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        <article-title>O MODELO RAISING DE DESCRIÇÃO DE CLÁUSULAS RELATIVAS:</article-title>
        <subtitle>EVIDÊNCIAS DO PORTUGUÊS</subtitle>
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            <given-names>Eduardo Kenedy</given-names>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Estadual de Campinas</institution>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="22/05/2017" />
      <volume>2</volume>
      <issue>2</issue>
      <issue-title>O MODELO RAISING DE DESCRIÇÃO DE CLÁUSULAS RELATIVAS: EVIDÊNCIAS DO PORTUGUÊS</issue-title>
      <fpage>9</fpage>
      <lpage>22</lpage>
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        <date date-type="received" iso-8601-date="02/2004" />
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">Neste artigo, procura-se demonstrar evidências empíricas da relativização em língua portuguesa que parecem indicar que o modelo raising de análise de cláusulas relativas, proposto em Kayne (1994), Bianchi (1999) e Areas (2002), é observacional e descritivamente mais adequado (no sentido de Chomsky, 1965) que o modelo tradicional, sustentado na hipótese wh-movement, de Chomsky (1977 até o presente). Segundo a análise raising, o alvo da relativização (1) é derivado via regra de Movimento e (2) é extraído de uma posição no interior da cláusula relativa.</p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-0f45fe7199044838c1cce0ec3e120653">In this paper I try to show some empirical generalizations based on Portuguese data which constitute evidence in favor of the raising analysis of relative clauses (see Kayne (1994), Bianchi (1999), Areas (2002)), In this model of analysis, the head of the relative clause is derived by movement: it is raised from within the relative clause. Such assumption is capable to overcome the problems shown here, the reason why the raising hypothesis seems to account for observational and descriptive adequacy (in Chomsky's (1965) sense)</p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">revitalização</kwd>
        <kwd content-type="">modelo raising</kwd>
        <kwd content-type="">sintaxe</kwd>
        <kwd content-type="">anti-simetria</kwd>
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    <sec id="heading-d19be268843e57713a78169c291ec2e4">
      <title>Introdução</title>
      <p id="heading-6fe78b6cb7707727fb13d8f14cec186c">Existem, na teoria lingüística, dois modelos descritivos através dos quais a estrutura e a derivação de cláusulas relativas vêm sendo interpretadas: o <italic id="italic-c5d146050d61e649a93ef2532bae05da">wh-movement</italic> e o <italic id="italic-9d24bdece59711b4309bba22950bbfbb">raising</italic>. O modelo <italic id="italic-47096614d17003ba801555efc04c05b4">wh-mvement</italic> sustenta-se nas hipóteses de Chomsky (1977)<xref id="xref-03043b41c4602ba81828a0130b9ff7f7" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-33534bd2e429ea48b15f54f4db8e5320">[1]</xref> e tem sido amplamente utilizado para a descrição das estratégias de relativização das línguas do mundo - no estudo das relativas do português do Brasil (PB), os trabalhos clássicos de Tarallo (1983)<xref id="xref-14ed41eb038ee86fcefc5a614f8318fb" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-2be484d1e67d73d1546b0b30ca0dff2c">[2]</xref> e Kato (1993)<xref id="xref-99332d4a48938065b2875b79cfb0f440" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-275be41463cff6c8b8416e1533117334">[3]</xref>, por exemplo, assumem o modelo chomskyano. <italic id="italic-22889441c21a5b6b8b26fed45aca7762">Wh-movement</italic> é, inclusive, a abordagem por meio da qual a relativização é apresentada nos dicionários de lingüística (cf., entre outros, Don et al., 1999)<xref id="xref-d9d3dcb46b7094973bdc0405bcdc2bd4" ref-type="bibr" rid="book-ref-0d70ffc57b27df57a43caebaa0641d33">[4]</xref> e manuais de sintaxe (cf., por exemplo, Haegeman, 1994: 407-10)<xref id="xref-81a83c29c9a50b1e9426576644e8c077" ref-type="bibr" rid="book-ref-92f275f27cb286c8ee62d997dc822e6a">[5]</xref>. Trata-se, portanto, do modelo de descrição de cláusulas relativas dominante desde o início da lingüística moderna, motivo pelo qual o denominamos <italic id="italic-81b2977841a37fe3cd7eecc318652dd6">modelo tradicional</italic>. A análise <italic id="italic-6b3d7420f31f584b7b6995f3bb77e042">raising</italic> foi inicialmente proposto por Brame (1968)<xref id="xref-af831cf0dea285b9d9cb649f73db2a9a" ref-type="bibr" rid="book-ref-361939db8b56be204a6439271f387591">[6]</xref>, mas apenas com as implicações do Axioma de Correspondência Linear (LCA), de Kayne (1994)<xref id="xref-f1a9a38793fb82dcb88ba5d9573c0d19" ref-type="bibr" rid="book-ref-2581778a5f734054eb5d496e09d7814f">[7]</xref>, veio a se tomar relevante para a Teoria da Gramática. Com base nesse trabalho de Kayne, diversos estudos, como os de McDaniel, McKee e Bernstein (1998)<xref