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        <article-title>Diminutivo X grau normal:</article-title>
        <subtitle>um fenômeno estilístico no enfoque da abordagem variacionista</subtitle>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Estadual de Ponta Grossa</institution>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="22/05/2017" />
      <volume>2</volume>
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      <issue-title>Diminutivo X grau normal: um fenômeno estilístico no enfoque da abordagem variacionista</issue-title>
      <fpage>9</fpage>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">
          <italic id="italic-585f24c431a8760b816f6b3d170c301b">O objetivo é o estudo de um fenômeno estilístico – uso do diminutivo x grau normal à luz da análise variacionista. Pretendemos tratar o grau como fenômeno estilístico, pertencente ao sistema lingüístico, e conferir a esse mesmo fenômeno um tratamento variacionista, capaz de permitir, mediante controle objetivo de fatores condicionantes, a identificação de matizes expressivos. Delimitamos o desenvolvimento do trabalho em três partes: apresentação do estatuto gramatical e da função comunicativa do diminutivo; tratamento de alguns aspectos da disciplina de estilística e a relação sociolingüística e estilo; e análise do corpus no enfoque da abordagem variacionista.</italic>
        </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-eb35927be5eb1897aabf0d58fd0286a2">
          <italic id="italic-190e0c0750f0818abab648335f383aba">The purpose of this paper is to study a stylistic phenomenon – the use of diminutive x normal degree from the perspective of the variational approach. Degree is here considered a stylistic phenomenon belonging to the linguistic system, and is thus approached from a variational perspective, which, through an objective control of the conditioning factors, allows for the identification of expressive nuances. The paper is organized in three parts: discussion of the grammatical status and the communicative function of the diminutive; description of some aspects of stylistics and the relationship between sociolinguistics and style<bold id="bold-1">;</bold> and corpus analysis from the perspective of the variational approach.</italic>
        </p>
      </abstract>
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        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-1">Estilística</italic>
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          <italic id="italic-d1b8739cbc915bc66380524aaa9519cd">diminutivo</italic>
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          <italic id="italic-708482b23102f01e6b2ad84e4df2cde8">grau normal</italic>
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          <italic id="italic-926dbfdf06a1b840f00137e656149676">sociolingüística variacionista</italic>
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    <sec id="heading-db9c4764653dc388855ca09c5c985e81">
      <title>Epígrafe</title>
      <p id="_paragraph-2">“O diminutivo está na fala de todos, cultos ou ignorantes, e só não aparece com tom afetivo nos textos escritos que têm por meta a objetividade (...) em muitos casos de diminutivo erudito, mesmo a idéia de pequenez passa despercebida.” (Sant’Anna Martins, 1989:114)<xref id="xref-6feadfdc4c8266798f3e8dbc1a18360a" ref-type="bibr" rid="book-ref-d8e92229b4d500fee5e43f4fa94688aa">[1]</xref></p>
      <sec id="heading-9f11a1512ec7af93047340a460149183">
        <title>Introdução</title>
        <p id="heading-361e0719c8ee206616c91a76687895a1">O objetivo central deste trabalho é o estudo de um fenômeno estilístico – o uso do diminutivo x grau normal – sob análise variacionista. Em termos mais específicos, pretendemos tratar o grau como fenômeno estilístico pertencente ao sistema lingüístico, e dar a esse mesmo fenômeno um tratamento variacionista, capaz de permitir, mediante controle objetivo de fatores condicionantes, a identificação de matizes expressivos. Para a realização desse objetivo, delimitamos o desenvolvimento do trabalho em três partes: apresentação do estatuto gramatical e da função comunicativa do diminutivo; tratamento de alguns aspectos da disciplina de estilística e a relação sociolingüística e estilo; e análise do <italic id="italic-ac3f8792e51b3d78bd1220fb5264f0d0">corpus</italic> no enfoque da abordagem variacionista.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-2b1dc8bcc8b9d93145847846c3d65296">
        <title> 1. Diminutivo: estatuto gramatical e função comunicativa</title>
        <p id="heading-41d821e15930d3c78e8405cbfc093c9f">Os sufixos diminutivos têm sido motivo de interesse em vários estudos, em virtude de algumas particularidades. Esses estudos incluem o fato de o diminutivo, enquanto afixo e na condição morfológica de grau, consistir em flexão ou derivação. Câmara Jr. (1978)<xref id="xref-c62decb815223c283eed3bfb3339485f" ref-type="bibr" rid="book-ref-ec1960a36a8911873510adff5e932025">[2]</xref> lembra que o filólogo Friedrich Schlegel introduziu, em 1808, o termo flexão para indicar que um vocábulo se sujeita a novos empregos. Em português, tal variação se apresenta através dos sufixos flexionais, obrigatórios e sistematicamente coerentes, que não devem ser confundidos com sufixos derivacionais destinados a criar novos vocábulos. Câmara Jr. (<italic id="italic-40d5c7c22995e6eb234d0e3477573fa7">op.cit.</italic>)<xref id="xref-e69425dead26a833e48749c7f34ee3a4" ref-type="bibr" rid="book-ref-ec1960a36a8911873510adff5e932025">[2]</xref> argumenta que algumas características distinguem estes últimos: a) não constituem um quadro regular, coerente e preciso; b) há possibilidade de usar ou deixar de usar o vocábulo derivado; c) nem todos os nomes portugueses possuem diminutivo correspondente (ex.: ‘paz’), e os que existem podem ou não ser usados, de acordo com a vontade do falante.</p>
        <p id="paragraph-08f8daf18b1c598e077c7a824314c14b">Em <italic id="italic-b29d6090deaf023574982724860c9d3c">Morfossintaxe</italic>, Carone (1991)<xref id="xref-89ddad4b68962295f26275d4d38e8869" ref-type="bibr" rid="book-ref-d09052334a7e6d35d9e8cd05f21b803a">[3]</xref> afirma que o inventário de afixos, embora mais amplo do que o de gramemas flexionais, é também fechado, o que significa que seu número é limitado e que novas criações são raras na história da língua. Para ela, a semelhança dos afixos com gramemas flexionais cessa aí. Diferenças qualitativas e comportamentais os separam, por exemplo: gramemas flexionais são mutuamente excludentes, e os afixos não o são. Essa característica fundamenta a afirmação de que o <italic id="italic-8d55dc49c6d924b66664245b70580049">grau dimensivo</italic> e o <italic id="italic-dc541d2fc74787fe9f1647e393e2b23a">intensivo</italic> dos nomes <italic id="italic-4">não é fenômeno</italic> da flexão, mas da derivação. Monteiro (1997)<xref id="xref-cbc52f282f911d6ee605f1ce77194401" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-d4760f4c078869a79e6c8bcf52186317">[4]</xref> acredita que um dos motivos pelos quais o diminutivo foi classificado como flexão em algumas gramáticas normativas se deve ao fato de, por não alterarem a classe gramatical da base, estarem sujeitos a pouquíssimas restrições.</p>
        <p id="paragraph-c368950b10b13cd32d9911014e32b467">Uma passagem pelas gramáticas de Cunha (1983)<xref id="xref-e81ba7655e6bb1716a9865a1fbce2f45" ref-type="bibr" rid="book-ref-9dbd38f1879741dedd8adec994cf8c05">[5]</xref>, Bechara (1983)<xref id="xref-a46f8ba74fd82c0670cc69ba419c8091" ref-type="bibr" rid="book-ref-ef69202fbad6169c8e745f5f896a9a54">[6]</xref> e Lima (1992)<xref id="xref-ac9056e65efd880b5bd175744cf5eacb" ref-type="bibr" rid="book-ref-28263a11da7e0e0497a271d84a570d1c">[7]</xref> permite verificar que não há pleno consenso quanto ao grau diminutivo ser flexão ou derivação. Mas todos são unânimes em admitir o fato de o diminutivo possuir uma característica que vai além da idéia de dimensão. Por exemplo, Cunha traduz seu pensamento a respeito do assunto através das palavras de Skorge:</p>
        <p id="paragraph-0668365bb86bcbc47738effadd9980fb">“O emprego dos sufixos indica ao leitor/interlocutor que aquele que fala ou escreve põe a língua afetiva no primeiro plano. (...) quer exprimir de modo espontâneo e impulsivo, o que sente, o que o comove ou impressiona. Assim encontra-se no sufixo um meio estilístico que elide a objetividade sóbria e a severidade da linguagem, tornando-a mais flexível e amável, mas às vezes também mais vaga.” (Skorge, 1958, <italic id="italic-8a1c50e8a0f70ce30233abfecb465eff">apud</italic> Cunha, l983:209)<xref id="xref-2276a17101f82adb9ea376a72457b1b8" ref-type="bibr" rid="book-ref-2fca14ca73e5c40c7851e75addff58e7">[8]</xref></p>
        <p id="paragraph-005a4b7863b733ca8001a67815000905">Basílio (1989)<xref id="xref-1860f4532ee8ff44ae8a8fb1520ab174" ref-type="bibr" rid="book-ref-c704323622e24d0b54e269df04f8ef97">[9]</xref> compartilha da mesma idéia ao considerar que o grau é o caso mais comum – embora não reconhecido como tal – de processo morfológico a serviço da função expressiva da linguagem. Concordar com a idéia de função expressiva do grau embasa nosso entendimento de que é possível considerar o grau como uma categoria que expressa a relação existente entre um significado considerado normal e outro, no caso o diminutivo em -<italic id="italic-3786f786a7c1285bca38fbb8a0fe65e7">inho,</italic> considerado sob três possibilidades de uso: a) dimensão pura; b) dimensão + expressivida-de; c) expressividade pura. O que justifica tal classificação é o interesse em ampliarmos o entendimento sobre o uso de -<italic id="italic-9495e74725861dbb86d979611fc0536b">inho</italic>, já que as gramáticas normativas admitem a existência de outra característica que não a de dimensão. Todavia, não descartamos a possibilidade de o grau normal apresentar nuance expressiva.</p>
        <p id="paragraph-0b18e589c20134ad4ce17596e5544b11">Antes de apresentarmos exemplos de empregos com essas possibilidades, cabe acrescentar serem perfeitamente visíveis suas diferentes características conforme a situação em que se usam os diminutivos contextualizados<bold id="bold-c3b4644ad730ddcc2d90b642c081d91d">.</bold> Este fato nos leva a discordar, em parte, de Rosa (1982:14)<xref id="xref-07bfdeccf3a09f4ce58999a6cb02a881" ref-type="bibr" rid="book-ref-9948924571e9cb31cee33db25883e6f0">[10]</xref>, quando diz: “O grau manifesto por meio de um processo morfológico revela <italic id="italic-30d559bfe9253497c0aabf6237d47a58">necessariamente</italic> emotividade” (grifo nosso). A própria autora afirma que “O grau sintético como um tipo de processo derivacional não tem obrigatoriedade de indicação de dimensão ou intensidade; ao contrário do que ocorre com as categorias gramaticais, seu uso depende da vontade do falante.” (p.15). Essa vontade administrada pelo falante mostra que nem sempre o processo morfológico revelará emotividade.</p>
        <p id="paragraph-0279044866509beddac3cb8b43bf1259">Se, por um lado, discordamos de Rosa, por outro, vamos nos aproximar do pensamento e da classificação feita por Rocha (1986:17)<xref id="xref-c747bf5c99640073504701316822019d" ref-type="bibr" rid="book-ref-73663baba9ee9bb2621278e434fe7c09">[11]</xref> que, ao analisar o trabalho de Rosa (op.cit)<xref id="xref-11d141d079a24332104d03b4d75d9e62" ref-type="bibr" rid="book-ref-9948924571e9cb31cee33db25883e6f0">[10]</xref>, conclui que “o grau diminutivo é uma categoria morfológica que expressa relação de dimensão, intensidade ou afetividade, que se estabelece entre o termo base e a respectiva forma derivada”. Na definição de Rocha, o significado-base mantém-se independentemente das relações expressas pelo diminutivo e, ao ser acrescido do sufixo -<italic id="italic-123d4652306238e4f900878b4e87d295">inho</italic> apresenta três <italic id="italic-b6c2521fbbf91ac55b07e5d6a4e45743">proble<italic id="italic-cdc3429bd625768391cc6c03c4989498">mas</italic>: a) dimensão pura, b) dimensão + afetividade, c) dimensão +<italic id="italic-61c67ab50992d089f57fddd9a06de27b"> </italic>extensão do significado. Este último, segundo o autor, é um sentido especial que adquire a forma sintética, podendo representar redução de tamanho ou não, como em: ‘casquinha’ (de sorvete), ‘tatuzinho’ (tipo de crustáceo ou de inseto), etc. Entendemos estes significados como convencionais.</italic></p>
        <p id="paragraph-353ff54d6db55bcdf5f879abb7ad1a94">Pode-se notar que fizemos empréstimo da terminologia desse autor para a classificação das possibilidades do uso de -<italic id="italic-727cbd3cd7f88a2e3eaa511425f0ea09">inho,</italic> citada mais acima. No entanto, comparadas as duas classificações, as diferenças situam-se em dois pontos: primeiro, substituímos o termo afetividade por <italic id="italic-b1dd4f1e77b53157c0bdb8be78289b55">expressividade</italic>; segundo, a última classificação (dimensão + ex-tensão do significado) foi substituída por <italic id="italic-a3d1d0d6dcd17760e64c4b89155a845c">expressividade pura</italic>. Essas acomodações são mais adequadas à perspectiva estilística, e não eliminam a idéia de dimensão que pode se estabelecer, sem dúvida, com o termo-base, mas subordinada à escolha do falante. Assim, acreditamos que a diferença mais acentuada em relação ao estudo de Rocha (<italic id="italic-9fe71eea0999002e045959b30e16f937">op.cit.</italic>)<xref id="xref-2df9ee4016d70c53c89466af6307e7bf" ref-type="bibr" rid="book-ref-73663baba9ee9bb2621278e434fe7c09">[11]</xref> reside na visão de semântica. Antes, porém, de comentarmos essa diferença, faremos remissão a Benveniste (1976)<xref id="xref-0c4645fc45b2c35f893354f38623c98f" ref-type="bibr" rid="book-ref-5d7c9586627d46cb26e426c25677f6aa">[12]</xref> sobre forma e sentido, por auxiliar no entendimento do que iremos propor a respeito da visão semântica.</p>
        <p id="paragraph-59ea33fe2d183523e2ff92575ca24623">Para Benveniste, a relação forma/sentido persegue toda a lingüística moderna, apesar de muitos lingüistas terem tentado evitar, ignorar ou expulsar o sentido. Diz ele: “É inútil. Essa cabeça de Medusa está sempre aí, no centro da língua, fascinando os que a contemplam” (p.135)<xref id="xref-a3d3daaef28324bbf6f320f463bd3839" ref-type="bibr" rid="book-ref-5d7c9586627d46cb26e426c25677f6aa">[12]</xref>. Antes de qualquer coisa, continua o autor, a linguagem significa, tal é seu caráter primordial, sua vocação original que transcende e explica todas as funções que ela assegura no meio humano. Esse é o motivo por que a língua é atividade significante por excelência, a imagem mesma do que pode ser a significação. No modo de ver do autor, “A significação não é qualquer coisa que lhe seja dada por acréscimo ou, numa medida mais ampla, por outra atividade; é de sua própria natureza” (p.224)<xref id="xref-65af1dc2a5e299bcb230c68fe36cec92" ref-type="bibr" rid="book-ref-5d7c9586627d46cb26e426c25677f6aa">[12]</xref>. Assim, significar é ter um sentido, e é no uso da língua que um signo tem existência.</p>
