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        <article-title>APRESENTAÇÃO</article-title>
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        <institution content-type="orgname">Universidade de Brasília (UnB)</institution>
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        <institution content-type="orgname">Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)</institution>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="31/09/2019" />
      <volume>17</volume>
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      <issue-title>Apresentação</issue-title>
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    <sec id="heading-17722801661a09a2e75d8987ace3f730">
      <title>Texto</title>
      <p id="_paragraph-2">Este número da <italic id="italic-1">Revista da Abralin</italic> reúne pesquisas sobre as <italic id="italic-2">Contribuições da Teoria Gerativa e da Psicolinguística </italic>para a educação<italic id="italic-3"> </italic>linguística. Sabemos que a linguagem é uma característica definidora da singularidade humana e que, por esse motivo, os fundamentos cognitivos, motores e neurais que caracterizam as línguas têm sido foco de pesquisas nas ciências sociais e biológicas há muito tempo.</p>
      <p id="paragraph-3">No âmbito dos estudos linguísticos, desde a década de 1950, com o surgimento da Teoria Gerativa de Noam Chomsky, inúmeras pesquisas têm sido feitas sobre as propriedades das línguas humanas na mente/cérebro dos seres humanos, tanto sob a perspectiva teórica quanto sob a experimental. Nesse momento fundador das Ciências Cognitivas, na década de 1950, a Linguística Teórica e a Psicolinguística se reinventaram em colaborações interdisciplinares que estabeleceram um novo paradigma nos estudos da linguagem. Fundou-se ali, verdadeiramente, a Sintaxe Experimental, muito provavelmente iniciada com o trabalho pioneiro de Miller &amp; Selfridge (1950), que demonstrou um efeito robusto da estrutura sintática no recall de cadeias de palavras. No início da década de 60, o psicolinguista George Miller publicou um artigo com Noam Chomsky, selando emblematicamente a fascinante cooperação entre as duas áreas<xref id="xref-83a149f15b9d0caf02f271d09784c196" ref-type="fn" rid="footnote-0c299f7e85a131d3dd22ffb904dc62a0">1</xref>.</p>
      <p id="paragraph-5">A hipótese inicial dos estudos da Linguística Teórica e da Psicolinguística é que os seres humanos são dotados de uma Faculdade da Linguagem - uma capacidade biológica que lhes permite adquirir línguas, de forma natural, bastando para isso a interação entre sua Gramática Universal (estado inicial da Faculdade da Linguagem) e os dados do meio ambiente. E o <italic id="italic-4">insight</italic> fundamental de George Miller foi crucial para o empreendimento cognitivista que revolucionou a linguística: complexidade estrutural e perceptual não são isomórficas, mas devem correlacionar-se.</p>
      <p id="paragraph-653ceb3fe9b792f48c8e5d3d0ff6731d">Nos últimos 70 anos, muitas pesquisas foram desenvolvidas e atualmente muito já se sabe sobre a organização da gramática na mente dos falantes e sobre o processamento das línguas naturais. Todavia, ao mesmo tempo em que se atesta o aprofundamento de discussões dessa natureza, há pouca utilização das descobertas e dos conhecimentos advindos da Teoria Gerativa e da Psicolinguística em documentos oficiais e curriculares da educação básica e na formação de professores. Há também poucos debates sobre possibilidades de transposições didáticas, necessárias para adequar aspectos de pesquisa básica para o ensino. Mais recentemente, tanto pesquisadores da Psicolinguística, quanto os da Linguística Teórica têm procurado explorar de modo mais efetivo as possibilidades de translação para a educação de suas teorias e técnicas. Por isso, também consideramos esta publicação importante para estreitar o diálogo entre os pesquisadores destas áreas.</p>
      <p id="paragraph-2622ee9fc6df456b46210fc43784d94e">Iniciamos este volume da <italic id="italic-e1c71b7ef242f3b048a04f3990149220">Revista da Abralin</italic> com duas entrevistas feitas por nós, editores deste número. A primeira entrevista foi feita com a Professora Doutora Leonor Scliar Cabral, da Universidade Federal de Santa Catarina, e a segunda com Professora Doutora Maria José Foltran, da Universidade Federal do Paraná. As duas professoras nos ofereceram contribuições relevantes para o avanço na compreensão acerca das relações entre educação, linguística teórica e psicolinguística.</p>