id="xref-1ad6b5b77f49c4f2e6d36151f8d78cf1" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-eb4d67b7e5fc2733efd9ae56d7d57501">[8]</xref>, Bianchi (1999; 2000)<xref id="xref-82a74948da24b3b6d9bf7b692de4f740" ref-type="bibr" rid="book-ref-3940b5d39af822ea8dcb4bb7ba542b0d journal-article-ref-51996ccdfb6353b255adb104357671b7">[9,10]</xref>, Sauerland (2000)<xref id="xref-1fcade0d2c18ba7c65b906c234951582" ref-type="bibr" rid="book-ref-bcaa19c8a91e8693ae08baf3cffb502b">[11]</xref>, Aoun e Li (2001)<xref id="xref-e890622227499d889383b7deb1f8e67f" ref-type="bibr" rid="webpage-ref-e082e36133432739e119550915beaac4">[12]</xref>, Law (2001)<xref id="xref-a8ed8f82e6756739c65aeab68e9442b5" ref-type="bibr" rid="book-ref-aa7669e9b0a3893f78226abd5925a738">[13]</xref> e Bhatt (2002)<xref id="xref-7243236019c095056968eaddf44f5104" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-0b423a18073fdb4125edc489100c3149">[14]</xref>, vêm desenvolvendo as hipóteses do modelo <italic id="italic-ec1e83c9ef69e9c9ba297026daa9ed7a">raising</italic>. Recentemente, o trabalho de Areas (2002)<xref id="xref-c207a614bffed0c17b5afba34839a24d" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-92e034a33f8bba8d578958e51ae29619">[15]</xref> apresentou, com base no modelo de Kayne (1994<xref id="xref-596540c7745c2323cbddd467957a4599" ref-type="bibr" rid="book-ref-2581778a5f734054eb5d496e09d7814f">[7]</xref>) e Bianchi (1999)<xref id="xref-c65511b7b7fe617a65f2adf89fe5cfdc" ref-type="bibr" rid="book-ref-3940b5d39af822ea8dcb4bb7ba542b0d">[9]</xref>, uma descrição estrutural para as diversas estratégias de relativização existentes em PB.</p>
      <p id="paragraph-e586cb77bdaa10c6d0365e2f8df19b6f">Segundo o modelo tradicional, o NP alvo da relativização é gerado na base e, à sua direita, é adjungida a cláusula relativa, no interior da qual um pronome relativo ou um operador nulo (OP) é indexado, no componente lógico da linguagem (LF), via regra de predicação, ao NP alvo. Nessa hipótese, a estrutura de uma cláusula relativa é descrito como [<sub id="subscript-1">NP</sub> [<sub id="subscript-37b102207047e56ca8ab436b69a1183b">NP</sub> [<sub id="subscript-2">CP</sub>]]]. Assume-se, assim, que a relativização seja um fenômeno de estrutura secundária (adjunção) na arquitetura da linguagem humana. Já no contexto do modelo <italic id="italic-c8cbaa021a7b90ea2df9a8339b39f3e7">raising</italic>, o alvo da relativa (DP ou PP) é derivado via regra de Movimento, isto é, é alçado diretamente de sua posição de base, no domínio da cláusula relativa, para o início da construção (especificador de CP), de maneira análoga ao que descreveu Chomsky (1977)<xref id="xref-326a09e1a009f970aa2faea78349fdcf" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-33534bd2e429ea48b15f54f4db8e5320">[1]</xref> para as interrogativas <italic id="italic-60c2bf841b0dcf49b0ae2c26787a5a31">wh</italic>. Assume-se nessa hipótese, a estrutura sintática [<sub id="subscript-e2db6595af9cfd38d54c725c77636002">DP</sub> [<sub id="subscript-41b4e39d0594720d2459b27d97901eba">CP</sub>]] para descrever a relativização, o que significar sustentar que as relativas encerram um fenômeno de estrutura primária (complementação) na sintaxe das línguas naturais.</p>
      <p id="paragraph-0422cc5dc646e78f4a7433323d2aabb4">A abordagem <italic id="italic-89c681568fdbf99cd3540dd994a23609">raising</italic> deve ser considera mais simples e econômica, bem ao espírito do Programa Minimalista contemporâneo, se comparada ao modelo <italic id="italic-772aaae0d6c57f0464bd301816920f75">wh-movement</italic>, já que, entre outras coisas, envolve um número menor de operações computacionais e dispensa artifícios descritivos como regra de predicação e operadores nulos, diversas vezes apontados como obscuros e problemáticos para a teoria sintática (cf. Jaeggli, 1981<xref id="xref-0fee6399bafb040426659d7d2ac7e5fd" ref-type="bibr" rid="book-ref-8f57aab58e4f29d5c4d77fbff3d02620">[16]</xref>; Authier, 1989<xref id="xref-81b99492464064920389f2b62a373030" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-a9a211f84f91fd80e190dc830852ee16">[17]</xref>; Lasnik &amp; Stowell, 1989<xref id="xref-8b953c926e184d3ab5a69c28eefb9625" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-80c478cddc08079f07c3c7598387241a">[18]</xref>; Contreras, 1993)<xref id="xref-19f50f232047d611fa47063e0e179f07" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-0389f448e01b7ea5b55d09341e5e4a6b">[19]</xref>. Abaixo, ilustra-se a estrutura e a derivação de cláusulas relativas nos dois modelos descritivos.</p>
      <fig id="figure-panel-706f07015ed487cba52af3ac709d0341">