        <p id="paragraph-10f1bb07a68faf3e15a67905e2c28521">Desse modo, cada signo tem como próprio o que o distingue dos outros signos. Assim, para Benveniste, ser distintivo e ser significativo é a mesma coisa: “O signo tem sempre e somente valor genérico e conceitual” (p.228)<xref id="xref-0a463614e8de100445b3d7ace680ff71" ref-type="bibr" rid="book-ref-5d7c9586627d46cb26e426c25677f6aa">[12]</xref>. Aqui, não há significado particular, exclui-se tudo que é individual, as situações de circunstâncias são como não-acontecidas. Já o sentido é de fato a idéia expressa; este sentido se realiza formalmente na língua pela escolha, pelo agenciamento de palavras, por sua organização sintática, pela ação que elas exercem umas sobre as outras. Em sua opinião, as manifestações do sentido parecem livres, fugidias, imprevisíveis por estarem ligadas à língua em emprego e em ação. No entanto, afirma serem tão concretas e descritíveis quanto os aspectos da forma.</p>
        <p id="paragraph-f4e10c88742e58a0715841e381923014">Dessa perspectiva, Benveniste dicotomiza o modo de ser língua no <italic id="italic-10020d630b613519423e407b9df43714">sentido e</italic> na <italic id="italic-7a7259b91dfbb8385f702541b7d1acac">forma.</italic> A forma está no domínio da <italic id="italic-8a767dca8910d49235525d3abd630996">semiótica,</italic> sua função é significar; e o sentido está no domínio da <italic id="italic-a1a97252e244aff8882f0e1bd15f0663">semântica</italic> com a função de comunicar. Os sistemas semiótico e semântico se superpõem na língua tal como a utilizamos, diz ele. Na base há o sistema <italic id="italic-5">semiótico</italic>, organização dos signos segundo critério de significação, tendo cada um desses signos uma denotação conceitual. Sobre este fundamento semiótico, a língua-discurso constrói uma semântica própria, uma significação intencionada. O sentido a transmitir é definido, delimitado, organizado por meio das palavras; o sentido das palavras, por sua vez, se determina em relação ao contexto de situação. As palavras instrumentos da expressão semântica são materialmente os signos do repertório semiótico.</p>
        <p id="paragraph-75a357b471f5de71a374a7f03df8f34a">Essa argumentação sustenta, em nosso modo de ver, que no domínio da semiótica há um significado-base próprio dos signos que formam a totalidade da língua. E no domínio semântico está o sentido, que entendemos ser o significado-base acrescido de algum outro valor. Desse ponto de vista, e da idéia de superposição dos dois domínios indicada pelo autor, podemos pensar na viabilidade de dois níveis semânticos. Um deles estaria relacionado à semiótica de Benveniste, ou seja, ao significado de denotação conceitual; o outro, à sua semântica mais relacionada à língua-discurso.</p>
        <p id="paragraph-a45c4be6b6b0a8d56fe32028486d1818">Agora, podemos retomar a diferença entre a visão semântica de Rocha (<italic id="italic-75a40f5ba389b2753c60a26a17139ecc">op.cit.)</italic> <xref id="xref-f88fb8d7bc89f91fa230a468a9f9a781" ref-type="bibr" rid="book-ref-73663baba9ee9bb2621278e434fe7c09">[11]</xref>e a que estamos propondo. Na visão de Rocha, o acréscimo do sufixo -<italic id="italic-3316c235b37009e71694c1bab02d6bf8">inho</italic> é considerado como um problema de significação, por permitir outros valores além do significado-base. Não o entendemos como um problema, se percebermos que, por um lado, há manifestações no uso de <italic id="italic-60bd36981c80914d37af3c38651a4fb9">-inho</italic> que poderão ter somente o significado-base (= significado lexical conceitual) e, por outro, há manifestações lingüísticas que, além do significado-base, acomodam sobre ele outros valores, que denominamos expressivo-estilístico; podemos dizer que, nesta última manifestação, a idéia intencionada do locutor aparece em condições mais particularizadas do que quando utiliza apenas o significado conceitual.</p>
        <p id="paragraph-11d99910394626ca00fb9f181073c7bf">Dito de outra forma, estamos considerando dois níveis semânticos possíveis para o significado-base, quando se apresenta no uso da língua: no nível de sentido primitivo, e no nível de sentido primitivo mais outro valor acrescido a ele. Neste último nível, podemos ver semelhança com a idéia de superposição semiótica e semântica defendida por Benveniste (<italic id="italic-8101310c91dad5bbc03cc1938d292174">op.cit.</italic>).<xref id="xref-0d0bb5947bb96d1cc16a00ca9f0215ec" ref-type="bibr" rid="book-ref-5d7c9586627d46cb26e426c25677f6aa">[12]</xref> Há, assim, duas maneiras de encararmos o sentido, quando se faz a escolha no vocabulário lexical de item no grau normal ou o usamos acrescido do sufixo diminutivo.</p>
        <p id="paragraph-edc486ab78b4511622857df9c4b89817">Vemos, nessa proposta de divisão da semântica em dois tipos de sentido, uma maneira de amenizar a idéia de que o emprego do sufixo -<italic id="italic-e7f5bb8588218fb125e49ca81b1e29da">inho</italic> seja problema quanto à significação. No caso de apresentar valor apenas dimensivo, limitar-se-á ao primeiro nível, com um sentido semântico referencial; ao apresentar característica estilística, será situado no segundo nível semântico, não importando que o valor apresentado seja dimensivo + expressivo ou somente expressivo. Essa discussão será retomada no item 3. Para o momento, é importante dizer que, além de ser uma categoria morfológica com ou sem expressividade, o diminutivo em <italic id="italic-72f3fa35d7f928c68e189e4efe29ed74">- inho</italic> estabelece uma relação estreita com aspectos contextuais e estilísticos, como apresentam os exemplos a seguir, transcritos na seguinte seqüência: dimensão, dimensão + ex-pressividade e somente expressividade:</p>
        <p id="paragraph-00e8054064bd4dbb5cb4073f47d188a4">
          <bold id="bold-0bdae70e8b353f1eeb076bcd3cc1693f">Infância</bold>
        </p>
        <p id="paragraph-812de08f3a0d9ee3b747f1313c29952d">(1) “Na época de verão, a gente era pobre, então a gente vinha tudo ali que tinha uma <bold id="bold-8de0fcee8cbba08c5d819a282074a6f2">praiazinha</bold> aqui no lado do cais (...). É tinha uma <bold id="bold-9a03e6b580566450db79eba6408963b4">praiazinha</bold>, uma <bold id="bold-3">praiazinha</bold> pequena, né?” (SC Flp 18 L 536/540).</p>
        <p id="paragraph-ddf29c6ab0bcd9e606262f58da0ac95a">O uso de ‘praiazinha’, nas três ocorrências, possui somente significado dimensivo, confirmado pelo adjetivo ‘pequena’, ou seja, o significado-base acrescido de -<italic id="italic-f37bb43b0724c96aec49e3e7e7c29ee1">inho</italic> exercendo sua função primária. É um exemplo típico do que classificamos como nível semântico de sentido apenas referencial, já que estamos considerando o item lexical contextualizado.</p>
        <p id="paragraph-f16c0cd606a772326020c41247c41405">Cidade:</p>
        <p id="paragraph-5b2b4d1402a7c387ffce0e62c3a7e180">(2) “Você vê aquelas <bold id="bold-b5aa1284aad7250d2c0a2d7b0e129fc5">criancinhas</bold>, ali né? Que te corta né? Acorda que já amanheceu e tal <bold id="bold-9306aa5a0dc0e048259de2d3c5532029">criancinha</bold>, né? (PR Ctb 03 L 374/386)</p>
        <p id="paragraph-c325dca8f7b98b299a0cb5e50a84eef4">Nos dois registros de ‘criancinha’<italic id="italic-78b458c4279f3675272b4b3be8cb6a7a">,</italic> temos o significado dimensivo mais o valor expressivo. O sufixo -<italic id="italic-eb753fec90c049438a4dc11fdccf47e0">inha(s)</italic> traz à dimensão uma conotação de dó, expressada pelo falante sobre a situação das crianças abandonadas. Neste caso, temos o segundo nível semântico, o sentido abrange significado-base mais um valor acrescido a ele, com função expressiva.</p>
        <p id="paragraph-842d87f6abcfb841a2928b98279a9028">Bairro</p>
        <p id="paragraph-a4f3ab4fbdd89647068d89c7008a4d0d">(3) “...inclusive nos <bold id="bold-1afd0cb52e734a0facc1df322ca0c824">pontos</bold> do ônibus, antigamente, inclusive eles puseram aqui no nosso <bold id="bold-3168b7228cc32d7e1e58828624c33253">pontinho</bold> aqui da Nilo Peçanha, tinha um tipo de um aí, como é que eu quero dizer ...”. (PR Ctb 10 L l27/128)</p>
        <p id="paragraph-db703c68d355e8e5df87dd3d99f6b4b8">Observamos, no uso do item lexical ‘pontinho’, o reflexo de uma atitude do falante, tanto é que, no mesmo contexto temático (bairro), o item lexical aparece também no grau normal (‘pontos’) sem característica expressiva. O falante faz uso da palavra com o sufixo <italic id="italic-c968dc9d695c5174be6c0dfef856f33a">-inho,</italic> porque melhor convém para exprimir seu pensamento. Além disso, ‘pontinho’ não exprime a idéia de dimensão nesse contexto. Ao escolher esse item lexical, o falante acrescenta ao significado-base da palavra um matiz afetivo, com o objetivo de transmitir seu sentimento ao ouvinte por meio do sufixo. Neste fragmento, pode-se perceber os dois níveis semânticos: ‘pontos’ com sentido representacional e ‘pontinhos’ com significado-base + outro valor.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-d79d6f24292b83dcd7233350564f549d">
        <title>2. Estilística/ estilo e expressividade</title>
        <p id="heading-e6fdf0692d6cc1913368a312198c57a7">As diversas discussões ligadas à prevalência de forma ou de função caracterizadas por Rajagopalan (1995:28)<xref id="xref-daafc8c95bd5c9eac20709711410b5b5" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-5cbba914bbc3eaa63a1a4acbacaf4209">[13]</xref> como repletas de <bold id="bold-5d392d30c03df0896a0df22f7715a709">“rounds</bold>”, culminaram em uma inadequada classificação das áreas da lingüística como sendo umas, ciência de “centro”, e outras de “periferia”. Esse fato mostra que algumas áreas da lingüística pouco sobressaíram nas últimas décadas, como é o caso da Estilística que, como disciplina mais funcional que formal, ficou à margem dos estudos lingüísticos. Desse modo, acreditamos interessante rever, mesmo que de forma sucinta, alguns aspectos dessa disciplina.</p>
        <p id="paragraph-7cfec9059faa9295a5dc2112af41170e">Numa ampliação do campo de estudo de Ferdinand de Saussure, Charles Bally (1941)<xref id="xref-0ce800cb71aefe2b6fc29da075ec321c" ref-type="bibr" rid="book-ref-01b7382f9e3383617586d09290cd8066">[14]</xref> voltou-se para os aspectos afetivos da língua falada, da língua a serviço da vida humana, língua viva, possuidora de um sistema expressivo cuja descrição deve ser tarefa da Estilística, partindo do seguinte princípio:</p>
        <p id="paragraph-2ed69f9969feceb78f5df0c1e9a6f463">“A Estilística estuda os fatos de expressão da linguagem organizada do ponto de vista de seu conteúdo afetivo, isto é, a expressão dos fatos da sensibilidade pela linguagem e a ação dos fatos de linguagem sobre a sensibilidade.” (Bally, 1941: 16).<xref id="xref-1173f34bdf90f102486e90388ffc8909" ref-type="bibr" rid="book-ref-01b7382f9e3383617586d09290cd8066">[14]</xref></p>
        <p id="paragraph-79328b88c655116f42761b3b56e13e46">Na leitura de alguns autores como Rifaterre (1971)<xref id="xref-0df2e751ce189f9e3585d6c12dd7c512" ref-type="bibr" rid="book-ref-8d11dbacf73467cf00f6d9aeb2cca039">[15]</xref>, Mello (1976)<xref id="xref-314a91e78e0b692754d74d7439ff21e2" ref-type="bibr" rid="book-ref-9b9375185a3764e6daf106a85dd4a2db">[16]</xref>, Câmara Jr. (1978)<xref id="xref-8fd1a21257472f7369e4d85d07277c95" ref-type="bibr" rid="book-ref-ec1960a36a8911873510adff5e932025">[2]</xref>, Sant’Anna Martins (1989)<xref id="xref-5895b5e2450817efb458932aca8b90da" ref-type="bibr" rid="book-ref-d8e92229b4d500fee5e43f4fa94688aa">[1]</xref>, Monteiro (1991)<xref id="xref-3293b2a9fdc81da3a98ac0eeba99215f" ref-type="bibr" rid="book-ref-069c287429a44b8d68904f6c8e194bc2">[17]</xref>, Dahlet (1997)<xref id="xref-08330d25cb7a792a6d5506b09d6d0b9c" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-1169a7239c4b96c1299f804742aec497">[18]</xref>, entre outros, em busca de sua visão sobre o objeto de estudo da Estilística, constatamos que mesmo aqueles que não estão próximos das idéias de Bally fundamentaram-se nos seus estudos; portanto, a teoria de Bally, de alguma forma, continua viva. Com o interesse de obter uma abordagem mais condizente com o nosso propósito, procuramos por uma concepção que tratasse de um estilo cotidiano, do locutor que varia a expressão daquilo que tem a dizer e que a acomoda às circunstâncias do enunciado, dando colorido às enunciações. Encontramos a maioria dos lingüistas e gramáticos tendo como ponto de referência a oposição língua-fala. De um lado a gramática, de outro, o estilo. Mas há aqueles que consideram o estilo como fato de língua; pensamos ser o caso de Granger (1974:3)<xref id="xref-354c9cb4df4e3c09ba6f21070315faf5" ref-type="bibr" rid="book-ref-b652df022aba0aa00366d115cea65e4b">[19]</xref>, para quem “A relação entre forma e conteúdo até agora tem sido considerada pouco sistematicamente pelo pensamento moderno como processo, como <italic id="italic-f9eb179e40a947b8e81b634743f4afe6">trabalho</italic>”.</p>
        <p id="paragraph-a7197d49c4b5eb85f3bd4253db814622">Seguindo os passos de Granger, Possenti (1993)<xref id="xref-c08d37efba35c81bf9ee1cdbac96433d" ref-type="bibr" rid="book-ref-096736cbe1d28cb782a678dfdcbb4ee4">[20]</xref> acredita que a relevância da noção de trabalho conta não um resultado, mas um processo. A preocupação não é com o trabalho do ponto de vista do falante, para descobrir especificidades nele (sua caracterologia), mas, fundamentalmente, do ponto de vista do enunciado, na medida em que ele é o que realmente representa e manifesta os processos de <italic id="italic-f2fb62428138c3c8a06301f09aa98c49">escolha </italic>entre modos de estruturação diferente.</p>
        <p id="paragraph-34f5f8b9677406e39400ad3b143f0435">Pensar dessa forma implica uma concepção que admite a variabilidade dos recursos como constitutiva da língua que, através do trabalho do locutor, se materializa no enunciado e se realiza na enunciação. Nessa perspectiva, <italic id="italic-68b9a9dae08f100b12a87ee396a8c444">estilo,</italic> em sentido geral, pode ser assim traduzido: “é uma modalidade de integração do individual num processo concreto que é trabalho e que se apresenta em todas as formas de prática” (Granger,1974:17)<xref id="xref-12c5732b70f89761682df09199e0728f" ref-type="bibr" rid="book-ref-b652df022aba0aa00366d115cea65e4b">[19]</xref>. Portanto, os fatos de estilo não resultam de desvio, mas começam a produzir-se já no nível de agenciação dos recursos dados pela própria língua através das escolhas.</p>
