência malores são
 por conta da ctapa devida pré-adolescome ou porcontada pouta escolaridade. Um
 indício de que
 idade é maisimporante pode ser encontradono padrio de seleção
 dos grupos de fcoces emcausa pelo VARBRUL: idade sempre oi selecionada como
 mais significaria que efridade</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-5297c33bcfa44dbc1617103f2f6e534b">
        <p id="paragraph-af56d79570010742e6533738a59db1e4">Foram analisados os trechos argumencaivos do 12entrevistasde informantes os
ano polianos de 15a 21 anos pertencentes ao Banco VARSUI.e de100redações do
vestibular 200! formecidas pela COPERVE/UFSC, Foram obxidos um totalde 292.
“lados, correspondentes. 139 conectores na fla 153 conectores na escrita.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-9f8ef15d908b60287bba32c2c1314852">
        <p id="paragraph-4c0e29b463718eb780231d6e31e8f536">Em um cruzamento,os faoces de dois grupos sãocruzados, isto é, combinados de
tudos os modos possíveis (no caso de sex/elriad, temos, neste estudo, feminino e quatro anos de escoladorade, feminino e oito anos de escolaridade, etc) à cada combinação
é atribuído um peso relativo.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-bcd2b1270a1d5748e943067e2f08b302">
        <p id="paragraph-caa657d1d67d7d948a599fa3384f8aa9">A generalização no plano funcional, isto é, a extensão de uso de uma forma de
modo queela pasea cobdr um leque maiorde funções, possibilita que a forma
tenha alteradassuaspropriedades semâncco-pragrmáticase/ou morfossintáicas</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-0a6959cefd61646ab3d539e6df20d9bb">
        <p id="paragraph-9a65f0079d718d446789305b2d6309fd">Claro que nãodevemos descarear a possibilidade de que 0 df venhaa migra para
novos papéis em outros domínios (ou que já esteja migrando),já que sualta
regência de aparecimento como sequenciador pode ser um pontode parcidapara
O surgimento de novas estratégias prammaiai. Neocaso, motivações de natureza
social estariam contribuindo com a emergência da inovação emsi, e nãosomente
“coma disseminação socisle funciona</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-d2b0bda55fc590cbb87b606fa224dc07">
        <p id="paragraph-b2735eb1675afe56167f10d6657e603e">Por uma questãode espaço, optei por apenaslevantar lebre, sem,no entanto apresentar evidências confirmadoras, Todavia, apenas para “dar um gostinho”, saliento que obtiveindícios de que 0 da! teve tealmente seus padrões funcionais expandidos em Mlorianápolis, e justamente nafla dos pré-adolescentes. Nela, o estendeu suns garras com voracidade sobre tudos 0s espaçosdisponíveis para os segienciadores e, além disso, É nela que predominam os usos mais genéricos e abstratosda forma, isto éaquelesusos que representam seus estágios mais avar gados de gramaticalização como cunectossegfienciador, commenos persistência de Propriedades ligadas às suas fontes déiico-anafóricas de natureza mais concreta. Na fala dos demais miero-cosmos etários considerados,a uilização do daié predominante em contextos que manifestam taispropriedades, e bastante infreqiente nos demais. Portanto, o super usado daípelos pré-adolescentes deve ter contribuído para que um número maior de contestospassassea ser vinculado com fee. diiência a seu aparecimento (cÉ Tavases(2003) para observar como foifeito o controle de traços contextuais mais € menos vinculadasaosusos fontes de 1, af de? e então como,por meio de tratamento eseaísico, as direções da mudança funciosal puderam ser mapeadas)</p>
      </fn>
    </fn-group>
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