        <label>Figure 1</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-a4291328d23dac6f2792b2a70e33fcab" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-068b21c95b2418a77d8cc7d2b2c974fa" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2020-11-10_18-28-26.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-4ee8c29fd255d234c4d1bdc6c0371b62">Neste texto, apresentaremos evidências do PB que servem de sustentação empírica para o modelo <italic id="italic-e3aa52693544a5d0c3bad36c09a5d74d">raising </italic>de descrição de cláusulas relativas. Diante de tais evidencias, procuramos sustentar que o modelo <italic id="italic-ad34f95e5b45f85cc76ac1c40ad381e4">raising </italic>se mostra observacional e descritivamente mais adequado (nos sentido de Chomsky, 1965)<xref id="xref-fe22b4f4312ec32cb2998e9635609644" ref-type="bibr" rid="book-ref-1abad3e00d02df22d29a2edee34ee136">[20]</xref> que o modelo tradicional. Deixaremos para uma outra ocasião uma discussão geral sobre as implicações do modelo <italic id="italic-bab7334803dc335903cf2ff234014da7">raising </italic>para a Teoria da Gramática. Nossos objetivos aqui são (1) demonstrar fenômenos sintáticos imbricados na relativização em português que ou não podem ser explicados ou são mal explicados na abordagem <italic id="italic-2784c6d7e6adf77c5dd2137798fbd87c">wh-movement </italic>e (2) apontar de que maneira tais problemas podem ser resolvidos se se assume o modelo <italic id="italic-95166a161b0de95a5a8267f781742588">raising</italic>.</p>
      <sec id="heading-7fc302944d43001d8b5cfabda44e0e05">
        <title>1. A correlação entre [D] e [CP]</title>
        <p id="heading-69dd4b8066d47e6606abfb82c2c8d1d8">Há em PB certas palavras que, quando antecedidas de artigo, só são licenciadas se seguidas de uma cláusula relativa<xref id="xref-967a49f4cd10ac964dc94e49efbae05a" ref-type="fn" rid="footnote-a55827b7e80ca26c493fb71b69b5ec51">1</xref>. Conforme formalizado por Schmitt (2000: 311-12)<xref id="xref-8d69e71fc14b05d830308d88cd8592b3" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-8c99af608b04013492756aa4036b520c">[21]</xref>, essas palavras exprimem:</p>
        <p id="paragraph-9bc0e90854955e8e77c4d292a5141735">_</p>
        <p id="paragraph-49ac2b56cb0bb89cafbe9fd78b0598d4">(2) expressões tipológicas</p>
        <p id="paragraph-2">a. [* eu comprei o tipo de pão] <italic id="italic-873eebbe0422ac78b32acb404b1d7271">vs</italic>. b. [eu comprei o tipo de pão (de) que você gosta]</p>
        <p id="paragraph-3">(3) expressões de medida</p>
        <p id="paragraph-4">a. [* Maria pesa os 45 quilos] <italic id="italic-3c2d9e4405d4df41ce765d50bc1a54c6">vs.</italic> b. [Maria pesa os 45 quilos que Suzana quer pesar]</p>
        <p id="paragraph-5">(4) expressões resultativas</p>
        <p id="paragraph-6">a. [* João pintou a casa com a cor] <italic id="italic-6b8c26164468fa440678eefecec3e247">vs</italic>. b. [João pintou a casa com a cor que sua namorada sugeriu]</p>
        <p id="paragraph-7">(5) expressões “com”</p>
        <p id="paragraph-8">a. [* Pedro comprou o carro com o motor] <italic id="italic-3afe9ecc617814d0f2db66235278a291">vs</italic>. b. [Pedro comprou o carro com o motor que ele queria]</p>
        <p id="paragraph-8abb7178c4cef059dc0f64c7c23f18f7">_</p>
        <p id="paragraph-c943a1d6b92fff04ee3e2b66b28e0fb2">Para dar conta da agramaticalidade dos exemplos em (a), é possível argumentar que os NPs dos tipos mencionados não podem ser selecionados pelo núcleo determinante [D] do DP que os domina. Ou seja, substantivos que manifestam expressões do tipo (2-5) não podem ser antecedidos de determinante, do contrário a construção torna-se ilegítima, conforme se ilustra em (6).</p>
        <p id="paragraph-07af2e36a024d554fccc5ad67a3d733c">_</p>
        <p id="paragraph-9a36d1cab686993385b2e9a169dfec18">(6) * eu comprei [<sub id="subscript-6c3d07f8a027da918869bcc7bf837704">DP</sub> o [<sub id="subscript-4948ecfc57304ea4d67261e2f7709958">NP</sub> tipo de pão]]</p>
        <p id="paragraph-01adcca12dfdcdb4af8d40c367ed184a">_</p>
        <p id="paragraph-cc67e1d3b3faae39b174dfe74cf1f135">Por conseguinte, para dar conta da legitimidade das construções em (b) acima, deve-se argumentar que nelas o NP não seja selecionado por D, isto é, dada a razão da agramaticalidade de (a) acima, D e NP não podem ser nódulos irmãos em (b). Ora, o modelo <italic id="italic-67cb544366153c9b69c8df050316c1a3">raising</italic> é capaz de acolher tal hipótese, já que compreende que o NP linearmente seqüente a D é, na verdade, um constituinte de cláusula relativa [CP], que ocupa a posição inicial da construção em decorrência de alçamento. Logo NP não é complemento de D, o que garante a gramaticalidade da construção. D e CP é que são nódulos irmãos, conforme indicado em (7).</p>
        <p id="paragraph-e51c84680dca9dabc9c4248d6ececc08">_</p>
        <p id="paragraph-4a724e49aba07785141b33ae2a11c6f6">(7) eu comprei [<sub id="subscript-b2d21cbc164d3782b661831a90cb4d2e">D</sub> o [<sub id="subscript-b457e8f2c93b824efbcc7723f6c7541c">CP</sub> [<sub id="subscript-c923d5bdaa2adac739f65c3ebc29d013">NP</sub> tipo dc pão]<sub id="subscript-c493af991f878cd847a3a99a57a0620d">i</sub> (de) que vc gosta t<sub id="subscript-8db59798444d0cf5d3ddfd2627d1c68f">i</sub>]]</p>