        <p id="paragraph-6d281b49928ae719c35598b72eea4b24">Em síntese, o <italic id="italic-ade71d3ff1d8b212668039eda997fadf">estilo</italic> é resultado de um trabalho de escolha lexical, morfológica, sintática, etc., e é na <italic id="italic-6cf948ba8c7d5bbec64f7b298d01f2fd">expressividade</italic>, que vem a ser “a particularidade constitutiva do enunciado, realizada pelo contato entre significação lingüística e realidade objetiva” (Bakhtin, 1995:311)<xref id="xref-088e20285a57b041d80eba3d75407e53" ref-type="bibr" rid="book-ref-87be09ce79ebcd24c606f8b0d42cf7c4">[21]</xref>, que essa escolha se efetiva. Entendemos que a característica fundamental da expressividade reside na força de persuadir, ou de transmitir conteúdos desejados, na capacidade apelativa, no poder de gerar elementos evocativos. Efetivada a escolha, a <italic id="italic-f6c5cdfa0121321b8d6e691b8ea8f2cb">estilística</italic> como disciplina preocupa-se em descrever os fatos da expressão lingüística do ponto de vista expressivo.</p>
        <p id="paragraph-eced622db167af5772b144b320bb0485">Retomando a idéia de <italic id="italic-c9fa74ef059575a5fe55b856e7eef6a4">trabalho</italic> que constitui o estilo, devemos ter em mente que ela produz efeito de sentido em determinada situação de interação comunicativa. Os efeitos de sentido produzidos por uma seqüência lingüística, efetuada por meio de escolha lexical, dependem do produtor do enunciado e do receptor, reais ou pretendidos, porque são os sujeitos da interação comunicativa. Assim, uma escolha pode ter efeito diverso, dependendo de quem a realize. Em nossa pesquisa, a atenção se dirige para a enunciação produzida pelos entrevistados quando fazem uso de palavras que se alternam, ora com presença, ora com ausência do sufixo -<italic id="italic-0703a0e21af6287fe78c8807c2b8c14d">inho</italic>. Portanto, as palavras, como elementos estilísticos no enunciado, realizam-se na interação em função da situação e do interlocutor, que servem de orientação para o locutor o qual, por sua vez, valeu-se de um trabalho de escolha. Essa serve de instrução para o interlocutor, que deverá, a partir dela, estabelecer um efeito de sentido entre ele e o locutor/produtor responsável pela <italic id="italic-ad1f862617d5b8c6004597b12e2e1713">escolha</italic> daquele(s) elemento(s) e não de outro(s).</p>
        <p id="paragraph-b224e7f8472d8309e2ffb64198b47d3c">Segundo Travaglia (1996)<xref id="xref-aa2226e2fcd75a63f961a66a299785c0" ref-type="bibr" rid="book-ref-fe2c6d3c0bec43280a8c323cc5f3ddfa">[22]</xref>, a idéia de <italic id="italic-04a5455a2540d498391716ce9c26f115">escolha</italic> é fundamental para o tipo de atividades de gramática reflexiva. Essa gramática surge da reflexão com base no conhecimento intuitivo dos mecanismos de língua, é o uso consciente de uma língua que o falante já domina inconscientemente. Acredita o autor que o falante internaliza a variedade predominante em seu meio, cabendo em cada situação adequar o uso dessa variedade. Tais observações podem ampliar-se com um pensamento de Bakthin:</p>
        <p id="paragraph-82eecf82b1c09e2e045182be714f1f65">“A elaboração estilística da enunciação é de natureza sociológica e a própria cadeia verbal, à qual se reduz em última análise a realidade da língua, é social.” (1995:122)<xref id="xref-cecbc3c07097f79dff6494000b77155d" ref-type="bibr" rid="book-ref-87be09ce79ebcd24c606f8b0d42cf7c4">[21]</xref></p>
        <sec id="heading-5c4c0314899b202cbd3dcaf0ed64732b">
          <title>2.1. Sociolingüística e estilo</title>
          <p id="heading-7ac73d070f865cd9c34e63b12d879fa6">Lefebvre afirma que, lendo os trabalhos de sociolingüística sobre o estilo, não se poderá fugir da seguinte configuração:</p>
          <p id="paragraph-42fc935456f0b581bdcb3933ef98eb5a">“As noções de estilo que encontramos em nossa leitura da literatura sobre o assunto revelam duas tendências. Num caso, os estilos são considerados como códigos dentre os quais os locutores de uma comunidade lingüística podem operar uma escolha apropriada à situação, tanto do ponto de vista social quanto cultural, situação definida por uma lista de fatores cujo número e configuração variam de uma comunidade a outra. No segundo caso, os diferentes estilos utilizados por uma mesma pessoa são considerados como distanciamentos em relação a seu estilo base, o vernáculo. A noção de estilo é aqui definida numa só dimensão, a do grau de atenção dispensado à linguagem. Para ter um estilo adequado a uma situação dada, o locutor deverá, nesse modelo, prestar mais atenção à linguagem do que em outra situação.” (Lefebvre, 1983, <italic id="italic-6149588bb4a801082ee530c926e3e63e">apud</italic> Possenti, 1993:187)<xref id="xref-ef563da85d479b105b413c21a71a81b8" ref-type="bibr" rid="book-ref-096736cbe1d28cb782a678dfdcbb4ee4">[20]</xref></p>
          <p id="paragraph-727a8bfbcce6c6441794f38fe3b9b666">Há duas noções de estilo na citação acima: na primeira, os estilos são considerados códigos que permitem aos locutores operarem escolhas; na segunda, os estilos são distanciamentos em relação ao estilo-base (vernáculo). Situá-las melhor é entender como as duas noções se ligam à nossa proposta.</p>
          <p id="paragraph-fe7efa86850db4a150095e909f5c946e">A noção de escolha está mais ligada aos estudiosos da etnolingüística ou sociologia da linguagem como Hymes, Gumperz, Fishman, entre os mais citados e, entre os menos, Lavandera (cf. Possenti, <italic id="italic-4dadc2a172319ef2ca8b06effff405a2">op.cit.</italic>)<xref id="xref-378e475d7fb461ea2603d9bbeffaeb12" ref-type="bibr" rid="book-ref-096736cbe1d28cb782a678dfdcbb4ee4">[20]</xref>. Esses autores operam com a noção de repertório, significando que os falantes têm à sua disposição um conhecimento diversificado do qual escolhem as formas que lhes parecem mais adequadas para realizar o objetivo que têm em mente ao falar. Para os autores citados, a questão fundamental é formulada por Fishman: “Quem fala que língua (variedade) a quem, quando e para que fim?” (cf. Possenti, <italic id="italic-18ef309620470491b8c08a1ee579f34e">op.cit.</italic>, p.189)<xref id="xref-505c0fea46defcc01eef0de61e3e6abf" ref-type="bibr" rid="book-ref-096736cbe1d28cb782a678dfdcbb4ee4">[20]</xref>. Este autor cita Gumperz (1982) e sua noção de <italic id="italic-3694d521103515c924023b337f7a1672">code-switching </italic>como representante da abordagem mais sofisticada, em<italic id="italic-de306fdd5ec660eabb4c4e8cb43d142b"> </italic>termos de “para que fim”, conseguida no interior desta concepção de estilo. O falante é considerado capaz de variar não só segundo o contexto, mas também segundo seus objetivos.</p>
          <p id="paragraph-f2aa61ea9fc7fb2bed44f662d553dd7b">Na segunda noção situa-se Labov (1973)<xref id="xref-c06142de4a82435a6e4a8a38962d9f1b" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-a80d33d4fe600d3ed479844559535d92">[23]</xref>, para quem o interesse está em estabelecer correlação entre contexto e forma lingüística. Sua preocupação é mostrar que a estrutura não é sinônimo de homogeneidade; o autor põe em destaque a organização social da variação, mais do que procura efeitos de sentido dessa variação. Embora haja uma variação estilística significativa, é falsa a impressão de que não importa quem possa dizer, não importa o que possa dizer. O objetivo de Labov é precisar, ao máximo, as condições contextuais em que alguém diz algo e de que forma o diz. A vantagem de Labov é que, para ele, há estilo sempre, e não apenas quando o falante se distancia do vernáculo. “O que ele perde é que não lhe interessa descobrir o que o falante quer fazer em relação ao seu interlocutor quando seleciona uma forma ou outra” (Possenti, <italic id="italic-59a4c1520ad68985874b7628ac1e6c35">op.cit.</italic>, p.190).<xref id="xref-23f9feeeb0a792f379873e984535c085" ref-type="bibr" rid="book-ref-096736cbe1d28cb782a678dfdcbb4ee4">[20]</xref></p>
          <p id="paragraph-ecb4c59a30e367875da1729e792eab05">De qualquer maneira, Labov atribui aos falantes um repertório variado, atestando a inexistência de falante monoestilístico. Tal consideração leva à seguinte questão: o que é um repertório variado senão as possibilidades oferecidas pela língua como recursos expressivos para o falante efetuar escolhas, que resultam em estilo? Têm-se, então, explicitamente considerados nas duas noções, todos os recursos à disposição do falante, o que confirma que utilizar a variação não resulta em desvio dos aspectos lingüístico e social, mas em fazer opções que permitem ir além do significado-base, imprimir sentidos a certos usos em determinada solicitação social. São exatamente esses sentidos que estamos propondo buscar neste trabalho.</p>
        </sec>
      </sec>
      <sec id="heading-f8f52dbf245c4967e17ca99b68d433a7">
        <title>3. Abordagem variacionista</title>
        <p id="heading-7269fac876598217393be4e39fb6e012">A abordagem laboviana prevê a heterogeneidade da língua em uso como pressuposto de análise. De acordo com a proposta de Labov (1972a)<xref id="xref-7eb5f7843c312e25bd6d1994cd0b60cd" ref-type="bibr" rid="book-ref-398c364848b16d079809039cfc164dc5">[24]</xref> sobre a relação sistemática entre fenômeno observável (<italic id="italic-c2ac23021bcea607cc9f9091a49f8d26">parole) </italic>e a estrutura lingüística abstrata (<italic id="italic-69c492fb32e67c9cca11a27f83105fc4">langue</italic>), a variabilidade existente<italic id="italic-427b04749c59769c3f65f5167036651f"> </italic>no vernáculo revela a própria variação do sistema lingüístico abstrato. O esquema abstrato e formal da regra variável visa a sistematizar a variação e a tratar a freqüência com que as variantes são empregadas em situações concretas de comunicação, através de modelo. Essa abordagem diferencia-se das teorias saussureana e chomskyana, ao incluir a variação na <italic id="italic-88a35045e1c7e4bd1403e02388a723e2">langue</italic>, desmistificando seu caráter homogêneo, e ao conceber a comunidade de fala e não o indivíduo como fonte de dado lingüístico. Por outro lado, aproxima-se desses dois modelos, como se pode observar na afirmação do autor:</p>
        <p id="paragraph-2d02f8956ca9ae608fa6cd6d5a032b29">“Não acredito que necessitemos neste momento de uma nova ‘teoria de linguagem’; antes, precisamos de uma nova forma de fazer lingüística que proporcione soluções decisivas.” (Labov, 1972a:259)<xref id="xref-85d9648aef9124ad10907e5b29bdd543" ref-type="bibr" rid="book-ref-398c364848b16d079809039cfc164dc5">[24]</xref></p>
        <p id="paragraph-e26b0b4cbeb2afb26f7ca6679101b9a5">A proposta de Labov mostra-se eficaz ao sistematizar em regras variáveis da gramática a diversidade lingüística observada no contexto social de uma comunidade de fala. Tanto é, que os resultados positivos nos estudos de variação morfofonológica de orientação laboviana permitiram a extensão da mesma metodologia para estudo de fenômenos de variação sintática e discursivo-pragmática. A principal contribuição de Labov consiste, portanto, na elaboração de um método probabilístico de investigação sociolingüística, a fim de testar a correlação entre variantes sociolingüísticas sistemáticas e parâmetros lingüístico-sociais. Os procedimentos de análise quantitativa dos dados são válidos para qualquer fenômeno estudado. Esta última afirmação ampara-se em Tarallo (1985)<xref id="xref-da70ec73aee95b175e5470d2e65da380" ref-type="bibr" rid="book-ref-4bc700d46851d1018ff062b10bf35302">[25]</xref> para quem a abordagem variacionista se vale – para qualquer estudo sociolingüístico – do envelope de variação, de controle de variáveis independentes lingüísticas e sociais, da codificação de dados, cabendo à natureza do fenômeno a sensibilidade para o controle de um tipo ou outro de variável independente.</p>
        <p id="paragraph-37ab8320bdc617e64677fcc811221be0">O sistema lingüístico é variável devido à sua natureza social e não se traduz por um comportamento aleatório, mas pelo traço definidor de variabilidade inerente, conforme Labov. Tal variabilidade é captada pela interpretação da regra variável e essa interpretação matemática relaciona a variação a uma regra subjacente ao sistema lingüístico do falante, a qual permite a possibilidade entre formas lingüísticas, como -<italic id="italic-f5d965d07b0555e1d81690b7a99a2d72">inho</italic> x <italic id="italic-16e059102f794189b4835cd959c87eb3">grau normal</italic> que, mesmo assumindo sentidos diferencia-dos no uso da linguagem, mantêm o significado-base. Assim, a dmensão <bold id="bold-848444ced2df188d802126e052723fe6">social e expressiva</bold> estão presentes na situação comunicativa, na identificação do vernáculo e na diversidade lingüística<bold id="bold-dc5dcbfb950db47019d9040eff30891d">.</bold></p>
        <p id="paragraph-36516567cf5aa8fbf1bd819e4efaeb8e">A nossa proposta de expansão justifica-se em Labov (1978)<xref id="xref-e808ccb287b56512f387ddf7ad90faa6" ref-type="bibr" rid="book-ref-a5318b18858a3b7b5e5b7050242cfd60">[26]</xref>, que propõe duas informações acrescidas à identidade do significado da variável lingüística: o significado social e o significado estilístico, ambos operando sobre o significado representacional. Dentre os vários níveis, o significado representacional constitui o significado primitivo, o significado-base da variável lingüística captada no vernáculo. O significado-base garante a regra variável, subjaz à produção lingüística do falante e não é afetado pelo significado social nem pelo significado estilístico.</p>
        <p id="paragraph-373a188774731e776485eb9164e0eee7">A variação social permite a auto-identificação do falante pela linguagem, e a diversidade estilística evidencia a acomodação do falante ao ouvinte, nas palavras de Labov, que associa estilística basicamente a graus de formalidade e registros. Podemos estender esta postura laboviana, dizendo que a identificação do falante e sua acomodação ao ouvinte envolve, também, a intenção do falante refletida na expressividade lingüística que se manifesta no momento da interação. Assim, estendemos a noção estilística laboviana para encobrir a expressividade, da mesma maneira que atribuímos a identificação do falante não apenas ao aspecto social, mas também ao expressivo. Aceitar uma identificação e uma acomodação expressiva, resultantes da intenção, não altera a permanência de um significado-base captado no vernáculo, tanto no <italic id="italic-86f752aae3fad1efea491388a55b03b7">diminutivo</italic> quanto no <italic id="italic-42486bc500e1ee8940e0afbabd459cc7">grau normal;</italic> ocorre, apenas, que o acréscimo de valor expressivo obscurece em algumas manifestações lingüísticas o significado-base.</p>
        <p id="paragraph-2ea4abcecf66314905da194bfe6bf3ed">Lyons (1987)<xref id="xref-92e3940c036c7573ce23174ab4d37dc1" ref-type="bibr" rid="book-ref-2400a7b93b3060220aed3ae2d2832472">[27]</xref> tem uma posição interessante sobre o significado social e o expressivo, argumentando que eles se fundem e são interdependentes, na medida em que o locutor apresenta sua personalidade e individualidade no comportamento lingüístico. Acredita que as categorias sociais, entendidas como estereótipos, estão codificadas na variação lingüística, na comunidade da qual somos membros. Nos contatos mais superficiais com as pessoas, fazemos uso desses estereótipos (sotaque e dialeto). Percebemos uma aproximação ainda maior com esse autor, quando diz que duas palavras podem ser equivalentes do ponto de vista do significado-base e diferir em termos de significação social e expressiva. A maneira de Lyons entender o significado identifica-se, guardadas certas proporções, com nossa idéia de um significado-base e dois níveis semânticos para manifestação de -<italic id="italic-99ccf44476c8f7c2addb0dd113b8daa6">inho</italic> x <italic id="italic-7789627ba9b66f38e67a9888681b52af">grau normal.</italic></p>