      <p id="paragraph-7">Em seguida, apresentamos um <italic id="italic-f9842245678f8aea2b21637e415f5277">squib</italic>, especialmente escrito pela Professora Mary Kato (Unicamp) para esta publicação. No <italic id="italic-bfd09363badf3bf511f2a8a2cd8cc90d">squib</italic> intitulado “Português Brasileiro: ‘Última flor do Lácio, inculta e bela’”, Kato retoma sua proposta sobre a Gramática do Letrado (2011/2013), em que se postula que a escrita é um processo de aquisição/ aprendizagem que se assemelha à aquisição de uma segunda língua. A autora discute como essa proposta explica o fenômeno de aquisição/ aprendizagem dos clíticos de terceira pessoa, que, segundo ela estão “perdidos na diacronia, mas preservados na norma escrita”.</p>
      <p id="paragraph-19e65aad9e3cc23aaeb18af209be747f">Dando sequência às publicações deste volume, apresentamos a resenha, elaborada por Marcio Leitão (UFPB/CNPq) e José Ferrari Neto (UFPB), do livro <italic id="italic-2346f9c5d8b8c8d0ecc5be8f6db05f2f">Psicolinguística e Educação</italic> (2018).</p>
      <p id="paragraph-12e6dde543d4520e3a2ebc10c62d027c">Na seção de artigos, adotou-se um princípio temático de organização. Os seis primeiros artigos trazem temas relacionados a questões linguísticas e gramaticais na sala de aula e os três últimos discutem processamento psicolinguístico e leitura.</p>
      <p id="paragraph-66236b85647ca5cb06f7622334374c16">O primeiro artigo é “Linguística Formal como ensino de ciência na escola básica: uma experiência nas aulas de português”, de Edsel Rodrigues Teles (Embrapa, Campinas) e Ruth E. V. Lopes (Unicamp/ CNPq). Nesse artigo, os autores apresentam uma proposta sobre o trabalho com a gramática e o aprendizado do fazer científico. Já no artigo “O verbo e o substantivo em livros didáticos: contribuições da gramática gerativa às aulas de português”, de Aquiles Tescari Neto (IEL- UNICAMP) e Mariana Perigrino (IEL- UNICAMP), os autores avaliam os critérios utilizados para a conceituação das classes de palavras substantivo e verbo em três livros didáticos do Ensino Médio. Há também o artigo “O papel da língua na resolução de enunciados matemáticos”, com autoria de Jessica Barcellos (PUC-Rio), Érica dos Santos Rodrigues (PUC-Rio) e Cilene Rodrigues (PUC-Rio) em que as pesquisadoras investigam a interface entre língua e matemática e analisam se as dificuldades encontradas pelos alunos em situações específicas de divisão podem estar relacionadas à complexidade linguística dos enunciados.</p>
      <p id="paragraph-9">Ainda sob a temática da gramática na sala de aula, com ênfase no ensino de português para estrangeiros, há o artigo, “Ser e Estar em sentenças locativas: observações voltadas à formação de professores de PLE” de Jovania Maria Perin Santos (UFPR) e Maria Cristina Figueiredo Silva (UFPR/CNPq). As autoras discutem a definição tradicional desses verbos, definidos como portadores de características “permanentes” e “não permanentes”, e mostram que são comuns usos que não correspondem a essas classificações, criando “situações que oferecem dificuldades tanto para o ensino quanto para a aprendizagem” do português como língua estrangeira.</p>
      <p id="paragraph-f1b39412c9f555e17b22b68322fb853f">No que se refere ao tema da influência do processo de escolarização e aprendizagem da escrita padrão e de novas variedades linguísticas, há mais dois artigos. O primeiro intitulado “Sobre concordância verbal, aprendizagem da escrita e gramáticas múltiplas” de Stefânia Zandomênico (SEEDF) e Eloisa Pilati (UnB/ CNPq), em que as autoras defendem que, no que se refere ao uso da concordância verbal em textos escritos, a hipótese das gramáticas múltiplas é a mais adequada (cf. Roeper,1999). E o segundo intitulado “<italic id="italic-61f6e3ba9069ba7dfa3861de015d38b6">Sujeito gramatical e objeto direto: gramática da fala versus ‘gramática’</italic> <italic id="italic-006a13deda3f4d9476668245a16f8b81">da escrita no português brasileiro</italic>”, em que as autoras Telma Magalhães<italic id="italic-bbc61bcbc6f59f7da3094e1bf2a1114a"> </italic>(UFAL) e Claudia Roberta Tavares Silva (UFPE), após analisarem narrações de estudantes do Ensino Fundamental e dados de produção oral espontânea produzidos por uma criança brasileira, monolíngue, defendem a hipótese de que, no se refere aos conhecimentos sobre sujeito e objeto, a hipótese teórica mais adequada é a da Gramática do Letrado, tal como proposto por Kato (1999, 2005).</p>