        <p id="paragraph-040d949d68795129c9bdded6bb280754">_</p>
        <p id="paragraph-72ed1073397792e58c01bb83856b6bb2">Se tentássemos explicar a derivação de uma estrutura como (7) com base na hipótese tradicional, encontraríamos um sério problema, pois teríamos de sustentar que a construção [eu comprei o tipo de pão] é uma sentença legítima do português, à qual poderíamos (ou não) adjungir a relativa [(de) que você gosta], como modificador do NP [pão], como em (8).</p>
        <p id="paragraph-3a8d3a2f70e8878b37893c58e4c363e9">_</p>
        <p id="paragraph-79503cbd67caf45a6b376b71ae7b3caa">(8) eu comprei [<sub id="subscript-751c594589f7726577b9396cd8660999">DP</sub> o [<sub id="subscript-297b1047fcc9d6aefd4b6536e75995c6">NP</sub> tipo de pão] [<sub id="subscript-b8ad7cca334b84281537ed00dc94ccd1">CP </sub>(de) que<sub id="subscript-c5d32172350eeeb5a758b6a2e591c9ad">i</sub> você gosta t<sub id="subscript-4ec72006d2d5b1b7b52f917215ad2a2c">i</sub>]]</p>
        <p id="paragraph-7a03ba3e220f68f78d62d804245a5218">_</p>
        <p id="paragraph-b01f155eeb7f3189740a5baff9409a15">Tal hipótese não é sustentável em razão da agramaticalidade apontada em (6). Logo não é possível explicar, com o modelo wh-movement, por que (6) é uma construção ilegítima mas (7) não o é.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-4e868f299001d75371d54a0f8135fc1d">
        <title>2. Expressões idiomáticas</title>
        <p id="heading-a82f0aa4d69e9557357e7a6871b3de3e">Segundo Williams (1997: 15)<xref id="xref-864cdc1759c21d6bd65b416e6b45f79f" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-43c9ab47fac0d79fac153033196ae7e2">[22]</xref>, expressões idiomáticas são geradas a partir da articulação entre dois nódulos irmãos, como, por exemplo, aquela presente numa seleção entre o verbo e seu objeto direto. Nesses casos, é interessante notar que, nas expressões idiomáticas ainda não-lexicalizadas, o objeto direto pode vir a ser alvo de relativizaçào, como no caso de [pagar mico] e [dar (uma) mãozinha].</p>
        <p id="paragraph-09cdae5d9601c49f7681de00d341caf9">_</p>
        <p id="paragraph-b1f449364ec0de95bc70577eeb90ab2a">(9) a. o mico que eu paguei me deixou envergonhado.</p>
        <p id="paragraph-08605b3a0fa4c19578973362a478ee7d">b. a mãozinha que ele me deu resolveu o problema.</p>
        <p id="paragraph-7b414c99181c80fefd9078edd40bdb1a">_</p>
        <p id="paragraph-9e449b5d5ec2e01ff2fc22970ac233ab">Essa possibilidade de relativizar o objeto direto de uma expressão idiomática é uma forte evidência para a hipótese de que o alvo da relativização tenha sido gerado numa posição no domínio da cláusula relativa. Afinal, considerando (9a-b), para ser uma expressão idiomática, <italic id="italic-ac7363b84dcafaa1d8a3c0980132ad14">pagar </italic>e <italic id="italic-e6b66d629d367167bc056c181ae7d0bd">mico</italic>, bem como <italic id="italic-6d73fe734b18125e7f766e0b5299fc35">dar </italic>e <italic id="italic-f3948f974193645c6fa7f47577260143">mãozinha </italic>devem ser gerados como nódulos irmãos, na relação sintática núcleo/complemento, e como o núcleo (verbal) é indiscutivelmente um constituinte da relativa, seu complemento também deve sê-lo. É exatamente essa a hipótese sustentada pelo modelo <italic id="italic-a447301404c5a182580a1e417e888f82">raising</italic>.</p>
        <p id="paragraph-c375223468346b2dc08d7733cd6da5ea">_</p>
        <p id="paragraph-50ecd07c41e3f438ea3a5e220a9ff820">(10) a. o [<sub id="subscript-912e2e04dfb8db960db85abef8e7f21e">CP</sub> [<sub id="subscript-dfcaa1993894eccb4a91841808f2fa02">DP</sub> mico<sub id="subscript-5f9abb99a682521035a0e8a1c4357c0d">i</sub> que [<sub id="subscript-c22d4babe9a2872cb4193a1aba98e5f7">IP</sub> eu paguei t<sub id="subscript-8752f06d8ec772de3fe7103f4c87276b">i</sub>]]] me deixou envergonhado,</p>
        <p id="paragraph-698072589a417f0be6d0595f9aa47b1c">b. a [<sub id="subscript-1e0f2310401d3250a5fc26f65d68b7ce">CP</sub> [<sub id="subscript-3">DP</sub> mãozinha que [<sub id="subscript-4">IP</sub> ele me deu t<sub id="subscript-3f6bf3aa8a57711a00357d71508466b3">i</sub>]]] resolveu o problema.</p>
        <p id="paragraph-14d375e998c8a0ba2614d5ccf4099f3e">_</p>
        <p id="paragraph-b26f6cd0a25e72e4868caabbd462f96e">Ou seja, se [pagar mico] e [dar (uma) mãozinha] são expressões idiomáticas, então [mico] e [(uma) mãozinha] são argumentos internos do verbo que os antecede. Como, nas orações relativas em (10), [pagar mico] e [dar (uma) mãozinha] também são expressões idiomáticas, a relação núcleo complemento deve manter-se preservada. Ora, [mico] só pode ser complemento de [pagar] bem como [mãozinha] só pode ser complemento de [dar] em (10) se assumirmos que ocorreu alçamento do complemento do verbo da relativa para o início da construção, conforme ilustrado acima. Uma análise tradicional assumiria que [mico] e [mãozinha] não são complemento dos verbos das relativas, já que a relativa é uma estrutura de adjunçào e a associação do NP relativizado com o pronome relativo ou o operador nulo só ocorre em (LF), fora da sintaxe aberta, portanto<xref id="xref-f5de1683a596ea8e8e750f98a6c02f3f" ref-type="fn" rid="footnote-0ee7bd2299bab493e42252fb88e3f87a">2</xref>. Com isso, vê-se que o modelo <italic id="italic-9db6945abe6b296fbe0976e676725b0b">wh-movement</italic> não pode explicar a relativização de expressões idiomáticas ou deve negar que essas são constituídas por meio de relações locais entre nódulos irmãos, indo de encontro ao que se sustenta na literatura sobre o assunto.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-a017324a46cfa0770b43e58e32f9635f">