        <p id="paragraph-450ac1776f0e94c883d3c574b840031a">Seguindo um pouco mais o raciocínio de Lyons, há no enunciado um significado descritivo (=declarativo) e um não-descritivo (=expressivo). O significado expressivo, para o autor, relaciona-se a tudo que estiver dentro do escopo da “auto-expressão” particular, e a declarativa à “auto-expressão” mais geral. Essa auto-expressão serve para esta-belecer, manter ou modificar relações e papéis sociais, o que justifica para Lyons o significado social e expressivo serem interdependentes.</p>
        <p id="paragraph-8546ba5f29652b37e5f24f4c7d13edf8"> Essas constatações servem de suporte para aquela classificação semântica realizada no item 1: há para as variantes <italic id="italic-d1a35b420b5fd98f6f59246942388ac1">-inho x grau normal</italic> dois níveis semânticos, um referencial e outro relacionado ao sentido referencial + <bold id="bold-accf525da603780665ae74196d75eb45">expressivo</bold>. O primeiro nível está sempre presente na palavra, primitiva ou derivada, o segundo nem sempre, se pensarmos que depende do valor dado à palavra pelo falante ao processar seu enunciado. Esse valor pode concretizar nuances expressivo-estilísticas, capazes de colocar o significado referencial em segundo plano, sem condições de invalidá-lo, porque o sentido que se realiza no contato entre a realidade objetiva e a estrutura lingüística, é, sem dúvida, um efeito elaborado pelo falante visando atingir seus objetivos. </p>
        <p id="paragraph-ff3592ef4383ff19054866da229aa7ab">Assim, a influência do segundo nível semântico é fundamental, no caso das variantes -<italic id="italic-5ac44758e93cc87aa59277fc2c5696ca">inho x grau normal</italic>. Discute-se até se a própria variação não é, muitas vezes, função de nuances semânticas a diferenciar o significado das variáveis. Omena (1992:52)<xref id="xref-f14e1a2cc7eb95311fe0e56d8071befc" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-09b4d46410d9d6078f91c52fee1ec6bc">[28]</xref> chega a considerar que “devido à variedade e à sutileza do significado, torna-se algumas vezes difícil quantificar seus efeitos”. A colocação da autora vai ao encontro das exigências na descrição do diminutivo x grau normal que, algumas vezes, ultrapassa a idéia de item lexical com mero significado semântico referencial para outro, que a nosso ver, lhe dá o real <italic id="italic-5bebfb5937b9c973f3725169be3f519d">sentido</italic> – o expressivo estilístico. O fato de o significado expressivo sobrepor-se ao significado referencial, dando-lhe um sentido particular, é um aspecto importante na descrição lingüística, tendo em vista que é no jogo <italic id="italic-9bd88b7310c19006ec2267ddf882e351">significado </italic>x<italic id="italic-75f0ebc93978a3afb3825250fc1baa8f"> sentido </italic>que se pode localizar a variável lingüística: as variantes<italic id="italic-b20458dc263ecf805d956e237f4c77a7"> </italic>mantêm o mesmo significado-base, embora se diferenciem no sentido.</p>
        <p id="paragraph-cd419cc4f69e0cc15b5f2b79bbdb10b8">Essas constatações nos remetem a Sant’Anna Martins (1986)<xref id="xref-a7ce587343dc390bdb7303df4b57a4b3" ref-type="bibr" rid="book-ref-d8e92229b4d500fee5e43f4fa94688aa">[1]</xref>, ao fazer distinção entre significado e sentido, argumentando que o significado existe na palavra pertencente ao léxico da língua. O significado-base é uma parte necessária e importante da palavra, mas não é a única. O sentido depende de diversos aspectos, um deles intimamente ligado à intenção do falante, e pode variar em diferentes momentos. As idéias sobre significado e sentido podem ser resumidas com uma observação da própria autora:</p>
        <p id="paragraph-661b0607e3fac47ab848df9157150be0">“A palavra é um signo sonoro, que contém um núcleo significativo, que se atualiza e se completa pelo seu aparecimento em um conjunto de linguagem concreta. As palavras exprimem a realidade, justamente porque podem moldar o significado conforme a situação.” (Sant’Anna Martins, 1986: 87)<xref id="xref-759a83721b301e46379cd6231fcdf7e1" ref-type="bibr" rid="book-ref-d8e92229b4d500fee5e43f4fa94688aa">[1]</xref></p>
        <p id="paragraph-c33cc1c6408cb127f32aa636eb7b9b43">Na verdade, a língua portuguesa é muito rica em afixos responsáveis por uma derivação expressiva. É considerável, por isso, o diminutivo na sua forma de expressão possuir significado que exprime emoção, sentimento ou estado psíquico. Analisar esses aspectos através do instrumental da Teoria da Variação pode ser uma das maneiras de ver a Estilística na Sociolingüística sem ser, apenas, uma disciplina que empresta sua terminologia aos aspectos da variação voltados somente a situações sociais em que há variação lingüística, entendida como uso padrão x não-padrão; conservadora x inovadora; de prestígio x estigmatizada. Mas, sobretudo, uma disciplina que permite detectar e classificar as <italic id="italic-c6d4a47474b32be0a5d770fa7b9c96fb">nuances expressivas</italic> da variação de determinado item lexical em certo contexto, como nesse exemplo:</p>
        <p id="paragraph-b06b26cb6292dc0772dacee97f043f8a">
          <bold id="bold-b23546eeedf084bfec439311dfec142c">Cidade/bairro</bold>
        </p>
        <p id="paragraph-e0ed756fd42db14b0a688e82e87fc0c4">(4) “Nós temos uma capital que realmente não deixa de ser uma grande capital, mas não tem aquele pique de <bold id="bold-6d61b4493468f80076cb4c35800b4ec6">cidade</bold> grande ainda ...Pra morar eu gostaria de ficar na minha <bold id="bold-48ac8f0e42d13f77500908910bf07e88">cidadezinha </bold>de berço.” ( SC Flp 02 L l50/155 )</p>
        <p id="paragraph-df2a74dd8200625b352d715a4206acdd">Nesse fragmento, foram utilizados para o mesmo significado-base os itens lexicais ‘cidade’ e ‘cidadezinha’. O item no diminutivo, além do valor conceitual (complexo demográfico formado social e economicamente por concentração populacional), carrega uma tonalidade afetiva, resultando num sentido particular de ‘cidadezinha’ reforçado pela expressão ‘de berço’; esse fato torna-se perceptível no enunciado em razão do contexto temático – a cidade natal do entrevistado. O diminutivo ‘cidadezinha’ pode valer como uma intensificação afetuosa, que poderíamos classificar como <italic id="italic-9c52d2ba97d2474ae1f182dbb89ebaba">simpatia</italic> (cf. Sant’Anna Martins, 1989:93)<xref id="xref-4160e4eb2b90c281745cf37fb5f8e738" ref-type="bibr" rid="book-ref-d8e92229b4d500fee5e43f4fa94688aa">[1]</xref>. Também Lapa (1999:93)<xref id="xref-15347a25d93fef88c2b046d1dce90249" ref-type="bibr" rid="book-ref-2021aa76041fed2bf0667c05e7625bbc">[29]</xref> admite: “É nos sufixos que a descarga das paixões se dá com maior energia”. Assim, o uso do diminutivo não se restringe ao significado-base, ou ao acréscimo da noção de tamanho reduzido, mas pode representar os sentimentos do falante, que conhece nos recursos da língua um filão expressivo de primeira ordem. </p>
        <p id="paragraph-cde8ac19b3ff0bb36948f53b7ca7b9c1">Isso implica que é na situação concreta de comunicação que o falante se identifica e se acomoda ao ouvinte, não só através da significação social e da adequação de registros: mediante a intenção, o falante acomoda estilisticamente a estrutura lingüística de sua escolha ao ouvinte e à situação, e também se identifica pela linguagem. Entretanto, o significado representacional permanece inalterado à interferência da identificação e da acomodação do falante. Conforme mencionado, a atribuição de um sentido expressivo-estilístico à morfologia de -<italic id="italic-7a27d62247791909124cd41d99eea297">inho x grau normal</italic> seria instaurada na interação comunicativa, deixando intacta a regra variável.</p>
        <p id="paragraph-4812c4719d2d90ee50003cdedd8afcfe">Tudo indica que os falantes podem variar o repertório lingüístico, de acordo com a situação em que estejam envolvidos, e o tema sobre o qual estão tratando. Além disso, para manutenção do significado é necessária a identidade de contextos, para que duas ou mais variantes possam ser atribuídas à mesma variável. Neste caso, consideramos os dados produzidos em um mesmo contexto discursivo, procuramos separar as aparições de <italic id="italic-d0e1aa82de687a8c018a9f1d6adabcd3">diminutivo x grau normal</italic> em temas existentes nas entrevistas como: cidade/bairro, infância, família, trabalho, lazer e política. Foram considerados esses temas por serem mais significativos (no sentido de mais abrangentes na conversação). Outros assuntos constaram nas entrevistas, mas com abrangência menor, por exemplo, o entrevistado estava falando sobre seu bairro e abria um parêntese para contar pormenorizadamente um assalto acontecido na casa da vizinha e, a seguir, retomava as características e histórias mais gerais de seu bairro. Nessas circunstâncias, até mesmo por uma questão didática na organização desse grupo de fatores, escolhemos assuntos mais relevantes e mais abrangentes como temas, como veremos nos exemplos:</p>
        <p id="paragraph-f9a0e8fde1d6df6f8782b8687d44d737">
          <bold id="bold-dd01ec519554835984c8e27e55ff771c">Trabalho:</bold>
        </p>
        <p id="paragraph-e9c972902d95316101bcdd6e3b7528ac"> (5) “... quando chove cada um pega seu <bold id="bold-ea20d5f80abbfaef7b35d0293a209031">carrinho</bold> e sai, coisa e tal, daí embanana tudo o trânsito (...) a gente saía, vendia, daí pegava a nota, ia lá no <bold id="bold-6879ff3442c07a4bde2a2d60a5f99ade">carro</bold>.” (PR Ctb 01L 507/612) </p>
        <p id="paragraph-f495b262542fe0b58e3a463c83a80502">
          <bold id="bold-97f40816c3090b6fa796bdf55bb9d586">Bairro:</bold>
        </p>
        <p id="paragraph-af5d6e590b3acdad49d814c4fd23420f">(6) “ ‘Só por amor mesmo’ falou o pai ‘vir morar nessa <bold id="bold-50e08cd0ba5c2e91273a4c87b94f92d5">casa</bold>’... Porque a <bold id="bold-3d0110a25489f88eb029482502f1793c">casa</bold> não tinha conforto nenhum ... eu bolei tapete, eu bolei sofazinho ajeitei ela assim, ficou uma <bold id="bold-b6444952e1e5bb8c5493ef2f78bf90ad">casinha</bold> aconchegante.” (SC Flp 20 L 159/260/262)</p>
        <p id="paragraph-2943480d11b50599717f6cdbd49c1b5b">
          <bold id="bold-9fee808e0a3d3cece89f1b10392c2841">Política:</bold>
        </p>
        <p id="paragraph-89063d58422dcc76ad27e0730d45d3d8">(7) “... da retenção dos cruzeiros, do <bold id="bold-304280e7d1f06fbc7042eb3aebf02570">dinheiro</bold>, dos cruzados aliás, né? Então o pessoal ficou sem dinheiro e sem (...) . Desde que seja honesto realmente, né? Que devolva aquele <bold id="bold-b57d2ac0b5152071b317a36d92038f8c">dinheirinho </bold>que ficou lá [risos]... .” (PR Ctb 05 L 1044)</p>
        <p id="paragraph-06afb2883b2441545a13438f17391659">No primeiro fragmento, o falante está relatando a dificuldade encontrada para trabalhar com seu carro nos dias em que chove, porque todos pegavam seus “carrinhos” e saíam. A primeira menção ‘carrinho’ traz juntamente com o significado-base um valor depreciativo, negativo e, pode-se dizer, irônico; já no grau normal, ‘carro’ possui um valor neutro. No segundo fragmento, a primeira menção a ‘casa’ mostra um valor depreciativo, de desdém, o registro posterior de ‘casa’ aparece de forma neutra, e o diminutivo ‘casinha’, carregado de valor afetivo, pela apreciação, pelo carinho traduzido pelo falante. No último exemplo, ‘dinheirinho’ tem função puramente expressiva, não constando na palavra a idéia de dimensão nem de quantidade pequena; ‘dinheiro’, no grau normal, não possui nuance expressiva.</p>
        <p id="paragraph-29447b7241b1f461fb46b6e7d7deb606">O comentário sobre o uso das variantes nos remete a um exemplo de Lavandera (1977)<xref id="xref-cdf31cdaae372cfecc62f2f952b30930" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-53152160d7e64125259e7dcbf9f1fd74">[30]</xref>: “wiped out” vs. “exhausted” (destruído vs. exaurido). Este exemplo foi retomado por Labov (1978)<xref id="xref-af6428dada92c661106dd525efd662f8" ref-type="bibr" rid="book-ref-a5318b18858a3b7b5e5b7050242cfd60">[26]</xref> para lembrar que este é universalmente o caso de escolha lexical, para o qual não podemos provar que haja sinônimos verdadeiros, no sentido absoluto, mas exigências estilísticas que nos forçam a substituir uma palavra por outra no discurso e, assim, em qualquer sentença dada usamos muitas palavras como variantes estilísticas, embora cada uma tenha habilidade potencial para distinguir estados de coisas em particular.</p>
        <p id="paragraph-db3f5d28ea8cf8357b79b8b3d748ee82">O comentário de Labov sobre sinonímia permite uma analogia: os itens lexicais ‘casa’ e ‘casinha’ podem não ser sinônimos perfeitos em função da nuance expressiva, mas não se pode negar que o significado-base (habitação, moradia) permanece na palavra derivada. Devido a este aspecto, os itens lexicais são intercambiáveis no contexto. A questão está em serem acrescidos, algumas vezes, de valor expressivo estilístico e, em função das nuances expressivas, o significado referencial fica em segundo plano.</p>
        <p id="paragraph-0432adc8502c860fc875685ea04d2e9d">Os exemplos citados anteriormente evidenciam que os falantes fazem mais do que utilizar um estoque de itens lexicais da língua e organizá-los estruturalmente, ao concretizarem seus enunciados. Tal afirmação permite inferir que, conforme a situação comunicativa, ora o falante utilizará o diminutivo, ora o grau normal de determinado item lexical em sua expressão lingüística, mantendo o significado-base, de acordo com essa afirmação:</p>
        <p id="paragraph-7a6461eb44fcf66c10bec588b232ea0d">“Variantes lingüísticas são, portanto, diversas maneiras de se dizer a mesma coisa em um mesmo contexto, e com o mesmo valor de verdade.”</p>
        <p id="paragraph-4c37654da5be429024ad5cd4ce45ff00">(Tarallo, 1985:8)<xref id="xref-2362e241eac01475b282c8c7944a0996" ref-type="bibr" rid="book-ref-4bc700d46851d1018ff062b10bf35302">[25]</xref></p>
        <p id="paragraph-ecc18de750edf06b77a8b5f0024a486c">Vale destacar que nossa proposta de dar um tratamento variacionista para as formas com -<italic id="italic-928a60d1211a269e1fdf6c4a7d7bf21b">inho</italic> em oposição a grau normal parece esbarrar no seguinte problema, envolvendo duas alternativas:</p>
        <p id="paragraph-6129dbd28b11dcdbf26d8552823d9cf4">(i) considerar que a noção de dimensão <italic id="italic-8efa2b941e8e505e6761a08f4f936adb">altera</italic> o significado-base, de modo que, por exemplo, ‘casa’ e ‘casinha’ não seriam duas maneiras de dizer a mesma coisa, mas duas maneiras de dizer coisas diferentes, sendo a diferença de tamanho responsável pela diferença no significado-base. Assim, apenas as ocorrências em que -<italic id="italic-fa3be8a476bbfacdcb1b8f235266e714">inho</italic> fosse puramente expressivo seriam contempladas como uma das variantes;</p>