      <p id="paragraph-a355d9db6ae3b94f2150b04684b296ac">Apresentando discussões sobre as relações entre a leitura e processamento linguístico, há os artigos “Repensando as habilidades de leitura no ensino superior sob a ótica da psicolinguística experimental” de Joana Angélica de Souza (UFF) e Eduardo Kenedy (UFF/CNPq), que, por meio da técnica de Cloze, avalia as habilidades de leitura dos ingressantes no ensino superior do curso de uma universidade pública federal e estabelece comparações entre o nível de proficiência na leitura de estudantes ingressantes pelo sistema de ações afirmativas com o de ingressantes por ampla concorrência. Em seguida, no artigo “Considerações sobre o ensino de leitura em inglês como L2 a partir de um estudo experimental do reconhecimento visual de palavras”, Ricardo Augusto de Souza (UFMG/CNPq) e Eduardo Moreira Dias (UFMG) apresentam as observações de dois experimentos com tarefas de decisão lexical e discutem a viabilidade do ensino da leitura em língua adicional sem apoio da aprendizagem da oralidade.</p>
      <p id="paragraph-64444a0d5edc48e85273f2e538035372">Por fim, fechando a publicação, apresentamos o artigo “Neurophysiology of grapheme decoding: the N170 as a predictive and descriptive tool“ de Marije Soto (UERJ), Juliana Novo Gomes (UFRJ), Aniela Improta França (UFRJ) e Aline Gesualdi Manhães (CEFET-Rio). Esse artigo analisa a especialização do processamento visual subjacente ao processamento de grafemas e palavras por meio de um experimento eletrofisiológico realizado em um grupo de alunos do 8º ano de uma escola pública. Destacamos que esse artigo pode ser considerado o primeiro feito no Brasil sobre o processamento de grafemas usando a metodologia de extração de Potenciais Cerebrais Relacionados a Eventos (EEG-ERP), para coletar e analisar o componente N170 (uma assinatura neurofisiológica sensível ao processamento de grafemas e palavras escritas).</p>
      <p id="paragraph-cbabc0712e460dd29c12eb9fd059597d">Esperamos, com essa publicação, contribuir para promoção e divulgação de pesquisas sobre translações entre teoria linguística, estudos psicolinguísticos e educação básica, fomentar o debate sobre questões teóricas e práticas e promover o diálogo entre universidade e escola. Desejamos a todos uma ótima leitura.</p>
      <p id="paragraph-36cb7b31b4aae482e95bac7e19aa2073">
        <italic id="italic-1103ab7f866131031a1a5a2d61a6c261">Eloisa Pilati</italic>
        <xref id="xref-5f9c3e7be6822a7d5cc6abe0e6b2d4a9" ref-type="fn" rid="footnote-d5f306c887663f22b9c2471ce29783a6">2</xref>
        <italic id="italic-6a3d21c43a8110f8c0a63fda4692f6a5">e</italic>
        <italic id="italic-100fa148ad552f62e13cc84d91d61def">Marcus Maia</italic>
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        <label>1</label>
        <p id="paragraph-d466ec50a5968ae6cd1a4b2e7fc7ed54">Miller, G. A. and Selfridge, J. (1950). Verbal context and the recall of meaningful material. American Journal of Psychology, 63, 176-185.</p>
        <p id="paragraph-494a5e86414cdbc6dc3ba348cd67dbdf">Miller, G. A. and Chomsky, N. (1963) ‘Finitary models of language users’ in Handbook of Mathematical Psychology, vol II (ed.), Luce, R.D., Bush, R.R. and Galanter, E., Wiley, New York, pp. 419-491.</p>
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        <label>2</label>
        <p id="paragraph-51f879eb462d3a1edc986cc9ac56829e">Universidade de Brasília (UnB) | Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), eloisapilati@gmail.com, orcid.org/0000-0003-2895-5557.</p>
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        <label>3</label>
        <p id="paragraph-9b85af8e535ffdda9f192433cdc5fe2a">Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) | Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)<italic id="italic-87fda054e96ad5362d9a58c128a3e51a">,</italic> maiamarcus@gmail.com, orcid.org/0000-0002-1583-3334.</p>
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