        <title>3. Teoria da ligação</title>
        <p id="heading-7d3c37f84bbc47a1f40d5117a0c18e5b">Segundo o princípio C da Teoria da ligação, uma anáfora deve suceder e ser c-comandada pelo seu antecedente (Cf. Auon &amp; Li, 2001: 03)<xref id="xref-47e12e1929e58208b0b87900fa411ac6" ref-type="bibr" rid="webpage-ref-e082e36133432739e119550915beaac4">[12]</xref>. Esse princípio é respeitado em (11a) e violado e (11b).</p>
        <p id="paragraph-edfeefca31125ed3f9d981a34ed0b7da">_</p>
        <p id="paragraph-a062f6a95ece46d8128ac0db16735a46">(11)  a. Joào<sub id="subscript-ce45d43debae4c96a93a327ecec61ede">i</sub> pintou um encantador retrato de si mesmo.</p>
        <p id="paragraph-37a9f531d0b19f03727e87b36bfbc9fc">b. * Si mesmo<sub id="subscript-6bd656f66dd3a543eca7f5ddd3d6ee46">i</sub> pintou um encantador retrato de João<sub id="subscript-b34288eaed778fc6b627796f6a4cd69c">i</sub>.</p>
        <p id="paragraph-633189fd66d773c0d90778fe786f6c6d">_</p>
        <p id="paragraph-de3ee6a8a9007730aa9c9fc17793ae93">É natural esperarmos que o princípio C seja válido para referente e anafórico mesmo quando envolvidos numa cláusula relativa. Logo, (12a-b) serão gramatical e agramatical, respectivamente, pelas mesmas razões apontadas acerca de (11a-b).</p>
        <p id="paragraph-5007006c722d1cacf13df8e596d58f3d">_</p>
        <p id="paragraph-fe19a594ea2a717c783e860d1baaac10">(12) a. O retrato d si mesmo<sub id="subscript-f551f9d60522c470bf6bc55cb4983203">i</sub> que João<sub id="subscript-8d2b04d98861a78eefef2f6ab503b4fb">i</sub> pintou é encantador.</p>
        <p id="paragraph-b5bb12ee4695bb01f8990a0178e81b91">b. * O retrato de João<sub id="subscript-0ee7a4f0ec0dd21238482d0e33f60951">i</sub> que si mesmo<sub id="subscript-2ec2e75b33a97f3384a2fabfac256513">i</sub> pintou é encantador.</p>
        <p id="paragraph-d127627691bab8a82b3663b6512fdac5">_</p>
        <p id="paragraph-f7a536265576c80f7858c10347ec394b">Se esse raciocínio é verdadeiro, então ao longo da derivação da sentença (12a), <italic id="italic-736687dbee95034e5e651c2e7dfcc06f">João</italic> deve preceder e c-comandar <italic id="italic-a7deae15afaae5c458a651a6d88e0230">si mesmo</italic>. Isso será comprovado se assumirmos que o NP [retrato de si mesmo] antecede [João] nesta relativa em função da regra de Movimento que o deslocou para o início da construção, de modo que o vestígio de [retrato de si mesmo] é precedido e c-comandado por [João], o que preserva o Princípio C, conforme representado em (13).</p>
        <p id="paragraph-4cf38a70d3d2dff6ec01a23c95175d4b">_</p>
        <p id="paragraph-40d6347216180948e4340330f0346815">(13) [<sub id="subscript-dd99699b6565f19151e5b8318c84c2e1">DP</sub> o [<sub id="subscript-1e245f4e4353a12b017d5fcade27c8fa">CP</sub> [<sub id="subscript-955f4382e4cf39f36bc30a6fcb168269">DP</sub> retrato de si mesmo]<sub id="subscript-4420e99aa3c2563fbcd4b6421dc464e3">i</sub> que João pintou t<sub id="subscript-f16c0675201afa3e047f685358bdaf65">i</sub>] é encantador]</p>
        <p id="paragraph-651dedfc3cce567f519b48c6b658a41e">_</p>
        <p id="paragraph-02676d51dd48ad26896bd65eb225f4e7">Sem assumir que o alvo da relativização em (13) é, na sintaxe aberta, o objeto direto do verbo da relativa, que sofreu alçamento de sua posição de base, ou seja, se não se assume o modelo <italic id="italic-5ab3586a5ce79bded0079ec73f09ea08">raising</italic>, não parece possível explicar de que maneira João possa preceder e c-comandar o anafórico <italic id="italic-ca15165404173fe53cf217fc2f5fd9eb">si mesmo</italic>, para que a sentença seja gramatical, como de fato é. Temos aqui uma sentença gramatical que, segundo o modelo <italic id="italic-dc571479b9af91be0ea0e7bedb5b2d4f">wh-movement</italic>, não poderia ser, já que se assume aqui que o alvo da relativização é gerado na base e não apresenta relação sintática de complementação com constituintes no interior da cláusula relativa. Como a sentença em questão é gramatical, a maneira pela qual ela é descrita tradicionalmente é que deve estar equivocada.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-f9d9d589038b3cd1f1e37557fef1218b">
        <title>4. Propriedades de escopo</title>