        <p id="paragraph-39084b46c1b58c32ab2de244b397c072">(ii) considerar que a noção de dimensão <italic id="italic-9ebcd5ae95c49e64228e0b8d99afbec5">não altera</italic> o significado-base, mas é uma informação adicional no plano referencial associado à base; os valores expressivos seriam também informações adicionais, porém não mais no plano referencial. Aqui estão contemplados os dois níveis de sentido já mencionados anteriormente.</p>
        <p id="paragraph-e1730050f06dd653fb6910485c35019b">Dada a natureza do objeto sob investigação e tendo em vista as discussões já expostas bem como nosso propósito de colocar em evidência diferentes usos e valores de <italic id="italic-f908c3577f11a48a7fd82d5d7014ff4e">-inho,</italic> optamos pela segunda alternativa. Reconhecemos, entretanto, que admitir como variantes formas que apresentam em sua morfologia -<italic id="italic-ec7087235fffd0ef0310835499d1e9fd">inho</italic> em oposição a grau normal, envolvendo mais do que sentido puramente expressivo, é um fato discutível. Reafirmamos que nossa intenção é utilizar o instrumental metodológico variacionista com vistas a quantificar os dados e controlar, com a maior objetividade possível, as variáveis independentes que condicionam as escolhas do falante.</p>
        <p id="paragraph-7808c07d2fbed53174e4456bba8846f1">Em tal contexto se insere este trabalho, na busca de fatores condicionantes ao uso do diminutivo x grau normal. Assim, partimos da hipótese de que, além de fatores lingüísticos e sociais exercendo influências sobre o uso das variantes, há outros fatores significativos. É o caso, por exemplo, da expressividade-estilística. O uso de <italic id="italic-f3a41dc8f98d077fc042542cec82f4c3">-inho</italic>, principalmente, considerando a situação em que o item lexical se apresenta no <italic id="italic-ff6ff9cbb413f6faecfe9ba17ed3e781">corpus</italic> de língua falada, pode, além de superar o valor nocional, ser acrescido de um valor afetivo que, por um lado, pode ser de apreciação, de carinho, de cortesia, etc. e, por outro, de depreciação, desdém, ironia, etc., conforme a situação se apresente.</p>
        <p id="paragraph-cf45af4af9c05b79f5282bb9805958f9">Com a finalidade de identificar tais nuances, este trabalho tem como objetivo geral a análise da variação no uso do <italic id="italic-d546ea7f042e67609afd8ea858a588eb">diminutivo x grau <italic id="italic-0b0916e348e68203c113eb821c66407c">normal </italic>em enunciados dos falantes de Curitiba-PR e Florianópolis-SC, à luz de fatores lingüísticos e extralingüísticos. Em especial, pretende-se verificar, de acordo com a delimitação do contexto temático: a) quais matizes são assumidos pelas variantes; b) qual a freqüência de aparecimento de -<italic id="italic-08a44a9b72302f4f9efd5277678eec84">inho</italic> na língua falada, nas condições dimensiva e expressiva, somente dimensiva ou somente expressiva.</italic></p>
        <sec id="heading-d9afdaca1ae476ab704c86dd574c1b71">
          <title>3.1 Escolha das variantes</title>
          <p id="heading-bad56dc56799cfbeeb9896f08194929e">Foram realizadas leituras de doze entrevistas na íntegra, retiradas do banco de dados do Projeto VARSUL - Variação Lingüística da Região Sul, sendo seis de Curitiba-PR e seis de Florianópolis-SC. Os informantes se situam na faixa etária de 25 a 49 anos, os quais foram distribuídos por escolaridade e sexo: dois entrevistados de cada um dos níveis, ou seja, primário, ginasial e colegial, sendo para todos os graus uma entrevista feminina e uma masculina.</p>
          <p id="paragraph-3d1bc0faf77612a0c43ddabfdcc42ca7">Constatamos, em uma primeira leitura das entrevistas, que os assuntos tratados estavam ligados à história de vida dos entrevistados. Esse fato justifica a entrevista ser predominantemente informal, além de demonstrar que o informante estava voltado mais para o assunto de seu interesse do que para a própria linguagem. Ainda nessa etapa, percebemos um envolvimento afetivo do informante que se traduziu, nas entrevistas, em uma “nudez” de características muito próprias da linguagem natural. Paralelamente à observação desses fatos, selecionamos os usos lexicais no diminutivo, dando preferência aos sufixos -<italic id="italic-5b7801e9cf95bfc06bb81899fb0dfa2e">inho</italic> e -<italic id="italic-f69cc93294239774e68a7b650c039b45">zinho</italic>, por serem mais freqüentes na língua falada que -<italic id="italic-0d3ee1a4cbeedc2bb12a3f16ebef1f17">ino</italic> (‘pequenino’), -<italic id="italic-770126da6eab4488b04adde15b4e128b">ote</italic> (‘velhote’), -<italic id="italic-0d3bc0f73bbdb1935e1849e9087031c7">ito</italic> (‘rapazito’), entre outros. Também foram descartados falsos diminutivos como ‘folhinha’ (calendário), ‘joaninha’, ‘colarinho’, etc. Confirmou-se, durante nosso levantamento de dados, que o -<italic id="italic-6">inho</italic> é de uso muito mais freqüente que -<italic id="italic-7">zinho</italic>, de acordo com afirmação da maioria dos gramáticos e pesquisadores. O uso preferencial de -<italic id="italic-8">inho</italic> pode ser ilustrado pelo trecho seguinte, selecionado na primeira fase do levantamento de dados:</p>
          <p id="paragraph-8a51144cae017c3c3fe149f31cf62a0c">(8) “<bold id="bold-2ce4b3b8e7711a5c35a2397add03b123">Malinha</bold> embaixo do braço e correndo, correndo, correndo que chegava em casa tinha janta, tinha que melhorar as <bold id="bold-96a143b8bab4b40201728c8e7fc9914d">verdurinhas </bold>que havia plantado no quintal, minha mãe deixava tudo<bold id="bold-22194561ea709d5fe49ef59536f858ef"> plantadinho, </bold>tratar os<bold id="bold-4"> bichinhos</bold>, a galinha, o<bold id="bold-5"> porquinho, </bold>tudo<bold id="bold-6"> </bold>que a gente tinha no quintal, sabe? ”( PR Ctb 10 L 1174/1179)</p>
          <p id="paragraph-edba20cc5188a0bc4be6c169bced644f">Selecionados todos os diminutivos, buscamos, a seguir, no mesmo contexto temático, palavras correspondentes com mesmo significado-base no grau normal. Aqueles que não possuíam correspondente não foram considerados para o trabalho, já que o interesse se restringe ao <italic id="italic-a49d56dbbbd789cf3e18d3ef485b382a">diminutivo x grau normal </italic>de um mesmo item lexical num mesmo contexto temático. Obtivemos um total de 256 ocorrências, sendo 119 itens no diminutivo e 137 no grau normal. Nessa triagem, consideramos o significado contextualizado, ou seja, o interesse não se restringiu ao item lexical apenas, mas ao item somado ao contexto temático:</p>
          <p id="paragraph-a14acfcd578a154037e684931612e2ff">
            <bold id="bold-2b4450efc63469b94f4d72a32f4d9bb2">Infância:</bold>
          </p>
          <p id="paragraph-769e46bb4328408e0a82d9e0a610de33">(9) “Eu me lembro que o meu avô construiu um <bold id="bold-42fe210f12389ceb45cca288631784e4">barco</bold>, não um <bold id="bold-822d4367a43bb1da59e54e9fcb0e858e">barco </bold>(falando rindo) assim, né? Mas um<bold id="bold-9b3e2ff3d8004094af6fc3eb83412338"> barquinho. </bold>E a gente<bold id="bold-6052bf845bedc7ce6e9bc33520ca4d1a"> </bold>brincava ali dentro do <bold id="bold-753bbb9065bea186c4d45ee3bdc87bb1">barco.</bold> Fazia comidinha. E era uma descida, um morrinho, (falando rindo), ficava o <bold id="bold-45a52b94a3713aa4b5636a39b3d6a13e">barco</bold><italic id="italic-5fe06021a996c8192bc80cf6afa2774a">.</italic> Então eu tinha medo [de] que o <bold id="bold-7">barco</bold> caísse”. (SC Flp 01 L 56/58/59/61/62)</p>
          <p id="paragraph-d43f70adb9231be1a42f136120969eb6">
            <bold id="bold-0802763e21471ef6d18058cc45f625d4">Bairro:</bold>
          </p>
          <p id="paragraph-6f1e79be549b60f19177d4812f3993a7">(10) “Naquela época o meu pai tinha cavalo, <bold id="bold-1c47a3198c3772cf78a0d0d81f8b6348">charrete, charretinha, </bold>o meu pai tinha naquela época (...) só que daí não<bold id="bold-a1f6350237227fa02e35d530a0a15439"> </bold>trabalhava como motorista (...) . Daí ele trabalhava daí ele tinha cavalo e tinha aquela <bold id="bold-4f068f015fca1d7c91563698e8c9a325">charretinha</bold> que dizem. Ele tinha aquela <bold id="bold-a568dc5b0c48ebc35f10cf0580aec441">charrete</bold> inclusive ele naquela época (...) o nosso meio de condução, de transporte era aquela <bold id="bold-81b7c98a368296b5ce4e45e08cd426c9">charrete</bold> que ele levava a gente e a gente ia com ele (...) a gente ia no quartel passear, meu pai trazia a gente pra casa embora [Na] naquela <bold id="bold-846a0590d8fa0b5cba34d8c7c6ee1907">charretinha </bold>de cavalo.” ( PR Ctb 18 L 8/9/20/21/27/50)</p>
        </sec>
        <sec id="heading-26bdd183dbaded0008e085e57b63518d">
          <title>3.2 Fatores controlados</title>
          <p id="heading-0d9e9605764b0fc85ac638bff2e38b4c">Na tentativa de demonstrar que a cada variante correspondem certos contextos que a favorecem, foram controlados os seguintes grupos de fatores: <bold id="bold-c21074b17704f0124395f2fbdc8737fd">a)</bold> Morfossintáticos – função sintática, classe gramatical, tipo de determinante; <bold id="bold-fe27ee562f24c5491e505bfcfed7ce91">b)</bold> Semântico-pragmático e estilístico – contexto temático (infância, trabalho, família, cidade/bairro, política, lazer, outros), avaliação do matiz (positivo, negativo, neutro), remissão temporal (presente, passado), componentes do diminutivo (expressivo, dimensivo + expressivo, dimensivo), menção no contexto temático (primeira, retomada), referência contextual (ligada ao falante ou a outro participante ligado a ele; a participante não-ligado ao falante); <bold id="bold-7224c44c42b5521ffc8cceb99c70ab52">c)</bold> Sociais - sexo (masculino, feminino), escolaridade (primário, ginasial, secundário), região (Curitiba, Florianópolis).</p>
          <p id="paragraph-6f26ac78f583113fcd66302f8d09f08b">Os dados foram codificados de acordo com os doze grupos de fatores controlados. A última etapa constou de rodada dos dados no programa de análise quantitativa – VARBRUL (Pintzuk, 1988)<xref id="xref-78c1f7e6a6db80563d5050a25b9bc7cc" ref-type="bibr" rid="book-ref-63bc013202c44cf3c463b5f91183eb12">[31]</xref> e, de acordo com os resultados, passou-se à elaboração de tabelas, análise e comentários.</p>
        </sec>
        <sec id="heading-f83e4477087933bcae6b71cc5402838c">
          <title>3.3 Análise do corpus</title>
          <p id="heading-d33066efbed13b0ef0d9636027e4826d">Neste item, serão comentados os grupos de fatores considerados estatisticamente significativos. As leituras realizar-se-ão na seguinte ordem: leitura semântico-pragmática e estilística de -<italic id="italic-e9a862a1357bb5d95fb7493f1b75ef64">inho</italic> quanto à avaliação do matiz; leitura dos componentes <italic id="italic-e56871317e9cf55385d669895dec61b9"><bold id="bold-a1b5ab5c6fa795cb66f9d26a39c55410">dimensivo </bold></italic><bold id="bold-29166e21d035a57d3c828703812e717d"><italic id="italic-a16c6b8dcd65262e51f17392eec5f609">e </italic></bold><bold id="bold-3007d477e761be055c5c31e276a14372"><italic id="italic-1d7280ce255a8974e19c83486e0898fd">estilístico </italic></bold>de -<italic id="italic-eb8f61104949b9f706782cd10d39339f">inho</italic>; leitura morfossintática estilística quanto ao<bold id="bold-e07d000b515bb52f63a6f210d83f518a"><italic id="italic-1ede7d3a7a257604cbc58db1537cafa3"> </italic></bold>tipo de determinante, classe gramatical e uso de -<italic id="italic-2ccbe4d7f6a1c94d34791f5e5eb5974e">inho;</italic> leitura social de -<italic id="italic-e32208e4d8ba272c255d20f0b1ee3a74">inho</italic> quanto à escolaridade. Os comentários, obviamente, estarão voltados aos fatores relacionados a estas leituras; outros comentários, no entanto, poderão ser incluídos com o objetivo de enriquecer a compreensão do fenômeno estilístico.<italic id="italic-9"/><bold id="bold-46b6290a628873184d73a7c8dc1af309"/></p>
        </sec>
        <sec id="heading-29e60fc9285dc995342f866006463b90">
          <title>3.3.1 Uma leitura semântico-pragmática e estilística</title>
          <p id="heading-0d844520a4baa33c7eebfd7f9a9e04d4">A hipótese subjacente à tabela l é de que as variantes contextualizadas podem assumir matizes expressivos negativo e positivo, estes mais ligados a -<italic id="italic-cee0a144e1242ed580b8d4fef0b9c700">inho</italic> ou, ainda, serem neutras. Os matizes e a neutralidade foram detectados e classificados da seguinte maneira:</p>
          <p id="paragraph-232bf48862a58bb900b2195d18ad4371">
            <bold id="bold-7d6530f36ad43393d7c49885bc36e92a">Família</bold>
          </p>
          <p id="paragraph-6fb442f184ab07cf0366fb1102da711e">(11) “E sirvo com macarrão ou <bold id="bold-49571590a408aae5f9ceecc3d19b08ff">salada.</bold> Faço uma <bold id="bold-81cc1a0aa02901599d3186c90a975fb9">saladinha</bold> de tomate”. ( SC Flp 20 L1393)</p>
          <p id="paragraph-a4c40c7b203f0ef4dcbbfcdbc0c59442">No contexto temático <italic id="italic-c5e5cb3ec44e520cab4c9d051194d902">família,</italic> o item lexical ‘salada’ foi classificado como neutro, possui somente o significado base; já ‘saladinha’ possui matiz expressivo positivo. O falante poderia utilizar-se do grau normal no segundo uso, mas optou pela palavra com sufixo porque melhor evidencia o sentido expressivo.</p>
          <p id="paragraph-951b67f6212b9439373c172e29752052">(12) “ ... mas de livro, livro, não gostava não, gostava de ler um gibizinho, coisas assim, né? (...) já que eu gostava de ler e que lesse alguns <bold id="bold-4f0bf79dc3d895d25444c8c3c065dc66">livrinhos</bold>, né? “ (SC Flp 1 L 167/181)</p>
          <p id="paragraph-568dc9b561ff62dcce84d737e06cd990">No fragmento (12), ‘livrinhos’ traz matiz expressivo negativo com o objetivo de acentuar o desinteresse do falante pela leitura. Nas duas aparições de ‘livro’, há significação representacional apenas.</p>
          <p id="paragraph-630808e23e63111980bd76cce763977b">Passemos, então, aos comentários sobre os resultados estatísticos da tabela l:</p>
          <table-wrap id="table-figure-9228c99f825ca6d9e9d362fd1a6b6445">
            <label>Table 1</label>
            <caption>
              <title>TABELA 1</title>
              <p id="paragraph-55f159bf59f357752664644eb0ef769f">Avaliação contextual expressiva de -<italic id="italic-bb7ce9deed8e9911f035056f03d5a50c">inho</italic></p>
            </caption>
            <table id="table-3ed51b5b2391b9649eb66d9f2b99f533">
              <tbody>
                <tr id="table-row-23f1220b35223d3e80d2cbfefbba25ce">
                  <th id="table-cell-f21fe6d39248252bcbf7a7b98a1eedd3">Fatores</th>
                  <th id="table-cell-298f600d418be6d161eef6b3cdad59d1">Total/apl</th>
                  <th id="table-cell-a2c8866e115130b810d3b2f5020f3de1">%</th>
                  <th id="table-cell-78010d6838c37b3f3d9aafca54ab3c97">Peso rel.</th>
                </tr>
                <tr id="table-row-f00e17527334fdb7d80607b3a1eb161c">
                  <td id="table-cell-0027071ba74d42cbac77e5e3cfddcc62">matiz positivo</td>
                  <td id="table-cell-569ed3960a430ea3f09ff2fe85f55557">68/61</td>
                  <td id="table-cell-e15e41125fed37cb584be3be871f11ec">90</td>
                  <td id="table-cell-4b6cc0b7fed278ff7411a2a13eaec2f2">. 92</td>
                </tr>
                <tr id="table-row-0f526f8d0be8bc8e842ac4d83c32f1e9">
                  <td id="table-cell-3f8f32202e037bc5954a453eff187176">matiz negativo</td>
                  <td id="table-cell-8d611ed7775fdf53709f6104968f3ce8">44/19</td>
                  <td id="table-cell-d0651ca66a1b2bd0b9ff8dad26f1dbab">43</td>
                  <td id="table-cell-f3f888bf99ecdd434034c67acb3a7f3c">. 50</td>
                </tr>
                <tr id="table-row-9591912f818d63772ed77a9f6ee59637">
                  <td id="table-cell-68c6c02a47b2da156c210815d53e9f15">neutro</td>
                  <td id="table-cell-6a38fc7829e4361461d986820cfc6b7a">144/39</td>
                  <td id="table-cell-4b7364cd8113131d830411ca2a739682">27</td>
                  <td id="table-cell-c0248e0fee65cd6c07574632cf606bff">. 23</td>
                </tr>
                <tr id="table-row-088c9a73e82282a48720d7cfae3056a8">
                  <td id="table-cell-5f28aa4492fa8d09707df319326d473f">Total</td>
                  <td id="table-cell-c3baf08b6b07c6685f030925d194956e">256/119</td>
                  <td id="table-cell-8b4db29cc671af01ed9df800147e0148">46</td>
                  <td id="table-cell-d481460b0bd7c8de57d9b480c98afe42">-</td>
                </tr>
              </tbody>
            </table>
          </table-wrap>
          <p id="paragraph-d47255cdb057c7de1dfea7a9af254719">É importante iniciar a leitura da tabela l dizendo que os matizes foram atribuídos e captados no contexto e não na palavra, apenas. Os percentuais mostram um decréscimo gradativo de matiz positivo (90%), negativo (43%) e neutro (27%) associado ao emprego de -<italic id="italic-429ef9c5ac9f6f12576cbb245e84c440">inho</italic>, confirmando a hipótese de que o sufixo aparece mais com sentido expressivo. Observe-se o alto coeficiente de probabilidade atribuído ao fator matiz positivo (PR=.92), indicando tonalidade apreciativa, carinhosa, de cortesia, etc., e o peso neutro atribuído ao matiz negativo (PR=.50), refletindo depreciação, desdém, ironia, etc., o que vale dizer que a escolha por -<italic id="italic-69df008fe6533686f03753ee13bf0c43">inho</italic> é realizada, na maioria das vezes, para expressar apreciação positiva em relação a algo, quando palpita no falante a expressão do mundo por meio do sensível, o mesmo não se verificando quando o matiz é negativo, já que este não interfere na escolha de <italic id="italic-618c5363abcfbceef49a81dcfec0423f">-inho</italic> ou do grau normal, servindo qualquer uma das variantes como recurso lingüístico, se o intuito é dar à palavra contextualizada tonalidade expressiva negativa. Por outro lado, a ausência de qualquer matiz expressivo desfavorece de modo significativo o uso de -<italic id="italic-0535ca3d7b4c3e2b02b6acf4dd2cd67c">inho</italic> (PR=.23). Registro especial merece também a distribuição equilibrada das variantes nos dados analisados nos diferentes contextos temáticos: 46% de -<italic id="italic-963b996fea988e90808a006e54a53961">inho</italic> versus 54% de grau normal.</p>
        </sec>
        <sec id="heading-40ea406be5bfe00f61392ad0e323a77a">
          <title>3.3.2 Uma leitura dos componentes dimensivo e estilístico</title>
          <p id="heading-8d3d6cfc4683f51ec0a6ae1a4e59d218">Assumimos que -<italic id="italic-b31ade9ac82ea79fd04e5bfe6a173992">inho</italic> admite três possibilidades de uso: dimensivo, dimensivo + expressivo e somente expressivo. Tais possibilidades admitem como hipótese o fato de que o uso de -<italic id="italic-da4ad10057bc78fcf1c5f9c51fa2b2ff">inho</italic> está mais relacionado ao sentido expressivo estilístico que ao dimensivo e, ainda, que conforme o contexto temático (infância, trabalho, etc.) deverá influenciar na escolha de -<italic id="italic-c0eafe1cd499ada78e309053fc84acfb">inho</italic>, como nesses exemplos, que repetem (1), (2) e (3):</p>
          <p id="paragraph-dce40ca281e96e88840946fd7290e7d0">
            <bold id="bold-5f943d1d3b5c45848c88808bb06420b8">Infância:</bold>
          </p>
          <p id="paragraph-19ea52ca04e7e9f4b280cbc53e749631">(13) “Na época de verão, a gente era pobre, então a gente vinha tudo ali que tinha uma <bold id="bold-f8f42efd7f2b9bd2f84d9648497ca7e5">praiazinha</bold> aqui no lado do cais (...). É tinha uma <bold id="bold-5214e7ad00ac77ffa57bb062af0f98b7">praiazinha</bold>, uma <bold id="bold-4ba908c9860e2f0820bac87dda728189">praiazinha</bold> pequena, né?” (SC Flp 18 L 536/540)</p>
          <p id="paragraph-28912c7cf83b45735db2d603671e5358">O uso de <italic id="italic-0f9d41a3ab5b058ec1002c777a4e0e4d">praiazinha</italic>, nas três ocorrências, possui somente significado dimensivo confirmado pelo adjetivo pequena, ou seja, o significado base acrescido de -<italic id="italic-db6a9be5685e83dc13d7ba2d8aeb4bc3">inho(a).</italic> Mesmo sem nuance expressiva, o diminutivo está integrado a um tema que, à primeira vista, parece envolver o aspecto subjetivo do falante.</p>
          <p id="paragraph-35b9497c14157a0fb69a129527bf7108">
            <bold id="bold-3cc2c3bdf6f949dd3bfc2e3e4c6466f8">Cidade:</bold>
          </p>
          <p id="paragraph-b1e540e3b61bce1a9e42bc547dbf46fc">(14) “Você vê aquelas <bold id="bold-e19cb77b4f8a61598cf52a001d072961">criancinhas</bold>, ali né? Que te corta né? Acorda que já amanheceu e tal <bold id="bold-41562a57e4ac71a765c71e48f00a22c4">criancinha</bold>, né? (PR Ctb 03 L 374/386)</p>
          <p id="paragraph-9c6439f276c7f40288c18f2374187075">Nos dois registros de ‘criancinha’, temos o significado dimensivo mais o valor expressivo. O sufixo -<italic id="italic-9a0e1a75b8a37d9714e8d4157442f177">inha(s)</italic> traz à dimensão uma conotação de dó expressa pelo falante sobre a situação das crianças abandonadas. O tema parece estar ligado à objetividade, todavia o falante optou pelo uso do diminutivo expressivo.</p>
          <p id="paragraph-7b92921f713f8ced4fd55c4343bbed9e">
            <bold id="bold-04dd4acdebec8d59500404d93db9c808">Bairro:</bold>
          </p>
          <p id="paragraph-5155b368a047a44bca848d13a5a9148c">(15) “...inclusive nos <bold id="bold-0d5f2f95d3f9e06248c2942ac8727ecd">pontos</bold> do ônibus, antigamente, inclusive eles puseram aqui no nosso <bold id="bold-d55e3780cdcd8a5f992b1deb797c90a9">pontinho</bold> aqui da Nilo Peçanha, tinha um tipo de um aí, como é que eu quero dizer ...”. (PR Ctb 10 L l27/128)</p>
          <p id="paragraph-2d2940213447544503700b0c632d39ee">No uso do item lexical ‘pontinho’ está explícita a atitude do falante através de sua escolha. Essa atitude confirma-se pelo uso ‘ponto’ no grau normal sem nuance expressiva. O sufixo <italic id="italic-a37243a670441ca1cfe82468215f018c">-inho</italic> reforça aquilo que o locutor intenciona transmitir. Além disso, ‘pontinho’ não contém idéia de dimensão nesse contexto. Na escolha deste item lexical, o objetivo do falante caracteriza-se em transmitir seu sentimento ao ouvinte. Há nesse tema, portanto, expressão objetiva e subjetiva do falante.</p>
          <p id="paragraph-64d59d82f55a6071f360e76b917c1127">Vejamos se essas expectativas se confirmam, na tabela 2:</p>
          <table-wrap id="table-figure-9e7d8c2938a2ae422f65d944c7b46ddf">
            <label>Table 2</label>
            <caption>
              <title>TABELA 2</title>
              <p id="paragraph-841fa20a0b19b5316c3064e2e6fdaa17">Componentes dimensivo ou estilístico de -<italic id="italic-f8887c286c4ba8399e1f3773c35377b7">inho</italic></p>
            </caption>
            <table id="table-26b763622edc3ae78bd14ba448523cbd">
              <tbody>
                <tr id="table-row-c1347518f36ccfd0c6d17bf00c7b64e9">
                  <th id="table-cell-c3675fcb2fb4954c2bd36a75098b2693">Fatores</th>
                  <th id="table-cell-f53cafa50d0535574b745eacc8e382f7">Freq.</th>
                  <th id="table-cell-61b9f1dc1e3d49d2f4839639731cb035">%</th>
                </tr>
                <tr id="table-row-038741e653a7838bc74f756725709eba">
                  <td id="table-cell-8cd61ce9976496f138cd4c1cf07d51d5">Expressivo</td>
                  <td id="table-cell-34b3993cf209642b09b1a6c1d4345231">48</td>
                  <td id="table-cell-86be028905d6b97945763c42a54a9b69">40%</td>
                </tr>
                <tr id="table-row-62beb77f8f32aaefec09b42b475074d1">
                  <td id="table-cell-f4718cd8a0d04a6dd39cd36c664bc68d">dimensão e expressividade</td>
                  <td id="table-cell-4d4c3ea06737e707104cff1622f71402">30</td>
                  <td id="table-cell-68b2e3570b13a8369b73618b216876cd">25%</td>
                </tr>
                <tr id="table-row-f42d466d911101e213377f0d56142495">
                  <td id="table-cell-a0968673d5a7f3d28f0db216c5036f3c">Dimensão</td>
                  <td id="table-cell-cc273be3438149ab8e862ce3a12cdb14">41</td>
                  <td id="table-cell-bdc0cd3fa7c22921321fca981b57303a">35%</td>
                </tr>
                <tr id="table-row-f825a226697f8a2cc8a88077f56ffe69">
                  <td id="table-cell-00e43767270ff1e9948cb0b8c104def2">Total</td>
                  <td id="table-cell-072dda408c2b5c591b45fa5221d1658b">119</td>
                  <td id="table-cell-919a36dcd06bc57c4167d72749decaee">c/ expressividade | 65%</td>
                </tr>
                <tr id="table-row-c7205bb114e825321e1e76459db81e46">
                  <td id="table-cell-95e209662bf3d0aed687f434b4a63a8f" />
                  <td id="table-cell-5c8bc3cbf097d38def4c11b184086c8d" />
                  <td id="table-cell-378200fc430452c4d589cf3c08cab6a1">s/ expressividade | 35%</td>
                </tr>
              </tbody>
            </table>
          </table-wrap>
          <p id="paragraph-b4b02ee6f7f711ee1dd7a26c61d4de4a">Os resultados freqüenciais de -<italic id="italic-aa735e8c1adc651f043b5c6f0d64af5e">inho</italic> indicam que seu emprego é consideravelmente mais associado a traços expressivos (65%) do que somente ao valor dimensivo (35%), confirmando nossa primeira expectativa. Daí podermos afirmar que sua função na linguagem parece ter um caráter muito mais expressivo estilístico do que semântico referencial, morfológico ou sintático. Na realidade, o uso de -<italic id="italic-6529e15f5049a2f2193203f3c309a2aa">inho</italic> não é de caráter somente expressivo, nem somente dimensivo, mas significativamente mais expressivo. O falante, ao fazer sua escolha, na maioria das vezes opta por -<italic id="italic-56691516f638380a1efa188f2b0e1ea9">inho</italic> matizado, por ser um recurso que permite elevar sentidos sobre o significado-base.</p>
          <p id="paragraph-126e71da4efff3ef3be0c85706913651">Quanto à influência do contexto temático na escolha por -<italic id="italic-c86bc9ff86521f5ce4505e946b33cb73">inho</italic>, esta se mostrou, à primeira vista, pouco significativa. Observe que no tema <bold id="bold-9addf92a74008639ebd65f38cd3e88dc">infância</bold>, por exemplo, há (48%) com -<italic id="italic-7ca2258e70ce4fb722f71ce2ee4c5191">inho</italic><bold id="bold-dfc52053cffa1699bea7f3dd725d2912"> </bold>x (52%) com grau normal;<bold id="bold-bd5d1f9c9670063a5c5fe89694512536"> </bold>no tema <bold id="bold-23789c2817908f6aa7f2fbf61b314ca8">trabalho</bold><italic id="italic-32aa01b71a838e992401413ad58b2bfe">,</italic> (40%) com -<italic id="italic-db9bb837eae89070e03fd7861aa331a3">inho</italic> x (60%) no grau normal, parecendo pouco significativos os resultados percentuais. Porém, se olharmos tema x tema, verificaremos que a porcentagem de grau normal é maior quando o tema é <italic id="italic-70912090d2c19d609cb46028ae8a9391">trabalho</italic> (60%), em relação aos (52%) de uso do grau normal, quando o tema é <italic id="italic-881fe2f26f7ce6ff5046130b41b5e44c">infância</italic>; do mesmo modo ocorre com -<italic id="italic-a77efc6979189768ad78e3dc520413d2">inho,</italic> seu uso no tema infância (48%) está em porcentagem maior que seu uso no tema trabalho (40%). Dessa perspectiva pode-se até admitir alguma influência do tema sobre os resultados.</p>
        </sec>
        <sec id="heading-7f7831de0ada788f52458b2ba0140fce">
          <title>3.3.3 Uma leitura morfossintática estilística</title>
          <p id="paragraph-a2389985d6982bd86074864bc635ad60">Se toda variação reflete uma eleição funcional por parte do usuário da língua, em função de seus propósitos comunicativos, como entende Lavandera (1984)<xref id="xref-aafec01f0cc2baac15a7fd2cd38bcbfa" ref-type="bibr" rid="book-ref-b8d1f45ba219a3890879233628956e4e">[32]</xref>, esses propósitos atingem também os aspectos morfológicos da língua a julgar pelo número e variedade de construções e processos morfológicos disponíveis para a expressão, logo, importantes para a linguagem expressivo-estilística. Essa idéia permite verificar o tipo de determinante que aparece com mais freqüência acompanhando -<italic id="italic-547c7da1ff276e4548a839aed2f137d0">inho</italic>, pois temos como hipótese o fato de que o determinante sofre influência da nuance expressiva de -<italic id="italic-0f22457c1e22b6d6d63098fc086ad31e">inho</italic> e possui capacidade de transferir influência expressiva para -<italic id="italic-6e7e123faf7e67cfe9a34a087ff05b81">inho</italic>, quando contextualizados<italic id="italic-cb90b2d579777b6ee109eb0b1cc30695">.</italic> É o que procuramos ver na tabela 3:</p>
          <table-wrap id="table-figure-f8c64ddc9320442b5b86dfdfd27487ff">
            <label>Table 3</label>
            <caption>
              <title>TABELA 3</title>
              <p id="paragraph-f4c9114f2e9f275884fa259c0771baf1">Tipos de determinantes que acompanham -inho</p>
            </caption>
            <table id="table-f1cf03eb955ee140dda98cdcb48941c3">
              <tbody>
                <tr id="table-row-352e9e25ab2c1cc27bae78a54d331dc9">
                  <th id="table-cell-0969ce84720ec9a62cf3faa03631ed77">Fatores</th>
                  <th id="table-cell-27d692522df4e215985995fced35c8c2">Total/apl</th>
                  <th id="table-cell-4d79570baf1b24e7cb846d48d1186e47">%</th>
                  <th id="table-cell-1bc20c9594df339c8b03fac75693ef6d">Peso rel.</th>
                </tr>
                <tr id="table-row-f9fcd6aaa8690b4cb65c95d03a215874">
                  <td id="table-cell-c8a98fca9459bc82b5affea5dc5d7a44">pronome posssessivo</td>
                  <td id="table-cell-984fd504f85387ccefd6e6acf5efde56">14/11</td>
                  <td id="table-cell-5a68c696debd14c9b6b3f599ba5a14d2">79</td>
                  <td id="table-cell-bb5eab36844d626428f800ef2f427df6">.59</td>
                </tr>