        <p id="heading-fdca1a3d2cb8b06e493287e82ca43f67">Observe-se a interpretação do escopo do DP [dois pacientes], nas tres construções abaixo (adaptado de Bianchi, 1999: 45-46)<xref id="xref-f5a8ad19c96a489b216535d3cdebe7ab" ref-type="bibr" rid="book-ref-3940b5d39af822ea8dcb4bb7ba542b0d">[9]</xref>:</p>
        <p id="paragraph-7148f8b81c3c5fb8aa43e6721cb7e388">_</p>
        <p id="paragraph-8e124e210be9dfe04cc04f6aeb6ce301">(14) a. Cada doutor examinará dois pacientes.</p>
        <p id="paragraph-5ab3bfc954bd0ac0596a89bf44992306">b. Cada doutor examinará os dois pacientes.</p>
        <p id="paragraph-636093da918b24ce6cb4899c846726a4">c. A secretária telefonou para os dois pacientes que cada doutor examinará.</p>
        <p id="paragraph-da5d2f81ea6af07ed4dc0debbf417b97">_</p>
        <p id="paragraph-795f70b6c263db034e4b75ff2a3d02f6">Em (14a), a interpretação do escopo do DP [dois pacientes] é esta: compreende-se que, de um conjunto indefinido de doutores, cada doutor examinará dois pacientes, retirados de um conjunto também indefinido de pacientes. Em (14b), em decorrência do determinante [os], o escopo desse DP modifica-se: de um total indefinido de doutores, cada doutor examinará os dois pacientes, integrantes do conjunto finito formado por apenas dois pacientes. Em (14c), dada a recorrência do determinante [os], seria de se esperar que a interpretação do sintagma [dois pacientes] fosse definida, à semelhança do que ocorre em (14b), o que, entretanto, não ocorre. Assim como em (14a), a interpretação do DP alvo da relativa é: o conjunto de pacientes é indeterminado<xref id="xref-5392c46d34c6b13f838d2ae78dfdd519" ref-type="fn" rid="footnote-b28cefc12535d23a08bcd79d6d48b601">3</xref>. Para dar conta dessas diferenças de interpretação, podemos assumir que [dois pacientes] não é complemento do determinante [os] na relativa em (14c), do contrário seria de se esperar que sua interpretação fosse semelhante à de (14b)<xref id="xref-25bb317ab9f4eba8649a881f330d000d" ref-type="fn" rid="footnote-86989ed8ecf8fb95cc46bed6ddfd19a6">4</xref>. Se a relativização for descrita a partir da estrutura [D CP], então CP (a relativa), e não o sintagma alvo [dois pacientes], é o complemento de [os], conforme se apresenta em (15c), fato sintático que pode explicar por que razão o escopo de [dois pacientes] não é precisamente o mesmo em (14b/ 15b) e (14c/15c).</p>
        <p id="paragraph-10e566882325cc6c959956684f77de1c">_</p>
        <p id="paragraph-c61c6e7d258109785d3e577544b14029">(15) a. cada doutor [<sub id="subscript-6417c5b242952911f87bc33432a29dae">VP</sub> examinará [<sub id="subscript-3f3d7e07413e8046211177ce2c2c2eab">DP</sub> [<sub id="subscript-b50b9c499ec82ca33b342afc1515fac2">NP</sub> dois pacientes]]]</p>
        <p id="paragraph-870cea19104cbd0cf8f62ad20bd6afbc">b. cada doutor [<sub id="subscript-9683b9cf9d1d298abf9973a71777b5c2">VP</sub> examinará [<sub id="subscript-dcc47d40e0e193dc390f3793da3f1597">DP</sub> os [<sub id="subscript-57e500fe3279bf39ab53c92b922190d3">NP</sub> dois pacientes]]</p>
        <p id="paragraph-c2b58367108e2ef13c8bcee2cea6c3ad">c. a secretária telefonou para [<sub id="subscript-5">DP </sub>os [<sub id="subscript-6">CP</sub> [<sub id="subscript-7">NP</sub> dois pacientes]<sub id="subscript-8">i</sub> que cada doutor examinará t<sub id="subscript-543a5e61d651c85573725150a5bafe8c">i</sub>]]]</p>
        <p id="paragraph-f71222f8f22d4635ff1bce2377c1f225">_</p>
        <p id="paragraph-712f6e69e1ec488076dc69ad0bab3183">É crucial apontar que, na concepção tradicional, [dois pacientes] seria mesmo o NP selecionado por D, tanto em (15b) como em (15c), ao qual se pode adjungir (ou não) uma cláusula relativa. Na hipótese <italic id="italic-a34bfb47bf6265d340b94ebb81be27b7">wh-movement</italic> não existe explicação sintática que possa dar conta da diversidade de interpretação do escopo de NPs em construções como a comentada.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-d9a9110c30e3106fe179124554ef2ef1">
        <title>5. Licenciamento do artigo definido</title>
        <p id="heading-8704bc11135376b53a67bb2a02df634d">Aoun &amp; Li (2001: 08)<xref id="xref-9550ec00df9cc2692ab9f1ea8ba4ba28" ref-type="bibr" rid="webpage-ref-e082e36133432739e119550915beaac4">[12]</xref> e Bianchi (1999: 43-48)<xref id="xref-57b33395d62bec2d1a10096ab52c7c79" ref-type="bibr" rid="book-ref-3940b5d39af822ea8dcb4bb7ba542b0d">[9]</xref> notaram que artigos definidos podem ser licenciados num contexto em que normalmente não o seriam, caso haja na construção em que se inserem uma cláusula relativa a eles relacionada. O verbo <italic id="italic-11cefa3898ff8c85c533300a1b81dd6a">h</italic><italic id="italic-6b09171ff60f874b13bd2e7f33d8a1b6">aver</italic> existencial, por exemplo, tipicamente desautoriza a ocorrência de determinante definido no objeto selecionado: [* havia os livros <italic id="italic-28cc5462d06e7bb5324eaff371be98ba">vs</italic>. havia livros]. Já quando tal objeto é o alvo de uma relativização, a presença do artigo é gramatical.</p>