                <tr id="table-row-b86b690c46f01348e7e3ca6c60fa3e07">
                  <td id="table-cell-ed442120aec349efbf6e38b958b41657">Artigo indefinido</td>
                  <td id="table-cell-f7b469b33c7574977b49296e9c29b1c2">50/35</td>
                  <td id="table-cell-b8d483c7a370c28907d94f2cc619ae51">70</td>
                  <td id="table-cell-1adf7aaf6607504bd5f650b8033ceb9e">.71</td>
                </tr>
                <tr id="table-row-51e21b769b0c0e3a1a596e48e828f0e4">
                  <td id="table-cell-9b38c6f3293147239bcd215a7d8036c8">Artigo definido e pronome demonstrativo</td>
                  <td id="table-cell-5f05166227a2914dfdbeaadb0a18acbd">78/33</td>
                  <td id="table-cell-7f1bfceeb9a15c70d598e7374977bbd5">42</td>
                  <td id="table-cell-42fdde336c9f251f3bc83f10b731132a">.47</td>
                </tr>
                <tr id="table-row-08b3ec9caa50158e516c7b4eae8cd29a">
                  <td id="table-cell-f37a16689e93d78a74cb11895be841a6">Outros</td>
                  <td id="table-cell-54b316204a0fbad60cd28b1adb8ab0a9">114/40</td>
                  <td id="table-cell-6562768787b3b026abf0163be0544a6b">35</td>
                  <td id="table-cell-5045d4ba2288ded4bee534aa618cac62">.40</td>
                </tr>
              </tbody>
            </table>
          </table-wrap>
          <p id="paragraph-719d9b2e61a1b9e1787ad2bacca0bacf">Os determinantes mais freqüentes acompanhando -<italic id="italic-6194cb955aef5b05faba90f2c8fad7dc">inho</italic> foram o pronome possessivo (79%) e o artigo indefinido (70%). No entanto, considerados os pesos relativos de ambos, respectivamente (.59) e (.71), verificamos que o artigo indefinido é o fator de maior relevância.</p>
          <p id="paragraph-1064b935946a6e8ab0d2f1efffadf187"> Sobre o pronome, pode-se dizer que, em muitos usos, traz carga expressiva algumas vezes suscitada por ele mesmo mas, na maioria das vezes, recebe influência da expressividade de -<italic id="italic-4e9728494a29455a5de2d53c67a9f21a">inho</italic>, que, por sua vez, é influenciado pelo contexto/enunciado também carregado de expressividade. Ao assimilar a nuance de -<italic id="italic-2281409efedc49d552493cefd8bff14a">inho</italic>, a idéia de posse do pronome se enfraquece. Essas características estilísticas podem ser observadas nestes exemplos: </p>
          <p id="paragraph-68c288c61b5d4563d01969a9a57ffc39">(16) “E a <bold id="bold-46832b5ffe288f48f3d59f7c3d9f0c99">minha</bold> netinha tem um ano e quatro meses (ruído). Minha neta é muito linda, né? ” (SC Flp 11 L ll4)</p>
          <p id="paragraph-0b7617d17fc0c3236a57e25f23d0f40a">Além da idéia de posse, soma-se ao pronome possessivo a de delicadeza transferida pelo diminutivo ‘netinha’, que ressalta a importância do sujeito ao qual o falante se refere. Veja-se outro exemplo com possessivo:</p>
          <p id="paragraph-48553e0e30c2eab7b2fad0380c086640">(17) “... nós tínhamos <bold id="bold-6c3c71cbc0d235d5c015de7ce77b663c">nosso</bold> timinho de piazada, né?” (SC Ctb 01 L 915)</p>
          <p id="paragraph-647f22314856c7ddf25d3697db685e53">A idéia de posse em ‘nosso’ é enfraquecida diante da idéia sugerida de que o falante divide o lugar com um número de pessoas entre as quais ele se supõe a figura mais importante, e de que ele possui carinho pelo time. Outro exemplo carregado de expressividade aparece no enunciado seguinte:</p>
          <p id="paragraph-ed389b25087432d6eabea770ebf19d6b">(18) “... volta pra fábrica que o <bold id="bold-dbc6ca128c9af6865bb260b6d5601534">teu</bold> lugarzinho é lá!” (PR Ctb 03 L 774)</p>
          <p id="paragraph-930c7b82a490d0ccac2edb43580a6f03">Sobre o uso do pronome ‘teu’ podemos dizer que juntamente com a idéia de posse está a nuance expressiva, resultado de um emprego particular, sendo perceptível no enunciado em razão do contexto. É como se o falante usasse desse recurso para eximir-se de qualquer culpa sobre aquilo a que ele se refere. Além de uma nuance própria do pronome, soma-se a ele a nuance positiva de -<italic id="italic-19585ebe69d1b80601a6f25903bf388a">inho</italic>, mais a exclamação, características que ajudam a acentuar o caráter expressivo da seqüência.</p>
          <p id="paragraph-656b475cf7648b74b5a45fd6688cfaa0">O artigo indefinido como fator de maior relevância (PR=.71) também vem acompanhado em seu emprego de movimentos de sensibilidade. Lapa (1999:109)<xref id="xref-8e7e1714535bde29140641944f925382" ref-type="bibr" rid="book-ref-2021aa76041fed2bf0667c05e7625bbc">[29]</xref> acredita que “A capacidade estilística do artigo indefinido está na imprecisão que dá às representações. Serve para traduzir a indeterminação e o mistério”. A nuance de imprecisão é própria do indefinido, o que lhe permite transferir esse valor para nomes com -<italic id="italic-f72ecebc00f634afcceb1c6e35dd4474">inho</italic>, como em (19) e (20):</p>
          <p id="paragraph-bcea191483c8500903d42f92d043bd19">(19) “Cine São José funcionava atrás da catedral, onde funciona <bold id="bold-9466715558ba8b95fca52a61cb9e8384">um</bold> barzinho agora que tem exposições e tudo ali. Não sei como é o nome do bar. Funciona na frente da ordem dos advogados do Brasil tem <bold id="bold-2ab8c8c6cf6c036d57d7e828bcc37a7b">uns</bold> barzinhos ali perto do Cine São José.” (SC Flp 18 L 1078/1080)</p>
          <p id="paragraph-f75aa908758b45c91a92d0399de970b7">(20) “... então sete horas, aí a mãe da menina dorme mais <bold id="bold-e27827723c2e689a900f51164157f60c">um</bold> pouquinho, né? (...) não, ela vai todo dia de ônibus, porque é <bold id="bold-33a34f0c05cc8cd6bfa4b08a95c66a2c">um </bold>pouquinho longe, né?” (SC Flp 11 L 842/866)</p>
          <p id="paragraph-ef7cdfa8239bc7ee6fa652ef8e510065">Com intuito ilustrativo, mostraremos os exemplos (21) e (22) onde se pode perceber como o artigo indefinido contextualizado e em perspectiva contrastiva pode apresentar nuance expressiva curiosa como esta:</p>
          <p id="paragraph-9aa2445359bf898b8f99dc380e99daec">(21) “...ela tinha <bold id="bold-4a58309ec2052e54120f0a708a8caf39">uma meia-agüinha</bold> de três peças coitada...” (PR Ctb 10 L 667/793)</p>
          <p id="paragraph-b2d6c37701697e746bbd100ef4d0facf">Mas o falante, ao se referir ao que é dele, faz uma escolha diferenciada:</p>
          <p id="paragraph-6561a796bdf6f7b43d40ccdc23a921fd">(22) “...está vendo aqui <bold id="bold-6c599a3a9450640d30cc276addb6e94f">a minha meia-água</bold>”.</p>
          <p id="paragraph-aa38623b09cc0171b98d55b55807cbd9">O contraste na escolha entre o artigo indefinido + -<italic id="italic-dc4a4e19ff68df6c31f217509b52565c">inho</italic> dimensivo/depreciativo no primeiro fragmento, e artigo definido + pronome possessivo + grau normal no segundo fragmento, evidencia a carga de expressividade que uma escolha morfológica pode dar ao enunciado. Pode-se inferir das escolhas realizadas nos enunciados (21) e (22) a seguinte idéia, implícita na manifestação lingüística do locutor: “a meia-água dela é menos importante, já a minha!”. Essa inferência surge da imprecisão e da dimensão mais expressividade caracterizando o primeiro exemplo, já no segundo, esses elementos que favorecem a depreciação simplesmente desaparecem.</p>
          <p id="paragraph-a53c41aac7fc4068b25405ae679e0298">Com comportamento completamente variável, o artigo definido e o pronome demonstrativo (42%) na tabela 3, com (PR=.47). Na maioria das vezes, o artigo definido faz com que o substantivo se refira a um objeto em si, como informam as gramáticas, não importando se com -<italic id="italic-96b38fa521feaf10f632e056540c7555">inho</italic> ou grau normal, conforme o exemplo:</p>
          <p id="paragraph-168a25ea2716dc7d2f3228a3e138fb29">
            <bold id="bold-2e3a2d65575055c933c0b71597994550">Infância:</bold>
          </p>
          <p id="paragraph-56c67dfe7b5a2da527c20cb3bb97ca27">(23) “Nunca conseguiu, assim, ter <bold id="bold-c9475e07fbabcf7ba5b4a3fe2ef3c130">a</bold> casinha direitinha, bonitinha, tudo direitinho, né? (...) Então ele fazia banquinho pra gente, mesinha pra gente ter. E <bold id="bold-e3fd44c1c89ad3b591fc0e9b6e66fe36">na</bold> casa do meu avô, a gente sempre lembra de umas coisas assim.” (SC Flp 01 L 1197/1213)</p>
          <p id="paragraph-7be2576a493a0f140a4c24aba0dec006">Por sua vez, o pronome relacionado à percepção de distância envolve dois fatores: o físico e o expressivo. No entanto, o ensino privilegia o primeiro, quando é incontestável na linguagem a existência de carga expressiva como confirmam as escolhas dos demonstrativos ‘aquele’ e ‘aquilo’ nos fragmentos contextualizados seguintes:</p>
          <p id="paragraph-4972454fe87ee2b9928dd0b69c05b121">(24) “... ele pegou <bold id="bold-147ecf46f9339e783f8c192fdeca65c7">aquele</bold> coitadinho que tinha uma poupança.” ( SC Flp 02 L 290)</p>
          <p id="paragraph-ee607dd306c2d25b83f6d884cf575737">(24) “<bold id="bold-9c3058155cdc0c3d314c2c3822029cd0">Aquilo</bold> a comida assim parece que cresce (...)” (PR Ctb 10 L 1346)</p>
          <p id="paragraph-d17e659c2c6de7a2b5650c46f4b2e9a4">Não poderíamos compreender no primeiro exemplo o matiz de ‘aquele’ isolado de -<italic id="italic-77a51769d126bf592d013f1f99a7e34e">inho</italic> nesse contexto, pois desse complexo é que emerge a idéia de penalidade e, ao mesmo tempo, da sugestão de pouco valor dado por alguém às pessoas, às quais o falante se refere. O fato de aparecer, no segundo exemplo, o referente declarado, logo a seguir do pronome ‘aquilo’, sugere que sua escolha foi propositada para evocar a idéia depreciativa do referente. É importante acrescentar que a entoação dada a esses enunciados desempenha papel importante, imprime às escolhas o real sentido.</p>
          <p id="paragraph-54999ebfec0ca2d70aca0241e3fe58d3">Vale acrescentar que no fator <italic id="italic-3af65a8922fbc52c6990f79d2f670e45">outros</italic> foram incluídos preposição, numeral e pronomes indefinidos, que foram também amalgamados para serem rodados no programa, por apresentarem baixa freqüência acompanhando -<italic id="italic-e43dda3efb5b69586c3cf757fa57314c">inho</italic> (35%), inibindo esta co-ocorrência (.40).</p>
          <p id="paragraph-7df47d245782d91c94b8a22b5d5e085a">Concluímos da leitura da tabela 3 que os dois tipos de determinantes mais relevantes, artigo indefinido e pronome possessivo, quando acompanham -<italic id="italic-8f5e4928f236b3b5e108a13f0197cebc">inho</italic> podem transmitir ou receber influência expressiva como havíamos previsto, quando contextualizados. Receber ou transmitir influência acontece também com o artigo definido e o pronome demonstrativo.</p>
          <p id="paragraph-89d10939fb9168446706a5b2be4fdd96">A próxima tabela mostra a relação entre as classes de palavras e uso de -<italic id="italic-1292f7ddc48826ccfd613c658e274964">inho</italic>, com o objetivo de verificar se, como registram as gramáticas, este sufixo alia-se mais às classes substantivo e adjetivo.</p>
          <table-wrap id="table-figure-48919d5a0a75004035e38f2908b5f8e0">
            <label>Table 4</label>
            <caption>
              <title>TABELA 4</title>
              <p id="paragraph-f30b4ac4b704bf27234c6c70a5210b49">Classe de Palavras e uso de -<italic id="italic-44c9b130dd35b62bbe1021e83f03287c">inho</italic></p>
            </caption>
            <table id="table-04a2c964567070b19b947295c31aa7c5">
              <tbody>
                <tr id="table-row-2512606acd22781cf53b58e754623994">
                  <th id="table-cell-34cc919abc4afd7298a7ff5ec35aa53a">Fatores</th>
                  <th id="table-cell-b89b8d8757b5babe37b708740e528e69">Total/apl</th>
                  <th id="table-cell-63d10f6d5b535068737521d39cbb2a78">%</th>
                  <th id="table-cell-cb56d088fb5445910969dc26f9374abc">Peso rel.</th>
                </tr>
                <tr id="table-row-cd10241a0a058a64777caaf39d2b3098">
                  <td id="table-cell-16e2afcf363b7d835db1cead716babe9">Advérbio</td>
                  <td id="table-cell-16da8c172231f2669e0c976fd3e791ea">12/9</td>
                  <td id="table-cell-6889e6cb718f7de2f739bf3e020daa4e">75</td>
                  <td id="table-cell-4809cb27b9d11f3f3880ce675ec3f784">.74</td>
                </tr>
                <tr id="table-row-102f29633f0ae98ec1e1e5c97a68ee58">
                  <td id="table-cell-fb80bbc956155246a584e75acc6a9a39">Adjetivo</td>
                  <td id="table-cell-aca251da6f0ff0ffc0ac9226437053d8">21/11</td>
                  <td id="table-cell-f26c20bc5a1020951b19749c1e4c1fd6">52</td>
                  <td id="table-cell-88b92ef95e3bed10d8effc32dbcbc5e0">.63</td>
                </tr>
                <tr id="table-row-a34e9ea50a3f8298e17f424e99b1b423">
                  <td id="table-cell-c459d36a2b0edf6d44c3d6bb22b34ff3">Substantivo</td>
                  <td id="table-cell-4bf86665d32602a838f3e7cc155cbfe3">199/95</td>
                  <td id="table-cell-4a8d0911bfd91605496fcbcfe7ab33bf">48</td>
                  <td id="table-cell-3877f904a4af3bbb62f05e963614ffa7">.52</td>
                </tr>
                <tr id="table-row-5980878a13f48eee7e6a5ed1cfcb5c01">
                  <td id="table-cell-359a903eb06be0fdb2faeb978b9b1782">Loc. Adjetiva</td>
                  <td id="table-cell-6e7cfd2317f88928abe4982387c4366d">6/2</td>
                  <td id="table-cell-3363a756acbc8db2a799531e0e3490c1">33</td>
                  <td id="table-cell-397a82e01961acad0eb266dec34b52d1">.48</td>
                </tr>
                <tr id="table-row-8042928f30cfb755e293159843ca1d5f">
                  <td id="table-cell-b3149f2894d53314ad41086ae3c0f0f5">Loc. Adverbial</td>
                  <td id="table-cell-c833b3610bb46e45fb5c92b6ffcff6e0">18/2</td>
                  <td id="table-cell-2cc23e4bcf89c2d290bc5da9a9fd635b">11</td>
                  <td id="table-cell-1e0465e63a9202023ae607b6152993ea">.08</td>
                </tr>
              </tbody>
            </table>
          </table-wrap>
          <p id="paragraph-d12b0640815f0578ffd220df03929ad3">O percentual de uso de -<italic id="italic-4b920741c0ba4caec731f9456b58441f">inho</italic> com substantivos (48%) e adjetivos (52%) mostra que ambas as classes apresentam um comportamento mais ou menos homogêneo em termos percentuais, embora a primeira seja bem mais recorrente no <italic id="italic-87c31f806bc4f0f997afd36d0c4ddca1">corpus</italic> em termos de freqüência bruta; já os pesos relativos associados indicam que os adjetivos tendem mais a apresentar o sufixo diminutivo (.63) do que os substantivos (.52). O resultado mais relevante, todavia, é o dos advérbios, classe que se mostra como a mais favorecedora para o uso de -<italic id="italic-c486e9c07658733bd5d15f2920b2a011">inho</italic> (.74) (resguardado o número reduzido de dados para este fator).</p>
          <p id="paragraph-282bcd5320d589b28f6d1315b8e17d1a">Veja-se que esse sufixo se manifesta com diferentes classes de palavras. No caso do adjetivo e do advérbio a escolha não foge à informação das gramáticas, a de que o uso de -<italic id="italic-b4b57061ce038038e733d81788a83de0">inho</italic> é para indicar o superlativo absoluto. O que deveria somar-se a essa informação é o fato de que esse superlativo se efetiva com -<italic id="italic-ed88c2e463b154857c0dce2d03366063">inho</italic> por meio expressivo, como mostram os exemplos (26) com adjetivo e (27) com advérbio:</p>
          <p id="paragraph-c939d753949e8896fe61234d8113e5f9">(26) “ ...ele me acompanhou a semana <bold id="bold-6f0c3f9e06fc6d2f4a6b5ef08c51f2bd">inteirinha</bold>, que era a última semana de gravidez, né? E ele me acompanho (...) eu fiquei a noite inteira, me acordei fui deitar no sofá...” (SC Flp 20 L 772)</p>
          <p id="paragraph-98f55c8868808c883e742ab6cb257126">(26) “Eles estão cantando <bold id="bold-785271b409dd5039e442f572aa551d40">fininho</bold> demais, né? E eles não cantavam tão fino assim.” (PR Ctb 3 L 1323)</p>
          <p id="paragraph-3c8161dfb2402d7c55f30bf630d4b779">Anexamos ao quadro de classes de palavras duas funções sintáticas, locução adjetiva e adverbial, por apresentarem seus núcleos com substantivo. Acreditávamos que poderiam aparecer de modo significativo nessas funções, com o sufixo -<italic id="italic-1ea9fd51cc0f66e358ba61c1f237457f">inho</italic>, mas o número de aparições foi bastante reduzido. Do mesmo modo, admitir que a posição do item lexical em uma estrutura lingüística é importante para detectar o condicionamento da variação, revelando sua função sintática, mostrou que -<italic id="italic-38c334b1a05f12801076985c75655df3">inho</italic> e grau normal são equivalentes quanto a ser sujeito, objeto direto, objeto indireto, etc. Para citar um dos resultados como exemplo, na função de objeto direto a porcentagem foi (50%) para -<italic id="italic-226e59f2bc98be36661ebbbfcfd02d03">inho</italic> e (50%) para grau normal. Logo, um fator irrelevante para definir a variação.</p>
        </sec>
        <sec id="heading-33f25cc10163c6933e6c95de99806853">
          <title>3.3.4 Uma leitura social de -inho</title>
          <p id="heading-8056f5a3d8925f7f053be1a6df58be02">O ensino, ainda hoje, é fixado na língua padrão escrita. A língua falada fica relegada a segundo plano, por ser espontânea e não-elaborada como a escrita. Esse fato estimulou verificarmos estatisticamente como se apresentam os usos de -<italic id="italic-dce5867644ccc97776b2641da00bd99b">inho</italic>, considerados os graus de escolaridade, seguido de comentários sobre a influência do sexo e da região.</p>
          <table-wrap id="table-figure-a651cf3c719db65b3b91426101dc8801">
            <label>Table 5</label>
            <caption>
              <title>TABELA 5</title>
              <p id="paragraph-9dd96e840f28d58312ba6d8883e81f6e">Escolaridade e uso de -<italic id="italic-537acc73c89780e71c944ffa8f6b21b5">inho</italic></p>
            </caption>
            <table id="table-f83a9aedb15e4238bceaea319ce1c976">
              <tbody>
                <tr id="table-row-d512e035712dde609939a2a3f23a25bc">
                  <th id="table-cell-da70f84ae2dbac066f0875662df63f8b">Fatores</th>
                  <th id="table-cell-11a58f995e2c53f7b0cb5f10de94d1bc">Total/apl</th>
                  <th id="table-cell-d4199cbc39eb3f77d4491c80b863ea8b">%</th>
                  <th id="table-cell-e2ad60e45b8c6b7de381cdcf1efb3acc">Peso rel.</th>
                </tr>
                <tr id="table-row-663752565e1f0927545563c2bd944e7d">
                  <td id="table-cell-8c40b84d6c445d286a7e33c1baefd2a9">Sec.</td>
                  <td id="table-cell-30a820d9bc66edf5688188b3c4debe81">54/31</td>
                  <td id="table-cell-54bf35bda5fc1459bb6fd7f24cb76b5b">57</td>
                  <td id="table-cell-af2a1dd4d586cbee14565801b57ee6cc">.72</td>
                </tr>
                <tr id="table-row-9d431758c7010ca0d40c3e11f809de6d">
                  <td id="table-cell-cd197a2654a64da492d73b90845f475c">Gin.</td>
                  <td id="table-cell-19d6710d2a4cc56f55fbb2cab6c95338">51/26</td>
                  <td id="table-cell-91f777d4401ff6162371cc6880de9594">51</td>
                  <td id="table-cell-9be18b759b7f493a4b6018e4c90d1a24">.59</td>
                </tr>
                <tr id="table-row-89a58edb6577b7b24d844cf30ee31532">
                  <td id="table-cell-ea3ae1b9fba82d706eea99d7cd0eafda">Prim.</td>
                  <td id="table-cell-d851600583dc42236c1da5197ee1997b">151/62</td>
                  <td id="table-cell-3ddf5323ac0400c60a894ed0b3684191">41</td>
                  <td id="table-cell-05298286baf2a2c663744321747b2f82">.39</td>
                </tr>
              </tbody>
            </table>
          </table-wrap>
          <p id="paragraph-8a1ea5b5b6c287a9f633508a05e3e12f">Apesar do comentário acima sobre o que ensino privilegia, a tabela 5 mostra que o uso de -<italic id="italic-f06916c662001fb486b5bf61e02f4e3a">inho</italic> apresenta-se em todos os níveis de escolaridade, e com percentual relativamente pequeno de diferença. Observou-se, também, que o falante com mais tempo de escola tende a fazer maior uso dele (PR=.72), enquanto o que tem menos escolaridade reduz significativamente o emprego de -<italic id="italic-e091f68f2b30763d2f4d607e1ab7ed13">inho</italic> (PR=.39). Podemos arriscar que uma consciência maior dos recursos expressivos da língua, para elaboração dos enunciados, auxilia na escolha de -<italic id="italic-1538b4dd076f2d9e907392a95764a9c5">inho</italic> para obter maior expressividade com o objetivo de fazer-se melhor compreender.</p>
          <p id="paragraph-907ef0487904e8cbc314cb54cbf4249b">Outro fator que cabe comentar é o sexo. Há o mito de que a mulher é dotada de maior afetividade. Além disso, nossa intuição fazia crer que a mulher usava mais -<italic id="italic-0e218935841e2b923bbbf2d224958746">inho</italic>, tendo em vista que, de algum modo, o diminutivo -<italic id="italic-4ea310551a2b20eb76de94eee1a1e56a">inho</italic> está ligado à afetividade. Os resultados apresentaram um uso quase equivalente. Mesmo considerando a equivalência, se nos apoiarmos na idéia de que o grau normal é uma escolha para caracterizar mais objetividade no ato de expressar, vamos perceber que este uso foi realizado mais pelas mulheres (56%). Contudo, mudanças nos valores sociais exercem, sem dúvida, influência na fala. Surge, pois, uma questão: Estariam os homens, hoje, mais voltados aos aspectos subjetivos da língua na forma de expressar que as mulheres? (Sinal dos tempos?). Essa é uma questão interessante, mas para outro trabalho.</p>
          <p id="paragraph-b234bc7155852730a0609104496a1ed7">O fator região merece ser comentado, pois sabemos que cada local possui suas peculiaridades, as quais atingem também a fala. No caso de <italic id="italic-f1ccbf40d106bf55aa4f736fa93005e9">-inho,</italic> o uso foi equilibrado: Curitiba (49%) e Florianópolis (43%). O que pudemos constatar é que a necessidade de ser expressivo sobrepõe-se à idéia de região, é uma necessidade abrangente, parte da condição natural do homem de querer transcender em sua manifestação lingüística o plano puramente intelectivo, com o objetivo de causar efeito emotivo e de vontade.</p>
        </sec>
      </sec>
      <sec id="heading-69f9be423eccb8d746ed943c7ebbeda1">
        <title>Conclusão</title>
        <p id="heading-95bd292b1b5ca6f6df57aae3af091f4b">Considerados os resultados das tabelas, podemos enumerar algumas considerações conclusivas: 1°) pela avaliação contextual observada nos diferentes matizes e pelo tipo de componente dimensivo ou estilístico de -<italic id="italic-28e5023bc63a3bd331b58b9a013011dd">inho</italic>, a característica mais acentuada é a de expressividade no seu uso na linguagem; 2°) no uso contextualizado, os determinantes que favorecem -<italic id="italic-19d3d8691cc4d607ac4d27f8178d22a9">inho</italic> são o artigo indefinido e o pronome possessivo, o que mostra que determinantes também são capazes de explicitar expressividade; 3°) o advérbio e o adjetivo são as classes que mais influenciam o aparecimento de -<italic id="italic-5a1ab2eb3609ddb83d5c3f35dd875dad">inho</italic>; 4°) indivíduos mais escolarizados optam mais pelo uso de -<italic id="italic-d068e40eb9f93029bc4b4ad339efaa54">inho</italic>, talvez como indício de preferência pela exteriorização lingüística expressiva, ou, pelo menos, pela escolha deste mecanismo específico de expressividade. Esses resultados são somente alguns indicativos de que a estilística deve ser levada em consideração na explicação deste fenômeno lingüístico, e que o grau não deve ser considerado apenas no âmbito da morfologia, como elemento indicador de dimensão, que é o que mais destacam as gramáticas normativas.</p>
        <p id="paragraph-b10039ba7b97a9495901549ff99746fa">A prescrição gramatical, muitas vezes, limita nosso entendimento sobre certos aspectos da linguagem. Por isso, o propósito desse trabalho foi apontar a possibilidade de outra perspectiva na compreensão de um fenômeno estilístico através da metodologia variacionista. Concretizar esse estudo nos faz crer que a descrição gramatical pode se beneficiar quando à complexidade da língua em uso é permitida uma abordagem que inclui os vários níveis desse mesmo uso, como foi o caso de -<italic id="italic-01827af66805271d8a4502e1861bf6af">inho x grau normal</italic> na linguagem coloquial, “simplificadora por excelência” (cf. Cunha e Lindley Cintra 1985:91)<xref id="xref-c52d40b4debcb7ede8bcf00db795a8e5" ref-type="bibr" rid="book-ref-9dbd38f1879741dedd8adec994cf8c05">[5]</xref>, mas que possui suas razões expressivo-estilísticas.</p>
      </sec>
    </sec>
  </body>
  <back>
    <fn-group>
      <fn id="footnote-1ce2a3d0b56a90762770bce57dc7d965">
        <p id="paragraph-81347c078d28042f07c915e89c818430">Lima (1992:86)<xref id="xref-cb50e64c98f92014d0e7e4aa87885a9f" ref-type="bibr" rid="book-ref-28263a11da7e0e0497a271d84a570d1c">[7]</xref>, por exemplo, diz: “Em regra, os diminutivos encerram a idéia de carinho: limpinho, bonitinho, etc.”.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-ee66f06c66fcc2571de6d424428161ba">
        <p id="paragraph-d9193fe4f16bd62f26e1aa8c280f22af">Os exemplos são extraídos do Banco de Dados do Projeto Varsul e aparecem tematicamente contextualizados. O código identifica: o estado (Paraná ou Santa Catarina), a cidade (Curitiba ou Florianópolis), o número do informante (18) e a linha (536/540).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-3658a098d513b1d4f91463ed90aa6df1">
        <p id="paragraph-ccfa4b03922feeb4af4d106c6cab5f50">Talvez pelo fato de que tratar dos aspectos estilísticos da língua implica utilizar uma<bold id="bold-69ebd8eaf8f0a39e48c4c8b7701c9479"> </bold>terminologia que sugere, para alguns, certa imprecisão e impossibilidade de rigor científico.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-f3d9c1098ca2c8f5aa903becd60c9e42">
        <p id="paragraph-96a34f2248843ca332165824b2645dc5">É o caso de Mello (1976)<xref id="xref-9079131e44c34d8face9108c8388b5b3" ref-type="bibr" rid="book-ref-9b9375185a3764e6daf106a85dd4a2db">[16]</xref>, Câmara Jr. (1978)<xref id="xref-c1e0999af430565db8eaff875bd2162e" ref-type="bibr" rid="book-ref-ec1960a36a8911873510adff5e932025">[2]</xref>, Bechara (1983)<xref id="xref-57efe2a905b57879906cac05def1c228" ref-type="bibr" rid="book-ref-ef69202fbad6169c8e745f5f896a9a54">[6]</xref>, Monteiro (1991)<xref id="xref-0431ef85abf58db3e59e66f565595b70" ref-type="bibr" rid="book-ref-069c287429a44b8d68904f6c8e194bc2">[17]</xref>, para<bold id="bold-462df7b6fcc0190845830a58fbbeeb42"> </bold>citar alguns.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-0f6ba619d72f02cece1a594205f8f83c">
        <p id="paragraph-fd21e48108c3f0b95053ef6e5677aed8">Pode-se notar que partimos de Bally para uma noção de Estilística, mas, para que não<bold id="bold-b5c264148dacafc7c840efe560220260"> </bold>seja inferida de sua definição uma posição subjetivista ou psicologista de nossa parte, optamos pelas definições mais objetivas de Granger e Bakhtin.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-3203446df1e7cf49e3daf4bf480689b0">
        <p id="paragraph-9bf9a49aedeccbd7e7174b79b9b2d5d7">Estamos falando da estilística léxica que estuda os aspectos expressivos das palavras,<bold id="bold-e35f887d07b20e28c7c1dfe599210182"> </bold>aspectos que se sobrepõem à comunicação lógica das enunciações.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-2387b475aa1684b084c452735d8d2a50">
        <p id="paragraph-baf38113012bc5203291b881dada6258">É comum, nos estudos lingüísticos, palavras como: expressivo, afetivo, emotivo, sentimento, etc. sugerirem uma certa imprecisão e uma impossibilidade de rigor científico, mas entendemos que ver o fenômeno estilístico evidenciado por meio de uma abordagem variacionista seja uma possibilidade para amenizar essa sugestão, no caso dos diminutivos.<bold id="bold-2"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-b6cffa30e44926f80f8c234c55c1b0ff">
        <p id="paragraph-ae4c6109e761d7cbe9fa5248a884861b">Monteiro (1997:123)<xref id="xref-efa972e23a6cf5f57118e117526da506" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-d4760f4c078869a79e6c8bcf52186317">[4]</xref> comenta que é difícil perceber indício de maior ou menor informalidade de -<italic id="italic-2e6a4b9238a669dce9914e6f2f686c5a">inho</italic> face a -<italic id="italic-2">zinho,</italic> e afirma: “O curioso, porém, é que, muito embora o registro tenha sido desprezado como irrelevante, há uma certa probabilidade de uso da variante -inho até mesmo nas elocuções formais.”<bold id="bold-1d2d8a13818d4f10093ff6a0c77a2b95"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-fd95c24ce9389bf16e6d1d9b1b586a7b">
        <p id="paragraph-a7d7d543ad1a60e976da12b368aa611a">Observe-se, porém, que o número total de ocorrências de possessivo em contexto de variação de grau é reduzido relativamente aos demais determinantes (apenas 14). O índice relevante é que, desses, 79% são acompanhados de –<italic id="italic-fd3230bf33bcf5ddbafba247c282d4a7">inho</italic>.<bold id="bold-bd1416ea70c7dbdeb98ae4759bc2da7c"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-b7efc1f69579840e472463ae2c9b81a5">
        <p id="paragraph-d5339c6e3293a16715b0f4b39242bdc1">O exemplo (22) é utilizado apenas como exemplo ilustrativo de expressividade contrastiva de (21), pois o artigo é definido e acompanha o pronome possessivo, foi considerado como determinante do grau normal.<bold id="bold-570422727451d45c91bea7854eb9a8c4"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-a1e41443a3eeb8f948c90545b559afcc">
        <p id="paragraph-41a2d44d22b982e1b7486e19dbda6f8c">Os fatores artigo definido e pronome demonstrativo foram amalgamados devido à similaridade em seu comportamento.<bold id="bold-fe0e6846b989fd95dcb69159447c93d9"/></p>
      </fn>
    </fn-group>
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