        <p id="paragraph-7acedf0f47382b225649974c245ff654">_</p>
        <p id="paragraph-3f5186ac43695e3cb5d66888d84a51a0">(16) a. [<sub id="subscript-5d4bbdd43a864e2a63a8e3d3690b4b17">DP</sub> os [<sub id="subscript-ae44df18b64b5843201f1900f214d8fc">CP</sub> livros<sub id="subscript-baf33b5254fcb4b8fb5b8578cfb9c4cc">i</sub> que havia t<sub id="subscript-9f4bb539ba674d3adf47269b0e6e4f94">i</sub> na biblioteca]] eram bons </p>
        <p id="paragraph-eab3fe7dce68dc658379ac385f058423">b. * [<sub id="subscript-e8aa116bdbe5a3a58c5ee0cb8f3ed182">VP</sub> havia [<sub id="subscript-82fd5b832ba060811f9c11802bcf36db">DP</sub> os [<sub id="subscript-df0b52455738aee295b8ffb7e4737ee2">NP</sub> livros bons]] na biblioteca]</p>
        <p id="paragraph-c8d20bcd38ee35521f7cc392bf3c1383">_</p>
        <p id="paragraph-f2763ad7dcb9f167b9ae6084f2c2eeaa"> Em (16a.), a construção é gramatical porque [livros] não é complemento de [os], diferentemente do que ocorre em (16b). Novamente, a gramaticalidade de (16a), em oposição ao que ocorre em (16b), é evidencia de que a cláusula relativa e o complemento categorial de um núcleo determinante. </p>
        <p id="paragraph-5f1d1665fd02b55cd349d69b3ba9ed42">Pode-se acrescentar que certos nomes próprios que normalmente não são antecedidos de artigo definido podem sê-lo caso esses nomes façam parte da estrutura de uma cláusula relativa. Nesses contextos, D não selecionará NP, e sim CP.</p>
        <p id="paragraph-6ceab9781a798d2a946f382bb3e03ead">_</p>
        <p id="paragraph-f54011dfa8cbe2e1d6ed34335d6ce723">(17) a. [<sub id="subscript-d9466d24da51228528015c30c6b39f10">DP</sub> a [<sub id="subscript-018dfc9798022bd761680887e5004a49">CP</sub> Paris<sub id="subscript-0ec3538dead88429d945e036faf82f36">i</sub> que eu conheço t<sub id="subscript-d3ce4a9ae35109ae175b85d8b9eddf77">i</sub> [é bonita]]] </p>
        <p id="paragraph-06c8c21a3400e0cca40fb180d14adda6">b. * [<sub id="subscript-4803b31716121a912f562df2b9091195">DP</sub> a [<sub id="subscript-a6b6f4eca41e5f359145a45e25f72604">NP</sub> Paris] é bonita]</p>
        <p id="paragraph-64dce830a08eb1022997e12fa25bf0f6">_</p>
        <p id="paragraph-00fd91091b366083bfe7f8074583e2d4">Mais uma vez, uma análise tradicional não poderia dar conta da agramaticalidade de (17b) oposta à normalidade de (17a). Se as relativas são um fenômeno de adjunçâo, como se sustenta naquele modelo, então (17b) teria de ser uma construção legítima, base para a adjunçâo da cláusula [que eu conheço]. Como [<sub id="subscript-7e66716bb5a6280fe14c977c1513393a">DP</sub> a [<sub id="subscript-eb33a9e6986fb8dd2ebdff7b77388381">NP </sub>Paris] não é um constituinte legítimo, a hipótese de que a relativizaçâo deve ser caracterizada como um fenômeno de adjunçâo se vê seriamente prejudicada.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-3d5b279013fb4851625417bb7666204f">
        <title>6. Relativização de constituintes coordenados</title>
        <p id="heading-74a33283641ac0911ec0f2e9c1fd4c13">Em PB, DPs, NPs e NPs modificados por adjetivos podem ser coordenados por meio da conjunção e, conforme exemplificado em (18).</p>
        <p id="paragraph-9bfc81bb8deb85306acc291382b1f4ff">_</p>
        <p id="paragraph-4a619f75c691be9cbe06047186f5a3fe">(18) a. Ele é [um ator] e [um produtor] competente - coordenação de DPs</p>
        <p id="paragraph-2fb7ddff8f79386e35dbaa74d2782990">b. Ele é um [ator] e [produtor] famoso - coordenação de NPs</p>
        <p id="paragraph-9046adac4dfd0eed32d5941366984a7f">c. Ele é um [brilhante ator] e [sério produtor] - coordenação de NPs modificados por adjetivos</p>
        <p id="paragraph-8d1552cfbea84f88211288e73720a2cc">_</p>
        <p id="paragraph-d96fec705e2995efcbcdca645923ce16">O interessante nessas estruturas coordenadas é que, se uma relativização ocorresse sobre elas, somente DPs poderiam ser relativizados, e não NPs ou NPs modificados por adjetivos.</p>
        <p id="paragraph-332547071588841371178c496971d350">_</p>
        <p id="paragraph-f803373dd862fc9c911710e3f4ec6b3b">(19) a. * ele é um ator que sabe interpretar e produtor que entende de negócios.</p>
        <p id="paragraph-f344806f93d41cdaf2489ec64cdff1ec">b. * ele é um ator talentoso que sabe interpretar e produtor brilhante que entende de negócios.</p>
        <p id="paragraph-f6bcf28f0dbc63d841defa4ca7c33bf2">c. ele é um ator que sabe interpretar c um produtor que entende de negócios.</p>
        <p id="paragraph-fb92b49ca19b78d80b09ed2d3ea0de42">_</p>
        <p id="paragraph-f603e6ffe3ff6206b433abaf93a893a3">Ou seja, a agramaticalidade de (19a-b.), oposta à gramaticalidade de (19c.), é evidencia de que a cláusula relativa é selecionada como complemento de um núcleo determinante D: [D CP]. Como somente DPs podem ser relativizados, é possível afirmar que a base sintática da relativização é a seleção categorial de CP por D.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-ed0184c51cf34d4b7f39e4f7feb11fdd">
        <title>7. Considerações Finais</title>
        <p id="heading-285d2f636186a7877d9176a321aac928">Neste texto, apontamos evidências do português que parecem indicar que o modelo <italic id="italic-74444980a0442cf4ca970087e015eaff">raising</italic> de análise de cláusulas relativas é observacional e descritivamente mais adequado para explicar a estrutura e a derivação desse fenômeno sintático. Deixamos de fora de nossa análise a discussão teórica mais abrangente que sustenta o modelo <italic id="italic-0b00e6fe354d2bf3ed242c1cc0bdd6e5">raising </italic>na Teoria da Gramática: o LCA, de Kayne (1994)<xref id="xref-6ac1f1fe7a5f745c5bdcf5e974b65839" ref-type="bibr" rid="book-ref-2581778a5f734054eb5d496e09d7814f">[7]</xref>. Segundo o LCA, a Gramática Universal não pode licenciar adjunções à direita de constituintes, pois, nessa posição, os adjuntos impedem que as condições de anti-simetria da sintaxe sejam satisfeitas. Assim, se o LCA for um fenômeno relevante para a descrição da sintaxe das línguas naturais, a hipótese segundo a qual as cláusulas relativas são adjuntos alocados à direita de NPs deverá, ao que parece, ser abandonada. Caso isso ocorra, as estratégias de relativização do PB (padrão, resumptiva e cortadora), tal como analisadas por Tarallo (1983)<xref id="xref-f45dbfad63a113f73281d553f9f0a62e" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-2be484d1e67d73d1546b0b30ca0dff2c">[2]</xref> e Kato (1993)<xref id="xref-71398f53465cb2cc4f846467e09e6232" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-275be41463cff6c8b8416e1533117334">[3]</xref>, precisarão receber uma nova abordagem descritiva.</p>
      </sec>
    </sec>
  </body>
  <back>
    <fn-group>
      <fn id="footnote-a5e7c3cda49f7955776d84f589073138">
        <p id="paragraph-246cee421ec3c2ad772faa5b548dcf30">Agradeço ao professor Ricardo Joseh Lima (UERJ) pelo diálogo que me suscitou as idéias aqui defendidas. Agradeço aos pareceristas anônimos pelas valiosas contribuições. Naturalmente, todos os problemas do texto são de minha responsabilidade.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-a55827b7e80ca26c493fb71b69b5ec51">
        <label>1</label>
        <p id="paragraph-91d9f60ac0def349a6c6c981381e5cff">Em alguns casos, uma modificação adjetiva não-oracional poderá ser o bastante para licenciar construções desse tipo, nas quais a ocorrência de artigos indefinidos também resulta em agramaticalidade, muito embora a legitimidade de uma construção como “? eu comprei um tipo de pão”, fora de contexto, seja discutível.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-0ee7bd2299bab493e42252fb88e3f87a">
        <label>2</label>
        <p id="paragraph-a3c34d4c4e7a7ee8ac6e24a09e204589">É interessante notar, embora fuja de nosso foco neste artigo, que a indexação entre NP e pronome relativo por meio de regra de predicação aplicada cm LF não pode explicar como esses constituintes chegam a compartilhar traços como gênero, número, caso (fenômenos dados na sintaxe aberta}. No modelo <italic id="italic-bbdcbbe509036a9b8ff204b5037fe464">raising</italic>, esses traços são compartilhados porque NP e pronome relativo estão em relação local de concordância, e, diferentemente do que ocorre na abordagem tradicional, são combinados via Merge.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-b28cefc12535d23a08bcd79d6d48b601">
        <label>3</label>
        <p id="paragraph-7dc812b8aae87f64f01e101820ce94cd">Note que em [A secretária telefonou para [<sub id="subscript-353dd41879b9c139e2efbcd2e3d0b37e">DP</sub> os dois pacientes] que cada doutor examinará] a interpretação do DP alvo pode determinado ou indeterminado. Trata-se de uma construção ambígua. Tal ambigüidade só pode ocorrer se o determinante [os] não determina o NP [dois pacientes], caso contrário, a interpretação de tal NP seria forçosamente determinado.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-86989ed8ecf8fb95cc46bed6ddfd19a6">
        <label>4</label>
        <p id="paragraph-eb579906334b6f8f42e1de2280931816">Um dos pareceristas deste artigo indicou que a diferença do escopo do NP desses construções pode ser explicada em razão de, em (14a), esse NP estar sob o escopo do sintagma quantificado [cada doutor], o que indica a razão para a interpretação do escopo estreito do sintagma [dois pacientes]. Também nessa interpretação, conforme indicou o parecerista, vê-se um argumento em favor do modelo <italic id="italic-7ac95ca2e93033933bb328077e940093">raising</italic>, pois na relativa em (14c), para que também ocorra escopo estreito em [dois pacientes], esse sintagma deve ter ocupado, no curso da derivação, uma posição na qual esteja sob o escopo de [cada doutor], o que só pode ser explicado se se assume o alçamento do NP alvo.</p>
      </fn>
    </fn-group>
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